Há cerca de 25 anos, na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:
João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
O caminho quaresmal
Caríssimos irmãos e irmãs,
1. “Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do
Senhor” (Sl 94,8).
Este convite da Liturgia ressoa na nossa alma, pois hoje, Quarta-feira de Cinzas, tem início o itinerário quaresmal. Ele nos levará ao Tríduo Pascal,
memória viva da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor, coração do
mistério da nossa salvação.
O santo Tempo da Quaresma, desde sempre muito sentido pelo povo
cristão, evoca antigos acontecimentos bíblicos, como os quarenta dias do
dilúvio universal, prelúdio do pacto da aliança feita por Deus com Noé; os
quarenta anos de peregrinação de Israel no deserto rumo à Terra prometida; os
quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, onde recebeu do Senhor
as Tábuas da Lei. O tempo quaresmal nos convida sobretudo a reviver com Jesus
os quarenta dias que Ele passou no deserto, rezando e jejuando, antes de começar
a sua missão pública, que culminará no Calvário com o sacrifício da Cruz,
vitória definitiva sobre o pecado e a morte.
2. “Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn
3,19).
É sempre muito eloquente o tradicional rito da imposição das cinzas, que
hoje se repete, e são sugestivas as palavras que o acompanham. Na sua
simplicidade, esse rito recorda a caducidade da vida terrena: tudo passa
e está destinado a morrer. Nós somos peregrinos neste mundo, viajantes que não
devem esquecer a sua meta verdadeira e definitiva: o Céu. Com efeito, embora
sejamos pó e destinados a voltar ao pó, todavia nem tudo termina. Criado à imagem
e semelhança de Deus, o homem é destinado à vida eterna. Morrendo na Cruz,
Jesus abriu a cada ser humano o caminho para ela.
Toda a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas nos ajuda a evidenciar
esta verdade fundamental de fé e nos estimula a começar um decidido itinerário
de renovação pessoal. Devemos mudar nosso modo de pensar e de agir, fixando o
olhar no rosto de Cristo Crucificado e fazendo do seu Evangelho a regra de vida
do nosso dia-a-dia. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc
1,15): seja este o nosso programa quaresmal, enquanto
entramos em um clima de piedosa escuta do Espírito.






















