quarta-feira, 8 de abril de 2026

Missa Crismal no Vaticano (2026)

Na manhã da Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa Crismal na Basílica de São Pedro, durante a qual teve lugar a bênção dos Óleos dos Enfermos e dos Catecúmenos e a consagração do Crisma.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Didier Jean-Jacques Bouable. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Ânforas dos óleos junto ao altar da Pietà
Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa Crismal (2026)

Missa Crismal
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 02 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Estamos já às portas do Tríduo Pascal. O Senhor nos conduzirá, mais uma vez, ao ápice da sua missão, para que a sua Paixão, Morte e Ressurreição se tornem o centro da nossa missão. Com efeito, o que estamos prestes a reviver tem em si a força de transformar aquilo que o orgulho humano tende geralmente a endurecer: a nossa identidade, o nosso lugar no mundo. A liberdade de Jesus muda o coração, cura as feridas, perfuma e faz brilhar os nossos rostos, reconcilia e reúne, perdoa e ressuscita.

Neste primeiro ano em que presido a Missa Crismal como Bispo de Roma, desejo refletir convosco sobre a missão à qual Deus nos consagra como seu povo. É a missão cristã, a mesma de Jesus, e não outra. Cada um participa nela de acordo com a sua vocação e com uma obediência muito pessoal à voz do Espírito, mas nunca sem os outros, nunca negligenciando ou rompendo a comunhão! Bispos e presbíteros, ao renovarmos as nossas promessas, estamos a serviço de um povo missionário. Somos, com todos os batizados, o Corpo de Cristo, ungidos pelo seu Espírito de liberdade e consolação, Espírito de profecia e unidade.


O que Jesus vive nos momentos culminantes da sua missão é antecipado pela profecia de Isaías, indicada por Ele na sinagoga de Nazaré como a Palavra que «hoje» se cumpre (cf. Lc 4,21). Com efeito, na hora da Páscoa, torna-se definitivamente claro que Deus consagra para enviar: «Enviou-me» (Lc 4,18), diz Jesus, descrevendo aquele movimento que une o seu Corpo aos pobres, aos prisioneiros, àqueles que caminham às cegas na escuridão e àqueles que se encontram oprimidos. E nós, membros do seu Corpo, chamamos “apostólica” uma Igreja que foi enviada, impulsionada para além de si mesma, consagrada a Deus no serviço das suas criaturas: «A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também Eu vos envio» (Jo 20,21).

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 5

Nesta Oitava Pascal, concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus proferidas pelo Papa Leão XIV como parte das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos suas meditações sobre a Ressurreição (Jo 20,19-23) e sobre os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 01 de outubro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.9. A Páscoa de Jesus: A Ressurreição (Jo 20,19-23)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O centro da nossa fé e o coração da nossa esperança se encontram bem enraizados na Ressurreição de Cristo. Lendo atentamente os Evangelhos, compreendemos que este mistério é surpreendente não só porque um homem - o Filho de Deus - ressuscitou dos mortos, mas também pelo modo como escolheu fazê-lo. Com efeito, a Ressurreição de Jesus não é um triunfo retumbante, não é uma vingança ou uma revanche contra os seus inimigos. É o testemunho maravilhoso de como o amor é capaz de se levantar depois de uma grande derrota para prosseguir o seu irrefreável caminho.

Quando nos levantamos depois de um trauma causado por outros, muitas vezes a primeira reação é a raiva, o desejo de fazer alguém pagar pelo que sofremos. O Ressuscitado não reage desse modo. Saindo da mansão dos mortos, Jesus não se vinga de modo algum. Não volta com gestos de poder, mas manifesta com mansidão a alegria de um amor maior do que qualquer ferida e mais forte do que qualquer traição.

Encontro do Ressuscitado com os Apóstolos
(Franciszek Smuglewicz)

O Ressuscitado não sente necessidade alguma de reiterar ou afirmar a sua superioridade. Ele aparece aos seus amigos - os discípulos - e o faz com extrema discrição, sem forçar os tempos da sua capacidade de acolhida. O seu único desejo é voltar a estar em comunhão com eles, ajudando-os a superar o sentimento de culpa. Vemos muito bem isso no Cenáculo, onde o Senhor aparece aos seus amigos fechados no medo. É um momento que manifesta uma força extraordinária: depois de ter descido aos abismos da morte para libertar aqueles que estavam presos ali, Jesus entra na sala fechada daqueles que estão paralisados pelo medo, levando um dom que ninguém ousaria esperar: a paz!

A sua saudação é simples, quase banal: «A paz esteja convosco!» (Jo 20,19). Mas é acompanhada por um gesto tão belo que chega a ser quase inconveniente: Jesus mostra aos discípulos as mãos e o lado, com os sinais da Paixão. Por que exibir as feridas precisamente diante de quem, naquelas horas dramáticas, o negou e abandonou? Por que não esconder esses sinais de dor e evitar reabrir a ferida da vergonha?

terça-feira, 7 de abril de 2026

Vigília pelos novos mártires em Roma (2026)

No dia 31 de março de 2026, Terça-feira da Semana Santa, o Cardeal Claudio Gugerotti, Prefeito do Dicastério para as Igrejas Orientais, presidiu uma Vigília pelos novos mártires na Basílica de Santa Maria in Trastevere em Roma.

A iniciativa, promovida pela Comunidade de Santo Egídio (Comunità di Sant'Egidio), teve um alcance ecumênico, recordando os “mártires do nosso tempo” (séculos XX e XXI) das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais cristãs.

Após o Evangelho (Mc 13,5-13) e a homilia do Cardeal Gugerotti, foram recordados os mártires dos vários continentes: África, Ásia, América, Europa... Após a invocação dos nomes dos mártires e algumas preces - intercaladas pela súplica Kyrie, eleison - foi entronizada uma cruz representando cada continente, ladeada por velas e ramos de oliveira [1].

Ícone da face de Jesus e “cruzes dos continentes” junto ao altar
Procissão de entrada
Homilia

Entronização da cruz da África

Domingo de Ramos no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 29 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano A) na Praça de São Pedro.

A celebração teve início junto ao obelisco central da Praça com a bênção dos ramos. Seguiu-se a procissão até o adro da Basílica Vaticana, onde a Missa prosseguiu como de costume.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor  Yala Banorani Djetaba. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada


Ritos iniciais
Bênção dos ramos: Aspersão

Homilia do Papa: Domingo de Ramos - Ano A (2026)

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 29 de março de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor.

Olhemos para Jesus, que se apresenta como Rei da paz, enquanto à sua volta se prepara a guerra. Ele, que permanece firme na mansidão, enquanto os outros se agitam na violência. Ele, que se oferece como uma carícia para a humanidade, enquanto outros empunham espadas e paus. Ele, que é a luz do mundo, enquanto as trevas estão prestes a cobrir a terra. Ele, que veio trazer a vida, enquanto se cumpre o plano para condená-lo à morte.

Como Rei da Paz, Jesus quer reconciliar o mundo no abraço do Pai e derrubar todos os muros que nos separam de Deus e do próximo, porque «Ele é a nossa paz» (Ef 2,14).


Como Rei da paz, entra em Jerusalém montado em um jumento, não em um cavalo, cumprindo a antiga profecia que convidava a exultar pela chegada do Messias: «Eis que teu rei vem ao teu encontro; ele é justo, ele salva; é humilde e vem montado em um jumento, um potro, cria de jumenta. Eliminará os carros de Efraim, os cavalos de Jerusalém; ele quebrará o arco de guerreiro, anunciará a paz às nações» (Zc 9,9-10).

Como Rei da paz, quando um dos seus discípulos desembainha a espada para defendê-lo e fere o servo do sumo sacerdote, imediatamente Ele o detém, dizendo: «Guarda a espada na bainha, pois todos os que usam a espada pela espada morrerão» (Mt 26,52).

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Catequese do Papa Bento XVI: Páscoa (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 19 de abril de 2006, Quarta-feira da Oitava da Páscoa, exatamente um anos após sua eleição como Bispo de Roma, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre a Páscoa que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 19 de abril de 2006
A Páscoa

Queridos irmãos e irmãs,
1. O evangelista João narra que Jesus, precisamente depois da sua Ressurreição, chamou Pedro a cuidar do seu rebanho (cf. Jo 21,15-23). Quem poderia imaginar então o desenvolvimento que alcançaria ao longo dos séculos aquele pequeno grupo de discípulos do Senhor? Pedro, juntamente com os outros Apóstolos e depois os seus sucessores, primeiro em Jerusalém e, em seguida, até os últimos confins da terra, difundiram com coragem a mensagem evangélica cujo núcleo fundamental e imprescindível é constituído pelo Mistério Pascal: a Paixão, a Morte e a Ressurreição de Cristo.

A Igreja celebra esse mistério na Páscoa, prolongando seu eco jubiloso nos dias seguintes; canta o aleluia pelo triunfo de Cristo sobre o mal e sobre a morte.


«A celebração da Páscoa segundo uma data do calendário - observa o Papa São Leão Magno - nos recorda a festa eterna que supera todo tempo humano». «A Páscoa atual - observa ainda - é a sombra da Páscoa futura. É por isso que a celebramos para passar de uma festa anual a uma festa que será eterna».

A alegria desses dias se estende a todo o Ano Litúrgico e se renova particularmente no domingo, dia dedicado à recordação da Ressurreição do Senhor. Nele, que é como a “pequena Páscoa” de cada semana, a assembleia litúrgica reunida para a Santa Missa proclama no Creio que Jesus ressuscitou ao terceiro dia, acrescentando que nós esperamos «a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir». Indica-se assim que o acontecimento da Morte e Ressurreição de Jesus constitui o centro da nossa fé e é sobre este anúncio que se fundamenta e cresce a Igreja.