sexta-feira, 29 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Índice

“A esperança nasce do amor e se fundamenta no amor que brota do Coração de Jesus” (Bula Spes non confundit, n. 3).

De dezembro de 2025 a maio de 2026 publicamos aqui em nosso blog as Catequeses proferidas pelos Papas Francisco (†2025) e Leão XIV ao longo do Jubileu Ordinário de 2025.

Para saber mais, confira nossa postagem com o Calendário do Jubileu 2025.

Com o título de “Jesus Cristo, nossa esperança” (cf. 1Tm 1,1), o ciclo de Catequeses foi iniciado pelo Papa Francisco no dia 18 de dezembro de 2024. Após a sua morte o Papa Leão XIV deu continuidade às reflexões, concluídas no dia 17 de dezembro de 2025.

Confira a seguir os links para as 38 Catequeses, divididas em quatro seções: a infância de Jesus, a vida de Jesus, a Páscoa de Jesus, a Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo atual.


I. A INFÂNCIA DE JESUS

1. Genealogia de Jesus (Mt 1,1-17)
2. O anúncio a Maria (Lc 1,26-38)

3. O anúncio a José (Mt 1,18-24)

6. A visita dos Magos (Mt 2,1-12)


II. A VIDA DE JESUS

a) Os encontros

1. Nicodemos (Jo 3)
2. A samaritana (Jo 4)

3. Zaqueu (Lc 19,1-10)
4. O homem rico (Mc 10,17-22)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 4

Concluindo a publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos as duas últimas meditações do Papa Leão XIV sobre “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”:

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.7. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
A Páscoa de Jesus Cristo, resposta definitiva à questão da nossa morte

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Sejam todos bem-vindos!
O mistério da morte sempre suscitou profundos questionamentos no ser humano. Com efeito, ela parece ser o acontecimento mais natural e, ao mesmo tempo, mais antinatural que existe. É natural, porque na terra todos os seres vivos morrem. É antinatural, porque o desejo de vida e de eternidade que sentimos por nós mesmos e pelas pessoas que amamos nos faz ver a morte como uma condenação, como um “contrassenso”.

Muitos povos antigos desenvolveram ritos e costumes ligados ao culto dos mortos, para acompanhar e recordar aqueles que se encaminhavam ao mistério supremo. Hoje, porém, se verifica uma tendência diferente. A morte parece uma espécie de tabu, um acontecimento a manter distante; algo de que falar em voz baixa, para evitar perturbar a nossa sensibilidade e tranquilidade. Por isso, muitas vezes se evita até mesmo visitar os cemitérios, onde quem nos precedeu repousa à espera da ressurreição.

O Ressuscitado conduz as almas dos justos ao Paraíso
(Nikolay Koshelev, detalhe)

Portanto, o que é a morte? É realmente a última palavra sobre a nossa vida? Só o ser humano se coloca esta pergunta, porque somente ele sabe que deve morrer. Mas ser consciente disso não o salva da morte; antes, em certo sentido, isso o “sobrecarrega” em relação a todas as outras criaturas vivas. Os animais sofrem, certamente, e percebem que a morte está próxima, mas não sabem que a morte faz parte do seu destino. Não se interrogam sobre o sentido, sobre o fim, sobre o resultado da vida.

Constatando esse aspecto, deveríamos então pensar que somos criaturas paradoxais, infelizes, não só porque morremos, mas também porque temos a certeza de que este acontecimento ocorrerá, embora ignoremos como e quando. Descobrimo-nos conscientes e, ao mesmo tempo, impotentes. Provavelmente é daqui que provêm as frequentes repressões, as fugas existenciais perante a questão da morte.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

Visita do Catholicos Aram I ao Vaticano

Na segunda-feira, 18 de maio de 2026, o Papa Leão XIV recebeu a visita do Catholicos Aram I da Grande Casa da Cilícia, uma das duas sedes da Igreja Apostólica Armênia [1].

Após o encontro na Biblioteca Privada do Palácio Apostólico os dois hierarcas participaram de um momento de oração na Capela Urbano VIII.

Durante o encontro o Papa Leão XIV anunciou a inserção de São Nerses Shnorhali (†1173) no Martirológio Romano, livro que elenca os Santos e Beatos venerados pela Igreja de Rito Romano. Provavelmente sua comemoração será estabelecida no dia da sua morte, 13 de agosto.

Nerses Shnorhali (Nerses, o Gracioso) ou Nerses IV foi o Catholicos dos Armênios de 1166 a 1173. Destacou-se como poeta e compositor, além de ter sido um pioneiro do diálogo ecumênico.

A Igreja Apostólica Armênia, com cerca de 9 milhões de fiéis, é uma das Igrejas Ortodoxas Orientais ou Pré-Calcedonianas, que fundamentam sua doutrina nos Concílios Ecumênicos de Niceia (325), Constantinopla (381) e Éfeso (431).

Leão XIV e Aram I
Discurso do Papa
Os hierarcas se dirigem à Capela Urbano VIII
Oração Ecumênica

Regina Coeli: Ascensão do Senhor - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 17 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.

A imagem de Jesus que - como diz o texto bíblico (cf. At 1,1-11) -, elevando-se da terra, sobe ao Céu, poderia nos levar a perceber esse Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim. Na realidade, estamos unidos a Jesus como os membros à cabeça, em um único corpo, e a sua Ascensão ao Céu também nos atrai, com Ele, para a plena comunhão com o Pai. A este respeito, Santo Agostinho afirmava: «A precedência da cabeça constitui a esperança dos membros» (Sermo 265, 1.2).

Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, todo o cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressurgindo restaurou a vida» (Prefácio da Páscoa I).

A Ascensão, então, não nos fala de uma promessa distante, mas de um vínculo vivo, que também nos atrai para a glória celestial, alargando e elevando já nesta vida o nosso horizonte e aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus.

E deste percurso de ascensão nós conhecemos o caminho (cf. Jo 14,1-6). Encontramo-lo em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles - como o Papa Francisco gostava de dizer - «ao pé da porta» (cf. Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, n. 7), com quem partilhamos o nosso dia-a-dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos, como diz São Paulo, «tudo o que é verdadeiro... justo... amável» (Fl 4,8) e pondo em prática, com a ajuda de Deus, aquilo que “vimos e ouvimos” (cf. v. 9), fazendo crescer, em nós e à nossa volta, a vida divina que recebemos no Batismo e que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai, e difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz.

Que Maria, Rainha do Céu, nos ajude, iluminando e guiando o nosso caminho a cada momento.

Ascensão do Senhor
(Igreja de Santa Maria dell' Anima, Roma)

Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Fotos das Exéquias do Cardeal Tscherrig

Na sexta-feira, 15 de maio de 2026, o Papa Leão XIV presidiu no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro a Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig, Núncio Apostólico Emérito, falecido no dia 12 de maio aos 79 anos.

O Papa foi assistido pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi, Cerimoniário Pontifício [1].

Procissão de entrada


Ósculo do altar
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Exéquias do Cardeal Tscherrig

Santa Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig
Homilia do Papa Leão XIV
Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Leituras: Ap 21,1-5a.6b-7; Sl 121; Jo 11,17-27.

Queridos irmãos e irmãs,
Reunidos em torno do Altar, acompanhamos o nosso irmão Paul Emil Tscherrig, Cardeal, no momento em que ele se apresenta ao Senhor para receber a recompensa pelo bem realizado nesta vida e o perdão pelas falhas que a fragilidade humana possa ter causado.

É o momento grande e solene do encontro com o Senhor a quem ele serviu generosamente, com o Amigo ao lado do qual ele caminhou fielmente por toda a sua vida, mais da metade da qual dedicada ao serviço da Sé Apostólica em várias Representações Pontifícias e na Secretaria de Estado.

Ele contribuiu, com o trabalho muitas vezes discreto, mas não por isso menos diligente e árduo, típico do ministério que exerceu, ao crescimento daquele Reino de cujo pleno cumprimento nos falou a 1ª Leitura: Reino no qual o mar do caos já não existe e, ao contrário, resplandece a nova Jerusalém, edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, iluminada pela luz do Cordeiro e enriquecida pelos méritos dos Santos.


O compromisso como Diplomata, e antes ainda como Pastor da Igreja, levou este nosso irmão a trabalhar por tantos anos, com paciência e abnegação, para levar à concórdia os povos que lhe foram confiados pela obediência (cf. Sl 121), enfrentando também os obstáculos e desafios que um Representante Pontifício é chamado a abraçar para o bem de todos. Ele cumpriu a sua missão primeiramente como colaborador em diversas Nunciaturas, até a sua nomeação, em 1996, como Nuncio Apostólico no Burundi; depois em Trinidad e Tobago e em diversos países do Caribe; na Coreia do Sul e Mongólia; posteriormente na Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega; depois na Argentina; chegando, em 2017, à Itália e San Marino. Uma vasta experiência eclesial e internacional, que testemunha a sua disponibilidade e a sua capacidade de adaptação, na sua caridade de Pastor, a ambientes muito diferentes entre si: lugares e povos aos quais foi enviado, em nome do Santo Padre, para tecer relações de comunhão entre as Igrejas locais e a Sé Apostólica, bem como para reforçar vínculos de amizade.

sábado, 23 de maio de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Pentecostes (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 04 de junho de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro. Confira a seguir sua homilia na ocasião:

Solenidade de Pentecostes
Homilia do Papa Bento XVI
Praça de São Pedro
Domingo, 04 de junho de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve início assim a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua Ressurreição (cf. At 1,3). Antes da Ascensão ao Céu, ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem que se realizasse a promessa do Pai” (cf. vv. 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem a receber o dom do Espírito Santo. E eles se reuniram em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. v. 14).

Permanecer juntos foi a condição posta por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma prolongada oração. Encontramos delineada assim uma formidável lição para toda comunidade cristã. Às vezes se pensa que a eficiência missionária dependa principalmente de uma atenta programação e da sucessiva realização inteligente através de um empenho concreto. Certamente o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.


As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo - o vento e o fogo - recordam o Sinai, onde Deus tinha se revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Ex 19,3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa da Aliança. Falando de línguas de fogo (cf. At 2,3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa da nova Aliança, na qual a Aliança com Israel é estendida a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é evidenciada significativamente pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem aqueles que escutam o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. vv. 9-11).