Na tarde da terça-feira, 01 de setembro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa pelo cuidado da criação nos jardins do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, no espaço denominado Borgo Laudato si’, por ocasião do XI Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Homilia do Papa: Missa pelo cuidado da criação (2026)
Santa Missa pelo cuidado da criação
Homilia do Papa Leão XIV
Borgo Laudato si’ (Castel Gandolfo)
Terça-feira, 01 de setembro de 2026
Leituras: Sb 13,1-9; Sl 18; Mt 6,24-34.
Queridos irmãos e irmãs,
Nas leituras escolhidas para a Liturgia de
hoje, Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, nos são dirigidos dois
convites à contemplação das obras do Senhor, exercício que certamente não é
difícil no contexto destes maravilhosos jardins.
O Livro
da Sabedoria nos exorta a
contemplar a beleza e o poder da criação para que possamos apreciar o seu
Artífice (cf. Sb 13,1-9). É superficial
limitar-se à contemplação do fogo, do vento, da água impetuosa ou das estrelas
do céu sem recordar o Criador de tantas maravilhas.
O Salmo 18 nos incentiva a elevar o olhar
para contemplar os céus que proclamam a glória de Deus e o firmamento que
anuncia a obra de suas mãos. Toda a criação nos fala da grandeza do Criador,
desde que o olhar e o coração estejam abertos a tão grande mistério.
Também o texto evangélico de Mateus (cf. Mt 6,24-34) nos convida à contemplação da criação, destacando
o amor especial do Senhor pelo ser humano. Admirar com assombro as aves do céu
e os lírios do campo, preciosos aos olhos do Criador, nos leva a compreender
quão grande é o amor de Deus por nós. Com efeito, se o Senhor não deixa de
conferir uma beleza suntuosa e de prover o necessário às plantas e aos animais,
quanto mais atento estará às necessidades dos seus amados filhos e filhas!
Esta tarde, ao aceitarmos o convite para
fazer uma pausa e refletir diante das obras de Deus, damos início ao “Tempo da
Criação”, um período de cinco semanas dedicado à oração e ao empenho no cuidado
da “casa comum”. Portanto, neste Dia Mundial de Oração e nos dias que se
seguem, reservemos alguns minutos de pausa na agitação das atividades
quotidianas para saborear a grande harmonia da qual fazemos parte. Coloquemos
em “modo silencioso” todos os ruídos das obras humanas para ouvir a voz
melodiosa da criação, na qual Deus, Autor de todas as coisas, nos fala.
sábado, 5 de setembro de 2026
Ângelus: XXII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 30 de agosto de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Hoje o Evangelho (Mt 16,21-27) nos fala de Jesus que
revela aos discípulos o Mistério da sua Páscoa iminente: o Messias deverá «ir a
Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos
mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia» (v. 21).
O que Ele afirma está muito longe das expectativas deles de
um Messias triunfante e poderoso, com cuja ajuda derrotariam e esmagariam os
inimigos (cf. Sl 107,14). Já tinham tido oportunidade,
durante o tempo que passaram com Ele, de se surpreender com muitos dos seus
gestos e palavras. Esta última mensagem, porém, ultrapassa verdadeiramente
todas as previsões. Em particular, Pedro manifesta o seu desacordo e repreende
Jesus, dizendo-lhe: «Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te
aconteça!» (Mt 16,22).
Pouco antes tinha reconhecido n’Ele «o Messias, o Filho de
Deus vivo» (v. 16). Agora, porém, surpreendido e talvez desapontado com o que
ouviu, em contraste com a belíssima profissão de fé que acabara de fazer, o repreende.
Parece dizer-lhe: “Sim, creio que és o Messias, mas não é assim que se salva o
mundo”. O seu é um impulso de zelo, certamente animado por um amor sincero, e,
no entanto, nos leva a refletir.
Com efeito, também para nós nem sempre é fácil compreender e
aceitar os caminhos de Deus, especialmente quando estão muito distantes dos
nossos. Nessa altura surge a tentação de pensar, contra toda a lógica da fé,
que é o Senhor quem está errado, ou pior ainda, que não nos ouve ou que não se
interessa por nós. Diante dessa incerteza, Pedro, apesar da sua impulsividade, nos
ensina duas coisas importantes.
A primeira é nunca interromper, nem mesmo nesses momentos, o
diálogo com o Senhor; pelo contrário, manifestar-lhe com confiança até mesmo a
nossa dificuldade em compreender o que Ele nos pede.
A segunda, porém, é nunca julgar a ação de Deus, mas sim
ouvir, com humildade, na oração, o que Ele está nos revelando através da sua
ação, mesmo quando isso não corresponde às nossas expectativas.
E a grandeza do Primeiro dos Apóstolos manifesta-se também
nisto.
Jesus lhe responde: «Vai para longe, Satanás!» (v. 23), e
explica a ele e aos outros discípulos que, para seguirem os seus passos, deverão
negar-se a si mesmos, tomar a sua cruz e segui-lo (cf. v. 24). Pedro o fará:
depois de tê-lo ouvido, aceitará o desafio e permanecerá fiel às palavras de
Cristo - a quem reconheceu como seu Redentor - durante toda a sua vida, até o
martírio.
Peçamos ao Senhor, então, que também nós, na nossa vida de
fé e na nossa oração, tenhamos a mesma sinceridade de Pedro, ao dizer-lhe
humildemente o que realmente sentimos, mesmo quando o coração está confuso, e,
ao mesmo tempo, que saibamos cultivar a sua mesma docilidade, ao aceitar o que
Ele nos pede para além das nossas expectativas.
Que Maria nos ajude, ela que foi obediente aos desígnios de
Deus até junto à Cruz do seu Filho Jesus.
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| Jesus carregando a cruz e Pedro |
Depois do Ângelus:
Queridos irmãos e irmãs,
(...) Continuemos a rezar pela paz. Santo Agostinho, cuja
memória celebramos nestes dias, dizia que «a paz (...) é semelhante àquele pão
que se multiplicava nas mãos dos discípulos do Senhor enquanto eles o partiam e
o distribuíam» (Sermão 357, 2). Que aumentem no mundo aqueles que, com
coragem, partem e distribuem o pão da paz, superando as divisões, promovendo a
justiça, praticando o perdão, para o bem de todos. (...)
Fonte: Santa Sé.
sexta-feira, 4 de setembro de 2026
Festa de Nossa Senhora do Lago em Castel Gandolfo (2026)
No fim da tarde do sábado, 29 de agosto de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Festa de Nossa Senhora do Lago em Castel Gandolfo, seguida da tradicional procissão fluvial no Lago Albano.
Foram recitadas as orações da Missa da Bem-aventurada Virgem Maria, fonte da salvação (formulário n. 31 da Coletânea de Missas da Virgem Maria) com as leituras do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A).
Leão XIV, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, foi o terceiro Papa a celebrar na igreja de Maria Santíssima do Lago, após Paulo VI (1977) e João Paulo II (1979), mas o primeiro em participar da procissão fluvial com a imagem da Virgem Maria.
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| Incensação da imagem da Virgem Maria |
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| Ritos iniciais |
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| Evangelho |
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| Homilia |
Homilia do Papa: Festa de Nossa Senhora do Lago (2026)
Santa Missa e Procissão de “Nossa Senhora do Lago”
Homilia do Papa Leão XIV
Igreja de Maria Santíssima do Lago (Castel Gandolfo)
Sábado, 29 de agosto de 2026
Foram proferidas as leituras do XXII Domingo do Tempo Comum (Ano A).
Queridos irmãos e irmãs,
Estou feliz
por celebrar convosco a Festa de Nossa Senhora do Lago, tal como já fizeram no
passado alguns dos meus Predecessores: São Paulo VI, que desejou e apoiou
a construção desta igreja dedicada a Maria e a consagrou, e São João Paulo
II, que aqui quis recordar a sua memória e renovar a sua mensagem.
A Liturgia da
Palavra nos oferece textos que se harmonizam bem com este evento tradicional.
Na 1ª Leitura
(Jr 20,7-9) o profeta Jeremias nos fala da sua necessidade irresistível
de responder ao chamado que recebeu: «Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir
(...). Senti, então, dentro de mim um fogo ardente (...): desfaleci, sem forças
para suportar» (vv. 7.9). Deus lhe revelou que o tinha conhecido e escolhido
desde o seio materno (cf. Jr 1,5), e que amava o seu povo
com amor eterno (cf. Jr 31,3); falou do seu plano de salvação,
e ele já não pôde ficar em silêncio. Sente um impulso incontrolável de levar a
todos a sua mensagem, mesmo sabendo que isso implicará ter de dizer e fazer
coisas que a muitos não agradarão, enfrentar sofrimentos e incompreensões, até
se tornar «alvo de irrisão» (v. 7). Mas o amor o impele a agir pelo bem do seu
povo, sem concessões, até o fim.
É isso que
Jesus também nos ensina no Evangelho (Mt 16,21-27). Pouco antes Ele tinha
alimentado cinco mil homens com cinco pães e dois peixes (cf. Mt 14,15-21)
e, depois, outros quatro mil com sete pães e alguns peixes (cf. Mt 15,32-38).
Agora, para além do sucesso alcançado com estes gestos, explica aos discípulos
o sentido messiânico do que realizou: lhes revela que deverá «ir a Jerusalém e
sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei,
ser morto e ressuscitar no terceiro dia» (Mt 16,21).
Jesus explica
como, após os muitos milagres realizados, manifestará definitivamente a sua
glória: sacrificando livremente a sua vida (cf. Jo 10,17-18)
e oferecendo-se a si mesmo na cruz como pão partido. E especifica que o mesmo
deverá fazer quem quer que deseje continuar a sua missão: «Se alguém quer me
seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mt 16,24).
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Mensagem à 76ª Semana Litúrgica Nacional (Itália)
De 24 a 27 de agosto de 2026 a Arquidiocese de Catânia
(Itália), na ilha da Sicília, acolheu a 76ª Semana Litúrgica Nacional,
promovida pelo Centro Azione Liturgica, com o tema «Uma Igreja que gera:
Liturgia e Iniciação Cristã».
O encontro teve lugar poucos dias após a celebração dos 900
anos da transladação das relíquias de Santa Ágata (ou Águeda), padroeira da
cidade e da Arquidiocese de Catânia [1].
Confira a mensagem enviada pelo Cardeal Pietro Parolin,
Secretário de Estado, em nome do Papa Leão XIV:
Mensagem assinada pelo Cardeal Pietro Parolin por ocasião da 76ª Semana Litúrgica Nacional
Catânia, 24-27 de agosto de 2026
Do Vaticano, 06 de agosto de 2026.
A Sua Excelência Reverendíssima Dom Claudio Maniago, Arcebispo Metropolitano de Catanzaro-Squillace, Presidente do Centro Azione Liturgica
Excelência Reverendíssima,
Estou contente em transmitir a cordial saudação do Santo
Padre Leão XIV aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que terá
lugar de 24 a 27 de agosto próximo em Catânia, cidade rica de belezas naturais
e artísticas, guardiã de uma fecunda história religiosa, fecundada pelo
testemunho da mártir Ágata [ou Águeda]. O tema escolhido, «Uma Igreja que gera:
Liturgia e Iniciação Cristã», é de particular importância para todos nós hoje,
e faz eco às palavras dirigidas pelo Sumo Pontífice aos Bispos italianos por
ocasião da sua Assembleia Geral. Ele chamava a atenção precisamente para a
Iniciação Cristã, «que não pode ser pensada apenas como preparação aos
Sacramentos» (Discurso à 82ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal
Italiana, 28 de maio de 2026), mas que deve ser considerada sobretudo como «o
“ventre” no qual uma comunidade gera na fé e introduz na vida pascal, na comunhão
com o Senhor, na fraternidade eclesial» (ibid.).
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| Catedral de Santa Ágata (ou Águeda) em Catânia |
A unidade entre catequese e celebração caracteriza a
fecundidade da Esposa de Cristo desde as suas origens, quando os irmãos «eram
perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na
fração do pão e nas orações» (At 2,42). O Santo Padre nos convida a
retornar à fonte, reforçando e, quando necessário, recuperando, na formação
cristã, o valor da Liturgia, na qual o mistério de Cristo nos envolve, nos
transforma e nos faz nascer como novas criaturas.
sexta-feira, 28 de agosto de 2026
Ângelus: XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 23 de agosto de 2026
Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste domingo (Mt 16,13-20) nos coloca
diante de uma pergunta que interpela cada um de nós no caminho da fé: quem é
realmente Jesus para mim?
A partir do relato evangélico percebe-se o quanto esta
pergunta é decisiva para a experiência do discipulado. Na verdade, ainda que os
doze Apóstolos já tivessem compartilhado muito da vida e do ministério do
Mestre, Jesus não quis pressupor que eles o conheciam realmente e que tinham
compreendido o mistério do Reino de Deus. Então, depois de perguntar quais eram
as opiniões das pessoas sobre Ele, dirige-se diretamente a eles: «E vós, quem
dizeis que Eu sou?» (v. 15).
Irmãos e irmãs, este é um passo fundamental para os
discípulos de todos os tempos, para cada um de nós. Com efeito, a fé não nos é
dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos redescobrir constantemente
o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as
escolhas da nossa vida, para que sejam coerentes com o que professamos,
vencendo a tentação de pensar que já sabemos tudo e de transformar a fé em um
costume.
A pergunta que diariamente nos é colocada - quem é Jesus
para mim e qual o significado da sua presença na minha vida - surge
especialmente na oração e quando meditamos sobre o Evangelho; mas também quando
nos deparamos com as feridas e as necessidades dos irmãos, ou nas relações e
situações que mais interpelam a nossa consciência. Enfim, no âmbito da nossa
vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura
da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus,
Aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa
vida e o mundo em que vivemos.
Caríssimos, aprendamos a não nos fecharmos nas nossas
convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação
autêntica com Cristo. Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, nos contentamos
com o que “ouvimos dizer”, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi
transmitido, talvez até com boas intenções; mas Jesus nos chama a uma resposta
pessoal, a conhecê-lo de perto, a nos deixarmos escrutinar a partir da amizade
com Ele, em um encontro sempre novo que pode nos exigir percorrer caminhos
inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos. Isto é válido tanto
para o nosso percurso pessoal como para o caminho da Igreja e para as escolhas
pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre
fizemos. É importante, pelo contrário, nos perguntarmos frequentemente: quem é o
Senhor para mim? Conheço-o realmente? O que me pede hoje o seu Evangelho? Que
passos e que escolhas deveria tomar?
Invoquemos a Virgem Maria, que no seu coração procurava a
vontade de Deus através do seu Filho, para que nos guie sempre no caminho da
fé.
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| Profissão de fé de Pedro (James Tissot) |
Fonte: Santa Sé.
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