quarta-feira, 11 de março de 2026

Renúncia do Patriarca da Igreja Católica Caldeia

Na terça-feira, 10 de março de 2026, o Papa Leão XIV acolheu a renúncia do Cardeal Louis Raphaël I Sako (77 anos) ao ofício de Patriarca de Bagdá dos Caldeus e hierarca da Igreja Católica Caldeia, uma das Igrejas Católicas Orientais.


Louis Sako nasceu em 04 de julho de 1948 em Zakho (Iraque). Recebeu a Ordenação Presbiteral no dia 01 de junho de 1974, sendo incardinado na Arquieparquia de Mossul dos Caldeus. Após sua Ordenação trabalhou na Catedral de Mossul.

Entre 1979 e 1986 obteve o Doutorado em Patrologia Oriental no Pontifício Instituto Oriental em Roma e o Doutorado em História (com ênfase em Estudos Islâmicos) na Universidade Sorbonne de Paris.

De volta ao Iraque, serviu como Pároco da Paróquia do Perpétuo Socorro em Mossul (1986-1997; 2002-2003) e Reitor do Seminário Patriarcal da Igreja Católica Caldeia em Bagdá (1997-2002).

No dia 27 de setembro de 2003 o Papa João Paulo II (†2005) confirmou a decisão do Sínodo da Igreja Católica Caldeia que nomeava o Padre Louis Sako como Arcebispo da Metropolia de Kirkuk dos Caldeus. Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 14 de novembro do mesmo ano.

Após a renúncia do Cardeal Emmanuel III Delly (†2014), Dom Louis Sako foi eleito pelo Sínodo como Patriarca de Babilônia dos Caldeus em 31 de janeiro de 2013, assumindo o nome de Louis Raphaël I Sako. O Papa Bento XVI (†2022) confirmou sua eleição no dia seguinte. Tomou posse na Catedral de São José em Bagdá no dia 06 de março de 2013.


Foi criado Cardeal pelo Papa Francisco (†2025) no Consistório de 28 de junho de 2018, com o título de Cardeal Bispo de Babilônia dos Caldeus. Em março de 2021 acolheu o mesmo Papa Francisco durante sua undefined.

No dia 19 de fevereiro de 2022 o nome do Patriarcado foi mudado de “Babilônia” para “Badgá”, de modo que o Cardeal Sako passou a ser nomeado como Patriarca de Bagdá dos Caldeus.

Em maio de 2025 participou do Conclave para a eleição do Papa Leão XIV.

No dia 10 de março de 2026 o mesmo Papa Leão XIV acolheu sua renúncia ao ofício de Patriarca de Bagdá dos Caldeus. Cabe agora ao Sínodo da Igreja Católica Caldeia eleger o novo Patriarca, que em seguida deverá ser confirmado pelo Papa.

A Igreja Católica Caldeia conta com cerca de 600 mil fiéis. Utiliza o Rito Siríaco Oriental ou Caldeu. As outras comunidades que utilizam esse Rito são a Igreja Sírio-Malabar, outra das Igrejas Católicas Orientais, com sede em Kerala (Índia), e a Igreja Assíria do Oriente, uma das Igrejas Ortodoxas Orientais, com sede em Erbil (Iraque).

Brasão do Cardeal Sako

Com informações do site da Santa Sé.

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 1

À medida que nos aproximamos do Tríduo Pascal, coração do Ano Litúrgico, damos continuidade à publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”.

Confira nesta postagem as primeiras duas Catequeses sobre a Páscoa de Jesus: a preparação da Ceia (Mc 14,12-16) e a traição (Mc 14,18-21).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 06 de agosto de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.1. A Páscoa de Jesus: A preparação da ceia (Mc 14,12-16)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos nosso caminho jubilar à descoberta do rosto de Cristo, no qual nossa esperança adquire toma e consistência. Hoje começamos a refletir sobre o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Comecemos meditando sobre uma palavra que parece simples, mas que guarda um segredo precioso da vida cristã: preparar.

O Evangelho de Marcos narra que «no primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?”» (Mc 14,12). É uma pergunta prática, mas também cheia de expectativa. Os discípulos intuem que está para acontecer algo importante, mas não conhecem os detalhes. A resposta de Jesus parece quase um enigma: «Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro» (v. 13). Os detalhes tornam-se simbólicos: um homem que carrega um jarro - gesto normalmente feminino naquela época -, uma sala no andar de cima já pronta, um dono de casa desconhecido. É como se cada coisa tivesse sido predisposta com antecedência. Com efeito, é exatamente assim. Nesse episódio o Evangelho nos revela que o amor não é fruto do acaso, mas de uma escolha consciente. Não se trata de uma simples reação, mas de uma decisão que requer preparação. Jesus não enfrenta a sua Paixão por fatalidade, mas por fidelidade a um caminho acolhido e percorrido com liberdade e cuidado. É isso que nos consola: saber que o dom da sua vida brota de uma intenção profunda, não de um impulso repentino.

Última Ceia (Nicolas Poussin)

Aquela “sala no andar de cima já pronta” nos diz que Deus nos precede sempre. Antes ainda de nos darmos conta de que precisamos de acolhida, o Senhor já preparou para nós um espaço onde nos reconhecermos e nos sentirmos seus amigos. No fundo, esse lugar é o nosso coração: uma “sala” que pode parecer vazia, mas que só espera ser reconhecida, preenchida e cuidada. Na realidade, a Páscoa que os discípulos devem preparar já está pronta no coração de Jesus. Foi Ele que pensou em tudo, dispôs tudo, decidiu tudo. No entanto, pede aos seus amigos que façam a sua parte. Isto nos ensina algo essencial para a nossa vida espiritual: a graça não elimina a nossa liberdade, mas a desperta. O dom de Deus não anula a nossa responsabilidade, mas a torna fecunda.

terça-feira, 10 de março de 2026

Ângelus: III Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O diálogo entre Jesus e a samaritana, a cura do cego de nascença e a ressurreição de Lázaro, desde os primeiros séculos da história da Igreja, iluminam o caminho de quem, na Páscoa, receberá o Batismo e dará início a uma nova vida. Essas grandiosas passagens evangélicas, que lemos a partir deste domingo, são oferecidas aos catecúmenos e, ao mesmo tempo, são ouvidas novamente por toda a comunidade, pois ajudam a nos tornarmos cristãos ou, se já o somos, a sê-lo com mais autenticidade e alegria.

Jesus, na verdade, é a resposta de Deus à nossa sede. Como indica à samaritana, o encontro com Ele faz brotar no íntimo de todos uma «fonte de água que jorra para a vida eterna» (Jo 4,14). Ainda hoje, quantas pessoas, em todo o mundo, procuram esta fonte espiritual! A jovem Etty Hillesum escrevia em seu Diário: «Às vezes consigo alcançá-la, mas frequentemente ela está coberta por pedras e areia: Deus está, então, sepultado. É preciso, por isso, voltar a desenterrá-lo» (Etty Hillesum, Diário, Milão, 2012, 153). Caríssimos, não há energia melhor empregada do que aquela que dedicamos a libertar o coração. Por isso, a Quaresma é um dom: estamos entrando na III semana e podemos, portanto, intensificar o caminho!

No Evangelho também está escrito que «chegaram os discípulos e ficaram admirados de ver Jesus falando com a mulher» (v. 27). Sentem tanta dificuldade em aceitar a própria missão que o Mestre precisa desafiá-los: «Não dizeis vós: “Ainda quatro meses, e aí vem a colheita!”. Pois Eu vos digo: Levantai os olhos e vede os campos: eles estão dourados para a colheita!» (v. 35). O Senhor diz também à sua Igreja: “Levanta os olhos e reconhece as surpresas de Deus!”. Quatro meses antes da colheita quase nada se vê nos campos. Mas onde nós não vemos nada, a Graça já está em ação e os frutos estão prontos para serem colhidos. A messe é grande: talvez os trabalhadores sejam poucos, porque distraídos em outras atividades. Jesus, porém, está atento. Segundo os costumes, Ele deveria simplesmente ignorar aquela mulher samaritana; mas, em vez disso, Jesus fala com ela, a escuta, lhe dá atenção, sem segundas intenções e sem desprezo.

Quantas pessoas procuram na Igreja esta mesma delicadeza, esta disponibilidade! E como é belo quando perdemos a noção do tempo para dar atenção àqueles que encontramos, tal como são. Jesus chegava a se esquecer de comer, de tal modo o alimentava a vontade divina de chegar a todos em profundidade (cf. v. 34). Assim, a samaritana torna-se a primeira de muitas evangelizadoras. Por causa do seu testemunho, a partir da sua aldeia de desprezados e rejeitados, muitos vão ao encontro de Jesus e também neles brota a fé como água pura.

Irmãos e irmãs, peçamos hoje a Maria, Mãe da Igreja, para podermos servir, com Jesus e como Jesus, a humanidade sedenta de verdade e justiça. Não é tempo de confrontos entre um templo e outro, entre o “nós” e os “outros”: os adoradores que Deus procura são homens e mulheres de paz, que o adoram em espírito e verdade (cf. vv. 23-24).

Cristo e a samaritana (Pierre Mignard)

Fonte: Santa Sé.

Confira também a Catequese do Papa sobre o encontro de Jesus com a samaritana no contexto do Jubileu Ordinário de 2025.

sexta-feira, 6 de março de 2026

Domingo da Ortodoxia em Istambul (2026)

Neste ano de 2026 as Igrejas Orientais (Católicas e Ortodoxas), devido ao uso de distintos calendários, celebram a Páscoa no dia 12 de abril, uma semana após as comunidades de Rito Romano.

Por isso, no dia 01 de março de 2026 as Igrejas de Rito Bizantino celebraram o I Domingo da Grande Quaresma, conhecido como o “Domingo da Ortodoxia”.

Nesse Domingo se celebra o “triunfo da ortodoxia” (verdadeira fé) com a proclamação da doutrina da veneração das imagens (iconodulia) pelo II Concílio de Niceia (787), o sétimo e último Concílio Ecumênico reconhecido pelas Igrejas Ortodoxas Bizantinas. Por isso, mesmo sendo Quaresma, costumam ser usados paramentos brancos (festivos).

Na Catedral Patriarcal de São Jorge em Istambul (Turquia) a Divina Liturgia desse Domingo foi celebrada pelo Patriarca Bartolomeu de Constantinopla, seguida da tradicional procissão com os ícones ao redor da igreja:

Litania da paz
Pequena Entrada
O Patriarca abençoa os fiéis

Incensação

quinta-feira, 5 de março de 2026

Missa do II Domingo da Quaresma em Roma (2026)

Na tarde do dia 01 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do II Domingo da Quaresma (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo no bairro do Quarticciolo (Ascensione di Nostro Signore Gesù Cristo al Quarticciolo).

Essa foi a terceira de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral. A Paróquia do Quarticciolo, assistida pela Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus (Dehonianos), corresponde ao Setor Leste.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: II Domingo da Quaresma - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo (Roma)
Domingo, 01 de março de 2026

Foi celebrada a Missa do II Domingo da Quaresma (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Estou feliz por me encontrar entre vós e poder ouvir convosco a Palavra de Deus, com toda a vossa comunidade paroquial. Este domingo coloca-nos diante da viagem de Abraão (Gn 12,1-4) e do acontecimento da Transfiguração de Jesus (Mt 17,1-9).

Com Abraão, cada um de nós pode reconhecer-se a caminho. A vida é uma viagem que exige confiança, exige fidelidade à Palavra de Deus que nos chama e que, às vezes, nos pede para deixar tudo. Podemos então ser tentados a evitar a precariedade como vertigem que perturba, enquanto é precisamente a partir do seu interior que podemos apreciar uma promessa de grandeza inesperada. Acontece todos os dias - porque o mundo raciocina assim - que medimos tudo, que nos esforçamos por controlar tudo. Mas, desta forma, perdemos a oportunidade de descobrir o verdadeiro tesouro, a pérola preciosa que Deus, surpreendentemente, escondeu no nosso campo, como nos ensina o Evangelho (cf. Mt 13, 44).


A viagem de Abraão começa com uma perda: a terra e a casa que conservam as memórias do seu passado. Mas ela se realizará em uma nova terra, em uma imensa descendência, onde tudo se transforma em bênção. Também nós, se nos deixarmos chamar pela fé ao caminho, a arriscar novas decisões de vida e de amor, deixaremos de ter medo de perder algo, pois sentiremos que crescemos em uma riqueza que ninguém pode roubar.

Também os discípulos de Jesus tiveram que enfrentar uma viagem, que os levaria a Jerusalém (cf. Lc 9,51). Lá, na Cidade santa, o Mestre cumpriria a sua missão, oferecendo a vida na cruz e tornando-se bênção para todos e para sempre. Sabemos com quanta resistência Pedro e todos os outros o seguiram! Mas deviam compreender que só podemos ser bênção superando o instinto de nos defendermos e acolhendo o que Jesus confia ao gesto eucarístico: a vontade de oferecer o próprio corpo como pão para comer, de viver e morrer para dar vida. Amados irmãos e irmãs, eis o domingo: é a pausa ao longo do caminho que nos reúne em volta de Jesus. Jesus encoraja-nos a não parar e a não mudar de rumo. Não há promessa maior, não há tesouro mais precioso do que viver para dar a vida!

quarta-feira, 4 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 6

Concluindo as meditações sobre as “curas” e com elas a seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa refletiu sobre a hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43) e sobre o homem surdo (Mc 7,31-37):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 25 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.11. A vida de Jesus - As curas: A hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43)

Queridos irmãos e irmãs,
Também hoje meditamos sobre as curas de Jesus como sinal de esperança. N’Ele há uma força que também nós podemos experimentar quando entramos em relação com a sua Pessoa.

Uma doença muito difundida no nosso tempo é o cansaço de viver: a realidade nos parece demasiado complexa, pesada, difícil de enfrentar. Então nos sentimos abatidos, adormecemos na ilusão de que quando acordarmos as coisas serão diferentes. Mas a realidade deve ser enfrentada e, com Jesus, podemos fazê-lo bem. Às vezes nos sentimos bloqueados pelo julgamento de quem pretende colocar rótulos nos outros.

Parece-me que estas situações podem encontrar correspondência em uma passagem do Evangelho de Marcos onde se entrelaçam duas histórias: a de uma menina de doze anos, que está doente na cama e prestes a morrer, e a de uma mulher que tem hemorragias há precisamente doze anos e procura Jesus para poder ser curada (cf. Mc 5,21-43).

Jesus e a mulher com hemorragia
(Catacumbas de Marcelino e Pedro, Roma)

Entre estas duas figuras femininas o evangelista coloca a figura do pai da menina: ele não permanece em casa lamentando-se pela doença da filha, mas sai e pede ajuda. Embora seja o chefe da sinagoga, não faz reivindicações em virtude da sua posição social. Quando é preciso esperar, não perde a paciência e aguarda. E quando vêm lhe dizer que a filha está morta e é inútil incomodar o Mestre, ele continua a ter fé e a esperar.

A conversa desse pai com Jesus é interrompida pela mulher hemorroíssa, que consegue aproximar-se de Jesus e tocar o seu manto (v. 27). Com grande coragem, esta mulher tomou a decisão que muda a sua vida: todos continuavam dizendo-lhe que se mantivesse à distância, que não se mostrasse. Tinham-na condenado a permanecer escondida e isolada. Às vezes também nós podemos ser vítimas do julgamento dos outros, que pretendem vestir-nos com uma roupa que não é nossa. E então nos sentimos mal e não conseguimos superar essa situação.