quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Anúncio das Festas Móveis de 2026

“Abre-se diante de nós um percurso no qual a graça de Deus precede e acompanha o povo que caminha zeloso na fé, diligente na caridade e perseverante na esperança (cf. 1Ts 1,3)” (cf. Spes non confundit, n. 6).

No domingo, dia 04 de janeiro de 2026, celebraremos no Brasil a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06.

Na Missa dessa Solenidade, após a proclamação do Evangelho, é tradição anunciar as datas das festas móveis do novo ano que se inicia. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Solenidade da Epifania.

Na tradução brasileira da 3ª edição do Missal Romano (2023) são indicadas duas opções de textos à escolha (pp. 1219-1220), além da partitura para o canto (pp. 1221-1223).

Confira a seguir as duas opções de textos à escolha para este ano de 2026, conforme constam no Diretório da Liturgia publicado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB):

Anúncio da Páscoa e das Festas Móveis de 2026

1ª opção:

Irmãos caríssimos, sabei que, pela misericórdia de Deus, assim como nos alegramos pelo nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, também vos anunciamos a alegria da Ressurreição do mesmo Jesus, nosso Salvador.
No dia 18 de fevereiro iniciareis o jejum da sacratíssima Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas.
No dia 05 de abril celebrareis com alegria a santa Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 17 de maio ocorrerá a Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 24 de maio a festa de Pentecostes.
No dia 04 de junho a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
No dia 29 de novembro será o 1º domingo do Advento de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Ele louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

2ª opção:

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se, e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 05 de abril.
Em cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da celebração da Páscoa do Senhor procedem todas as celebrações do Ano Litúrgico:
as Cinzas, início da Quaresma, a 18 de fevereiro;
a Ascensão do Senhor, a 17 de maio;
Pentecostes, a 24 de maio;
Corpo e Sangue de Cristo, a 04 de junho.
O 1º Domingo do Advento ocorrerá no dia 29 de novembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

Cristo Pantocrator
(Igreja do Salvador em Chora, Turquia)

Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2026. Brasília: Edições CNBB, 2025, pp. 12-13.

Homilia do Papa Bento XVI: Santa Mãe de Deus (2006)

Há 20 anos, no dia 01 de janeiro de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) presidiu pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Nesta mesma ocasião foi celebrado o 39º Dia Mundial da Paz, com o tema “Na verdade, a paz”. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus
39º Dia Mundial da Paz
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Domingo, 01 de janeiro de 2006

Amados irmãos e irmãs,
Na Liturgia de hoje o nosso olhar continua dirigido para o grande mistério da Encarnação do Filho de Deus enquanto, com particular ênfase, contemplamos a maternidade da Virgem Maria. No trecho paulino que ouvimos (Gl 4,4-7), o Apóstolo refere-se de maneira muito discreta àquela por meio da qual o Filho de Deus entra no mundo: Maria de Nazaré, a Mãe de Deus, a Theotókos. No início de um novo ano, somos como que convidados a nos colocarmos na sua escola, na escola da discípula fiel do Senhor, para aprender dela a acolher na fé e na oração a salvação que Deus quer derramar sobre aqueles que confiam no seu amor misericordioso.


A salvação é um dom de Deus. Na 1ª leitura ela nos foi apresentada como bênção: O Senhor te abençoe e te guarde... volte para ti o seu rosto e te dê a paz (Nm 6,24.26). Trata-se aqui da bênção que os sacerdotes costumavam invocar sobre o povo no final das grandes festas litúrgicas, particularmente na festa do ano novo. Estamos diante de um texto muito significativo, cadenciado pelo nome do Senhor que se repete no início de cada versículo. Um texto que não se limita a uma simples enunciação de princípio, mas tende a realizar aquilo que afirma. Como sabemos, com efeito, no pensamento semítico a bênção do Senhor produz, pela sua própria força, o bem-estar e a salvação, assim como a maldição traz desgraça e ruína. Além disso, a eficácia da bênção se concretiza, mais especificamente, por parte de Deus que nos protege (v. 24), nos é propício (v. 25) e nos concede a paz, ou seja, em outros termos, que nos oferece a abundância da felicidade.

Homilia do Papa João Paulo II: Santa Mãe de Deus (2001)

Há 25 anos, no dia 01 de janeiro de 2001, pouco antes da conclusão do Grande Jubileu, o Papa São João Paulo II (†2005) presidiu a Missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus. Nesta mesma ocasião foi celebrado o 34º Dia Mundial da Paz, com o tema “Diálogo entre as culturas para uma civilização do amor e da paz”. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus
34º Dia Mundial da Paz
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Segunda-feira, 01 de janeiro de 2001

1. “Os pastores foram às pressas e encontraram Maria e José, e o Recém-nascido, deitado na manjedoura (Lc 2,16).
Hoje, Oitava de Natal, a Liturgia nos anima com essas palavras a caminhar, com novo e consciente ardor, rumo a Belém para adorar o divino Menino, nascido para nós. Convida-nos a seguir os passos dos pastores que, ao entrarem na gruta, reconhecem naquele pequeno ser humano, “nascido de uma mulher, nascido sujeito à Lei” (Gl 4,4), o Todo-poderoso que se fez um de nós. Ao lado d’Ele, José e Maria são testemunhas silenciosas do prodígio do Natal. Eis o mistério que também nós, hoje, contemplamos com admiração: nasceu para nós o Senhor. Maria “deu à luz o Rei que governa o céu e a terra pelos séculos eternos” (cf. Sedúlio, Antífona de entrada).


Ficamos extasiados diante da cena que o evangelista nos narra. De modo particular, detenhamo-nos para contemplar os pastores. Simples e alegres modelos da busca humana, especialmente no contexto do Grande Jubileu, eles põem em evidência quais devem ser as condições interiores para encontrar Jesus.

A desarmante ternura do Menino, a surpreendente pobreza em que Ele se encontra e a humilde simplicidade de Maria e de José transformam a vida dos pastores: eles se tornam assim mensageiros de salvação, evangelistas ante litteram [“precursores”]. Escreve São Lucas: “Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo que tinham visto e ouvido, conforme lhes tinha sido dito” (Lc 2,20). Partiram felizes e enriquecidos por um acontecimento que tinha transformado a sua existência. Nas suas palavras encontra-se o eco de uma alegria interior que se faz cântico: “Voltaram, glorificando e louvando a Deus”.