terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Bênção de imagens nos Jardins Vaticanos

No início da tarde do sábado, 31 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV presidiu o rito da bênção de duas imagens nos Jardins Vaticanos: um mosaico representando a Virgem Maria através de oito devoções marianas do Peru e uma escultura de Santa Rosa de Lima.

Participaram da celebração dos Bispos do Peru presentes em Roma para a Visita Ad Limina Apostolorum.

Após os discursos dos responsáveis pela iniciativa, o Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, abençoou as duas imagens e proferiu um breve agradecimento aos presentes.

O Papa ouve os discursos
Saudação do Presidente da Conferência Episcopal Peruana
Bênção das imagens
Aspersão do mosaico da Virgem Maria
Aspersão da estátua de Santa Rosa de Lima

Dom Manuel Nin nomeado Exarca de Grottaferrata

No dia 31 de janeiro de 2026 o Papa Leão XIV nomeou Dom Manuel Nin Güell, O.S.B., Bispo Titular de Carcabia e até então Exarca Apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia, como novo Exarca Apostólico da Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata (Itália).

Dom Manuel Nin

Manuel Nin Güell nasceu em 20 de agosto de 1956 em El Vendrell (Espanha). Após ingressar na Ordem de São Bento (Beneditinos), professou os votos perpétuos na Abadia de Montserrat em 18 de abril de 1980.

Em 1984 foi enviado a Roma para o Mestrado em Patrística pelo Instituto Patrístico Augustinianum, concluído em 1987. Nesse período também realizou cursos complementares no Pontifício Instituto Oriental e no Pontifício Instituto Litúrgico.

Após dois anos como professor na Abadia de Montserrat, em 1989 retornou a Roma para o Doutorado em Patrística pelo Augustinianum, concluído em 1992. Permaneceu como professor no Pontifício Ateneu Santo Anselmo e em outras Universidades romanas, ao mesmo tempo em que ministrava cursos em Montserrat.

Em 1994 foi nomeado Consultor da Congregação para as Igrejas Orientais e, em 1996, Diretor Espiritual do Pontifício Colégio Grego de Santo Atanásio em Roma.

Recebeu a Ordenação Diaconal no dia 22 de novembro de 1997 em Roma e a Ordenação Presbiteral no dia 18 de abril de 1998 em Montserrat.

Em 1999 foi nomeado Reitor do Pontifício Colégio Grego de Santo Atanásio, recebendo o título de Arquimandrita (o equivalente a “Monsenhor” no Rito Romano).


Em 2013 foi nomeado Consultor do Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e em 2015 membro da Comissão Litúrgica da Congregação para as Igrejas Orientais.

No dia 02 de fevereiro de 2016 o Papa Francisco (†2025) o nomeou Bispo Titular de Carcabia e Exarca Apostólico para os católicos de Rito Bizantino na Grécia.

Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 15 de abril do mesmo ano na Basílica de São Paulo fora dos muros em Roma, sendo ordenante principal seu antecessor e Exarca Emérito, Dom Dimitrios Salachas (†2023), que havia renunciado por limite de idade.

No dia 31 de janeiro de 2026, por fim, o Papa Leão XIV nomeou Dom Manuel Nin como Exarca Apostólico da Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata (Itália), que estava vacante desde 2013, com a renúncia do Abade, Dom Emiliano Fabbricatore (†2019).

Desde então serve como Administrador Apostólico o Cardeal Marcello Semeraro, que até 2020 era Bispo de Albano e atualmente é Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos. Este exercerá seu ofício até a posse de Dom Manuel Nin (prevista para o dia 21 de fevereiro).

Abadia de Grottaferrata, Interior da igreja

Junto com as Eparquias de Lungro e Piana, a Abadia Territorial de Santa Maria de Grottaferrata, na região do Lácio, no centro da Itália, forma a Igreja Católica Ítalo-Albanesa, uma das Igrejas Católicas Orientais, com muitos fiéis descendentes de albaneses que migraram à Itália sobretudo entre os séculos XV e XVIII (arbëreshë).

A Abadia de Grottaferrata, porém, possui raízes mais antigas, tendo sido fundada por São Nilo de Rossano em 1004. Por isso também é conhecida como “Abadia de São Nilo”. É formada por uma pequena comunidade de monges da Ordem Basiliana Italiana de Grottaferrata (O.S.B.I.), de Rito Bizantino.

Em 1937 a Abadia de Grottaferrata foi “elevada” a Abadia Territorial, isto é, uma circunscrição eclesiástica autônoma: o Abade “a governa como seu pastor próprio, à maneira do Bispo Diocesano” (Código de Direito Canônico, cân. 370). Dom Manuel Nin, uma vez que já é Bispo, conserva ademais seu título de Exarca Apostólico.

Abadia de Grottaferrata, exterior da igreja

Com informações dos sites da Santa Sé e da Abadia de Grottaferrata.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Apresentação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 02 de fevereiro de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) presidiu pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Festa da Apresentação do Senhor. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Festa da Apresentação do Senhor
Dia Mundial da Vida Consagrada
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 02 de fevereiro de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
A hodierna Festa da Apresentação de Jesus no Templo, quarenta dias depois do seu nascimento, põe diante dos nossos olhos um momento particular da vida da Sagrada Família: segundo a lei mosaica, o pequeno Jesus é levado por Maria e José ao Templo de Jerusalém para ser oferecido ao Senhor (cf. Lc 2,22). Simeão e Ana, inspirados por Deus, reconhecem naquele Menino o Messias tão esperado e profetizam sobre Ele. Estamos na presença de um mistério, ao mesmo tempo simples e solene, no qual a santa Igreja celebra Cristo, o Consagrado do Pai, Primogênito da nova humanidade.

A sugestiva procissão das velas no início da nossa celebração nos fez reviver a majestosa entrada, cantada no Salmo responsorial, d’Aquele que é «o Rei da glória», «o poderoso nas batalhas» (Sl 23,7-8). Mas quem é o Deus poderoso que entra no Templo? É um Menino; é o Menino Jesus, nos braços da sua Mãe, a Virgem Maria. A Sagrada Família cumpre tudo o que a Lei prescrevia: a purificação da mãe, a oferta do primogênito a Deus e o seu resgate através de um sacrifício. Na 1ª leitura (Ml 3,1-4) a Liturgia fala do oráculo do profeta Malaquias: «Logo chegará ao seu templo o Dominador» (v. 1). Estas palavras comunicam toda a intensidade do desejo que animou a expectativa por parte do povo hebreu ao longo dos séculos. Entra finalmente na sua casa «o anjo da aliança» (ibid.) e se submete à Lei: vai a Jerusalém para entrar, em atitude de obediência, na casa de Deus.


O significado desse gesto adquire uma perspectiva mais ampla no trecho da Carta aos Hebreus proclamado hoje como 2ª leitura (Hb 2,14-18). Nele nos é apresentado Cristo, o mediador que une Deus e o homem abolindo as distâncias, eliminando toda divisão e abatendo todo muro de separação. Cristo vem como novo «sumo sacerdote misericordioso e digno de confiança nas coisas referentes a Deus, a fim de expiar os pecados do povo» (v. 17). Vemos assim que a mediação com Deus não se realiza mais na santidade-separação do sacerdócio antigo, mas na solidariedade libertadora com os homens. Ele inicia, ainda Menino, a andar pelo caminho da obediência, que percorrerá até o fim. A Carta aos Hebreus ressalta bem isso quando diz: «Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas... Àquele que era capaz de salvá-lo da morte... Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem» (Hb 5,7-9).

Homilia do Papa João Paulo II: Apresentação do Senhor (2001)

Nesta Festa da Apresentação do Senhor repropomos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 02 de fevereiro de 2001, durante a Missa celebrada pelo Cardeal Eduardo Martínez Somalo (†2021), Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica:

Festa da Apresentação do Senhor
V Dia Mundial da Vida Consagrada
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 02 de fevereiro de 2001

1.Vinde, Senhor, ao vosso templo santo” (Refrão do Salmo responsorial).
Com esta invocação, que cantamos no Salmo responsorial [1], a Igreja, no dia em que se comemora a Apresentação de Jesus no Templo de Jerusalém, expressa o desejo de acolhê-lo também no presente da sua história. A Apresentação é uma festa litúrgica sugestiva, fixada desde a antiguidade quarenta dias depois do Natal, baseando-se no que prescrevia a Lei hebraica para o nascimento de todo primogênito (cf. Ex 13,2). Maria e José, como é narrado na passagem evangélica, foram seus fiéis cumpridores.

Tradições cristãs do Oriente e do Ocidente se entrelaçaram, enriquecendo a Liturgia desta festa com uma especial procissão, na qual a luz das velas é símbolo de Cristo, Luz verdadeira que veio iluminar o seu povo e todas as nações. Desta forma, a data de hoje se relaciona com o Natal e com a Epifania do Senhor. Mas, ao mesmo tempo, ela é uma ponte para a Páscoa, reevocando a profecia do velho Simeão, que naquela circunstância anunciou o dramático destino do Messias e da sua Mãe.


O evangelista recordou esse acontecimento detalhadamente: ao acolher Jesus no santuário de Jerusalém foram duas pessoas idosas, cheias de fé e do Espírito Santo, Simeão e Ana. Elas personificavam o “resto de Israel”, vigilante na expectativa e pronto a ir ao encontro do Senhor, como já haviam feito os pastores na noite do seu nascimento em Belém.

2. Na coleta da Liturgia de hoje pedimos que também nós possamos ser apresentados ao Senhor “com os corações purificados”, segundo o modelo de Jesus, Primogênito de muitos irmãos. De modo particular vós, religiosos, religiosas e leigos consagrados, sois chamados a participar neste mistério do Salvador. É um mistério de oblação, no qual se fundamentam indissoluvelmente a glória e a cruz, segundo o caráter pascal próprio da existência cristã. É mistério de luz e de sofrimento; mistério mariano, no qual à Mãe, abençoada juntamente com o Filho, é preanunciado o martírio da alma.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Vésperas da Conversão de São Paulo em Roma (2026)

Na tarde do domingo, 25 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV presidiu as Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo [1] na Basílica de São Paulo fora dos muros por ocasião do encerramento da 59ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.

O “tema” para este ano foi: “Há um só Corpo e um só Espírito, como também uma só é a esperança à qual fostes chamados” (Ef 4,4) e o material foi preparado por um grupo ecumênico da Armênia.

Como de costume, participaram da celebração representantes das Igrejas Ortodoxas, das Igrejas Ortodoxas Orientais e das comunidades protestantes.

O Papa, endossando um pluvial de São Paulo VI [2], foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Didier Jean-Jacques Bouable. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Oração diante do túmulo de São Paulo
Versículo introdutório: "Vinde, ó Deus..."
Hino: Excelsam Pauli gloriam
Salmodia

Homilia do Papa: Vésperas da Conversão de São Paulo (2026)

Vésperas da Festa da Conversão de São Paulo, Apóstolo
59ª Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Paulo fora dos muros
Domingo, 25 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Em uma das passagens bíblicas que acabamos de ouvir [1], o Apóstolo Paulo se define «o menor dos apóstolos» (1Cor 15,9). Ele se considera indigno desse título, porque no passado foi um perseguidor da Igreja de Deus. No entanto, ele não se sente prisioneiro desse passado, mas sim «prisioneiro no Senhor» (Ef 4,1). Na verdade, pela graça de Deus, conheceu o Senhor Jesus Ressuscitado, que se revelou a Pedro, depois aos Apóstolos e a centenas de outros seguidores do Caminho e, por fim, também a ele, um perseguidor (cf. 1Cor 15,3-8). O seu encontro com o Ressuscitado determina a conversão que hoje comemoramos.

O alcance dessa conversão reflete-se na mudança do seu nome, de Saulo para Paulo. Por graça de Deus, aquele que outrora perseguia Jesus foi completamente transformado e tornou-se sua testemunha. Aquele que combatia ferozmente contra o nome de Cristo, agora prega o seu amor com zelo ardente, como expressa vivamente o hino que cantamos no início desta celebração (cf. Excelsam Pauli gloriam, 2ª estrofe). Enquanto estamos reunidos junto dos restos mortais do Apóstolo das Nações, nos é recordado assim que a sua missão é também a missão dos cristãos de hoje: anunciar Cristo e convidar todos a depositarem a sua confiança n’Ele. Com efeito, cada verdadeiro encontro com o Senhor é um momento transformador, que dá uma nova visão e uma nova orientação no cumprimento da tarefa de edificar o Corpo de Cristo (cf. Ef 4,12).


O Concílio Vaticano II, no início da Constituição sobre a Igreja, declarou o ardente desejo de anunciar o Evangelho a toda criatura (cf. Mc 16,15) e assim «iluminar todos os homens com a luz de Cristo, que resplandece no rosto da Igreja» (cf. Constituição Dogmática Lumen gentium, n. 1). É tarefa comum dos cristãos dizer ao mundo, com humildade e alegria: «Olhai para Cristo! Aproximai-vos d’Ele! Acolhei a sua Palavra que ilumina e consola!» (Homilia na Missa de início do Ministério Petrino, 18 de maio de 2025). Caríssimos, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos nos convida- anualmente a renovar o nosso compromisso comum nesta grande missão, conscientes que as divisões entre nós, embora certamente não impedem a luz de Cristo de brilhar, todavia tornam mais opaco o rosto que deve refleti-la no mundo.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Ângelus: III Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 25 de janeiro de 2026

Irmãos e irmãs, bom domingo!
Tendo recebido o Batismo, Jesus inicia a sua pregação e chama os primeiros discípulos: Simão - chamado Pedro -, André, Tiago e João (cf. Mt 4,12-22). Observando atentamente esta passagem do Evangelho de hoje podemos fazer duas perguntas: uma sobre o tempo em que Jesus começa a sua missão e outra sobre o lugar que escolhe para pregar e chamar os Apóstolos. Perguntemo-nos: quando começaOnde começa?

Em primeiro lugar, o evangelista conta-nos que Jesus, «ao saber que João tinha sido preso» (v. 12), começou a sua pregação. Esta ocorre, portanto, em um momento que não parece ser o melhor: João Batista acabava de ser preso e, por isso, os líderes do povo estão pouco dispostos a acolher a novidade do Messias. Trata-se de um tempo que recomendaria prudência, mas é precisamente nesta situação obscura que Jesus começa a trazer a luz da boa nova: «O Reino dos Céus está próximo» (v. 17).

Também na nossa vida pessoal e eclesial, por vezes devido a resistências interiores ou a circunstâncias que consideramos desfavoráveis, pensamos não ser o momento certo para anunciar o Evangelho, para tomar uma decisão, para fazer uma escolha, para mudar uma situação. Porém, o risco é ficarmos paralisados pela indecisão ou prisioneiros de uma prudência excessiva, quando o Evangelho nos pede o risco da confiança: Deus trabalha em todo o tempo, todo momento é bom para o Senhor, mesmo se não nos sentimos preparados ou se a situação não parece ser a melhor.

O relato evangélico também nos mostra o lugar onde Jesus começa a sua missão pública: Ele «deixou Nazaré e foi morar em Cafarnaum» (v. 13). Permanece, contudo, na Galileia, um território habitado principalmente por pagãos, que, devido ao comércio, é também uma terra de passagem e de encontros; poderíamos dizer que é um território multicultural, atravessado por pessoas com origens e filiações religiosas diferentes. O Evangelho nos diz, desta forma, que o Messias vem de Israel, mas ultrapassa as fronteiras da sua terra para anunciar o Deus que se aproxima de todos, não exclui ninguém e não veio apenas para os puros, antes, envolve-se nas situações e nas relações humanas. Também nós, cristãos, devemos vencer a tentação de nos fecharmos: o Evangelho deve ser anunciado e vivido em todas as circunstâncias e ambientes, para que seja fermento de fraternidade e paz entre as pessoas, as culturas, as religiões e os povos.

Irmãos e irmãs, como os primeiros discípulos, somos convidados a acolher o chamado do Senhor, na alegria de saber que cada tempo e cada lugar da nossa vida são visitados por Ele e atravessados pelo seu amor. Rezemos à Virgem Maria, para que nos conceda esta confiança interior e nos acompanhe ao longo do caminho.

Chamado dos primeiros discípulos
(Domenichino - Basílica de Santo André della Valle, Roma)

Depois do Ângelus:

Queridos irmãos e irmãs,
Este Domingo, o III do Tempo Comum, é o Domingo da Palavra de Deus. O Papa Francisco instituiu-o há sete anos para promover em toda a Igreja o conhecimento da Sagrada Escritura e a atenção à Palavra de Deus na Liturgia e na vida das comunidades. Agradeço e encorajo todos os que se empenham com fé e amor em prol deste fim prioritário...

Fonte: Santa Sé.