Há cerca de 25 anos, no dia 24 de maio de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Ascensão do Senhor (Ano C) na Basílica de São Pedro por ocasião do encerramento do Consistório Extraordinário, isto é, a reunião com os Cardeais para refletir sobre a missão da Igreja no terceiro milênio.
Confira a seguir a homilia do Papa durante a celebração:
Solenidade da Ascensão do Senhor
Concelebração Eucarística no Encerramento do Consistório Extraordinário
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 24 de maio de 2001
Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado,
Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Estamos
reunidos em torno do altar do Senhor para celebrar a sua Ascensão ao Céu. Escutamos
as suas palavras: «Recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós,
para serdes minhas testemunhas... até os confins da terra» (At 1,8).
Há dois mil anos estas palavras do Senhor Ressuscitado impelem a Igreja a “fazer-se
ao largo” na história, tornando-a contemporânea de todas as gerações,
transformando-a no fermento de todas as culturas do mundo.
Voltamos a
ouvi-las hoje para acolher com renovado fervor o mandato «Duc in altum!» -
«Faz-te ao largo!», «Avança para águas mais profundas» - que um dia Jesus
dirigiu a Pedro (cf. Lc 5,4): um mandato que desejei fazer ressoar em
toda a Igreja na Carta Apostólica Novo millennio ineunte e
que, à luz desta Solenidade litúrgica, adquire um significado ainda mais
profundo. O “altum” rumo ao qual a Igreja deve caminhar
não é apenas um compromisso missionário mais vigoroso, mas
antes ainda um empenho contemplativo mais intenso. Também
nós somos convidados, como os Apóstolos, testemunhas da Ascensão, a fixar o
olhar no rosto de Cristo, elevado no esplendor da glória divina.
Certamente
contemplar o céu não significa esquecer a terra. Caso se apresentasse
esta tentação, bastaria escutar novamente os «dois homens vestidos de branco»
da passagem do Evangelho de hoje: «Por que ficais aqui, parados, olhando para o
céu?» (At 1,11). A contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso
histórico. O “céu” da Ascensão de Jesus não é distância, mas
ocultamento e custódia de uma presença que nunca nos abandona, até
que Ele venha na glória. Entretanto, é a hora exigente do testemunho, para que
em nome de Cristo «sejam anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas
as nações» (Lc 24,47).

















