segunda-feira, 13 de abril de 2026

Eleito novo Patriarca da Igreja Católica Caldeia

No domingo, 12 de abril de 2026, o Sínodo dos Bispos da Igreja Católica Caldeia, uma das Igrejas Católicas Orientais, elegeu Dom Emil Shimoun Nona (58 anos), até então Bispo da Eparquia de São Tomé Apóstolo em Sydney, como novo Patriarca de Bagdá dos Caldeus, com o nome de Paulo III.


Emil Shimoun Nona [1] nasceu em 01 de novembro de 1967 em Alqosh (Iraque). Recebeu a Ordenação Presbiteral no dia 11 de janeiro de 1991, incardinado na Eparquia de Alqosh dos Caldeus.

Após alguns anos servindo como sacerdote em Alqosh, no ano 2000 foi enviado a Roma para o Doutorado em Teologia na Pontifícia Universidade Lateranense, concluído em 2005.

De volta ao Iraque continuou servindo como Pároco em Alqosh e como professor de Antropologia no Babel College, além de ser nomeado Protossincelo (Vigário Geral) da Eparquia de Alqosh.

Em 2009 foi eleito pelo Sínodo da Igreja Católica Caldeia como Arcebispo de Mosul dos Caldeus, decisão confirmada pelo Papa Bento XVI (†2022) no dia 13 de novembro do mesmo ano.

Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 08 de janeiro de 2010, sendo ordenante principal o então Patriarca dos Caldeus, Cardeal Emmanuel III Delly (†2014). Tomou posse na Catedral da Virgem Maria em Mosul no dia 22 de janeiro.


No início de 2014, porém, após a invasão do Estado Islâmico à região, foi forçado a deixar a região juntamente com a grande maioria da comunidade católica.

Após um período exilado em Erbil (Iraque), no dia 15 de janeiro de 2015 o Papa Francisco (†2025) o transferiu para a Eparquia de São Tomé Apóstolo em Sydney dos Caldeus, com jurisdição sobre a Austrália e a Nova Zelândia, conservando o título de Arcebispo ad personam. Tomou posse na Catedral de São Tomé Apóstolo em Sydney no dia 07 de março.

No dia 12 de abril de 2026, após a renúncia do Cardeal Louis Raphaël I Sako, o Sínodo da Igreja Católica Caldeia reunido em Roma elegeu Dom Emil Shimoun Nona como novo Patriarca de Bagdá dos Caldeus. Este assumiu o nome de Paulo III em honra ao seu predecessor Paulo II Cheikho (†1989), que também era natural de Alqosh [2].

O Patriarca Paulo III Nona agora aguarda a concessão da “comunhão eclesiástica” por parte do Papa Leão XIV.

Leão XIV com o Sínodo da Igreja Caldeia

A Igreja Católica Caldeia conta com cerca de 600 mil fiéis sobretudo no Iraque e em outros países do Oriente Médio. Utiliza o Rito Siríaco Oriental ou Caldeu. As outras comunidades que utilizam esse Rito são a Igreja Sírio-Malabar, outra das Igrejas Católicas Orientais, com sede em Kerala (Índia), e a Igreja Assíria do Oriente, uma das Igrejas Ortodoxas Orientais, com sede em Erbil (Iraque).

Notas:
[1] Às vezes transliterado como Amel Shamon ou Amel Shamoun.
[2] Seu nome também pode ser transliterado como Paulos ou Paul. 

Viagem do Papa Leão XIV: África (2026)

De 13 a 23 de abril de 2026 o Papa Leão XIV realiza a 3ª Viagem Apostólica do seu pontificado (após as viagens à Turquia e ao Líbano no final de 2025 e a Mônaco em março deste ano) e a primeira com destino à África, visitando quatro países: Argélia, Camarões, Angola e Guiné Equatorial.

Basílica de Santo Agostinho em Annaba (Argélia)

1ª ETAPA: ARGÉLIA (13-15 de abril)

O primeiro Papa da Ordem de Santo Agostinho será também o primeiro a visitar a Argélia, no norte da África, a terra de Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja.

Segunda-feira, 13 de abril de 2026
Após sua chegada à capital, Argel, Leão XIV visita o Memorial dos Mártires “Maqam Echahid”, um monumento àqueles que morreram lutando pela independência do país. Ainda pela manhã têm lugar o encontro com o Presidente da República e com as demais autoridades.
À tarde, por sua vez, o Papa visita a Grande Mesquita de Argel e um Centro de Acolhida administrado pelas Agostinianas Missionárias. O último compromisso do dia é o encontro com a comunidade católica argelina na Basílica de Nossa Senhora da África.

Basílica de Nossa Senhora da África em Argel (Argélia)

Terça-feira, 14 de abril de 2026
Pela manhã o Papa se dirige a Annaba, a antiga Hipona (Hippo Regius), sede episcopal e local da morte de Santo Agostinho.
Após visitar o sítio arqueológico e uma Casa de Acolhida para Idosos administrada pelas Irmãzinhas dos Pobres, o Papa tem um encontro privado com os agostinianos.
À tarde, por sua vez, o Bispo de Roma preside a Missa votiva de Santo Agostinho (com as leituras da terça-feira da II semana da Páscoa) na Basílica de Santo Agostinho, retornando em seguida a Argel.

Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Na manhã da quarta-feira, por fim, o Papa parte da Argélia em direção a Camarões.


2ª ETAPA: CAMARÕES (15-18 de abril)

Leão XIV será o terceiro Papa a visitar esse país da África Central, após duas visitas de São João Paulo II (agosto de 1985 e setembro de 1995) e uma de Bento XVI (março de 2009).

Quarta-feira, 15 de abril de 2026
Após sua chegada à capital, Yaoundé, na tarde desse dia, Leão XIV se encontra com o Presidente da República e com as demais autoridades. Os compromissos do dia se concluem com a visita a um orfanato e com uma reunião privada com os Bispos de Camarões.

domingo, 12 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: II Domingo da Páscoa (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 22 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do II Domingo da Páscoa (Ano C), o “Domingo da Divina Misericórdia”, na Praça de São Pedro um ano após a Canonização de Santa Faustina Kowalska.

Reproduzimos aqui sua homilia e sua breve reflexão antes da oração do Regina Coeli:

Celebração Eucarística no Domingo da Divina Misericórdia
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de abril de 2001

1. «Não tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre» (Ap 1,17-18).
Ouvimos na 2ª Leitura, tomada do Livro do Apocalipse, estas palavras consoladoras. Elas nos convidam a dirigir o olhar a Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, mesmo a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: «Não tenhas medo!»; morri na cruz, mas agora «vivo para sempre». «Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive».

«O Primeiro», isto é, a fonte de todo ser e primícias da nova criação; «o Último», o fim definitivo da história; «Aquele que vive», a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias Crucificado e Ressuscitado reconhecemos os traços do Cordeiro imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores arrependidos as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que agora tem «a chave da morte e da região dos mortos» (v. 18).


2. «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!» (Sl 117,1).
Façamos nossa a exclamação do salmista, que cantamos no Salmo responsorial: Eterna é a misericórdia do Senhor! Para compreender profundamente a verdade dessas palavras, deixemo-nos conduzir pela Liturgia ao coração do acontecimento da salvação, que une a Morte e a Ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio no qual se manifesta plenamente o amor do Pai que, pela nossa redenção, não recua nem mesmo diante do sacrifício do seu Filho Unigênito.

No Cristo humilhado e sofredor crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. A Cruz, mesmo depois da Ressurreição do Filho de Deus, «fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor pelo homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia» (Encíclica Dives in misericordia, n. 7).

Fotos da Bênção Urbi et Orbi de Páscoa (2026)

No dia 05 de abril de 2026, após celebrar a Missa na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao balcão central da Basílica Vaticana para a tradicional Bênção Urbi et Orbi (À cidade [de Roma] e ao mundo) por ocasião do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz e pelos Cardeais Dominique Mamberti (Protodiácono) e Ernest Simoni.

Execução dos hinos do Vaticano e da Itália


Mensagem de Páscoa

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Páscoa (2026)

Papa Leão XIV
Mensagem Urbi et Orbi de Páscoa
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Irmãos e irmãs,
Cristo ressuscitou! Feliz Páscoa!

Há séculos a Igreja canta exultante o acontecimento que é a origem e o fundamento da sua fé: «O Senhor da vida estava morto, mas agora, vivo, triunfa. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós» (Sequência Pascal).

A Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio. Uma vitória a um preço muito alto: Cristo, o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16), teve que morrer, e morrer em uma cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo (cf. Jo 1,29; 1Pd 1,18-19) e assim nos libertou todos do domínio do mal, e conosco também a criação.


Mas como Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo Adversário, o Príncipe deste mundo (cf. Jo 12,31)? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai?

Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata.

Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação (cf. Mt 26,42). Assim, percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar, a nós que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar, a nós que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida, a nós mortais, deixou-se matar na cruz.

sábado, 11 de abril de 2026

Missa do Domingo de Páscoa no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 05 de abril de 2026 o Papa Leão XIV presidiu a Missa do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor na Praça de São Pedro.

A Missa teve início com o tradicional rito do Ressurrexit. Destacamos a proclamação do Evangelho em latim e grego, gesto próprio das celebrações mais solenes presididas pelo Bispo de Roma.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada


Incensação do altar
Rito do Ressurrexit

Homilia do Papa: Domingo de Páscoa (2026)

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!

Este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, nos alcançando nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós!

Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte nos ameaça constantemente, por dentro e por fora.


Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos que lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar em um túnel do qual não vemos a saída.

Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção pelos mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.