Para a tradicional oração da Via Sacra na noite da Sexta-feira Santa junto ao Coliseu, em comemoração aos 10 anos da eleição do Papa Francisco, neste ano de 2023 foram recolhidos testemunhos de fiéis das diversas regiões do mundo visitadas pelo Pontífice, intitulados “Vozes de paz em um mundo de guerra”, que reproduzimos a seguir.
Para ilustrar as 14 estações, propomos as esculturas da Via Sacra da vila de Stradch (Страдч), na região de Lviv na Ucrânia, país que há mais de um ano sofre com a realidade da guerra.
Sexta-Feira Santa
Via Sacra presidida pelo Papa Francisco
Coliseu (Roma), 07 de abril de 2023
«Vozes de paz em um mundo de guerra»
Oração inicial
Senhor Jesus, Tu és «a nossa paz» (Ef 2,14).
Antes da Paixão, disseste: «Deixo-vos a
paz; dou-vos a minha paz. Não a dou como o mundo a dá» (Jo 14,27).
Senhor, precisamos da tua paz, daquela paz que não conseguimos construir só com
as nossas forças. Precisamos ouvir repetir aquelas palavras com que Tu, Ressuscitado,
por três vezes fortaleceste o coração dos discípulos: «A paz esteja convosco!»
(Jo 20,19.21.26). Jesus, que abraças a cruz por nós, vê a nossa
terra sedenta de paz, enquanto o sangue dos teus irmãos e irmãs continua a ser
derramado e as lágrimas de tantas mães, que perdem os filhos na guerra, se
misturam com as da tua santa Mãe. Também Tu, Senhor, choraste sobre Jerusalém
por não ter reconhecido o caminho da paz (cf. Lc 19,42).
E é precisamente da Terra Santa que
parte, esta noite, o caminho da cruz atrás de Ti. Vamos percorrê-lo escutando o
teu sofrimento, refletido nos irmãos e irmãs que no mundo sofreram e sofrem a
falta de paz, deixando-nos penetrar por testemunhos e ressonâncias chegados ao
ouvido e ao coração do Papa no decurso das suas viagens. São ecos de paz que
afloram nesta «terceira guerra mundial aos pedaços», gritos que vêm de países e
áreas hoje dilacerados por violências, injustiças e pobreza. Todos os lugares
onde se sofre por conflitos, ódios e perseguições estão presentes na oração
desta Sexta-feira Santa.
Senhor Jesus, no teu nascimento os
anjos proclamaram nos céus: «Paz na terra aos homens» (Lc 2,14).
Agora sobem ao céu as nossas orações para atrair «a paz à terra, um anseio
profundo dos seres humanos de todos os tempos» (Pacem in terris, n. 1).
Rezamos implorando aquela paz que nos confiaste e que não conseguimos guardar. Jesus,
da cruz abraças o mundo inteiro: perdoa os nossos erros, sara os nossos
corações, dá-nos a tua paz.
I Estação: Jesus é condenado à morte
(Vozes de paz da Terra Santa)
Nós vos adoramos, Senhor Jesus
Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz
remistes o mundo.
Então Pilatos soltou Barrabás, mandou
flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado (Mt 27,26).
Barrabás ou Jesus? Devem escolher. Não
é uma escolha qualquer: trata-se de decidir onde estar, que posição tomar nas
complexas vicissitudes da vida. A paz, que todos desejamos, não nasce por si
mesma, mas aguarda uma decisão nossa. Hoje, como então, somos continuamente
chamados a escolher entre Barrabás ou Jesus: a revolta ou a mansidão, as armas
ou o testemunho, o poder humano ou a força silenciosa da pequenina semente, o
poder do mundo ou o do Espírito. Na Terra Santa, parece que a nossa escolha
recai sempre sobre Barrabás. A violência parece ser a nossa única linguagem. O
motor das retaliações recíprocas é continuamente alimentado pelo próprio
sofrimento, que muitas vezes se torna o único critério de juízo. Justiça e
perdão não conseguem dialogar. Vivemos juntos sem nos reconhecermos, um rejeitando
a existência do outro, condenando-nos mutuamente, em um círculo vicioso sem fim
e cada vez mais violento. E neste contexto carregado de ódio e rancor, também
nós somos chamados a expressar um juízo e a tomar a nossa decisão. E não
podemos fazê-lo sem olhar para Aquele condenado à morte, silencioso, perdedor,
mas sobre o Qual recaiu a nossa escolha, Jesus. Cristo convida-nos a não usar a
medida de Pilatos e da multidão, mas a reconhecer o sofrimento do outro,
colocar justiça e perdão em diálogo e desejar a salvação para todos, mesmo para
os ladrões, mesmo para Barrabás.
Rezemos dizendo: Ilumina-nos, Senhor Jesus!
Quando cremos que temos sempre
razão...
Quando condenamos sem apelo os
irmãos...
Quando fechamos os olhos perante a
injustiça...
Quando sufocarmos o bem ao nosso
redor...