quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vésperas da Conversão de São Paulo em Roma (2026)

Na tarde do domingo, 25 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV presidiu as Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo [1] na Basílica de São Paulo fora dos muros por ocasião do encerramento da 59ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O “tema” para este ano foi: “Há um só Corpo e um só Espírito, como também uma só é a esperança à qual fostes chamados” (Ef 4,4) e o material foi preparado por um grupo ecumênico da Armênia.

Como de costume, participaram da celebração representantes das Igrejas Ortodoxas, das Igrejas Ortodoxas Orientais e das comunidades protestantes.

O Papa, endossando um pluvial de São Paulo VI [2], foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Didier Jean-Jacques Bouable. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Oração diante do túmulo de São Paulo
Versículo introdutório: "Vinde, ó Deus..."
Hino: Excelsam Pauli gloriam
Salmodia

Homilia do Papa: Vésperas da Conversão de São Paulo (2026)

Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo
59ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Paulo fora dos muros
Domingo, 25 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Em uma das passagens bíblicas que acabamos de ouvir [1], o Apóstolo Paulo se define «o menor dos apóstolos» (1Cor 15,9). Ele se considera indigno desse título, porque no passado foi um perseguidor da Igreja de Deus. No entanto, ele não se sente prisioneiro desse passado, mas sim «prisioneiro no Senhor» (Ef 4,1). Na verdade, pela graça de Deus, conheceu o Senhor Jesus Ressuscitado, que se revelou a Pedro, depois aos Apóstolos e a centenas de outros seguidores do Caminho e, por fim, também a ele, um perseguidor (cf. 1Cor 15,3-8). O seu encontro com o Ressuscitado determina a conversão que hoje comemoramos.

O alcance dessa conversão reflete-se na mudança do seu nome, de Saulo para Paulo. Por graça de Deus, aquele que outrora perseguia Jesus foi completamente transformado e tornou-se sua testemunha. Aquele que combatia ferozmente contra o nome de Cristo, agora prega o seu amor com zelo ardente, como expressa vivamente o hino que cantamos no início desta celebração (cf. Excelsam Pauli gloriam, 2ª estrofe). Enquanto estamos reunidos junto dos restos mortais do Apóstolo das Nações, nos é recordado assim que a sua missão é também a missão dos cristãos de hoje: anunciar Cristo e convidar todos a depositarem a sua confiança n’Ele. Com efeito, cada verdadeiro encontro com o Senhor é um momento transformador, que dá uma nova visão e uma nova orientação no cumprimento da tarefa de edificar o Corpo de Cristo (cf. Ef 4,12).


O Concílio Vaticano II, no início da Constituição sobre a Igreja, declarou o ardente desejo de anunciar o Evangelho a toda criatura (cf. Mc 16,15) e assim «iluminar todos os homens com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja» (cf. Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 1). É tarefa comum dos cristãos dizer ao mundo, com humildade e alegria: «Olhai para Cristo! Aproximai-vos d’Ele! Acolhei a sua Palavra que ilumina e consola!» (Homilia na Missa de início do Ministério Petrino, 18 de maio de 2025). Caríssimos, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos nos convida- anualmente a renovar o nosso compromisso comum nesta grande missão, conscientes que as divisões entre nós, embora certamente não impedem a luz de Cristo de brilhar, todavia tornam mais opaco o rosto que deve refleti-la no mundo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ângelus: III Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 25 de janeiro de 2026

Irmãos e irmãs, bom domingo!
Tendo recebido o Batismo, Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão - chamado Pedro -, André, Tiago e João (cf. Mt 4,12-22). Observando atentamente esta passagem do Evangelho de hoje podemos fazer duas perguntas: uma sobre o tempo em que Jesus começa a sua missão e outra sobre o lugar que escolhe para pregar e chamar os Apóstolos. Perguntemo-nos: quando começaOnde começa?

Em primeiro lugar, o evangelista conta-nos que Jesus, «ao saber que João tinha sido preso» (v. 12), começou a sua pregação. Esta ocorre, portanto, em um momento que não parece ser o melhor: João Batista acabava de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «O Reino dos Céus está próximo» (v. 17).

Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, todo momento é bom para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.

O relato evangélico também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele «deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum» (v. 13). Permanece, contudo, na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes. O Evangelho nos diz, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes, envolve-se nas situações e nas relações humanas. Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.

Irmãos e irmãs, como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamado do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor. Rezemos à Virgem Maria, para que nos conceda esta confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho.

Chamado dos primeiros discípulos
(Domenichino - Basílica de Santo André della Valle, Roma)

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
Este Domingo, o III do Tempo Comum, é o Domingo da Palavra de Deus. O Papa Francisco instituiu-o há sete anos para promover em toda a Igreja o conhecimento da Sagrada Escritura e a atenção à Palavra de Deus na Liturgia e na vida das comunidades. Agradeço e encorajo todos os que se empenham com fé e amor em prol deste fim prioritário...

Fonte: Santa Sé.

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 2

Confira nesta postagem as últimas duas meditações sobre os encontros”, primeira parte da seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”: Zaqueu (Lc 19,1-10) e o homem rico (Mc 10,17-22).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 02 de abril de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.3. A vida de Jesus - Os encontros: Zaqueu (Lc 19,1-10)

Amados irmãos e irmãs,
Continuemos a contemplar os encontros de Jesus com alguns personagens do Evangelho. Desta vez gostaria de meditar sobre a figura de Zaqueu: um episódio que me é particularmente caro, porque ocupa um lugar especial no meu caminho espiritual.

O Evangelho de Lucas nos apresenta Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez também nós nos sintamos assim às vezes: sem esperança. Zaqueu, pelo contrário, descobrirá que o Senhor já estava à sua procura.

Com efeito, Jesus desceu a Jericó, cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do submundo, onde Jesus quer ir procurar aqueles que se sentem perdidos. E, na realidade, o Senhor Ressuscitado continua a descer aos submundos de hoje, aos lugares de guerra, à dor dos inocentes, ao coração das mães que veem morrer os seus filhos, à fome dos pobres.

Jesus e Zaqueu

Em certo sentido Zaqueu se perdeu, talvez tenha feito escolhas equivocadas ou a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de sair. Com efeito, Lucas insiste em descrever as características deste homem: não só é um publicano, isto é, alguém que cobra os impostos dos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é inclusive o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado.

Além disso, Lucas acrescenta que Zaqueu é rico, dando a entender que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição. Mas tudo isso tem consequências: Zaqueu provavelmente se sente excluído, desprezado por todos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Bênção dos cordeiros no dia de Santa Inês (2026)

Na manhã da quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, Memória de Santa Inês, Virgem e Maria, teve lugar a apresentação ao Papa de dois cordeiros a serem abençoados, tradição que havia sido abandonada no final do pontificado anterior.

Com a lã desses dois cordeiros, ornados com flores brancas e vermelhas (recordando a virgindade e o martírio de Santa Inês), serão tecidos os pálios impostos aos novos Arcebispos Metropolitanos no dia 29 de junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo.

Durante a breve celebração na Capela Urbano VIII do Palácio Apostólico o Papa Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Saudação inicial

Oração
Bênção
Cordeiro ornado com flores vermelhas
Cordeiro ornado com flores brancas

Imagens: Vatican News (Facebook).

Vésperas ecumênicas em Londres (2026)

Na terça-feira, 20 de janeiro de 2026, o Arcebispo Emérito de Westminster, Cardeal Vincent Gerard Nichols [1], presidiu a oração das Vésperas Ecumênicas na Catedral do Preciosíssimo Sangue em Londres (Inglaterra) no contexto da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e em ação de graças pela concessão do título de Doutor da Igreja a São John Henry Newman.

A homilia ficou a cargo de Rowan Williams, que foi o “Arcebispo” de Canterbury e Primaz da Comunhão Anglicana de 2002 a 2012. Também estiveram presentes, junto aos Bispos católicos, alguns “Bispos” anglicanos [2].

Procissão de entrada
Hino
Salmodia
Leitura
Homilia de Rowan Williams

sábado, 24 de janeiro de 2026

Semana da Unidade 2025: Leituras e orações (2)

Em nossas postagens anteriores destacamos os materiais da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos de 2025, preparados pela comunidade monástica de Bose (Itália), formada por monges de diferentes tradições cristãs.

À luz do tema: “Crês isto?” (Jo 11,26), tendo em vista os 1700 anos do I Concílio de Niceia (325), o subsídio inclui um roteiro de Celebração Ecumênica e um “oitavário” de reflexões e orações à luz do Símbolo Niceno-Constantinopolitano.

Para cada um dos oito dias são propostas leituras bíblicas, leituras patrísticas de diversas “tradições” (latina, grega, siríaca e armênia), orações e preces.

Se na postagem anterior trouxemos as reflexões para os primeiros quatro dias, centradas em Deus Pai e em Jesus Cristo, nesta postagem concluímos a publicação dos materiais com os textos para os últimos quatro dias, sobre o Espírito Santo, a Igreja, o Batismo e a vida eterna.

Esses textos, com efeito, não se restringem ao ano de 2025, podendo ser utilizados em momentos ecumênicos ou de reflexão sobre a fé, ou ainda em nossa oração pessoal.

Ícone do Creio

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos 2025
Reflexões e orações para os oito dias
“Crês isto?” (Jo 11,26)

5º dia: Creio no Espirito Santo, Senhor que dá a vida

Leituras bíblicas: Ez 36,24-28 / Sl 103(104),24-25.27-29.33-34 / Jo 3,4-8

Leitura patrística

Da tradição siríaca
Não é correto dizer que o Espírito se afasta quando pecamos para retornar quando nos convertemos. (...) De que me serve se Ele habita em mim somente depois de me tornar justo? Se no momento da queda Ele não permanece em mim, não me dá a mão e não me levanta, como farei experiência da sua ajuda? Que médico, vendo um enfermo que adoece, vai embora e o abandona, para retornar quando ele estiver saudável? Não é mais útil que o médico esteja com o enfermo no momento da sua doença?
(Filoxeno de Mabbug, Sobre a habitação do Espírito Santo)

Oração

Vós sois o Espírito soprado sobre Adão, tornando a carne humana um ser vivente.
R. Amém, amém! Aleluia!

Vós sois o Espírito dado pelo Ressuscitado, perdoando nossos pecados.
R. Amém, amém! Aleluia!