Concluindo as meditações sobre as “curas” e com elas a seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa refletiu sobre a hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43) e sobre o homem surdo (Mc 7,31-37):
Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 25 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.11. A vida de Jesus - As curas: A hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43)
Queridos irmãos e irmãs,
Também hoje meditamos sobre as curas de Jesus como sinal de
esperança. N’Ele há uma força que também nós podemos experimentar quando
entramos em relação com a sua Pessoa.
Uma doença muito difundida no nosso tempo é o cansaço de
viver: a realidade nos parece demasiado complexa, pesada, difícil de enfrentar.
Então nos sentimos abatidos, adormecemos na ilusão de que quando acordarmos as
coisas serão diferentes. Mas a realidade deve ser enfrentada e, com Jesus,
podemos fazê-lo bem. Às vezes nos sentimos bloqueados pelo julgamento de quem
pretende colocar rótulos nos outros.
Parece-me que estas situações podem encontrar
correspondência em uma passagem do Evangelho de Marcos onde se
entrelaçam duas histórias: a de uma menina de doze anos, que está doente na
cama e prestes a morrer, e a de uma mulher que tem hemorragias há precisamente
doze anos e procura Jesus para poder ser curada (cf. Mc 5,21-43).
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| Jesus e a mulher com hemorragia (Catacumbas de Marcelino e Pedro, Roma) |
Entre estas duas figuras femininas o evangelista coloca a
figura do pai da menina: ele não permanece em casa lamentando-se pela doença da
filha, mas sai e pede ajuda. Embora seja o chefe da sinagoga, não faz
reivindicações em virtude da sua posição social. Quando é preciso esperar, não
perde a paciência e aguarda. E quando vêm lhe dizer que a filha está morta e é
inútil incomodar o Mestre, ele continua a ter fé e a esperar.
A conversa desse pai com Jesus é interrompida pela mulher
hemorroíssa, que consegue aproximar-se de Jesus e tocar o seu manto (v. 27).
Com grande coragem, esta mulher tomou a decisão que muda a sua vida: todos
continuavam dizendo-lhe que se mantivesse à distância, que não se mostrasse.
Tinham-na condenado a permanecer escondida e isolada. Às vezes também nós
podemos ser vítimas do julgamento dos outros, que pretendem vestir-nos com uma
roupa que não é nossa. E então nos sentimos mal e não conseguimos superar essa
situação.


















