quarta-feira, 31 de março de 2021

Primeiros dias da Semana Santa em Jerusalém

A Semana Santa é vivida de maneira particularmente intensa na cidade de Jerusalém. Após a pausa devido à pandemia de Covid-19 no ano passado, este ano algumas celebrações puderam ser retomadas, com os devidos cuidados.

29 de março: Missa em Betânia com bênção dos perfumes

Na Segunda-feira da Semana Santa (este ano a 29 de março), o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Santa Missa no Santuário de Betânia, recordando a unção de Jesus por uma mulher seis dias antes da Páscoa (Jo 12,1-8).

Nesta Missa são abençoados alguns perfumes que serão usados nos ritos do sepultamento do Senhor na Sexta-feira Santa.

Procissão de entrada
Ritos iniciais
Homilia
Entronização dos perfumes
Bênção dos perfumes

Catequese do Papa Francisco: O Tríduo Pascal (2021)

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 31 de março de 2021
O Tríduo Pascal

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Já imersos na atmosfera espiritual da Semana Santa, estamos na vigília do Tríduo Pascal. A partir de amanhã até domingo viveremos os dias centrais do Ano litúrgico, celebrando o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. E vivemos este mistério cada vez que celebramos a Eucaristia. Quando vamos à Missa, não vamos apenas rezar, não: vamos renovar este mistério, o Mistério Pascal. É importante não esquecer isto. É como se fôssemos rumo ao Calvário - é a mesma coisa - para renovar o Mistério Pascal.

Na noite de Quinta-Feira Santa, inaugurando o Tríduo Pascal, reviveremos a Missa que se chama in Coena Domini (da Ceia do Senhor), isto é, a Missa em que se celebra a Última Ceia, o que aconteceu ali, naquele momento. Foi a noite em que Cristo entregou aos seus discípulos o testamento do seu amor na Eucaristia, não como lembrança, mas como memorial, como a sua presença perene. Cada vez que se celebra a Eucaristia, como eu disse no início, renova-se este mistério da redenção. Neste Sacramento, Jesus substituiu a vítima sacrifical - o cordeiro pascal - consigo mesmo: o seu Corpo e o seu Sangue concedem-nos a salvação da escravidão do pecado e da morte. A salvação de qualquer escravidão está nisto. É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos. É um gesto que antecipa a oblação cruenta na cruz. Na verdade, o Mestre e Senhor morrerá no dia seguinte para purificar não os pés, mas os corações e a vida inteira dos seus discípulos. Foi uma oblação de serviço a todos nós, porque com aquele serviço do seu sacrifício Ele redimiu-nos todos nós.

Sexta-Feira Santa é um dia de penitência, jejum e oração. Através dos textos da Sagrada Escritura e das orações litúrgicas, estaremos como que reunidos no Calvário para celebrar a Paixão e a Morte redentora de Jesus Cristo. Na intensidade do rito da Ação Litúrgica nos será apresentado o Crucifixo para adorá-lo. Ao adorarmos a Cruz, reviveremos o caminho do Cordeiro inocente, imolado pela nossa salvação. Teremos na mente e no coração o sofrimento dos doentes, dos pobres, dos descartados deste mundo; recordaremos os “cordeiros imolados”, vítimas inocentes de guerras, ditaduras, violências diárias, abortos... Levaremos diante da imagem de Deus Crucificado, em oração, os numerosos, demasiados crucificados de hoje, que só d’Ele podem receber o alívio e o significado do seu sofrimento. E hoje há muitos deles: não vos esqueçais dos crucificados de hoje, que são a imagem de Jesus Crucificado, e neles está Jesus.

Desde que Jesus tomou sobre si as chagas da humanidade e da própria morte, o amor de Deus irrigou estes nossos desertos, iluminou estas nossas trevas. Pois o mundo está na escuridão. Façamos uma lista de todas as guerras travadas neste momento; de todas as crianças que morrem de fome; das crianças que não têm educação; de povos inteiros destruídos pelas guerras, pelo terrorismo. Das numerosas, muitas pessoas que, para se sentir um pouco melhor, precisam da droga, da indústria da droga que mata... É uma calamidade, um deserto! Existem pequenas “ilhas” do povo de Deus, cristão ou de qualquer outra fé, que conservam no coração o desejo de ser melhores. Mas sejamos francos: neste Calvário da morte, é Jesus que sofre nos seus discípulos. Durante o seu ministério, o Filho de Deus deu vida a mãos-cheias, curando, perdoando, ressuscitando... Agora, na hora do supremo Sacrifício na Cruz, leva a cumprimento a obra que lhe foi confiada pelo Pai: entra no abismo do sofrimento, entra nas calamidades deste mundo, para redimir e transformar. E também para libertar cada um de nós do poder das trevas, da soberba, da resistência a ser amados por Deus. E só o amor de Deus pode fazer isto. O Apóstolo Pedro disse: pelas suas chagas fomos curados (cf1Pd 2,24), pela sua morte fomos todos regenerados. Graças a Ele, abandonado na cruz, ninguém jamais está sozinho na escuridão da morte. Nunca! Ele está sempre ao nosso lado: só é preciso abrir o coração e deixar-se olhar por Ele.

Sábado Santo é o dia do silêncio: um grande silêncio paira sobre toda a Terra; um silêncio vivido no pranto e na perplexidade pelos primeiros discípulos, perturbados com a morte ignominiosa de Jesus. Enquanto o Verbo está em silêncio, enquanto a Vida está no sepulcro, aqueles que têm esperança n’Ele são postos à prova, sentem-se órfãos, talvez até órfãos de Deus. Este sábado é inclusive o dia de Maria: também Ela o vive no pranto, mas o seu coração está cheio de fé, repleto de esperança, cheio de amor. A Mãe de Jesus seguiu o Filho pelo caminho doloroso e permaneceu ao pé da cruz, com a sua alma trespassada. Mas quando tudo parece ter acabado, Ela vela, vigia na expectativa, preservando a esperança na promessa de Deus que ressuscita os mortos. Assim, na hora mais obscura do mundo, Ela tornou-se Mãe dos crentes, Mãe da Igreja e sinal de esperança. O seu testemunho e a sua intercessão amparam-nos quando o peso da cruz se torna demasiado árduo para cada um de nós.

Nas trevas do Sábado Santo, irromperão a alegria e a luz com os ritos da Vigília Pascal, no final da tarde, com o canto jubiloso do Aleluia. Será um encontro de fé com Cristo Ressuscitado, e a alegria pascal continuará ao longo dos cinquenta dias que se seguirão, até à vinda do Espírito Santo. Aquele que foi crucificado ressuscitou! Todas as interrogações e incertezas, hesitações e receios foram dissipados por esta revelação. O Ressuscitado dá-nos a certeza de que o bem triunfa sempre sobre o mal, que a vida vence sempre a morte e que o nosso fim não é descer cada vez mais, de tristeza em tristeza, mas subir às alturas. O Ressuscitado é a confirmação de que Jesus tem razão em tudo: em prometer-nos vida para além da morte e perdão para além dos pecados. Os discípulos duvidaram, não acreditaram. A primeira que acreditou e viu foi Maria Madalena, a apóstola da ressurreição, que foi dizer-lhes que tinha visto Jesus, que a tinha chamado pelo nome. E depois, todos os discípulos viram-no. Mas gostaria de comentar isto: os guardas, os soldados, que estavam no sepulcro para impedir que os discípulos fossem e levassem o corpo, viram-no: viram-no vivo e ressuscitado. Os inimigos viram-no, e depois fingiram que não o tinham visto. Por quê? Porque foram pagos. Eis o verdadeiro mistério daquilo que Jesus disse um dia: “Há dois senhores no mundo, dois, não há outros: dois. Deus e o dinheiro. Quem serve o dinheiro está contra Deus”. E aqui foi o dinheiro que mudou a realidade. Tinham visto a maravilha da Ressurreição, mas foram pagos para se calar. Pensemos nas numerosas vezes que homens e mulheres cristãos foram pagos para não reconhecer na prática a Ressurreição de Cristo, e não fizeram o que Cristo nos pediu que fizéssemos, como cristãos.

Prezados irmãos e irmãs, também este ano viveremos as celebrações da Páscoa no contexto da pandemia. Em tantas situações de sofrimento, especialmente quando quem as padece são pessoas, famílias e populações já provadas pela pobreza, calamidades ou conflitos, a Cruz de Cristo é como um farol que indica o porto para os navios ainda ao largo num mar em tempestade. A Cruz de Cristo é o sinal de esperança que não desilude; e diz-nos que nem uma lágrima, nem sequer um gemido se perdem no desígnio de salvação de Deus. Peçamos ao Senhor que nos conceda a graça de servi-lo e reconhecê-lo e de não nos deixarmos pagar para esquecê-lo.


Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 30 de março de 2021

Missas votivas da Terra Santa (10): Santo Sepulcro

Em nossa série sobre as Missas votivas dos Santuários da Terra Santa chegamos àquela que é o coração do Cristianismo: a Basílica do Santo Sepulcro (chamada pelos gregos de “igreja da Ressurreição”, Anástasis), uma das três grandes igrejas da Terra Santa, junto com as Basílicas da Anunciação e da Natividade.

Nesta postagem confluem dois blocos de santuários: aqueles ligados à Paixão do Senhor (sobre os quais já tratamos nas duas últimas postagens) e aqueles ligados à sua Ressurreição. Com efeito, as duas dimensões do Mistério Pascal são inseparáveis, como demonstra sua localização dentro da mesma Basílica.

Aqui, porém, dividiremos a Basílica em “Calvário” e “Sepulcro”, uma vez que possuem Missas votivas distintas. Destas apresentaremos a “oração do lugar”, as indicações de leituras e do prefácio, além de algumas adaptações dignas de nota. Antes, porém, é necessário traçar um breve histórico da Basílica:

Entrada da Basílica do Santo Sepulcro - Jerusalém

No século IV, a mãe do imperador Constantino, Santa Helena, peregrina à Terra Santa e, ajudada pelo Bispo de Jerusalém, São Macário, encontra as supostas relíquias da verdadeira cruz, mandando erigir duas igrejas no local. Estas foram dedicadas em 13 de setembro de 335. Como testemunha a peregrina Etéria, uma igreja foi construída junto ao Calvário, o Martyrium, e outra sobre o Sepulcro, a Anástasis, embora as duas integrassem o mesmo complexo.

No século seguinte as igrejas sofreriam com sucessivos ataques e desastres naturais (terremotos, incêndios), até serem destruídas pelos muçulmanos em 1009. Os cruzados só retomariam o Santo Sepulcro 90 anos depois.

No local foi edificada a atual Basílica, unificando sob uma mesma igreja o Calvário e o Sepulcro, dedicada em 15 de julho de 1149. Na ocasião foi gravada a inscrição: “Este lugar santo foi santificado pelo Sangue de Cristo, por isso a nossa consagração não acrescenta nada a sua santidade”.

Cruz sobre um dos domos da Basílica

Atualmente o Santo Sepulcro, como a Basílica da Natividade, é compartilhado pelas igrejas Católica Romana (representada pelos franciscanos da Custódia), Ortodoxa Bizantina e Ortodoxa Armênia. Alguns lugares são de uso comum, enquanto outros são próprios de uma igreja, como indicaremos na sequência. Também os ortodoxos coptas, etíopes e siríacos possuem altares dentro da Basílica.

III. Santuários ligados ao mistério da Paixão:

2. JERUSALÉM

2e. Basílica do Santo Sepulcro: Calvário

Sobre o local onde a tradição coloca o Calvário existem duas capelas: a da esquerda, sob a responsabilidade dos ortodoxos bizantinos, marca o local onde a cruz teria sido plantada (12ª estação da Via Sacra); a da direita, sob os cuidados dos católicos romanos, seria o local onde a cruz foi colocada no chão para que Jesus fosse pregado (11ª estação da Via Sacra).

Capela ortodoxa do Calvário

10 anos da entronização de Dom Sviatoslav Shevchuk

No último domingo, 28 de março (II Domingo da Quaresma segundo o calendário juliano), o Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia na Catedral da Ressurreição em Kiev em comemoração aos 10 anos da sua entronização.

Dom Sviatoslav foi eleito Arcebispo-Maior no dia 23 de março de 2011, após a renúncia do Cardeal Lubomyr Husar (Любомир Гузар). Sua eleição foi confirmada pelo Papa Bento XVI dois dias depois e sua entronização teve lugar no domingo, 27 de março de 2011.

Entrada do Arcebispo



O Arcebispo abençoa os fiéis

Domingo de Ramos em Cracóvia

Na Arquidiocese de Cracóvia (Polônia) as celebrações da Semana Santa 2021 tiveram início no último dia 28 de março com a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor presidida pelo Arcebispo, Dom Marek Jędraszewski, na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau (a Catedral de Wawel).

O Arcebispo Emérito, Cardeal Stanisław Dziwisz, por sua vez, presidiu a Santa Missa no Santuário de São João Paulo II em Cracóvia.

28 de março: Missa do Domingo de Ramos na Catedral de Wawel

Procissão de entrada


Aspersão dos ramos
Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém

segunda-feira, 29 de março de 2021

Domingo de Ramos em Jerusalém

Em Jerusalém, as celebrações do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, dando início à Semana Santa 2021, tiveram lugar nos dias 27 e 28 de março.

No dia 27, sábado, foi celebrada a Comemoração da entrada messiânica de Jesus em Jerusalém no Santuário das Palmas em Betfagé (para saber mais sobre as Missas votivas dos lugares da Terra Santa, clique aqui; sobre o Santuário de Betfagé, clique aqui).

A Missa foi presidida pelo Padre Stéphane Milovitch, responsável pelo Ofício dos Bens Culturais da Custódia Franciscana da Terra Santa.

27 de março: Missa no Santuário das Palmas, Betfagé

Ritos iniciais

Liturgia da Palavra
Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém
Epiclese

Fotos do Domingo de Ramos no Vaticano

No último dia 28 de março o Papa Francisco celebrou a Santa Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro.

Como em 2020, o Papa abençoou os ramos junto ao altar da Confissão e em seguida dirigiu-se em procissão até o altar da Cátedra, onde foi celebrada a Missa. Diferentemente do ano passado, porém, este ano os Cardeais presentes em Roma concelebraram a Missa.

O Santo Padre foi assistido por Mons. Guido Marini. Os demais Cerimoniários Pontifícios auxiliaram como acólitos, juntamente com os freis agostinianos que cuidam da Sacristia Pontifícia.

O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Monição introdutória e bênção dos ramos
Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém
Procissão

Homilia do Papa: Domingo de Ramos 2021

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano B)
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro
Domingo, 28 de março de 2021

Todos os anos, esta Liturgia cria em nós uma atitude de espanto, de surpresa: passamos da alegria de acolher Jesus, que entra em Jerusalém, à tristeza de vê-Lo condenado à morte e crucificado. É uma atitude interior que nos acompanhará ao longo da Semana Santa. Abramo-nos, pois, a esta surpresa.

Jesus começa logo por nos surpreender. O seu povo acolhe-O solenemente, mas Ele entra em Jerusalém em um jumentinho. Pela Páscoa, o seu povo espera o poderoso libertador, mas Jesus vem cumprir a Páscoa com o seu sacrifício. O seu povo espera celebrar a vitória sobre os romanos com a espada, mas Jesus vem celebrar a vitória de Deus com a cruz. Que aconteceu àquele povo que, em poucos dias, passou dos «hosanas» a Jesus ao grito «crucifica-O»? Que sucedeu? Aquelas pessoas seguiam uma imagem de Messias, e não o Messias. Admiravam Jesus, mas não estavam prontas para se deixar surpreender por Ele. A surpresa é diferente da admiração. A admiração pode ser mundana, porque busca os próprios gostos e anseios; a surpresa, ao contrário, permanece aberta ao outro, à sua novidade. Também hoje há muitos que admiram Jesus: falou bem, amou e perdoou, o seu exemplo mudou a história, e coisas do gênero. Admiram-No, mas a vida deles não muda. Porque não basta admirar Jesus; é preciso segui-Lo no seu caminho, deixar-se interpelar por Ele: passar da admiração à surpresa.

E qual é o aspecto do Senhor e da sua Páscoa que mais nos surpreende? O fato de Ele chegar à glória pelo caminho da humilhação. Triunfa acolhendo a dor e a morte, que nós, sucumbindo à admiração e ao sucesso, evitaríamos. Ao contrário, Jesus «despojou-Se - disse São Paulo -, humilhou-Se» (Fl 2,7-8). Isto surpreende: ver o Onipotente reduzido a nada; vê-Lo, a Ele, Palavra que sabe tudo, ensinar-nos em silêncio na cátedra da cruz; ver o Rei dos reis que, por trono, tem um patíbulo; ver o Deus do universo despojado de tudo; vê-Lo coroado de espinhos em vez de glória; vê-Lo, a Ele bondade em pessoa, ser insultado e vexado. Por que toda esta humilhação? Por que permitistes, Senhor, que Vos fizessem tudo aquilo?

Fê-lo por nós, para tocar até ao fundo a nossa realidade humana, para atravessar toda a nossa existência, todo o nosso mal; para Se aproximar de nós e não nos deixar sozinhos no sofrimento e na morte; para nos recuperar, para nos salvar. Jesus sobe à cruz para descer ao nosso sofrimento. Prova os nossos piores estados de ânimo: o falimento, a rejeição geral, a traição do amigo e até o abandono de Deus. Experimenta na sua carne as nossas contradições mais dilacerantes e, assim, as redime e transforma. O seu amor aproxima-se das nossas fragilidades, chega até onde mais nos envergonhamos. Agora sabemos que não estamos sozinhos! Deus está conosco em cada ferida, em cada susto: nenhum mal, nenhum pecado tem a última palavra. Deus vence, mas a palma da vitória passa pelo madeiro da cruz. Por isso, os ramos e a cruz estão juntos.

Peçamos a graça do assombro. A vida cristã, sem surpresa, torna-se cinzenta. Como se pode testemunhar a alegria de ter encontrado Jesus, se não nos deixamos surpreender cada dia pelo seu amor espantoso, que nos perdoa e faz recomeçar? Se a fé perde o assombro, torna-se surda: já não sente a maravilha da graça, deixa de sentir o gosto do Pão da vida e da Palavra, fica sem perceber a beleza dos irmãos e o dom da criação. E não lhe resta outra saída senão refugiar-se nos legalismos, clericalismos e tudo o mais que Jesus condena no capítulo 23 de Mateus.

Nesta Semana Santa, ergamos o olhar para a cruz a fim de recebermos a graça do assombro. São Francisco de Assis, ao contemplar o Crucificado, maravilhava-se com os seus frades por não chorarem. E nós, conseguimos ainda deixar-nos comover pelo amor de Deus? Porque é que já não sabemos surpreender-nos à vista d’Ele? Por quê? Talvez porque a nossa fé foi corroída pelo hábito; talvez porque ficamos fechados nas lamúrias e deixamo-nos paralisar pelos dissabores; talvez porque perdemos a confiança em tudo, chegando ao ponto de nos consideramos mal feitos. Mas, por trás destes «talvez», encontra-se o fato de não estarmos abertos ao dom do Espírito, que é Aquele que nos dá a graça do assombro.

Recomecemos do espanto; olhemos o Crucificado e digamos-Lhe: «Senhor, quanto me amais! Como sou precioso a vossos olhos!». Deixemo-nos surpreender por Jesus para voltar a viver, porque a grandeza da vida não está na riqueza nem no sucesso, mas na descoberta de que somos amados. Esta é a grandeza da vida: descobrir que somos amados. A grandeza da vida está precisamente na beleza do amor. No Crucificado, vemos Deus humilhado, o Onipotente reduzido a um descartado. E, com a graça do assombro, compreendemos que, acolhendo quem é descartado, aproximando-nos de quem é humilhado pela vida, amamos Jesus, porque Ele está nos últimos, nos rejeitados, naqueles que a nossa cultura farisaica condena.

O Evangelho de hoje, imediatamente depois da morte de Jesus, mostra-nos o ícone mais belo da surpresa. É a cena do centurião, que, «ao vê-Lo expirar daquela maneira, disse: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!”» (Mc 15,39). Deixou-se surpreender pelo amor. De que maneira vira Jesus morrer? Viu-O morrer amando, e isto o maravilhou. Sofria, estava exausto, mas continuava a amar. Eis aqui a surpresa diante de Deus, que sabe encher de amor o próprio morrer. Neste amor gratuito e inaudito, o centurião, um pagão, encontra Deus. Verdadeiramente era Filho de Deus! A sua frase chancela a Paixão. Muitos antes dele no Evangelho, admirando Jesus pelos seus milagres e prodígios, reconheceram-No como Filho de Deus, mas o próprio Cristo mandava-os calar, porque havia o risco de se deterem na admiração mundana, na ideia de um Deus que Se devia adorar e temer enquanto poderoso e terrível. Agora já não há tal risco; ao pé da cruz, já não é possível equivocar-se: Deus revelou-Se e reina só com a força desarmada e desarmante do amor.

Irmãos e irmãs, hoje Deus ainda surpreende a nossa mente e o nosso coração. Deixemos que nos impregne este assombro, olhemos para o Crucificado e digamos também nós: «Vós sois verdadeiramente Filho de Deus. Vós sois o meu Deus».


Fonte: Santa Sé.

sábado, 27 de março de 2021

Homilia: Domingo de Ramos - Ano B

São Cirilo de Alexandria
Comentário sobre Isaías 4,2
Eis aqui o Rei justo

Eis que um rei reinará com justiça e seus chefes governarão conforme o direito. O Verbo, Unigênito de Deus, era o rei universal juntamente com Deus Pai e, ao vir a nós, toda criatura visível e invisível submeteu-se a Ele. E embora o homem terreno, apartando-se e desvinculando-se de seu reino, fez pouco caso de seus mandamentos até o ponto de deixar-se enredar pela tirânica mão do diabo com os laços do pecado, Ele, administrador e dispensador de toda justiça, novamente voltou a submeter-lhe ao seu jugo. São verdadeiramente retos os caminhos do Senhor.

Chamamos caminhos de Cristo aos oráculos evangélicos, por meio dos quais, atentos a todo tipo de virtude e ornando nossas cabeças com as insígnias da piedade, alcançamos o prêmio de nossa vocação celestial. Estes caminhos são realmente retos, sem curva ou perversidade alguma. Os chamaríamos retos e transitáveis. De fato, está escrito: Os caminhos do justo são retos, aplainas as sendas do justo. Pois a senda da Lei é áspera, arrasta-se entre símbolos e figuras, e é de uma intolerável dificuldade. Por outro lado, o caminho dos oráculos evangélicos é plano, em nada áspero ou pedregoso.

Assim, os caminhos de Cristo são retos. Ele edificou a cidade santa, isto é, a Igreja, na qual Ele mesmo estabeleceu sua morada. Ele realmente habita nos santos e nós nos convertemos em templo do Deus vivo, pois, pela participação do Espírito Santo, temos Cristo em nosso interior. Fundou, pois, a Igreja, e Ele é o fundamento sobre o qual também nós, como pedras esplêndidas e preciosas, nos vamos integrando na construção do templo santo, para ser morada de Deus, pelo Espírito.

Absolutamente inalterável é a Igreja, que tem a Cristo por fundamento e base inabalável. Vede, diz, eu coloco em Sião uma pedra provada, angular, preciosa, de fundamento: quem se apoia nela não vacila. Portanto, uma vez fundada a Igreja, Ele mesmo alterou a sorte de seu povo. E a nós, derrubado por terra o tirano, nos salvou e libertou do pecado, e nos submeteu ao seu jugo, não porque lhe fosse pago um preço ou à base de regalias. Um de seus discípulos o diz claramente: Resgataram-nos deste proceder inútil recebido de nossos pais não com bens efêmeros, com ouro e prata, mas ao preço do sangue de Cristo, o cordeiro sem defeito e sem mancha. Ele deu por nós o seu próprio sangue: portanto, não nos pertencemos, mas somos d’Aquele que nos comprou e nos salvou.

Com razão, pois, todos aqueles que desprezam a reta norma da verdadeira fé se veem acusados pela boca dos santos como negadores do Deus que os redimiu.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 325-326. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Ambrósio para este domingo, clique aqui.

Comemoração das Dores de Maria em Jerusalém

Em 1727, o Papa Bento XIII instituiu a Festa das Dores de Maria, a ser celebrada na última sexta-feira da Quaresma, aquela que precede o Domingo de Ramos. Posteriormente, a festa de Nossa Senhora das Dores foi fixada no dia 15 de setembro, logo após a Festa da Exaltação da Santa Cruz.

A Custódia Franciscana da Terra Santa, porém, conservou em seu calendário próprio a comemoração das Dores de Maria na sexta-feira da V semana da Quaresma.

Assim, no último dia 26 de março o Vice-Custódio da Terra Santa, Padre Dobromir Jasztal, celebrou a Santa Missa no pequeno altar dedicado a Nossa Senhora junto ao Calvário, na Basílica do Santo Sepulcro.

Altar de Nossa Senhora das Dores
Incensação
Liturgia da Palavra
Evangelho
Homilia

Cardeal Cantalamessa: IV Pregação de Quaresma 2021

Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap
IV pregação de Quaresma
26 de março de 2021

Jesus de Nazaré, uma pessoa

[Clique aqui para ler as meditações anteriores: Jesus Cristo, verdadeiro homem e verdadeiro Deus]

Os Atos dos Apóstolos narram o seguinte episódio: à chegada do rei Agripa a Cesareia, o governador Festo lhe apresenta o caso de Paulo, mantido preso por ele, no aguardo do processo. Resume o caso ao rei com estas palavras: “Seus acusadores (...) tinham somente certas questões contra ele, a respeito da sua religião, e a respeito de certo Jesus, que já morreu, mas que Paulo afirma estar vivo” (At 25,18-19). Neste detalhe, aparentemente secundário, resume-se a história dos vintes séculos seguintes àquele momento. Tudo ainda gira em torno de “certo Jesus” que o mundo considera morto e a Igreja proclama estar vivo.

É o que nos propomos em aprofundar nesta última meditação, isto é, que Jesus de Nazaré está vivo! Não é uma memória do passado; não é apenas um personagem, mas uma pessoa. Vive “segundo o Espírito”, certo, mas este é um modo de viver mais forte do que aquele “segundo a carne”, porque lhe permite viver dentro de nós, não fora ou ao lado.

Em nossa releitura do dogma, chegamos ao nó que une as duas pontas. Jesus “verdadeiro homem” e Jesus “verdadeiro Deus” - eu dizia no início - são como os dois lados de um triângulo, cujo vértice é Jesus, “uma pessoa”. Recordemos, em linhas gerais, como se formou o dogma da unidade de pessoa de Cristo. A fórmula “uma pessoa” aplicada a Cristo remonta a Tertuliano [1], mas foram necessários outros dois séculos de reflexão para entender o que ela significava de fato e como podia conciliar-se com a afirmação de que Jesus era verdadeiro homem e verdadeiro Deus, isto é “de duas naturezas”.

Uma etapa fundamental foi o Concílio de Éfeso de 431, em que foi definido o título de Maria Theotokos, Genitora de Deus. Se Maria pode ser chamada de “Mãe de Deus”, embora tendo dado à luz apenas a natureza humana de Jesus, quer dizer que n’Ele humanidade e divindade formam uma só pessoa. O ponto de chegada definitivo, contudo, foi alcançado apenas no Concílio de Calcedônia de 451, com a fórmula que referimos novamente na parte relativa à unidade de Cristo:

“Seguindo, pois, os santos Padres, com unanimidade ensinamos que se confesse um só e o mesmo Filho, o Senhor nosso Jesus Cristo (...) reconhecido em duas naturezas (...), não sendo de modo algum anulada a diferença das naturezas por causa da sua união, mas, pelo contrário, salvaguardada a propriedade de cada uma das naturezas e concorrendo numa só pessoa e numa só hipóstase” [2].


Se para a plena recepção da definição de Niceia foi necessário um século, para a completa recepção desta outra definição foram necessários todos os séculos sucessivos, até os nossos dias. De fato, somente graças ao recente clima de diálogo ecumênico pôde-se restabelecer a comunhão entre a Igreja Ortodoxa e as igrejas chamadas Nestorianas e Monofisitas do Oriente cristão. Notou-se que na maioria dos casos tratava-se de uma diversidade de terminologia, não de doutrina. Tudo dependia do significado diverso que se dava aos dois termos de “natureza” e de “pessoa” ou “hipóstase”.

Do adjetivo “uma” ao substantivo “pessoa”

Assegurado o seu conteúdo ontológico e objetivo, também aqui, para revitalizar o dogma, devemos agora trazer à luz a sua dimensão subjetiva e existencial. São Gregório Magno dizia que a Escritura “cresce com aqueles que a leem” (cum legentibus crescit) [3]. Devemos dizer a mesma coisa do dogma. Ele é “uma estrutura aberta”: cresce e se enriquece, à medida que a Igreja, guiada pelo Espírito Santo, se encontra vivendo novas problemáticas e em novas culturas.

Dissera-o, com singular previsão, Santo Irineu pelo fim do II século. A verdade revelada, escrevia o santo, é “como um licor precioso contido em um vaso de valor. Por obra do Espírito Santo, ela (a verdade) rejuvenesce sempre e faz rejuvenescer também o vaso que a contém”[4]. A Igreja está em condições de ler a Escritura e o dogma de modo sempre novo, porque ela mesma é sempre renovada pelo Espírito Santo!

sexta-feira, 26 de março de 2021

Via Sacra: Meditações de São John Henry Newman

Há cerca de 20 anos, para a Via Sacra presidida pelo Papa João Paulo II na Sexta-feira Santa de 2001 junto ao Coliseu, foram utilizadas as meditações escritas pelo Cardeal John Henry Newman (1801-1890), por ocasião dos 200 anos do seu nascimento.

O Cardeal Newman seria beatificado pelo Papa Bento XVI em 2010 e canonizado pelo Papa Francisco em 2019.

Seguem abaixo suas meditações para a Via Sacra, que ilustramos com as 14 estações esculpidas por Arthur Eric Rowton Gill para a Catedral do Preciosíssimo Sangue do Senhor em Londres, a Catedral de Westminster:

Departamento para as Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via-Sacra no Coliseu presidida pelo Santo Padre João Paulo II
Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001

Oração inicial
Santo Padre: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
R. Amém.

Primeira Sexta-feira Santa do Terceiro Milênio. Caiu a noite. Alta no céu brilha a lua. Os fiéis de Roma e inúmeros peregrinos se reuniram para percorrer com Jesus o caminho da Cruz: o Coliseu, insigne monumento do Império Romano, é agora Statio Urbis et Orbis [1].

Via Crucis, caminho de solidariedade. Jesus, o Filho de Deus, nascido de uma Mulher, é solidário com os seus irmãos, humanidade sofredora e perdida: nos seus passos, o passo do exilado e do deportado, do homem desiludido que vagueia incerto, o passo vacilante da criança, do enfermo, do ancião, do condenado que se aproxima do patíbulo. Mas Jesus, caminhando para o “lugar da Caveira”, conduz a humanidade para o esplendor da Glória.

Via Crucis, caminho discipular. Jesus, o único Mestre, disse: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga” (Mt 16,24). Siga-me sempre. Siga-me ao Calvário. Junto à Cruz, de fato, estão a Mãe, a primeira discípula, e o Discípulo amado. Subindo o Calvário, Jesus sabe que se dirige para a cátedra suprema, para confirmar com o dom de Si o seu ensinamento: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15,13).

Via Crucis, caminho real e sacerdotal. Jesus, consagrado pelo Espírito, é Rei e Sacerdote. No caminho do Calvário, porém, não porta nenhuma insígnia real, nem endossa nenhuma veste sacerdotal. Mesmo assim, sabe que inicia o seu Reino, da única forma possível para ele: Ele reina com a força do amor. Agora inicia o seu Sacerdócio: o Cordeiro manso e inocente oferece a Si mesmo, vítima de expiação pelos pecados do mundo.

Via Crucis, caminho de esperança. No pôr-do-sol já está presente a certeza da aurora. No entardecer da vida, Jesus está seguro do amor do Pai, espera contra as evidências da “derrota”; está seguro que do ventre escuro da terra ressurgirá qual “brilhante estrela da manhã” (Ap 22,16). Jesus sabe que, caminhando para a morte, apressa o passo rumo à ressurreição.

Via Crucis, caminho de plenitude: de dor e de amor sem limites, de total rebaixamento e de suprema exaltação; plenitude do Espírito, que flui do lado aberto do Salvador, como torrente de vida e de graça; plenitude de perdão e de misericórdia, de reconciliação e de paz. Hora do “forte grito” (Mc 15,37) e do silêncio do cosmo, que chora a morte do seu Criador. Hora do amor obediente: “Pai, tudo está consumado” (cf. Jo 19,30). Hora da cabeça inclinada e do operante repouso. E, no coração da Mãe, hora de imensa piedade e de ansiosa expectativa.

Deus todo-poderoso, fortifica-me com a tua força, consola-me com a tua paz, ilumina-me com a beleza do teu Rosto, ilumina-me com a luz que brota do teu incriado esplendor, purifica-me com o perfume da tua inefável santidade, mergulha-me em ti para que eu beba da água viva que flui de ti, Pai Santo, e do teu Filho e do teu co-eterno Amor.
Ó meu Senhor, tu és tudo para mim, só tu me bastas.
Ó meu Senhor Jesus, o teu Sangue basta para o mundo inteiro.
Tu bastas para mim e para toda a linhagem de Adão.
Ó meu Senhor Jesus, faz com que a tua Cruz baste para toda a humanidade.
Faz com que seja eficaz. Faz que seja eficaz para mim mais do que tudo, para evitar que eu tenha tudo em abundância sem levar nenhum fruto à perfeição. Amém [2].

Cruz da Catedral do Preciosíssimo Sangue - Londres

I Estação: Jesus é condenado à morte

Do Evangelho segundo Mateus (Mt 27,22-23.26)
Pilatos perguntou: “Que farei com Jesus, que chamam de Cristo?” Todos gritaram: “Seja crucificado!”. Pilatos falou: “Mas, que mal ele fez?” Eles, porém, gritaram com mais força: “Seja crucificado!”. (...) Então Pilatos soltou Barrabás, mandou flagelar Jesus, e entregou-o para ser crucificado.

O Santo, Justo e Verdadeiro é julgado pelos pecadores e condenado à morte. No entanto, enquanto o julgavam, eram compelidos a absolvê-lo. Judas, que o traiu, disse: “Pequei, entregando sangue inocente” (Mt 27,4). Pilatos, que emitiu a sentença, proclama: “Eu sou inocente do sangue deste justo” (Mt 27,24). O centurião, que o viu crucificado, exclama: “Verdadeiramente este homem era justo!” (Lc 23,47).

Senhor, és sempre justo quando falas e vences quando és julgado. Ainda mais no último dia, quando os homens “olharão para aqueles que transpassaram” (cf. Zc 12,10; Jo 19,37). E Tu, condenado na fraqueza, julgarás o mundo com poder, e mesmo aqueles que serão condenados reconhecerão que foram julgados com justiça.
A ti, Jesus, justo Juiz, a honra e a glória pelos séculos sem fim. Amém.

I Estação: Jesus é condenado à morte (Catedral de Westminster)

Solenidade da Anunciação do Senhor em Nazaré

No dias 24 e 25 de março de 2021 o Patriarca de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa, presidiu, respectivamente, as I Vésperas e a Santa Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor na Basílica da Anunciação em Nazaré (sobre a qual falamos recentemente em nossa série sobre as Missas votivas da Terra Santa. Para acessar a postagem, clique aqui).

Esta foi a primeira vez que Dom Pizzaballa celebra em Nazaré desde sua nomeação como Patriarca em 24 de outubro de 2020, completando assim as celebrações nas três grandes Basílicas da Terra Santa: a Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém (da qual tomou posse no início de dezembro), a Basílica da Natividade em Belém (na qual celebrou a Solenidade do Natal de 2020) e a Basílica da Anunciação em Nazaré.

Dia 24 de março: I Vésperas

Início da oração das Vésperas

Salmodia
Leitura breve
Incensação durante o Magnificat

quinta-feira, 25 de março de 2021

Catequeses sobre os Salmos (10): Laudes da segunda-feira da II semana

Os salmos e o cântico das Laudes da segunda-feira da II semana do Saltério foram apresentados pelo Papa João Paulo II em sua série de Catequeses sobre a Liturgia das Horas nos dias 16 de janeiro (Sl 41), 23 de janeiro (Eclo 36,1-7.13-16) e 30 de janeiro de 2002 (Sl 18).

27. Sede de Deus e saudades do Templo: Sl 41(42),2-12
16 de janeiro de 2002

1. Uma corça sequiosa, com a garganta seca, lança o seu grito perante a aridez do deserto, ansiosa pelas águas frescas de um riacho. Esta célebre imagem abre o Salmo 41, que há pouco foi cantado. Podemos ver nela como que um símbolo da espiritualidade profunda desta composição, verdadeira joia de fé e de poesia. Na realidade, segundo os estudiosos do Saltério, o nosso Salmo deve unir-se estreitamente ao seguinte, o 42, do qual foi separado quando os Salmos foram ordenados para formar o livro de oração do Povo de Deus. De fato, ambos os Salmos - para além de estarem ligados pelo tema e pelo desenvolvimento - são marcados pela mesma antífona: “Por que te entristeces, minha alma, a gemer no meu peito? Espera em Deus! Louvarei novamente o meu Deus Salvador!” (Sl 41,6.12; 42,5). Este apelo, repetido duas vezes no mesmo Salmo, e uma terceira vez no Salmo seguinte, é um convite dirigido pelo que reza a si mesmo, com vista a afastar a tristeza por meio da confiança em Deus, que certamente se manifestará de novo como Salvador.

"Sicut cervus ad fontes" (Sl 41,1)

2. Mas voltemos à imagem de partida do Salmo, que gostaria de meditar com o fundo musical do canto gregoriano ou daquela obra-prima polifônica que é o Sicut cervus de Pierluigi da Palestrina.
A corça sequiosa é, de fato, o símbolo do orante, que se dirige com todo o seu ser, corpo e alma, para o Senhor, sentido como longínquo e ao mesmo tempo necessário: “Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (v. 3). No hebraico uma palavra, nefesh, indica ao mesmo tempo a “alma” e a “garganta”. Por isso, podemos dizer que a alma o corpo do orante estão envolvidos no desejo primário, espontâneo e substancial de Deus (cf. Sl 62,2). Por alguma razão, há uma longa tradição que descreve a oração como “respiração”: ela é original, necessária, fundamental como a respiração vital.
Orígenes, grande autor cristão do III século, dizia que a procura de Deus por parte do homem é uma empresa jamais terminada, porque são sempre possíveis e necessários novos progressos. Numa das suas homilias sobre o Livro dos Números, escreve: “Aqueles que percorrem o caminho da busca da sabedoria de Deus não constroem casas estáveis, mas tendas móveis, porque vivem em viagens contínuas caminhando sempre em frente, descobrindo um horizonte que se perde na imensidão” (Homilia XVII in Numeros, GCS, XVII, 159-160).

3. Procuremos agora descobrir a trama desta súplica, que poderemos imaginar dividida em três atos, dois dos quais estão no interior do nosso Salmo, enquanto o último se abrirá no Salmo seguinte, o 42, que olharemos em seguida. A primeira cena (vv. 2-6) exprime a profunda saudade suscitada pela recordação de um passado tornado feliz por belas celebrações litúrgicas, agora inacessíveis: “Recordo saudoso o tempo em que ia com o povo. Peregrino e feliz caminhando para a casa de Deus, entre gritos, louvor e alegria da multidão jubilosa” (v. 5).
“A casa de Deus”, com a sua Liturgia, é o templo de Jerusalém, que o fiel outrora frequentava, mas é também o lugar da intimidade com Deus, “fonte de água viva”, como canta Jeremias (Jr 2,13). Agora, a única água que aflora às suas pupilas é a das lágrimas (Sl 41,4) pela distância da fonte da vida. A oração festiva de então, elevada para o Senhor durante o culto no templo, é agora substituída pelas lágrimas, pelo lamento, pela súplica.

Missas nos lugares da Paixão em Jerusalém

Nas quartas-feiras do Tempo da Quaresma, a começar da II semana, a Custódia da Terra Santa promove uma série de celebrações nos lugares associados à Paixão do Senhor em Jerusalém.

Em cada santuário é celebrada a "Missa votiva do lugar", sobre as quais temos falado em uma série de postagens própria, unida à oração das Vésperas.

03 de março: Missa na igreja de Dominus flevit
(Para conhecer a história e a Missa própria desta igreja, clique aqui)

Incensação do altar
Salmodia das Vésperas
Leitura
Incensação das oferendas
Doxologia final da Oração Eucarística

10 de março: Basílica da Agonia no Getsêmani
(Para conhecer a história e a Missa própria desta igreja, clique aqui)