segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Ângelus: XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 13 de setembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje o Evangelho (Mt 18,21-35) nos fala de um valor fundamental da vida cristã: o perdão. Jesus o ensinou e testemunhou até a cruz, onde rezou ao Pai pelos seus perseguidores com as palavras que todos conhecemos: «Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!» (Lc 23,34).

Na passagem de hoje, Pedro questiona o Mestre precisamente sobre este tema: «Senhor - pergunta ele -, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? Até sete vezes?» (Mt 18,21). Suas palavras revelam um coração generoso: com efeito, o número sete na Bíblia simboliza a plenitude, e “perdoar sete vezes” significa perdoar com grande generosidade. A resposta de Jesus, porém, vai além: «Não te digo até sete vezes - afirma Ele -, mas até setenta vezes sete» (v. 22), ou seja, além de qualquer limite, sem medida.

E para esclarecer melhor o seu pensamento, o Salvador conta a parábola de um servo que tinha uma dívida tão grande para com o seu senhor que era praticamente impossível de saldar. Tendo obtido a remissão por pura misericórdia, não tinha demonstrado, no entanto, a mesma piedade para com um dos seus companheiros e, por isso, foi repreendido e severamente castigado (vv. 23-30).

Com essas palavras Jesus nos lembra que a dádiva e o perdão estão na base da nossa existência. Tudo nos é dado por Deus em um ato de puro amor, e nenhum de nós pode dizer-se perfeito na forma como responde a tanta bondade. Por isso, a gratuidade - que é a fonte da nossa própria vida - é também a melhor regra para a nossa convivência. Experimentamos isso todos os dias. O perdão é indispensável e, se faltar, não se pode viver em paz: mais cedo ou mais tarde, no coração e entre as pessoas, surgem conflitos, acusações, rancores e vinganças que destroem as relações, dividem as famílias e desencadeiam guerras.

Só o perdão liberta e traz de volta a luz, mesmo ali onde a pobreza material e moral do homem, por um momento, tornou o horizonte sombrio e o caminho incerto. O perdão, como um vento favorável, afasta até as nuvens mais densas, até que o sol volte a brilhar. O próprio São Pedro o experimentou várias vezes na sua vida; em particular quando, depois de ter negado e abandonado Jesus durante a Paixão, ao encontrá-lo ressuscitado, às margens do lago, ouviu ser dirigida a ele uma única pergunta: «Simão, tu me amas?» (Jo 21,15-17), acompanhada de um convite: «Segue-me!» (v. 19). Tal como no início, no dia do seu primeiro encontro, como se quase nada tivesse acontecido. E esta caridade, que esquece e cura, marcará, para o primeiro dos Apóstolos, a confirmação da sua missão.

Peçamos então à Virgem Maria, Mãe da Misericórdia, que nos ajude a perdoar sempre, mesmo quando é difícil dar o primeiro passo, e a difundir, com coragem e perseverança, a luz serena e curativa do amor que vence o ódio e desarma todo o rancor.

Jesus e Pedro às margens do Lago
(Raúl Berzosa Fernández, detalhe)

Fonte: Santa Sé.

sábado, 19 de setembro de 2026

Vésperas da Santa Cruz em Milão (2026)

Na tarde do sábado, 12 de setembro de 2026, o Arcebispo de Milão (Itália), Dom Mario Enrico Delpini, presidiu a oração das Vésperas em honra Santa Cruz com o tradicional “Rito da Nivola” na Catedral Metropolitana da Natividade da Virgem Maria, o Duomo de Milão.

Esta celebração abre o Tríduo do “Santo Chiodo (Santo Cravo), a suposta relíquia de um dos cravos da Paixão exposta em um artístico relicário em forma de cruz.

O “Rito da Nivola” tem lugar no sábado mais próximo à Festa da Exaltação da Santa Cruz: durante as Vésperas (oração da tarde da Liturgia das Horas) a relíquia é transladada do alto da abside até o presbitério em um “andor” em forma de nuvem (nivola).

O Santo Chiodo fica exposto até segunda-feira, quando é novamente guardado no alto da abside do Duomo.

Procissão de entrada
Transladação do Santo Chiodo



sexta-feira, 18 de setembro de 2026

Festa da Natividade de Maria em Kiev (2026)

Na Catedral Patriarcal da Ressurreição em Kiev (Ucrânia) a Divina Liturgia (Rito Bizantino) da Festa da Natividade da Virgem Maria foi celebrada pelo Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), no dia 08 de setembro de 2026:

O Arcebispo abençoa com o dikirion e o trikirion
Incensação
Evangelho
Homilia
Grande Entrada

Festa da Natividade de Maria em Cracóvia (2026)

O Arcebispo de Cracóvia (Polônia), Cardeal Grzegorz Ryś, celebrou no dia 08 de setembro de 2026 a Missa da Festa da Natividade de Maria na Basílica da Visitação da Bem-aventurada Virgem Maria no bairro de Piasek em Cracóvia.

A igreja, confiada à Ordem dos Carmelitas, conserva o ícone da Mãe de Deus de Piasek (Matka Boża Piaskowa), realizado entre os séculos XV e XVI, a primeira imagem mariana de Cracóvia a receber a coroação pontifícia (08 de setembro de 1893, no pontificado de Leão XIII).

No final da Missa, como de costume na Polônia nas festas dos padroeiros e em algumas solenidades, teve lugar a Procissão Eucarística ao redor da igreja (mais especificamente através do claustro do convento carmelita junto à Basílica).

Procissão de entrada

Veneração da imagem
Mãe de Deus de Piasek
Incensação

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Natividade de Maria: Jerusalém e Milão (2026)

Nesta postagem destacamos as celebrações da Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria no dia 08 de setembro de 2026 em Jerusalém e em Milão (Itália):

Em Jerusalém a Missa da Festa foi celebrada pelo Padre Stéphane Milovitch, da Custódia Franciscana da Terra Santa, na igreja de Santa Ana, junto à Piscina de Betesda. Para saber mais sobre essa igreja, clique aqui.

Evangelho
Homilia
Oração Eucarística

Incensação do ícone da Festa na cripta da igreja

Em Milão, por sua vez, a Missa em Rito Ambrosiano foi celebrada pelo Arcebispo, Dom Mario Enrico Delpini, na Catedral Metropolitana da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria. “Santa Maria Nascente”, com efeito, é a titular do Duomo de Milão.

Durante a celebração, como de costume, teve lugar o Rito de Admissão às Ordens Sacras. Na ocasião foram admitidos cinco candidatos ao Presbiterado e um candidato ao Diaconato Permanente:

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Missa do Papa no Santuário de Genazzano

Na tarde da segunda-feira, 07 de setembro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria [1] no Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho em Genazzano (Itália).

O Papa já havia visitado o Santuário de Genazzano no dia 10 de maio de 2025, logo após sua eleição. Nesta ocasião, com efeito, foi inaugurada uma pintura representando essa visita. Leão XIV, ademais, presenteou o Santuário com a rosa de ouro [2].

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Oração diante da imagem da Mãe do Bom Conselho
Oferta da rosa de ouro
Procissão de entrada

Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa no Santuário de Genazzano

Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Leão XIV
Santuário da Mãe do Bom Conselho (Genazzano)
Segunda-feira, 07 de setembro de 2026

Amados irmãos e irmãs,
Como vos recordareis, já «nos primeiros dias do meu pontificado senti o dever e um profundo desejo de me aproximar de Genazzano, do Santuário de Nossa Senhora do Bom Conselho, que ao longo de toda a minha vida me acompanhou com a sua presença maternal, com a sua sabedoria e com o exemplo do seu amor pelo Filho, que é sempre o centro da minha fé» (Dedicatória no livro de assinaturas do Santuário, 10 de maio de 2025). É com alegria que estou novamente aqui, para celebrar convosco a Vigília da Natividade da Santíssima Virgem e para confiar à Menina Maria aquilo que ainda nasce nesta pobre e magnífica humanidade: frágil como um rebento, mas sinal da fidelidade de Deus. Sim, Maria é a aurora de um dia diferente, do nosso mundo finalmente libertado do mal. E estamos aqui, diante dela, ao redor do Altar de onde a salvação chega até nós e nos transforma, filhos no Filho. Peçamos-lhe o seu Bom Conselho, para acolher a Palavra divina, para conservá-la em nós e para trazê-la à luz através de decisões corajosas e sábias, decisões de autêntica conversão.


Caríssimos, neste lugar de antiga presença agostiniana, voltarei às páginas bíblicas que acabaram de ser proclamadas, com a ajuda de Santo Tomás de Vilanova, um frade e Bispo agostiniano que, dedicando a própria vida ao serviço dos pobres, penetrou profundamente na verdade da fé. Ele soube ver o paradoxo da pequenez e, por assim dizer, da marginalidade de Maria, que se tornou fulcral na economia da salvação. Perguntemo-nos: o que devia ser, na época de Joaquim e Ana, o nascimento de uma menina? Santo Tomás esclarece: «Refleti muitas vezes e perguntei-me por que motivo os evangelistas, que falaram tanto de São João Batista e dos Apóstolos, nos narram de modo tão sucinto a história da Virgem Maria, que supera todos pela sua vicissitude e estatura pessoal. Por que razão, questiono-me, não nos foi descrito o modo da sua concepção, do seu nascimento, da sua educação, dos seus hábitos, das virtudes que a adornavam, que tipo de relação humana mantinha com o seu Filho, como se relacionava com ele, como viveu com os Apóstolos após a sua Ascensão? Todas estas coisas eram importantes e os fiéis as teriam lido com singular devoção e teriam sido do agrado do povo. Ó evangelistas, dirijo-me a vós! Por que nos privastes de uma alegria tão grande com o vosso silêncio? Por que omitistes detalhes tão jubilosos, tão esperados, tão agradáveis?» (Obras completas VII, 266, 8).

sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Ângelus: XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 06 de setembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
A Palavra de Deus proclamada na Liturgia deste domingo nos oferece alguns critérios fundamentais de pensamento e ação. Lemos na Carta aos Romanos que todos os mandamentos estão resumidos em uma só frase: «Amarás a teu próximo como a ti mesmo» (Rm 13,9). São Paulo insiste neste ponto com uma imagem muito forte, presente também no “Pai nosso”. Ele escreve: «Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo» (v. 8).

Jesus nos ensinou a suplicar e a praticar a remissão das dívidas. Existe, porém, um patrimônio que devemos uns aos outros, sem ficarmos presos a ele: é a dívida do amor mútuo. Toda a atenção, cuidado e bem que recebemos nos tornam mais livres e capazes de assumir responsabilidades.

No Evangelho deste domingo (Mt 18,15-20) Jesus sugere a cada comunidade cristã pelo menos duas maneiras de exercer o amor mútuo. A primeira é estarmos abertos à correção fraterna. É uma arte delicada e, muitas vezes, esquecida, que exige franqueza e gradualidade. Falar uns com os outros com sinceridade - primeiro a sós; depois, se necessário, com mais duas ou três pessoas; e, por fim, quando for preciso, com toda a comunidade - significa enfrentar a realidade e transformar problemas e conflitos em oportunidades de crescimento. As queixas e as calúnias são mais fáceis, mas não produzem nada e paralisam muitas situações. O Evangelho, pelo contrário, nos educa para a liberdade, na caridade.

Há ainda uma segunda forma de amar fraternalmente, que, para Jesus, molda até mesmo a oração: chegar a um acordo. Não apenas quando existe um conflito, mas para pedir a Deus uma graça. O Senhor diz: «Se dois de vós estiverem de acordo na terra sobre qualquer coisa que quiserem pedir, isso lhes será concedido por meu Pai que está nos céus» (v. 19). Esta promessa sugere que podemos ter desejos comuns, dores comuns, esperanças comuns e, através da oração, crescer na unidade. Sem fé, cada um poderia sentir-se sozinho e desconfiar dos outros, vendo-os como estranhos e inimigos. Pela graça, ao contrário, somos irmãos e irmãs que podem estar unidos: encontrando-nos, perdoando-nos e ouvindo-nos uns aos outros no Senhor.

Peçamos a Maria, que após o anúncio do anjo se apressou a ir ter com a sua prima Isabel, para partilhar a alegria e o cansaço da gravidez, que também nos ensine a dívida alegre do amor fraterno.

Ícone copta da amizade:
Exortação ao “amor mútuo” (Rm 13,8)

Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Missa pelo cuidado da criação em Castel Gandolfo (2026)

Na tarde da terça-feira, 01 de setembro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa pelo cuidado da criação nos jardins do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, no espaço denominado Borgo Laudato si’, por ocasião do XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.

O Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, celebrou a Missa pelo cuidado da criação, com suas orações e leituras, endossando os paramentos da cor do Tempo Comum.

Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra
Evangelho

Homilia do Papa: Missa pelo cuidado da criação (2026)

Santa Missa pelo cuidado da criação
Homilia do Papa Leão XIV
Borgo Laudato si’ (Castel Gandolfo)
Terça-feira, 01 de setembro de 2026

Leituras: Sb 13,1-9; Sl 18; Mt 6,24-34.

Queridos irmãos e irmãs,
Nas leituras escolhidas para a Liturgia de hoje, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, nos são dirigidos dois convites à contemplação das obras do Senhor, exercício que certamente não é difícil no contexto destes maravilhosos jardins.

O Livro da Sabedoria nos exorta a contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu Artífice (cf. Sb 13,1-9). É superficial limitar-se à contemplação do fogo, do vento, da água impetuosa ou das estrelas do céu sem recordar o Criador de tantas maravilhas.

O Salmo 18 nos incentiva a elevar o olhar para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que anuncia a obra de suas mãos. Toda a criação nos fala da grandeza do Criador, desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério.


Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6,24-34) nos convida à contemplação da criação, destacando o amor especial do Senhor pelo ser humano. Admirar com assombro as aves do céu e os lírios do campo, preciosos aos olhos do Criador, nos leva a compreender quão grande é o amor de Deus por nós. Com efeito, se o Senhor não deixa de conferir uma beleza suntuosa e de prover o necessário às plantas e aos animais, quanto mais atento estará às necessidades dos seus amados filhos e filhas!

Esta tarde, ao aceitarmos o convite para fazer uma pausa e refletir diante das obras de Deus, damos início ao “Tempo da Criação”, um período de cinco semanas dedicado à oração e ao empenho no cuidado da “casa comum”. Portanto, neste Dia Mundial de Oração e nos dias que se seguem, reservemos alguns minutos de pausa na agitação das atividades quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte. Coloquemos em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.

sábado, 5 de setembro de 2026

Ângelus: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 30 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Hoje o Evangelho (Mt 16,21-27) nos fala de Jesus que revela aos discípulos o Mistério da sua Páscoa iminente: o Messias deverá «ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia» (v. 21).

O que Ele afirma está muito longe das expectativas deles de um Messias triunfante e poderoso, com cuja ajuda derrotariam e esmagariam os inimigos (cf. Sl 107,14). Já tinham tido oportunidade, durante o tempo que passaram com Ele, de se surpreender com muitos dos seus gestos e palavras. Esta última mensagem, porém, ultrapassa verdadeiramente todas as previsões. Em particular, Pedro manifesta o seu desacordo e repreende Jesus, dizendo-lhe: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça!» (Mt 16,22).

Pouco antes tinha reconhecido n’Ele «o Messias, o Filho de Deus vivo» (v. 16). Agora, porém, surpreendido e talvez desapontado com o que ouviu, em contraste com a belíssima profissão de fé que acabara de fazer, o repreende. Parece dizer-lhe: “Sim, creio que és o Messias, mas não é assim que se salva o mundo”. O seu é um impulso de zelo, certamente animado por um amor sincero, e, no entanto, nos leva a refletir.

Com efeito, também para nós nem sempre é fácil compreender e aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos nossos. Nessa altura surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé, que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se interessa por nós. Diante dessa incerteza, Pedro, apesar da sua impulsividade, nos ensina duas coisas importantes.

A primeira é nunca interromper, nem mesmo nesses momentos, o diálogo com o Senhor; pelo contrário, manifestar-lhe com confiança até mesmo a nossa dificuldade em compreender o que Ele nos pede.

A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está nos revelando através da sua ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.

E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também nisto.

Jesus lhe responde: «Vai para longe, Satanás!» (v. 23), e explica a ele e aos outros discípulos que, para seguirem os seus passos, deverão negar-se a si mesmos, tomar a sua cruz e segui-lo (cf. v. 24). Pedro o fará: depois de tê-lo ouvido, aceitará o desafio e permanecerá fiel às palavras de Cristo - a quem reconheceu como seu Redentor - durante toda a sua vida, até o martírio.

Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-lhe humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e, ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que Ele nos pede para além das nossas expectativas.

Que Maria nos ajude, ela que foi obediente aos desígnios de Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.

Jesus carregando a cruz e Pedro

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
(...) Continuemos a rezar pela paz. Santo Agostinho, cuja memória celebramos nestes dias, dizia que «a paz (...) é semelhante àquele pão que se multiplicava nas mãos dos discípulos do Senhor enquanto eles o partiam e o distribuíam» (Sermão 357, 2). Que aumentem no mundo aqueles que, com coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a justiça, praticando o perdão, para o bem de todos. (...)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Festa de Nossa Senhora do Lago em Castel Gandolfo (2026)

No fim da tarde do sábado, 29 de agosto de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Festa de Nossa Senhora do Lago em Castel Gandolfo, seguida da tradicional procissão fluvial no Lago Albano.

Foram recitadas as orações da Missa da Bem-aventurada Virgem Maria, fonte da salvação (formulário n. 31 da Coletânea de Missas da Virgem Maria) com as leituras do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Leão XIV, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, foi o terceiro Papa a celebrar na igreja de Maria Santíssima do Lago, após Paulo VI (1977) e João Paulo II (1979), mas o primeiro em participar da procissão fluvial com a imagem da Virgem Maria.

Incensação da imagem da Virgem Maria
Ritos iniciais

Evangelho
Homilia

Homilia do Papa: Festa de Nossa Senhora do Lago (2026)

Santa Missa e Procissão de “Nossa Senhora do Lago”
Homilia do Papa Leão XIV
Igreja de Maria Santíssima do Lago (Castel Gandolfo)
Sábado, 29 de agosto de 2026

Foram proferidas as leituras do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
Estou feliz por celebrar convosco a Festa de Nossa Senhora do Lago, tal como já fizeram no passado alguns dos meus Predecessores: São Paulo VI, que desejou e apoiou a construção desta igreja dedicada a Maria e a consagrou, e São João Paulo II, que aqui quis recordar a sua memória e renovar a sua mensagem.

A Liturgia da Palavra nos oferece textos que se harmonizam bem com este evento tradicional.

Na 1ª Leitura (Jr 20,7-9) o profeta Jeremias nos fala da sua necessidade irresistível de responder ao chamado que recebeu: «Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir (...). Senti, então, dentro de mim um fogo ardente (...): desfaleci, sem forças para suportar» (vv. 7.9). Deus lhe revelou que o tinha conhecido e escolhido desde o seio materno (cf. Jr 1,5), e que amava o seu povo com amor eterno (cf. Jr 31,3); falou do seu plano de salvação, e ele já não pôde ficar em silêncio. Sente um impulso incontrolável de levar a todos a sua mensagem, mesmo sabendo que isso implicará ter de dizer e fazer coisas que a muitos não agradarão, enfrentar sofrimentos e incompreensões, até se tornar «alvo de irrisão» (v. 7). Mas o amor o impele a agir pelo bem do seu povo, sem concessões, até o fim.


É isso que Jesus também nos ensina no Evangelho (Mt 16,21-27). Pouco antes Ele tinha alimentado cinco mil homens com cinco pães e dois peixes (cf. Mt 14,15-21) e, depois, outros quatro mil com sete pães e alguns peixes (cf. Mt 15,32-38). Agora, para além do sucesso alcançado com estes gestos, explica aos discípulos o sentido messiânico do que realizou: lhes revela que deverá «ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, ser morto e ressuscitar no terceiro dia» (Mt 16,21).

Jesus explica como, após os muitos milagres realizados, manifestará definitivamente a sua glória: sacrificando livremente a sua vida (cf. Jo 10,17-18) e oferecendo-se a si mesmo na cruz como pão partido. E especifica que o mesmo deverá fazer quem quer que deseje continuar a sua missão: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mt 16,24).

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mensagem à 76ª Semana Litúrgica Nacional (Itália)

De 24 a 27 de agosto de 2026 a Arquidiocese de Catânia (Itália), na ilha da Sicília, acolheu a 76ª Semana Litúrgica Nacional, promovida pelo Centro Azione Liturgica, com o tema «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã».

O encontro teve lugar poucos dias após a celebração dos 900 anos da transladação das relíquias de Santa Ágata (ou Águeda), padroeira da cidade e da Arquidiocese de Catânia [1].

Confira a mensagem enviada pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, em nome do Papa Leão XIV:

Mensagem assinada pelo Cardeal Pietro Parolin por ocasião da 76ª Semana Litúrgica Nacional
Catânia, 24-27 de agosto de 2026

Do Vaticano, 06 de agosto de 2026.

A Sua Excelência Reverendíssima Dom Claudio Maniago, Arcebispo Metropolitano de Catanzaro-Squillace, Presidente do Centro Azione Liturgica

Excelência Reverendíssima,
Estou contente em transmitir a cordial saudação do Santo Padre Leão XIV aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que terá lugar de 24 a 27 de agosto próximo em Catânia, cidade rica de belezas naturais e artísticas, guardiã de uma fecunda história religiosa, fecundada pelo testemunho da mártir Ágata [ou Águeda]. O tema escolhido, «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã», é de particular importância para todos nós hoje, e faz eco às palavras dirigidas pelo Sumo Pontífice aos Bispos italianos por ocasião da sua Assembleia Geral. Ele chamava a atenção precisamente para a Iniciação Cristã, «que não pode ser pensada apenas como preparação aos Sacramentos» (Discurso à 82ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, 28 de maio de 2026), mas que deve ser considerada sobretudo como «o “ventre” no qual uma comunidade gera na fé e introduz na vida pascal, na comunhão com o Senhor, na fraternidade eclesial» (ibid.).

Catedral de Santa Ágata (ou Águeda) em Catânia

A unidade entre catequese e celebração caracteriza a fecundidade da Esposa de Cristo desde as suas origens, quando os irmãos «eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações» (At 2,42). O Santo Padre nos convida a retornar à fonte, reforçando e, quando necessário, recuperando, na formação cristã, o valor da Liturgia, na qual o mistério de Cristo nos envolve, nos transforma e nos faz nascer como novas criaturas.