terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Mensagem do Papa: Quaresma 2026

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026, com o tema «Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão»:

Papa Leão XIV
Mensagem para a Quaresma 2026
Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão

Queridos irmãos e irmãs,
A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude materna, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe para Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar espaço à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor» (Ex 3,7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

Catequese do Papa Bento XVI: Quaresma (2006)

Na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2006, há cerca de 20 anos, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 01 de março de 2006
A Quaresma, itinerário de reflexão e de intensa oração

Amados irmãos e irmãs,
Começa hoje, com a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo Pascal, memória da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação. Este é um tempo favorável no qual a Igreja convida os cristãos a tomar consciência mais viva da obra redentora de Cristo e a viver com maior profundidade o próprio Batismo. Com efeito, neste período litúrgico o Povo de Deus, desde os primórdios, se nutre abundantemente da Palavra de Deus para se fortalecer na fé, percorrendo toda a história da criação e da redenção.


Na sua duração de quarenta dias, o Tempo da Quaresma possui uma inegável força evocativa. Com efeito, ela busca recordar alguns dos acontecimentos que marcaram a vida e a história do antigo Israel, repropondo também a nós o seu valor paradigmático: pensemos, por exemplo, nos quarenta dias do dilúvio universal, que desembocam no pacto de aliança estabelecido por Deus com Noé e, assim, com a humanidade; e nos quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, aos quais se seguiu o dom das tábuas da Lei. O período quaresmal quer nos convidar sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias transcorridos por Ele no deserto, rezando e jejuando, antes de iniciar a sua missão pública. Também nós hoje empreendemos um caminho de reflexão e de oração com todos os cristãos do mundo para nos dirigirmos espiritualmente ao Calvário, meditando os mistérios centrais da fé. Assim nos prepararemos para experimentar, depois do mistério da Cruz, a alegria da Páscoa da Ressurreição.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Catequese do Papa João Paulo II: Quaresma (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
O caminho quaresmal

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor” (Sl 94,8).
Este convite da Liturgia ressoa na nossa alma, pois hoje, Quarta-feira de Cinzas, tem início o itinerário quaresmal. Ele nos levará ao Tríduo Pascal, memória viva da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação.

O santo Tempo da Quaresma, desde sempre muito sentido pelo povo cristão, evoca antigos acontecimentos bíblicos, como os quarenta dias do dilúvio universal, prelúdio do pacto da aliança feita por Deus com Noé; os quarenta anos de peregrinação de Israel no deserto rumo à Terra prometida; os quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, onde recebeu do Senhor as Tábuas da Lei. O tempo quaresmal nos convida sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias que Ele passou no deserto, rezando e jejuando, antes de começar a sua missão pública, que culminará no Calvário com o sacrifício da Cruz, vitória definitiva sobre o pecado e a morte.


2. Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3,19).
É sempre muito eloquente o tradicional rito da imposição das cinzas, que hoje se repete, e são sugestivas as palavras que o acompanham. Na sua simplicidade, esse rito recorda a caducidade da vida terrena:  tudo passa e está destinado a morrer. Nós somos peregrinos neste mundo, viajantes que não devem esquecer a sua meta verdadeira e definitiva: o Céu. Com efeito, embora sejamos pó e destinados a voltar ao pó, todavia nem tudo termina. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é destinado à vida eterna. Morrendo na Cruz, Jesus abriu a cada ser humano o caminho para ela.

Toda a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas nos ajuda a evidenciar esta verdade fundamental de fé e nos estimula a começar um decidido itinerário de renovação pessoal. Devemos mudar nosso modo de pensar e de agir, fixando o olhar no rosto de Cristo Crucificado e fazendo do seu Evangelho a regra de vida do nosso dia-a-dia. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15): seja este o nosso programa quaresmal, enquanto entramos em um clima de piedosa escuta do Espírito.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Milão (2026)

Na Arquidiocese de Milão (Itália), o 34º Dia Mundial do Enfermo, no dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, foi marcado pela Missa em Rito Ambrosiano presidida pelo Arcebispo, Dom Mario Enrico Delpini, na Basílica de Nossa Senhora de Lourdes:

Procissão de entrada
"Doze Kyries"
Procissão com o Livro dos Evangelhos
Evangelho
Homilia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Manila (2026)

No dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, o Arcebispo de Manila (Filipinas), Cardeal Jose Fuerte Advincula celebrou a Missa na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila por ocasião do 34º Dia Mundial do Enfermo

Durante a Missa, com efeito, o Arcebispo administrou o Sacramento da Unção dos Enfermos a alguns fiéis assistidos pela Ordem de Malta e pelas Missionárias da Caridade.

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Procissão de entrada
Incensação da imagem
Ritos iniciais
Evangelho

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Ângelus: V Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Depois de ter proclamado as Bem-aventuranças, Jesus dirige-se àqueles que as vivem, dizendo que, graças a eles, a terra já não é a mesma e o mundo já não está na escuridão. «Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo» (Mt 5,13-14). Com efeito, é a verdadeira alegria que dá sabor à vida e traz à luz o que antes não existia. Esta alegria se irradia de um estilo de vida, de um modo de habitar a terra e de viver juntos que deve ser desejado e escolhido. É a vida que resplandece em Jesus, o novo sabor dos seus gestos e das suas palavras. Depois de o termos encontrado, parece insípido e opaco tudo o que se afasta da sua pobreza de espírito, da sua mansidão e simplicidade de coração, da sua fome e sede de justiça, que despertam misericórdia e paz como dinâmicas de transformação e reconciliação.

O profeta Isaías apresenta uma lista de gestos concretos que põem fim à injustiça: repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres, os sem-abrigo, vestir quem vemos nu, sem esquecer os vizinhos e as pessoas da nossa casa (cf. Is 58,7). E continua o profeta: «Então tua luz brilhará como a aurora e tuas feridas não tardarão em cicatrizar-se» (v. 8). Por um lado, a luz, aquela que não se pode esconder, porque é grande como o sol que todas as manhãs afugenta as trevas; por outro lado, uma ferida, que antes ardia e agora está cicatrizando.

É doloroso, com efeito, perder o sabor e renunciar à alegria; no entanto, é possível ter esta ferida no coração. Jesus parece avisar quem o escuta, para que não renuncie à alegria. O sal que perdeu o sabor, diz Ele, «não servirá para mais nada, senão para ser jogado fora e ser pisado pelos homens» (Mt 5,13). Quantas pessoas - e talvez já tenha acontecido também conosco - se sentem descartáveis, imperfeitas. É como se a sua luz tivesse sido escondida. Jesus, porém, anuncia-nos um Deus que nunca nos descartará, um Pai que guarda o nosso nome, a nossa singularidade. Qualquer ferida, mesmo a mais profunda, será curada ao acolhermos a palavra das Bem-aventuranças e ao voltarmos a caminhar pela estrada do Evangelho.

Com efeito, são os gestos de abertura aos outros e de atenção que reacendem a alegria. Certamente que, na sua simplicidade, eles nos colocam em contracorrente. O próprio Jesus, no deserto, foi tentado por outros caminhos: afirmar a sua identidade, exibi-la, ter o mundo a seus pés. No entanto, rejeitou os caminhos em que perderia o seu verdadeiro sabor, o qual encontramos todos os domingos no Pão partido: a vida doada, o amor que não faz barulho.

Irmãos e irmãs, deixemo-nos alimentar e iluminar pela comunhão com Jesus. Sem qualquer tipo de ostentação, seremos como uma cidade sobre o monte, não apenas visível, mas também convidativa e hospitaleira: a cidade de Deus, onde, no fundo, todos desejam habitar e encontrar a paz. A Maria, Porta do Céu, dirijamos agora o nosso olhar e oração, para que nos ajude a nos tornarmos e permanecermos discípulos do seu Filho.


Fonte: Santa Sé.

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 4

Concluindo as reflexões sobre as “parábolas” dentro da seção sobre a vida pública de Jesus das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa Leão XIV meditou sobre as parábolas do samaritano (Lc 10,25-37) e dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de maio de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.7. A vida de Jesus - As parábolas: O samaritano (Lc 10,25-37)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos a meditar sobre algumas parábolas do Evangelho que são uma ocasião para mudar de perspectiva e nos abrirmos à esperança. Às vezes, a falta de esperança deve-se ao fato de nos fixarmos em certo modo rígido e fechado de ver as coisas, e as parábolas nos ajudam a olhar para elas de outro ponto de vista.

Hoje gostaria de vos falar de uma pessoa experta, preparada, um doutor da Lei que, porém, deve mudar de perspectiva, porque está concentrado em si mesmo e não se dá conta dos outros (cf. Lc 10,25-37). Com efeito, ele interroga Jesus sobre o modo como se “recebe em herança” a vida eterna, usando uma expressão que a entende como um direito inequívoco. Mas por trás desta pergunta talvez se esconda precisamente uma necessidade de atenção: a única palavra sobre a qual pede explicações a Jesus é o termo “próximo”, que literalmente significa aquele que está perto.

O bom samaritano (Vincent van Gogh)

Por isso Jesus conta uma parábola que é um caminho para transformar aquela interrogação, para passar de quem me ama? a quem amou? A primeira é uma pergunta imatura, a segunda é a pergunta do adulto que compreendeu o sentido da sua vida. A primeira é a que pronunciamos quando nos colocamos de canto e esperamos, a segunda é a que nos impele a nos colocarmos a caminho.

Com efeito, a parábola que Jesus conta tem como cenário precisamente uma estrada, e é uma estrada difícil e impérvia, como a vida. É a estrada percorrida por um homem que desce de Jerusalém, a cidade na montanha, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar. É uma imagem que já prenuncia o que poderia acontecer: com efeito, ocorre que o homem é atacado, espancado, roubado e deixado quase morto. É a experiência que ocorre quando as situações, as pessoas, às vezes até aqueles em quem confiamos, nos tiram tudo e nos deixam no meio do caminho.