quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

São John Henry Newman inscrito no Calendário Romano Geral

No dia 03 de fevereiro de 2026 o Dicastério para o Culto Divino divulgou um Decreto sobre a inscrição de São John Henry Newman, Presbítero e Doutor da Igreja, no Calendário Romano Geral, a ser celebrado com o grau de Memória facultativa no dia 09 de outubro.

São John Henry Newman (†1890), com efeito, recebeu o título de Doutor da Igreja no dia 01 de novembro de 2025, no contexto do “Jubileu do Mundo da Educação”. Como os demais Doutores da Igreja, sua celebração passa a constar no Calendário Romano Geral, podendo ser celebrada por todas as comunidades de Rito Romano.


Confira o Decreto na íntegra, cujo início (incipit) remete a um célebre poema do Cardeal Newman: “Lux benigna” (Kindly light), isto é, “Luz gentil”.

Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos
Decreto sobre a inscrição da celebração de São John Henry Newman, Presbítero e Doutor da Igreja, no Calendário Romano Geral

A luz gentil da graça de Deus, que veio a este mundo para iluminar as nações (cf. Lc 2,32), conduziu John Henry Newman a encontrar a paz na Igreja Católica e fortaleceu-o de tal modo que pôde dizer: «Deus me criou para lhe prestar um serviço concreto. Sou participante desta grande obra; um elo de uma corrente, uma ligação entre as pessoas. Ele não me criou para nada». Com efeito, ao longo da sua longa vida o Cardeal Newman dedicou-se incansavelmente ao serviço da sua vocação, cumprindo o ministério da investigação intelectual, bem como da pregação e do ensino, e ainda do serviço aos pobres e aos últimos.

A sua mente viva deixou-nos monumentos duradouros de grande importância no campo teológico e eclesiológico, assim como composições poéticas e de devoção. A sua constante procura de sair das sombras e das imagens em direção à plenitude da verdade tornou-se exemplo para todos os discípulos do Senhor Ressuscitado. Assim, São John Henry, reconhecido de modo especial como guia resplandecente da Igreja peregrina ao longo da história, pode justamente ser enumerado entre os outros Santos Doutores inscritos no Calendário Romano Geral.

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 3

Dando início às reflexões sobre as “parábolas”, segunda parte da seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos nesta postagem a última Catequese preparada pelo Papa Francisco antes da sua morte, sobre a parábola do pai misericordioso (Lc 15,11-32), e a primeira Catequese proferida pelo Papa Leão XIV após sua eleição, sobre a parábola do semeador (Mt 13,1-23).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 16 de abril de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.5. A vida de Jesus - As parábolas: O pai misericordioso (Lc 15,11-32)

Queridos irmãos e irmãs,
Depois de ter meditado sobre os encontros de Jesus com alguns personagens do Evangelho, a partir desta Catequese gostaria de refletir sobre algumas parábolas. Como sabemos, são relatos que retomam imagens e situações da realidade diária. Por isso tocam também a nossa vida. Provocam-nos. E pedem-nos que tomemos uma posição: onde eu estou nesse relato?

Comecemos com a parábola mais famosa, que todos nós conhecemos, talvez desde a infância: a parábola do pai e dos dois filhos (cf. Lc 15,11-32). Nela encontramos o coração do Evangelho de Jesus, isto é, a misericórdia de Deus.

O evangelista Lucas diz que Jesus conta essa parábola aos fariseus e escribas, que murmuravam porque Ele comia com os pecadores (vv. 1-3). Por isso, poderíamos dizer que se trata de uma parábola dirigida àqueles que se perderam, mas não o sabem e julgam os outros.

O retorno do filho pródigo (Rembrandt)
(Obra mencionada pelo Papa na Catequese)

O Evangelho quer nos confiar uma mensagem de esperança, porque nos diz que onde quer que tenhamos nos perdido, seja como for que tenhamos nos perdido, Deus vem sempre à nossa procura! Talvez tenhamos nos perdido como uma ovelha que se desviou do caminho para pastar ou que ficou para trás devido ao cansaço (cf. vv. 4-7). Ou talvez tenhamos nos perdido como uma moeda, que porventura caiu no chão e já não pode ser encontrada, ou que alguém colocou em algum lugar e já não se lembra onde (vv. 8-10). Ou talvez tenhamos nos perdido como os dois filhos desse pai: o mais novo, porque se cansou de estar em uma relação que lhe parecia demasiado exigente; mas o mais velho também se perdeu, pois não basta permanecer em casa se no coração houver orgulho e rancor.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Bênção de imagens nos Jardins Vaticanos

No início da tarde do sábado, 31 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV presidiu o rito da bênção de duas imagens nos Jardins Vaticanos: um mosaico representando a Virgem Maria através de oito devoções marianas do Peru e uma escultura de Santa Rosa de Lima.

Participaram da celebração dos Bispos do Peru presentes em Roma para a Visita Ad Limina Apostolorum.

Após os discursos dos responsáveis pela iniciativa, o Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, abençoou as duas imagens e proferiu um breve agradecimento aos presentes.

O Papa ouve os discursos
Saudação do Presidente da Conferência Episcopal Peruana
Bênção das imagens
Aspersão do mosaico da Virgem Maria
Aspersão da estátua de Santa Rosa de Lima

Dom Manuel Nin nomeado Exarca de Grottaferrata

No dia 31 de janeiro de 2026 o Papa Leão XIV nomeou Dom Manuel Nin Güell, O.S.B., Bispo Titular de Carcabia e até então Exarca Apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia, como novo Exarca Apostólico da Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata (Itália).

Dom Manuel Nin

Manuel Nin Güell nasceu em 20 de agosto de 1956 em El Vendrell (Espanha). Após ingressar na Ordem de São Bento (Beneditinos), professou os votos perpétuos na Abadia de Montserrat em 18 de abril de 1980.

Em 1984 foi enviado a Roma para o Mestrado em Patrística pelo Instituto Patrístico Augustinianum, concluído em 1987. Nesse período também realizou cursos complementares no Pontifício Instituto Oriental e no Pontifício Instituto Litúrgico.

Após dois anos como professor na Abadia de Montserrat, em 1989 retornou a Roma para o Doutorado em Patrística pelo Augustinianum, concluído em 1992. Permaneceu como professor no Pontifício Ateneu Santo Anselmo e em outras Universidades romanas, ao mesmo tempo em que ministrava cursos em Montserrat.

Em 1994 foi nomeado Consultor da Congregação para as Igrejas Orientais e, em 1996, Diretor Espiritual do Pontifício Colégio Grego de Santo Atanásio em Roma.

Recebeu a Ordenação Diaconal no dia 22 de novembro de 1997 em Roma e a Ordenação Presbiteral no dia 18 de abril de 1998 em Montserrat.

Em 1999 foi nomeado Reitor do Pontifício Colégio Grego de Santo Atanásio, recebendo o título de Arquimandrita (o equivalente a “Monsenhor” no Rito Romano).


Em 2013 foi nomeado Consultor do Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e em 2015 membro da Comissão Litúrgica da Congregação para as Igrejas Orientais.

No dia 02 de fevereiro de 2016 o Papa Francisco (†2025) o nomeou Bispo Titular de Carcabia e Exarca Apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia.

Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 15 de abril do mesmo ano na Basílica de São Paulo fora dos muros em Roma, sendo ordenante principal seu antecessor e Exarca Emérito, Dom Dimitrios Salachas (†2023), que havia renunciado por limite de idade.

No dia 31 de janeiro de 2026, por fim, o Papa Leão XIV nomeou Dom Manuel Nin como Exarca Apostólico da Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata (Itália), que estava vacante desde 2013, com a renúncia do Abade, Dom Emiliano Fabbricatore (†2019).

Desde então serve como Administrador Apostólico o Cardeal Marcello Semeraro, que até 2020 era Bispo de Albano e atualmente é Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Este exercerá seu ofício até a posse de Dom Manuel Nin (prevista para o dia 21 de fevereiro).

Abadia de Grottaferrata, Interior da igreja

Junto com as Eparquias de Lungro e Piana, a Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata, na região do Lácio, no centro da Itália, forma a Igreja Católica Ítalo-Albanesa, uma das Igrejas Católicas Orientais, com muitos fiéis descendentes de albaneses que migraram à Itália sobretudo entre os séculos XV e XVIII (arbëreshë).

A Abadia de Grottaferrata, porém, possui raízes mais antigas, tendo sido fundada por São Nilo de Rossano em 1004. Por isso também é conhecida como “Abadia de São Nilo”. É formada por uma pequena comunidade de monges da Ordem Basiliana Italiana de Grottaferrata (O.S.B.I.), de Rito Bizantino.

Em 1937 a Abadia de Grottaferrata foi “elevada” a Abadia Territorial, isto é, uma circunscrição eclesiástica autônoma: o Abade “a governa como seu pastor próprio, à maneira do Bispo Diocesano” (Código de Direito Canônico, cân. 370). Dom Manuel Nin, uma vez que já é Bispo, conserva ademais seu título de Exarca Apostólico.

Abadia de Grottaferrata, exterior da igreja

Com informações dos sites da Santa Sé e da Abadia de Grottaferrata.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Apresentação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 02 de fevereiro de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) presidiu pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Festa da Apresentação do Senhor. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Festa da Apresentação do Senhor
Dia Mundial da Vida Consagrada
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
A hodierna Festa da Apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias depois do seu nascimento, põe diante dos nossos olhos um momento particular da vida da Sagrada Família: segundo a lei mosaica, o pequeno Jesus é levado por Maria e José ao Templo de Jerusalém para ser oferecido ao Senhor (cf. Lc 2,22). Simeão e Ana, inspirados por Deus, reconhecem naquele Menino o Messias tão esperado e profetizam sobre Ele. Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, Primogênito da nova humanidade.

A sugestiva procissão das velas no início da nossa celebração nos fez reviver a majestosa entrada, cantada no Salmo responsorial, d’Aquele que é «o Rei da glória», «o poderoso nas batalhas» (Sl 23,7-8). Mas quem é o Deus poderoso que entra no Templo? É um Menino; é o Menino Jesus, nos braços da sua Mãe, a Virgem Maria. A Sagrada Família cumpre tudo o que a Lei prescrevia: a purificação da mãe, a oferta do primogênito a Deus e o seu resgate através de um sacrifício. Na 1ª leitura (Ml 3,1-4) a Liturgia fala do oráculo do profeta Malaquias: «Logo chegará ao seu templo o Dominador» (v. 1). Estas palavras comunicam toda a intensidade do desejo que animou a expectativa por parte do povo hebreu ao longo dos séculos. Entra finalmente na sua casa «o anjo da aliança» (ibid.) e se submete à Lei: vai a Jerusalém para entrar, em atitude de obediência, na casa de Deus.


O significado desse gesto adquire uma perspectiva mais ampla no trecho da Carta aos Hebreus proclamado hoje como 2ª leitura (Hb 2,14-18). Nele nos é apresentado Cristo, o mediador que une Deus e o homem abolindo as distâncias, eliminando toda divisão e abatendo todo muro de separação. Cristo vem como novo «sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo» (v. 17). Vemos assim que a mediação com Deus não se realiza mais na santidade-separação do sacerdócio antigo, mas na solidariedade libertadora com os homens. Ele inicia, ainda Menino, a andar pelo caminho da obediência, que percorrerá até o fim. A Carta aos Hebreus ressalta bem isso quando diz: «Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas... Àquele que era capaz de salvá-lo da morte... Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem» (Hb 5,7-9).

Homilia do Papa João Paulo II: Apresentação do Senhor (2001)

Nesta Festa da Apresentação do Senhor repropomos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 02 de fevereiro de 2001, durante a Missa celebrada pelo Cardeal Eduardo Martínez Somalo (†2021), Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica:

Festa da Apresentação do Senhor
V Dia Mundial da Vida Consagrada
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001

1.Vinde, Senhor, ao vosso templo santo” (Refrão do Salmo responsorial).
Com esta invocação, que cantamos no Salmo responsorial [1], a Igreja, no dia em que se comemora a Apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, expressa o desejo de acolhê-lo também no presente da sua história. A Apresentação é uma festa litúrgica sugestiva, fixada desde a antiguidade quarenta dias depois do Natal, baseando-se no que prescrevia a Lei hebraica para o nascimento de todo primogênito (cf. Ex 13,2). Maria e José, como é narrado na passagem evangélica, foram seus fiéis cumpridores.

Tradições cristãs do Oriente e do Ocidente se entrelaçaram, enriquecendo a Liturgia desta festa com uma especial procissão, na qual a luz das velas é símbolo de Cristo, Luz verdadeira que veio iluminar o seu povo e todas as nações. Desta forma, a data de hoje se relaciona com o Natal e com a Epifania do Senhor. Mas, ao mesmo tempo, ela é uma ponte para a Páscoa, reevocando a profecia do velho Simeão, que naquela circunstância anunciou o dramático destino do Messias e da sua Mãe.


O evangelista recordou esse acontecimento detalhadamente: ao acolher Jesus no santuário de Jerusalém foram duas pessoas idosas, cheias de fé e do Espírito Santo, Simeão e Ana. Elas personificavam o “resto de Israel”, vigilante na expectativa e pronto a ir ao encontro do Senhor, como já haviam feito os pastores na noite do seu nascimento em Belém.

2. Na coleta da Liturgia de hoje pedimos que também nós possamos ser apresentados ao Senhor “com os corações purificados”, segundo o modelo de Jesus, Primogênito de muitos irmãos. De modo particular vós, religiosos, religiosas e leigos consagrados, sois chamados a participar neste mistério do Salvador. É um mistério de oblação, no qual se fundamentam indissoluvelmente a glória e a cruz, segundo o caráter pascal próprio da existência cristã. É mistério de luz e de sofrimento; mistério mariano, no qual à Mãe, abençoada juntamente com o Filho, é preanunciado o martírio da alma.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vésperas da Conversão de São Paulo em Roma (2026)

Na tarde do domingo, 25 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV presidiu as Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo [1] na Basílica de São Paulo fora dos muros por ocasião do encerramento da 59ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O “tema” para este ano foi: “Há um só Corpo e um só Espírito, como também uma só é a esperança à qual fostes chamados” (Ef 4,4) e o material foi preparado por um grupo ecumênico da Armênia.

Como de costume, participaram da celebração representantes das Igrejas Ortodoxas, das Igrejas Ortodoxas Orientais e das comunidades protestantes.

O Papa, endossando um pluvial de São Paulo VI [2], foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Didier Jean-Jacques Bouable. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Oração diante do túmulo de São Paulo
Versículo introdutório: "Vinde, ó Deus..."
Hino: Excelsam Pauli gloriam
Salmodia