sexta-feira, 10 de abril de 2026

Fotos da Via Sacra no Coliseu (2026)

Na noite da Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a tradicional oração da Via Sacra no Coliseu.

As meditações foram preparadas pelo Padre Francesco Patton, OFM, Custódio da Terra Santa de 2016 a 2025, com os textos de São Francisco de Assis por ocasião dos 800 anos da sua morte.

Retomando uma tradição iniciada por São Paulo VI (†1978) e continuada por São João Paulo II (†2005), sobretudo no início do seu pontificado, Leão XIV carregou a cruz ao longo das quatorze estações. 

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Fiéis aguardam o início da celebração
O Papa reza junto da cruz dentro do Coliseu
Início da Via Sacra dentro do Anfiteatro


Meditações da Via Sacra no Coliseu 2026

As meditações da primeira Via Sacra no Coliseu do pontificado do Papa Leão XIV, na noite da Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2026, foram preparadas pelo Padre Francesco Patton, OFM, Custódio da Terra Santa de 2016 a 2025.

Em suas meditações foram citados vários textos de São Francisco de Assis, tomados das Fontes Franciscanas (FF), por ocasião dos 800 anos da sua morte (1226-2026).

Para saber mais, confira nossas postagem sobre a Via Sacra e sobre a Via Sacra presidida pelo Papa no Coliseu.

Sexta-feira Santa
Via Sacra no Coliseu presidida pelo Papa Leão XIV
03 de abril de 2026

Meditações com os textos de São Francisco de Assis:
Padre Francesco Patton, OFM

Canto inicial
Adoramus te, Christe, et benedicimus tibi: quia per sanctam crucem tuam redemisti mundum.

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. R: Amém.
O Senhor Jesus, que padeceu por nós e nos remiu pelo Mistério Pascal, esteja convosco. R. Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.


Introdução

A Via Dolorosa passa pelas ruelas da Cidade Velha de Jerusalém e nos leva a percorrer o caminho de Jesus desde o local da sua condenação até o da sua crucificação e sepultura, que é também o local da sua Ressurreição.
Não é um percurso entre pessoas devotas e silenciosas. Como no tempo de Jesus, nos encontramos caminhando em um ambiente caótico, perturbado e ruidoso, no meio de pessoas que partilham a fé n’Ele, mas também de outras que zombam e insultam. Assim é a vida de cada dia.
A Via Sacra não é o caminho de quem vive em um mundo assepticamente devoto e de recolhimento abstrato, mas é o exercício de quem sabe que a fé, a esperança e a caridade devem ser encarnadas no mundo real, onde o fiel é constantemente desafiado e deve continuamente assumir como próprio o modo de agir de Jesus.
São Francisco de Assis, de quem se comemora este ano o oitavo centenário da morte, descreve a nossa vida cristã tomando emprestadas as palavras do Apóstolo Pedro, recordando-nos que somos chamados a «seguir os passos de Cristo, que chamou o seu traidor de amigo e se ofereceu espontaneamente aos que o crucificaram» (Regra não bulada XXII, 2: FF 56; cf. 1Pd 2,21). O Poverello nos exorta a fixar o olhar em Jesus: «Consideremos, irmãos todos, o bom pastor, que para salvar suas ovelhas sofreu a paixão da cruz» (Admoestações VI: FF 155).
Ao percorrer esta Via Sacra, portanto, acolhamos o convite de São Francisco a fazer um caminho seguindo os passos de Jesus, que não seja meramente ritual ou intelectual, mas que envolva toda a nossa pessoa e toda a nossa vida: «Oferecei vossos corpos e carregai sua santa cruz, e segui até o fim seus santíssimos preceitos» (Ofício da Paixão do Senhor XV, 13: FF 303).

I Estação: Jesus é condenado à morte

Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos.
R. Porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

Celebração da Paixão no Vaticano (2026)

Na tarde da Sexta-feira Santa, 03 de abril de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a Celebração da Paixão do Senhor na Basílica de São Pedro.

A homilia, como de costume, foi proferida pelo Pregador da Casa Pontifícia, Padre Roberto Pasolini, OFMCap.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Prostração

Liturgia da Palavra

Missa da Ceia do Senhor em Roma (2026)

Na tarde da Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Ceia do Senhor na Arquibasílica do Santíssimo Salvador e de São João Batista e Evangelista no Latrão, a Catedral de Roma, que é a “igreja estacional” desse dia.

Após a homilia o Papa lavou os pés de doze presbíteros [1]. No final da celebração, por sua vez, teve lugar a Transladação do Santíssimo Sacramento até a Capela de São Francisco de Assis [2].

Leão XIV a foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Ján Dubina. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Incensação da “Cruz Lateranense”
Liturgia da Palavra
Bênção ao diácono
Evangelho

Homilia do Papa: Missa da Ceia do Senhor (2026)

Missa da Ceia do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica do Latrão
Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
A solene Liturgia desta tarde nos introduz no Santo Tríduo da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. Atravessamos esse limiar não como meros espectadores, nem por inércia, mas comprometidos de forma especial pelo próprio Jesus: como convidados para a Ceia na qual o pão e o vinho se tornam para nós Sacramento de salvação. Participamos, com efeito, de um banquete durante o qual Cristo «tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1): o seu amor se torna gesto e alimento para todos, revelando a justiça de Deus. No mundo, precisamente ali onde o mal impera, Jesus ama definitivamente, para sempre, com todo o seu ser.

Durante esta Última Ceia, Ele lava os pés aos seus Apóstolos, dizendo: «Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que Eu fiz» (v. 15). O gesto do Senhor é parte integrante da refeição para a qual nos convidou. É um exemplo do sacramento: ao mesmo tempo em confirma o seu sentido, nos confia uma tarefa que queremos assumir como alimento para a nossa vida. Para descrever o evento em que esteve presente, o evangelista João escolhe a palavra grega upódeigma [ὑπόδειγμα] que significa “aquilo que é mostrado precisamente diante dos olhos”. Aquilo que o Senhor nos faz ver, pegando a água, a bacia e a toalha, é muito mais do que um modelo moral. Com efeito, Ele nos transmite a sua própria forma de vida: lavar os pés é um gesto que sintetiza a revelação de Deus, sinal exemplar do Verbo feito carne, sua memória inconfundível. Assumindo a condição de servo, o Filho revela a glória do Pai, desmontando os critérios mundanos que mancham a nossa consciência.


Junto com a surpresa silenciosa dos seus discípulos, até mesmo o orgulho humano nos faz abrir os olhos para o que está acontecendo: como Pedro, que inicialmente resiste à iniciativa de Jesus, também nós devemos «aprender sempre de novo que a grandeza de Deus é diferente da nossa ideia de grandeza, (...) porque sistematicamente desejamos um Deus do sucesso e não da Paixão» (Homilia na Missa da Ceia do Senhor, 20 de março de 2008). Estas palavras do Papa Bento XVI reconhecem com lucidez que nós somos sempre tentados a buscar um Deus que “nos sirva” e nos faça vencer, que seja útil como o dinheiro e o poder. Não compreendemos, porém, que Deus nos serve de verdade, sim, mas com o gesto gratuito e humilde de lavar os pés: eis a onipotência de Deus. Assim se cumpre a vontade de dedicar a vida a quem, sem este dom, não pode existir. Por causa do seu amor, o Senhor se ajoelha para lavar o homem. E o dom divino nos transforma.

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Missa Crismal no Vaticano (2026)

Na manhã da Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa Crismal na Basílica de São Pedro, durante a qual teve lugar a bênção dos Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e a consagração do Crisma.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Didier Jean-Jacques Bouable. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Ânforas dos óleos junto ao altar da Pietà
Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa Crismal (2026)

Missa Crismal
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Estamos já às portas do Tríduo Pascal. O Senhor nos conduzirá, mais uma vez, ao ápice da sua missão, para que a sua Paixão, Morte e Ressurreição se tornem o centro da nossa missão. Com efeito, o que estamos prestes a reviver tem em si a força de transformar aquilo que o orgulho humano tende geralmente a endurecer: a nossa identidade, o nosso lugar no mundo. A liberdade de Jesus muda o coração, cura as feridas, perfuma e faz brilhar os nossos rostos, reconcilia e reúne, perdoa e ressuscita.

Neste primeiro ano em que presido a Missa Crismal como Bispo de Roma, desejo refletir convosco sobre a missão à qual Deus nos consagra como seu povo. É a missão cristã, a mesma de Jesus, e não outra. Cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão! Bispos e presbíteros, ao renovarmos as nossas promessas, estamos a serviço de um povo missionário. Somos, com todos os batizados, o Corpo de Cristo, ungidos pelo seu Espírito de liberdade e consolação, Espírito de profecia e unidade.


O que Jesus vive nos momentos culminantes da sua missão é antecipado pela profecia de Isaías, indicada por Ele na sinagoga de Nazaré como a Palavra que «hoje» se cumpre (cf. Lc 4,21). Com efeito, na hora da Páscoa, torna-se definitivamente claro que Deus consagra para enviar: «Enviou-me» (Lc 4,18), diz Jesus, descrevendo aquele movimento que une o seu Corpo aos pobres, aos prisioneiros, àqueles que caminham às cegas na escuridão e àqueles que se encontram oprimidos. E nós, membros do seu Corpo, chamamos “apostólica” uma Igreja que foi enviada, impulsionada para além de si mesma, consagrada a Deus no serviço das suas criaturas: «A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também Eu vos envio» (Jo 20,21).