No início da tarde da terça-feira, 09 de junho de 2026, durante sua Viagem Apostólica à Espanha, o Papa Leão XIV presidiu a oração da Hora Média (12h) na Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália em Barcelona (Espanha).
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quarta-feira, 24 de junho de 2026
Homilia do Papa: Hora Média em Barcelona
Viagem Apostólica à Espanha
Oração da Hora Média
Homilia do Papa Leão XIV
Catedral da Santa Cruz e Santa Eulália (Barcelona)
Terça-feira, 09 de junho de 2026
Foi rezada a Hora Sexta (12h) da terça-feira da II semana do Saltério.
Queridos irmãos e irmãs,
É com grande alegria que inicio a minha visita rezando convosco a Hora
Sexta nesta Catedral.
O Concílio Vaticano II define o Ofício Divino como «a voz da
Esposa que fala com o Esposo» e «a oração que Cristo, unido ao seu Corpo, eleva
ao Pai» (Sacrosanctum Concilium, n. 84). Também a Leitura que ouvimos (1Cor 12,12-13)
sublinha que «todos... fomos batizados em um único Espírito, para formarmos um único
corpo» (v. 13). Podemos, então, deixar-nos ajudar, na nossa reflexão,
precisamente por estas duas imagens: a Esposa e o Corpo.
A primeira nos recorda que a Igreja, e em particular esta assembleia,
rica em dons e carismas e na diversidade das histórias de cada um, é antes de
tudo uma Esposa amada. Deus vos quis aqui, porque ama em vós e no vosso estar
juntos uma beleza e uma bondade únicas e sagradas. Ele vos escolheu para
representardes hoje a “comunidade dos santos” (cf. 1Cor 1,2) que está
em Barcelona. E é com esta consciência que vos convido a renovar, em um só
coração, o propósito de caminhar juntos, todos, fiéis e Pastores, seguindo os
passos de Cristo, rumo à plenitude da vida. A Igreja é fruto de um ato de amor
que a precede e que provém de Deus, e cresce antes de tudo deixando-se amar por
Ele, unida, com coração humilde e agradecido, porque só quem se deixa amar por
Deus pode construir, com os outros, as obras do amor.
A este respeito, há alguns anos o Papa Francisco recomendava a esta
Comunidade diocesana « partir do encontro com Cristo» para crescer «na
fraternidade, no anúncio da Boa Nova do Evangelho» (Mensagem por ocasião da inauguração da Torre da Virgem Maria da Basílica da Sagrada Família, 08 de
dezembro de 2021); e, um ano depois, repetia aos seminaristas desta mesma
Diocese, peregrinos em Roma: «Nunca deixeis de saborear e recordar este amor de
predileção que se derrama e se derramará abundantemente no vosso coração (...).
Nunca apagueis esse fogo que vos tornará intrépidos pregadores do Evangelho» (Discurso
à Comunidade do Seminário de Barcelona, 10 de dezembro de 2022).
As suas palavras indicam o clima que somos chamados a difundir nos
nossos ambientes, nas famílias, nas paróquias, nos locais de trabalho e de formação,
nos ambientes da Cúria e em qualquer outro âmbito da vida: um clima de família,
no qual se vive juntos, conscientes da filiação e do chamado comum, solidários,
abertos, capazes de misericórdia, de sacrifício, de atenção mútua, de perdão.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Vésperas do II Domingo da Páscoa na Basílica de Santa Maria Maior
Na tarde do dia 27 de abril de 2025 os Cardeais presentes em Roma para os funerais do Papa Francisco, falecido no dia 21 de abril, participaram das II Vésperas (oração da tarde da Liturgia das Horas) do II Domingo da Páscoa na Basílica de Santa Maria Maior, onde o Romano Pontífice foi sepultado na manhã do sábado, dia 26.
Ao chegar à Basílica, com efeito, os Cardeais visitaram o túmulo do Papa e rezaram por alguns instantes diante do ícone da Virgem Maria Salus populi romani (Proteção do povo romano) na Capela Paulina.
Seguiram-se as Vésperas presididas pelo Cardeal Rolandas Makrickas, Arcipreste Coadjutor da Basílica.
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| Túmulo do Papa Francisco |
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| Cardeais rezam na Capela Paulina |
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| Procissão de entrada |
quarta-feira, 20 de novembro de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (5)
“Entoai juntos salmos,
hinos e cânticos inspirados; cantai e celebrai o Senhor de todo o vosso
coração” (Ef 5,19).
Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef)
nas celebrações do Rito Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte / 4ª parte.
Agora nos cabe contemplar outro critério de seleção dos textos bíblicos: a
leitura semicontínua.
3. Leitura litúrgica
da Carta aos Efésios: Leitura
semicontínua
Conforme o n. 66 do Elenco
das Leituras da Missa (ELM),
a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um
livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de
Deus [1].
a) Celebração
Eucarística
Na Celebração Eucarística, as Cartas
Paulinas são lidas sob esse critério tanto nos domingos quanto nos dias de
semana do Tempo Comum (cf. ELM,
nn. 107.110) [2].
Primeiramente a Carta aos Efésios é lida de maneira
semicontínua como 2ª leitura da Missa em sete domingos, do XV ao XXI Domingo do
Tempo Comum do Ano B, entre a Segunda Carta aos Coríntios e a Carta de Tiago:
XV Domingo: Ef 1,3-14 (forma breve: Ef 1,3-10);
XVI Domingo: Ef 2,13-18;
XVII Domingo: Ef 4,1-6;
XVIII Domingo: Ef 4,17.20-24;
XIX Domingo: Ef 4,30–5,2;
XX Domingo: Ef 5,15-20;
XXI Domingo: Ef 5,21-32 [3].
Nos dias de semana do Tempo
Comum, por sua vez, a Carta é lida
por duas semanas: da quinta-feira da XXVIII semana à
quinta-feira da XXX semana do Tempo Comum no ano par, entre outros dois
escritos paulinos: a Carta aos Gálatas
e a Carta aos Filipenses.
Nessas duas semanas a Carta
aos Efésios é lida praticamente na íntegra, sendo omitidas apenas algumas
partes da seção parenética que já foram lidas nos domingos ou em outras
celebrações. A leitura está organizada da seguinte forma:
quarta-feira, 13 de novembro de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (4)
“Revesti o homem novo,
criado à imagem de Deus” (Ef 4,24).
Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença
da Carta de São Paulo aos Efésios
(Ef) nas celebrações do Rito
Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica),
como indicado no Elenco das Leituras da Missa (n. 66) [1], na Celebração
Eucarística, nos demais Sacramentos e nos Sacramentais. Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.
Nesta postagem concluiremos
esse percurso com a Liturgia das Horas (LH).
2. Leitura litúrgica
da Carta aos Efésios:
Composição harmônica
d) Liturgia das Horas
Em relação à leitura de Efésios
em composição harmônica na Liturgia
das Horas, é preciso distinguir entre leituras longas, proferidas no Ofício das Leituras, e leituras breves, proferidas nas outras
horas (Laudes, Hora Média e Vésperas).
Iniciamos com as leituras longas do nosso escrito,
que são seis:
- Ofício das Leituras
da Festa da Sagrada Família (Domingo após o Natal): Ef 5,21–6,4 [2].
Enquanto na Missa da Festa se lê o “código doméstico” de Colossenses, como vimos em postagens anteriores, na LH se lê o
“código doméstico” de Efésios.
- Ofício das Leituras
da Solenidade da Ascensão do Senhor: Ef 4,1-24 [3], recordando o “duplo
movimento” de Cristo: “Ele subiu! Que
significa isso, senão que Ele desceu também às profundezas da terra! Aquele que
desceu é o mesmo que subiu mais alto do que todos os céus, a fim de encher o
universo” (vv. 9-10).
- Ofício das Leituras
da Solenidade da Assunção da Virgem Maria (15 de agosto): Ef
1,16–2,10 [4], sobre a obra salvífica do Senhor: “Deus nos ressuscitou com Cristo e nos fez sentar nos céus em virtude de
nossa união com Jesus Cristo” (v. 6).
- Ofício das Leituras
das Festas dos Evangelistas São Marcos (25 de abril) e São Mateus, Apóstolo (21 de setembro): Ef 4,1-16 [5],
perícope que atesta a diversidade de ministérios, incluindo os “apóstolos” e
“evangelistas”.
quarta-feira, 9 de outubro de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (4)
“Cantai a Deus salmos,
hinos e cânticos espirituais, em ação de graças” (Cl 3,16).
Nas postagens anteriores da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl)
nas celebrações do Rito Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.
Agora cabe contemplar o outro critério de seleção dos textos bíblicos: a
leitura semicontínua.
3. Leitura litúrgica
da Carta aos Colossenses: Leitura semicontínua
De acordo com o n. 66 do Elenco
das Leituras da Missa (ELM),
a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um
livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de
Deus [1].
a) Celebração
Eucarística
Na Celebração Eucarística, as Cartas
Paulinas são lidas de maneira semicontínua tanto nos domingos quanto nos
dias de semana do Tempo Comum (cf. ELM, nn. 107.110) [2].
Nos domingos a Carta aos Colossenses é a 2ª leitura da
Missa do XV ao XVIII Domingo do Tempo Comum do Ano C, entre a leitura semicontínua
da Carta aos Gálatas e da Carta aos Hebreus (cap. 11–12).
As quatro perícopes escolhidas do
nosso livro aqui são:
XV Domingo: Cl 1,15-20;
XVI Domingo: Cl 1,24-28;
XVII Domingo: Cl 2,12-14;
XVIII Domingo: Cl 3,1-5.9-11 [3]
Nos dias de semana do Tempo
Comum, por sua vez, a Carta é lida
por oito dias: da quarta-feira da XXII semana à quinta-feira
da XXIII semana do Tempo Comum no ano ímpar, entre a leitura da Primeira Carta aos Tessalonicenses e da Primeira
Carta a Timóteo.
XXII semana do Tempo
Comum (Ano ímpar):
Quarta-feira: Cl
1,1-8;
Quinta-feira: Cl
1,9-14;
Sexta-feira: Cl
1,15-20;
Sábado: Cl
1,21-23.
quarta-feira, 2 de outubro de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Colossenses (3)
“Que a palavra de
Cristo, com toda a sua riqueza, habite em vós” (Cl 3,16).
Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença
da Carta de São Paulo aos Colossenses (Cl)
nas celebrações do Rito Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo
ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1] na
Celebração Eucarística e nos demais Sacramentos. Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte.
Agora concluiremos a análise
sob esse critério com os Sacramentais e a Liturgia das Horas.
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| Jesus Cristo, Senhor dos Anjos (Edward Burne-Jones) |
2. Leitura litúrgica
da Carta aos Colossenses: Composição
harmônica
c) Sacramentais
Quanto aos Sacramentais,
consideremos primeiramente aqueles que implicam a consagração de pessoas.
Na Bênção de abade ou
abadessa consta dentre as leituras ad
libitum (à escolha) o texto de Cl 3,12-17 [2], com a exortação à
prática das virtudes. Destaca-se aqui o v. 16: “Ensinai e admoestai-vos uns aos outros com toda a sabedoria”,
recordando a função do abade ou abadessa como guia da comunidade.
Dessa mesma perícope é tomada uma das opções de aclamação
ao Evangelho para essa celebração: “A paz de Cristo reine em vossos
corações, para a qual fostes chamados num só corpo!” (Cl 3,15) [3].
Uma versão ligeiramente mais longa desse texto conta como 2ª
opção de antífona de entrada para a Missa ritual: “Acima de tudo tende
a caridade, que é laço da perfeição; e exulte em vossos corações a paz do
Cristo” (Cl 3,14-15)
[4].
Para a Consagração
das virgens e a Profissão religiosa, que compartilham as mesmas opções de
leituras, propõem-se dois textos à escolha: Cl 3,12-17, como acima, e Cl
3,1-4 [5], com a exortação a buscar “as
coisas do alto, onde está Cristo”.
Na sequência contemplemos as bênçãos de pessoas, lugares e
objetos, nas quais identificamos sete leituras do nosso escrito à escolha:
quarta-feira, 4 de setembro de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (4)
“Para mim, o viver é
Cristo” (Fl 1,21).
Nas últimas postagens da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura começamos a analisar a presença da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl)
nas celebrações do Rito Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica). Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte / 3ª parte.
Agora nos cabe contemplar o outro critério de seleção dos textos bíblicos: a
leitura semicontínua.
3. Leitura litúrgica
da Carta aos Filipenses: Leitura
semicontínua
Segundo o n. 66 do Elenco
das Leituras da Missa (ELM),
a leitura semicontínua consiste na proclamação dos principais textos de um
livro na sequência, oferecendo aos fiéis um contato mais amplo com a Palavra de
Deus [1].
a) Celebração
Eucarística
Na Celebração Eucarística, as Cartas
Paulinas são lidas de maneira semicontínua tanto nos domingos quanto nos
dias de semana do Tempo Comum (cf.
ELM, nn. 107.110) [2].
No ciclo dominical, a Carta
aos Filipenses é proclamada como
2ª leitura do XXV ao XXVIII Domingo do Tempo Comum no Ano
A, entre a Carta aos Romanos e a Primeira Carta aos Tessalonicenses:
XXV Domingo: Fl 1,20c-24.27a;
XXVI Domingo: Fl 2,1-11 (Forma
breve: Fl 2,1-5);
XXVII Domingo: Fl 4,6-9;
XXVIII Domingo: Fl 4,12-14.19-20
[3].
Nos dias feriais do Tempo Comum,
por sua vez, a Carta é lida da sexta-feira da XXX semana ao sábado da XXXI
semana do Tempo Comum no ano par, após a leitura da Carta aos Efésios e antes das Cartas
a Tito e a Filêmon.
Trata-se aqui de uma leitura
substancial da Carta, sendo omitidos poucos textos, como podemos ver a seguir:
XXX semana do Tempo Comum
(Ano par):
Sexta-feira: Fl
1,1-11;
Sábado: Fl
1,18b-26.
XXXI semana do Tempo
Comum (Ano par):
Segunda-feira: Fl
2,1-4;
Terça-feira: Fl
2,5-11;
Quarta-feira: Fl
2,12-18;
Quinta-feira: Fl
3,3-8a;
Sexta-feira: Fl
3,17–4,1;
Sábado: Fl
4,10-19 [4].
Vale destacar ainda os dois textos da Carta propostos como
versículos de aclamação ao Evangelho no Tempo Comum:
- “Como astros no mundo vós resplandeceis, mensagem de
vida ao mundo anunciando...” (Fl 2,15d.16a): XXIX Domingo (Ano A), VIII
Domingo (Ano C), sexta-feira da X semana e segunda-feira da XXXII semana [5];
- “Em tudo considero como perda e lixo, a fim de ganhar
Cristo e ser achado n’Ele” (Fl 3,8-9): Quarta-feira da XXVI semana e
quinta-feira da XXIX semana [6].
b) Liturgia das Horas
Na Liturgia das Horas
a Carta aos Filipenses é lida na
íntegra no Ofício das Leituras da XXVI semana
do Tempo Comum, entre a leitura do Livro de Ezequiel e da Primeira
Carta a Timóteo.
quarta-feira, 28 de agosto de 2024
Leitura litúrgica da Carta aos Filipenses (3)
“Alegrai-vos sempre no
Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,4-5).
Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença
da Carta de São Paulo aos Filipenses (Fl)
nas celebrações do Rito Romano.
Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o
critério da composição harmônica, isto é, da sintonia com o tempo
ou a festa litúrgica (cf. Elenco das Leituras da Missa, n. 66) [1] na
Celebração Eucarística. Para acessar a primeira parte, clique aqui; para a segunda parte, clique aqui.
Nesta postagem concluiremos a análise sob esse critério com os
demais Sacramentos, os Sacramentais e a Liturgia das Horas.
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| Batismo de Lídia em Filipos (At 16,11-15) |
2. Leitura litúrgica
da Carta aos Filipenses:
Composição harmônica
b) Sacramentos e
Sacramentais
Além da Eucaristia, alguns textos da Carta aos Filipenses constam entre as leituras ad libitum (à escolha) dos Sacramentos
da Unção dos Enfermos e do Matrimônio e de dois ritos relacionados ao Batismo.
Primeiramente, no contexto da Iniciação Cristã de adultos,
quando estes recebem o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia na Vigília Pascal,
na manhã do Sábado Santo podem celebrar-se os Ritos de preparação imediata. A leitura indicada para esses ritos é
Fl 3,4-15 [2], na qual Paulo exorta a lançar-se “para frente”,
isto é, para Cristo.
Para o Rito da
Admissão dos batizados, pelo qual são acolhidas na Igreja pessoas já
batizadas em outras comunidades eclesiais, sugere-se a leitura de Fl
4,4-8 [3], com o convite à alegria e a exortação a praticar a virtude.
Na Unção dos Enfermos,
por sua vez, é possível ler Fl 2,25-30 [4], sobre a doença de
Epafrodito, enviado da comunidade a Paulo, e sua recuperação: “Estava às portas da morte, mas Deus
compadeceu-se dele” (v. 27).
Para o Matrimônio, por fim, a leitura sugerida da nossa
Carta é Fl 4,4-9 [5], com o
convite à alegria e a exortação à virtude, como vimos acima.
Quanto aos Sacramentais, consideremos
primeiramente aqueles que dizem respeito à consagração de pessoas, com duas
ocorrências da nossa Carta dentre as opções de leituras ad libitum
(à escolha):
No novo rito da Instituição de Catequistas (De
Institutione Catechistarum), promulgado pelo Dicastério para o Culto Divino
em dezembro de 2021, propõe-se a leitura de Fl 4,4-9, destacando-se aqui
a exortação do v. 9: “Praticai o que aprendestes”.
Para a Consagração
das virgens e a Profissão religiosa, celebrações que compartilham as
mesmas opções de leituras, propõem-se dois textos de Filipenses [6]:
- Fl 2,1-4: a exortação do Apóstolo à unidade,
fundamental na vida religiosa: “Vivei em
harmonia, procurando a unidade” (v. 3);
- Fl 3,8-14: o convite a “esquecer o que ficou para
trás” e a lançar-se “para frente”, isto é, para Cristo.
Deste último texto é tomada também uma das opções de aclamação
ao Evangelho para essas celebrações: “Em tudo considero como perda e
lixo, a fim de ganhar Cristo e ser achado n’Ele” (Fl 3,8-9) [7].
Ainda em relação aos Sacramentais, contemplemos as bênçãos
de pessoas, lugares e objetos, nas quais identificamos seis leituras da Carta
à escolha:
- Bênção de noivos:
Fl 2,1-5 [8], a exortação a viver “unidos
no mesmo amor”.
- Bênção de idosos:
Fl 3,20–4,1 [9], onde o Apóstolo exorta: “Permanecei firmes no Senhor”, pois “nós somos cidadãos do céu”.
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| Ruínas de um batistério na cidade de Filipos |
- Bênção de edifício sede
de comunicação: Fl 4,8-9 [10], com uma exortação à ética nas
comunicações: “Irmãos, ocupai-vos com
tudo que é verdadeiro, respeitável,
justo, puro, amável, honroso...” (v. 8).
- Bênção de
instalações esportivas: Fl 3,12-15 [11], aqui, como na Primeira
Carta aos Coríntios, Paulo usa a
metáfora do esporte, afirmando: “Corro
direto para a meta, rumo ao prêmio, que, do alto, Deus me chama a receber em
Cristo Jesus” (v. 14).
quarta-feira, 19 de junho de 2024
Dissertações e Teses sobre Liturgia: PUC-SP 2023
Há três anos, em 2021, destacamos aqui em nosso blog cinco Dissertações de Mestrado do Programa de Estudos Pós-Graduados em Teologia da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
As cinco Dissertações, defendidas entre 2017 e 2019, orientadas
pelo Padre Valeriano dos Santos Costa, Doutor em Teologia pelo
Pontifício Instituto Santo Anselmo (Roma), propunham um diálogo entre a
Liturgia e o pensamento do sociólogo polonês Zygmunt Bauman (†2017).
Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade à proposta
destacando cinco trabalhos acadêmicos (duas Dissertações de Mestrado e três
Teses de Doutorado) defendidos na PUC-SP em 2023, propondo um diálogo
entre a Liturgia e o pensamento do filósofo espanhol Xavier Zubiri (†1983)
nos 40 anos da sua morte.
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| Xavier Zubiri (†1983) |
Já em 2021, com efeito, o Padre Valeriano havia orientado uma Dissertação relacionando a música litúrgica com o pensamento zubiriano, particularmente
com seu conceito de “inteligência senciente”, que busca um equilíbrio
entre razão e sentidos, evitando assim que a Liturgia caia nos extremos do racionalismo
e do sentimentalismo.
Seguem os resumos das Dissertações e Teses, que podem ser
acessadas na íntegra no site da PUC-SP, conforme os links abaixo:
A
dimensão mística da Liturgia no horizonte da metafísica zubiriana
Jucilei
Lima da Silva
Orientador:
Valeriano dos Santos Costa
Dissertação
de Mestrado (junho de 2023), 117 páginas
O
objetivo deste trabalho é descrever uma dimensão da Liturgia, que dissemos mística
e como o humano em sua constitutividade experiencia tal dimensão. E, como
implicações, procura descrever numa linguagem mística teológica os
desdobramentos na vida diária do cristão que podem e devem ocorrer ao
experienciar tão grande realidade, tudo isso à luz da metafísica do filósofo
espanhol Xavier Zubiri. Para tal tarefa será utilizado o método de natureza
exploratória, que possibilita uma aproximação tanto do entendimento de Liturgia
como do pensamento de Zubiri. Isso leva a constatar que, graças ao caráter
humano de inteligência senciente, ela pode atualizar formalmente a coisa real
como realidade na intelecção. A coisa fica atual, é um estar, e porque está o
humano dá-se conta dela. A coisa está formalmente como realidade na
inteligência senciente, que sente tal realidade.
Capítulos:
1.
Horizonte da metafísica zubiriana
2.
Dimensão mística da Liturgia
3.
Dimensão mística da Liturgia e inteligência senciente: Implicações para vivência
prática
A
estrutura dinâmica da Liturgia à luz do realismo zubiriano e do n. 9 da Redemptionis
Sacramentum
João
José Bezerra
Orientador:
Valeriano dos Santos Costa
Tese
de Doutorado (junho de 2023), 199 páginas
sábado, 11 de maio de 2024
Fotos da Proclamação do Jubileu 2025
Na quinta-feira, 09 de maio de 2024, o Papa Francisco presidiu no átrio da Basílica de São Pedro a cerimônia de proclamação do Jubileu de 2025, com a entrega da Bula Spes non confundit.
O Papa entregou cópias da Bula aos Arciprestes das quatro Basílicas Maiores e a outros oficiais da Cúria Romana [1]. Em seguida o Monsenhor Leonardo Sapienza, Protonotário Apostólico, leu uma síntese da Bula junto à Porta Santa.
Seguiram-se as II Vésperas da Solenidade da Ascensão do Senhor dentro da Basílica.
Os Cerimoniários assistentes foram Dom Diego Giovanni Ravelli e o Monsenhor Yala Banorani Djetaba. O livreto da celebração pode ser visto aqui.
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| Cópias da Bula Spes non confundit |
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| Monição introdutória |
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| Entrega da Bula (Cardeal Gambetti, Arcipreste de São Pedro) |
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| Cardeal Ryłko, Arcipreste de Santa Maria Maior |
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| Monsenhor Leonardo Sapienza, Protonotário Apostólico |
quarta-feira, 8 de maio de 2024
Leitura litúrgica dos Livros de Jonas e Abdias
“Cada um deve afastar-se do mau caminho e de suas práticas perversas” (Jn 3,8).
Embora tradicionalmente seja contado dentro do grupo dos
“doze profetas menores”, o Livro de Jonas
(Jn) não é um escrito profético, e
sim uma narrativa ou “novela bíblica”, semelhante aos Livros de Rute, Ester, Judite e Tobias.
Nesta postagem da nossa série de postagens sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura contemplaremos, pois, esta obra ímpar do Antigo
Testamento (AT), mencionada inclusive por Jesus no Evangelho.
No final da postagem, por sua vez, falaremos brevemente da leitura litúrgica do Livro de Abdias (Ab), completando assim o grupo dos “profetas menores”.
1. Breve introdução ao Livro de Jonas
“Jonas, filho de Amitai” (ou Amati) é citado como profeta em
2Rs 14,25, tendo vivido no tempo em que Jeroboão II era rei de Israel
(782-753 a. C.). O autor anônimo do Livro
de Jonas faz uma “homenagem” a este profeta, emprestando seu nome para o
personagem principal da sua narrativa, uma “parábola” de caráter didático.
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| Profeta Jonas (Michelangelo - Capela Sistina) |
A linguagem de Jonas,
com efeito, nos remete ao período pós-exílico, sendo datado entre o final do
período persa e o início da época helenista, ou seja, entre os séculos V e IV
a. C., próximo a Joel e ao Dêutero-Zacarias (Zc 9–14).
Nesse sentido, a referência à cidade de Nínive é simbólica, dado que
esta cidade, antiga capital do Império Assírio, havia sido destruída em 612 a.
C., como anunciado pelo profeta Naum.
Nínive aqui representa os povos estrangeiros, que Deus também chama a
conversão.
Cada um dos quatro capítulos da narrativa compõe uma cena:
a) Jn 1: Jonas no mar;
b) Jn 2: Jonas no ventre do monstro marinho;
c) Jn 3: Jonas dentro de Nínive;
d) Jn 4: Jonas fora de Nínive.
Na primeira cena, após Deus enviá-lo a Nínive para pregar (Jn
1,1-2), Jonas foge, atraindo a ira divina sobre o barco. Note-se que o profeta
é a causa do infortúnio, mas permanece dormindo, enquanto os marinheiros estrangeiros
tratam-no bem e são piedosos, rezando a Deus e até oferecendo-lhe um sacrifício
(Jn 1,16).
Jonas, lançado ao mar, é engolido por uma espécie de “monstro
marinho”, dentro do qual permanece por três dias (Jn 2,1), linguagem
simbólica que será interpretada como profecia da Ressurreição de Cristo (cf. Mt 12,40). No ventre do
monstro Jonas entoa uma súplica, inspirada nos salmos.
O início da terceira cena retoma o início do livro, repetindo
a ordem de Deus (Jn 3,1-2). Desta vez o profeta obedece e anuncia a
mensagem à cidade: “Ainda quarenta dias e
Nínive será destruída” (Jn 3,4). Mais uma vez o autor insiste na
retidão dos estrangeiros: precisariam “três dias para percorrer a cidade”, mas
bastou um dia para que o povo se arrependesse de seus pecados, fazendo jejum e penitência.
Assim, a terceira cena termina com o perdão de Deus (Jn 3,10).
Por fim, Jonas senta-se fora da cidade, esperando sua
destruição. Como esta não acontece, tem “um
grande desgosto” e “fica irado”,
a ponto de lamentar-se com Deus. Este conclui a obra proclamando seu amor por
todas as criaturas, como ironicamente o próprio Jonas admite, citando Ex
34,6-7: “És um Senhor benigno e
misericordioso, paciente e cheio de bondade, e que facilmente perdoas a punição”
(Jn 4,2).
A maioria dos estudiosos entende o Livro de Jonas como uma crítica às reformas de Esdras e Neemias,
que “fecharam” o Judaísmo às influências externas, proibindo casamentos com
estrangeiros e realizando a construção do “muro” de Jerusalém, literal e figurativamente.
Jonas é imagem do povo de Israel que precisa converter-se, abrindo-se à
salvação universal desejada por Deus.
Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da
postagem.
2. Leitura litúrgica
de Jonas: Composição harmônica
A narrativa de Jonas
tem uma presença bastante “modesta” na Liturgia do Rito Romano, como veremos ao
analisar sua leitura seguindo os dois critérios de seleção dos textos indicados
no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura
semicontínua [1].
Começamos, naturalmente, pela composição harmônica: a
escolha do texto por sua sintonia com o tempo ou festa litúrgica.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Leitura litúrgica do Livro de Zacarias 9–14
“Exulta, cidade de Sião! Rejubila, cidade de Jerusalém. Eis que teu rei vem ao teu encontro” (Zc 9,9).
Em uma postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura vimos que o Livro
de Zacarias (Zc) é na verdade formado por duas obras
de épocas diferentes: os capítulos 1–8, cuja presença na Liturgia analisamos na
referida postagem, e os capítulos 9–14, que serão o conteúdo deste breve
estudo.
1. Breve introdução ao Livro de Zacarias 9–14
Como vimos, os capítulos 1–8 são a obra do “Proto-Zacarias”
(Primeiro Zacarias), contemporâneo do profeta Ageu, cuja preocupação central é
a reconstrução do Templo de Jerusalém (520-518 a. C.).
Os capítulos 9–14, por sua vez, integram a obra do
“Dêutero-Zacarias” (Segundo Zacarias), um profeta anônimo, cuja datação é
incerta. A maioria dos estudiosos o situa no final do século IV a. C., no
contexto das conquistas de Alexandre Magno da Macedônia. Isto faria do
Dêutero-Zacarias o último dos profetas do Antigo Testamento.
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| Profeta Zacarias (Michelangelo - Capela Sistina) |
Embora alguns temas do Proto-Zacarias sejam retomados, como a
aliança ou as promessas de abundância, desaparece aqui a preocupação central com
o Templo e nenhum personagem é nomeado (como Zorobabel ou Josué, referidos
diversas vezes nos capítulos 1–8).
No capítulos do Dêutero-Zacarias predominam os oráculos
sobre a vinda do Messias, com frequentes referências a outros textos do Antigo
Testamento (AT), sobretudo aos “profetas maiores” (Isaías, Jeremias e Ezequiel)
e aos Salmos.
Podemos dividir esses capítulos em duas partes bem definidas
(a ponto de alguns estudiosos defenderem que a segunda parte seria obra de um
“terceiro-Zacarias”):
1ª parte: Zc
9–11:
a) Zc 9,1–10,2: o
Messias humilde e pacífico contrapõe-se às nações estrangeiras em guerra;
b) Zc 10,3–11,3: espécie
de “novo êxodo”, com um desfile jubiloso diante do qual caem as nações
inimigas, representadas pelo Egito e pela Assíria;
c) Zc 11,4-17:
acusação contra os maus pastores (Deus “quebra” sua aliança com eles).
2ª parte: Zc
12–14:
a) Zc 12–13: Deus
promete proteger Jerusalém dos seus inimigos e o povo se purifica de seus
pecados;
b) Zc 14: combate
escatológico e vitória definitiva do Senhor.
Na primeira parte predomina a poesia e há várias referências
geográficas, enquanto a segunda parte é em prosa e localizada em Jerusalém.
O tema da escatologia é bastante presente na obra, sobretudo
na segunda parte, onde se repete 17 vezes a fórmula escatológica: “Naquele dia
acontecerá...”. Utilizam-se também muitas imagens simbólicas, próprias da
literatura apocalíptica.
Se no Proto-Zacarias tínhamos o Templo como centro, o Dêutero-Zacarias
gira em torno da cidade de Jerusalém: sua purificação em Zc 13,1-2 pode ser considerada o centro da obra. A partir dela o
Reino de Deus se estende por toda a terra.
As referências ao Messias, apresentado como rei, pastor e
servo, tornaram este escrito um dos mais citados no Novo Testamento.
Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da
postagem.
2. Leitura litúrgica de Zacarias 9–14: Composição harmônica
Não obstante sua presença relativamente “modesta” nas celebrações litúrgicas, analisaremos a leitura de Zacarias 9–14 seguindo os dois critérios de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].
Começamos por suas leituras em composição harmônica, isto é, quando a escolha do texto se dá em sintonia com o tempo ou festa litúrgica.
a) Celebração Eucarística
Seguindo o ciclo do Ano Litúrgico, antes ainda de
considerarmos as leituras propriamente ditas, cabe destacar duas antífonas
tomadas do nosso livro e entoadas no Ciclo do Natal, ambas anunciando a vinda
do Senhor:
quarta-feira, 24 de abril de 2024
Leitura litúrgica do Livro de Malaquias
“Desde o nascer do sol até ao poente, em todo o lugar se oferece um sacrifício e uma oblação pura ao meu Nome” (Ml 1,11).
Na postagem anterior da nossa série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura, começamos a analisar os escritos dos “profetas
menores” após o exílio da Babilônia com o Livro de Ageu e os capítulos 1–8 do Livro de Zacarias.
Com esta postagem damos continuidade à proposta com o Livro de Malaquias (Ml), que figura na Bíblia cristã como o último dos escritos
proféticos do Antigo Testamento (AT).
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| Profeta Malaquias (James Tissot) |
1. Breve introdução ao Livro de Malaquias
A tradição judaica coloca Malaquias e o Dêutero-Zacarias
(Zc 9–14) como os últimos profetas, aos quais podemos acrescentar Joel. Embora figure por último na Bíblia
cristã, por razões teológicas, o Livro de
Malaquias é o mais antigo dos três citados, podendo remontar ao contexto
das reformas de Esdras e Neemias (século V a. C.).
As reformas desses dois personagens fundamentaram o Judaísmo
em três pilares: um Templo, uma Lei, um povo. Na narrativa de Malaquias
o Templo parece já estar concluído, pois o problema agora são os pecados dos
sacerdotes. A idolatria, interpretada como um casamento com uma mulher
estrangeira, nos coloca no contexto da proibição desses casamentos.
Malaquias é provavelmente um nome simbólico, que significa
“mensageiro”. Sua mensagem, composta por três capítulos, é formada por seis
unidades, “emolduradas” por um breve prólogo e um epílogo.
a) Ml 1,1: Prólogo, com o título da obra;
b) Ml 1,2-5: Acusação contra Edom e declaração do
amor de Deus por Israel;
c): Ml 1,6–2,9: Acusação contra os sacerdotes, que
oferecem animais indignos ao Senhor (provavelmente guardando os melhores
animais para si);
d) Ml 2,10-16: Acusação contra a idolatria e o
divórcio;
e) Ml 2,17–3,5: Acusação contra uma série de injustiças,
anunciando a vinda do “mensageiro” que antecede o “dia de Iahweh”;
f) Ml 3,6-12: Acusação contra fraudes nos dízimos -
se o povo for fiel, Deus promete abundância;
g) Ml 3,13-21: O profeta opõe o justo e o ímpio,
prometendo que o homem justo receberá a bênção do Senhor;
h) Ml 3,22-24: Epílogo (talvez como acréscimo
posterior), evocando Moisés, como luz para o passado, e Elias, como esperança
para o futuro.
Cada unidade possui três elementos que se repetem: crítica
do profeta, réplica dos destinatários e nova exortação do profeta. As primeiras
três controvérsias são mais fechadas no castigo do pecado, enquanto as três
últimas abrem-se à esperança escatológica no “dia de Iahweh”, quando reinará
a justiça.
As referências ao “mensageiro” que prepara o caminho diante
do Senhor (Ml 3,1) e ao profeta Elias (Ml 3,23-24) foram aplicadas
no Novo Testamento a João Batista (Mc 1,2; 9,11-12; Mt 17,10-13; Lc
1,17.76; 7,27; Jo 3,28), razão pela qual Malaquias foi disposto como último livro do AT na Bíblia cristã,
antecedendo a pregação de João.
Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da
postagem.
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| João Batista com as asas do "anjo" (mensageiro) entre Elias e Enoc (Daniel Codrescu - Bucareste, Romênia) |
2. Leitura litúrgica de Malaquias: Composição harmônica
Como temos feito com todos os livros da Sagrada Escritura
estudados nesta série, analisaremos a presença do Livro de Malaquias nas celebrações litúrgicas seguindo os dois critérios
de seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco
das Leituras da Missa (ELM):
a composição harmônica e a leitura semicontínua [1].
Começamos pela composição harmônica: a escolha do texto em
sintonia com o tempo ou festa litúrgica.
a) Celebração Eucarística
Iniciando nosso percurso pelos ciclo do Ano Litúrgico,
identificamos leituras do nosso livro em três ocasiões, uma no Advento e duas no Tempo Comum:
quarta-feira, 17 de abril de 2024
Leitura litúrgica dos Livros de Ageu e Zacarias 1–8
“Voltai-vos para mim, diz o Senhor dos exércitos, e Eu me voltarei para vós” (Zc 1,3).
Em nossa série de postagens sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura já analisamos os escritos dos “profetas menores”
do século VIII a. C. (Amós, Oseias e Miqueias) e do século VII a. C. (Sofonias, Naum e Habacuc).
Nesta postagem gostaríamos de dar continuidade a esta
proposta com dois livros proféticos que remontam ao século VI a. C.: o Livro
de Ageu (Ag) e os capítulos 1–8 do
Livro de Zacarias (Zc).
1. Breve introdução aos Livros de Ageu e Zacarias 1–8
Como vimos em nossa postagem sobre os Livros de Esdras e Neemias,
em 539 a. C. o rei persa Ciro II derrotou o Império Babilônico, decretando o
fim do exílio do povo de Israel e autorizando a reconstrução do Templo de
Jerusalém, que havia sido destruído em 587 a. C.
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| Profeta Ageu (James Tissot) |
O início dos Livros de
Ageu e Zacarias no situa “no segundo ano do rei Dario” (cerca de 520
a. C.). Dario I, com efeito, deu continuidade à política de Ciro II,
incentivando o retorno dos exilados.
A reconstrução do Templo, porém, enfrentou várias
dificuldades. Assim, os profetas Ageu e Zacarias - citados duas vezes no Livro de Esdras (Esd 5,1; 6,14) - motivaram o povo a prosseguir
os trabalhos (que só seriam concluídos em 515 a. C.), exortando o governador
Zorobabel e o sumo-sacerdote Josué.
O Livro de Ageu, com apenas dois
capítulos, pode ser subdividido em quatro seções que se intercalam:
- Seções A (Ag 1,1-15) e C (Ag 2,10-19): o
povo se preocupa apenas em construir belas casas para si, por isso “os céus se
fecharam”; se retomarem os trabalhos do Templo, Deus os abençoará;
- Seções B (Ag 2,1-9) e D (Ag 2,20-23):
promessas escatológicas - a glória do novo Templo superará o antigo e Deus
protegerá seu povo das nações inimigas.
Quanto ao Livro de Zacarias, suas grandes
diferenças permitem identificar a existência de dois livros, de autores e
épocas diferentes:
- Zc 1–8: “Proto-Zacarias” (Primeiro Zacarias),
contemporâneo de Ageu, preocupado com o Templo;
- Zc 9–14: “Dêutero-Zacarias” (Segundo Zacarias),
provavelmente do século IV a. C., com uma série de profecias messiânicas.
Embora alguns temas apareçam nas duas partes, nos deteremos
aqui no Proto-Zacarias (a segunda parte do livro receberá uma postagem própria).
Seus oito capítulos podem ser subdivididos em duas seções:
a) Zc 1–6: após um breve prólogo exortando à
conversão (Zc 1,1-6), são descritas oito visões (Zc 1,7–6,8),
concluindo com uma “coroação” (Zc 6,9-15);
b) Zc 7–8: oráculos sobre o jejum e a salvação messiânica.
As visões da primeira parte, marcadas pela linguagem
simbólica própria da literatura apocalíptica, provavelmente eram na sua origem
sete, em círculos concêntricos. O núcleo está na visão do candelabro, símbolo
do Templo reconstruído, e das duas oliveiras, aqueles que são ungidos para
protegê-lo, isto é, os reis e sacerdotes.
O Templo ocupa efetivamente o centro da narrativa: a partir dele tudo o
mais será restaurado, “o Senhor voltará” e a iniquidade será desterrada.
A quarta visão (cap. 3) é provavelmente um acréscimo
posterior, para destacar a atuação dos sacerdotes. Da mesma forma, Zc
6,9-15 provavelmente seria a princípio um relato de coroação de Zorobabel, como uma espécie
de restauração da monarquia, que teria sido alterado para dar ênfase a Josué,
ou seja, ao sacerdócio.
Na segunda parte do Proto-Zacarias (cap. 7–8) a grande
questão é o jejum: este deve ser acompanhado pela prática da justiça (Zc
7,9-10), sendo ocasião também para a alegria (Zc 8,18-19). A referência
aos quatro jejuns ao longo do ano (Zc 8,19) inspiraria a
tradição cristã das “Quatro Têmporas”.
Para saber mais, confira a bibliografia indicada no final da
postagem.
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| Profeta Zacarias (James Tissot) |
2. Leitura litúrgica de Ageu e Zacarias 1–8: Composição harmônica
Como fizemos com os demais livros estudados nesta série,
analisaremos a presença de Ageu e Zacarias 1–8 nas celebrações litúrgicas do Rito Romano seguindo os dois critérios de
seleção dos textos indicados no n. 66 do Elenco
das Leituras da Missa (ELM): a composição harmônica e a leitura semicontínua
[1].
Começamos pela leitura em composição harmônica: a escolha do texto em sintonia com o tempo ou a festa litúrgica.
a) Celebração Eucarística
Seguindo o ciclo do Ano Litúrgico, antes ainda de entrarmos
nas leituras, cabe destacar duas antífonas do Livro de
Ageu indicadas para o Tempo do Advento:
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