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sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2026

“Transformados pelo amor que jorra copiosamente do Coração de Cristo, caminhemos juntos nos seus passos” (Leão XIV, Homilia, 27 de junho de 2025).

O Guia Litúrgico-Pastoral da CNBB, recentemente revisado e atualizado à luz da 3ª edição do Missal Romano, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

Para saber mais confira nossas postagens sobre a história e a teologia da devoção ao Sagrado Coração de Jesus.

Vitral representando o Sagrado Coração de Jesus

As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos Santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês (salvo na Sexta-feira Santa, quando não se celebra a Missa); porém, conforme o tempo litúrgico, em algumas ocasiões deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo e com suas orações e leituras, e em outras ocasiões pode ser celebrada a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [3].

Indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês deste ano de 2026, destacando também a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

02 de janeiro de 2026: Memória dos Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno, Bispos e Doutores da Igreja
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (Memória obrigatória / Dia de semana do Tempo do Natal).

06 de fevereiro de 2026: Memória de São Paulo Miki e Companheiros, Mártires
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (Memória obrigatória).

quarta-feira, 16 de julho de 2025

Missa pelo cuidado da criação

No dia 03 de julho de 2025 foi divulgado um Decreto do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos inserindo a Missa pelo cuidado da criação (Missa pro custodia creationis) entre as Missas para diversas circunstâncias (Missae pro variis necessitatibus).

Ícone da criação do céu e da terra

A 3ª edição típica do Missal Romano, com efeito, promulgada em 2002 e revista em 2008, possui 49 formulários de Missas para diversas circunstâncias, com orações e leituras através dos quais rezamos pelas necessidades da Igreja e do mundo.

A Missa pelo cuidado da criação, que passa a ser o 50º formulário, é fruto sobretudo da reflexão ecológica realizada no pontificado do Papa Francisco (†2025), sintetizada na Encíclica Laudato si’ sobre o cuidado da casa comum (2015).

Na Conferência de apresentação do novo formulário, o Secretário do Dicastério para o Culto Divino, Dom Vittorio Francesco Viola, recordou a ampla presença do mistério da criação na Liturgia:
- na Vigília Pascal, particularmente na 1ª leitura e na respectiva oração;
- no domingo, o primeiro dia da semana, no qual celebramos tanto a criação como a “nova criação” em Cristo (cf. Carta Apostólica Dies Domini);
- em cada Missa, sobretudo na apresentação das oferendas, “frutos da terra e do trabalho humano”;
- nas Quatro Têmporas, celebrações no início das quatro estações do ano;
- nos sacramentos, particularmente no uso de elementos da criação (água, óleo...);
- na Liturgia das Horas, oração oficial da Igreja para santificar as horas do dia.

Na sequência Dom Vittorio Viola passou a apresentar o formulário da Missa pelo cuidado da criação, que conta com orações e antífonas próprias e opções de leituras à escolha.

quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2025

“A devoção ao Coração de Cristo é essencial para a nossa vida cristã...” (Encíclica Dilexit nos, n. 83).

O Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, publicado anualmente pela CNBB, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

Para saber mais confira nossas postagens sobre a história e a teologia dessa devoção.

[Atualização: Para acessar nossa postagem sobre as Missas da 1ª sexta-feira do mês para o ano de 2026, clique aqui]

Coração de Jesus: Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6)

As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos Santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês; conforme o tempo litúrgico, porém, ora deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo e com suas orações e leituras, ora é possível celebrar a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [3].

Como já fizemos nos anos anteriores, indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês deste Ano Jubilar de 2025, destacando também a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

03 de janeiro de 2025: Sexta-feira do Tempo do Natal
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (dia de semana do Tempo do Natal).

07 de fevereiro de 2025: Sexta-feira da IV semana do Tempo Comum
A Missa votiva do Sagrado Coração é sempre permitida (dia de semana do Tempo Comum).

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2024

“Meu coração comove-se no íntimo e arde de compaixão” (Os 11,8c).

O Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, publicado anualmente pela CNBB, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história e a teologia da devoção ao Sagrado Coração.

[Atualização: Para acessar nossa postagem sobre as Missas da 1ª sexta-feira do mês para o ano de 2026, clique aqui]


As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral do Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês; porém, conforme o tempo litúrgico, em algumas ocasiões deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo e com suas orações e leituras; em outras ocasiões, por sua vez, é possível celebrar a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [3].

Indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês do ano de 2024:

05 de janeiro de 2024: Sexta-feira do Tempo do Natal
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral (dia de semana do Tempo do Natal).

02 de fevereiro de 2024: Festa da Apresentação do Senhor
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida apenas com autorização do Bispo Diocesano (Festa do Senhor).

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história e a celebração da Festa da Apresentação do Senhor.

quarta-feira, 1 de novembro de 2023

Curso sobre o Missal Romano (FASBAM)

Entre os meses de agosto e outubro de 2023 a Faculdade São Basílio Magno (FASBAM) de Curitiba (PR) promoveu o curso “A terceira edição do Missal Romano: Elementos bíblicos, doutrinais e mistagógicos”, ministrado pelo Padre Antonio Eduardo Pereira Pontes Oliveira, da Diocese de Palmas-Francisco Beltrão (PR), Especialista em Liturgia pela mesma instituição.

Vale lembrar que a tradução para o português do Brasil da 3ª edição típica do Missal Romano, confirmada pelo Dicastério para o Culto Divino neste ano de 2023, entrará em vigor no próximo dia 03 de dezembro, 1º Domingo do Advento.


As dez aulas que integram o curso, ministradas às quintas-feiras, estão disponíveis no canal da FASBAM no Youtube, conforme os links abaixo. Na descrição de cada vídeo também é possível acessar alguns materiais complementares, como os slides da aula e indicações de leituras.

1. A Eucaristia na Bíblia e a Bíblia na Eucaristia
10 de agosto


2. Desenvolvimento histórico da doutrina eucarística: da Patrística ao Concílio de Trento (Missal de Pio V)
17 de agosto


3. O Movimento Litúrgico, princípios fundamentais da reforma litúrgica do Vaticano II e a Eucaristia no Magistério do Vaticano II e pós-conciliar
24 de agosto


4. Um olhar geral sobre a 3ª edição do Missal Romano e a Instrução Geral do Missal Romano (I)
31 de agosto


5. Instrução Geral do Missal Romano (II)
14 de setembro


terça-feira, 15 de agosto de 2023

Sugestão de leitura: Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário

Em 2019, quando começamos a propor uma sugestão de leitura mensal aqui em nosso blog, dentre as primeiras obras apresentadas estavam a Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR) e o Elenco das Leituras da Missa (ELM), ambos com comentários do Padre José Aldazábal (†2006), publicados pela Editora Paulinas.

Em vista da entrada em vigor da tradução da 3ª edição típica do Missal Romano neste ano de 2023, as Edições CNBB publicaram uma nova edição desses dois importantes textos, unidos às Normas Universais do Ano Litúrgico e Calendário Romano Geral (NALC). São, pois, três documentos da Igreja reunidos em um único volume.

INSTRUÇÃO GERAL SOBRE O MISSAL ROMANO
(pp. 5-103)

A 3ª edição da IGMR, promulgada em sua forma típica (em latim) pelo Papa São João Paulo II no ano 2000, já havia sido traduzida oficialmente pela CNBB em 2004, sendo aqui publicada em uma versão revista conforme a nova tradução do Missal.

Vale recordar que desde 1991 nós utilizamos no Brasil a tradução da 2ª edição típica do Missal, promulgada em 1975. A partir do dia 03 de dezembro de 2023 passará a ser obrigatória a 3ª edição, promulgada em 2002 e revista em 2008, cuja tradução oficial foi confirmada no início desse ano de 2023 pelo Dicastério para o Culto Divino.


Após a Constituição Missale Romanum do Papa São Paulo VI (1969), promulgando o Missal renovado pelo Concílio, segue-se o texto da IGMR, composto por um proêmio e nove capítulos:

Proêmio (nn. 1-15): Apresentação do documento e síntese da proposta do Concílio.

Capítulo I: Importância e dignidade da Celebração Eucarística (nn. 16-26): Síntese da teologia eucarística.

Capítulo II: Estrutura, elementos e partes da Missa (nn. 27-90): Explicação do sentido de cada parte da Missa.

Capítulo III: Funções e ministérios na Missa (nn. 91-111): Apresentação dos diversos ministérios na celebração.

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Nova tradução do Missal entrará em vigor em 2023

Durante a 60ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), que acontece junto ao Santuário Nacional de Aparecida (SP) de 19 a 28 de abril de 2023, Dom Edmar Peron, Bispo de Paranaguá (PR) e Presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, anunciou que a tradução da 3ª edição típica do Missal Romano entrará em vigor no 1º Domingo do Advento, 03 de dezembro de 2023.

Dom Edmar com o Missal durante a assembleia
(Provavelmente ainda com uma capa provisória)

No Brasil nós utilizamos atualmente a 2ª edição do Missal Romano, publicada em sua forma típica (em latim) no ano de 1975 e traduzida para o português em 1991.

A 3ª edição típica do Missale Romanum, por sua vez, foi promulgada pelo Papa São João Paulo II (†2005) em 2002, com uma versão revisada aprovada pelo Papa Bento XVI em 2008, com pequenas correções e o acréscimo de alguns santos.

O processo de tradução da 3ª edição do Missal durou cerca de 19 anos, realizado pela Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel). A tradução propriamente dita foi concluída em 2019 e aprovada na 59ª Assembleia da CNBB em 2022.

No dia 15 de dezembro de 2022 a Comissão para a Liturgia da CNBB entregou a tradução ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em Roma, o qual concedeu a confirmação (confirmatio) da tradução dos textos e o reconhecimento (recognitio) das adaptações feitas pela CNBB no dia 17 de março de 2023.


Na imagem acima, Dom Aurelio García Macías, Subsecretário do Dicastério, entrega a confirmação da tradução ao Padre Leonardo Pinheiro, Assessor da Comissão para a Liturgia da CNBB

Durante a coletiva de imprensa do dia 20 de abril (a partir de 51min), Dom Edmar informou que a tradução do Missal foi promulgada pela CNBB no último dia 25 de março. À medida que for publicado pelas Edições CNBB, seu uso é facultativo, tornando-se obrigatório para toda a Igreja no Brasil a partir do 1º Domingo do Advento, 03 de dezembro de 2023.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2023

“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, diz o Senhor” (Mt 11,29).

O Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, publicado anualmente pela CNBB, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, observando sempre as normas litúrgicas [1].

[Atualização: Para acessar nossa postagem sobre as Missas da 1ª sexta-feira do mês para o ano de 2026, clique aqui]

Mosaico do Sagrado Coração de Jesus

As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral sobre o Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

De acordo com os nn. 374-377 da Instrução Geral sobre o Missal Romano, as Missas votivas são:
Sempre permitidas: Nos dias de semana do Tempo Comum, mesmo quando ocorre uma Memória facultativa.
Permitidas, a juízo do sacerdote, se houver razão pastoral: Nas memórias obrigatórias, nos dias de semana do Advento até 16 de dezembro, nos dias de semana do Natal e da Páscoa depois da Oitava Pascal.
Permitidas apenas com a autorização do Bispo diocesano: Nas festas, nos dias 17 a 24 de dezembro, na oitava do Natal, nos dias de semana da Quaresma, nos domingos do Tempo Comum.
Sempre proibidas: Nas solenidades, nos domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa, na oitava da Páscoa, na Comemoração dos Fiéis Defuntos, na Quarta-feira de Cinzas e na Semana Santa [3].

Sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês (salvo na Sexta-feira Santa, dia em que não se celebra a Eucaristia); porém, conforme o tempo litúrgico, em algumas ocasiões deve ser celebrada a Missa do dia, com a cor do tempo ou do dia e com suas orações e leituras; em outras ocasiões, por sua vez, é possível celebrar a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus, com paramentos brancos e com suas orações próprias [4].

Indicamos a seguir como se aplica essa norma para a 1ª sexta-feira de cada mês do ano de 2023, além de destacar a própria Solenidade do Sagrado Coração de Jesus:

06 DE JANEIRO DE 2023: Sexta-feira do Tempo do Natal

A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote (dia de semana do Tempo do Natal).
Vale recordar que nesse dia se celebra em alguns lugares a Solenidade da Epifania do Senhor, que no Brasil é transferida para o domingo (este ano, no dia 08 de janeiro).

03 DE FEVEREIRO DE 2023: Sexta-feira da IV semana do Tempo Comum

sexta-feira, 16 de dezembro de 2022

Tradução do Missal entregue ao Dicastério para o Culto Divino

No dia 15 de dezembro de 2022 a Comissão para a Liturgia da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) entregou a tradução da 3ª edição típica do Missal Romano ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

A 3ª edição típica do Missale Romanum foi promulgada pelo Papa São João Paulo II (†2005) em 2002 e revista pelo Papa Bento XVI em 2008, com pequenas correções e o acréscimo de alguns santos.

No Brasil, por sua vez, nós utilizamos a 2ª edição do Missal Romano, publicada em sua forma típica (em latim) no ano de 1975 e traduzida para o português em 1991.

O processo de tradução da 3ª edição do Missal durou cerca de 19 anos, realizado pela Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel). A tradução propriamente dita foi concluída em 2019 e aprovada na Assembleia da CNBB deste ano de 2022.

O Bispo de Paranaguá (PR) e Presidente para a Comissão para a Liturgia, Dom Edmar Peron, e o Assessor, Padre Leonardo Pinheiro, entregaram ao Dicastério para o Culto Divino duas versões impressas do Missal, que foi diagramado pelas Edições CNBB.

Entrega do Missal ao Dicastério para o Culto Divino

Na imagem, da esquerda para a direita: Padre Leonardo, Dom Edmar e os três superiores do Dicastério, Cardeal Arthur Roche (Prefeito), Dom Vittorio Francesco Viola (Secretário) e Dom Aurelio García Macías (Subsecretário).

Conforme o Motu proprio Magnum Principium do Papa Francisco (2017), cabe agora ao Dicastério a confirmação (confirmatio) da tradução dos textos e o reconhecimento (recognitio) das adaptações feitas pela CNBB.

Com efeito, dentre as “adaptações” podemos incluir as orações próprias para os santos brasileiros e cinco novos Prefácios além daqueles presentes na edição típica.

Para saber mais sobre mudanças a esperar, confira nossas três postagens sobre as mudanças na 3ª edição do Missal Romano:
Parte 1: Próprio do Tempo (Ano Litúrgico)

Foi divulgado também que serão impressos no Missal a proclamação do Natal (kalenda) e o anúncio das solenidades móveis para a Epifania, ambos tradicionalmente divulgados no Diretório Litúrgico da CNBB.

Além disso, a diagramação dos textos foi pensada de modo a facilitar o uso do Missal, o qual será ilustrado com imagens da obra de Cláudio Pastro (†2016) para o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Além da tradução da 3ª edição do Missal Romano, Dom Edmar e o Padre Leonardo apresentaram ao Dicastério para o Culto Divino também a tradução brasileira do Rito de Instituição de Catequistas (De Institutione Catechistarum), a qual igualmente deve aguardar a confirmação (confirmatio) e/ou reconhecimento (recognitio) do Dicastério.

Este Ritual foi publicado em sua forma típica (em latim) em dezembro de 2021, após a publicação do Motu proprio Antiquum ministerium, com o qual o Papa Francisco institui na Igreja o ministério de Catequista.

O Papa Francisco abençoa a tradução do Missal

Informações e imagens: Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

CNBB aprova a tradução da 3ª edição do Missal

De 28 de agosto a 02 de setembro de 2022 teve lugar junto ao Santuário Nacional de Aparecida a 59ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Durante a Assembleia, os Bispos aprovaram a tradução da 3ª edição típica do Missal Romano, livro que contém todas as orações para a celebração da Missa.

Dom Edmar e Padre Leonardo Pinheiro com o Missal
(Esta é a forma típica, em latim, que serviu de base para a tradução)

No Brasil nós utilizamos desde 1991 a 2ª edição do Missal Romano, que foi publicada em sua forma típica (em latim) no ano de 1975. A 3ª edição típica do Missale Romanum, por sua vez, foi promulgada por São João Paulo II em 2002 e revista em 2008, com pequenas correções e o acréscimo de alguns santos.

Antes, na Quinta-feira Santa do ano 2000, já havia sido promulgada a Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR), isto é, a Introdução do Missal, com as orientações para a celebração da Missa. Esta Instrução foi traduzida oficialmente pela CNBB em 2004.

O processo de tradução do Missal propriamente dito, nos anos seguintes, foi realizado pela Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), presidida por Dom Joviano de Lima Júnior (2007-2011), Dom Armando Bucciol (2011-2019) e Dom Edmar Peron (desde 2019), tendo como Secretário nesses últimos anos o Padre Leonardo Pinheiro.

A tradução foi concluída em 2019 e apresentada durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB. Após um processo de revisão, na Assembleia deste ano de 2022, como indicamos acima, os Bispos aprovaram a versão final da tradução, que agora será encaminhada ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos para sua confirmação.


Durante a coletiva de imprensa na tarde da quinta-feira, 01 de setembro, Dom Edmar Peron, Presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, tomou a palavra (07-16min do vídeo), destacando a importância do Missal: nele está toda a fé da Igreja. O Bispo enfatizou que nós cremos o que celebramos e celebramos o que cremos. Portanto, o Missal é fonte de vida espiritual e de comunhão eclesial.

Dom Edmar Peron, Presidente da Comissão para a Liturgia

Seguiu-se a intervenção de Dom Armando Bucciol, que falou sobre o retiro dos Bispos na manhã da quinta-feira, e o espaço para as perguntas dos jornalistas presentes.

Interrogado sobre como valorizar as orações do Missal (26-30min), Dom Edmar frisou a importância das equipes de celebração, as quais não devem se limitar a distribuir funções, mas sim rezar, aprofundar os textos litúrgicos. Também o sacerdote que preside a celebração é chamado a “deixar-se educar” pelos textos litúrgicos, fazendo uma “leitura orante” dos mesmos, como se faz com a Palavra de Deus.

domingo, 22 de maio de 2022

A celebração do Domingo de Pentecostes

“Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai!” (cf. Sl 103,30).

A Solenidade de Pentecostes, celebrada no 50º dia após a Páscoa, conta com dois formulários para a Celebração Eucarística: a Missa da Vigília, celebrada na tarde do sábado, antes ou depois das I Vésperas (isto é, antes ou após o pôr-do-sol); e a Missa do Dia, celebrada ao longo de todo o domingo.

Para acessar nossa postagem sobre a história da Solenidade de Pentecostes, clique aqui.

Após apresentarmos a Missa da Vigília na postagem anterior, aqui nos deteremos na celebração da Missa do Dia da Solenidade de Pentecostes.

Assim como o Domingo de Páscoa, a Missa do Dia de Pentecostes não possui grandes particularidades litúrgicas, sendo celebrada com o rito da “Missa estacional”, isto é, a Missa solene, como de costume (cf. Cerimonial dos Bispos, nn. 119-170). Não obstante, destacamos a seguir alguns elementos.

Vitral do Espírito Santo
(Igreja de Cristo Rei - Ann Arbor, Michigan)

O que se deve preparar:
- Todo o necessário para a celebração da Missa
- Paramentos vermelhos para o sacerdote, como para a Missa (túnica, estola e casula)
- Círio pascal, junto ao ambão
- Turíbulo e naveta com incenso
- Cruz processional
- Dois a seis castiçais com velas
- Missal Romano
- Livro dos Evangelhos
- Caldeirinha de água benta e aspersório (se for realizada a aspersão).

Sobre o uso do candelabro de sete velas ou menorá:

No Rito Romano, só se dispõem sete velas sobre o altar ou junto dele quando quem preside a Missa é o Bispo Diocesano. Nas demais celebrações o altar é ornado com duas, quatro ou seis velas (cf. Instrução Geral sobre o Missal Romano, 3ª edição, n. 117).

O ambão, por sua vez, é ornado por duas velas apenas durante a proclamação do Evangelho, geralmente sustentadas pelos acólitos, destacando a centralidade do Evangelho dentro da Palavra de Deus (cf. Elenco das Leituras da Missa, nn. 13.17).

O candelabro com sete velas ou lamparinas, chamado “menorá” ou menorah (Ex 25,31-40; 37,17-24), simboliza na tradição judaica a sarça ardente onde o Senhor revelou-se a Moisés, enquanto suas sete chamas foram interpretadas em alusão aos “dias da criação”. Permanecia sempre aceso na Tenda da Reunião e no Templo de Jerusalém (Lv 24,1-4) como símbolo perpétuo da aliança (algo semelhante à lâmpada sempre acesa junto ao sacrário ou tabernáculo nas igrejas cristãs).

Embora a partir da Idade Média esse candelabro possa ser encontrado em algumas igrejas cristãs, no Rito Romano este sempre se situava fora do presbitério, em uma capela lateral. Assim, a “menorá” deve ser colocada sempre fora do presbitério, e acesa preferencialmente fora da Liturgia, por exemplo, em manifestações da piedade popular.

a) Ritos iniciais

A celebração inicia-se com a procissão de entrada, como de costume, acompanhada do canto de entrada, que pode ser inspirado em uma das antífonas propostas pelo Missal (p. 318): “O Espírito do Senhor encheu o universo...” (Sb 1,7) ou “O amor de Deus foi derramado...” (Rm 5,5).

O Papa Francisco asperge os fiéis
(Missa do Dia de Pentecostes 2019)

Convém substituir o Ato Penitencial pelo rito da bênção e aspersão da água, indicado para todos os domingos, sobretudo no Tempo Pascal (cf. IGMR, n. 51). Além do mais, a água é um dos símbolos do Espírito Santo.

sábado, 21 de maio de 2022

A celebração da Vigília de Pentecostes

“O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo seu Espírito que habita em nós. Aleluia!” (Rm 5,5).

A Solenidade de Pentecostes, no 50º dia após a Páscoa, conta-se entre as mais importantes celebrações do Ano Litúrgico.

Para acessar nossa postagem sobre a história da Solenidade de Pentecostes, clique aqui.

Essa Solenidade conta com dois formulários de Missa: a Missa da Vigília, a ser celebrada na tarde do sábado, antes ou depois das I Vésperas (isto é, antes ou após o pôr-do-sol), e a Missa do Dia, a ser celebrada ao longo de todo o domingo. Nesta postagem nos deteremos no rito da Vigília de Pentecostes.

“De modo semelhante à Vigília Pascal, introduziu-se em diversas igrejas o costume de começar várias solenidades com uma vigília. Entre elas se destacam a vigília do Natal do Senhor e do Pentecostes. Essa prática deverá ser mantida e incentivada, segundo os costumes próprios de cada Igreja” (Instrução Geral sobre a Liturgia das Horas, n. 71).

Altar do Espírito Santo
(Igreja de São Domingos, Londres)

1. A Missa da Vigília de Pentecostes

Das oito Solenidades que possuem uma Missa da Vigília, seis celebram-se com o rito da “Missa estacional”, isto é, com o rito da Missa solene, como de costume, sem nenhuma particularidade litúrgica [1]. A Vigília Pascal, por sua vez, possui toda a Liturgia própria, ao passo que a Vigília de Pentecostes adota uma “posição intermediária”, com duas formas à escolha:

- “forma breve”: celebra-se a “Missa estacional”, como de costume. Lê-se uma das quatro leituras do Antigo Testamento à escolha (Gn 11,1-19 ou Ex 19,3-8a.16-20b ou Ez 37,1-14 ou Jl 3,1-5), seguida do Sl 103 e das leituras do Novo Testamento (Rm 8,22-27 e Jo 7,37-39).

- “forma prolongada”: os ritos iniciais e a Liturgia da Palavra seguem uma estrutura própria, que descreveremos a seguir.

Vigília de Pentecostes: Forma prolongada

O que se deve preparar:
- Todo o necessário para a celebração da Missa
- Paramentos vermelhos para o sacerdote, como para a Missa (túnica, estola e casula)
- Círio pascal, junto ao ambão
- Turíbulo e naveta com incenso
- Cruz processional
- Dois a seis castiçais com velas
- Missal Romano
- Livro dos Evangelhos
- Caldeirinha de água benta e aspersório (se for realizada a aspersão).

Sobre o uso do candelabro de sete velas ou menorá:

No Rito Romano, só se dispõem sete velas sobre o altar ou junto dele quando quem preside a Missa é o Bispo Diocesano. Nas demais celebrações o altar é ornado com duas, quatro ou seis velas (cf. Instrução Geral sobre o Missal Romano [IGMR], 3ª edição, n. 117).

O ambão, por sua vez, é ornado por duas velas apenas durante a proclamação do Evangelho, geralmente sustentadas pelos acólitos, destacando a centralidade do Evangelho dentro da Palavra de Deus (cf. Elenco das Leituras da Missa, nn. 13.17).

Candelabro com sete lamparinas (menorá)

O candelabro com sete velas ou lamparinas, chamado “menorá” ou menorah (Ex 25,31-40; 37,17-24), simboliza na tradição judaica a sarça ardente onde o Senhor revelou-se a Moisés, enquanto suas sete chamas foram interpretadas em alusão aos “dias da criação”. Permanecia sempre aceso na Tenda da Reunião e no Templo de Jerusalém (Lv 24,1-4) como símbolo perpétuo da aliança (algo semelhante à lâmpada sempre acesa junto ao sacrário ou tabernáculo nas igrejas cristãs).

sábado, 1 de janeiro de 2022

Missas da primeira sexta-feira do mês de 2022

“Senhor Deus, revesti-nos das virtudes do Coração de vosso Filho e inflamai-nos com seu amor...”.

Como vimos em nossas postagens sobre a história e a teologia do culto ao Sagrado Coração de Jesus, a primeira sexta-feira do mês é o dia consagrado a essa devoção, em estreita relação com o mistério da Paixão do Senhor.

O Diretório da Liturgia e da organização da Igreja no Brasil, publicado anualmente pela CNBB, recorda o costume de celebrar a Missa votiva ao Sagrado Coração de Jesus na 1ª sexta-feira do mês, recordando que devem ser observadas as normas gerais sobre as Missas votivas [1].

[Atualização: Para acessar nossa postagem sobre as Missas da 1ª sexta-feira do mês para o ano de 2026, clique aqui]


As Missas votivas, com efeito, são formulários em honra do Senhor, da Virgem Maria ou dos santos que podem ser celebrados em certos dias para favorecer a devoção dos fiéis (cf. Instrução Geral sobre o Missal Romano, 3ª edição, n. 375) [2].

De acordo com os nn. 374-377 da Instrução Geral sobre o Missal Romano [3], as Missas votivas são:

Sempre permitidas: Nos dias de semana do Tempo Comum, mesmo quando ocorre uma Memória facultativa.

Permitidas, a juízo do sacerdote, se houver real necessidade ou utilidade pastoral: Nas memórias obrigatórias, nos dias de semana do Advento até 16 de dezembro, nos dias de semana do Natal e da Páscoa depois da Oitava Pascal.

Permitidas apenas com a autorização do Bispo diocesano: Nas festas, nos dias 17 a 24 de dezembro, na oitava do Natal, nos dias de semana da Quaresma, nos domingos do Tempo Comum.

Sempre proibidas: Nas solenidades, nos domingos do Advento, da Quaresma e da Páscoa, na oitava da Páscoa, na Comemoração dos Fiéis Defuntos, na Quarta-feira de Cinzas e na Semana Santa [3].

Ou seja, sempre é possível celebrar a Missa em honra do Sagrado Coração na 1ª sexta-feira do mês: porém, conforme o tempo litúrgico, em algumas ocasiões se celebra a Missa do dia, e em outras ocasiões é possível celebrar a Missa votiva do Sagrado Coração de Jesus [4], com paramentos brancos.

Indicamos a seguir como se aplica essa normativa para a 1ª sexta-feira de cada mês do ano de 2022, assim como falamos sobre a própria Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, uma festa móvel cuja data está em relação à Páscoa, e que este cai no dia 24 de junho.

07 de janeiro de 2022: Sexta-feira após a Epifania
A Missa votiva do Sagrado Coração é permitida, a juízo do sacerdote (dia de semana do Tempo do Natal).
Pode celebrar-se também a memória facultativa de São Raimundo de Penyafort, Presbítero.

04 de fevereiro de 2022: Sexta-feira da IV semana do Tempo Comum
A Missa votiva do Sagrado Coração é sempre permitida (dia de semana do Tempo Comum)

domingo, 5 de setembro de 2021

Congresso Eucarístico 2021: Eucaristia, fonte e ápice da vida eclesial

De 05 a 12 de setembro de 2021 acontece em Budapeste (Hungria) o 52º Congresso Eucarístico Internacional, inicialmente programado para 2020 e adiado devido à pandemia de Covid-19.

Em nossas últimas postagens, após um breve histórico dos Congressos, começamos a apresentar o texto-base do Congresso, divulgado pelo Pontifício Comitê para os Congressos Eucarísticos Internacionais, com reflexões teológicas e pastorais ao redor do tema: “‘Todas as minhas fontes estão em ti’ (Sl 86/87,7): A Eucaristia: fonte da vida e da missão cristã”.

Após o capítulo 2, com os fundamentos bíblicos do tema, e os capítulos 3 e 4, sobre a Eucaristia do Novo Testamento até o Concílio Vaticano II, segue o capítulo 5, sobre “A celebração da Eucaristia, fonte e ápice da vida eclesial”.

Missal Romano: o livro da Celebração Eucarística

A celebração da Eucaristia, fonte e ápice da vida eclesial

A estrutura celebrativa da Eucaristia é apresentada assim pela Instrução Geral do Missal Romano: “A Missa consta, por assim dizer, de duas partes, a saber: a Liturgia da Palavra e a Liturgia Eucarística, tão intimamente unidas entre si que constituem um só ato de culto. De fato, na Missa se prepara tanto a mesa da Palavra de Deus como a do Corpo de Cristo, para ensinar e alimentar os fiéis. Há também alguns ritos que abrem e encerram a celebração” [1].
A Missa é constituída por uma dupla mesa [2] enquadrada por alguns momentos rituais menores e todavia necessários ao equilíbrio de toda a celebração. Tudo isto chegou até nós a partir de uma rica e secular tradição de fé que a reforma litúrgica promovida pelo Concílio Vaticano II, ponderou atentamente, a fim de conduzir os fiéis “à participação consciente, ativa e plena do corpo e do espírito [exterior e interior], animada pelo fervor da fé, da esperança e da caridade. Esta é a participação ardentemente desejada pela Igreja e exigida pela própria natureza da celebração” [3].
Por isso o rito litúrgico, celebrado na fidelidade da Igreja ao mandato do seu Senhor (“Fazei isto em memória de mim”), é o fruto permanente e vital da obra de evangelização realizada por Jesus Cristo e por Ele confiada aos Apóstolos e aos seus sucessores. Recordam-no os Atos dos Apóstolos no resumo dedicado à vida da comunidade apostólica (At 2,42.46-47). O Apóstolo Paulo recorda-o no seu testemunho aos habitantes de Corinto (1Cor 11,23). Deixa-o entrever o evangelista Lucas na história dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35) onde a experiência pascal do Senhor Ressuscitado se apresenta com os traços característicos de uma Liturgia Eucarística dominical.
O gesto litúrgico da celebração é o anúncio da Páscoa de Cristo e da sua segunda vinda; a fonte da vida, da fé e da missão; a escola comunitária e popular da comunhão; o impulso dinâmico para a evangelização. Para descobrir seus tesouros, percorramos de novo o itinerário ritual de cada Celebração Eucarística com o método da mistagogia [4].

1. A Celebração Eucarística, fonte da vida cristã

a) Os ritos iniciais

“Reunido o povo...” [5]. As palavras da Instrução Geral do Missal Romano são essenciais para compreender o que constitui a Celebração Eucarística. A assembleia do povo de Deus é a primeira realidade sacramental da Missa. Esta convocação eclesial, para além do seu concreto constituir-se, e das preocupações de cada um é, na realidade, uma convocação divina. O que nem sempre é claro na mente dos fiéis e dos pastores, porque às motivações de fé se misturam outras motivações. Os ritos iniciais têm a finalidade de mediar entre as intenções dos sujeitos convocados a celebrar e as exigências da própria celebração.
Os ritos iniciais (procissão e canto de entrada, sinal da cruz, saudação da assembleia pelo presidente, monição introdutória, ato penitencial, Glória e coleta) [6], enquanto estabelecem a comunicação entre Deus e o seu povo, e dos fiéis entre si, desdobram todo o seu potencial em ordem à evangelização da mente e do coração dos fiéis.
A veneração do altar pelo presidente e o sinal da cruz evidenciam a qualidade sacramental do altar e da assembleia. A saudação com a fórmula breve “O Senhor esteja convosco” ou com outras fórmulas, manifesta ao mesmo tempo a presença de Cristo Ressuscitado no meio dos seus e o mistério da Igreja reunida. As diversas fórmulas do ato penitencial são dirigidas a Deus ou a Cristo para pedir o perdão dos pecados e são um chamamento à conversão mais que uma culpabilização. Depois do hino do Glória, o sacerdote, dizendo “Oremos”, convida a um momento de oração silenciosa antes de dizer a oração que recolhe numa formulação eclesial a oração da assembleia. O “Amém” que conclui a oração proclama a fé na bondade de Deus, que escutará a invocação do seu povo.
Com os ritos iniciais, os fiéis constituem a “assembleia santa” e recebem aqui a boa notícia de que “tendo sido regenerados, não de uma semente corruptível, mas de uma incorruptível, para a glória de Deus vivo, não da carne mas da água e do Espírito Santo, constituem ‘uma geração eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido... Aquele que antes nem sequer era um povo, mas agora é o povo de Deus’” [7].

Liturgia da Palavra: O Papa abençoa com o Evangeliário húngaro
(Para saber mais, clique aqui)

b) A Liturgia da Palavra

A convocação eucarística chega, então, à mesa da Palavra, onde a proclamação das Escrituras se torna encontro de graça com o Senhor Ressuscitado [8]. Enquanto se escuta a Palavra proclamada na assembleia litúrgica, a celebração em ato é inserida na lógica da história da salvação, faz-se a experiência eclesial da Revelação divina, e entramos na escola do Senhor Jesus, o único e verdadeiro Mestre.

sexta-feira, 16 de julho de 2021

Carta do Papa Francisco sobre o Motu Proprio Traditionis custodes

Na manhã de hoje, 16 de julho de 2021, o Papa Francisco promulgou a Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio Traditionis custodes (Guardiões da tradição), sobre o uso da Liturgia Romana anterior à Reforma de 1970.

Em anexo, Francisco enviou uma Carta aos Bispos de todo mundo para apresentar as razões que o levaram a promulgar o Motu Proprio.

Segue a Carta na íntegra, em uma tradução livre nossa:

Papa Francisco
Carta aos Bispos de todo o mundo para apresentar o Motu Proprio Traditionis custodes sobre o uso da Liturgia Romana anterior à Reforma de 1970
Roma, 16 de julho de 2021

Caros Irmãos no Episcopado,

Como já o meu Predecessor Bento XVI fez com Summorum Pontificum, também eu desejo acompanhar o Motu Proprio Traditionis custodes com uma Carta, para ilustrar os motivos que me levaram a esta decisão. Me dirijo a Vós com confiança e coragem, em nome daquela condivisão na “solicitude por toda a Igreja, que sumamente contribui para o bem da Igreja universal”, como nos recorda o Concílio Vaticano II [1].

São evidentes a todos os motivos que levaram São João Paulo II e Bento XVI a concederem a possibilidade de usar o Missal Romano promulgado por São Pio V, editado por São João XXIII em 1962, para a celebração do Sacrifício Eucarístico. A faculdade, concedida com indulto da Congregação para o Culto Divino em 1984 [2] e confirmada por São João Paulo II no Motu Proprio Ecclesia Dei de 1988 [3], era sobretudo motivada pela vontade de favorecer a recomposição do cisma com o movimento guiado por Dom [Marcel] Lefebvre. O pedido, dirigido aos Bispos, de acolher com generosidade as “justas aspirações” dos fiéis que pediam o uso daquele Missal, tinha portanto uma razão eclesial de recomposição da unidade da Igreja.


Aquela faculdade foi interpretada por muitos dentro da Igreja como a possibilidade de usar livremente o Missal Romano promulgado por São Pio V, determinando um uso paralelo ao Missal Romano promulgado por São Paulo VI. Para regular tal situação, Bento XVI interveio sobre a questão muitos anos depois, regulando um fato dentro da Igreja: muitos sacerdotes e muitas comunidades haviam “utilizado com gratidão a possibilidade oferecida pelo Motu Proprio” de São João Paulo II. Destacando como este desenvolvimento não era previsível em 1988, o Motu Proprio Summorum Pontificum de 2007 quis apresentar “um regulamento jurídico mais claro” sobre esta questão [4]. Para favorecer o acesso a quantos - também jovens - “descobrem esta forma litúrgica, sentem-se atraídas por ela e nela encontram uma forma, que lhes resulta particularmente apropriada, de encontro com o Mistério da Santíssima Eucaristia” [5], Bento XVI declarou “o Missal promulgado pro São Pio V e novamente editado pelo Beato João XXIII como expressão extraordinária da mesma lex orandi”, concedendo uma “mais ampla possibilidade de uso do Missal de 1962” [6].

Motu Proprio Traditionis custodes

Na manhã de hoje, 16 de julho de 2021, o Papa Francisco promulgou a Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio Traditionis custodes (Guardiões da tradição), sobre o uso da Liturgia Romana anterior à Reforma de 1970.

Com este documento, fica claro que os livros litúrgicos promulgados após o Concílio Vaticano II são a única expressão da lex orandi do Rito Romano. A responsabilidade de permitir a celebração segundo o Missale Romanum de 1962, portanto, fica a cargo do Bispo Diocesano, observadas as normas estabelecidas pelo novo Motu Proprio.

Segue o documento na íntegra (em uma tradução livre nossa):

Papa Francisco
Carta Apostólica sob a forma de Motu Proprio Traditionis custodes
Sobre o uso da Liturgia Romana anterior à Reforma de 1970

Guardiões da tradição, os Bispos, em comunhão com o Bispo de Roma, constituem o princípio visível e o fundamento da unidade nas suas Igrejas Particulares [1]. Sob a guia do Espírito Santo, mediante o anúncio do Evangelho e por meio da celebração da Eucaristia, eles regem as Igrejas Particulares a eles confiadas [2].

Para promover a concórdia e a unidade da Igreja, com paterna solicitude por aqueles que em algumas regiões aderiram às formas litúrgicas precedentes à reforma desejada pelo Concílio Vaticano II, os meus Venerados Predecessores, São João Paulo II e Bento XVI, concederam e regularam a faculdade de utilizar o Missal Romano editado por São João XXIII no ano de 1962 [3]. Deste modo buscaram “facilitar a comunhão eclesial àqueles católicos que se sentem vinculados a algumas formas litúrgicas precedentes” e não a outros [4].

No sulco da iniciativa do meu Venerado Predecessor Bento XVI de convidar os Bispos a uma verificação da aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum a três anos da sua publicação, a Congregação para a Doutrina da Fé realizou uma ampla consulta aos Bispos em 2020, cujos resultados foram ponderadamente considerados à luz da experiência amadurecida nestes anos.

O Missal promulgado após o Concílio Vaticano II:
expressão da lex orandi do Rito Romano

Agora, considerados os desejos formulados pelo Episcopado e ouvido o parecer da Congregação para a Doutrina da Fé, desejo, com esta Carta Apostólica, prosseguir ainda mais na constante busca da comunhão eclesial. Portanto, considerei oportuno estabelecer quanto segue:

Art. 1. Os livros litúrgicos promulgados pelos Santos Pontífices Paulo VI e João Paulo II, em conformidade com os decretos do Concílio Vaticano II, são a única expressão da lex orandi do Rito Romano.

Art. 2. Ao Bispo Diocesano, como moderador, promotor e guardião de toda a vida litúrgica na Igreja Particular a ele confiada [5], cabe regular as celebrações litúrgicas na própria Diocese [6]. Portanto, é sua competência exclusiva autorizar o uso do Missale Romanum de 1962 na Diocese, seguindo as orientações da Sé Apostólica.

terça-feira, 6 de abril de 2021

Missas votivas da Terra Santa (11): Cenáculo e Emaús

Na postagem anterior da nossa série sobre as Missas votivas dos Santuários da Terra Santa, confluíram na Basílica do Santo Sepulcro dois grupos de igrejas: aquelas ligadas à Paixão do Senhor e aquelas ligadas à sua Ressurreição.

Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade a esta proposta apresentando os demais santuários ligados ao mistério da Ressurreição do Senhor: o Cenáculo e Emaús, além de alguns outros santuários que não possuem Missas próprias.

Dessas Missas, como de costume, apresentaremos a “oração do lugar”, as indicações de leituras e do prefácio, além de algumas adaptações dignas de nota.

1. JERUSALÉM

1b. Cenáculo / Igreja do Santíssimo Salvador

Ainda em Jerusalém, após falar da Basílica do Santo Sepulcro, nosso olhar se volta para o Cenáculo (em latim Coenaculum, “lugar da Ceia”). Este local está associado a quatro eventos do Evangelho: a Última Ceia (Mt 26,17-35 e paralelos), o encontro do Ressuscitado com os Apóstolos (Jo 20,19-28), a oração destes com Maria entre a Ascensão e o Pentecostes (At 1,12-14) e a efusão do Espírito Santo (At 2,1-11).

A “sala superior” da casa (Mc 14,15) tornou-se logo um lugar de reunião da Igreja nascente. No século IV foi construída junto ao Cenáculo uma grande igreja, chamada de “Santa Sião”, em referência ao local, o monte Sião. A igreja foi destruída e reconstruída sucessivas vezes ao longo dos séculos, mas a “sala superior” sobreviveu.

O Cenáculo em Jerusalém

No século XII, durante as Cruzadas, começou a difundir-se a ideia de que a “sala inferior”, sob o Cenáculo, era o local da tumba do rei Davi (talvez por um erro de interpretação do discurso de Pedro em At 2,29). Foi então colocado no local um cenotáfio, isto é, um túmulo memorial, que está vazio. Esta localização é inverossímil, dado que no tempo de Jesus o local era uma casa.

Como vimos na primeira postagem desta série, quando a Custódia Franciscana da Terra Santa foi instituída em 1342, sua sede era justamente no Cenáculo. Porém, em 1552 os muçulmanos expulsaram os franciscanos do local e o transformaram em uma mesquita. Posteriormente o Cenáculo passou ao controle dos judeus, uma vez que a tradição que identificava o local como a tumba de Davi havia se espalhado.

Assim, com a proibição de celebrar Missas no local, que se mantém até hoje [1], a sede da Custódia foi transferida para a igreja do Santíssimo Salvador, próxima ao Santo Sepulcro, construída em 1559 e ampliada em 1885.

Altar da igreja do Santíssimo Salvador - Jerusalém

terça-feira, 30 de março de 2021

Missas votivas da Terra Santa (10): Santo Sepulcro

Em nossa série sobre as Missas votivas dos Santuários da Terra Santa chegamos àquela que é o coração do Cristianismo: a Basílica do Santo Sepulcro (chamada pelos gregos de “igreja da Ressurreição”, Anástasis), uma das três grandes igrejas da Terra Santa, junto com as Basílicas da Anunciação e da Natividade.

Nesta postagem confluem dois blocos de santuários: aqueles ligados à Paixão do Senhor (sobre os quais já tratamos nas duas últimas postagens) e aqueles ligados à sua Ressurreição. Com efeito, as duas dimensões do Mistério Pascal são inseparáveis, como demonstra sua localização dentro da mesma Basílica.

Aqui, porém, dividiremos a Basílica em “Calvário” e “Sepulcro”, uma vez que possuem Missas votivas distintas. Destas apresentaremos a “oração do lugar”, as indicações de leituras e do prefácio, além de algumas adaptações dignas de nota. Antes, porém, é necessário traçar um breve histórico da Basílica:

Entrada da Basílica do Santo Sepulcro - Jerusalém

No século IV, a mãe do imperador Constantino, Santa Helena, peregrina à Terra Santa e, ajudada pelo Bispo de Jerusalém, São Macário, encontra as supostas relíquias da verdadeira cruz, mandando erigir duas igrejas no local. Estas foram dedicadas em 13 de setembro de 335. Como testemunha a peregrina Etéria, uma igreja foi construída junto ao Calvário, o Martyrium, e outra sobre o Sepulcro, a Anástasis, embora as duas integrassem o mesmo complexo.

No século seguinte as igrejas sofreriam com sucessivos ataques e desastres naturais (terremotos, incêndios), até serem destruídas pelos muçulmanos em 1009. Os cruzados só retomariam o Santo Sepulcro 90 anos depois.

No local foi edificada a atual Basílica, unificando sob uma mesma igreja o Calvário e o Sepulcro, dedicada em 15 de julho de 1149. Na ocasião foi gravada a inscrição: “Este lugar santo foi santificado pelo Sangue de Cristo, por isso a nossa consagração não acrescenta nada a sua santidade”.

Cruz sobre um dos domos da Basílica

Atualmente o Santo Sepulcro, como a Basílica da Natividade, é compartilhado pelas igrejas Católica Romana (representada pelos franciscanos da Custódia), Ortodoxa Bizantina e Ortodoxa Armênia. Alguns lugares são de uso comum, enquanto outros são próprios de uma igreja, como indicaremos na sequência. Também os ortodoxos coptas, etíopes e siríacos possuem altares dentro da Basílica.

III. Santuários ligados ao mistério da Paixão:

2. JERUSALÉM

2e. Basílica do Santo Sepulcro: Calvário

Sobre o local onde a tradição coloca o Calvário existem duas capelas: a da esquerda, sob a responsabilidade dos ortodoxos bizantinos, marca o local onde a cruz teria sido plantada (12ª estação da Via Sacra); a da direita, sob os cuidados dos católicos romanos, seria o local onde a cruz foi colocada no chão para que Jesus fosse pregado (11ª estação da Via Sacra).

Capela ortodoxa do Calvário

terça-feira, 23 de março de 2021

Missas votivas da Terra Santa (9): Gallicantu, Flagelação e Condenação

Em nossa postagem anterior da série sobre as Missas votivas dos Santuários da Terra Santa, começamos a apresentar as “Missas votivas do lugar” das igrejas ligadas à Paixão do Senhor: Betfagé e os santuários junto ao Monte das Oliveiras, em Jerusalém (Dominus Flevit e Basílica da Agonia).

Aqui prosseguiremos com os santuários da Paixão em Jerusalém, falando sobre as igrejas de São Pedro in Gallicantu, da Flagelação e da Condenação.

Como temos feito em todas as postagens desta série, apresentaremos a “oração do lugar”, as indicações de leituras e do prefácio de cada celebração, além de algumas adaptações mais dignas de nota.

2. JERUSALÉM

2c. Santuário de São Pedro in Gallicantu

Na encosta do Monte Sião, próximo ao Cenáculo, encontra-se a igreja de São Pedro in Gallicantu (latim para “canto do galo”). Esta igreja marca o local onde, segundo a tradição, Jesus foi interrogado pelo Sinédrio (Mt 26,57-68 e paralelos) e Pedro o negou três vezes (Mt 26,69-75 e paral.).

Uma capela recordando a negação de Pedro e seu arrependimento (Mt 26,75 e paral.) foi construída no local durante o século V, sendo destruída pelos muçulmanos no início do século XI. No século seguinte os cruzados reconstruiriam a igreja, mas esta se deteriorou após o fim do reino cristão de Jerusalém.

Santuário de São Pedro in Gallicantu - Jerusalém

A igreja atual foi construída em 1931, sob os cuidados da Congregação dos Agostinianos da Assunção (assuncionistas), de origem francesa. Como está construído na encosta de um monte, o templo possui três níveis: a capela superior, dedicada ao interrogatório de Jesus pelo Sinédrio; a capela do nível médio, recordando o arrependimento de Pedro após negar Jesus; e o nível inferior, composto por antigas grutas onde, segundo a tradição, Jesus passou a noite preso antes de ser levado a Pilatos.

Na parte externa da igreja há uma escadaria de pedras conhecida como a “escada santa”, pois teria sido o caminho que Jesus fez com os Apóstolos após a Ceia até o Getsêmani e o caminho por onde foi conduzido preso até o sumo-sacerdote.

Embora não esteja confiada à Custódia Franciscana da Terra Santa, esta igreja possui um Missal votivo (embora este não tenha sido divulgado em latim, apenas nas outras línguas), com três formulários de Missa. Destaque para os dois primeiros que, como veremos a seguir, possuem até mesmo um prefácio e uma bênção próprios.

Capela superior

Missa votiva do pranto de São Pedro
A primeira Missa votiva do lugar celebra o pranto de São Pedro (“De Sancti Petri fletu”), que expressa seu arrependimento após negar Jesus (Lc 22,61-62). As orações e leituras desta Missa são específicos desta igreja, sem paralelo no Missal Romano, como podemos ver a seguir.