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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

São John Henry Newman inscrito no Calendário Romano Geral

No dia 03 de fevereiro de 2026 o Dicastério para o Culto Divino divulgou um Decreto sobre a inscrição de São John Henry Newman, Presbítero e Doutor da Igreja, no Calendário Romano Geral, a ser celebrado com o grau de Memória facultativa no dia 09 de outubro.

São John Henry Newman (†1890), com efeito, recebeu o título de Doutor da Igreja no dia 01 de novembro de 2025, no contexto do “Jubileu do Mundo da Educação”. Como os demais Doutores da Igreja, sua celebração passa a constar no Calendário Romano Geral, podendo ser celebrada por todas as comunidades de Rito Romano.


Confira o Decreto na íntegra, cujo início (incipit) remete a um célebre poema do Cardeal Newman: “Lux benigna” (Kindly light), isto é, “Luz gentil”.

Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
Decreto sobre a inscrição da celebração de São John Henry Newman, Presbítero e Doutor da Igreja, no Calendário Romano Geral

A luz gentil da graça de Deus, que veio a este mundo para iluminar as nações (cf. Lc 2,32), conduziu John Henry Newman a encontrar a paz na Igreja Católica e fortaleceu-o de tal modo que pôde dizer: «Deus me criou para lhe prestar um serviço concreto. Sou participante desta grande obra; um elo de uma corrente, uma ligação entre as pessoas. Ele não me criou para nada». Com efeito, ao longo da sua longa vida o Cardeal Newman dedicou-se incansavelmente ao serviço da sua vocação, cumprindo o ministério da investigação intelectual, bem como da pregação e do ensino, e ainda do serviço aos pobres e aos últimos.

A sua mente viva deixou-nos monumentos duradouros de grande importância no campo teológico e eclesiológico, assim como composições poéticas e de devoção. A sua constante procura de sair das sombras e das imagens em direção à plenitude da verdade tornou-se exemplo para todos os discípulos do Senhor Ressuscitado. Assim, São John Henry, reconhecido de modo especial como guia resplandecente da Igreja peregrina ao longo da história, pode justamente ser enumerado entre os outros Santos Doutores inscritos no Calendário Romano Geral.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2026

“Transformados pelo amor que jorra copiosamente do Coração de Cristo, caminhemos juntos nos seus passos” (Leão XIV, Homilia, 27 de junho de 2025).

O Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB, recentemente revisado e atualizado à luz da 3ª edição do Missal Romano, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

Para saber mais confira nossas postagens sobre a história e a teologia da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Vitral representando o Sagrado Coração de Jesus

As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos Santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês (salvo na Sexta-feira Santa, quando não se celebra a Missa); porém, conforme o tempo litúrgico, em algumas ocasiões deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo e com suas orações e leituras, e em outras ocasiões pode ser celebrada a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [3].

Indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês deste ano de 2026, destacando também a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

02 de janeiro de 2026: Memória dos Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno, Bispos e Doutores da Igreja
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (Memória obrigatória / Dia de semana do Tempo do Natal).

06 de fevereiro de 2026: Memória de São Paulo Miki e Companheiros, Mártires
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (Memória obrigatória).

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Anúncio das Festas Móveis de 2026

“Abre-se diante de nós um percurso no qual a graça de Deus precede e acompanha o povo que caminha zeloso na fé, diligente na caridade e perseverante na esperança (cf. 1Ts 1,3)” (cf. Spes non confundit, n. 6).

No domingo, dia 04 de janeiro de 2026, celebraremos no Brasil a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06.

Na Missa dessa Solenidade, após a proclamação do Evangelho, é tradição anunciar as datas das festas móveis do novo ano que se inicia. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Solenidade da Epifania.

Na tradução brasileira da 3ª edição do Missal Romano (2023) são indicadas duas opções de textos à escolha (pp. 1219-1220), além da partitura para o canto (pp. 1221-1223).

Confira a seguir as duas opções de textos à escolha para este ano de 2026, conforme constam no Diretório da Liturgia publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):

Anúncio da Páscoa e das Festas Móveis de 2026

1ª opção:

Irmãos caríssimos, sabei que, pela misericórdia de Deus, assim como nos alegramos pelo nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, também vos anunciamos a alegria da Ressurreição do mesmo Jesus, nosso Salvador.
No dia 18 de fevereiro iniciareis o jejum da sacratíssima Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas.
No dia 05 de abril celebrareis com alegria a santa Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 17 de maio ocorrerá a Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 24 de maio a festa de Pentecostes.
No dia 04 de junho a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
No dia 29 de novembro será o 1º domingo do Advento de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Ele louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

2ª opção:

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se, e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 05 de abril.
Em cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da celebração da Páscoa do Senhor procedem todas as celebrações do Ano Litúrgico:
as Cinzas, início da Quaresma, a 18 de fevereiro;
a Ascensão do Senhor, a 17 de maio;
Pentecostes, a 24 de maio;
Corpo e Sangue de Cristo, a 04 de junho.
O 1º Domingo do Advento ocorrerá no dia 29 de novembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

Cristo Pantocrator
(Igreja do Salvador em Chora, Turquia)

Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2026. Brasília: Edições CNBB, 2025, pp. 12-13.

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Homilias do Papa João Paulo II: Solenidades e festas

Neste dia 02 de abril de 2025 completam-se 20 anos da morte Papa São João Paulo II (†2005).

Recordando o riquíssimo magistério do “Papa polonês”, propomos aqui os links para suas homilias e meditações para as principais solenidades e festas do Ano Litúrgico publicadas em nosso blog, como já fizemos com os Papas Bento XVI (†2022) e Francisco (†2025).

À medida que publicarmos novos textos, atualizaremos este “Homiliário”.


CICLO DO NATAL


Catequeses sobre o Advento
06 de dezembro de 1978: O homem “imagem de Deus”
13 de dezembro de 1978: A criação é dom do Amor de Deus
20 de dezembro de 1978: A dimensão ética na vida do homem

Is 9,1-6 / Sl 95 / Tt 2,11-14 / Lc 2,1-14
24 de dezembro de 1999: Homilia (Abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro)
24 de dezembro de 2000: Homilia

22 de março de 2000: Homilia (Missa votiva do Natal do Senhor em Belém)

25 de dezembro de 1999: Homilia (II Vésperas do Natal e Abertura da Porta Santa da Basílica do Latrão)

25 de dezembro de 2000: Mensagem Urbi et Orbi

Catequeses sobre o Natal

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Santa Teresa de Calcutá inscrita no Calendário Romano Geral

No dia 11 de fevereiro de 2025, Memória facultativa de Nossa Senhora de Lourdes e Dia Mundial do Enfermo, foi divulgado o Decreto do Dicastério para o Culto Divino sobre a inscrição da Memória facultativa de Santa Teresa de Calcutá, Virgem, no Calendário Romano Geral, a ser celebrada no dia 05 de setembro.

Confira o Decreto na íntegra e o comentário do Cardeal Arthur Roche, Prefeito do Dicastério:

Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
Decreto sobre a inscrição da celebração de Santa Teresa de Calcutá, Virgem, no Calendário Romano Geral

«Quem quiser ser grande entre vós, será vosso servo» (Mc 10,43). Vivendo radicalmente e proclamando corajosamente o Evangelho, Santa Teresa de Calcutá é uma testemunha da dignidade e do privilégio do serviço humilde. Escolhendo ser não apenas a mais pequena, mas a serva dos mais humildes, ela tornou-se um modelo de misericórdia e um autêntico ícone do Bom Samaritano. A misericórdia, de fato, foi para ela o «sal» que deu sabor a todas as suas obras e a «luz» que iluminou as trevas daqueles que já nem sequer tinham lágrimas para chorar a sua pobreza e os seus sofrimentos.

O grito de Jesus na cruz, «Tenho sede» (Jo 19, 28), penetrou no mais profundo da alma de Teresa. Por isso, durante toda a sua vida, dedicou-se completamente a saciar a sede de Jesus Cristo de amor e de almas, servindo-o entre os mais pobres dos pobres. Cheia do amor de Deus, ela irradiava o mesmo amor aos outros em igual medida.


Canonizada em 2016 pelo Papa Francisco, o nome de Santa Teresa de Calcutá nunca deixa de brilhar como fonte de esperança para tantas pessoas que procuram consolo para as tribulações do corpo e do espírito.

Por isso, o Papa Francisco, acolhendo as solicitações e os desejos dos Pastores, das religiosas e dos religiosos, bem como das associações de fiéis, considerando a influência exercida pela espiritualidade de Santa Teresa de Calcutá nas diversas regiões do mundo, decretou que o nome de Santa Teresa de Calcutá, Virgem, seja inscrito no Calendário Romano Geral e que a sua Memória facultativa seja celebrada por todos no dia 05 de setembro.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Anúncio das Festas Móveis de 2025

“Que a força da esperança encha o nosso presente, aguardando com confiança o regresso do Senhor Jesus Cristo...” (Spes non confundit, n. 25).

No próximo domingo, dia 05 de janeiro de 2025, celebraremos no Brasil a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06.

Na Missa dessa Solenidade, após a proclamação do Evangelho, é tradição anunciar as datas das festas móveis do novo ano que se inicia. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Solenidade da Epifania.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publica anualmente o texto desse anúncio em seu Diretório da Liturgia. Reproduzimos a seguir os dois modelos de textos à escolha para este Ano Jubilar de 2025:

[Atualização: Para acessar o texto para o ano de 2026, clique aqui]

Anúncio da Páscoa e das Festas Móveis de 2025

1ª opção:

Irmãos caríssimos, sabei que, pela misericórdia de Deus, assim como nos alegramos pelo nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, também vos anunciamos a alegria da Ressurreição do mesmo Jesus, nosso Salvador.
No dia 05 de março iniciareis o jejum da sacratíssima Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas.
No dia 20 de abril celebrareis com alegria a santa Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 01 de junho ocorrerá a Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 08 de junho a festa de Pentecostes.
No dia 19 de junho a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
No dia 30 de novembro será o 1º Domingo do Advento de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Ele louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

2ª opção:

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se, e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 20 de abril.
Em cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da celebração da Páscoa do Senhor procedem todas as celebrações do Ano Litúrgico:
as Cinzas, início da Quaresma, a 05 de março;
a Ascensão do Senhor, a 01 de junho;
Pentecostes, a 08 de junho;
Corpo e Sangue de Cristo, a 19 de junho.
O 1º Domingo do Advento ocorrerá no dia 30 de novembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

Cristo, Alfa e Ômega (Ap 1,8)
(Katowice, Polônia)

Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2025. Brasília: Edições CNBB, 2024, pp. 38-39.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2025

“A devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã...” (Encíclica Dilexit nos, n. 83).

O Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, publicado anualmente pela CNBB, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

Para saber mais confira nossas postagens sobre a história e a teologia dessa devoção.

[Atualização: Para acessar nossa postagem sobre as Missas da 1ª sexta-feira do mês para o ano de 2026, clique aqui]

Coração de Jesus: Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6)

As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos Santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês; conforme o tempo litúrgico, porém, ora deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo e com suas orações e leituras, ora é possível celebrar a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [3].

Como já fizemos nos anos anteriores, indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês deste Ano Jubilar de 2025, destacando também a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

03 de janeiro de 2025: Sexta-feira do Tempo do Natal
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (dia de semana do Tempo do Natal).

07 de fevereiro de 2025: Sexta-feira da IV semana do Tempo Comum
A Missa votiva do Sagrado Coração é sempre permitida (dia de semana do Tempo Comum).

quinta-feira, 28 de novembro de 2024

Homilias do Papa Francisco: Ano C

“O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido” (Lc 19,10).

Em março de 2023, por ocasião dos dez anos da eleição do Papa Francisco, publicamos aqui em nosso blog o índice das suas homilias e meditações para os domingos do Ano Litúrgico A, dedicado à leitura do Evangelho de Mateus.

Na sequência publicamos o índice das suas homilias para as Solenidades e Festas com leituras fixas e para os domingos do Ano Litúrgico B, com a leitura do Evangelho de Marcos.

Completando o ciclo, nesta postagem elencamos as homilias do Papa Francisco para o Ano Litúrgico C, no qual a Igreja nos propõe a leitura do Evangelho de Lucas.

O Papa abençoa com o Livro dos Evangelhos
(III Domingo do Tempo Comum 2019)

Durante seu pontificado o Santo Padre celebrou por cinco vezes o Ano C:
- 2013: da sua eleição no dia 13 de março a 24 de novembro de 2013 (Ano da Fé);
- 2016: 29 de novembro de 2015 a 20 de novembro de 2016 (Jubileu Extraordinário da Misericórdia);
- 2019: 02 de dezembro de 2018 a 24 de novembro de 2019;
- 2022: 28 de novembro de 2021 a 20 de novembro de 2022;
- 2025: 01 de dezembro de 2024 até sua morte em 21 de abril de 2025 (Jubileu Ordinário).

Vale lembrar que o Ano Litúrgico começa no I Domingo do Advento (o 4º domingo antes do Natal) e termina na semana que segue a Solenidade de Cristo Rei (5º domingo antes do Natal do ano seguinte).

TEMPO DO ADVENTO

I Domingo do Advento
Jr 33,14-16 / Sl 24 / 1Ts 3,12–4,2 / Lc 21,25-28.34-36
29 de novembro de 2015: Homilia (Missa em Bangui, República Centro-Africana)
02 de dezembro de 2018: Ângelus
28 de novembro de 2021: Ângelus
01 de dezembro de 2024: Ângelus

II Domingo do Advento
Br 5,1-9 / Sl 125 / Fl 1,4-6.8-11 / Lc 3,1-6
06 de dezembro de 2015: Ângelus
09 de dezembro de 2018: Ângelus
05 de dezembro de 2021: Homilia (Missa em Atenas, Grécia)

III Domingo do Advento
Sf 3,14-18a / Is 12,2-6 / Fl 4,4-7 / Lc 3,10-18
13 de dezembro de 2015: Homilia (Abertura da Porta Santa - Basílica do Latrão) / Ângelus
16 de dezembro de 2018: Ângelus
12 de dezembro de 2021: Ângelus
15 de dezembro de 2024: Homilia (Missa em Ajaccio, Córsega - França)

quarta-feira, 20 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (5)

“Entoai juntos salmos, hinos e cânticos inspirados; cantai e celebrai o Senhor de todo o vosso coração” (Ef 5,19).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte / 4ª parte.

Agora nos cabe contemplar outro critério de seleção dos textos bíblicos: a leitura semicontínua.

Pregação de Paulo em Éfeso (At 19)
(Eustache Le Sueur)

3. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Leitura semicontínua

Conforme o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de Deus [1].

a) Celebração Eucarística

Na Celebração Eucarística, as Cartas Paulinas são lidas sob esse critério tanto nos domingos quanto nos dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].

Primeiramente a Carta aos Efésios é lida de maneira semicontínua como 2ª leitura da Missa em sete domingos, do XV ao XXI Domingo do Tempo Comum do Ano B, entre a Segunda Carta aos Coríntios e a Carta de Tiago:
XV Domingo: Ef 1,3-14 (forma breve: Ef 1,3-10);
XVI Domingo: Ef 2,13-18;
XVII Domingo: Ef 4,1-6;
XVIII Domingo: Ef 4,17.20-24;
XIX Domingo: Ef 4,30–5,2;
XX Domingo: Ef 5,15-20;
XXI Domingo: Ef 5,21-32 [3].

Nos dias de semana do Tempo Comum, por sua vez, a Carta é lida por duas semanas: da quinta-feira da XXVIII semana à quinta-feira da XXX semana do Tempo Comum no ano par, entre outros dois escritos paulinos: a Carta aos Gálatas e a Carta aos Filipenses.

Nessas duas semanas a Carta aos Efésios é lida praticamente na íntegra, sendo omitidas apenas algumas partes da seção parenética que já foram lidas nos domingos ou em outras celebrações. A leitura está organizada da seguinte forma:

quarta-feira, 23 de outubro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (1)

“Vós fostes integrados no edifício que tem como fundamento os Apóstolos e os Profetas, e o próprio Jesus Cristo como pedra principal” (Ef 2,20).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar as “Cartas do cativeiro” atribuídas a São Paulo, com importantes reflexões sobre Cristo e a Igreja.

Após a análise das Cartas aos Filipenses e aos Colossenses, concluiremos esse “bloco” com a Carta aos Efésios (Ef), Πρὸς Ἐφεσίους.

São Paulo escrevendo suas Cartas
(Rembrandt)

1. Breve introdução à Carta aos Efésios

Após uma breve passagem por Éfeso (na atual Turquia) no final da sua “segunda viagem missionária” (At 18,19-21), o Apóstolo Paulo visitou novamente a cidade na sua “terceira viagem” (At 19), permanecendo por um longo período, talvez como prisioneiro por um tempo (Ef 3,1; 4,1; 6,20).

A grande maioria dos estudiosos considera a Carta aos Efésios “dêutero-paulina”, isto é, escrita por um discípulo do Apóstolo, devido às diferenças de linguagem e de teologia em relação às Cartas proto-paulinas. Efésios é a maior das Cartas dêutero-paulinas, com seis capítulos.

O autor de Efésios baseia-se amplamente em Colossenses, de modo que se discute se as duas Cartas têm o mesmo autor ou se são autores distintos. De toda forma, Efésios teria sido escrita provavelmente entre os anos 80 e 90 do século I.

Embora use boa parte do material de Colossenses, a Carta possui textos próprios, como a “ação de graças” em estilo hínico (Ef 1,3-14) e parte da seção parenética (Ef 4,1-14). Além disso, o problema do “falso ensinamento” de Cl 2 não aparece aqui.

Não obstante, a estrutura de Efésios é a mesma, com uma seção teológica (doutrinal) e uma seção parenética (exortativa) “emolduradas” por uma introdução e uma conclusão:
a) Ef 1,1-23: Introdução, com a saudação (vv. 1-2) e a ação de graças (vv. 3-23);
b) Ef 2,1–3,20: Seção teológica;
c) Ef 4,1–6,20: Seção parenética;
d) Ef 6,21-24: Conclusão.

Assim como Filipenses e Colossenses, Efésios contém um “hino cristológico”, embora alguns estudiosos não o considerem como tal, preferindo falar de “ação de graças” em estilo hínico.

Em sua forma a composição possui elementos da tradição judaica, embora seu conteúdo seja autenticamente cristão. Podemos dividi-la em três estrofes, conforme as três Pessoas Divinas: nossa eleição por Deus Pai (vv. 3-6), a redenção operada por Cristo (vv. 7-12) e a obra do Espírito Santo (vv. 13-14). Cada uma das três estrofes conclui-se com um refrão: “Para louvor da sua glória” (vv. 6.12.14).

Outra divisão do cântico é conforme as seis bênçãos mencionadas após o v. 3, que serve de introdução: a eleição (v. 4), a adoção filial (vv. 5-6), a redenção (vv. 7-8), a revelação (vv. 9-10), novamente a eleição (vv. 11-12) e, por fim, os dons da Palavra de Deus e do Espírito Santo, aos quais respondemos com a fé (vv. 13-14).

Esse hino serve, com efeito, de “resumo” da Carta. Sua seção teológica está centrada na obra de Cristo já delineada no hino: a salvação, a unificação de judeus e gentios em um só povo (a Igreja) e a revelação do mistério de Deus (Ef 2,1–3,13), concluindo com uma “oração” (Ef 3,14-21).

Na seção parenética esses temas são retomados: o autor exorta à unidade, a colocar os próprios dons a serviço da Igreja (Ef 4,1-16) e a andar como “filhos da luz”, abandonando as “obras das trevas” (Ef 4,17–5,20), retomando a célebre metáfora dos “dois caminhos”. Por fim, conclui com um “código doméstico” (Ef 5,21–6,9), como em Colossenses, e uma exortação à oração (Ef 6,10-20).

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

São Paulo em Éfeso (At 19)
(Eustache Le Sueur)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

Como todos os livros estudados nesta série, analisaremos a leitura litúrgica da Carta aos Efésios a partir dos dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].

Iniciamos com o critério da composição harmônica: a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

quarta-feira, 9 de outubro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (4)

“Cantai a Deus salmos, hinos e cânticos espirituais, em ação de graças” (Cl 3,16).

Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.

Agora cabe contemplar o outro critério de seleção dos textos bíblicos: a leitura semicontínua.

Jesus Cristo, Rei dos Anjos
(Jan Henryk de Rosen)

3. Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses: Leitura semicontínua

De acordo com o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de Deus [1].

a) Celebração Eucarística

Na Celebração Eucarística, as Cartas Paulinas são lidas de maneira semicontínua tanto nos domingos quanto nos dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].

Nos domingos a Carta aos Colossenses é a 2ª leitura da Missa do XV ao XVIII Domingo do Tempo Comum do Ano C, entre a leitura semicontínua da Carta aos Gálatas e da Carta aos Hebreus (cap. 11–12).

As quatro perícopes escolhidas do nosso livro aqui são:
XV Domingo: Cl 1,15-20;
XVI Domingo: Cl 1,24-28;
XVII Domingo: Cl 2,12-14;
XVIII Domingo: Cl 3,1-5.9-11 [3]

Nos dias de semana do Tempo Comum, por sua vez, a Carta é lida por oito dias: da quarta-feira da XXII semana à quinta-feira da XXIII semana do Tempo Comum no ano ímpar, entre a leitura da Primeira Carta aos Tessalonicenses e da Primeira Carta a Timóteo.

XXII semana do Tempo Comum (Ano ímpar):
Quarta-feira: Cl 1,1-8;
Quinta-feira: Cl 1,9-14;
Sexta-feira: Cl 1,15-20;
Sábado: Cl 1,21-23.

quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (1)

“Amai-vos uns aos outros, pois o amor é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14).

Em nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar as “Cartas do cativeiro” atribuídas ao Apóstolo Paulo, com importantes reflexões sobre Cristo e a Igreja: Filipenses, Colossenses e Efésios. Nesta postagem começaremos um percurso pela Carta aos Colossenses (Cl), Πρὸς Κολοσσαεῖς.

São Paulo escrevendo suas Cartas
(Rembrandt)

1. Breve introdução à Carta aos Colossenses

Diferentemente de Filipos, a comunidade de Colossas, na Frígia (na atual Turquia), não foi fundada por Paulo, mas provavelmente por Epafras, um discípulo do Apóstolo (Cl 1,7-8).

Enquanto há consenso acerca da autoria paulina de Filipenses, o mesmo não pode ser dito desta Carta. Para a maioria dos autores, dadas as diferenças de linguagem e teologia, Colossenses não foi escrita por Paulo, mas sim por um discípulo, provavelmente nos anos 80 do século I (antes de Efésios, que se baseará nesta Carta).

Esta é, portanto, uma “Carta dêutero-paulina”, embora também seja enquadrada no grupo das “Cartas do cativeiro”, uma vez que o autor “veste o manto” de Paulo na prisão (cf. Cl 4,3.10.18).

A Carta possui uma divisão semelhante a Romanos, com uma seção teológica (doutrinal) e uma seção parenética (exortativa ou moral), “emolduradas” por uma introdução e uma conclusão:
a) Cl 1,1-8: Introdução, com a saudação (vv. 1-2) e a ação de graças (vv. 3-8);
b) Cl 1,9–2,23: Seção teológica, centrada no tema da soberania de Cristo;
c) Cl 3,1–4,6: Seção parenética;
d) Cl 4,7-18: Conclusão, com as saudações finais.

Assim como em Filipenses, temos em Cl 1,15-20 um “hino cristológico”, provavelmente tomado da Liturgia da comunidade primitiva, que sintetiza a reflexão teológica da Carta. Podemos chamá-lo de “hino à soberania de Cristo”, sob dois aspectos: na ordem da criação (vv. 15-17) e na ordem da salvação (vv. 18-20).

O hino é marcado por paralelos: Cristo é o “primogênito de toda criatura” (v. 15) e o “primogênito dentre os mortos” (v. 18). A composição relaciona-se assim com a “sabedoria criadora” do Antigo Testamento (cf. Pv 8,22-31), embora Cristo seja não só a origem da criação, mas também seu fim: “Tudo foi criado por Ele e para Ele” (v. 16).

Destaca-se também a relação Cristo-Igreja: “Ele é a cabeça da Igreja, que é o seu corpo” (v. 18). Embora a metáfora do corpo já estivesse presente na Primeira Carta aos Coríntios e na Carta aos Romanos, ela é aqui ampliada, adquirindo um sentido mais universal.

O hino ajuda ainda a esclarecer os “falsos ensinamentos” (Cl 2,8-23). Trata-se aqui do perigo do sincretismo, isto é, da absorção de elementos de várias religiões. Por exemplo, se mencionam exageros no “culto dos anjos” (Cl 2,18), contra o qual o hino ressalta a soberania de Cristo (tema presente também em Hb 1,5–2,18).

Provavelmente esse culto tinha uma característica “dualista” (fenômeno ampliado pelo gnosticismo no século II): havia anjos bons e maus. A Carta afirma que Cristo é superior aos anjos bons por tê-los criado (Cl 1,16; 2,10) e que subjugou os anjos maus pelo seu sacrifício na cruz (Cl 1,20; 2,14-15).

Além do “culto aos anjos” parece que haviam práticas ascéticas, talvez relacionadas a proibições alimentares (Cl 2,16) e mortificações corporais (Cl 2,23), além de elementos dos “cultos de mistérios”, uma vez que o autor afirma que em Cristo o mistério de Deus foi revelado (Cl 1,25-29).

A seção parenética da Carta, além de catálogos de vícios e virtudes (Cl 3,5-17), traz um dos “códigos domésticos” do Novo Testamento (Cl 3,18-25), com exortações a esposos, pais e filhos, servos...

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

Sagrada Família
(Catedral de Westminster)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses: Composição harmônica

Como fizemos com as Cartas Paulinas e os demais livros nesta série, analisaremos a leitura litúrgica de Colossenses a partir dos dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].

Iniciamos nosso percurso pelo critério da composição harmônica: a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

quarta-feira, 4 de setembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (4)

“Para mim, o viver é Cristo” (Fl 1,21).

Nas últimas postagens da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.

Agora nos cabe contemplar o outro critério de seleção dos textos bíblicos: a leitura semicontínua.

Escultura de Jesus Cristo na Alemanha
(Na base está escrito o texto de Fl 1,21)

3. Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses: Leitura semicontínua

Segundo o n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM), a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de Deus [1].

a) Celebração Eucarística

Na Celebração Eucarística, as Cartas Paulinas são lidas de maneira semicontínua tanto nos domingos quanto nos dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].

No ciclo dominical, a Carta aos Filipenses é proclamada como 2ª leitura do XXV ao XXVIII Domingo do Tempo Comum no Ano A, entre a Carta aos Romanos e a Primeira Carta aos Tessalonicenses:
XXV Domingo: Fl 1,20c-24.27a;
XXVI Domingo: Fl 2,1-11 (Forma breve: Fl 2,1-5);
XXVII Domingo: Fl 4,6-9;
XXVIII Domingo: Fl 4,12-14.19-20 [3].

Nos dias feriais do Tempo Comum, por sua vez, a Carta é lida da sexta-feira da XXX semana ao sábado da XXXI semana do Tempo Comum no ano par, após a leitura da Carta aos Efésios e antes das Cartas a Tito e a Filêmon.

Trata-se aqui de uma leitura substancial da Carta, sendo omitidos poucos textos, como podemos ver a seguir:

XXX semana do Tempo Comum (Ano par):
Sexta-feira: Fl 1,1-11;
Sábado: Fl 1,18b-26.

XXXI semana do Tempo Comum (Ano par):
Segunda-feira: Fl 2,1-4;
Terça-feira: Fl 2,5-11;
Quarta-feira: Fl 2,12-18;
Quinta-feira: Fl 3,3-8a;
Sexta-feira: Fl 3,17–4,1;
Sábado: Fl 4,10-19 [4].

Vale destacar ainda os dois textos da Carta propostos como versículos de aclamação ao Evangelho no Tempo Comum:

- “Como astros no mundo vós resplandeceis, mensagem de vida ao mundo anunciando...” (Fl 2,15d.16a): XXIX Domingo (Ano A), VIII Domingo (Ano C), sexta-feira da X semana e segunda-feira da XXXII semana [5];

- “Em tudo considero como perda e lixo, a fim de ganhar Cristo e ser achado n’Ele” (Fl 3,8-9): Quarta-feira da XXVI semana e quinta-feira da XXIX semana [6].

Papiro com um trecho da Carta aos Filipenses

b) Liturgia das Horas

Na Liturgia das Horas a Carta aos Filipenses é lida na íntegra no Ofício das Leituras da XXVI semana do Tempo Comum, entre a leitura do Livro de Ezequiel e da Primeira Carta a Timóteo.

quarta-feira, 21 de agosto de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (2)

“Só uma coisa importa: vivei à altura do Evangelho” (Fl 1,27).

Em nossa postagem anterior desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos o estudo da presença da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, começamos a analisar sua leitura sob o critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1] na Celebração Eucarística. Para acessar a primeira parte, clique aqui.

Tendo considerado os diversos tempos do Ano Litúrgico, nesta postagem prosseguiremos com as Missas dos santos, para diversas necessidades e votivas.

“Ao nome de Jesus todo joelho se dobre” (Fl 2,10)

2. Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses: Composição harmônica

a) Celebração Eucarística

Iniciamos esta segunda parte da nossa pesquisa com o Próprio dos Santos, que inclui as celebrações do Senhor, da Virgem Maria e dos Santos com data fixa no calendário.

Encontramos a Carta aos Filipenses antes de tudo na Memória facultativa do Santíssimo Nome de Jesus (03 de janeiro), suprimida pela reforma litúrgica e resgatada na 3ª edição do Missal Romano. Nesta celebração o célebre “hino” da Carta está presente na leitura (Fl 2,6-11) e na antífona de entrada: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e nos abismos, e toda língua proclame, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2,10-11).

A mesma antífona é proferida na Memória de Santo Inácio de Loyola, Presbítero (31 de julho), remetendo ao lema da Congregação fundada por Santo Inácio, a Companhia de Jesus: “Ad maiorem Dei gloriam” (Para maior glória de Deus) [2].

A leitura do “hino cristológico” de Fl 2,6-11 é indicada também na Festa da Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), como 2ª leitura quando a Festa cai em um domingo e como leitura à escolha quando cai em um dia de semana [3], destacando-se aqui a referência explícita à cruz, que se considera um acréscimo de Paulo ao hino: “Fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz” (v. 8).

Quanto às celebrações dos santos, vale destacar a antífona da Comunhão da Festa de Santa Rosa de Lima, Virgem (23 de agosto), padroeira da América Latina: “Considero perda todas as coisas, comparadas com o valor insuperável do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor...” (Fl 3,8-9) [4].

Na Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos (02 de novembro), por sua vez, dentre as várias opções de leituras ad libitum (à escolha), consta Fl 3,20-21 [5]. Aqui o Apóstolo Paulo atesta: “Nós somos cidadãos do céu” (v. 20), recordando que Cristo glorificará o nosso corpo, isto é, nos ressuscitará. As leituras dessa celebração são indicadas também para o sacramental das Exéquias.

Dessa leitura é tomada uma das opções de aclamação ao Evangelho: “A nossa cidade é nos céus, de onde também esperamos o Cristo Jesus, Senhor nosso” (cf. Fl 3,20) [6]; e uma das opções de antífona da Comunhão para as Missas dos defuntos: “Esperamos como Salvador o Senhor Jesus Cristo; Ele transformará o nosso corpo mortal num corpo glorioso como o seu” (Fl 3,20-21) [7].

Na sequência consideremos o Comum dos Santos, com formulários para as várias “categorias” de santos. No Comum dos Santos propriamente dito há duas opções de leituras à escolha da nossa Carta:
- Fl 3,8-14, com a “definição” de santidade como “correr para alcançar Cristo” (v. 12);
- Fl 4,4-9, com a exortação a praticar a virtude, isto é, “tudo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro, amável, honroso...” [8].

São Paulo e seus discípulos
(Com as Cartas aos Romanos, Coríntios e Filipenses)

Prosseguimos com as Missas para diversas necessidades, igualmente com várias opções de leituras ad libitum (à escolha), incluindo os seguintes textos da nossa Carta:

- Missa por um Concílio ou Sínodo: Fl 2,1-4 [9], com a exortação do Apóstolo à unidade: “Aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade” (v. 3).

- Missa pelos religiosos: O mesmo texto acima, Fl 2,1-4, com a exortação à unidade, fundamental na vida comunitária [10].

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (1)

“Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Em nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura já contemplamos seis dos treze escritos atribuídos ao Apóstolo Paulo: as duas Cartas aos Tessalonicenses e as quatro “grandes Cartas” (a Carta aos Gálatas, as duas Cartas aos Coríntios e a Carta aos Romanos).

Dando continuidade à proposta, iniciaremos uma análise das três “Cartas do cativeiro”, com importantes reflexões sobre Cristo e a Igreja: Filipenses, Colossenses e Efésios. Começaremos pela Carta aos Filipenses (Fl), Πρὸς Φιλιππησίους.

São Paulo na prisão escrevendo suas Cartas
(Rembrandt)

1. Breve introdução à Carta aos Filipenses

Segundo os Atos dos Apóstolos, a cidade de Filipos, na Macedônia, foi visitada por Paulo em sua “segunda viagem missionária” (anos 50-52), sendo a primeira comunidade fundada pelo Apóstolo na Europa (At 16,11-40).

A Carta teria sido escrita da prisão (cf. Fl 1,7.12-13); porém, não está claro de qual se trata. Nos Atos são relatadas duas prisões de Paulo: Cesareia entre 58 e 60 (At 23–26) e Roma entre 61 e 63 (At 28). Sugere-se ainda uma prisão em Éfeso entre os anos 54 e 56. Na Segunda Carta aos Coríntios escrita em torno do ano 57, Paulo já fala de “prisões” no plural (2Cor 11,23).

Embora a autoria paulina não seja questionada, discute-se acerca da unidade da Carta. O texto é marcado por um tom bastante afetuoso, familiar; porém há uma mudança brusca no início do capítulo 3, dedicado a correções e polêmicas. Assim, alguns estudiosos postulam a existência de duas ou até mesmo três cartas dentro de Filipenses.

Não obstante estas questões, a Carta pode ser estruturada em seis partes, “emolduradas” por uma introdução e uma conclusão:
a) Fl 1,1-11: Introdução, com a saudação (vv. 1-2) e a ação de graças (vv. 3-11);
b) Fl 1,12-26: Situação de Paulo na prisão;
c) Fl 1,27–2,18: Exortação a seguir o exemplo de Cristo;
d) Fl 2,19–3,1a: Projeto de enviar Timóteo e Epafrodito a Filipos;
e) Fl 3,1b–4,1: Advertência contra os “falsos mestres”;
f) Fl 4,2-9: Exortação à unidade e à alegria;
g) Fl 4,10-20: Agradecimento pelo auxílio enviado pelos filipenses;
h) Fl 4,21-23: Conclusão, com as saudações finais.

Merece destaque a segunda seção (Fl 1,27–2,18), com a exortação a seguir o exemplo de Cristo, na qual se encontra o importantíssimo hino cristológico, que poderíamos chamar de “hino ao Mistério Pascal” (Fl 2,6-11). Este é o mais antigo hino em honra a Cristo que foi conservado, tendo sido provavelmente entoado na Liturgia da comunidade cristã primitiva e adaptado pelo Apóstolo em sua Carta.

O hino estrutura-se em dois movimentos: a katabasis (rebaixamento) ou kenosis (esvaziamento) de Cristo nos vv. 6-8 e a sua anabasis (exaltação) nos vv. 9-11. Trata-se de uma síntese histórico-salvífica do mistério de Cristo celebrado na Liturgia: Encarnação, Paixão e Ressurreição (expressa no hino como “exaltação”).

Alguns estudiosos veem na kenosis de Cristo um paralelo com Adão (imagem presente na Primeira Carta aos Coríntios e na Carta aos Romanos): enquanto Adão, sendo homem, quis se tornar igual a Deus, Jesus, sendo Deus, se fez homem.

Quanto ao tema dos “falsos mestres” no capítulo 3, chamados por Paulo de “maus operários” (v. 2) e “inimigos da cruz” (v. 18), parecem ser grupos de judaizantes (como na Carta aos Gálatas), uma vez que Paulo apresenta suas “credenciais” judaicas, afirmando que o mais importante é o conhecimento e o amor de Cristo (vv. 7-11).

Além disso, podemos supor que havia divisões internas na própria comunidade, dado que o Apóstolo insiste diversas vezes na importância da unidade e da humildade, recorrendo ao exemplo de Cristo, como vimos acima.

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

Restos arqueológicos da cidade de Filipos

2. Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses: Composição harmônica

Como fizemos com as demais Cartas Paulinas, analisaremos a leitura litúrgica de Filipenses a partir dos dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].

Iniciamos nosso percurso com o critério da composição harmônica, isto é, a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Leitura litúrgica dos Livros de Jonas e Abdias

“Cada um deve afastar-se do mau caminho e de suas práticas perversas” (Jn 3,8).

Embora tradicionalmente seja contado dentro do grupo dos “doze profetas menores”, o Livro de Jonas (Jn) não é um escrito profético, e sim uma narrativa ou “novela bíblica”, semelhante aos Livros de Rute, Ester, Judite e Tobias.

Nesta postagem da nossa série de postagens sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura contemplaremos, pois, esta obra ímpar do Antigo Testamento (AT), mencionada inclusive por Jesus no Evangelho.

No final da postagem, por sua vez, falaremos brevemente da leitura litúrgica do Livro de Abdias (Ab), completando assim o grupo dos “profetas menores”.

1. Breve introdução ao Livro de Jonas

“Jonas, filho de Amitai” (ou Amati) é citado como profeta em 2Rs 14,25, tendo vivido no tempo em que Jeroboão II era rei de Israel (782-753 a. C.). O autor anônimo do Livro de Jonas faz uma “homenagem” a este profeta, emprestando seu nome para o personagem principal da sua narrativa, uma “parábola” de caráter didático.

Profeta Jonas
(Michelangelo - Capela Sistina)

A linguagem de Jonas, com efeito, nos remete ao período pós-exílico, sendo datado entre o final do período persa e o início da época helenista, ou seja, entre os séculos V e IV a. C., próximo a Joel e ao Dêutero-Zacarias (Zc 9–14).

Nesse sentido, a referência à cidade de Nínive é simbólica, dado que esta cidade, antiga capital do Império Assírio, havia sido destruída em 612 a. C., como anunciado pelo profeta Naum. Nínive aqui representa os povos estrangeiros, que Deus também chama a conversão.

Cada um dos quatro capítulos da narrativa compõe uma cena:
a) Jn 1: Jonas no mar;
b) Jn 2: Jonas no ventre do monstro marinho;
c) Jn 3: Jonas dentro de Nínive;
d) Jn 4: Jonas fora de Nínive.

Na primeira cena, após Deus enviá-lo a Nínive para pregar (Jn 1,1-2), Jonas foge, atraindo a ira divina sobre o barco. Note-se que o profeta é a causa do infortúnio, mas permanece dormindo, enquanto os marinheiros estrangeiros tratam-no bem e são piedosos, rezando a Deus e até oferecendo-lhe um sacrifício (Jn 1,16).

Jonas, lançado ao mar, é engolido por uma espécie de “monstro marinho”, dentro do qual permanece por três dias (Jn 2,1), linguagem simbólica que será interpretada como profecia da Ressurreição de Cristo (cf. Mt 12,40). No ventre do monstro Jonas entoa uma súplica, inspirada nos salmos.

O início da terceira cena retoma o início do livro, repetindo a ordem de Deus (Jn 3,1-2). Desta vez o profeta obedece e anuncia a mensagem à cidade: “Ainda quarenta dias e Nínive será destruída” (Jn 3,4). Mais uma vez o autor insiste na retidão dos estrangeiros: precisariam “três dias para percorrer a cidade”, mas bastou um dia para que o povo se arrependesse de seus pecados, fazendo jejum e penitência. Assim, a terceira cena termina com o perdão de Deus (Jn 3,10).

Por fim, Jonas senta-se fora da cidade, esperando sua destruição. Como esta não acontece, tem “um grande desgosto” e “fica irado”, a ponto de lamentar-se com Deus. Este conclui a obra proclamando seu amor por todas as criaturas, como ironicamente o próprio Jonas admite, citando Ex 34,6-7: “És um Senhor benigno e misericordioso, paciente e cheio de bondade, e que facilmente perdoas a punição” (Jn 4,2).

A maioria dos estudiosos entende o Livro de Jonas como uma crítica às reformas de Esdras e Neemias, que “fecharam” o Judaísmo às influências externas, proibindo casamentos com estrangeiros e realizando a construção do “muro” de Jerusalém, literal e figurativamente. Jonas é imagem do povo de Israel que precisa converter-se, abrindo-se à salvação universal desejada por Deus.

Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da postagem.

Jonas escapa do monstro marinho
(Pieter Lastman) 

2. Leitura litúrgica de Jonas: Composição harmônica

A narrativa de Jonas tem uma presença bastante “modesta” na Liturgia do Rito Romano, como veremos ao analisar sua leitura seguindo os dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].

Começamos, naturalmente, pela composição harmônica: a escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou festa litúrgica.