segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missa do VI Domingo do Tempo Comum em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia de Santa Maria “Regina Pacis em Ostia (Santa Maria “Regina Pacis” a Ostia Lido).

Esse celebração dá início a uma série de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral [1].

A Paróquia de Santa Maria “Rainha da Paz”, que integra o Setor Sul, é assistida pelos palotinos (Sociedade do Apostolado Católico). O brasão da Congregação, com efeito, pode ser visto em alguns paramentos e alfaias (como as dalmáticas e o conopeu diante do sacrário).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada

Ósculo do altar
Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia Santa Maria “Regina Pacis” em Ostia (Roma)
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Foi celebrada a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
É para mim motivo de grande alegria estar aqui e viver com a vossa comunidade o gesto do qual o “domingo” recebe o seu nome. É “o dia do Senhor”, porque Jesus Ressuscitado vem ao meio de nós, nos escuta, fala a nós, nos alimenta e nos envia. Assim, no Evangelho que hoje ouvimos (Mt 5,17-37), Jesus nos anuncia a sua “nova lei”: não apenas um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. É a graça do Espírito Santo que escreve de modo indelével no nosso coração, levando a cumprimento os mandamentos da antiga aliança.

Através do Decálogo, após a saída do Egito, Deus tinha firmado a aliança com o seu povo, oferecendo um projeto de vida e um caminho de salvação. As “Dez palavras”, portanto, se situam e compreendem no caminho de libertação, graças ao qual um conjunto de tribos divididas e oprimidas se transforma em um povo unido e livre. Assim, na longa caminhada através do deserto, aqueles mandamentos aparecem como a luz que indica o caminho, e a sua observância se compreende e realiza não tanto como cumprimento formal de preceitos, mas como ato de amor, de correspondência reconhecida e confiante ao Senhor da aliança. Por isso, a lei oferecida por Deus ao seu povo não está em contraste com a sua liberdade, mas, pelo contrário, é a condição para fazê-la florescer.


Assim, a 1ª Leitura, tirada do Livro do Eclesiástico (Eclo 15,16-21), e o Salmo 118, com o qual entoamos a nossa resposta, nos convidam a ver nos mandamentos do Senhor não uma lei opressiva, mas a sua pedagogia para a humanidade que procura a plenitude de vida e liberdade.

A este respeito, no início da Constituição Pastoral Gaudium et spes, encontramos uma das mais bonitas expressões do Concílio Vaticano II, na qual quase sentimos palpitar o coração de Deus através do coração da Igreja. O Concílio diz: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (n. 1).

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Ângelus: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Também hoje ouvimos no Evangelho uma parte do “Sermão da montanha” (Mt 5,17-37). Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés: eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para dar-lhe pleno cumprimento» (v. 17).

O cumprimento da Lei é precisamente o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça maior” (v. 20) do que aquela dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele. Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística - as antinomias - precisamente para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, vos digo» (vv. 21-37).

Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele (cf. Gl 3,23-25). Mas agora Ele mesmo veio a nós na pessoa de Jesus, o qual cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.

Irmãos e irmãs, Jesus ensina-nos que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor. Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade (vv. 21-22). Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltam a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos em um projeto comum (vv. 27-28.31-32). A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar também outros. O Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus.

Invoquemos juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça.

Jesus ensinando
(Note-se na sua mão o rolo da Lei)

Fonte: Santa Sé.

Homilia do Papa João Paulo II: Cátedra de São Pedro (2001)

Há 25 anos, no dia 22 de fevereiro de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Festa da Cátedra de São Pedro com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 21 de fevereiro [1].

Embora neste ano de 2026 não celebremos essa Festa (por coincidir com o I Domingo da Quaresma), reproduzimos aqui a homilia do Papa polonês na ocasião:

Festa da Cátedra de São Pedro
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001

1. “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,15-16).
Este diálogo entre Cristo e os seus discípulos, que ouvimos há pouco, é sempre atual na vida da Igreja e do cristão. Em cada momento da história, sobretudo naqueles mais decisivos, Jesus interpela os seus e, depois de interrogá-los sobre o que “os homens” pensam d’Ele, “estreita o foco” e lhes pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

Ouvimos esta pergunta ecoar, no fundo, durante todo o Grande Jubileu do Ano 2000. E todos os dias a Igreja respondeu incessantemente com uma unânime profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”. Uma resposta universal, na qual à voz do Sucessor de Pedro se uniram as vozes dos Pastores e dos fiéis de todo o Povo de Deus.


2. Uma única e solene profissão de fé: Tu és o Cristo! Esta profissão de fé é o grande dom que a Igreja oferece ao mundo no início do terceiro milênio, enquanto prossegue no “vasto oceano” que se abre diante dela (cf. Carta Apostólica Novo millennio ineunte, n. 58). A festa de hoje põe em primeiro plano o papel de Pedro e dos seus Sucessores na condução da barca da Igreja nesse “oceano”. Portanto, é particularmente significativo que nesta festa litúrgica esteja junto ao Papa o Colégio Cardinalício, com os novos Cardeais criados ontem no primeiro Consistório depois do Grande Jubileu.

Juntos queremos dar graças a Deus por ter fundado a sua Igreja sobre a rocha de Pedro. Como sugere a oração “coleta”, queremos rezar intensamente para que ela “não seja abalada por nenhuma perturbação”, mas prossiga com coragem e confiança.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2011

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como é tradição neste blog, publicamos um modelo de meditações para a Via Sacra. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra.

Nesta ocasião recordamos a Via Sacra presidida pelo Papa Bento XVI (†2022) junto ao Coliseu na noite da Sexta-feira Santa de 2011Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

As meditações foram escritas pela Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália. Com essa postagem, portanto, honramos o Papa Leão XIV, que também pertence à Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.).

Como ilustrações, por sua vez, propomos as esculturas realizadas pelo artista Mickey Wells para o Santuário da Paixão de Cristo (Shrine of Christ’s Passion) na cidade de St. John (Indiana, EUA), próximo de Chicago (Illinois), cidade natal do primeiro Papa norte-americano [1].

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Bento XVI
Sexta-feira Santa, 22 de abril de 2011

Meditações da Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A.
Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália

Apresentação

«Se alguém contemplasse de longe a sua pátria, mas no meio estivesse o mar, veria aonde chegar, mas não disporia dos meios para chegar. O mesmo se passa conosco... Vislumbramos a meta a alcançar, mas no meio está o mar deste século... Ora, para que pudéssemos dispor também dos meios para chegar, veio de lá Aquele para quem nós queríamos ir... e forneceu-nos o madeiro com o qual atravessar o mar. De fato, ninguém pode atravessar o mar deste século se não é levado pela cruz de Cristo... Não abandones [pois] a cruz, e a cruz te levará».
Estas palavras de Santo Agostinho, tomadas do seu Comentário ao Evangelho de João (2, 2), nos introduzem na oração da Via Sacra (Via Crucis).


A Via Sacra, com efeito, quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. A Via Sacra, portanto, não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas exprime a essência da experiência cristã: «Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mc 8,34).

(...) No início de cada estação, depois da clássica enunciação, aparece uma brevíssima frase que pretende oferecer a chave de leitura da respectiva estação. Podemos recebê-la idealmente como pronunciada por uma criança, quase como um apelo à simplicidade dos pequeninos, que sabem captar o coração da realidade, e em um espaço simbólico de acolhida, na oração de Igreja, da voz da infância por vezes ofendida e explorada.

A Palavra de Deus proclamada é tomada do Evangelho de João, exceto nas estações sem texto evangélico de referência ou que o têm em outros Evangelhos. Com esta escolha se pretende evidenciar a mensagem de glória da Cruz de Jesus.
Em seguida o texto bíblico é ilustrado por uma breve reflexão, clara e original.

Posse do Arcebispo de Westminster

Na manhã do sábado, 14 de fevereiro de 2026, teve lugar na Catedral Metropolitana do Preciosíssimo Sangue de Jesus em Londres (Inglaterra) a posse do novo Arcebispo Metropolitano de Westminster, Dom Charles Phillip Richard Moth, nomeado pelo Papa Leão XIV no dia 19 de dezembro de 2025.

Como indicado no livreto da celebração, algumas particularidades do rito remontam a um Pontifical inglês do século XV, conservadas tanto pela Igreja Católica quanto pela Comunhão Anglicana.

No início da celebração o novo Bispo, endossando o pluvial, dirigiu-se em procissão do Arcebispado (residência episcopal) até a Catedral, onde foi recebido na porta pelos Cônegos. Em seguida, diante do altar, o Preboste (Provost) recitou uma oração pelo novo Pastor.

Após a leitura da bula de nomeação o Preboste conduziu Dom Charles Moth até a cátedra e o Arcebispo Emérito, Cardeal Vincent Gerard Nichols, lhe entregou o báculo que pertenceu ao Cardeal Edward Henry Howard (†1892).

Após ser saudado pelos Cônegos e por alguns fiéis o Arcebispo endossou a casula e presidiu a Missa da Memória de São Cirilo, Monge, e São Metódio, Bispo, com suas orações e leituras.

Após a Comunhão, por sua vez, foi entoado o hino Te Deum laudamus e o novo Arcebispo percorreu a nave da igreja abençoando os fiéis (mesmo gesto realizado na Ordenação Episcopal).

Destaque para o cálice utilizado na Missa, realizado em 1529, antes do cisma anglicano. O  pluvial, a casula, as dalmáticas e o frontal do altar, por sua vez, foram elaborados em 2009 para a posse do Cardeal Nichols. O formal ou racional (broche do pluvial), porém, na forma de uma grande cruz com ametistas, é mais antigo.

Dom Charles Moth na capela do Arcebispado
Procissão até a Catedral


Oração silenciosa na porta da Catedral

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Quarta-feira de Cinzas (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 01 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Quarta-feira de Cinzas, dando início ao Tempo da Quaresma. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 01 de março de 2006

Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
Amados irmãos e irmãs!
A procissão penitencial, com a qual iniciamos a celebração de hoje, ajudou-nos a entrar no clima típico da Quaresma, que é uma peregrinação pessoal e comunitária de conversão e de renovação espiritual. Segundo a antiquíssima tradição romana das estações quaresmais, durante este tempo os fiéis, juntamente com os peregrinos, se reúnem todos os dias e param (statio) junto a uma das numerosas “memórias” dos Mártires, que constituem os fundamentos da Igreja de Roma. Nas Basílicas, onde são expostas as suas relíquias, é celebrada a Santa Missa precedida de uma procissão, durante a qual se cantam as Ladainhas dos Santos. Faz-se memória assim daqueles que deram testemunho de Cristo com o seu sangue, e a sua evocação torna-se estímulo para cada cristão a renovar a própria adesão ao Evangelho. Apesar do passar dos séculos, estes ritos conservam o seu valor, porque recordam como é importante, mesmo no nosso tempo, acolher sem concessões as palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).


Outro rito simbólico, gesto próprio e exclusivo do primeiro dia da Quaresma, é a imposição das cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata de mero ritualismo, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração. Esse gesto nos faz compreender a atualidade da exortação do profeta Joel, que ressoou na 1ª leitura, exortação que conserva também para nós a sua saudável validez: aos gestos exteriores deve sempre corresponder a sinceridade da alma e a coerência das obras. Com efeito, pergunta o autor inspirado, para que serve rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, isto é, do bem e da justiça? Eis aquilo que realmente conta: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia (cf. Jl 2,12-18). Um coração renovado e um espírito novo: é o que pedimos com o Salmo penitencial por excelência, o Miserere, que hoje cantamos com o refrão “Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos”. O verdadeiro fiel, consciente de ser pecador, aspira com todo o seu ser - espírito, alma e corpo - ao perdão divino, como uma nova criação, capaz de restituir-lhe alegria e esperança (cf. Sl 50,3.5.12.14).