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sábado, 15 de agosto de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Assunção de Maria (2001)

Há 25 anos, no dia 15 de agosto de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa João Paulo II
Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Quarta-feira, 15 de agosto de 2001

1. «O último inimigo a ser destruído é a morte» (1Cor 15,26).
As palavras de Paulo, que acabam de ressoar na 2ª Leitura, nos ajudam a compreender o significado da Solenidade que hoje celebramos. Em Maria, assunta ao Céu no final da sua vida terrena, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, a qual entrou no mundo por causa do pecado de Adão. Foi Cristo, o “novo” Adão, que venceu a morte, oferecendo-se em sacrifício no Calvário, em atitude de amor obediente ao Pai. Assim, Ele nos resgatou da escravidão do pecado e do mal. No triunfo da Virgem, a Igreja contempla aquela que o Pai escolheu como verdadeira Mãe do seu Filho Unigênito, associando-a intimamente ao desígnio salvífico da Redenção.

É por isso que Maria, como bem evidencia a Liturgia, é sinal consolador da nossa esperança. Olhando para ela, arrebatada na exultação dos coros dos anjos, toda a existência humana, mesclada de luzes e sombras, se abre à perspectiva da eterna bem-aventurança. Se a experiência quotidiana nos faz experimentar como a peregrinação terrena está marcada pela incerteza e pela luta, a Virgem elevada à glória do Paraíso nos assegura que jamais nos faltará a proteção divina.


2. «Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol» (Ap 12,1).
Olhemos para Maria, caríssimos irmãos e irmãs, reunidos aqui em um dia tão querido à devoção do povo cristão. Saúdo-vos com grande afeto. Saúdo de modo particular o Cardeal Angelo Sodano, meu primeiro colaborador, e o Bispo de Albano, com o seu Auxiliar, agradecendo-lhes pela sua presença [1]. Saúdo também o pároco com os sacerdotes que o ajudam, os religiosos, as religiosas e todos os fiéis aqui presentes, de maneira especial os consagrados salesianos, a comunidade de Castel Gandolfo e a das Vilas Pontifícias. Estendo o meu pensamento aos peregrinos de diversas línguas que quiseram unir-se à nossa celebração. Desejo a cada um que viva com alegria a Solenidade deste dia, rica de motivos de meditação.

Um grande sinal apareceu para nós no céu hoje: a Virgem Mãe! É dela que o autor sagrado do Livro do Apocalipse nos fala com linguagem profética na 1ª Leitura. Que extraordinário prodígio se apresenta diante dos nossos olhos espantados! Acostumados a olhar para as realidades da terra, somos convidados a elevar o olhar para o Alto: para o Céu, que é a nossa Pátria definitiva, onde a Santíssima Virgem nos espera.

segunda-feira, 20 de julho de 2026

Divina Liturgia: 25 anos da visita do Papa João Paulo II à Ucrânia

No domingo, 28 de junho de 2026, o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia junto à igreja da Natividade da Virgem Maria em Lviv (Ucrânia) em ação de graças pelos 25 anos da visita do Papa São João Paulo II à Ucrânia (23-27 de junho de 2001).

Junto a essa igreja, com efeito, o Papa polonês teve um encontro com os jovens ucranianos no dia 26 de junho de 2001.

Procissão de entrada
O Arcebispo abençoa com o dikirion e o trikirion
Evangelho
Homilia

domingo, 28 de junho de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: São Pedro e São Paulo (2001)

Há 25 anos, no dia 29 de junho de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) presidiu a Missa da Solenidade de São Pedro e São Paulo, Apóstolos, na Praça de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo
Concelebração Eucarística e Imposição do Pálio aos Arcebispos Metropolitanos
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Sexta-feira, 29 de junho de 2001

1. «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo» (Mt 16,16).
Quantas vezes repetimos esta profissão de fé, outrora pronunciada por Simão, filho de Jonas, na região de Cesareia de Filipe! Quantas vezes eu mesmo encontrei nestas palavras um sustento interior para prosseguir a missão que a Providência me confiou!

Tu és o Cristo! Todo o Ano Santo nos levou a fixar o olhar em “Jesus Cristo, único Salvador, ontem, hoje e sempre”. Cada celebração jubilar foi uma incessante profissão de fé em Cristo, renovada de modo coral dois mil anos depois da Encarnação. À pergunta, sempre atual, feita por Jesus aos seus discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (Mt 16,15), os cristãos do ano 2000 responderam mais uma vez unindo as suas vozes à de Pedro: «Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo».


2. «Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu» (Mt 16,17).
Depois de dois milênios, a “rocha” sobre a qual foi fundada a Igreja é sempre a mesma: é a fé de Pedro. «Sobre esta pedra» (v. 18) Cristo construiu a sua Igreja, edifício espiritual que resistiu ao desgaste dos séculos. Sobre uma base simplesmente humana e histórica certamente não teria podido resistir ao ataque de tantos inimigos!

Ao longo dos séculos, o Espírito Santo iluminou homens e mulheres, de todas as idades, vocações e condições sociais, para fazer deles «pedras vivas» (1Pd 2,5) dessa construção. São os santos, que Deus suscita com inesgotável criatividade, muito mais numerosos do que aqueles que a Igreja indica solenemente como exemplo para todos. Uma só fé; uma só “rocha”; uma só pedra angular: Cristo, Redentor do homem.

terça-feira, 23 de junho de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Natividade de São João Batista (2001)

Há 25 anos, no dia 24 de junho de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Natividade de São João Batista no Aeroporto de Chayka em Kiev (Ucrânia), durante sua Viagem Apostólica ao país. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Viagem Apostólica à Ucrânia
Missa na Solenidade da Natividade de São João Batista
Homilia do Papa João Paulo II
Aeroporto de Chayka, Kiev (Ucrânia)
Domingo, 24 de junho de 2001

1. «O Senhor chamou-me antes de eu nascer, desde o ventre de minha mãe Ele tinha na mente o meu nome» (Is 49,1).
Celebramos hoje o nascimento de São João Batista. As palavras do profeta Isaías aplicam-se bem a esta grande figura bíblica que se situa entre o Antigo e o Novo Testamento. Na longa esteira dos profetas e dos justos de Israel, João o “Batizador” foi posto pela Providência imediatamente antes do Messias, para preparar o caminho diante d’Ele com a pregação e o testemunho da vida.

Entre todos os Santos e Santas, João é o único do qual a Liturgia celebra o nascimento. Ouvimos na 1ª Leitura que o Senhor chamou o seu Servo “desde o ventre materno”. Esta afirmação se refere na sua plenitude a Cristo, mas, quase por reflexo, pode ser aplicada também ao seu Precursor. Ambos vêm à luz graças a uma intervenção especial de Deus: o primeiro nasce da Virgem, o segundo de uma mulher idosa e estéril. Desde o ventre materno João anuncia Aquele que revelará ao mundo a iniciativa de amor de Deus.

São João Paulo II durante a Missa em Kiev (2001)

2. «No seio de minha mãe vós me tecestes» (Sl 138,13).
Hoje podemos fazer nossa esta exclamação do Salmista. Deus nos conheceu e nos amou antes ainda que os nossos olhos pudessem contemplar as maravilhas da criação. Todo homem, ao nascer, recebe um nome humano. Mas, antes ainda, ele possui um nome divino: o nome com que Deus Pai o conhece e o ama desde sempre e para sempre. É assim para todos, sem excluir ninguém. Nenhum homem é anônimo para Deus! Todos têm o mesmo valor aos seus olhos: todos diferentes, mas todos iguais, todos chamados a ser filhos no Filho.

«João é o seu nome» (Lc 1,63). Zacarias confirma aos parentes admirados o nome do filho, escrevendo-o em uma tabuinha. O próprio Deus, através do seu anjo, indicou esse nome, que em hebraico significa “Deus é favorável”. Deus é favorável ao homem: quer a sua vida, a sua salvação. Deus é favorável ao seu povo: quer fazer dele uma bênção para todas as nações da terra. Deus é favorável à humanidade: guia o seu caminho rumo à terra onde reinam paz e justiça. Tudo isso está inscrito naquele nome: João!

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Corpus Christi (2001)

Nesta Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 14 de junho de 2001, na Missa da Solenidade (Ano C) diante da Basílica do Latrão seguida da procissão eucarística até a Basílica de Santa Maria Maior.

Recordamos também sua meditação durante a oração do Ângelus do domingo seguinte, 17 de junho.

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Santa Missa e Procissão Eucarística
Homilia do Papa João Paulo II
Adro da Basílica de São João do Latrão
Quinta-feira, 14 de junho de 2001

1. «Ecce panis Angelorum, factus cibus viatorum: vere panis filiorum» - «Eis o pão dos Anjos, feito alimento dos peregrinos: verdadeiro pão dos filhos» (Sequência).
Hoje a Igreja mostra ao mundo o Corpus Christi, o Corpo de Cristo, e nos convida a adorá-lo: Venite adoremus! Vinde, adoremos!

O olhar dos fiéis se concentra no Sacramento, no qual Cristo deixou todo o seu ser: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Por isso foi sempre considerado o mais Santo: o “Santíssimo Sacramento”, memorial vivo do Sacrifício redentor.


Na Solenidade do Corpus Christi voltamos àquela “Quinta-feira” que todos chamamos “Santa”, na qual o Redentor celebrou a sua última Páscoa com os discípulos: foi a Última Ceia, cumprimento da ceia pascal hebraica e inauguração do rito eucarístico.

Por isso a Igreja, há séculos, escolheu uma quinta-feira para a Solenidade do Corpus Christi, festa de adoração, de contemplação e de exaltação. Festa na qual o Povo de Deus se reúne em torno do tesouro mais precioso herdado de Cristo, o Sacramento da sua própria Presença, e o louva, o canta e o leva em procissão pelas ruas da cidade.

2. «Lauda, Sion, Salvatorem!» - «Louva Sião, o Salvador!» (Sequência).
A nova Sião, a Jerusalém espiritual, na qual se reúnem os filhos de Deus de todos os povos, línguas e culturas, louva o Salvador com hinos e cânticos. Com efeito, a admiração e o reconhecimento pelo dom recebido são inexauríveis. Este dom «supera todo louvor, não há cântico que lhe seja digno» (ibid.).

Eis um mistério sublime e inefável. Mistério diante do qual permanecemos espantados e silenciosos, em atitude de contemplação profunda e extasiada.

sábado, 23 de maio de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Pentecostes (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 03 de junho de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro.

Na ocasião teve lugar a transladação do corpo do Papa João XXIII (†1963): após sua Beatificação no dia 03 de setembro de 2000, com efeito, seu corpo foi depositado na Basílica Vaticana, sob o altar de São Jerônimo. Em 2014, por sua vez, este seria canonizado junto com o próprio João Paulo II.

Confira a seguir a homilia do Papa polonês durante a celebração:

Missa na Solenidade de Pentecostes
Transladação da urna com o corpo do Beato João XXIII, Papa
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 03 de junho de 2001

1. «Todos ficaram cheios do Espírito Santo» (At 2,4).
Assim aconteceu em Jerusalém no dia de Pentecostes. Hoje, reunidos nesta Praça, centro do mundo católico, nós revivemos o clima daquele dia. Também no nosso tempo, como no Cenáculo de Jerusalém, a Igreja é atravessada por um “vento impetuoso”. Ela experimenta o sopro divino do Espírito, que a abre para a evangelização do mundo.

Por uma feliz coincidência, na Solenidade de hoje temos a alegria de acolher, junto ao altar, os veneráveis restos mortais do Beato João XXIII, que Deus plasmou com o seu Espírito, fazendo dele uma admirável testemunha do seu amor. Este meu venerado predecessor faleceu há 38 anos, no dia 03 de junho de 1963, precisamente enquanto na Praça de São Pedro uma imensa multidão de fiéis rezava, espiritualmente reunida em torno do seu leito de morte. A celebração de hoje se une a essa oração e, enquanto comemoramos o trânsito deste Beato Pontífice, louvamos a Deus que o doou à Igreja e ao mundo.


Como sacerdote, como Bispo e como Papa, o Beato Ângelo Roncalli foi extremamente dócil à ação do Espírito, que o guiou pelo caminho da santidade. Por isso, na comunhão viva dos Santos, queremos celebrar a Solenidade de Pentecostes em singular sintonia com ele, deixando-nos acompanhar por algumas das suas inspiradas reflexões.

2. «A luz do Espírito Santo irrompe das primeiras palavras do Livro dos Atos dos Apóstolos... A marcha impetuosa do Divino Espírito precede e acompanha os evangelizadores, penetrando na alma de quem os escuta e dilatando as tendas da Igreja Católica até os extremos confins da terra, percorrendo todos os séculos da história» (Discursos, Mensagens e Colóquios do Papa João XXIII, II, p. 398).

sábado, 16 de maio de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Ascensão do Senhor (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 24 de maio de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro por ocasião do encerramento do Consistório Extraordinário, isto é, a reunião com os Cardeais para refletir sobre a missão da Igreja no terceiro milênio.

Confira a seguir a homilia do Papa durante a celebração:

Solenidade da Ascensão do Senhor
Concelebração Eucarística no Encerramento do Consistório Extraordinário
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 24 de maio de 2001

Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado,
Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Estamos reunidos em torno do altar do Senhor para celebrar a sua Ascensão ao Céu. Escutamos as suas palavras: «Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas... até os confins da terra» (At 1,8). Há dois mil anos estas palavras do Senhor Ressuscitado impelem a Igreja a “fazer-se ao largo” na história, tornando-a contemporânea de todas as gerações, transformando-a no fermento de todas as culturas do mundo.


Voltamos a ouvi-las hoje para acolher com renovado fervor o mandato «Duc in altum!» - «Faz-te ao largo!», «Avança para águas mais profundas» - que um dia Jesus dirigiu a Pedro (cf. Lc 5,4): um mandato que desejei fazer ressoar em toda a Igreja na Carta Apostólica Novo millennio ineunte e que, à luz desta Solenidade litúrgica, adquire um significado ainda mais profundo. O “altum” rumo ao qual a Igreja deve caminhar não é apenas um compromisso missionário mais vigoroso, mas antes ainda um empenho contemplativo mais intenso. Também nós somos convidados, como os Apóstolos, testemunhas da Ascensão, a fixar o olhar no rosto de Cristo, elevado no esplendor da glória divina.

Certamente contemplar o céu não significa esquecer a terra. Caso se apresentasse esta tentação, bastaria escutar novamente os «dois homens vestidos de branco» da passagem do Evangelho de hoje: «Por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?» (At 1,11). A contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O “céu” da Ascensão de Jesus não é distância, mas ocultamento e custódia de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória. Entretanto, é a hora exigente do testemunho, para que em nome de Cristo «sejam anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações» (Lc 24,47).

domingo, 3 de maio de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: V Domingo da Páscoa (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 13 de maio de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do V Domingo da Páscoa (Ano C) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu a Ordenação Presbiteral a 34 novos sacerdotes [1].

Reproduzimos aqui a homilia do Papa polonês na ocasião:

Santa Missa com Ordenações Presbiterais
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Domingo, 13 de maio de 2001

1. «Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros» (Jo 13,35).
O Evangelho deste V Domingo da Páscoa nos conduz de novo à intimidade do Cenáculo. Ali, durante a Última Ceia, Cristo instituiu o sacramento da Eucaristia e o Sacerdócio da Nova Aliança e deixou aos seus o «novo mandamento» do amor. Hoje revivemos a intensa atmosfera espiritual daquela hora extraordinária. As palavras do Senhor aos seus discípulos são dirigidas particularmente a vós, caríssimos candidatos ao Presbiterado, convidados a receber esta manhã o seu testamento de amor e de serviço.


Nós aqui presentes vos abraçamos com afeto. Ao vosso lado se encontram antes de tudo os vossos familiares e amigos, aos quais dirijo a minha mais cordial saudação. Em torno a vós está espiritualmente reunida toda a comunidade da Diocese de Roma, na qual realizastes o vosso itinerário de formação. Acompanham-vos neste passo decisivo os Reitores, os professores e os vossos educadores do Pontifício Seminário Romano Maior, do Almo Colégio Capranica, do Seminário “Redemptoris Mater”, do Seminário dos Oblatos Filhos de Nossa Senhora do Divino Amor, do Instituto dos Missionários “Identes” e do Instituto dos Filhos de Santa Ana.

Com especial reconhecimento me dirijo aos responsáveis pela vossa formação. Deles se fez intérprete o Cardeal Vigário no início da celebração [2]. Através dele, a quem agradeço de coração, gostaria de fazer chegar a minha viva gratidão a quantos trabalham ativamente no campo vocacional nesta Diocese.

domingo, 12 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: II Domingo da Páscoa (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 22 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do II Domingo da Páscoa (Ano C), o “Domingo da Divina Misericórdia”, na Praça de São Pedro um ano após a Canonização de Santa Faustina Kowalska.

Reproduzimos aqui sua homilia e sua breve reflexão antes da oração do Regina Coeli:

Celebração Eucarística no Domingo da Divina Misericórdia
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de abril de 2001

1. «Não tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre» (Ap 1,17-18).
Ouvimos na 2ª Leitura, tomada do Livro do Apocalipse, estas palavras consoladoras. Elas nos convidam a dirigir o olhar a Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, mesmo a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: «Não tenhas medo!»; morri na cruz, mas agora «vivo para sempre». «Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive».

«O Primeiro», isto é, a fonte de todo ser e primícias da nova criação; «o Último», o fim definitivo da história; «Aquele que vive», a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias Crucificado e Ressuscitado reconhecemos os traços do Cordeiro imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores arrependidos as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que agora tem «a chave da morte e da região dos mortos» (v. 18).


2. «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!» (Sl 117,1).
Façamos nossa a exclamação do salmista, que cantamos no Salmo responsorial: Eterna é a misericórdia do Senhor! Para compreender profundamente a verdade dessas palavras, deixemo-nos conduzir pela Liturgia ao coração do acontecimento da salvação, que une a Morte e a Ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio no qual se manifesta plenamente o amor do Pai que, pela nossa redenção, não recua nem mesmo diante do sacrifício do seu Filho Unigênito.

No Cristo humilhado e sofredor crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. A Cruz, mesmo depois da Ressurreição do Filho de Deus, «fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor pelo homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia» (Encíclica Dives in misericordia, n. 7).

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Catequese do Papa João Paulo II: Páscoa (2001)

Nesta Oitava da Páscoa recordamos a Catequese proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 18 de abril de 2001, Quarta-feira da Oitava Pascal, intitulada: “Contemplar o rosto do Ressuscitado”.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 18 de abril de 2001
Contemplar o rosto do Ressuscitado

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. A tradicional Audiência Geral da quarta-feira hoje é inundada pela alegria luminosa da Páscoa. Nestes dias a Igreja celebra com júbilo o grande mistério da Ressurreição. É uma alegria profunda e inextinguível, fundamentada no dom por parte de Cristo Ressuscitado da nova e eterna Aliança, que permanece porque Ele já não morre mais. Uma alegria que se prolonga não só pela Oitava da Páscoa, considerada pela Liturgia como um único dia, mas que se estende por cinquenta dias, até o Pentecostes. Mais ainda, chega a abraçar todos os tempos e todos os lugares.

Durante esse período a Comunidade cristã é convidada a uma nova e mais profunda experiência do Cristo Ressuscitado, vivo e atuante na Igreja e no mundo.


2. Neste esplêndido marco de luz e de alegria próprios do Tempo Pascal, desejamos agora nos deter a contemplar juntos o rosto do Ressuscitado, retomando e atualizando aquilo que não hesitei em indicar como «núcleo essencial» da grande herança que o Jubileu do Ano 2000 nos deixou. Com efeito, como realcei na Carta Apostólica Novo millennio ineunte, «se quiséssemos reconduzir ao núcleo essencial a grande herança que a experiência jubilar nos deixa, não hesitaria em vê-lo na contemplação do rosto de Cristo... acolhido na sua multiforme presença na Igreja e no mundo, confessado como sentido da história e luz do nosso caminho” (n. 15).

Como na Sexta-feira e no Sábado Santo contemplamos o rosto doloroso de Cristo, agora dirigimos o olhar cheio de fé, de amor e de gratidão para o rosto do Ressuscitado. Para Ele olha nestes dias a Igreja, seguindo os passos de Pedro, que confessa o seu amor a Cristo (cf. Jo 21,15-17), e de Paulo, iluminado por Jesus Ressuscitado no caminho de Damasco (cf. At 9,3-5).

domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem do Papa João Paulo II: Páscoa (2001)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 15 de abril de 2001, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo de Páscoa, 15 de abril de 2001

1. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos» (cf. Prefácio da Páscoa II).
Que o anúncio pascal chegue a todos os povos da terra e toda pessoa de boa vontade se sinta protagonista neste dia que o Senhor fez para nós, dia da sua Páscoa, no qual a Igreja, com sentimentos de júbilo, proclama que o Senhor verdadeiramente ressuscitou.

Esse grito, saído do coração dos discípulos no primeiro dia depois do sábado, atravessou os séculos e agora, neste preciso momento da história, volta a alentar as esperanças da humanidade com a certeza imutável da Ressurreição de Cristo, Redentor do homem.


2. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos».
O assombro incrédulo dos Apóstolos e das mulheres, que foram ao sepulcro ao nascer do sol, hoje se torna experiência comum de todo o Povo de Deus. Enquanto o novo milênio dá os seus primeiros passos, desejamos confiar às jovens gerações a certeza fundamental da nossa existência: Cristo ressuscitou e n’Ele ressurge a vida para todos.

«Glória a vós, Cristo Jesus, hoje e sempre vós reinareis» [1]. Volta à memória este cântico de fé, que tantas vezes repetimos ao longo da recente caminhada jubilar, aclamando Aquele que é «o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim» (Ap 22,13). A Ele permanece fiel a Igreja peregrina «entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus (Santo Agostinho). Ela eleva o olhar a Ele e não teme. Caminha contemplando a sua face e repete aos homens do nosso tempo que Ele, o Ressuscitado, é «o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb 13,8).

sábado, 4 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Vigília Pascal (2001)

Há 25 anos, na noite do Sábado Santo, 14 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Vigília Pascal na Noite Santa da Ressurreição do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a seis adultos de diversos países do mundo.

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Vigília Pascal na Noite Santa
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Sábado Santo, 14 de abril de 2001

1. «Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,5-6).
Estas palavras de dois homens «com roupas brilhantes» reacendem a confiança nas mulheres que foram ao sepulcro de madrugada. Tinham vivido os acontecimentos trágicos que culminaram na crucificação de Cristo no Calvário; tinham experimentado a tristeza e a confusão. Porém, não tinham abandonado o seu Senhor na hora da provação.

Vão às escondidas ao lugar onde Jesus tinha sido sepultado para vê-lo mais uma vez e abraçá-lo pela última vez. O que as move é o amor; aquele mesmo amor que as tinha levado a segui-lo pelos caminhos da Galileia e da Judeia até o Calvário.

Mulheres bem-aventuradas! Não sabiam ainda que aquela era a madrugada do dia mais importante da história. Não podiam saber que elas, precisamente elas, seriam as primeiras testemunhas da Ressurreição de Jesus.


2. «Encontraram a pedra do túmulo removida» (Lc 24,2).
Assim narra o evangelista Lucas, e acrescenta que, «ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus» (v. 3). Em um instante tudo muda. Jesus «não está aqui. Ressuscitou». Este anúncio, que transformou a tristeza daquelas piedosas mulheres em alegria, ressoa com imutável eloquência na Igreja, durante esta Vigília Pascal.

Singular Vigília de uma noite singular. Vigília, mãe de todas as vigílias, durante a qual a Igreja inteira permanece à espera junto ao túmulo do Messias, sacrificado na Cruz. A Igreja espera e reza, ouvindo novamente as Escrituras que percorrem toda a história da salvação.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Discurso do Papa João Paulo II: Via Sacra no Coliseu (2001)

Há 25 anos, na noite da Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001, após a Celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro, o Papa São João Paulo II (†2005) presidiu a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu romano.

As meditações da Via Sacra foram tomadas dos escritos do Cardeal John Henry Newman (†1890) nos 200 anos do seu nascimento [1].

Reproduzimos aqui as palavras improvisadas pelo Papa no final da oração e o discurso que havia sido preparado para a ocasião:

Via Sacra no Coliseu
Discurso do Papa João Paulo II
Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001

Palavras improvisadas:

Ecce lignum crucis, in quo salus mundi pependit! Venite adoremus! [Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo! Vinde, adoremos!]

Hoje, pela primeira vez neste terceiro milênio, se proclamou esta palavra na Basílica de São Pedro. Neste mesmo dia, Sexta-feira Santa, a mesma verdade desconcertante foi proclamada em todos os continentes, em todos os países do mundo: Ecce lignum crucis!


A Igreja de Cristo confessa esta realidade divina e humana: Crux, ave Crux! Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum. [Cruz, salve, ó Cruz! Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz redimistes o mundo]

A Igreja confessou isso durante dois mil anos, os dois milênios passados. Hoje, pela primeira vez, o confessamos em todo o mundo e aqui, em Roma com esta Via Sacra junto ao Coliseu. Queremos transmitir, levar adiante esta verdade divina e humana no terceiro milênio. Queremos professar que, pela sua Cruz, o Filho de Deus, aceitando esta humilhação - uma condenação destinada aos escravos - abriu à humanidade o caminho para a glorificação. Por isso nós, hoje, rezamos ajoelhados, em adoração.

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Missa da Ceia do Senhor (2001)

Há 25 anos, na tarde da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Latrão, a Catedral de Roma. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa da Ceia do Senhor
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica do Latrão
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «In supremae nocte Cenae recumbens cum fratribus...» - «Na noite da Última Ceia, estando à mesa com os irmãos... com as suas próprias mãos deu-se a si mesmo em alimento aos Doze».

Com estas palavras o belo hino “Pange lingua” apresenta a Última Ceia, na qual Jesus nos deixou o admirável Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. As leituras proclamadas há pouco ilustram o seu sentido profundo. Elas formam como que um tríptico: apresentam a instituição da Eucaristia, a sua prefiguração no Cordeiro pascal e a sua tradução existencial no amor e no serviço fraterno.


Foi o Apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, a recordar-nos o que Jesus fez «na noite em que foi entregue». Ao relato do fato histórico Paulo acrescentou seu comentário: «Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que Ele venha» (1Cor 11,26). A mensagem do Apóstolo é clara: a comunidade que celebra a Ceia do Senhor atualiza a Páscoa. A Eucaristia não é a simples memória de um rito passado, mas a viva representação do gesto supremo do Salvador. Essa experiência não pode deixar de impelir a comunidade cristã a fazer-se profecia do mundo novo, inaugurado na Páscoa. Contemplando esta tarde o mistério de amor que a Última Ceia nos repropõe, permaneçamos também nós em comovida e silenciosa adoração.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Missa Crismal (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «Spiritus Domini super me, eo quod unxerit Dominus me» - «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu» (Is 61,1).

Nestes versículos, tomados do Livro de Isaías, está contido o “fio-condutor” da Missa Crismal. A nossa atenção se concentra sobre a unção, dado que daqui a pouco serão abençoados o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o Crisma.

Vivemos esta manhã uma festa particular no sinal do «óleo da alegria» (Sl 44,8). É festa do povo de Deus, que hoje fixa o olhar no mistério da unção, que marca a vida de cada cristão, a partir do dia do Batismo.


É festa, de maneira especial, de todos nós, caríssimos e venerados irmãos no Sacerdócio, ordenados presbíteros para o serviço do povo cristão. Agradeço-vos cordialmente pela vossa numerosa presença em torno do altar da Confissão de São Pedro. Vós representais o presbitério romano e, em certo sentido, o presbitério do mundo.

Celebramos a Missa Crismal às portas do Tríduo Pascal, centro e ápice do Ano Litúrgico. Este sugestivo rito toma a sua luz, por assim dizer, do Cenáculo, isto é, do mistério de Cristo Sacerdote, que na Última Ceia se consagra a si mesmo, antecipando o sacrifício cruento do Gólgota. É da Mesa eucarística que desce a sagrada unção. O Espírito divino difunde o seu místico perfume em toda a casa (cf. Jo 12,3), isto é, na Igreja, e torna especialmente os sacerdotes participantes da mesma consagração de Jesus (cf. Coleta).

segunda-feira, 30 de março de 2026

Catequese do Papa João Paulo II: Semana Santa (2001)

Nesta Semana Santa recordamos a Catequese proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 11 de abril de 2001, Quarta-feira da Semana Santa, intitulada: “No coração do Tríduo Pascal, o mistério de um amor sem limites”.

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de abril de 2001
No coração do Tríduo Pascal, o mistério de um amor sem limites

Queridos irmãos e irmãs,
1. Estamos às vésperas do Tríduo Pascal, já imersos no clima espiritual da Semana Santa. De amanhã a domingo viveremos os dias centrais da Liturgia, que nos repropõem o mistério da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor. Nas suas homilias, os Padres fazem muitas vezes referência a estes dias que, como observa Santo Atanásio, nos introduzem «naquele tempo que nos leva e nos faz conhecer um novo início, o dia da santa Páscoa, na qual o Senhor se imolou». Ele descreve assim o período que estamos vivendo nas suas Cartas pascais (Carta 5, 1-2; PG 26, 1379). No próximo domingo o Prefácio pascal nos fará cantar com grande vigor que Cristo «ressurgindo, restaurou a vida».


No coração desse Tríduo sagrado está o mistério de um amor sem limites, isto é, o mistério de Jesus que «tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1). Propus novamente este impressionante e doce mistério aos sacerdotes na Carta que, como todos os anos, lhes enviei por ocasião da Quinta-feira Santa.

Convido também vós a refletir sobre esse mesmo amor para vos predispor dignamente a reviver as últimas etapas da vida terrena de Jesus. Amanhã entraremos no Cenáculo para acolher o dom extraordinário da Eucaristia, do Sacerdócio e do Mandamento novo. Repercorreremos na Sexta-feira Santa o caminho doloroso que leva ao Calvário, onde Cristo consumará o seu sacrifício. No Sábado Santo esperaremos em silêncio o início da solene Vigília Pascal.

domingo, 29 de março de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Domingo de Ramos (2001)

Há 25 anos, no dia 08 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C) na Praça de São Pedro. Na mesma ocasião se celebrou a XVI Jornada Mundial da Juventude, com a entrega da Cruz aos jovens de Toronto (Canadá).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
XVI Jornada Mundial da Juventude
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de abril de 2001

1. «Hosana!», «Crucifica-o!». Poderíamos resumir com estas duas palavras, provavelmente pronunciadas pela mesma multidão à distância de poucos dias, o significado dos dois acontecimentos que recordamos nesta Liturgia dominical.

Com a aclamação «Bendito o que vem!», em um ímpeto de entusiasmo, o povo de Jerusalém, agitando ramos de palmeira, acolhe Jesus que entra na cidade montado em um jumento. Com o «Crucifica-o!», gritado duas vezes em um crescente furor, a multidão exige ao governador romano a condenação do réu que está de pé, em silêncio, no Pretório.


A nossa celebração, portanto, começa com um «Hosana!» e termina com um «Crucifica-o!». Os ramos do triunfo e a cruz da Paixão: não é uma contradição, ao contrário, é o coração do mistério que queremos proclamar. Jesus se entregou voluntariamente à Paixão, não foi esmagado por forças maiores do que Ele. Enfrentou livremente a morte de cruz e triunfou na morte.

Perscrutando a vontade do Pai, Ele compreendeu que tinha chegado a «hora» e a acolheu com a obediência livre do Filho e com infinito amor pelos homens: «Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1).

2. Hoje olhamos para Jesus que se aproxima do final da sua vida e se apresenta como Messias esperado pelo povo, enviado por Deus e vindo em seu nome para trazer a paz e a salvação, embora de uma forma diferente daquela que os seus contemporâneos esperavam.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Solenidade de São José (2001)

Há 25 anos, no dia 19 de março de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, durante a qual conferiu a Ordenação Episcopal a nove Bispos. Confira sua homilia na ocasião:

Solenidade de São José
Concelebração Eucarística para a Ordenação de nove Bispos
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Segunda-feira, 19 de março de 2001

1. «Eis o servo fiel e prudente, a quem o Senhor confiou a sua família» (cf. Lc 12,42).
Assim a Liturgia de hoje nos apresenta São José, Esposo da Bem-aventurada Virgem Maria e Guardião do Redentor. Ele, servo fiel e prudente, acolheu com obediente docilidade a vontade do Senhor, que lhe confiou a “sua” família na terra, para que cuidasse dela com dedicação quotidiana.

São José perseverou nessa missão com fidelidade e amor. Por isso a Igreja o indica como singular modelo de serviço a Cristo e ao seu misterioso desígnio de salvação. E o invoca como especial padroeiro e protetor de toda a família dos que creem. De modo especial, José é indicado hoje, no dia da sua festa, como o Santo sob cujo eficaz patrocínio a Providência divina quis pôr as pessoas e o ministério dos que são chamados a ser “pais” e “guardiões” no âmbito do povo cristão.


2. «Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura» - «Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?» (Lc 2,48-49).
Neste diálogo simples e familiar entre a Mãe e o Filho, que ouvimos há pouco no Evangelho, encontram-se as coordenadas da santidade de José. Elas correspondem ao desígnio divino sobre ele, que, homem justo que era, ele soube realizar com admirável fidelidade.

«Teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura», diz Maria. «Devo estar na casa de meu Pai», responde Jesus. São precisamente estas palavras do Filho que nos ajudam a compreender o mistério da “paternidade” de José. Recordando aos pais o primado d’Aquele que chama “meu Pai”, Jesus revela a verdade do papel tanto de Maria como de José. Ele é verdadeiramente “esposo” de Maria e “pai” de Jesus, como ela afirma quando diz: «Teu pai e eu estávamos à tua procura». Mas a sua esponsalidade e a sua paternidade são totalmente relativas às de Deus. Eis o modo como José de Nazaré é chamado a se tornar, por sua vez, discípulo de Jesus: dedicando a existência ao serviço do Filho Unigênito do Pai e da Virgem Mãe, Maria.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Cátedra de São Pedro (2001)

Há 25 anos, no dia 22 de fevereiro de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Festa da Cátedra de São Pedro com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 21 de fevereiro [1].

Embora neste ano de 2026 não celebremos essa Festa (por coincidir com o I Domingo da Quaresma), reproduzimos aqui a homilia do Papa polonês na ocasião:

Festa da Cátedra de São Pedro
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001

1. “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,15-16).
Este diálogo entre Cristo e os seus discípulos, que ouvimos há pouco, é sempre atual na vida da Igreja e do cristão. Em cada momento da história, sobretudo naqueles mais decisivos, Jesus interpela os seus e, depois de interrogá-los sobre o que “os homens” pensam d’Ele, “estreita o foco” e lhes pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

Ouvimos esta pergunta ecoar, no fundo, durante todo o Grande Jubileu do Ano 2000. E todos os dias a Igreja respondeu incessantemente com uma unânime profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”. Uma resposta universal, na qual à voz do Sucessor de Pedro se uniram as vozes dos Pastores e dos fiéis de todo o Povo de Deus.


2. Uma única e solene profissão de fé: Tu és o Cristo! Esta profissão de fé é o grande dom que a Igreja oferece ao mundo no início do terceiro milênio, enquanto prossegue no “vasto oceano” que se abre diante dela (cf. Carta Apostólica Novo millennio ineunte, n. 58). A festa de hoje põe em primeiro plano o papel de Pedro e dos seus Sucessores na condução da barca da Igreja nesse “oceano”. Portanto, é particularmente significativo que nesta festa litúrgica esteja junto ao Papa o Colégio Cardinalício, com os novos Cardeais criados ontem no primeiro Consistório depois do Grande Jubileu.

Juntos queremos dar graças a Deus por ter fundado a sua Igreja sobre a rocha de Pedro. Como sugere a oração “coleta”, queremos rezar intensamente para que ela “não seja abalada por nenhuma perturbação”, mas prossiga com coragem e confiança.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: Quarta-feira de Cinzas (2001)

Nesta Quarta-feira de Cinzas, início do Tempo da Quaresma, recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, durante a Missa no dia 28 de fevereiro de 2001 [1]:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001

1. “Deixai-vos reconciliar com Deus... É agora o momento favorável” (2Cor 5,20; 6,2).
Este é o convite que a Liturgia nos faz no início da Quaresma, exortando-nos a tomar consciência do dom da salvação oferecida, em Cristo, a todos os homens.

Falando do “momento favorável”, o Apóstolo Paulo refere-se à “plenitude do tempo” (cf. Gl 4,4), isto é, o tempo em que Deus, através de Jesus, “atendeu” e “socorreu” o seu povo, realizando plenamente as promessas dos profetas (cf. Is 49,8). Em Cristo se cumpre o tempo da misericórdia e do perdão, o tempo da alegria e da salvação.

Do ponto de vista histórico, o “momento favorável” é o tempo em que o Evangelho é anunciado pela Igreja aos homens de todas as raças e culturas para que se convertam e se abram ao dom da redenção. Então a vida é totalmente transformada.

O Papa recebe as cinzas

2. “É agora o momento favorável”.
A Quaresma, que hoje se inicia, é certamente, ao longo do Ano Litúrgico, um “momento favorável” para acolher com maior disponibilidade a graça de Deus. Precisamente por isso ela é definida “sinal sacramental da nossa conversão” (Coleta do I Domingo da Quaresma) [2]: sinal e instrumento eficaz daquela radical mudança de vida que requer ser constantemente renovada nos fiéis. A fonte desse extraordinário dom divino é o Mistério Pascal, o mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, do qual brota a redenção para cada homem, para a história e para todo o universo.

A este mistério de sofrimento e de amor refere-se, em certo sentido, o tradicional rito da imposição das cinzas, iluminado pelas palavras que o acompanham: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Também se refere a esse mistério o jejum que hoje observamos, para iniciar um caminho de verdadeira conversão, no qual a união com a Paixão de Cristo nos permita enfrentar e vencer o combate contra o espírito do mal (cf. Coleta da Quarta-feira de Cinzas).