quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Discurso do Papa a Catecúmenos e Neófitos (2026)

Na manhã do sábado, 26 de setembro de 2026, durante sua Viagem Apostólica à França, o Papa Leão XIV participou de um Encontro com Catecúmenos e Neófitos (isto é, com adultos que se preparam para receber os Sacramentos da Iniciação Cristã ou que os receberam recentemente) no Instituto Católico de Paris (Institut Catholique de Paris).

Em seu discurso o Papa refletiu sobre a Iniciação Cristã, incluindo a importância da formação litúrgica:

Viagem Apostólica à França
Encontro com os Catecúmenos e os Neófitos
Discurso do Papa Leão XIV
Instituto Católico de Paris
Sábado, 26 de setembro de 2026

Excelências,
Queridos sacerdotes e consagrados,
Queridos catecúmenos e neófitos, irmãos e irmãs,
(...)
Hoje somos acolhidos pelo Institut Catholique de Paris, uma instituição situada na intersecção entre a ciência e a fé, que há séculos contribui para formar mentes e corações a serviço do Evangelho. Saúdo os professores, os estudantes e os funcionários desta Universidade, mas também todos os membros desta Assembleia Provincial, empenhados em refletir sobre as perspectivas pastorais para a acolhida dos neófitos e catecúmenos, bem como sobre a vida da Igreja.


Ao observar de perto o trabalho que estais realizando, mas sobretudo ao ouvir os testemunhos de Josué, Marielle e Sophie, sinto, antes de tudo, uma grande gratidão pela imprevisível obra de Deus. Como vós e juntamente convosco fico surpreendido com o número de pessoas que retomam o caminho da fé e com a quantidade de adultos que solicitam os Sacramentos da Iniciação Cristã.

Pode parecer paradoxal que este fenômeno, em que tantas pessoas redescobrem o Evangelho e abraçam a fé, aconteça no contexto de uma sociedade como a francesa, marcada por uma cultura fortemente secularizada. A vossa experiência e testemunho, queridos catecúmenos e neófitos, são o sinal tangível da ação da graça de Deus, que vai além das análises estatísticas e sociológicas. Este fenômeno, que contradiz qualquer atitude derrotista e aquilo que Papa Francisco chamava de “pessimismo estéril” (cf. Exortação Apostólica Evangelii gaudium, nn. 84-86), deve ser acolhido com espírito de responsabilidade.

Fotos da Vigília com os jovens em Saint-Denis (2026)

Na noite da sexta-feira, 25 de setembro de 2026, durante sua Viagem Apostólica à França, o Papa Leão XIV presidiu uma Vigília de oração com os jovens no Stade de France, um estádio na cidade de Saint-Denis, na Região Metropolitana de Paris.

A primeira parte da Vigília foi marcada por uma apresentação cultural recordando os santos da França e um diálogo do Papa com os jovens.

A segunda parte da Vigília, de caráter mais litúrgico, teve início com a Ladainha de Todos os Santos, durante a qual foram entronizados estandartes e relíquias, a leitura (1Tm 6,11-16) e a reflexão do Papa.

Seguiu-se uma versão abreviada das Completas (oração da noite da Liturgia das Horas) - hino, Salmo 90 e cântico de Simeão (Lc 2,29-32) -, a oração final e a bênção do Papa, o qual foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, concluindo-se com o canto da Salve Rainha.

Entronização da imagem da Virgem Maria
Chegada do Papa

Acolhida do Papa por alguns jovens
Apresentação cultural sobre os santos da França

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Fotos das Vésperas na Catedral de Paris (2026)

Na tarde da sexta-feira, 25 de setembro de 2026, durante sua Viagem Apostólica à França, o Papa Leão XIV presidiu as Vésperas (oração da tarde da Liturgia das Horas) com os Bispos, sacerdotes, diáconos, religiosos e seminaristas na célebre Catedral de Notre-Dame de Paris.

O Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, presidiu as Vésperas do Comum da Bem-aventurada Virgem Maria. O rito da celebração pode ser visto aqui (pp. 05-21 do Missal para a Viagem Apostólica).

Chegada do Papa à Catedral
Veneração da cruz

Oração diante do Santíssimo Sacramento
Veneração da suposta relíquia da Coroa de Espinhos

Homilia do Papa: Vésperas em Paris (2026)

Viagem Apostólica à França
Celebração das Vésperas com os Bispos, Sacerdotes, Diáconos, Consagrados e Seminaristas
Homilia do Papa Leão XIV
Catedral de Notre-Dame de Paris
Sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Foram celebradas as Vésperas do Comum da Bem-aventurada Virgem Maria.

Queridos irmãos e irmãs,
A oração da tarde nos congrega neste lugar que, há séculos, mais do que qualquer outro, convida Paris a erguer os olhos para o céu. Passaram-se sete anos desde que o mundo inteiro, com a respiração suspensa, viu a Catedral ser consumida por um incêndio terrível. Já naquela altura, consternados, levantamos os olhos, reconhecendo a impotência humana perante o imprevisível. Essa dor não era apenas dos católicos, nem apenas dos que creem. Naquela hora dramática, percebemos que Notre-Dame é mais do que um monumento. A participação coletiva na reconstrução e, hoje, o esplendor do resultado, revelam que neste lugar bate o coração de um povo, que estamos no centro vital de uma civilização, que o passado e o futuro se abraçam, que o céu e a terra se encontram.


Desejei encontrar-me convosco neste local simbólico da Igreja na França. É para mim uma alegria ter atravessado há pouco o seu limiar, tal como fazem todos os dias milhares de irmãos e irmãs que aqui vêm de todo o mundo. O simples fato de entrar aqui nos coloca diante de uma beleza que fala ao nosso coração inquieto e o convida à paz. Ao devolver este espaço a toda a humanidade, compreendemos bem até que ponto cada visitante pode deixar-se regenerar pelo que vê, escuta e experimenta. As instituições públicas, eclesiásticas e privadas envolvidas na restauração de Notre-Dame concorreram assim, com a sua contribuição específica, para reativar os percursos culturais, existenciais e espirituais que a Catedral revela. Nesse contexto, a Igreja cumpriu a sua missão não só em termos de conservação, mas também de criatividade, dando vida à tradição com a ousadia de quem tem fé e se orienta para a Esperança. Gostaria de agradecer ao senhor Arcebispo, aos seus colaboradores e à comunidade diocesana de Paris, que também conceberam um projeto pastoral de primeiro anúncio e de Iniciação Cristã acessível a todos. O batistério, que se encontra à entrada como uma bênção e um convite, é símbolo disso.

sábado, 3 de outubro de 2026

Cardeal Gambetti nomeado Arcebispo de Chieti-Vasto

Neste sábado, 03 de outubro de 2026, o Papa Leão XIV nomeou o Cardeal Mauro Gambetti, O.F.M. Conv. (60 anos), até então Vigário Geral para a Cidade do Vaticano e Arcipreste da Basílica de São Pedro, como novo Arcebispo Metropolitano de Chieti-Vasto (Itália), sucedendo Dom Bruno Forte (77 anos), que renunciou por limite de idade.


Cardeal Mauro Gambetti, O.F.M. Conv.
Arcebispo Metropolitano de Chieti-Vasto (Itália)

Mauro Gambetti nasceu em 27 de outubro de 1965 em Castel San Pietro Terme, na Arquidiocese de Bolonha (Itália). Ingressou na Ordem dos Frades Menores Conventuais (O.F.M. Conv.) em 1992, realizando sua Profissão Perpétua em 20 de setembro de 1998.

Recebeu a Ordenação Presbiteral no dia 08 de janeiro de 2000 no Santuário do Santissimo Crocifisso em Longiano (Diocese de Cesena-Sarsina), onde passou a residir, servindo como responsável da Pastoral Vocacional e, a partir de 2005, Superior da comunidade.

Em 2006 obteve o Mestrado em Teologia, com especialização em Antropologia Teológica, pela Faculdade Teológica da Itália Central em Florença.

Em 2009 foi eleito Provincial dos Franciscanos Conventuais da região da Emília-Romanha.


Em 22 de fevereiro de 2013 foi eleito Custódio do Sagrado Convento de São Francisco em Assis para um quadriênio (2013-2017), sendo posteriormente confirmado para um segundo mandato (2017-2021).

Após o anúncio da sua criação como Cardeal, foi nomeado Arcebispo Titular de Thisiduo. Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 22 de novembro de 2020 na Basílica de São Francisco de Assis, sendo ordenante principal o Cardeal Agostino Vallini, então Legado Pontifício para a Basílica.

Foi criado Cardeal pelo Papa Francisco (†2025) no dia 28 de novembro do mesmo ano, recebendo como igreja titular a Diaconia do Santíssimo Nome de Maria al Foro Traiano.

quarta-feira, 30 de setembro de 2026

Ângelus: XXV Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 20 de setembro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Na Liturgia de hoje o Senhor, pela boca do profeta Isaías, nos dá um grande motivo de esperança, dizendo que os seus pensamentos não são os nossos pensamentos e os seus caminhos não são os nossos caminhos (cf. Is 55,8). Sim, os desígnios de Deus são infinitamente maiores e, digamos, mais “humanos” do que aqueles que nós, homens e mulheres marcados pelo pecado, podemos conceber e realizar. Por isso, eis - mais atual do que nunca - o apelo do profeta: abandonar os nossos caminhos tortuosos e regressar ao Senhor, que é misericórdia e perdão (vv. 6-7).

No Evangelho, as parábolas de Jesus descrevem a novidade do que Deus tem reservado para nós, mas, em geral, também manifestam a resistência que estamos dispostos a opor a uma justiça mais generosa e a um amor maior. Hoje, em particular, escutamos a história dos trabalhadores chamados para a vinha (cf. Mt 20,1-16): uns por um dia inteiro, outros apenas por algumas horas, outros ainda já quase ao pôr-do-sol. Mas o núcleo da parábola está no momento da remuneração, quando o dono da vinha cumpre a palavra dada aos trabalhadores da primeira hora e lhes paga conforme acordado, embora queira que eles vejam a sua bondade tratando, diante dos seus olhos, os últimos da mesma forma.

Há um pormenor que não deve nos escapar. O patrão dá ao administrador uma ordem precisa a seguir: os trabalhadores devem ser pagos «começando pelos últimos até os primeiros» (v. 8). Portanto, a reação negativa daqueles que tinham trabalhado o dia inteiro poderia facilmente ter sido evitada; no entanto, foi intencional, porque a revelação da bondade de Deus é para todos, não apenas para alguns. Deus tem caminhos diferentes e pensamentos novos também para aqueles que se consideram os primeiros e acham que conseguiram o que são por si mesmos, que mereceram os resultados que alcançaram. No entanto, todos nós experimentamos alegria, inteligência e futuro quando a lei do amor interrompe a do cálculo, a experiência da misericórdia amplifica a do mérito, o dom da paz coloca fim às rivalidades e nos aproxima na gratidão.

Irmãos e irmãs, é uma graça sermos colaboradores de Deus, trabalhar na sua vinha, servir o seu Reino de justiça e paz! Onde irrompe a novidade de Deus, não há lugar para invejas nem divisões. Procuremos, pois, o Senhor enquanto Ele pode ser encontrado, invoquemo-lo enquanto está perto; abandonemos os caminhos tortuosos e os pensamentos iníquos (cf. Is 55,6-7)!

Olhemos para a nossa Mãe Santíssima: é uma criatura como nós, mas sem mancha; por isso, ela nos ajuda a esperar em Deus e a confiar na sua misericórdia, para que os seus caminhos se tornem os nossos caminhos e os seus pensamentos os nossos pensamentos.

“Trabalhadores na vinha”
(Vincent van Gogh)

Fonte: Santa Sé.

Confira também a Catequese do Papa Leão XIV sobre a parábola dos trabalhadores da vinha no contexto do Jubileu Ordinário de 2025.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Carta do Papa aos Bispos da América Latina

No dia 19 de setembro de 2026 foi publicada uma Carta do Papa Leão XIV aos Bispos da América Latina e do Caribe por ocasião do III Centenário da Canonização de São Turíbio de Mogrovejo.

São Turíbio de Mogrovejo, com efeito, foi um missionário espanhol que serviu como Arcebispo Metropolitano de Lima (Peru) de 1581 até a sua morte em 1606. Foi canonizado pelo Papa Bento XIII em 1726 e proclamado padroeiro dos Bispos da América Latina pelo Papa João Paulo II em 1983. Sua Memória litúrgica se celebra no dia 23 de março.

Em sua Carta, o Papa Leão XIV reflete sobre o rito da recepção do Bispo na sua igreja Catedral:

Papa Leão XIV
Carta aos Bispos da América Latina e do Caribe
Por ocasião do III Centenário da Canonização de São Turíbio de Mogrovejo

Queridos irmãos no Episcopado,
Por ocasião do III Centenário da Canonização de São Turíbio de Mogrovejo, padroeiro dos Bispos da América Latina, atendendo ao pedido do Episcopado peruano, vos saúdo com afeto no Senhor e agradeço o serviço que prestais dia após dia. Ao vos dirigir estas palavras, renova-se no meu coração a gratidão pelo privilégio de ter exercido o ministério episcopal no Peru. Ali conheci de perto a fé de um povo de quem recebi muito, compreendendo melhor o que significa ser pastor. Essa experiência me aproximou de modo particular de São Turíbio, também ele vindo de longe para uma terra que, através da caridade pastoral, adotou como sua.

São Turíbio de Mogrovejo, Bispo

Os meus antecessores debruçaram-se amplamente sobre a figura do «excelso Metropolita de Lima» [1], recordando o seu zelo evangelizador [2], o seu empenho na edificação e renovação da vida eclesial [3] e a sua proximidade aos mais pobres e vulneráveis [4]. Sem me deter agora na sua biografia, gostaria de contemplar o seu ministério à luz de um sinal que nos remete para a própria origem da nossa missão: a recepção do Bispo na sua igreja Catedral [5]. Para a visita pastoral a uma comunidade prevê-se um rito semelhante [6], como se a Igreja quisesse recordar ao Prelado, uma e outra vez, o significado daquela primeira entrada. O que a Liturgia expressa em poucos gestos, o Apóstolo dos Andes foi tornando realidade ao longo dos seus anos de pastor. A melhor maneira de honrar a sua memória será imitá-lo, deixando-nos interpelar pela forma como ele viveu o ministério que também nós recebemos.