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quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (3)

“Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef 4,5).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica), como indicado pelo Elenco das Leituras da Missa (n. 66) [1], na Celebração Eucarística. Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte.

Agora prosseguiremos com os demais Sacramentos e os Sacramentais.


2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

b) Sacramentos

Além da Eucaristia, a Carta aos Efésios consta entre as opções de leitura ad libitum (à escolha) de todos os outros seis Sacramentos.

Primeiramente, em relação à Iniciação Cristã de Adultos, vale destacar o Rito da eleição ou inscrição do nome, que tradicionalmente se celebra no I Domingo da Quaresma e com o qual tem início o “Tempo da Purificação e Iluminação”. Quando esse rito se celebra na Missa, entoa-se a antífona da Comunhão da sexta-feira da IV semana da Quaresma, como vimos anteriormente: “Temos a redenção em Cristo pelo seu sangue e a remissão dos pecados segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1,7) [2].

No IV Domingo da Quaresma, por sua vez, celebra-se o II Escrutínio, com uma leitura de Efésios, que é proclamada mesmo quando os Escrutínios são celebrados em outro tempo: Ef 5,8-14 [3], sobre o tema da “iluminação”.

Para a celebração do sacramento do Batismo há três leituras ad libitum (à escolha) da nossa Carta:
- Ef 1,3-10.13-14: o “hino”, que como o Batismo possui uma dinâmica trinitária, destacando-se aqui também o tema da adoção filial (vv. 5-6);
- Ef 4,1-6: a afirmação de que há “um só Senhor, uma só fé, um só Batismo”;
- Ef 5,8-14: esta leitura, sobre o tema da “iluminação” é prevista apenas para o Batismo de crianças, uma vez que os adultos já a ouviram no II Escrutínio [4].

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (2)

“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto” (Cl 3,1).

Em nossa postagem anterior desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1] na Celebração Eucarística. Para acessar a 1ª parte, clique aqui.

Agora prosseguiremos com as Missas para diversas necessidades e votivas e os demais Sacramentos.

“A paz de Cristo exulte em vossos corações” (Cl 3,15)
O Ressuscitado comunica a paz aos Apóstolos

2. Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses: Composição harmônica

Começamos esta segunda parte do nosso estudo contemplando as Missas para diversas necessidades, com várias opções de leituras ad libitum (à escolha), das quais são tomadas também algumas antífonas para essas Missas.

Primeiramente, a antífona de entrada da Missa por um Concílio ou Sínodo é uma exortação à caridade e à paz: “Tende acima de tudo a caridade, que é o vínculo da perfeição; e a paz de Cristo exulte em vossos corações” (Cl 3,14-15) [2].

Na sequência, nas Missas pelos sacerdotes e pelos ministros da Igreja é possível ler Cl 1,24-29 [3]. Aqui, como vimos na postagem anterior, o autor da Carta recorda seu ministério, destacando o anúncio da Palavra.

Dessa perícope é tomada a antífona de entrada do 1ª formulário da Missa pelo próprio sacerdote: “Eu me tornei ministro da Igreja por disposição divina que me foi confiada em relação a vós: anunciar-vos o Cristo...” (cf. Cl 1,25.28) [4].

Para a Missa pela unidade dos cristãos propõe-se a leitura de Cl 3,9b-17 [5], um trecho da seção parenética da Carta, exortando à prática das virtudes e concluindo com uma “bênção” evocando a paz e a unidade.

Dessa mesma perícope é tomada uma das opções de aclamação ao Evangelho (Cl 3,15) [6] e a antífona da Comunhão do 2ª formulário dessa Missa: “Tende acima de tudo a caridade, que é vínculo de perfeição; e exulte em vossos corações a paz do Cristo na qual sois chamados a ser um só corpo” (Cl 3,14-15) [7].

O mesmo texto de Cl 3,14-15 é proposto ainda como 2ª opção de antífona de entrada para a Missa para uma reunião espiritual ou pastoral [8].

quarta-feira, 28 de agosto de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (3)

“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,4-5).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1] na Celebração Eucarística. Para acessar a primeira parte, clique aqui; para a segunda parte, clique aqui.

Nesta postagem concluiremos a análise sob esse critério com os demais Sacramentos, os Sacramentais e a Liturgia das Horas.

Batismo de Lídia em Filipos (At 16,11-15)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses: Composição harmônica

b) Sacramentos e Sacramentais

Além da Eucaristia, alguns textos da Carta aos Filipenses constam entre as leituras ad libitum (à escolha) dos Sacramentos da Unção dos Enfermos e do Matrimônio e de dois ritos relacionados ao Batismo.

Primeiramente, no contexto da Iniciação Cristã de adultos, quando estes recebem o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia na Vigília Pascal, na manhã do Sábado Santo podem celebrar-se os Ritos de preparação imediata. A leitura indicada para esses ritos é Fl 3,4-15 [2], na qual Paulo exorta a lançar-se “para frente”, isto é, para Cristo.

Para o Rito da Admissão dos batizados, pelo qual são acolhidas na Igreja pessoas já batizadas em outras comunidades eclesiais, sugere-se a leitura de Fl 4,4-8 [3], com o convite à alegria e a exortação a praticar a virtude.

Na Unção dos Enfermos, por sua vez, é possível ler Fl 2,25-30 [4], sobre a doença de Epafrodito, enviado da comunidade a Paulo, e sua recuperação: “Estava às portas da morte, mas Deus compadeceu-se dele” (v. 27).

Para o Matrimônio, por fim, a leitura sugerida da nossa Carta é Fl 4,4-9 [5], com o convite à alegria e a exortação à virtude, como vimos acima.

Quanto aos Sacramentais, consideremos primeiramente aqueles que dizem respeito à consagração de pessoas, com duas ocorrências da nossa Carta dentre as opções de leituras ad libitum (à escolha):

No novo rito da Instituição de Catequistas (De Institutione Catechistarum), promulgado pelo Dicastério para o Culto Divino em dezembro de 2021, propõe-se a leitura de Fl 4,4-9, destacando-se aqui a exortação do v. 9: “Praticai o que aprendestes”.

Para a Consagração das virgens e a Profissão religiosa, celebrações que compartilham as mesmas opções de leituras, propõem-se dois textos de Filipenses [6]:
- Fl 2,1-4: a exortação do Apóstolo à unidade, fundamental na vida religiosa: “Vivei em harmonia, procurando a unidade” (v. 3);
- Fl 3,8-14: o convite a “esquecer o que ficou para trás” e a lançar-se “para frente”, isto é, para Cristo.

Deste último texto é tomada também uma das opções de aclamação ao Evangelho para essas celebrações: “Em tudo considero como perda e lixo, a fim de ganhar Cristo e ser achado n’Ele” (Fl 3,8-9) [7].

Ainda em relação aos Sacramentais, contemplemos as bênçãos de pessoas, lugares e objetos, nas quais identificamos seis leituras da Carta à escolha:

- Bênção de noivos: Fl 2,1-5 [8], a exortação a viver “unidos no mesmo amor”.

- Bênção de idosos: Fl 3,20–4,1 [9], onde o Apóstolo exorta: “Permanecei firmes no Senhor”, pois “nós somos cidadãos do céu”.

Ruínas de um batistério na cidade de Filipos

- Bênção de edifício sede de comunicação: Fl 4,8-9 [10], com uma exortação à ética nas comunicações: “Irmãos, ocupai-vos com tudo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso...” (v. 8).

- Bênção de instalações esportivas: Fl 3,12-15 [11], aqui, como na Primeira Carta aos Coríntios, Paulo usa a metáfora do esporte, afirmando: “Corro direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em Cristo Jesus” (v. 14).

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

Nota Gestis verbisque sobre a validade dos Sacramentos

No dia 02 de fevereiro de 2024 o Dicastério para a Doutrina da Fé, com a aprovação do Papa Francisco, promulgou a Nota Gestis verbisque sobre a validade dos Sacramentos, exortando à fidelidade sobretudo em relação à matéria e à forma dos Sacramentos.

Confira o texto do documento na íntegra, em uma tradução livre nossa, precedido de uma Apresentação do Prefeito do Dicastério:

Dicastério para a Doutrina da Fé
Nota Gestis verbisque
Sobre a validade dos Sacramentos

Apresentação

Já por ocasião da Assembleia Plenária do Dicastério de janeiro de 2022, os Cardeais e os Bispos Membros manifestaram a sua preocupação pela multiplicação de situações em que foram obrigados a constatar a invalidade dos Sacramentos celebrados. As graves alterações introduzidas na matéria ou na forma dos Sacramentos, tornando nula a sua celebração, levaram então à necessidade de localizar as pessoas envolvidas para repetir o rito do Batismo ou da Confirmação, e um número significativo de fiéis exprimiu com razão a sua preocupação. Por exemplo, em vez de utilizar a fórmula estabelecida para o Batismo, foram utilizadas fórmulas como as seguintes: «Eu te batizo em nome do Criador...» e «Em nome do papai e da mamãe... nós te batizamos». Em tão grave situação se encontraram também sacerdotes. Estes últimos, tendo sido batizados com fórmulas deste tipo, descobriram dolorosamente a invalidade da sua ordenação e dos sacramentos celebrados até aquele momento.

Enquanto em outros âmbitos da ação pastoral da Igreja haja um amplo espaço para a criatividade, tal inventividade no contexto da celebração dos Sacramentos se transforma antes em uma “vontade manipuladora” e não pode, portanto, ser invocada [1]. Modificar, pois, a forma de um Sacramento ou a sua matéria é sempre um ato gravemente ilícito e merece uma pena exemplar, precisamente porque tais gestos arbitrários são capazes de produzir graves danos ao Povo fiel de Deus.

Símbolos dos sete Sacramentos

No discurso dirigido ao nosso Dicastério por ocasião da recente Assembleia Plenária, em 26 de janeiro de 2024, o Santo Padre recordou que «através dos Sacramentos, os fiéis se tornam capazes de profecia e de testemunho. E o nosso tempo necessita com particular urgência de profetas de vida nova e de testemunhas de caridade: portanto, amemos e façamos amar a beleza e a força salvífica dos Sacramentos!». Neste contexto indicou também que «aos ministros é exigido um particular cuidado ao administrar os Sacramentos e ao revelar aos fiéis os tesouros da graça que eles comunicam» [2].

É assim que, por um lado, o Santo Padre nos convida a agir de modo que os fiéis possam aproximar-se frutuosamente dos Sacramentos, enquanto, por outro lado, sublinha fortemente o apelo a um “particular cuidado” na sua administração.

sábado, 17 de fevereiro de 2024

Sugestão de leitura: Cadernos do Concílio (Parte 2)

No mês de janeiro começamos a propor como sugestão de leitura os nove volumes da Coleção “Cadernos do Concílio” dedicados à Constituição Sacrosanctum Concilium.

Com efeito, em preparação para o Jubileu Ordinário de 2025, o Papa Francisco propôs “revisitar” as quatro Constituições do Concílio Vaticano II (1962-1965): Dei Verbum, Sacrosanctum Concilium, Lumen Gentium e Gaudium et Spes.

Atendendo ao pedido do Papa, o Dicastério para a Evangelização (Seção para as questões fundamentais da evangelização no mundo), responsável pela organização do Jubileu, publicou a Coleção “Cadernos do Concílio” (Quaderni del Concilio), com 34 volumes dedicados às quatro Constituições conciliares.


Os breves volumes, escritos por diversos autores, começaram a ser publicados no Brasil no segundo semestre de 2023 pelas Edições CNBB.

Após apresentar os primeiros três dos nove volumes dedicados à Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada Liturgia em janeiro (nn. 6-8), damos continuidade com os nn. 9-11, que abrangem os capítulos II-IV do documento:

O Mistério Eucarístico
Irmã Fulvia Maria Sieni, monja agostiniana
Coleção Cadernos do Concílio, vol. 9
64 páginas

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Artigos sobre Liturgia: Revista Perspectiva Teológica 2019-2023

Há duas semanas destacamos aqui em nosso blog quatro artigos sobre Liturgia publicados em 2023 na Revista Atualidade Teológica, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta com cinco artigos sobre Liturgia publicados entre 2019 e 2023 na Revista Perspectiva Teológica, periódico quadrimestral da Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), sediada em Belo Horizonte (MG).

Primeiramente destacamos os três artigos publicados no vol. 55, n. 3, referente aos meses de setembro a dezembro de 2023, destacando os 60 anos da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II.

Na sequência, de maneira retrospectiva, trazemos outros dois artigos relacionados à Liturgia, publicados no vol. 53, n. 3 (setembro a dezembro de 2021) e no vol. 51, n. 2 (maio a agosto de 2019).


Confira a seguir os resumos dos artigos, que podem ser acessados na íntegra no site da Revista:

O valor permanente de uma reforma para a nova evangelização: A Constituição Sacrosanctum Concilium e a reforma litúrgica 60 anos depois
Padre Washington Paranhos, SJ (Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Salesiana de Roma)

A 60 anos da promulgação da Sacrosanctum Concilium, parece-nos que podemos assinalar uma mudança de perspectiva em curso: da atenção à “reforma” da Liturgia à Liturgia como “forma” de renovação da vida da Igreja. Este é o objetivo deste estudo. Na primeira fase, o foco estava inteiramente na Liturgia como um objeto a ser reformado: um objeto ao qual se devia atribuir significado, um objeto a ser embelezado, ser purificado e retirado a poeira, do qual precisava retirar as incrustações para fazê-lo brilhar, mas ainda assim permanece um objeto. A reforma litúrgica foi entendida como: a Liturgia a ser reformada. A atenção hoje, por sua vez, parece-nos mais orientada para a Liturgia como fonte de renovação da vida da Igreja. Ora, se a Liturgia se tornou fonte, ela não seria mais apenas objeto, como antes; ela se tornaria, agora, “lugar vital”, entendido como fonte propulsora e critério de verificação da renovação da vida da Igreja. Inicialmente trataremos brevemente da pré-história da reforma litúrgica, para depois falar da Constituição litúrgica e do seu fundamento, da sua aplicação e dos litígios que dela decorreram. A Igreja se constitui enquanto tal pelo fato de tomar forma a partir da celebração, do dom recebido. Deste modo, a Sacrosantum Concilium, mais do que um manual para reformar os ritos, revelou-se uma carta magna, capaz de inspirar a renovação e a reforma da Igreja.


Entre a Tradição e as Sagradas Escrituras: A Liturgia como norma da vida da Igreja
Padre Creômenes Tenório Maciel, SJ (Doutor em Teologia pelo Institut Catholique de Paris e em Ciências da Religião pela Universidade Católica de Pernambuco)

quarta-feira, 15 de novembro de 2023

Leitura litúrgica da Primeira Carta de Pedro (2)

“Como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo” (1Pd 2,5).

Na postagem anterior desta série sobre a leitura dos livros da Sagrada Escritura nas celebrações litúrgica do Rito Romano iniciamos um estudo sobre a Primeira Carta de Pedro (1Pd).

Na 1ª parte, após uma breve introdução, começamos a analisar sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica, como indicado no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM) [1], no Próprio do Tempo e o Próprio dos Santos.

Nesta postagem prosseguiremos nosso percurso com o Comum dos Santos, as Missas para diversas necessidades e votivas e os demais sacramentos.

São Pedro (Simone Martini)

2. Leitura litúrgica de Primeira Carta de Pedro: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Iniciamos esta segunda parte da pesquisa com os Comuns dos Santos, formulários com várias opções de leituras ad libitum (à escolha) para cada “categoria” de santos. Aqui identificamos seis leituras de 1Pd em quatro formulários:

- Comum da Dedicação de igreja: 1Pd 2,4-9 [2], a exortação a formarmos, “como pedras vivas”, um “edifício espiritual”, isto é, a Igreja, da qual o templo cristão é a imagem.

Dessa mesma perícope é tomada uma das antífonas de Comunhão desse Comum, mais especificamente para a Missa do aniversário da dedicação de outra igreja: “Como pedras vivas, formai um templo espiritual, um sacerdócio santo” (1Pd 2,5) [3].

- Comum dos Mártires: para as celebrações dos mártires são propostas duas leituras à escolha, ambas exortando à coragem e proclamando a “bem-aventurança” das perseguições por causa da fé: 1Pd 3,14-17 ou 1Pd 4,12-19 [4].

Desta última perícope é tomada também uma das opções de versículo de aclamação ao Evangelho para as celebrações dos mártires, proclamando a “bem-aventurança” da perseguição: “Felizes sereis vós, se fordes ultrajados, por causa de Jesus, pois repousa sobre vós o Espírito de Deus” (1Pd 4,14) [5].

- Comum dos Pastores: 1Pd 5,1-4 [6], a exortação aos presbíteros a apascentar o “rebanho de Deus” que lhes confiado;

- Comum dos Santos: com duas opções de leituras à escolha:
1Pd 3,1-9: conselhos às esposas e aos maridos. Embora o Lecionário não especifique, essa leitura é mais adequada para santos que viveram no Matrimônio;
1Pd 4,7b-11: exortação ao amor fraterno e a colocar à disposição os dons recebidos [7].

Seguimos nosso percurso com as Missas para diversas necessidades, igualmente com várias opções de leituras ad libitum. Como no Comum dos Santos, nosso livro aparece em quatro formulários:

- Missa pela santa Igreja: 1Pd 2,4-9 [8], a exortação a formarmos, “como pedras vivas”, um “edifício espiritual”, como no Comum da dedicação de igreja;

“Como pedras vivas, formai um edifício espiritual” (1Pd 2,5)
(Fiéis no Santuário Nacional de Aparecida)

- Missa pelos religiosos: 1Pd 1,3-9 [9], parte da “ação de graças” da Carta, prometendo que, após passarmos pelas provações deste mundo, receberemos “uma herança incorruptível, que não estraga, que não se mancha nem murcha” (v. 4);

sexta-feira, 28 de julho de 2023

Dissertações e Teses sobre Liturgia: PUC-Rio 2022-2023

No início deste ano de 2023 destacamos aqui em nosso blog cinco trabalhos acadêmicos sobre Liturgia - três Dissertações de Mestrado e duas Teses de Doutorado - defendidos entre 2021 e 2022 no Programa de Pós-Graduação em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta apresentando outros quatro trabalhos: duas Teses (2022) e duas Dissertações (primeiro semestre de 2023), refletindo particularmente sobre os sacramentos e a Palavra de Deus.

Brasão da PUC-Rio

Seguem os resumos dos trabalhos, que podem ser acessados na íntegra nos links a seguir:

Os sacramentos como forças que saem do corpo de Cristo: Um contributo ao conceito de sacramento à luz da teologia do Concílio Vaticano II
Anderson Batista Monteiro
Orientador: Luiz Fernando Ribeiro Santana
Tese de Doutorado (2022), 221 páginas

A presente tese tem como objetivo principal contribuir para um renovado conceito dos sacramentos da Igreja, a partir da teologia litúrgica das ações simbólicas dos profetas de Israel e de Jesus. Com o avanço das pesquisas na área bíblica, patrística e dogmática, tem sido possível explorar um conceito mais bíblico e eclesial dos sacramentos celebrados pela Igreja. À luz do Concílio Vaticano II é traçada a natureza litúrgica dos atos proféticos realizados pelos profetas e por Jesus. Como sinais do poder Deus, inseridos na história da salvação, estes atos hoje são prolongados no mundo por meio da Liturgia da Igreja. Inseridos na última etapa da historia salutis, os sacramentos são atos divinos que revelam a presença salvífica de Cristo no mundo e antecipam o cumprimento escatológico do reino de Deus. Sendo assim, os sacramentos como atos proféticos da Igreja querem provocar uma expressão renovada dos atos litúrgicos da Igreja. As ações simbólicas provocam uma reposta, fazendo com que o cristão participe ativamente do mistério e compreenda que os sacramentos são atos que possuem uma força transformadora na própria vida, na Igreja e em todo o mundo.

Capítulos:
1. As ações simbólicas na economia salvífica como sinais de salvação
2. A teologia litúrgica das ações simbólicas
3. Para uma renovada expressão dos atos proféticos-sacramentais da Igreja


A relação entre Eucaristia e Igreja no pensamento de Joseph Ratzinger
Mauro Francisco dos Santos
Orientador: Dom Antônio Luiz Catelan Ferreira
Tese de Doutorado (2022), 216 páginas

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Leitura litúrgica da Carta aos Romanos (3)

“Nada poderá nos separar do amor de Deus” (cf. Rm 8,38-39).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm) nas celebrações do Rito Romano.

Na 1ª parte, após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1], na Celebração Eucarística ao longo do Ano Litúrgico.

Na 2ª parte, por sua vez, analisamos as Missas dos santos, para diversas necessidades e votivas e os sacramentos da Iniciação Cristã.

Agora prosseguiremos a análise segundo este critério com os demais sacramentos, os sacramentais e a Liturgia das Horas.

São Paulo com suas Cartas
(Simone Martini)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Romanos: Composição harmônica

b) Sacramentos

Da Iniciação Cristã passamos aos dois sacramentos de cura, começando pela Reconciliação ou Penitência, para a qual são indicados nada menos que dez textos da Carta aos Romanos.

Como leitura facultativa para a confissão individual consta Rm 5,8-9 [2], atestando que Cristo morreu por amor a nós.

Há outros sete textos mais longos indicados no Ritual da Penitência para a celebração comunitária da Reconciliação com confissões individuais ou para celebrações penitenciais em preparação ao sacramento:
- Rm 3,22-26: Todos pecaram, mas Deus gratuitamente nos redimiu em Cristo;
- Rm 5,6-11: Fomos reconciliados com Deus pela morte de Cristo;
- Rm 6,2b-13: Pelo Batismo morremos para o pecado;
- Rm 6,16-23: O pecado é escravidão e morte, mas Deus nos liberta para a vida eterna;
- Rm 7,14-25: Oposição entre o pecado e a lei de Deus, entre carne e espírito;
- Rm 12,1-2.9-19: Série de conselhos para a vida cristã;
- Rm 13,8-14: Exortação a “despojar-se” das ações das trevas e “revestir-se” de Cristo [3].

Por fim, o Ritual traz ainda modelos de celebrações penitenciais com leituras próprias. Para a celebração penitencial com jovens são indicadas duas opções:
- Rm 7,18-25: Versão mais breve da leitura sobre a oposição entre o pecado e a lei;
- Rm 8,19-23: O mundo presente aguarda sua libertação da corrupção [4].

quinta-feira, 25 de maio de 2023

Leitura litúrgica do Livro do Gênesis 12–50 (2)

“Estou contigo e te guardarei onde quer que vás” (Gn 28,15).

Na postagem anterior desta série sobre a Sagrada Escritura na Liturgia iniciamos um estudo sobre os capítulos 12–50 do Livro do Gênesis (Gn) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução a estes capítulos, que compõem a “História dos Patriarcas”, começamos a analisar sua leitura na Celebração Eucarística sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica, como indica o Elenco das Leituras da Missa (ELM) em seu n. 66 [1].

Nesta postagem continuaremos a proposta com as Missas para diversas necessidades e votivas, os demais sacramentos, os sacramentais e a Liturgia das Horas.

Os três visitantes recebidos por Abraão (Gn 18)
Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone da Trindade

2. Leitura litúrgica de Gênesis 12–50: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Nas Missas para diversas necessidades há apenas uma leitura de Gn 12–50 ad libitum (à escolha): o relato da vocação de Abraão, proposto para as Missas pelas vocações sacerdotais e vocações religiosas: Gn 12,1-4a [2].

Quanto às Missas votivas, primeiramente, na Missa votiva da Santíssima Eucaristia pode ser lido à escolha Gn 14,18-20 [3], texto sobre a oferenda de pão e vinho por Melquisedec, mesma perícope sugerida para o Culto Eucarístico fora da Missa [4].

Nos formulários em honra da Virgem Maria propostos na Coletânea de Missas de Nossa Senhora identificamos outros três textos:

- Missa de Maria, Filha eleita de Israel (Tempo do Advento): a 1ª opção de leitura é Gn 12,1-7 [5], com a promessa da descendência a Abraão. Jesus “entra” nessa descendência através de Maria, como recorda sua genealogia, lida no Evangelho da Missa (Mt 1,1-17).

- Leituras à escolha para as Missas de Nossa Senhora, com duas opções de textos:
- Gn 22,1-2.9-13.15-18, o “sacrifício” de Isaac. Como Abraão, Maria também de certa forma “sacrifica seu filho único”, participando do mistério da Paixão;
- Gn 28,10-17, o sonho de Jacó, no qual este contempla a escada para o céu [6].

Maria, com efeito, é invocada no célebre hino Akathistos, da tradição bizantina: “Ave, ó escada sublime por quem Deus nos veio! Ave, ó ponte que os homens ao céu encaminha!” [7]. Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone do Akathistos.

b) Sacramentos e sacramentais

Além da Eucaristia, encontramos textos ad libitum de Gn 12–50 em outros três sacramentos e ritos a eles ligados: o Batismo, a Reconciliação e o Matrimônio.

Para a Admissão dos catecúmenos, um dos ritos da Iniciação Cristã de adultos, que dá início ao tempo do catecumenato, a leitura própria é Gn 12,1-4a [8], o relato da vocação de Abraão.

Na celebração do sacramento do Batismo são indicados três textos à escolha, sendo um para o Batismo de adultos e crianças e dois apenas para o Batismo de adultos:

- Batismo de crianças e adultos: Gn 17,1-8 [9], a “aliança eterna” de Deus com Abraão e seus descendentes, mudando o nome do patriarca de Abrão para Abraão. No Batismo, com efeito, o Senhor também nos chama pelo nome e nos torna seus filhos;

O sonho de Jacó e a edificação do altar em Betel
(Duomo di Monreale, Itália)

- Batismo de adultos: Gn 15,1-6.18a, outro relato das promessas a Abraão; e Gn 35,1-4.6-7a, no qual Jacó constrói um altar para o Senhor em Betel, rejeitando o culto a outros deuses. Destaca-se o convite: “Purificai-vos, mudai vossas roupas!” (v. 2) [10].

quinta-feira, 11 de maio de 2023

Leitura litúrgica do Livro do Gênesis 1–11 (2)

“E Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom” (Gn 1,31).

Na postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença dos capítulos 1–11 do Livro do Gênesis (Gn) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução a estes capítulos, que compõem a “História das Origens”, começamos a analisar sua leitura litúrgica sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica, como indica o Elenco das Leituras da Missa (ELM) em seu número 66 [1].

Criação do sol e da lua
(Michelangelo, Capela Sistina)

Tendo considerado as celebrações do Ano Litúrgico e dos santos, nesta postagem prosseguiremos a análise com as Missas para diversas necessidades e votivas, os demais sacramentos, os sacramentais e a Liturgia das Horas (LH).

2. Leitura litúrgica de Gênesis 1-11: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Iniciamos esta segunda parte do nosso estudo com as Missas para diversas necessidades, formulários com várias opções de textos, nos quais há cinco leituras ad libitum (à escolha) do nosso livro:

- Missas pela pátria, pelos governantes, por um encontro de chefes de Estado, pelo chefe de Estado e pelo progresso dos povos, com três opções de textos:
Gn 1,26–2,3: Deus confia ao homem e à mulher o cuidado da sua obra (1º relato da criação);
Gn 2,4b-9.15: Deus confia ao homem o cuidado do jardim do Éden (2º relato da criação);
Gn 4,3-10: o primeiro fratricídio (Caim mata seu irmão Abel), diante do qual Deus adverte que o sangue dos inocentes clama por justiça (v. 10) [2].

- Missa pela santificação do trabalho: são repropostas as primeiras duas leituras acima, sobre o cuidado da criação (Gn 1,26–2,3 e Gn 2,4b-9.15) [3];

Vale destacar que também a 1ª opção de antífona de entrada dessa Missa é tomada do Livro do Gênesis: “No princípio criou Deus o céu e a terra. E Deus criou à sua imagem. Viu Deus todas as coisas que fizera, e eram muito boas” (Gn 1,1.27.31) [4].

- Missa em tempo de guerra: aqui, por sua vez, é sugerida a terceira perícope acima, Gn 4,3-10, advertindo contra a morte dos inocentes [5].

- Missa no início do ano civil: a leitura sugerida é Gn 1,14-18 [6], o relato do “quarto dia”, com a criação do sol e da lua “para marcar as épocas, os dias e os anos” (v. 14).

- Missa para a sementeira: aqui, por fim, pode ser lido à escolha o relato do “terceiro dia” da criação, Gn 1,11-12 [7], quando Deus cria “plantas que trazem semente” e “árvores que dão fruto”.

Vitrais representando os seis dias da criação

Passamos a seguir às Missas votivas, celebradas para favorecer a piedade dos fiéis, nas quais nosso livro aparece em algumas celebrações em honra da Virgem Maria:

domingo, 16 de abril de 2023

Sugestão de leitura: Catequeses mistagógicas (São Cirilo de Jerusalém)

“Vós que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo” (Gl 3,27).

A Páscoa, dentro do itinerário da Iniciação Cristã de Adultos, é o “tempo da mistagogia”, palavra que significa “conduzir ao mistério”: após receberem os Sacramentos da Iniciação Cristã na Vigília Pascal, os neófitos eram instruídos no seu significado.

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a Oitava da Páscoa e sobre o Tempo Pascal.

Após apresentarmos em março as Catequeses pré-batismais de São Cirilo de Jerusalém, (†386), Bispo e Doutor da Igreja, neste mês de abril propomos como sugestão de leitura suas Catequeses mistagógicas, publicadas no ano de 2020 pela Editora Vozes como parte da Coleção “Clássicos da Iniciação Cristã”.


A obra foi publicada originalmente em 1976, com a tradução do franciscano Frei Frederico Vier a partir do original publicado na célebre coleção organizada por Jacques Paul Migne, Patrologia Graeca (vol. 33).

A Introdução (pp. 11-30) e as notas de rodapé, por sua vez, ficaram a cargo do também franciscano Frei Fernando Antônio Figueiredo, Doutor em Patrística e posteriormente Bispo de Santo Amaro (SP).

Após a Catequese preliminar ou Procatequese (Προκατηχήσις) e as 18 Catequeses pré-batismais ou Catequeses aos iluminandos (Κατηχήσεις φωτιζομένων), publicadas no volume anterior, aqui temos acesso às suas cinco Catequeses mistagógicas (Κατηχήσεις μυσταγωγικαί) “aos neófitos” (Πρὸς τοὺς νεοφωτίστους) ou “aos recém-iluminados”, proferidas entre os anos de 348 e 350, durante a Oitava Pascal, na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

As duas primeiras Catequeses mistagógicas aprofundam o Batismo, a terceira a Confirmação ou Crisma e as duas últimas a Eucaristia: aqui os neófitos são “conduzidos pela mão” através das palavras e dos gestos vivenciados durante a recepção dos sacramentos na Vigília Pascal.

quinta-feira, 30 de março de 2023

Homilia do Papa Bento XVI: Missa Crismal (2011)

“Deus te ungiu com o óleo da alegria” (Hb 1,9; Sl 44,8).

Na manhã da Quinta-feira Santa (neste ano de 2023 a 06 de abril), cada Diocese celebra a Missa Crismal, durante a qual o Bispo abençoa os Óleos dos Catecúmenos e dos Enfermos e consagra o Crisma.

Em 2022 publicamos uma postagem sobre a história da Missa Crismal. Neste ano gostaríamos de propor a homilia do Papa Bento XVI para essa celebração em 2011, na qual este reflete sobre o simbolismo dos três Óleos:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica Vaticana
Quinta-feira Santa, 21 de abril de 2011

Amados irmãos e irmãs,
No centro da Liturgia desta manhã está a bênção dos Santos Óleos: o Óleo para a unção dos Catecúmenos, o Óleo para a Unção dos Enfermos e o Óleo do Crisma para os grandes sacramentos que conferem o Espírito Santo, ou seja, a Confirmação, a Ordenação Sacerdotal e a Ordenação Episcopal. Nos sacramentos o Senhor toca-nos por meio dos elementos da criação. Aqui torna-se visível a unidade entre criação e redenção. Os sacramentos são expressão da corporeidade da nossa fé, que abraça corpo e alma, isto é, o homem inteiro. Pão e vinho são frutos da terra e do trabalho humano. O Senhor escolheu-os como portadores da sua presença. O óleo é símbolo do Espírito Santo e, ao mesmo tempo, alude a Cristo: a palavra «Cristo» (Messias) significa «Ungido». A humanidade de Jesus, graças à unidade do Filho com o Pai, fica inserida na comunhão com o Espírito Santo e assim é «ungida» de um modo único, é permeada pelo Espírito Santo. Aquilo que acontecera apenas simbolicamente nos reis e sacerdotes da Antiga Aliança, quando eram instituídos no seu ministério com a unção do óleo, verifica-se em toda a sua realidade em Jesus: a sua humanidade é permeada pela força do Espírito Santo. Jesus abre a nossa humanidade ao dom do Espírito Santo. Quanto mais estivermos unidos a Cristo, tanto mais ficamos cheios do seu Espírito, do Espírito Santo. Chamamo-nos «cristãos», ou seja, «ungidos»: pessoas que pertencem a Cristo e por isso participam na sua unção, são tocadas pelo seu Espírito. Não quero somente chamar-me cristão, mas sê-lo também: disse Santo Inácio de Antioquia. Deixemos que estes Santos Óleos, que vão ser consagrados daqui a pouco, lembrem este dever contido na palavra «cristão», e peçamos ao Senhor que não nos limitemos a chamar-nos cristãos, mas o sejamos cada vez mais.

O Papa sopra sobre o Óleo do Crisma

Como já disse, na Liturgia deste dia são abençoados três óleos. Nesta tríade, exprimem-se três dimensões essenciais da vida cristã, sobre as quais queremos agora refletir.

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Leitura litúrgica da Carta aos Hebreus (2)

“O sumo-sacerdote é instituído em favor dos homens nas coisas que se referem a Deus” (cf. Hb 5,1).

Na postagem anterior da nossa série sobre a leitura dos livros da Sagrada Escritura nas celebrações litúrgicas iniciamos o estudo da Carta aos Hebreus (Hb).

Após uma breve introdução a este importante escrito sobre o sacerdócio de Cristo, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica - sintonia com o tempo ou a festa litúrgica [1] - nos diversos ciclos do Ano Litúrgico (Próprio do Tempo). Para acessar a 1ª parte, clique aqui.

Agora prosseguiremos com a análise das Missas dos santos, para diversas necessidades e votivas, além dos demais sacramentos e alguns sacramentais.

Jesus, Sacerdote e Vítima (Hb 10,5-7; Sl 39,7-9)
(Romain Cazes - Bagnères-de-Luchon, França)
Os anjos portam instrumentos da Paixão e da Eucaristia

2. Leitura litúrgica da Carta aos Hebreus: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Iniciamos esta segunda parte da nossa pesquisa com o Próprio dos Santos, com os textos específicos para as principais celebrações da Virgem Maria e dos santos.

No Próprio constam também algumas festas do Senhor com datas fixas no calendário, duas das quais possuem leituras da nossa Carta, ambas “ecos” do Ciclo do Natal:

- Festa da Apresentação do Senhor (02 de fevereiro): Hb 2,14-18 [2]. Esta é a 2ª leitura quando a Festa cai em um domingo ou a leitura à escolha quando ocorre em um dia de semana. Maria e José levam o Menino ao Templo em obediência à Lei mosaica, pois Ele “devia fazer-se em tudo semelhante aos irmãos” (v. 17).

- Solenidade da Anunciação do Senhor (25 de março): Hb 10,4-10 [3]. A 2ª leitura desta Solenidade proclama a obediência de Cristo à vontade do Pai: “Eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade” (v. 7), citação do Salmo 39, o qual também é entoado na celebração. O “tema” da obediência retorna no Evangelho (Lc 1,26-38) com a Virgem Maria: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (v. 38).

Ainda no Próprio dos Santos, destacamos a Memória de Nossa Senhora das Dores (15 de setembro), com a leitura de Hb 5,7-9 [4]. Como vimos em nossa postagem anterior, a perícope proclama a obediência de Cristo “por aquilo que Ele sofreu” (v. 8); também Maria participa deste mistério, associando-se ao Filho em sua Paixão, como canta poeticamente a sequência “Stabat Mater dolorosa” (Estava a Mãe dolorosa).

O mesmo texto de Hb 5,7-9 é indicado entre as leituras à escolha da Coletânea de Missas de Nossa Senhora [5].

Do Próprio passamos ao Comum dos Santos, com várias opções de leituras ad libitum (à escolha) para cada “categoria” de santo. Aqui identificamos duas ocorrências da nossa Carta dentre os textos à escolha:

- no Comum da dedicação de igreja: Hb 12,18-19.22-24 [6]. O templo cristão é a imagem “da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celeste” (v. 22). Com efeito, “pela Liturgia terrena participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste” (Sacrosanctum Concilium, n. 8).

- no Comum dos Mártires: Hb 10,32-36 [7]. Aqui o autor convida seus destinatários a recordar as provações que suportaram, e exorta à coragem e à perseverança.

Vale destacar que uma versão ligeiramente mais longa dessa perícope - Hb 10,32-36 - é proposta como opção de leitura para a Missa votiva dos Santos Inocentes, própria da Basílica da Natividade em Belém, particularmente no altar em sua honra nas grutas sob a Basílica [8]. Na Festa dos Santos Inocentes (28 de dezembro), por sua vez, como parte da Oitava do Natal, lê-se a Primeira Carta de João (leitura semicontínua).

"A oferta de Abel, o sacrifício de Abraão e os dons de Melquisedec..."
(Igreja de Santo Apolinário in Classe, Ravenna)
Em Hebreus, Melquisedec é prefiguração de Cristo sacerdote

Uma vez mencionadas as Missas votivas da Terra Santa, cabe recordar a Missa votiva de São Moisés, própria dos Santuários do Monte Tabor e do Monte Nebo. Dentre as opções de leituras para essa Missa consta Hb 3,1-6 [9], um elogio à fidelidade de Moisés: “Moisés foi fiel em tudo o que se refere à casa de Deus” (v. 5).

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Leitura litúrgica do Livro do Êxodo (2)

“O Senhor, o Senhor, Deus misericordioso e clemente, paciente, rico em bondade e fiel” (Ex 34,6).

Na postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença do Livro do Êxodo (Ex) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, começamos a analisar sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa [1] no ciclo do Ano Litúrgico.

Para acessar a primeira parte desta pesquisa, clique aqui.

Nesta postagem prosseguiremos nosso percurso através da Celebração Eucarística, dos demais sacramentos e sacramentais e da Liturgia das Horas.

Deus se revela a Moisés (Ex 34)
(Santuário Nacional de Aparecida)

2. Leitura litúrgica do Êxodo: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Começamos essa segunda parte do nosso estudo com os domingos do Tempo Comum, nos quais identificamos cinco ocorrências do nosso livro, escolhidas “em relação às perícopes evangélicas” [2]:

- XI Domingo do Tempo Comum do ano A: Ex 19,2-6a [3], texto no qual Deus promete constituir Israel como “um reino de sacerdotes e uma nação santa” (v. 6a). No Evangelho desse domingo a promessa se cumpre através da eleição dos Doze Apóstolos, colunas da Igreja, novo Israel (Mt 9,36–10,8).

- XXX Domingo do Tempo Comum do ano A: Ex 22,20-26 [4], um trecho do “Código da Aliança” sobre a proteção dos marginalizados (estrangeiros, viúvas, órfãos, pobres), iluminado pela afirmação de Jesus no Evangelho (Mt 22,34-40): o maior mandamento é o amor a Deus e ao próximo.

- XVIII Domingo do Tempo Comum do ano B: Ex 16,2-4.12-15 [5], o episódio do envio do maná, recordado e “superado” por Jesus no Evangelho (Jo 6,24-35), uma vez que Ele se apresenta como o “verdadeiro pão do céu”.

- XXIV Domingo do Tempo Comum do ano C: Ex 32,7-11.13-14 [6], a intercessão de Moisés em favor do povo após a quebra da aliança e o consequente perdão de Deus. O tema do perdão está presente, pois, nas três “parábolas da misericórdia” do Evangelho desse domingo (Lc 15,1-32): a ovelha, a moeda e o filho perdidos e reencontrados (na forma breve leem-se apenas as duas primeiras: Lc 15,1-10).

quinta-feira, 17 de março de 2022

Sugestão de leitura: A dimensão estética da Liturgia

Já foram três as obras do sacerdote espanhol Dionisio Borobio apresentadas como sugestão de leitura aqui em nosso blog nos últimos meses:

- Celebrar para viver: Liturgia e sacramentos da Igreja, uma “catequese” introdutória sobre a Liturgia e os sacramentos para leigos jovens e adultos;

- História e teologia comparada dos sacramentos: O princípio da analogia sacramental, com uma análise das semelhanças e diferenças entre os sete sacramentos;

- e Sacramentos e cura: Dimensão curativa da Liturgia cristã, que, como o nome indica, analisa a dimensão curativa dos sacramentos.

Uma vez que também a beleza pode ter uma “dimensão curativa”, na mesma linha desta última obra, apresentamos neste mês o seguinte livro de Dionisio Borobio: A dimensão estética da Liturgia: Arte sagrada e espaços para a celebração.

Capa da edição brasileira

Publicado em 2008 em espanhol (La dimensión estética de la Liturgia) como o n. 180 dos “Cuadernos Phase” publicados pelo Centre de Pastoral Litúrgica de Barcelona (Espanha), o livro foi traduzido no Brasil pela Editora Paulus em 2010.

A obra está dividida em dez capítulos: os três primeiros são de caráter introdutório, nos quais o autor apresenta a relação entre beleza e Liturgia e reflete sobre o simbolismo do templo cristão.

Nos demais capítulos, por sua vez, Borobio propõe o diálogo entre teologia e espaço para cada um dos sete sacramentos: Eucaristia, Batismo, Confirmação, Reconciliação, Unção dos Enfermos, Matrimônio e Ordem.

Para cada um dos sacramentos o autor traz um resumo histórico, uma reflexão simbólico-mistagógica sobre sua teologia e uma análise dos lugares da sua celebração.

1. Beleza e Liturgia (pp. 11-38)
Neste capítulo introdutório, Dionisio Borobio recorda que a beleza, diretamente relacionada à verdade e à bondade, não é mero acessório na Liturgia. A beleza, com efeito, está a serviço da ars celebrandi (arte de celebrar), isto é, a valorização das diversas linguagens da celebração, que nos conduzem do visível ao invisível.

segunda-feira, 14 de março de 2022

História da Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos)

“O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu...” (Is 6,1; Lc 4,18).

A partir do século V encontramos três formulários de Missas para a Quinta-feira da Semana Santa no Rito Romano:
- a Missa para a reconciliação dos penitentes, celebrada pela manhã;
- a Missa para a bênção dos Santos Óleos ou Missa Crismal, também pela manhã;
- e a Missa da Ceia do Senhor, celebrada no fim da tarde.

Nesta postagem gostaríamos de traçar brevemente a história da Missa do Crisma ou Missa Crismal (Missa Chrismalis), durante a qual o Bispo Diocesano abençoa os Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e consagra o Crisma [1].

Os três óleos da Liturgia romana

Os três óleos utilizados no Rito Romano

O uso dos óleos é recorrente na Sagrada Escritura, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, e, assim como outros elementos naturais utilizados na Liturgia (por exemplo, a água ou o fogo), se reveste de vários significados: o óleo serve como alimento, como combustível para as lâmpadas, apressa a cicatrização de feridas, fortalece os músculos...

Na tradição judaico-cristã o óleo é acima de tudo sinal de eleição: o próprio título “Cristo” (do hebraico “Messias”) significa literalmente “Ungido”. Portanto, a Igreja bem cedo adotou o simbolismo do óleo (particularmente do óleo de oliveira) e das unções em suas celebrações:

- o Óleo dos Enfermos (Oleum Infirmórum), usado no Sacramento da Unção dos Enfermos e ligado ao simbolismo da cura. O caráter medicinal da unção com óleo, com efeito, é atestado amplamente na Escritura (cf. Tg 5,14-15; Mc 6,13; Lc 10,34).

- o Óleo dos Catecúmenos (Oleum Cathecumenórum), utilizado no Batismo (unção pré-batismal e, no caso dos adultos, também durante o itinerário catecumenal), simbolizando a força na luta contra o mal, tal como os atletas ungem seus músculos para fortalecê-los (as metáforas “esportivas” são recorrentes, por exemplo, nas Cartas Paulinas).

- o Óleo do Crisma ou simplesmente o Crisma (Oleum Sanctum Chrisma), usado no Batismo (unção pós-batismal), na Confirmação, na Ordenação de presbíteros e Bispos e na dedicação de igrejas e altares.

Este é o mais sagrado dos três óleos, ao qual se acrescenta um bálsamo (mistura de perfumes), exortando os cristãos (“ungidos”) a “exalar o bom odor de Cristo” (2Cor 2,14-16). Com efeito, uma vez que durante a unção o óleo penetra na pele, o Crisma é associado com a eleição, isto é, com a participação na missão do “Ungido” (Cristo). Neste sentido, o Crisma é também o “óleo da alegria” (Sl 44,8).

Óleo ou azeite de oliva, "fruto da terra e do trabalho do homem"

As origens da bênção dos óleos na Quinta-feira Santa

A bênção dos óleos é atestada já na Traditio Apostolica (Tradição Apostólica), obra de meados do século III, atribuída a Hipólito de Roma.

A Traditio indica que na Missa presidida pelo Bispo, no final da Oração Eucarística, há uma bênção do óleo, particularmente do óleo para os enfermos, cujos frutos são “o alívio e a saúde” (confortationem et sanitatem) [2], unida à ação de graças sobre outros frutos da terra que eram oferecidos pelos fiéis, como queijo, cereais ou frutas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Sugestão de leitura: Sacramentos e cura

O sacerdote espanhol Dionisio Borobio, grande estudioso dos sacramentos, tem nos acompanhado nas sugestões de leitura dos últimos meses:

- em dezembro de 2021 apresentamos sua obra Celebrar para viver: Liturgia e sacramentos da Igreja, uma “catequese” introdutória sobre a Liturgia e os sacramentos para leigos jovens e adultos;

- em janeiro de 2022, por sua vez, trouxemos sua História e teologia comparada dos sacramentos: O princípio da analogia sacramental, na qual analisa as semelhanças e as diferenças entre os sete sacramentos.

Neste mês, ainda no contexto do Dia Mundial do Enfermo (11 de fevereiro), quando publicamos aqui no blog a Instrução sobre as orações para alcançar a cura, promulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé no ano 2000, propomos outra obra de Dionisio Borobio: Sacramentos e cura: Dimensão curativa da Liturgia cristã.

Capa da edição brasileira

Com sua publicação original, em espanhol (Sacramentos y sanación: Dimensión curativa de la Liturgia cristiana), realizada em 2008 pelas Ediciones Sígueme de Salamanca (Espanha), o livro foi traduzido pela Editora Ave Maria em 2011.

O texto se reveste de grande atualidade, sobretudo no contexto da pandemia do Covid-19. Da mesma forma, poderia ser amplamente enriquecido com as reflexões do Papa Francisco, que propõe sempre a visão da Igreja como “hospital”.

Após um breve Prólogo (pp. 7-8) destacando as várias dimensões do homem (física, psíquica, espiritual...) e uma Introdução (pp. 9-12) sobre os temas da saúde, da enfermidade e da cura, a obra é dividida em sete capítulos:
- os três primeiros são dedicados aos fundamentos bíblicos do “ministério da cura”;
- os três seguintes aprofundam o tema na Tradição e no Magistério da Igreja;
- e, por fim, no último capítulo, o autor reflete sobre a “dimensão curativa” de cada um dos sete sacramentos.

1. Sinais de cura no Antigo Testamento (pp. 13-16)

Seguindo a história da salvação, Borobio parte do Antigo Testamento, no qual a enfermidade aparece ligada às forças diabólicas, ao pecado humano e ao “castigo” divino. Ao mesmo tempo, há a esperança na libertação messiânica.
Aparece já aqui o uso medicinal do óleo e as liturgias penitenciais, sinais da conversão do coração, que gera reconciliação e paz.

2. Ministério de cura em Jesus (pp. 17-22)

Os Evangelhos narram diversas curas realizadas por Jesus, que vêm sempre unidas à sua atitude misericordiosa para com os enfermos. Jesus, curando, cumpre sua missão messiânica, pois veio para salvar a pessoa humana em sua totalidade.
Destaca-se também aqui como Jesus “transfigura” a enfermidade e a dor, sobretudo através do Mistério Pascal da sua Morte-Ressurreição.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Sugestão de leitura: História e teologia comparada dos sacramentos

Em nossa última sugestão de leitura do ano de 2021, no mês de dezembro, apresentamos aqui no blog a obra Celebrar para viver: Liturgia e sacramentos da Igreja, do sacerdote espanhol Dionisio Borobio, uma “catequese” introdutória à Liturgia e aos sacramentos para leigos jovens e adultos.

Continuando com o mesmo autor, que é um grande estudioso dos sacramentos, trazemos como sugestão de leitura deste mês de janeiro de 2022 sua obra História e teologia comparada dos sacramentos: O princípio da analogia sacramental, publicada em 2017 como uma co-edição das Edições Loyola e Editora Ave-Maria.

O texto foi publicado originalmente em 2012 em espanhol (Historia y teologia comparada de los sacramentos) pelas Ediciones Sígueme de Salamanca (Espanha).

Capa da edição brasileira

Como indica o próprio Borobio no Prólogo, após o Concílio Vaticano II (1962-1965) muito se escreveu sobre os sacramentos. Porém, a maioria dessas obras analisa cada um dos sacramentos separadamente. Assim, o objetivo do livro é refletir sobre o princípio da analogia sacramental, considerando as semelhanças e as diferenças entre os sete sacramentos.

A obra está dividida em duas grandes partes, além de uma introdução e uma conclusão, que apresentamos brevemente a seguir:

INTRODUÇÃO: O conceito de analogia (pp. 09-19)

Na Introdução o autor apresenta o conceito de “analogia” e como este se aplica aos sacramentos. A analogia, com efeito, é o processo pelo qual se estabelece relações entre conceitos ou seres através de suas semelhanças, embora esses conservem também suas diferenças.
Borobio recorda dois tipos principais de analogia:
- analogia de proporcionalidade: por exemplo, contemplando os vários graus de beleza da criação podemos chegar a Deus, que é a própria Beleza;
- analogia de atribuição: quando um termo é aplicado a diferentes realidades em razão da semelhança entre elas. Por exemplo, como veremos adiante, o termo “sacramento” não é aplicado apenas ao “setenário sacramental”, mas também a Cristo, à Igreja, ao homem, ao mundo...

PRIMEIRA PARTE: Variantes históricas do princípio de analogia sacramental (pp. 21-98)

Nesta primeira parte o autor nos oferece um percurso pela história analogia sacramental, isto é, pela história da aplicação do princípio da analogia aos sacramentos, desde a Sagrada Escritura até os nossos dias:

1. Sagrada Escritura (pp. 23-27)
Além de recordar a “estrutura sacramental” da história da salvação - Antigo e Novo Testamento -, Borobio destaca que o termo latino “sacramentum” traduz o grego “mysterion”, que se refere ao desígnio salvífico de Deus, revelado em Cristo (cf. Rm 16, 25-27; 1Cor 2,7-10; Ef 3, 1-13; Cl 1,26).

2. Patrística (pp. 27-33)
O autor apresenta brevemente a contribuição de alguns Padres da Igreja, como Ambrósio, Agostinho e João Crisóstomo. Nesse período, com efeito, a teologia sacramental começa a tomar forma.