Há cerca de 20 anos, no dia 04 de junho de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro. Confira a seguir sua homilia na ocasião:
Solenidade de Pentecostes
Homilia do Papa Bento XVI
Praça de São Pedro
Domingo, 04 de junho de 2006
Queridos irmãos e irmãs,
No dia de
Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve início assim
a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta
missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua Ressurreição (cf. At 1,3). Antes da Ascensão ao Céu,
ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem que se realizasse
a promessa do Pai” (cf. vv. 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem a receber o dom do
Espírito Santo. E eles se reuniram em oração com Maria no Cenáculo à espera do
acontecimento prometido (cf. v. 14).
Permanecer
juntos foi a condição posta por Jesus para receber o dom do Espírito Santo;
pressuposto da sua concórdia foi uma prolongada oração. Encontramos delineada assim
uma formidável lição para toda comunidade cristã. Às vezes se pensa que a
eficiência missionária dependa principalmente de uma atenta programação e da
sucessiva realização inteligente através de um empenho concreto. Certamente o
Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é
necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da
Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e
providente de Deus.
As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo - o vento e o fogo - recordam o Sinai, onde Deus tinha se revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Ex 19,3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa da Aliança. Falando de línguas de fogo (cf. At 2,3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa da nova Aliança, na qual a Aliança com Israel é estendida a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é evidenciada significativamente pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem aqueles que escutam o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. vv. 9-11).


















