sábado, 15 de agosto de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Assunção de Maria (2006)

Há 20 anos, no dia 15 de agosto de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria na Paróquia Santo Tomás de Villanova, junto ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Bento XVI
Paróquia Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Terça-feira, 15 de agosto de 2006

Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
No Magnificat, o grande cântico da Virgem que acabamos de ouvir no Evangelho (cf. Lc 1,46-55), encontramos uma palavra surpreendente. Maria diz: «Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (v. 48). A Mãe do Senhor profetiza os louvores marianos da Igreja por todo o futuro, a devoção mariana do Povo de Deus até o fim dos tempos. Louvando Maria, a Igreja não inventou algo “ao lado” da Escritura: respondeu a essa profecia feita por Maria naquela hora de graça.

E essas palavras de Maria não eram só palavras pessoais, talvez arbitrárias. Como diz São Lucas, Isabel havia exclamado, cheia do Espírito Santo: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (v. 45). E Maria, também cheia do Espírito Santo, continua e completa o que disse Isabel, afirmando: «Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». É uma verdadeira profecia, inspirada pelo Espírito Santo, e a Igreja, venerando Maria, responde a uma ordem do Espírito Santo, faz o que deve fazer.


Nós não louvamos a Deus suficientemente nos calando sobre os seus santos, sobretudo sobre “a Santa”, que se tornou a sua morada na terra, Maria. A luz simples e multiforme de Deus só se manifesta a nós na sua variedade e riqueza no rosto dos santos, que são o verdadeiro espelho da sua luz. E precisamente contemplando o rosto de Maria podemos ver melhor do que de outros modos a beleza de Deus, a sua bondade, a sua misericórdia. Podemos realmente perceber a luz divina neste rosto.

«Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é «bem-aventurada», bem-aventurada para sempre. Este é o conteúdo da Solenidade de hoje. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus. O Senhor, na véspera da sua Paixão, despedindo-se dos seus, disse: «Na casa de meu Pai há muitas moradas. (...) Vou preparar um lugar para vós» (Jo 14,2). Maria, ao dizer: «Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38), preparava aqui na terra a morada para Deus; ela se tornou essa morada de corpo e alma, e assim abriu a terra ao céu.

Homilia do Papa João Paulo II: Assunção de Maria (2001)

Há 25 anos, no dia 15 de agosto de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa João Paulo II
Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Quarta-feira, 15 de agosto de 2001

1. «O último inimigo a ser destruído é a morte» (1Cor 15,26).
As palavras de Paulo, que acabam de ressoar na 2ª Leitura, nos ajudam a compreender o significado da Solenidade que hoje celebramos. Em Maria, assunta ao Céu no final da sua vida terrena, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, a qual entrou no mundo por causa do pecado de Adão. Foi Cristo, o “novo” Adão, que venceu a morte, oferecendo-se em sacrifício no Calvário, em atitude de amor obediente ao Pai. Assim, Ele nos resgatou da escravidão do pecado e do mal. No triunfo da Virgem, a Igreja contempla aquela que o Pai escolheu como verdadeira Mãe do seu Filho Unigênito, associando-a intimamente ao desígnio salvífico da Redenção.

É por isso que Maria, como bem evidencia a Liturgia, é sinal consolador da nossa esperança. Olhando para ela, arrebatada na exultação dos coros dos anjos, toda a existência humana, mesclada de luzes e sombras, se abre à perspectiva da eterna bem-aventurança. Se a experiência quotidiana nos faz experimentar como a peregrinação terrena está marcada pela incerteza e pela luta, a Virgem elevada à glória do Paraíso nos assegura que jamais nos faltará a proteção divina.


2. «Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol» (Ap 12,1).
Olhemos para Maria, caríssimos irmãos e irmãs, reunidos aqui em um dia tão querido à devoção do povo cristão. Saúdo-vos com grande afeto. Saúdo de modo particular o Cardeal Angelo Sodano, meu primeiro colaborador, e o Bispo de Albano, com o seu Auxiliar, agradecendo-lhes pela sua presença [1]. Saúdo também o pároco com os sacerdotes que o ajudam, os religiosos, as religiosas e todos os fiéis aqui presentes, de maneira especial os consagrados salesianos, a comunidade de Castel Gandolfo e a das Vilas Pontifícias. Estendo o meu pensamento aos peregrinos de diversas línguas que quiseram unir-se à nossa celebração. Desejo a cada um que viva com alegria a Solenidade deste dia, rica de motivos de meditação.

Um grande sinal apareceu para nós no céu hoje: a Virgem Mãe! É dela que o autor sagrado do Livro do Apocalipse nos fala com linguagem profética na 1ª Leitura. Que extraordinário prodígio se apresenta diante dos nossos olhos espantados! Acostumados a olhar para as realidades da terra, somos convidados a elevar o olhar para o Alto: para o Céu, que é a nossa Pátria definitiva, onde a Santíssima Virgem nos espera.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ângelus: XIX Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 09 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje o Evangelho nos fala de Jesus que, caminhando sobre as águas do mar da Galileia, vai ter com os discípulos no meio de uma tempestade (Mt 14,22-33).

Após o milagre dos pães e dos peixes (cf. Mt 14,13-21) o Mestre manda os seus discípulos embarcar e ir adiante, para a outra margem, enquanto Ele se retira em um monte, sozinho, para rezar. Longe da costa, porém, encontram-se à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário.

No final da noite, Jesus vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, o confundem com um fantasma (v. 26). Mas Ele lhes diz: «Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo!» (v. 27). A presença do Senhor muda tudo: Pedro chega até mesmo a dar alguns passos sobre as ondas em direção a Ele; depois se assusta, começa a afundar e Jesus o salva. Quando o Mestre entra no barco, a tempestade se acalma e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: « Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus!» (v. 33).

Para chegar a este ponto não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas: tiveram que passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade.

Um dia, mais tarde, Jesus lhes dirá: «Se tiverdes fé e não duvidardes (...), se disserdes a este monte: “Arranca-te daí e lança-te ao mar”, acontecerá» (Mt 21,21). E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha rezando, alcançou-os no meio da fúria das águas.

Com efeito, este milagre nos ensina algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos do sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros; depois, a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos recuando em vez de avançar. Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida - através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra -, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho.

Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé (cf. Lc 1,45).

Jesus caminha sobre as águas
(Walter Rane)

Fonte: Santa Sé.

Transfiguração do Senhor na Terra Santa (2026)

Na manhã da quinta-feira, 06 de agosto de 2026, o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Ielpo, presidiu a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor no altar superior do Santuário do Monte Tabor.

Após a Missa, como de costume, foi realizada a procissão até a Capela in Descentibus, que marca o início da descida do Monte, onde teve lugar a bênção e a distribuição de alguns ramos das árvores do local.

Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais
Procissão com o Livro dos Evangelhos
Homilia

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fotos da Missa do Papa em Assis (2026)

Na manhã da quinta-feira, 06 de agosto de 2026, dando continuidade às suas Visitas Pastorais dentro da Itália, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor na Basílica de Santa Maria dos Anjos na Porciúncula em Assis (Itália).

O Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, celebrou a Missa por ocasião de uma peregrinação de jovens a Assis no contexto dos 800 anos da morte de São Francisco.

Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa em Assis (2026)

Visita Pastoral a Assis (Itália)
Santa Missa com os Jovens
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de Santa Maria dos Anjos (Assis)
Quinta-feira, 06 de agosto de 2026

Foi celebrada a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Caríssimos jovens!
A Festa da Transfiguração, que estamos celebrando, é um mistério de luz que nos ajuda a aprofundar este nosso encontro, tão alegre, mas tão repleto de interrogações sobre o presente e o futuro. No relato evangélico vemos o contraste entre luz e sombra, silêncio e palavras, espanto e incompreensão. Estamos em Assis, uma cidade para onde há séculos sobem muitos peregrinos - hoje também nós! -, porque aqui tudo sussurra que a nossa vida pode transformar-se, irradiar luz, reparar o mundo. Foi aqui que teve início a transfiguração de Francisco, de Clara e, depois, de milhares de outros jovens: acolheram o Evangelho sine glossa - sem reservas, diríamos nós - e a vida de Jesus recomeçou neles.


Viemos aqui para compreender para onde vai a história e para onde vamos nós. No Evangelho vemos que é possível encontrar um sentido, é possível vislumbrar um caminho. Tal como Pedro, Tiago e João, somos levados para um lugar um pouco à parte, e Jesus está conosco. E é isso que importa: a sua presença. No monte os Apóstolos contemplam Jesus orientando-se para o seu próprio futuro. A este respeito tinha ocorrido um mal-entendido entre eles. Seis dias antes, Pedro tinha contestado o Mestre por falar abertamente da cruz (cf. Mt 16,21-26): esperava a glória para o Messias, e talvez também para si mesmo, não tendo em conta nem resistências nem riscos, e sobretudo não se questionando sobre o que é a glória. Agora, na Transfiguração de Jesus, é o próprio Deus que se revela na sua glória, que tem o aspecto de uma nuvem que protege e envolve. Ele aponta para o Filho e convida a escutá-lo. O caminho da vida descobre-se seguindo-o juntos. A sua beleza assume um novo aspecto, uma intensidade sem precedentes, a tal ponto que Pedro gostaria de parar o tempo e prolongar aquela visão. Generosamente, oferece-se para construir três tendas, como que para ver continuar a conversa entre Jesus, Moisés e Elias. Porém, é preciso entrar nessa conversa. Não podemos permanecer apenas como espectadores. Com efeito, somos chamados a ler as Escrituras com o Mestre, a interpretar o nosso tempo e a tomar decisões, seguindo o seu caminho. Estamos aqui para vencer a resignação e o medo, para dissipar as dúvidas que também nos detêm, tal como detinham os Apóstolos. Jesus chama-nos a dialogar com a sua história, para escrever novas páginas de história.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior (2026)

Na quarta-feira, 05 de agosto de 2026, a Basílica de Santa Maria Maior em Roma acolheu as celebrações da Solenidade do Aniversário da sua Dedicação [1].

Pela manhã o Arcipreste da Basílica, Cardeal Rolandas Makrickas, presidiu a Missa da Solenidade, e à tarde o Vigário do Arcipreste, Dom Luis Manuel Alí Herrera, presidiu as II Vésperas.

Durante o Glória na Missa e durante o Magnificat (Lc 1,46-55) nas Vésperas, como de costume, teve lugar a recordação do “milagre da neve”, que marca as origens lendárias da igreja, através da efusão de pétalas de rosas brancas a partir do teto da Basílica. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Memória da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.

05 de agosto: Missa

Procissão de entrada
Glória e recordação do “milagre da neve

Homilia