terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Quarta-feira de Cinzas em Roma (2026)

Na tarde do dia 18 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Quarta-feira de Cinzas na Basílica de Santa Sabina no Aventino (Roma).

Como de costume, a celebração tomou a forma das estações quaresmais, sendo precedida por uma procissão penitencial desde a igreja de Santo Anselmo no Aventino [1].

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Ľubomír Welnitz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Início da celebração na igreja de Santo Anselmo

Procissão penitencial


Homilia do Papa: Quarta-feira de Cinzas (2026)

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
No início de cada tempo litúrgico redescobrimos com alegria sempre renovada a graça de ser Igreja, comunidade convocada para escutar a Palavra de Deus. O profeta Joel chegou até nós com a sua voz que tira cada um do seu isolamento e faz da conversão uma urgência, ao mesmo tempo pessoal e pública: «Congregai o povo, realizai cerimônias de culto, reuni anciãos, ajuntai crianças e lactentes» (Jl 2,16). Ele menciona pessoas cuja ausência não seria difícil justificar: as mais frágeis e menos capazes de participar em grandes reuniões. Depois, o profeta nomeia o esposo e a esposa: parece retirá-los da sua intimidade, para que se sintam parte de uma comunidade maior. Em seguida, é a vez dos sacerdotes, já presentes - quase por dever - «entre o vestíbulo e o altar» (v. 17); eles são convidados a chorar e a encontrar as palavras certas para todos: «Perdoa, Senhor, a teu povo!» (v. 17).


A Quaresma, também hoje, é um forte tempo de comunidade: «Congregai o povo, realizai cerimônias de culto» (Jl 2,16). Sabemos como é cada vez mais difícil reunir as pessoas e sentir-se povo, não de forma nacionalista e agressiva, mas na comunhão em que cada um encontra o seu lugar. Aqui ganha forma um povo que reconhece os próprios pecados, ou seja, reconhece que o mal não vem de presumíveis inimigos, mas que tocou os corações, que está dentro da própria vida e que deve ser enfrentado com assumindo corajosamente responsabilidades. Devemos admitir que se trata de uma atitude contracorrente, mas que constitui uma verdadeira opção, honesta e atraente, quando é tão natural declarar-se impotente diante de um mundo em chamas. Sim, a Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Missa do VI Domingo do Tempo Comum em Roma (2026)

Na tarde do dia 15 de fevereiro de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A) durante a Visita Pastoral à Paróquia de Santa Maria “Regina Pacis em Ostia (Santa Maria “Regina Pacis” a Ostia Lido).

Esse celebração dá início a uma série de cinco Visitas Pastorais realizadas pelo Papa a Paróquias da Diocese de Roma, uma de cada Setor Pastoral [1].

A Paróquia de Santa Maria “Rainha da Paz”, que integra o Setor Sul, é assistida pelos palotinos (Sociedade do Apostolado Católico). O brasão da Congregação, com efeito, pode ser visto em alguns paramentos e alfaias (como as dalmáticas e o conopeu diante do sacrário).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada

Ósculo do altar
Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Visita Pastoral
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia Santa Maria “Regina Pacis” em Ostia (Roma)
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Foi celebrada a Missa do VI Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
É para mim motivo de grande alegria estar aqui e viver com a vossa comunidade o gesto do qual o “domingo” recebe o seu nome. É “o dia do Senhor”, porque Jesus Ressuscitado vem ao meio de nós, nos escuta, fala a nós, nos alimenta e nos envia. Assim, no Evangelho que hoje ouvimos (Mt 5,17-37), Jesus nos anuncia a sua “nova lei”: não apenas um ensinamento, mas a força para colocá-lo em prática. É a graça do Espírito Santo que escreve de modo indelével no nosso coração, levando a cumprimento os mandamentos da antiga aliança.

Através do Decálogo, após a saída do Egito, Deus tinha firmado a aliança com o seu povo, oferecendo um projeto de vida e um caminho de salvação. As “Dez palavras”, portanto, se situam e compreendem no caminho de libertação, graças ao qual um conjunto de tribos divididas e oprimidas se transforma em um povo unido e livre. Assim, na longa caminhada através do deserto, aqueles mandamentos aparecem como a luz que indica o caminho, e a sua observância se compreende e realiza não tanto como cumprimento formal de preceitos, mas como ato de amor, de correspondência reconhecida e confiante ao Senhor da aliança. Por isso, a lei oferecida por Deus ao seu povo não está em contraste com a sua liberdade, mas, pelo contrário, é a condição para fazê-la florescer.


Assim, a 1ª Leitura, tirada do Livro do Eclesiástico (Eclo 15,16-21), e o Salmo 118, com o qual entoamos a nossa resposta, nos convidam a ver nos mandamentos do Senhor não uma lei opressiva, mas a sua pedagogia para a humanidade que procura a plenitude de vida e liberdade.

A este respeito, no início da Constituição Pastoral Gaudium et spes, encontramos uma das mais bonitas expressões do Concílio Vaticano II, na qual quase sentimos palpitar o coração de Deus através do coração da Igreja. O Concílio diz: «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração» (n. 1).

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Ângelus: VI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 15 de fevereiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Também hoje ouvimos no Evangelho uma parte do “Sermão da montanha” (Mt 5,17-37). Depois de proclamar as Bem-aventuranças, Jesus convida-nos a entrar na novidade do Reino de Deus e, para nos guiar neste caminho, revela o verdadeiro significado dos preceitos da Lei de Moisés: eles não servem para satisfazer uma necessidade religiosa exterior a fim de nos sentirmos bem diante de Deus, mas para nos fazer entrar na relação de amor com Deus e com os irmãos. Por isso, Jesus diz que não veio para abolir a Lei, «mas para dar-lhe pleno cumprimento» (v. 17).

O cumprimento da Lei é precisamente o amor, que realiza o seu significado profundo e o seu fim último. Trata-se de adquirir uma “justiça maior” (v. 20) do que aquela dos escribas e fariseus, uma justiça que não se limita a observar os mandamentos, mas nos abre ao amor e nos compromete com ele. Na verdade, Jesus examina precisamente alguns preceitos da Lei que se referem a casos concretos da vida e utiliza uma fórmula linguística - as antinomias - precisamente para mostrar a diferença entre uma justiça religiosa formal e a justiça do Reino de Deus: por um lado: «Ouvistes o que foi dito aos antigos», e, por outro lado, Jesus que afirma: «Eu, porém, vos digo» (vv. 21-37).

Esta abordagem é muito importante. Ela nos diz que a Lei foi dada a Moisés e aos profetas como um caminho para começarmos a conhecer Deus e o seu projeto sobre nós e sobre a história ou, para usar uma expressão de São Paulo, como um pedagogo que nos guiou até Ele (cf. Gl 3,23-25). Mas agora Ele mesmo veio a nós na pessoa de Jesus, o qual cumpriu a Lei, tornando-nos filhos do Pai e dando-nos a graça de entrar em relação com Ele como filhos e como irmãos entre nós.

Irmãos e irmãs, Jesus ensina-nos que a verdadeira justiça é o amor e que, em cada preceito da Lei, devemos perceber uma exigência de amor. Com efeito, não basta não matar fisicamente uma pessoa, se depois a matamos com palavras ou não respeitamos a sua dignidade (vv. 21-22). Da mesma forma, não basta ser formalmente fiel ao cônjuge e não cometer adultério, se nesta relação faltam a ternura recíproca, a escuta, o respeito, o cuidado mútuo e o caminhar juntos em um projeto comum (vv. 27-28.31-32). A estes exemplos, que o próprio Jesus nos oferece, poderíamos acrescentar também outros. O Evangelho nos oferece este precioso ensinamento: não basta uma justiça mínima, é preciso um amor grande, que é possível graças à força de Deus.

Invoquemos juntos a Virgem Maria, que deu ao mundo o Cristo, Aquele que leva à perfeição a Lei e o projeto da salvação: que ela interceda por nós, nos ajude a entrar na lógica do Reino de Deus e a viver a sua justiça.

Jesus ensinando
(Note-se na sua mão o rolo da Lei)

Fonte: Santa Sé.

Homilia do Papa João Paulo II: Cátedra de São Pedro (2001)

Há 25 anos, no dia 22 de fevereiro de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Festa da Cátedra de São Pedro com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 21 de fevereiro [1].

Embora neste ano de 2026 não celebremos essa Festa (por coincidir com o I Domingo da Quaresma), reproduzimos aqui a homilia do Papa polonês na ocasião:

Festa da Cátedra de São Pedro
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Quinta-feira, 22 de fevereiro de 2001

1. “E vós, quem dizeis que Eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,15-16).
Este diálogo entre Cristo e os seus discípulos, que ouvimos há pouco, é sempre atual na vida da Igreja e do cristão. Em cada momento da história, sobretudo naqueles mais decisivos, Jesus interpela os seus e, depois de interrogá-los sobre o que “os homens” pensam d’Ele, “estreita o foco” e lhes pergunta: “E vós, quem dizeis que Eu sou?”.

Ouvimos esta pergunta ecoar, no fundo, durante todo o Grande Jubileu do Ano 2000. E todos os dias a Igreja respondeu incessantemente com uma unânime profissão de fé: “Tu és o Cristo, o Salvador do mundo, ontem, hoje e sempre”. Uma resposta universal, na qual à voz do Sucessor de Pedro se uniram as vozes dos Pastores e dos fiéis de todo o Povo de Deus.


2. Uma única e solene profissão de fé: Tu és o Cristo! Esta profissão de fé é o grande dom que a Igreja oferece ao mundo no início do terceiro milênio, enquanto prossegue no “vasto oceano” que se abre diante dela (cf. Carta Apostólica Novo millennio ineunte, n. 58). A festa de hoje põe em primeiro plano o papel de Pedro e dos seus Sucessores na condução da barca da Igreja nesse “oceano”. Portanto, é particularmente significativo que nesta festa litúrgica esteja junto ao Papa o Colégio Cardinalício, com os novos Cardeais criados ontem no primeiro Consistório depois do Grande Jubileu.

Juntos queremos dar graças a Deus por ter fundado a sua Igreja sobre a rocha de Pedro. Como sugere a oração “coleta”, queremos rezar intensamente para que ela “não seja abalada por nenhuma perturbação”, mas prossiga com coragem e confiança.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Meditações da Via Sacra no Coliseu 2011

Nesta primeira sexta-feira da Quaresma, como é tradição neste blog, publicamos um modelo de meditações para a Via Sacra. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra.

Nesta ocasião recordamos a Via Sacra presidida pelo Papa Bento XVI (†2022) junto ao Coliseu na noite da Sexta-feira Santa de 2011Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

As meditações foram escritas pela Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A., Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália. Com essa postagem, portanto, honramos o Papa Leão XIV, que também pertence à Ordem de Santo Agostinho (O.S.A.).

Como ilustrações, por sua vez, propomos as esculturas realizadas pelo artista Mickey Wells para o Santuário da Paixão de Cristo (Shrine of Christ’s Passion) na cidade de St. John (Indiana, EUA), próximo de Chicago (Illinois), cidade natal do primeiro Papa norte-americano [1].

Ofício das Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Bento XVI
Sexta-feira Santa, 22 de abril de 2011

Meditações da Irmã Maria Rita Piccione, O.S.A.
Presidente da Federação dos Mosteiros Agostinianos da Itália

Apresentação

«Se alguém contemplasse de longe a sua pátria, mas no meio estivesse o mar, veria aonde chegar, mas não disporia dos meios para chegar. O mesmo se passa conosco... Vislumbramos a meta a alcançar, mas no meio está o mar deste século... Ora, para que pudéssemos dispor também dos meios para chegar, veio de lá Aquele para quem nós queríamos ir... e forneceu-nos o madeiro com o qual atravessar o mar. De fato, ninguém pode atravessar o mar deste século se não é levado pela cruz de Cristo... Não abandones [pois] a cruz, e a cruz te levará».
Estas palavras de Santo Agostinho, tomadas do seu Comentário ao Evangelho de João (2, 2), nos introduzem na oração da Via Sacra (Via Crucis).


A Via Sacra, com efeito, quer estimular em nós este gesto de nos agarrarmos ao madeiro da Cruz de Cristo ao longo do mar da vida. A Via Sacra, portanto, não é uma simples prática de devoção popular com caráter sentimental, mas exprime a essência da experiência cristã: «Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mc 8,34).

(...) No início de cada estação, depois da clássica enunciação, aparece uma brevíssima frase que pretende oferecer a chave de leitura da respectiva estação. Podemos recebê-la idealmente como pronunciada por uma criança, quase como um apelo à simplicidade dos pequeninos, que sabem captar o coração da realidade, e em um espaço simbólico de acolhida, na oração de Igreja, da voz da infância por vezes ofendida e explorada.

A Palavra de Deus proclamada é tomada do Evangelho de João, exceto nas estações sem texto evangélico de referência ou que o têm em outros Evangelhos. Com esta escolha se pretende evidenciar a mensagem de glória da Cruz de Jesus.
Em seguida o texto bíblico é ilustrado por uma breve reflexão, clara e original.