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quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mensagem à 76ª Semana Litúrgica Nacional (Itália)

De 24 a 27 de agosto de 2026 a Arquidiocese de Catânia (Itália), na ilha da Sicília, acolheu a 76ª Semana Litúrgica Nacional, promovida pelo Centro Azione Liturgica, com o tema «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã».

O encontro teve lugar poucos dias após a celebração dos 900 anos da transladação das relíquias de Santa Ágata (ou Águeda), padroeira da cidade e da Arquidiocese de Catânia [1].

Confira a mensagem enviada pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, em nome do Papa Leão XIV:

Mensagem assinada pelo Cardeal Pietro Parolin por ocasião da 76ª Semana Litúrgica Nacional
Catânia, 24-27 de agosto de 2026

Do Vaticano, 06 de agosto de 2026.

A Sua Excelência Reverendíssima Dom Claudio Maniago, Arcebispo Metropolitano de Catanzaro-Squillace, Presidente do Centro Azione Liturgica

Excelência Reverendíssima,
Estou contente em transmitir a cordial saudação do Santo Padre Leão XIV aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que terá lugar de 24 a 27 de agosto próximo em Catânia, cidade rica de belezas naturais e artísticas, guardiã de uma fecunda história religiosa, fecundada pelo testemunho da mártir Ágata [ou Águeda]. O tema escolhido, «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã», é de particular importância para todos nós hoje, e faz eco às palavras dirigidas pelo Sumo Pontífice aos Bispos italianos por ocasião da sua Assembleia Geral. Ele chamava a atenção precisamente para a Iniciação Cristã, «que não pode ser pensada apenas como preparação aos Sacramentos» (Discurso à 82ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, 28 de maio de 2026), mas que deve ser considerada sobretudo como «o “ventre” no qual uma comunidade gera na fé e introduz na vida pascal, na comunhão com o Senhor, na fraternidade eclesial» (ibid.).

Catedral de Santa Ágata (ou Águeda) em Catânia

A unidade entre catequese e celebração caracteriza a fecundidade da Esposa de Cristo desde as suas origens, quando os irmãos «eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações» (At 2,42). O Santo Padre nos convida a retornar à fonte, reforçando e, quando necessário, recuperando, na formação cristã, o valor da Liturgia, na qual o mistério de Cristo nos envolve, nos transforma e nos faz nascer como novas criaturas.

sábado, 25 de abril de 2026

Mensagem do Papa: Dia de Oração pelas Vocações 2026

No IV Domingo da Páscoa, 26 de abril de 2026, o “Domingo do Bom Pastor”, a Igreja celebra o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a ocasião, com o tema «A descoberta interior do dom de Deus».

63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Mensagem do Papa Leão XIV
IV Domingo da Páscoa, 26 de abril de 2026
«A descoberta interior do dom de Deus»

Queridos irmãos e irmãs, caríssimos jovens!
Guiados e protegidos por Jesus Ressuscitado, celebramos no IV Domingo da Páscoa, conhecido como “Domingo do Bom Pastor”, o 63º Dia Mundial de Oração pelas Vocações. É uma ocasião de graça para partilhar algumas reflexões sobre a dimensão interior da vocação, entendida como descoberta do dom gratuito de Deus que floresce no mais profundo do coração de cada um de nós. Percorramos juntos, portanto, o caminho de uma vida verdadeiramente bela que o Pastor nos indica!

“A porta das ovelhas” (Sybil Parker)

A via da beleza

No Evangelho de João Jesus se define literalmente como o «pastor belo» - «ὁ ποιμὴν ὁ καλός» (Jo 10,11). A expressão indica um pastor perfeito, autêntico, exemplar, na medida em que se mostra disposto a dar a vida pelas suas ovelhas, manifestando assim o amor de Deus. É o Pastor que deslumbra: quem olha para Ele descobre que, seguindo-o, a vida é realmente bela. Para conhecer esta beleza, não bastam apenas os olhos do corpo ou critérios estéticos: são necessárias a contemplação e a interioridade. Só quem se detém, escuta, reza e acolhe o seu olhar pode dizer com confiança: “Acredito n’Ele, com Ele a vida pode ser realmente bela, quero percorrer a via desta beleza”. E o mais extraordinário é que, ao nos tornarmos seus discípulos, nos tornamos também “belos”: a sua beleza nos transfigura. Como escreve o teólogo Pavel Florenskij, a ascética não cria o homem “bom”, mas o homem “belo” [1]. Na verdade, a característica que distingue os santos, além da bondade, é a luminosa beleza espiritual que irradia de quem vive em Cristo. Assim, a vocação cristã se revela em toda a sua profundidade: participar da sua vida, partilhar a sua missão, brilhar a partir da sua própria beleza.

domingo, 12 de abril de 2026

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Páscoa (2026)

Papa Leão XIV
Mensagem Urbi et Orbi de Páscoa
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Irmãos e irmãs,
Cristo ressuscitou! Feliz Páscoa!

Há séculos a Igreja canta exultante o acontecimento que é a origem e o fundamento da sua fé: «O Senhor da vida estava morto, mas agora, vivo, triunfa. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós» (Sequência Pascal).

A Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio. Uma vitória a um preço muito alto: Cristo, o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16), teve que morrer, e morrer em uma cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo (cf. Jo 1,29; 1Pd 1,18-19) e assim nos libertou todos do domínio do mal, e conosco também a criação.


Mas como Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo Adversário, o Príncipe deste mundo (cf. Jo 12,31)? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai?

Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata.

Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação (cf. Mt 26,42). Assim, percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar, a nós que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar, a nós que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida, a nós mortais, deixou-se matar na cruz.

domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem do Papa Bento XVI: Páscoa (2006)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa Bento XVI (†2005) há 20 anos, no dia 16 de abril de 2006, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa Bento XVI
Mensagem Urbi et Orbi
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo de Páscoa, 16 de abril de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
Christus resurrexit! Cristo ressuscitou!
1. A grande Vigília desta noite nos fez reviver o acontecimento decisivo e sempre atual da Ressurreição, mistério central da fé cristã. Inumeráveis círios pascais foram acesos nas igrejas para simbolizar a luz de Cristo que iluminou e ilumina a humanidade, vencendo para sempre as trevas do pecado e do mal. E hoje ressoam com força as palavras que deixaram admiradas as mulheres que, na madrugada do primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, onde o corpo de Cristo, descido apressadamente da cruz, havia sido depositado. Tristes e desoladas pela perda do seu Mestre, encontraram a grande pedra removida e, entrando, não encontraram o seu corpo. Enquanto estavam ali, incertas e desorientadas, dois homens com roupas brilhantes as surpreenderam dizendo: «Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,5-6). «Non est hic, sed resurrexit». Desde aquela manhã, estas palavras não cessam de ressoar pelo universo como um anúncio de alegria que atravessa os séculos imutável e, ao mesmo tempo, cheio de infinitas e sempre novas ressonâncias.


2. «Ele não está aqui. Ressuscitou!». Os mensageiros celestes comunicam, antes de tudo, que Jesus «não está aqui»: o Filho de Deus não ficou no sepulcro, porque não podia permanecer prisioneiro da morte (cf. At 2,24) e o túmulo não podia reter «o Vivente» (Ap 1,18), que é a própria fonte da vida. Como Jonas no ventre do peixe, do mesmo modo o Cristo Crucificado permaneceu engolido no seio da terra (cf. Mt 12,40) pelo transcorrer de um sábado. Aquele sábado verdadeiramente «era dia de festa solene», como escreve o evangelista João (Jo 19,31): o mais solene da história, porque nele o «Senhor do sábado» (Mt 12,8) levou a cumprimento a obra da criação (cf. Gn 2,1-4a), elevando o homem e o universo inteiro à liberdade da glória dos filhos de Deus (cf. Rm 8,21). Cumprida esta obra extraordinária, o corpo inanimado foi atravessado pelo sopro vital de Deus e, rompidas as barreiras do sepulcro, ressuscitou glorioso. Por isso os anjos proclamam: «Não está aqui», não pode mais ser encontrado no túmulo. Peregrinou na terra dos homens, terminou o seu caminho no túmulo como todos, mas venceu a morte e de modo absolutamente novo, por um ato de puro amor, abriu a terra de par em par para o Céu.

Mensagem do Papa João Paulo II: Páscoa (2001)

Neste Domingo da Páscoa na Ressurreição do Senhor recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 15 de abril de 2001, após a celebração da Missa do Domingo de Páscoa:

Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo de Páscoa, 15 de abril de 2001

1. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos» (cf. Prefácio da Páscoa II).
Que o anúncio pascal chegue a todos os povos da terra e toda pessoa de boa vontade se sinta protagonista neste dia que o Senhor fez para nós, dia da sua Páscoa, no qual a Igreja, com sentimentos de júbilo, proclama que o Senhor verdadeiramente ressuscitou.

Esse grito, saído do coração dos discípulos no primeiro dia depois do sábado, atravessou os séculos e agora, neste preciso momento da história, volta a alentar as esperanças da humanidade com a certeza imutável da Ressurreição de Cristo, Redentor do homem.


2. «Na Ressurreição de Cristo ressurgiu a vida para todos».
O assombro incrédulo dos Apóstolos e das mulheres, que foram ao sepulcro ao nascer do sol, hoje se torna experiência comum de todo o Povo de Deus. Enquanto o novo milênio dá os seus primeiros passos, desejamos confiar às jovens gerações a certeza fundamental da nossa existência: Cristo ressuscitou e n’Ele ressurge a vida para todos.

«Glória a vós, Cristo Jesus, hoje e sempre vós reinareis» [1]. Volta à memória este cântico de fé, que tantas vezes repetimos ao longo da recente caminhada jubilar, aclamando Aquele que é «o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim» (Ap 22,13). A Ele permanece fiel a Igreja peregrina «entre as perseguições do mundo e as consolações de Deus (Santo Agostinho). Ela eleva o olhar a Ele e não teme. Caminha contemplando a sua face e repete aos homens do nosso tempo que Ele, o Ressuscitado, é «o mesmo ontem, hoje e sempre» (Hb 13,8).

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Discurso do Papa João Paulo II: Via Sacra no Coliseu (2001)

Há 25 anos, na noite da Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001, após a Celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro, o Papa São João Paulo II (†2005) presidiu a tradicional oração da Via Sacra junto ao Coliseu romano.

As meditações da Via Sacra foram tomadas dos escritos do Cardeal John Henry Newman (†1890) nos 200 anos do seu nascimento [1].

Reproduzimos aqui as palavras improvisadas pelo Papa no final da oração e o discurso que havia sido preparado para a ocasião:

Via Sacra no Coliseu
Discurso do Papa João Paulo II
Sexta-feira Santa, 13 de abril de 2001

Palavras improvisadas:

Ecce lignum crucis, in quo salus mundi pependit! Venite adoremus! [Eis o lenho da Cruz, do qual pendeu a salvação do mundo! Vinde, adoremos!]

Hoje, pela primeira vez neste terceiro milênio, se proclamou esta palavra na Basílica de São Pedro. Neste mesmo dia, Sexta-feira Santa, a mesma verdade desconcertante foi proclamada em todos os continentes, em todos os países do mundo: Ecce lignum crucis!


A Igreja de Cristo confessa esta realidade divina e humana: Crux, ave Crux! Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum. [Cruz, salve, ó Cruz! Nós vos adoramos, ó Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa santa Cruz redimistes o mundo]

A Igreja confessou isso durante dois mil anos, os dois milênios passados. Hoje, pela primeira vez, o confessamos em todo o mundo e aqui, em Roma com esta Via Sacra junto ao Coliseu. Queremos transmitir, levar adiante esta verdade divina e humana no terceiro milênio. Queremos professar que, pela sua Cruz, o Filho de Deus, aceitando esta humilhação - uma condenação destinada aos escravos - abriu à humanidade o caminho para a glorificação. Por isso nós, hoje, rezamos ajoelhados, em adoração.

Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi, quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Mensagem do Papa: Quaresma 2026

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026, com o tema «Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão»:

Papa Leão XIV
Mensagem para a Quaresma 2026
Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão

Queridos irmãos e irmãs,
A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude materna, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe para Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar espaço à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor» (Ex 3,7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Natal (2025)

Papa Leão XIV
Mensagem Urbi et Orbi de Natal
Balcão central da Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Queridos irmãos e irmãs,
«Alegremo-nos todos no Senhor, porque nosso Salvador nasceu no mundo. Hoje, para nós, desceu do céu a verdadeira paz» (Missa da Noite de Natal, Antífona de entrada). Assim canta a Liturgia na Noite de Natal e assim ressoa na Igreja o anúncio de Belém: o Menino que nasceu da Virgem Maria é Cristo Senhor, enviado pelo Pai para nos salvar do pecado e da morte. Ele é a nossa paz: Aquele que venceu o ódio e a inimizade com o amor misericordioso de Deus. Por isso «o Natal do Senhor é o Natal da paz» (São Leão Magno, Sermão 26).

Porque não havia lugar para Ele na hospedaria, Jesus nasceu em um estábulo. Assim que nasceu, a sua mãe, Maria, «o enfaixou e o colocou na manjedoura» (Lc 2,7). O Filho de Deus, por meio do qual tudo foi criado, não é recebido e o seu berço é uma pobre manjedoura para animais.


O Verbo eterno do Pai, que os céus não podem conter, escolheu vir ao mundo desta forma. Por amor, desejou nascer de uma mulher, para partilhar a nossa humanidade; por amor, aceitou a pobreza e a rejeição e identificou-se com quem é descartado e excluído.

No Natal de Jesus já se perfila a escolha de fundo que orientará toda a vida do Filho de Deus, até à Morte na Cruz: a escolha de não nos fazer carregar o peso do pecado, mas de carregá-lo por nós, de assumir sobre si esse peso. Só Ele podia fazê-lo. Ao mesmo tempo, porém, mostrou o que só nós podemos fazer, ou seja, assumir cada um a sua parte de responsabilidade. Sim, porque Deus, que nos criou sem nós, não pode salvar-nos sem nós (cf. Santo Agostinho, Discurso 169, 11.13), isto é, sem a nossa livre vontade de amar. Quem não ama não se salva, está perdido. E quem não ama o irmão que vê, não pode amar Deus que não vê (cf. 1Jo 4,20).

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Mensagem do Papa Bento XVI: Natal (2005)

Há 20 anos, no dia 25 de dezembro de 2005, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu pela primeira vez a  tradicional Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) por ocasião da Solenidade do Natal do Senhor:

Papa Bento XVI
Mensagem Urbi et Orbi de Natal
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo, 25 de dezembro de 2005

«Eu vos anuncio uma grande alegria... Hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós um Salvador, que é o Cristo Senhor» (Lc 2,10-11). Na noite passada ouvimos novamente as palavras do Anjo aos pastores e revivemos o clima daquela Noite santa, a Noite de Belém, quando o Filho de Deus se fez homem e, nascendo em uma pobre gruta, veio habitar entre nós. Neste dia solene, ressoa o anúncio do Anjo como convite também para nós, homens e mulheres do terceiro milênio, a acolher o Salvador. Que a humanidade atual não hesite em fazê-lo entrar nas suas casas, nas cidades, nas nações e em cada ângulo da terra! É verdade que, ao longo do milênio há pouco concluído e especialmente nos últimos séculos, foram muitos os progressos realizados no campo técnico e científico; vastos são os recursos materiais dos quais podemos dispor hoje. O homem da era tecnológica, porém, corre o risco de ser vítima dos próprios êxitos da sua inteligência e dos resultados das suas capacidades inventivas se caminha para uma atrofia espiritual, para um vazio do coração. Por isso é importante que abra sua mente e o seu coração ao Natal de Cristo, acontecimento de salvação capaz de imprimir uma renovada esperança à existência de todo o ser humano.


«Desperta, ó homem! Por ti Deus se fez homem» (Santo Agostinho, Sermão 185). Desperta, ó homem do terceiro milênio! No Natal, o Todo-poderoso se faz menino e pede ajuda e proteção. O seu modo de ser Deus põe em crise o nosso modo de ser homens; o seu bater às nossas portas nos interpela, interpela a nossa liberdade e nos pede rever a nossa relação com a vida e o nosso modo de concebê-la. Muitas vezes, a Idade Moderna muitas vezes é apresentada como um despertar do sono da razão, como se a humanidade, saindo de um período obscuro, chegasse à luz. Sem Cristo, porém, a luz da razão não basta para iluminar o homem e o mundo. Por isso a palavra evangélica do dia de Natal - «A luz de verdade, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano» (Jo 1,9) - ressoa hoje, mais do que nunca, como anúncio de salvação para todos. «O mistério do homem não se torna verdadeiramente claro senão no mistério do Verbo encarnado» (Constituição Gaudium et spes, n. 22). A Igreja repete incansavelmente esta mensagem de esperança, reproposta pelo Concílio Vaticano II, concluído há quarenta anos.

Mensagem do Papa João Paulo II: Natal (2000)

Há 25 anos, no dia 25 de dezembro de 2000, pouco antes da conclusão do Grande Jubileu, o Papa São João Paulo II (†2005) proferiu sua tradicional Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) por ocasião da Solenidade do Natal do Senhor, refletindo sobre o paralelismo entre Adão e Cristo, entre Deus e o homem:

Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi de Natal
Praça de São Pedro
Segunda-feira, 25 de dezembro de 2000

1. «O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente. O último Adão é um espírito vivificante» (1Cor 15,45)
É o que afirma o Apóstolo Paulo, resumindo o mistério da humanidade redimida por Cristo. Mistério escondido no desígnio eterno de Deus, mistério que, de certo modo, se fez história com a Encarnação do Verbo eterno do Pai; mistério que a Igreja revive com intensa emoção, neste Natal do ano 2000, ano do Grande Jubileu.

Adão, o primeiro «homem vivo», Cristo, «espírito que dá vida»: as palavras do Apóstolo nos ajudam a ver profundamente, a reconhecer no Menino nascido em Belém o Cordeiro imolado que revela o sentido da história (cf. Ap 5,7-9). No seu Natal encontram-se o tempo e a eternidade: Deus no homem e o homem em Deus.


2. «O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente».
O gênio imortal de Michelangelo representou no teto da Capela Sistina o instante em que Deus Pai comunica a energia vital ao primeiro homem, fazendo dele um «ser vivente». Entre o dedo de Deus e o dedo do homem - cada um estendido em direção ao outro até quase se tocarem - parece surgir uma faísca invisível: Deus infunde no homem o pulsar da sua própria vida, criando-o à sua imagem e semelhança. Nesse sopro divino está a origem da singular dignidade do ser humano, do seu inesgotável desejo de infinito.

Hoje o pensamento retorna àquele instante de insondável mistério, no qual tem início a vida humana sobre a terra, contemplando o Filho de Deus que se faz filho do homem, o rosto eterno de Deus que brilha no rosto de um Menino.

segunda-feira, 24 de novembro de 2025

Discurso do Papa a responsáveis pela Pastoral Litúrgica (2025)

No dia 17 de novembro de 2025 o Papa Leão XIV recebeu os participantes de um Curso para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico. Confira a seguir seu discurso na ocasião:

Papa Leão XIV
Discurso aos participantes no Curso para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico
Sala do Consistório
Segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.
A paz esteja convosco!
Bom dia e sejam todos bem-vindos!
Saúdo o Abade Primaz, o Reitor do Ateneu Santo Anselmo, o Presidente do Pontifício Instituto Litúrgico [1], os professores e todos os participantes no Curso de atualização para responsáveis diocesanos de pastoral litúrgica. Estou contente de vos acolher no início do vosso itinerário de aprofundamento.

A proposta de formação na qual participais corresponde à dupla missão do Pontifício Instituto Litúrgico. Como augurava o Papa Bento XVI, ele prossegue com entusiasmo o seu serviço à Igreja, em plena fidelidade à tradição litúrgica e à reforma querida pelo Concílio Vaticano II, segundo as linhas mestras da Sacrosanctum Concilium e dos pronunciamentos do Magistério (cf. Discurso aos participantes no Congresso promovido pelo Pontifício Ateneu de Santo Anselmo, 06 de maio de 2011). Por outro lado, iniciativas como esta implementam as tarefas formativas enunciadas na Constituição Apostólica Veritatis Gaudium, como a de formar ministros e fiéis para prepará-los para o seu serviço na pastoral e na Liturgia.


Parece-me que se dirige também ao vosso Instituto o caloroso convite do Papa Francisco, que na Carta Apostólica Desiderio Desideravi recomendava: «É preciso encontrar os canais para uma formação como estudo da Liturgia: a partir do Movimento Litúrgico muito tem sido feito nesse sentido, com contributos preciosos de muitos estudiosos e instituições acadêmicas. Entretanto, é preciso divulgar estes conhecimentos para fora do âmbito acadêmico, de modo acessível, para que todos os fiéis cresçam em um conhecimento do sentido teológico da Liturgia... bem como do desenvolvimento do celebrar cristão» (n. 35).

Com efeito, nas Dioceses e nas paróquias há necessidade dessa formação e é importante, onde não existam, iniciar percursos bíblicos e litúrgicos. O Pontifício Instituto Litúrgico poderia qualificá-los, para ajudar as Igrejas particulares e as comunidades paroquiais a se deixarem formar pela Palavra de Deus, explicando os textos do Lecionário ferial e festivo, e também para prosseguir uma iniciação cristã e litúrgica que ajude os fiéis a compreender, por meio dos ritos, das orações e dos sinais sensíveis, o mistério da fé que se celebra (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 48).

sábado, 22 de novembro de 2025

Mensagem do Papa: Jornada Mundial da Juventude 2025

No domingo, 23 de novembro de 2025, Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, celebramos a nível diocesano a 40ª Jornada Mundial da Juventude (JMJ).

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a ocasião, com o tema «Vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo» (Jo 15,27), dando início ao caminho rumo à próxima edição internacional da JMJ, que terá lugar em Seul (Coreia do Sul), de 03 a 08 de agosto de 2027, com o tema «Tende coragem: Eu venci o mundo!» (Jo 16,33).

40ª Jornada Mundial da Juventude
Mensagem do Papa Leão XIV
23 de novembro de 2025
«Vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo» (Jo 15,27)

Queridos jovens,
Ao iniciar esta primeira mensagem que vos dirijo, desejo em primeiro lugar dizer-vos obrigado! Obrigado pela alegria que transmitistes quando viestes a Roma para o vosso Jubileu e obrigado também a todos os jovens que, de oração, se uniram a nós a partir de todas as partes do mundo. Foi um evento precioso para renovar o entusiasmo da fé e partilhar a esperança que arde nos nossos corações! Por isso, façamos com que o encontro jubilar não seja um momento isolado, mas assinale, em cada um de vós, um passo em frente na vida cristã e um forte encorajamento a perseverar no testemunho da fé.

O Papa com os jovens durante o seu Jubileu

É precisamente esta dinâmica que está no centro da próxima Jornada Mundial da Juventude, que celebraremos a 23 de novembro, Domingo de Cristo Rei, e que terá como tema «Vós também haveis de dar testemunho, porque estais comigo» (Jo 15,27). Com a força do Espírito Santo, como peregrinos de esperança, preparemo-nos para ser testemunhas corajosas de Cristo. Comecemos, portanto, a partir de agora, um caminho que nos guiará até à edição internacional da JMJ de 2027 em Seul. Nesta perspectiva, gostaria de me deter em dois aspectos do testemunho: a nossa amizade com Jesus, que recebemos de Deus como dom; e o empenho de cada um na sociedade, como construtores da paz.

Amigos, portanto, testemunhas

O testemunho cristão nasce da amizade com o Senhor, Crucificado e Ressuscitado para a salvação de todos. Não se confunde com uma propaganda ideológica, mas é um verdadeiro princípio de transformação interior e de sensibilização social. Jesus quis chamar “amigos” aos discípulos a quem deu a conhecer o Reino de Deus e a quem pediu que ficassem com Ele, para formar a sua comunidade e para enviá-los a proclamar o Evangelho (cf. Jo 15,15.27). Quando Jesus nos diz «Dai testemunho», está assegurando-nos que nos considera seus amigos. Só Ele conhece plenamente quem somos e porque estamos aqui: conhece o coração de cada um de vós, jovens, a vossa indignação diante de discriminações e injustiças, o vosso desejo de verdade e beleza, de alegria e paz; com a sua amizade, Ele vos escuta, vos motiva e vos guia, chamando cada um de vós a uma vida nova.

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Discurso do Papa Leão XIV sobre a música sacra (2025)

Na tarde do dia 18 de junho de 2025 o Papa Leão XIV encontrou-se na Sala Régia do Palácio Apostólico com os participantes de um evento promovido pela Fundação Cardeal Domenico Bartolucci por ocasião dos 500 anos do nascimento de Giovanni Pierluigi da Palestrina, grande compositor italiano do Renascimento.

Após o lançamento de um selo comemorativo (com uma imagem realizada pelo pintor espanhol Raúl Berzosa) e uma apresentação musical, o Papa proferiu um breve discurso, destacando a figura de Palestrina e a importância da música sacra:

Papa Leão XIV
Discurso aos participantes do evento promovido pela Fundação Domenico Bartolucci no 500° aniversário do nascimento de Giovanni Pierluigi da Palestrina
Sala Régia do Palácio Apostólico
Quarta-feira, 18 de junho de 2025

Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!
Depois de ter escutado estas vozes angelicais, quase seria melhor não falar e deixar-nos com esta belíssima experiência...

Gostaria de saudar Sua Eminência o Cardeal Dominique Mamberti, a Irmã Raffaella Petrini, os estimados Relatores e os ilustres convidados. Com alegria participo deste encontro no qual, com palavras e com música, celebramos a nova Emissão Filatélica promovida pela Fundação Bartolucci e realizada pelos Correios Vaticanos por ocasião do 5º Centenário de Palestrina.

Apresentação musical diante da Capela Paulina

Giovanni Pierluigi da Palestrina (1525-1594) foi, na história da Igreja, um dos compositores que mais contribuiu à promoção da música sacra, para «a glória de Deus e a santificação e edificação dos fiéis» (São Pio X, Motu proprio Tra le sollecitudini, 22 de novembro de 1903, n. 1), no contexto delicado e ao mesmo tempo apaixonante da Contrarreforma. As suas composições, solenes e austeras, inspiradas no canto gregoriano, unem estreitamente música e Liturgia, «quer dando mais doçura à oração e favorecendo maior harmonia, quer dando mais solenidade aos ritos sagrados» (Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 112).

quinta-feira, 5 de junho de 2025

Oração do rosário nos Jardins Vaticanos (2025)

No fim da tarde do sábado, 31 de maio de 2025, Festa da Visitação da Virgem Maria, o Papa Leão XIV concedeu a bênção no final da oração do rosário nos Jardins Vaticanos por ocasião do encerramento do mês de maio, “mês mariano” na piedade popular.

A oração do rosário (ou melhor, do terço do rosário) foi presidida pelo Arcipreste da Basílica de São Pedro, Cardeal Mauro Gambetti, concluindo-se na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, onde o Papa dirigiu algumas palavras aos presentes, que reproduzimos a seguir, e lhes concedeu sua bênção.

Sobre as vestes corais Leão XIV endossou uma estola vermelha com a imagem dos Santos Pedro e Paulo [1].

Recitação do rosário no encerramento do mês de maio
Discurso do Papa Leão XIV
Gruta de Lourdes nos Jardins Vaticanos
Sábado, 31 de maio de 2025

Estimados irmãos e irmãs!
É com alegria que me uno a vós nesta vigília de oração no final do mês de maio. É um gesto de fé com o qual, de modo simples e devoto, nos reunimos sob o manto materno de Maria. Além disso, este ano ele recorda alguns aspectos importantes do Jubileu que celebramos: o louvor, o caminho, a esperança e, sobretudo, a fé meditada e manifestada coralmente.

Recitastes juntos o santo rosário: uma oração, como realçou São João Paulo II, com fisionomia mariana e coração cristológico, que «concentra em si a profundidade de toda a mensagem evangélica» (Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, n. 1).

Efetivamente, na meditação dos mistérios gozosos, durante o caminho percorrido, entrastes e parastes, como que em peregrinação, em muitos lugares da vida de Jesus: na casa de Nazaré, contemplando a Anunciação; na casa de Zacarias, contemplando a Visitação, que hoje celebramos; na gruta de Belém, contemplando o Natal; no Templo de Jerusalém, contemplando a Apresentação e depois o encontro de Jesus. Acompanhavam-vos, na Ave-Maria repetida com fé, as palavras do Anjo à Mãe de Deus: «Alegra-te, ó cheia de graça: o Senhor está contigo!» (Lc 1,28), e as de Isabel que a saúda com alegria: «Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre!» (Lc 1,42).

Assim, os vossos passos foram cadenciados pela Palavra de Deus que, com o seu ritmo, assinalou o trajeto, as paradas e as partidas, assim como fez com o povo de Israel no deserto, a caminho da Terra prometida.

Olhemos, pois, para a nossa existência como um caminho no seguimento de Jesus, a percorrer, como fizemos esta tarde, com Maria. E peçamos ao Senhor para saber louvá-lo todos os dias, «com a vida e com a língua, com o coração e com os lábios, com a voz e com a conduta» (Santo Agostinho, Discurso 256, 1), evitando desarmonias: a língua em sintonia com a vida, e os lábios com a consciência (cf. ibid.).

Saúdo os Senhores Cardeais presentes, os Bispos, os sacerdotes, os consagrados e todos os fiéis. Desejo manifestar, de modo particular, afeto e gratidão às Irmãs Beneditinas do Mosteiro Mater Ecclesiae, que com a sua oração escondida e constante sustentam a nossa comunidade e a nossa obra.

Que a alegria deste momento permaneça e cresça em nós, «na nossa vida pessoal e familiar, em todos os ambientes, especialmente na vida desta família que, aqui no Vaticano, serve a Igreja universal» (Bento XVI, Conclusão do mês mariano, 31 de maio de 2012). Que o Senhor nos abençoe e nos acompanhe sempre, e que Maria interceda por nós. Obrigado!

Oração do rosário nos Jardins Vaticanos



Chegada na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Discurso do Papa: Jubileu das Igrejas Orientais (2025)

De 12 a 14 de maio de 2025 foi celebrado em Roma o Jubileu das Igrejas Católicas Orientais.

Nesses dias os fiéis das diversas Igrejas - Patriarcados, Arcebispados-Maiores, Igrejas Metropolitanas e outras Igrejas sui juris - participaram das celebrações segundo os Ritos Orientais - Bizantino, Alexandrino, Antioqueno (Siríaco Ocidental), Caldeu (Siríaco oriental) e Armênio - nas Basílicas de São Pedro no Vaticano e Santa Maria Maior.

Na manhã do dia 14 de maio, por sua vez, os participantes do Jubileu foram recebidos em Audiência pelo Papa Leão XIV na Sala Paulo VI, que em seu discurso destacou seu rico patrimônio litúrgico:

Audiência aos participantes do Jubileu das Igrejas Orientais
Discurso do Papa Leão XIV
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 14 de maio de 2025

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. A paz esteja convosco!
Beatitudes, Eminências, Excelências,
Caríssimos sacerdotes, consagradas e consagrados,
Irmãos e irmãs!
Cristo ressuscitou. Verdadeiramente ressuscitou! Saúdo-vos com as palavras que, neste Tempo Pascal, o Oriente cristão não se cansa de repetir em muitas regiões, professando o âmago da fé e da esperança. E é bom ver-vos aqui precisamente por ocasião do Jubileu da Esperança, da qual a Ressurreição de Jesus é o fundamento indestrutível. Bem-vindos a Roma! Estou feliz por me encontrar convosco e por dedicar um dos primeiros encontros do meu pontificado aos fiéis orientais.

Sois preciosos! Olhando para vós, penso na variedade das vossas proveniências, na história gloriosa e nos amargos sofrimentos que muitas das vossas comunidades padeceram ou padecem. E gostaria de reiterar o que o Papa Francisco disse sobre as Igrejas Orientais: «São Igrejas que devem ser amadas, conservam tradições espirituais e sapienciais únicas e têm muito a dizer-nos sobre a vida cristã, a sinodalidade, a Liturgia; pensemos nos antigos Padres, nos Concílios, no monaquismo, tesouros inestimáveis para a Igreja» (Discurso na Assembleia da ROACO, 27 de junho de 2024).


Desejo citar também o Papa Leão XIII, que pela primeira vez dedicou um documento específico à dignidade das vossas Igrejas, considerando sobretudo que «a obra da redenção humana teve início no Oriente» (cf. Carta Apostólica Orientalium dignitas, 30 de novembro de 1894). Sim, desempenhais «um papel singular e privilegiado como contexto original da Igreja nascente» (São João Paulo II, Carta Apostólica Orientale lumen, n. 5). É significativo que algumas das vossas Liturgias - que nestes dias celebrais solenemente em Roma, segundo várias tradições - ainda usem a língua do Senhor Jesus. Mas o Papa Leão XIII dirigiu um forte apelo para que a «legítima variedade de Liturgia e disciplina orientais... redunde a favor... do grande decoro e utilidade da Igreja» (Carta Apostólica Orientalium dignitas). A sua preocupação de então é muito atual, pois nos nossos dias tantos irmãos e irmãs orientais, entre os quais muitos de vós, obrigados a fugir dos seus territórios de origem por causa da guerra e das perseguições, da instabilidade e da pobreza, correm o risco, chegando ao Ocidente, de perder não só a pátria, mas também a identidade religiosa. E assim, com o passar das gerações, perde-se o legado inestimável das Igrejas Orientais.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Primeira Mensagem Urbi et Orbi do Papa Leão XIV

No dia 08 de maio de 2025, ao ser eleito como 267º Bispo de Roma, o Papa Leão XIV proferiu sua primeira saudação aos fiéis antes de conceder a Bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo):

Papa Leão XIV
Primeira Bênção Urbi et Orbi
Balcão central da Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 08 de maio de 2025

A paz esteja com todos vós!
Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!

Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, que é humilde e perseverante. Que vem de Deus, do Deus que nos ama a todos incondicionalmente.

Conservamos ainda nos nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma, o Papa que, naquela manhã de Páscoa, abençoava Roma e dava a sua bênção ao mundo inteiro. Permiti-me que dê prosseguimento àquela mesma bênção: Deus nos ama, Deus vos ama a todos, e o mal não prevalecerá! Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, unidos de mãos dadas com Deus e uns com os outros, sigamos em frente! Somos discípulos de Cristo. Cristo vai à nossa frente. O mundo precisa da sua luz. A humanidade precisa d’Ele como ponte para poder ser alcançada por Deus e pelo seu amor. Ajudai-nos também vós e, depois, ajudai-vos uns aos outros a construir pontes, com o diálogo, o encontro, unindo-nos todos para sermos um só povo sempre em paz. Obrigado, Papa Francisco!

Quero também agradecer a todos os meus irmãos Cardeais que me escolheram para ser o Sucessor de Pedro e para caminhar convosco, como Igreja unida, procurando sempre a paz, a justiça, esforçando-se sempre por trabalhar como homens e mulheres fiéis a Jesus Cristo, sem medo, para anunciar o Evangelho, para ser missionários

Sou agostiniano, um filho de Santo Agostinho que dizia: “Convosco sou cristão e para vós sou Bispo”. Neste sentido, podemos caminhar todos juntos em direção à pátria que Deus nos preparou.

Uma saudação especial à Igreja de Roma! Devemos procurar juntos o modo de ser uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, que constrói o diálogo, sempre aberta para acolher todos, como esta Praça, de braços abertos, a todos aqueles que precisam da nossa caridade, da nossa presença, de diálogo e de amor.

E se me permitem uma palavra, uma saudação [em espanhol] a todos e especialmente à minha querida Diocese de Chiclayo, no Peru, onde um povo fiel acompanhou o seu Bispo, partilhou a sua fé e deu tanto, tanto, para continuar a ser uma Igreja fiel a Jesus Cristo.

A todos vós, irmãos e irmãs de Roma, da Itália, de todo o mundo: queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que procura sempre a paz, que procura sempre a caridade, que procura sempre estar próxima, sobretudo dos que sofrem.

Hoje é o dia da Súplica a Nossa Senhora do Rosário de Pompeia. A nossa Mãe, Maria, quer sempre caminhar conosco, estar perto, ajudar-nos com a sua intercessão e o seu amor. Gostaria, por isso, de rezar convosco. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos a Maria, nossa Mãe, esta graça especial: Ave Maria...


Fonte: Santa Sé.

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Páscoa 2025

Papa Francisco
Mensagem Urbi et Orbi de Páscoa
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo, 20 de abril de 2025

A mensagem do Papa, a última antes da sua morte, foi lida por Dom Diego Giovanni Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

Cristo ressuscitou, aleluia!
Irmãos e irmãs, feliz Páscoa!
Hoje ressoa finalmente na Igreja o «aleluia», que corre de boca em boca, de coração a coração, e o seu cântico faz chorar de alegria, no mundo inteiro, o povo de Deus.

Do sepulcro vazio de Jerusalém chega até nós um anúncio sem precedentes: Jesus, o Crucificado, «não está aqui. Ressuscitou!» (Lc 24,6). Não está no túmulo, está vivo!

O amor venceu o ódio. A luz venceu as trevas. A verdade venceu a mentira. O perdão venceu a vingança. O mal não desapareceu da nossa história e permanecerá até ao fim, mas já não possui o domínio, não tem qualquer poder sobre quem acolhe a graça deste dia.


Irmãos e irmãs, especialmente vós que passais pela dor e pela angústia, o vosso grito silencioso foi ouvido, as vossas lágrimas foram recolhidas e nem sequer uma só se perdeu! Na Paixão e Morte de Jesus, Deus tomou sobre si todo o mal do mundo e, com a sua infinita misericórdia, derrotou-o: erradicou o orgulho diabólico que envenena o coração humano e semeia violência e corrupção por toda a parte. O Cordeiro de Deus venceu! Por isso, hoje exclamamos: «Ressuscitou Cristo, minha esperança» (Sequência pascal).

Sim, a Ressurreição de Jesus é o fundamento da esperança: a partir deste acontecimento, ter esperança já não é uma ilusão. Não! Graças a Cristo Crucificado e Ressuscitado, a esperança não decepciona! Spes non confundit! (Rm 5,5). E não se trata de uma esperança evasiva, mas comprometida; não é alienante, mas responsabilizadora.

domingo, 20 de abril de 2025

Mensagem do Papa João Paulo II: Páscoa (2000)

Neste Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor, concluindo a Semana Santa deste Ano Jubilar de 2025, recordamos a Mensagem Urbi et Orbi (À cidade e ao mundo) proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no Domingo de Páscoa do Grande Jubileu do Ano 2000:

Papa João Paulo II
Mensagem Urbi et Orbi
Praça de São Pedro
Domingo de Páscoa, 23 de abril de 2000

1. «Mors et vita duello conflixere mirando...».
«A morte e a vida travaram um admirável combate: depois de morto, vive e reina o Autor da vida» (Sequência pascal).

Hoje, mais uma vez, a Igreja se detém maravilhada junto ao sepulcro vazio. Como Maria Madalena e as outras mulheres, vindas para ungir com aromas o corpo do Crucificado, como os Apóstolos Pedro e João, que vieram correndo ao ouvir as palavras das mulheres, assim a Igreja se inclina sobre o sepulcro onde o seu Senhor foi depositado depois da crucificação.


Há um mês, peregrino na Terra Santa, tive a graça de me ajoelhar diante da laje de pedra que indica o lugar onde Jesus foi sepultado. Hoje, Domingo da Ressurreição, faço meu o anúncio do mensageiro celeste: «Ressuscitou, não está aqui!» (Mc 16,6).

Sim, a vida e a morte se enfrentaram e a Vida triunfou para sempre. Tudo está novamente orientado para a vida, para a Vida eterna!

2. «Victimae paschali laudes immolent christiani...».
«À Vítima pascal ofereçam os cristãos sacrifícios de louvor. O Cordeiro resgatou as ovelhas: Cristo, o Inocente, reconciliou com o Pai os pecadores».

quinta-feira, 6 de março de 2025

Mensagem do Papa a um curso do Pontifício Instituto Litúrgico (2025)

No dia 28 de fevereiro de 2025 foi divulgada a mensagem do Papa Francisco aos participantes da segunda edição do Curso “Viver plenamente a ação litúrgica”, promovido pelo Pontifício Instituto Litúrgico (Pontifício Ateneu Santo Anselmo).

O curso, cuja primeira edição foi realizada em 2023, é voltado aos responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais, particularmente aos “mestres das celebrações litúrgicas”.

Papa Francisco
Mensagem por ocasião do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais do Pontifício Ateneu Santo Anselmo
24-28 de fevereiro de 2025

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Saúdo o Abade Primaz e o Diretor do Pontifício Instituto Litúrgico [1], com os professores e os alunos que participaram desta segunda edição do curso para os responsáveis pelas celebrações litúrgicas episcopais. Alegra-me constatar que aceitastes novamente o convite formulado na Carta Apostólica Desiderio desideravi, continuando a estudar a Liturgia, não só na perspectiva teológica, mas também no âmbito da práxis celebrativa.

Esta dimensão toca a vida do Povo de Deus e revela-lhe sua verdadeira natureza espiritual (cf. Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 9). Por isso o responsável pelas celebrações litúrgicas não é apenas um professor de teologia; não é um rubricista, que aplica as normas; não é um sacristão, que prepara o que é necessário para a celebração. Ele é um mestre colocado a serviço da oração da comunidade. Enquanto ensina humildemente a arte litúrgica, deve guiar todos os que celebram, marcando o ritmo ritual e acompanhando os fiéis no acontecimento sacramental.

Abside da igreja de Santo Anselmo no Aventino
(Sede do Pontifício Instituto Litúrgico)

Como mistagogo, prepara cada celebração com sabedoria para o bem da assembleia; traduz em práxis celebrativa os princípios teológicos expressos nos livros litúrgicos; acompanha e apoia o Bispo na sua função de promotor e guardião da vida litúrgica (Cerimonial dos Bispos, n. 9). Assim assistido, o pastor pode conduzir suavemente toda a comunidade diocesana na oferta de si ao Pai, à imitação de Cristo Senhor.

terça-feira, 4 de março de 2025

Mensagem do Papa: Quaresma 2025

Papa Francisco
Mensagem para a Quaresma de 2025
Caminhemos juntos na esperança

Queridos irmãos e irmãs!
Com o sinal penitencial das cinzas sobre as nossas cabeças iniciamos na fé e na esperança a peregrinação anual da Santa Quaresma. A Igreja, mãe e mestra, convida-nos a preparar os nossos corações e a abrir-nos à graça de Deus para podermos celebrar com grande alegria o triunfo pascal de Cristo, o Senhor, sobre o pecado e a morte, como exclamava São Paulo: «A morte foi tragada pela vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1Cor 15,54-55). Realmente, Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado, é o centro da nossa fé e a garantia da nossa esperança na grande promessa do Pai, já realizada n’Ele, seu Filho amado: a vida eterna (cf. Jo 10,28; 17,3; cf. Encíclica Dilexit nos, n. 220).

Nesta Quaresma, enriquecida pela graça do Ano Jubilar, gostaria de oferecer algumas reflexões sobre o que significa caminhar juntos na esperança e evidenciar os apelos à conversão que a misericórdia de Deus dirige a todos nós, enquanto indivíduos e comunidades.


Antes de tudo, caminhar. O lema do Jubileu - “Peregrinos de Esperança” - traz à mente a longa travessia do povo de Israel em direção à Terra Prometida, narrada no Livro do Êxodo: a difícil passagem da escravidão para a liberdade, desejada e guiada pelo Senhor, que ama o seu povo e sempre lhe é fiel. E não podemos recordar o êxodo bíblico sem pensar em tantos irmãos e irmãs que, hoje, fogem de situações de miséria e violência e vão à procura de uma vida melhor para si e para seus entes queridos. Aqui surge um primeiro apelo à conversão, porque todos nós somos peregrinos na vida, mas cada um pode se perguntar: como me deixo interpelar por esta condição? Estou realmente a caminho ou estou paralisado, estático, com medo e sem esperança, acomodado na minha zona de conforto? Busco caminhos de libertação das situações de pecado e falta de dignidade? Seria um bom exercício quaresmal confrontar-nos com a realidade concreta de algum migrante ou peregrino e deixar que ela nos interpele, para descobrir o que Deus pede de nós para sermos melhores viajantes rumo à casa do Pai. Esse é um bom “exame” para o viandante.