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sexta-feira, 10 de abril de 2026

Fotos da Via Sacra no Coliseu (2026)

Na noite da Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a tradicional oração da Via Sacra no Coliseu.

As meditações foram preparadas pelo Padre Francesco Patton, OFM, Custódio da Terra Santa de 2016 a 2025, com os textos de São Francisco de Assis por ocasião dos 800 anos da sua morte.

Retomando uma tradição iniciada por São Paulo VI (†1978) e continuada por São João Paulo II (†2005), sobretudo no início do seu pontificado, Leão XIV carregou a cruz ao longo das quatorze estações. 

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Fiéis aguardam o início da celebração
O Papa reza junto da cruz dentro do Coliseu
Início da Via Sacra dentro do Anfiteatro


Meditações da Via Sacra no Coliseu 2026

As meditações da primeira Via Sacra no Coliseu do pontificado do Papa Leão XIV, na noite da Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2026, foram preparadas pelo Padre Francesco Patton, OFM, Custódio da Terra Santa de 2016 a 2025.

Em suas meditações foram citados vários textos de São Francisco de Assis, tomados das Fontes Franciscanas (FF), por ocasião dos 800 anos da sua morte (1226-2026).

Para saber mais, confira nossas postagem sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Sexta-feira Santa
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Leão XIV
03 de abril de 2026

Meditações com os textos de São Francisco de Assis:
Padre Francesco Patton, OFM

Canto inicial
Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi: quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R: Amém.
O Senhor Jesus, que padeceu por nós e nos remiu pelo Mistério Pascal, esteja convosco. R. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.


Introdução

A Via Dolorosa passa pelas ruelas da Cidade Velha de Jerusalém e nos leva a percorrer o caminho de Jesus desde o local da sua condenação até o da sua crucificação e sepultura, que é também o local da sua Ressurreição.
Não é um percurso entre pessoas devotas e silenciosas. Como no tempo de Jesus, nos encontramos caminhando em um ambiente caótico, perturbado e ruidoso, no meio de pessoas que partilham a fé n’Ele, mas também de outras que zombam e insultam. Assim é a vida de cada dia.
A Via Sacra não é o caminho de quem vive em um mundo assepticamente devoto e de recolhimento abstrato, mas é o exercício de quem sabe que a fé, a esperança e a caridade devem ser encarnadas no mundo real, onde o fiel é constantemente desafiado e deve continuamente assumir como próprio o modo de agir de Jesus.
São Francisco de Assis, de quem se comemora este ano o oitavo centenário da morte, descreve a nossa vida cristã tomando emprestadas as palavras do Apóstolo Pedro, recordando-nos que somos chamados a «seguir os passos de Cristo, que chamou o seu traidor de amigo e se ofereceu espontaneamente aos que o crucificaram» (Regra não bulada XXII, 2: FF 56; cf. 1Pd 2,21). O Poverello nos exorta a fixar o olhar em Jesus: «Consideremos, irmãos todos, o bom pastor, que para salvar suas ovelhas sofreu a paixão da cruz» (Admoestações VI: FF 155).
Ao percorrer esta Via Sacra, portanto, acolhamos o convite de São Francisco a fazer um caminho seguindo os passos de Jesus, que não seja meramente ritual ou intelectual, mas que envolva toda a nossa pessoa e toda a nossa vida: «Oferecei vossos corpos e carregai sua santa cruz, e segui até o fim seus santíssimos preceitos» (Ofício da Paixão do Senhor XV, 13: FF 303).

I Estação: Jesus é condenado à morte

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Discurso do Papa João Paulo II: Via Sacra no Coliseu (2001)

Há 25 anos, na noite da Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001, após a Celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro, o Papa São João Paulo II (†2005) presidiu a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu romano.

As meditações da Via Sacra foram tomadas dos escritos do Cardeal John Henry Newman (†1890) nos 200 anos do seu nascimento [1].

Reproduzimos aqui as palavras improvisadas pelo Papa no final da oração e o discurso que havia sido preparado para a ocasião:

Via Sacra no Coliseu
Discurso do Papa João Paulo II
Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001

Palavras improvisadas:

Ecce lignum crucis, in quo salus mundi pependit! Venite adoremus! [Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo! Vinde, adoremos!]

Hoje, pela primeira vez neste terceiro milênio, se proclamou esta palavra na Basílica de São Pedro. Neste mesmo dia, Sexta-feira Santa, a mesma verdade desconcertante foi proclamada em todos os continentes, em todos os países do mundo: Ecce lignum crucis!


A Igreja de Cristo confessa esta realidade divina e humana: Crux, ave Crux! Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum. [Cruz, salve, ó Cruz! Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz redimistes o mundo]

A Igreja confessou isso durante dois mil anos, os dois milênios passados. Hoje, pela primeira vez, o confessamos em todo o mundo e aqui, em Roma com esta Via Sacra junto ao Coliseu. Queremos transmitir, levar adiante esta verdade divina e humana no terceiro milênio. Queremos professar que, pela sua Cruz, o Filho de Deus, aceitando esta humilhação - uma condenação destinada aos escravos - abriu à humanidade o caminho para a glorificação. Por isso nós, hoje, rezamos ajoelhados, em adoração.

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2011

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como é tradição neste blog, publicamos um modelo de meditações para a Via Sacra. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra.

Nesta ocasião recordamos a Via Sacra presidida pelo Papa Bento XVI (†2022) junto ao Coliseu na noite da Sexta-feira Santa de 2011. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

As meditações foram escritas pela Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália. Com essa postagem, portanto, honramos o Papa Leão XIV, que também pertence à Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.).

Como ilustrações, por sua vez, propomos as esculturas realizadas pelo artista Mickey Wells para o Santuário da Paixão de Cristo (Shrine of Christ’s Passion) na cidade de St. John (Indiana, EUA), próximo de Chicago (Illinois), cidade natal do primeiro Papa norte-americano [1].

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Bento XVI
Sexta-feira Santa, 22 de abril de 2011

Meditações da Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A.
Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália

Apresentação

«Se alguém contemplasse de longe a sua pátria, mas no meio estivesse o mar, veria aonde chegar, mas não disporia dos meios para chegar. O mesmo se passa conosco... Vislumbramos a meta a alcançar, mas no meio está o mar deste século... Ora, para que pudéssemos dispor também dos meios para chegar, veio de lá Aquele para quem nós queríamos ir... e forneceu-nos o madeiro com o qual atravessar o mar. De fato, ninguém pode atravessar o mar deste século se não é levado pela cruz de Cristo... Não abandones [pois] a cruz, e a cruz te levará».
Estas palavras de Santo Agostinho, tomadas do seu Comentário ao Evangelho de João (2, 2), nos introduzem na oração da Via Sacra (Via Crucis).


A Via Sacra, com efeito, quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. A Via Sacra, portanto, não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas exprime a essência da experiência cristã: «Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mc 8,34).

(...) No início de cada estação, depois da clássica enunciação, aparece uma brevíssima frase que pretende oferecer a chave de leitura da respectiva estação. Podemos recebê-la idealmente como pronunciada por uma criança, quase como um apelo à simplicidade dos pequeninos, que sabem captar o coração da realidade, e em um espaço simbólico de acolhida, na oração de Igreja, da voz da infância por vezes ofendida e explorada.

A Palavra de Deus proclamada é tomada do Evangelho de João, exceto nas estações sem texto evangélico de referência ou que o têm em outros Evangelhos. Com esta escolha se pretende evidenciar a mensagem de glória da Cruz de Jesus.
Em seguida o texto bíblico é ilustrado por uma breve reflexão, clara e original.

terça-feira, 22 de abril de 2025

Fotos da Via Sacra no Coliseu (2025)

Na noite do dia 18 de abril de 2025, Sexta-feira Santa, o Cardeal Baldassare Reina, Vigário Geral da Diocese de Roma e Arcipreste da Basílica do Latrão, presidiu a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu.

Para saber mais confira nossa postagem sobre a história e a teologia da Via Sacra.

O Cardeal foi assistido pelo Monsenhor Yala Banorani Djetaba. O livreto da celebração pode ser visto aqui.


Fiéis aguardam o início da celebração
Início da Via Sacra dentro do Coliseu



Meditações da Via Sacra no Coliseu 2025

Neste Ano Jubilar de 2025, assim como em 2024, as meditações para a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu na noite da Sexta-feira Santa foram escritas pelo Papa Francisco. Este foi um dos últimos textos do Pontífice, falecido na segunda-feira, 21 de abril.

Para saber mais, confira nossas postagem sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Sexta-feira Santa
Via Sacra no Coliseu
18 de abril de 2025
Meditações do Papa Francisco

Canto inicial
Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi: quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R: Amém.

Introdução
O caminho para o Calvário passa pelas estradas do nosso dia-a-dia. Nós, Senhor, vamos normalmente na direção oposta à vossa. Por isso mesmo pode acontecer que encontremos o vosso rosto e que cruzemos com o vosso olhar. Caminhamos como de costume e Vós vindes ao nosso encontro. Os vossos olhos leem o nosso coração. Hesitamos, então, em continuar como se nada tivesse acontecido. Podemos dar meia-volta, olhar para Vós e vos seguir. Podemos nos identificar com o vosso caminho e perceber que é melhor mudar de rumo.


Do Evangelho segundo Marcos (Mc 10,21)
Jesus olhou para ele com amor, e disse: «Só uma coisa te falta: vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres, e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me!».

Jesus é o vosso nome e verdadeiramente em Vós «Deus salva». O Deus de Abraão que chama, o Deus de Isaac que provê, o Deus de Jacó que abençoa, o Deus de Israel que liberta: no vosso olhar, Senhor, que percorreis Jerusalém, há toda uma revelação. Nos vossos passos que saem da cidade está o nosso êxodo para uma nova terra. Viestes para mudar o mundo: para nós isso significa mudar de direção, ver a bondade dos vossos passos, deixar trabalhar no nosso coração a memória do vosso olhar.
A Via Sacra é a oração de quem está em movimento. Interrompe os nossos caminhos habituais, para que do cansaço passemos à alegria. É verdade que nos custa trilhar o caminho de Jesus: neste mundo que tudo calcula, a gratuidade tem um preço elevado. No dom gratuito, porém, tudo volta a florescer: uma cidade dividida em facções e dilacerada por conflitos caminha em direção à reconciliação; uma religiosidade estéril redescobre a fecundidade das promessas de Deus; até um coração de pedra pode transformar-se em um coração de carne. Basta ouvir o convite: «Vem e segue-me!», e confiar nesse olhar de amor.

I Estação: Jesus é condenado à morte

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

sexta-feira, 7 de março de 2025

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2015

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como de costume aqui em nosso blog, publicamos um esquema de meditações para a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.
Para saber mais, confira nossas postagens sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Nesta postagem recordamos as meditações proferidas há 10 anos, na Via Sacra presidida pelo Papa Francisco na Sexta-feira Santa de 2015, elaboradas por Dom Renato Corti (†2020), Bispo Emérito de Novara (Itália), criado Cardeal no ano seguinte.

Como ilustrações, propomos a Via Sacra realizada pelo pintor italiano Gaetano Previati (†1920), realizada entre 1901 e 1902 e conservada nos Museus Vaticanos.

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via-Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Francisco
Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2015

Meditações de Dom Renato Corti
Bispo Emérito de Novara (Itália)

A Cruz, ápice luminoso do amor de Deus que nos guarda
Chamados, também nós, a sermos guardiões por amor

Canto inicial:
Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi,
quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.
Domine, miserere nobis.

Caminho do Calvário (Gaetano Previati, Milão)

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amém.

Estávamos no dia 19 de março de 2013. O Papa Francisco tinha sido eleito poucos dias antes. Fez a homilia sobre São José, dizendo que era o «guardião» de Maria e de Jesus (cf. Mt 1,24) e que o seu estilo era feito de discrição, humildade, silêncio, presença constante e fidelidade total.
Na Via Sacra que estamos prestes a começar haverá uma referência constante ao dom de sermos guardados pelo amor de Deus, nomeadamente por Jesus Crucificado, e ao dever de, por nossa parte, sermos por amor guardiões da criação inteira, de todas as pessoas, especialmente das mais pobres, de nós mesmos e das nossas famílias, para fazer brilhar a estrela da esperança.
Queremos viver esta Via Sacra em uma profunda intimidade com Jesus. Vendo com atenção aquilo que está escrito nos Evangelhos, se individuarão discretamente alguns sentimentos e pensamentos que poderiam ocupar a mente e o coração de Jesus naquelas horas de provação.
Ao mesmo tempo, nos deixaremos interpelar por algumas situações de vida que caracterizam - positiva ou negativamente - os nossos dias. Expressaremos assim uma ressonância, que traduz o nosso desejo de realizar algum passo de imitação de nosso Senhor Jesus Cristo na sua Paixão.

Oremos
Ó Pai, que quisestes salvar os homens com a morte do vosso Filho na Cruz, concedei-nos que, tendo conhecido na terra o seu mistério de amor, sejamos suas testemunhas, por palavras e obras, junto de todos aqueles que nos fazeis encontrar na vida diária. Por Cristo, nosso Senhor. R. Amém.

I Estação: Jesus é condenado à morte
Intimidade, traição, condenação

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

sábado, 14 de setembro de 2024

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2012

No dia 14 de setembro celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Aproveitamos a ocasião para resgatar as meditações da Via Sacra presidida pelo Papa Bento XVI (†2022) junto ao Coliseu romano há 12 anos, na Sexta-feira Santa de 2012, a última do seu pontificado.

Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Pela primeira vez as meditações foram preparadas por um casal, Danilo Zanzucchi (†2022) e Anna Maria Zanzucchi, iniciadores do Movimento “Famílias Novas”, no contexto do Movimento dos Focolares, que durante muitos anos colaboraram com o Pontifício Conselho para a Família.

O livreto da celebração foi ilustrado com a Via Sacra realizada pelo escultor Benedetto Pietrogrande para uma capela do Movimento dos Focolares na Itália. Nesta postagem, por sua vez, propomos as estações realizadas pela escultora Maria de Faykod para o Santuário de Lourdes (França), em uma área plana para facilitar o acesso aos enfermos e idosos.


Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Bento XVI
Sexta-feira Santa, 06 de abril de 2012

Meditações de Danilo e Anna Maria Zanzucchi
Movimento “Famílias Novas”

Introdução
Jesus diz: «Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me» (Lc 9,23). Um convite válido para todos: solteiros e casados, jovens, adultos e idosos, ricos e pobres, desta ou daquela nação. Vale também para cada família, para os seus membros individualmente ou para a pequena comunidade como tal.
Antes de entrar na sua Paixão final, Jesus, no Horto das Oliveiras, deixado só pelos apóstolos adormecidos, teve medo daquilo que o esperava e, dirigindo-se ao Pai, pediu: «Se é possível, afaste-se de mim este cálice». Acrescentando imediatamente: «Contudo, não seja feito como Eu quero, mas sim como Tu queres» (Mt 26,39).
Daquele momento dramático e solene, tira-se uma lição profunda para quantos se puseram a segui-lo. Como cada cristão, também cada família tem a sua “via sacra”: doenças, mortes, dificuldades financeiras, pobreza, traições, comportamentos imorais de um ou de outro, desavenças com os parentes, calamidades naturais.
Mas, neste caminho doloroso, cada cristão, cada família pode levantar o olhar e fixá-lo em Jesus, Homem-Deus.
Revivamos, juntos, a experiência final de Jesus sobre a terra, acolhida pelas mãos do Pai: uma experiência dolorosa e sublime, na qual Jesus condensou o exemplo e o ensinamento mais preciosos para vivermos em plenitude a nossa vida, segundo o modelo da sua vida.

Danilo e Anna Maria Zanzucchi (2020)

Oração inicial
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amém.

Oremos
Jesus, nesta hora em que recordamos a vossa morte, queremos fixar amorosamente o nosso olhar nos sofrimentos indescritíveis por Vós vividos.
Sofrimentos condensados, todos, no grito misterioso que destes na cruz, antes de expirar: «Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?» (Mt 27,46).
Jesus, pareceis um Deus com o ocaso à vista: o Filho sem Pai, o Pai privado do Filho.
Aquele vosso grito humano-divino que transpassou o ar no Gólgota, ainda hoje nos interroga e impressiona, mostra-nos que algo de inaudito aconteceu.
Algo de salvífico: da morte brotou a vida, das trevas a luz, da separação extrema a unidade.
A sede de nos conformarmos a Vós leva-nos a reconhecer-vos abandonado onde e como quer que seja: nas dores pessoais e coletivas, nas misérias da vossa Igreja e nas noites da humanidade, para enxertar, onde e como quer que seja, a vossa vida, propagar a vossa luz, gerar a vossa unidade.
Hoje, como então, sem o vosso abandono, não haveria Páscoa.

I Estação: Jesus é condenado à morte

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

terça-feira, 2 de abril de 2024

Sexta-feira Santa em Jerusalém (2024)

Nesta postagem destacamos as celebrações da Sexta-feira Santa em Jerusalém no dia 29 de março de 2024.

Vale recordar que essas celebrações possuem várias particularidades, tanto por tradição quanto por razões pastorais, como o uso compartilhado da Basílica do Santo Sepulcro pelas várias igrejas cristãs.

29 de março: Celebração da Paixão do Senhor

Pela manhã o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu a Celebração da Paixão do Senhor na Capela do Calvário da Basílica do Santo Sepulcro:


Prostração
Oração do dia
Liturgia da Palavra

segunda-feira, 1 de abril de 2024

Fotos da Via Sacra no Coliseu (2024)

Na noite da Sexta-feira Santa, 29 de março de 2024, teve lugar em Roma a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu.

Como vimos em nossa postagem anterior, no contexto do Ano da Oração em preparação para o Jubileu de 2025, as meditações foram escritas pelo Papa Francisco, intituladas “Em oração com Jesus no caminho da Cruz”.

Este, porém, não pode presidir a celebração, sendo substituído pelo Cardeal Angelo De Donatis, Vigário Geral da Diocese de Roma.

Fiéis junto ao Coliseu
Cardeal De Donatis com a cruz no início da Via Sacra



Meditações da Via Sacra no Coliseu 2024

Neste ano de 2024, no contexto do Ano da Oração em preparação para o Jubileu de 2025, as meditações para a tradicional oração da Via Sacra na noite da Sexta-feira Santa junto ao Coliseu foram escritas pelo Papa Francisco, intituladas “Em oração com Jesus no caminho da Cruz”.

As meditações seguiram o esquema “tradicional” das 14 estações, com uma pequena alteração: ao invés da terceira queda de Jesus, se meditaram suas últimas palavras sobre a Cruz. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história e a teologia da Via Sacra.

Como ilustrações ao texto do Pontífice argentino, propomos as esculturas do “Calvário de Tandil”, na província de Buenos Aires.

Sexta-Feira Santa
Via Sacra no Coliseu
29 de março de 2024
Meditações do Papa Francisco:
«Em oração com Jesus no caminho da Cruz»

Canto inicial
Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi: quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R: Amém.

Introdução

Senhor Jesus, olhamos para a vossa cruz e compreendemos que destes tudo por nós. Dedicamos a Vós este tempo. Queremos passá-lo aos vossos pés, que rezastes desde o Getsêmani até ao Calvário. No Ano de Oração, unimo-nos ao vosso caminho de oração.


Do Evangelho segundo Marcos (Mc 14,32-37)
Chegados a um lugar chamado Getsêmani, (...) Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, e começou a sentir pavor e angústia. Então lhes disse: “(...). Ficai aqui e vigiai”. Jesus foi um pouco mais adiante e, prostrando-se por terra, rezava (...): “Abbá! Pai! Tudo te é possível: Afasta de mim este cálice! Contudo, não seja feito o que Eu quero, mas sim o que tu queres!”. Voltando, encontrou os discípulos dormindo. Então disse a Pedro: “(...). Não pudeste vigiar nem mesmo uma hora?”.

Senhor, preparastes com a oração cada uma das vossas jornadas e agora, no Getsêmani, preparais a Páscoa. “Abbá, Pai! Tudo te é possível”, dizeis Vós, porque a oração é antes de tudo diálogo e intimidade; mas é também luta e súplica: “Afasta de mim este cálice!”. E é abandono e oferta: “Não seja feito o que Eu quero, mas sim o que Tu queres”. Assim, em oração, entrastes pela porta estreita do nosso sofrimento e a atravessastes profundamente. Sentistes medo e angústia (cf. Mc 14, 33): medo diante da morte, angústia sob o peso do nosso pecado que experimentastes sobre Vós, enquanto vos invadia uma amargura infinita. Mas, no apogeu da luta, rezastes «com mais insistência» (Lc 22,44): assim transformastes a veemência do sofrimento em oferta de amor.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2014

Estamos aproximadamente na metade do Tempo da Quaresma deste ano de 2024. Assim, após propor as meditações da Via Sacra no Coliseu na Sexta-feira Santa de 2004, nesta postagem destacamos as meditações da Via Sacra presidida pelo Papa Francisco há 10 anos, na Sexta-feira Santa de 2014.

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

As meditações foram preparadas por Dom Giancarlo Maria Bregantini, Arcebispo de Campobasso-Boiano, na região italiana de Molise (Arcebispo Emérito desde dezembro de 2023).

Como ilustrações, propomos a Via Sacra realizada por Giandomenico Tiepolo (ou Giovanni Domenico Tiepolo) entre 1747 e 1749 para a igreja de São Paulo em Veneza (Chiesa di San Polo).

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Francisco
Sexta-feira Santa, 18 de abril de 2014

Meditações de Dom Giancarlo Maria Bregantini
Arcebispo de Campobasso-Boiano:
«Rosto de Cristo, rosto do homem»

Canto inicial:
Adoramus te, Chiste, et benedicimus tibi,
quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amém.

«Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: “Não quebrarão nenhum dos seus ossos”. E outra Escritura ainda diz: “Olharão para aquele que transpassaram”» (Jo 19,35-37).

Crucificação - Giandomenico Tiepolo
(Museum Boijmans Van Beuningen, Rotterdam)

Amável Jesus, subistes ao Gólgota sem hesitar, obrigação de amor, e vos deixastes crucificar sem lamento. Humilde Filho de Maria, tomastes o peso da nossa noite para nos mostrar com quanta luz quereis dilatar-nos o coração. Nas vossas dores, está a nossa redenção, nas vossas lágrimas se desenha «a Hora» da revelação do Amor gratuito de Deus. Sete vezes perdoados, nos vossos últimos suspiros de Homem entre os homens, a todos nos levais de volta ao coração do Pai, para nos indicar, nas vossas últimas palavras, o caminho da redenção para toda a nossa dor. Vós, o Todo Encarnado, vos aniquilais na Cruz, compreendido apenas por aquela, a Mãe, que fielmente «estava» ao pé daquele patíbulo. A vossa sede é fonte de esperança sempre acesa, mão estendida mesmo para o malfeitor arrependido, que hoje, graças a Vós, doce Jesus, entra no paraíso. A todos nós, Senhor Jesus Crucificado, concedei a vossa infinita Misericórdia, perfume de Betânia sobre o mundo, gemido de vida para a humanidade. E no fim, abandonados nas mãos do vosso Pai, abri-nos a porta da Vida que não morre. Amém.

I Estação: Jesus condenado à morte
O dedo em riste que acusa

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2004

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como de costume aqui em nosso blog, publicamos um esquema de meditação para a tradicional Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.
Para saber mais, confira nossas postagens sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Nesta postagem recordamos as meditações proferidas há vinte anos, na Sexta-feira Santa de 2004, a última presidida por São João Paulo II no Coliseu (uma vez que em 2005, poucos dias antes da sua morte, o Papa polonês acompanhou a Via Sacra pela televisão).

As meditações foram elaboradas pelo Padre André Louf, monge trapista (Ordem dos Cistercienses de Estrita Observância) belga, falecido em 2010, seguindo o modelo da “Via Sacra Bíblica”.

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via-Sacra no Coliseu presidida pelo Papa João Paulo II
Sexta-feira Santa, 09 de abril de 2004
Meditações do Padre André Louf

Apresentação

Anualmente, na noite de Sexta-feira Santa, memória litúrgica da Paixão do Senhor, a Igreja de Deus que está em Roma, guiada pelo seu Pastor, o Sucessor de Pedro, realiza ao pé do Coliseu o piedoso exercício da Via Crucis, o “caminho da Cruz”. À comunidade cristã de Roma vêm juntar-se ao longo das quatorze estações peregrinos de todo o oikumene, enquanto milhões de fiéis de todas as línguas, povos e culturas se associam à oração e meditação através dos meios radio-televisivos. Neste ano, por uma feliz coincidência de calendário, os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram simultaneamente o grande mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do único Senhor de todos e, assim, vivem contemporaneamente a memória do acontecimento fontal da sua fé.


Neste ano, os textos bíblicos da Via-Sacra são tirados do Evangelho de São Lucas e os textos de meditação compostos pelo Padre André Louf. Trata-se de um monge cisterciense de estrita observância, que vive já há alguns anos em um ermo depois de ter desempenhado o ministério de abade na sua comunidade de Notre-Dame de Monte-des-Cats em França durante trinta e cinco anos, guiando-a no seguimento de Jesus Cristo desde os anos do Concílio Vaticano II até ao limiar do terceiro milênio: um monge radicado na Sagrada Escritura pela prática quotidiana da lectio divina, amante dos Padres da Igreja dos primeiros séculos e dos místicos flamengos; um pai de monges capaz de acompanhar os irmãos na vida espiritual e na busca diária daquele ideal de “um só coração e uma só alma” que caracterizava a comunidade apostólica de Jerusalém (At 4,32). Ou seja, um monge cenobita, para quem solidão e comunhão estão em constante dialética existencial: solidão diante de Deus e comunhão fraterna, unificação interior e união comunitária, redução à simplicitas do essencial e abertura à pluralidade das expressões de fé vivida. Tal é o empenho diário do monge, a dinâmica da sua stabilitas em uma determinada realidade comunitária, o “trabalho da obediência” (Regra de São Bento, Prólogo 2) através do qual regressar a Deus.

quarta-feira, 13 de setembro de 2023

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2016

No dia 14 de setembro celebramos a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Aproveitamos a ocasião para propor, de maneira retrospectiva, as meditações da Via Sacra presidida pelo Papa Francisco junto ao Coliseu romano na Sexta-feira Santa de 2016, Jubileu Extraordinário da Misericórdia.

As meditações foram preparadas pelo Cardeal Gualtiero Bassetti, então Arcebispo de Perugia - Città della Pieve (desde 2022 Arcebispo Emérito), Cardeal Presbítero do Título de Santa Cecília in Trastevere.

Como ilustrações, propomos as estações realizadas pelo escultor Ubaldo Ferretti para o Santuário da Madonna dello Splendore em Giulianova (Itália).

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Francisco
Sexta-feira Santa, 25 de março de 2016

«Deus é Misericórdia»
Meditações do Cardeal Gualtiero Bassetti

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi,
quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.


Santo Padre: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amém.

«Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda a consolação!» (2Cor 1,3).
Neste Jubileu Extraordinário, também a Via Sacra da Sexta-feira Santa nos atrai com uma força especial, a força da misericórdia do Pai Celeste, que quer derramar sobre todos nós o seu Espírito de graça e consolação.
A misericórdia é o canal da graça que, de Deus, chega a todos os homens e mulheres de hoje. Homens e mulheres frequentemente perdidos e confusos, materialistas e idólatras, pobres e sós. Membros de uma sociedade que parece ter feito desaparecer o pecado e a verdade.
«Contemplarão aquele a quem transpassaram» (Zc 12,10): se cumpram também em nós, nesta noite, as palavras proféticas de Zacarias! Que o olhar se eleve das nossas infinitas misérias para se fixar n’Ele, Cristo Senhor, Amor Misericordioso. Então poderemos encontrar o seu rosto e ouvir as suas palavras: «Amei-te com um amor eterno» (Jr 31,3). Ele, com o seu perdão, apaga os nossos pecados e nos abre o caminho da santidade, no qual abraçaremos a nossa cruz, juntamente com Ele, por amor dos irmãos. A fonte que lavou o nosso pecado se tornará em nós «uma fonte de água que jorra para a vida eterna» (Jo 4,14).

Breve pausa de silêncio.

Oremos:
Eterno Pai, através da Paixão do vosso dileto Filho, quisestes revelar-nos o vosso coração e dar-nos a vossa misericórdia. Fazei que, unidos a Maria, sua e nossa Mãe, saibamos acolher e guardar sempre o dom do amor. Seja ela, Mãe da Misericórdia, a apresentar-vos as orações que vos elevamos por nós e por toda a humanidade, para que a graça desta Via Sacra chegue a cada coração humano e nele infunda nova esperança, aquela esperança indestrutível que irradia da Cruz de Jesus, que vive e reina convosco na unidade do Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.

I Estação: Jesus é condenado à morte

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Do Evangelho segundo Marcos (Mc 15,14-15)
Pilatos perguntou: “Mas que mal Ele fez?”. Eles, porém, gritaram com mais força: “Crucifica-o!”. Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus e o entregou para ser crucificado.


segunda-feira, 7 de agosto de 2023

Fotos da Via Sacra da JMJ em Lisboa (2023)

Na sexta-feira, 04 de agosto de 2023, o Papa Francisco presidiu a tradicional oração da Via Sacra no Parque Eduardo VII (Colina do Encontro) em Lisboa (Portugal) no contexto da XXXVII Jornada Mundial da Juventude.

Durante as 14 estações os jovens conduziram a cruz através de plataformas sobre o palco, representando a subida ao monte Calvário através de diversas performances artísticas. Infelizmente, porém, faltaram as leituras bíblicas a cada estação, elemento fundamental desta prática de piedade.

O Santo Padre foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, auxiliado pelo Monsenhor Ján Dubina.

Para ler as meditações da Via Sacra, clique aqui. Para ler o discurso do Papa, clique aqui.

Chegada do Papa Francisco
Oração inicial
Discurso do Papa

Início da Via Sacra

Discurso do Papa: Via Sacra da JMJ em Lisboa (2023)

Viagem Apostólica a Portugal
XXXVII Jornada Mundial da Juventude
Via Sacra com os jovens
Discurso do Papa Francisco
Parque Eduardo VII (Colina do Encontro), Lisboa
Sexta-feira, 04 de agosto de 2023

Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!
Hoje, caminhareis com Jesus. Jesus é o Caminho e nós caminharemos com Ele, porque Ele caminha. Quando estava entre nós, Jesus caminhou: caminhou, curando os doentes, prestando assistência aos pobres, fazendo justiça; caminhou pregando, ensinando-nos. Jesus caminha, mas o caminho que temos mais gravado no nosso coração é o caminho do Calvário, o caminho da Cruz. E hoje vós, nós (eu também), rezando, seguiremos novamente o caminho da Cruz. Contemplaremos Jesus que passa e caminharemos com Ele. O caminho de Jesus é Deus que sai de Si mesmo; sai de Si mesmo para caminhar entre nós. É aquilo que ouvimos tantas vezes na Missa: «O Verbo se fez carne e caminhou entre nós». Lembrais-vos? O Verbo se fez homem e caminhou entre nós. E fá-lo por amor; faz isso por amor. E a Cruz que acompanha cada Jornada Mundial da Juventude é o ícone, é a figura deste caminho. A Cruz é o sentido maior do maior amor, daquele amor com que Jesus quer abraçar a nossa vida. A nossa? Sim! A tua vida, a daquele, a daquele outro, a de cada um de nós. Jesus caminha por mim. Temos de dizê-lo a todos. Jesus empreende este caminho por mim, para dar a sua vida por mim. E ninguém tem maior amor do que quem dá vida pelos seus amigos, quem que dá a vida pelos outros. Não vos esqueçais disto: ninguém tem maior amor do que quem dá a vida. Assim o ensinou Jesus. Por isso, quando contemplamos o Crucificado, naquela condição tão dolorosa, tão dura, vemos a beleza do Amor que dá a sua vida por cada um de nós.


Uma pessoa de grande fé dizia uma frase que me tocou muito: «Senhor, pela vossa inefável agonia, posso crer no amor». Sim, Senhor, pela vossa inefável agonia, posso crer no amor. E Jesus caminha, mas anela por qualquer coisa, espera a nossa companhia, aguarda o nosso olhar... Como hei de dizer? Espera abrir as janelas da minha alma, da tua alma, da alma de cada um de nós. Como são feias as almas fechadas, que semeiam dentro, sorriem dentro! Mas isto não tem sentido. Jesus caminha e espera com o seu amor, espera com a sua ternura, para nos dar consolação, enxugar as nossas lágrimas.

Meditações da Via Sacra da JMJ em Lisboa (2023)

Na sexta-feira, 04 de agosto de 2023, o Papa Francisco presidiu a tradicional oração da Via Sacra no Parque Eduardo VII em Lisboa (Portugal) no contexto da XXXVII Jornada Mundial da Juventude.

Confira as meditações que acompanharam as 14 estações, conforme divulgadas no Livro de Orações da JMJ. Infelizmente faltaram as leituras bíblicas a cada estação, elemento fundamental desta prática de piedade.

XXXVII Jornada Mundial da Juventude
Via Sacra com os jovens
Parque Eduardo VII (Colina do Encontro), Lisboa
Sexta-feira, 04 de agosto de 2023

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R. Amém.
A graça de nosso Senhor Jesus Cristo que por nós morreu e ressuscitou esteja convosco. R. Bendito seja Deus, que nos reuniu no amor de Cristo.

Oremos
Senhor nosso Deus, que quisestes salvar a humanidade com a cruz do vosso Filho unigénito, concedei que, tendo conhecido na terra este mistério, mereçamos alcançar, no céu, os frutos da redenção. Por Cristo nosso Senhor. R. Amém.


Introdução: Jesus levantou-se e pôs-se a caminho
Maria levantou-se e pôs-se a caminho. Jesus aprendeu com a Sua Mãe: mesmo sob a Cruz, Jesus levantou-Se e pôs-Se a caminho. Senhor, ensina-nos a nós, jovens, a levantar e a andar em frente. Mesmo quando a vida é difícil.

I Estação: Jesus é condenado à morte

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R: Quia per Crucem tuam redemisti mundum.

Senhor, Pilatos assinou o decreto. Assinou o decreto de extinção do Teu futuro. “Este ser humano deve morrer; ele não terá mais futuro”. Muitos jovens sentimos isto hoje, Senhor, que o futuro nos está a ser tirado. Dizem-nos que a vida está cheia de oportunidades, mas é difícil ver onde estão essas oportunidades quando o dinheiro não chega, quando não se consegue arranjar trabalho e quando ter acesso à educação é, na prática, muitas vezes impossível. Senhor, mesmo quando Te condenaram à morte, Tu não Te deixaste ir abaixo. Explicaste a Pilatos que ele não teria nenhum poder sobre Ti se Deus não o permitisse. E, com Deus a Teu lado, seguiste em frente, confiando no futuro. Ensina-nos a fazer o mesmo.

Pai nosso...

II Estação: Jesus toma a Cruz aos ombros

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi.
R: Quia per Crucem tuam redemisti mundum.

sábado, 8 de abril de 2023

Fotos da Via Sacra no Coliseu (2023)

Na noite da Sexta-feira Santa, 07 de abril de 2023, teve lugar a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu romano.

O Papa Francisco, recentemente recuperado de uma infecção respiratória, não pode participar da celebração, que foi presidida pelo Vigário Geral da Diocese de Roma, Cardeal Angelo De Donatis.

Em comemoração aos 10 anos da eleição do Santo Padre, foram recolhidos testemunhos de fiéis das diversas regiões do mundo visitadas pelo Pontífice, intitulados “Vozes de paz em um mundo de guerra”. Para ler as meditações, clique aqui.



I Estação: Cardeal De Donatis carrega a cruz


Meditações da Via Sacra no Coliseu 2023

Para a tradicional oração da Via Sacra na noite da Sexta-feira Santa junto ao Coliseu, em comemoração aos 10 anos da eleição do Papa Francisco, neste ano de 2023 foram recolhidos testemunhos de fiéis das diversas regiões do mundo visitadas pelo Pontífice, intitulados “Vozes de paz em um mundo de guerra”, que reproduzimos a seguir.

Para ilustrar as 14 estações, propomos as esculturas da Via Sacra da vila de Stradch (Страдч), na região de Lviv na Ucrânia, país que há mais de um ano sofre com a realidade da guerra.

Sexta-Feira Santa
Via Sacra presidida pelo Papa Francisco
Coliseu (Roma), 07 de abril de 2023

«Vozes de paz em um mundo de guerra»

Oração inicial
Senhor Jesus, Tu és «a nossa paz» (Ef 2,14).
Antes da Paixão, disseste: «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. Não a dou como o mundo a dá» (Jo 14,27). Senhor, precisamos da tua paz, daquela paz que não conseguimos construir só com as nossas forças. Precisamos ouvir repetir aquelas palavras com que Tu, Ressuscitado, por três vezes fortaleceste o coração dos discípulos: «A paz esteja convosco!» (Jo 20,19.21.26). Jesus, que abraças a cruz por nós, vê a nossa terra sedenta de paz, enquanto o sangue dos teus irmãos e irmãs continua a ser derramado e as lágrimas de tantas mães, que perdem os filhos na guerra, se misturam com as da tua santa Mãe. Também Tu, Senhor, choraste sobre Jerusalém por não ter reconhecido o caminho da paz (cf. Lc 19,42).
E é precisamente da Terra Santa que parte, esta noite, o caminho da cruz atrás de Ti. Vamos percorrê-lo escutando o teu sofrimento, refletido nos irmãos e irmãs que no mundo sofreram e sofrem a falta de paz, deixando-nos penetrar por testemunhos e ressonâncias chegados ao ouvido e ao coração do Papa no decurso das suas viagens. São ecos de paz que afloram nesta «terceira guerra mundial aos pedaços», gritos que vêm de países e áreas hoje dilacerados por violências, injustiças e pobreza. Todos os lugares onde se sofre por conflitos, ódios e perseguições estão presentes na oração desta Sexta-feira Santa.
Senhor Jesus, no teu nascimento os anjos proclamaram nos céus: «Paz na terra aos homens» (Lc 2,14). Agora sobem ao céu as nossas orações para atrair «a paz à terra, um anseio profundo dos seres humanos de todos os tempos» (Pacem in terris, n. 1). Rezamos implorando aquela paz que nos confiaste e que não conseguimos guardar. Jesus, da cruz abraças o mundo inteiro: perdoa os nossos erros, sara os nossos corações, dá-nos a tua paz.

I Estação: Jesus é condenado à morte
(Vozes de paz da Terra Santa)

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.


Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado (Mt 27,26).

Barrabás ou Jesus? Devem escolher. Não é uma escolha qualquer: trata-se de decidir onde estar, que posição tomar nas complexas vicissitudes da vida. A paz, que todos desejamos, não nasce por si mesma, mas aguarda uma decisão nossa. Hoje, como então, somos continuamente chamados a escolher entre Barrabás ou Jesus: a revolta ou a mansidão, as armas ou o testemunho, o poder humano ou a força silenciosa da pequenina semente, o poder do mundo ou o do Espírito. Na Terra Santa, parece que a nossa escolha recai sempre sobre Barrabás. A violência parece ser a nossa única linguagem. O motor das retaliações recíprocas é continuamente alimentado pelo próprio sofrimento, que muitas vezes se torna o único critério de juízo. Justiça e perdão não conseguem dialogar. Vivemos juntos sem nos reconhecermos, um rejeitando a existência do outro, condenando-nos mutuamente, em um círculo vicioso sem fim e cada vez mais violento. E neste contexto carregado de ódio e rancor, também nós somos chamados a expressar um juízo e a tomar a nossa decisão. E não podemos fazê-lo sem olhar para Aquele condenado à morte, silencioso, perdedor, mas sobre o Qual recaiu a nossa escolha, Jesus. Cristo convida-nos a não usar a medida de Pilatos e da multidão, mas a reconhecer o sofrimento do outro, colocar justiça e perdão em diálogo e desejar a salvação para todos, mesmo para os ladrões, mesmo para Barrabás.

Rezemos dizendo: Ilumina-nos, Senhor Jesus!
Quando cremos que temos sempre razão...
Quando condenamos sem apelo os irmãos...
Quando fechamos os olhos perante a injustiça...
Quando sufocarmos o bem ao nosso redor...