quinta-feira, 4 de junho de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Corpus Christi (2006)

Por ocasião da Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) recordamos a homilia proferida pelo Papa Bento XVI (†2022) há 20 anos, no dia 15 de junho de 2006, durante a Missa da Solenidade (Ano B) diante da Basílica do Latrão seguida da procissão eucarística até a Basílica de Santa Maria Maior.

Recordamos também sua meditação durante a oração do Ângelus do domingo seguinte, 18 de junho.

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Santa Missa e Procissão Eucarística
Homilia do Papa Bento XVI
Adro da Basílica de São João do Latrão
Quinta-feira, 15 de junho de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
Na véspera da sua Paixão, durante a Ceia pascal, como ouvimos há pouco no Evangelho, o Senhor «tomou o pão e, tendo pronunciado a bênção, o partiu e o entregou aos discípulos, dizendo: “Tomai, isto é o meu corpo”. Em seguida, tomou o cálice, deu graças, entregou-lhes e todos beberam dele. Jesus lhes disse: “Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado em favor de muitos”» (Mc 14,22-24). Toda a história de Deus com os homens está resumida nessas palavras. Não só é recolhido e interpretado o passado, mas também é antecipado o futuro - a vinda do Reino de Deus ao mundo. O que Jesus diz não são simplesmente palavras. O que Jesus diz é acontecimento, o acontecimento central da história do mundo e da nossa vida pessoal.


Essas palavras são inesgotáveis. Porém, neste momento gostaria de meditar convosco apenas um aspecto: Jesus, como sinal da sua presença, escolheu pão e vinho. Com cada um dos dois sinais Ele se doa inteiramente, não só uma parte de si. O Ressuscitado não está dividido. Ele é uma pessoa que, através dos sinais, se aproxima de nós e se une a nós.

Mas cada um dos sinais representa, a seu modo, um aspecto particular do seu mistério e, com a sua manifestação típica, querem falar a nós, para que aprendamos a compreender um pouco mais do mistério de Jesus Cristo. Durante a procissão e na adoração nós contemplamos a Hóstia consagrada - a forma mais simples de pão e de alimento, feito apenas com um pouco de farinha e água. Assim ele se apresenta como o alimento dos pobres, aos quais o Senhor destinou em primeiro lugar a sua proximidade.

Homilia do Papa João Paulo II: Corpus Christi (2001)

Nesta Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, no dia 14 de junho de 2001, na Missa da Solenidade (Ano C) diante da Basílica do Latrão seguida da procissão eucarística até a Basílica de Santa Maria Maior.

Recordamos também sua meditação durante a oração do Ângelus do domingo seguinte, 17 de junho.

Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo
Santa Missa e Procissão Eucarística
Homilia do Papa João Paulo II
Adro da Basílica de São João do Latrão
Quinta-feira, 14 de junho de 2001

1. «Ecce panis Angelorum, factus cibus viatorum: vere panis filiorum» - «Eis o pão dos Anjos, feito alimento dos peregrinos: verdadeiro pão dos filhos» (Sequência).
Hoje a Igreja mostra ao mundo o Corpus Christi, o Corpo de Cristo, e nos convida a adorá-lo: Venite adoremus! Vinde, adoremos!

O olhar dos fiéis se concentra no Sacramento, no qual Cristo deixou todo o seu ser: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Por isso foi sempre considerado o mais Santo: o “Santíssimo Sacramento”, memorial vivo do Sacrifício redentor.


Na Solenidade do Corpus Christi voltamos àquela “Quinta-feira” que todos chamamos “Santa”, na qual o Redentor celebrou a sua última Páscoa com os discípulos: foi a Última Ceia, cumprimento da ceia pascal hebraica e inauguração do rito eucarístico.

Por isso a Igreja, há séculos, escolheu uma quinta-feira para a Solenidade do Corpus Christi, festa de adoração, de contemplação e de exaltação. Festa na qual o Povo de Deus se reúne em torno do tesouro mais precioso herdado de Cristo, o Sacramento da sua própria Presença, e o louva, o canta e o leva em procissão pelas ruas da cidade.

2. «Lauda, Sion, Salvatorem!» - «Louva Sião, o Salvador!» (Sequência).
A nova Sião, a Jerusalém espiritual, na qual se reúnem os filhos de Deus de todos os povos, línguas e culturas, louva o Salvador com hinos e cânticos. Com efeito, a admiração e o reconhecimento pelo dom recebido são inexauríveis. Este dom «supera todo louvor, não há cântico que lhe seja digno» (ibid.).

Eis um mistério sublime e inefável. Mistério diante do qual permanecemos espantados e silenciosos, em atitude de contemplação profunda e extasiada.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Domingo de Pentecostes em Budapeste (2026)

No domingo, dia 24 de maio de 2026, o Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Esztergom-Budapeste (Hungria), Dom Levente Balázs Martos, celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Catedral Basílica da Assunção de Maria e Santo Adalberto em Esztergom, durante a qual 81 jovens receberam o Sacramento da Confirmação (Crisma).

A celebração contou com a presença do Arcebispo, Cardeal Péter Erdő, que assistiu a Missa endossando as vestes corais. Esta foi sua primeira aparição pública desde o dia 02 de fevereiro, uma vez que está se recuperando de uma cirurgia. Já durante a Semana Santa, com efeito, ele foi substituído pelos Bispos Auxiliares na presidência das celebrações.

Procissão de entrada
Incensação do círio pascal
(Curiosamente colocado no meio da igreja)
Acolhida do Cardeal Erdő
Ritos iniciais
Evangelho

Solenidade de Pentecostes em Jerusalém (2026)

Nesta postagem destacamos as celebrações da Solenidade de Pentecostes em Jerusalém nos dias 23 e 24 de maio de 2026 promovidas pela Custódia Franciscana da Terra Santa e pelo Patriarcado Latino de Jerusalém:

23 de maio: I Vésperas e Missa da Vigília

Entre a tarde e a noite do sábado, dia 23, a igreja do Santíssimo Salvador, sede da Custódia Franciscana, acolheu a oração das I Vésperas, presididas pelo Vigário da Custódia, Padre Ulises Zarza, e a Missa da Vigília de Pentecostes, presidida pelo Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Ielpo:

I Vésperas: Hino
Homilia do Padre Ulises Zarza
Missa da Vigília: Procissão de entrada
Ato Penitencial: Aspersão
Liturgia Eucarística: Incensação da assembleia

24 de maio: Missa do Dia na Abadia da Dormição

Na manhã do domingo, dia 24, o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu a Missa do Dia na Solenidade de Pentecostes na Abadia da Dormição da Virgem Maria, igreja beneditina próxima ao Cenáculo:

terça-feira, 2 de junho de 2026

Regina Coeli: Domingo de Pentecostes (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 24 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Nesta Solenidade de Pentecostes somos chamados a contemplar o dom do Espírito Santo, derramado em abundância sobre a Igreja nascente e, hoje, novamente dado aos seus membros, como luz e força que os acompanha em cada situação da vida.

Podemos nos deter em uma imagem do Espírito que nos é oferecida pela Liturgia de hoje: o Espírito abre as portas. Com efeito, o Evangelho nos diz que estavam «fechadas, por medo dos judeus, as portas do lugar onde os discípulos se encontravam» (Jo 20,19), e, ao mesmo tempo, o Livro dos Atos dos Apóstolos nos conta que o Espírito irrompeu como um vento impetuoso (cf. At 2,2), que abriu aquelas portas, impelindo os discípulos a sair e a anunciar a Boa Nova de Cristo Ressuscitado.

Podemos nos perguntar também hoje: que portas abre o Espírito Santo?

A primeira porta é aquela do próprio Deus, no sentido em que nos abre o acesso ao mistério de Deus, revelado em Jesus Cristo. Com o dom do seu Espírito, Deus nos doa a verdadeira fé, nos faz compreender o sentido das Escrituras, se dá a conhecer como próximo e nos permite participar na sua própria vida. O Espírito Santo nos ajuda a fazer uma experiência pessoal de Deus, a encontrá-lo em Jesus e não apenas na observância de uma lei, a reconhecê-lo em nós e a descobrir os sinais da sua presença na vida quotidiana.

A segunda porta é aquela do Cenáculo, isto é, da Igreja. Sem o fogo do Espírito, a Igreja permanece prisioneira do medo, assustada diante dos desafios do mundo, fechada em si mesma e, portanto, incapaz de dialogar com os tempos que mudam. O Espírito abre as portas da Igreja para que esta seja acolhedora e hospitaleira em relação a todos, mesmo aqueles que fecharam as portas a Deus, aos outros, à esperança, à alegria de viver. Como recordava o Papa Francisco, somos chamados a ser «uma Igreja que abençoa e encoraja (...) uma Igreja das portas abertas a todos» (Homilia na Missa de Abertura da Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 04 de outubro de 2023).

Por fim, o Espírito Santo abre as portas dos nossos corações, ajudando-nos a vencer as resistências, os egoísmos, as desconfianças e os preconceitos, e tornando-nos capazes de viver como filhos de Deus e irmãos entre nós. Onde está o Espírito do Senhor nasce a fraternidade entre as pessoas, os grupos, os povos da Terra, e todos falam a única língua do amor, que une e harmoniza as diversidades.

Irmãos e irmãs, também nos nossos dias, especialmente neste dia de Pentecostes, devemos invocar o Espírito Santo, para que abra todas as portas que ainda permanecem fechadas. Precisamos redescobrir Deus como Pai que nos ama, edificar uma Igreja onde todos se sintam em casa e fazer crescer um mundo fraterno, no qual reine a paz entre todos os povos.

Como os primeiros discípulos, confiemos na intercessão da Virgem Maria, Morada do Espírito Santo e Mãe da Igreja.

Pentecostes
(Igreja de Santa Maria dell' Anima, Roma)

Fonte: Santa Sé.

Domingo de Pentecostes no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 24 de maio de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Basílica de São Pedro.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Ján Dubina. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação

Saudação inicial

Homilia do Papa: Domingo de Pentecostes (2026)

Santa Missa na Solenidade de Pentecostes
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Domingo, 24 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
O Tempo Pascal chega hoje, Solenidade de Pentecostes, ao seu cumprimento. Para evidenciar a unidade deste acontecimento de salvação, o Evangelho nos conduz novamente ao «primeiro dia da semana» (Jo 20,19), isto é, àquele dia novo no qual Jesus Ressuscitado aparece aos discípulos mostrando-lhes «as mãos e o lado» (v. 20). O Senhor revela o seu corpo glorioso, precisamente as suas chagas, as feridas da crucificação. Estes sinais da Paixão, mais eloquentes do que qualquer discurso, são transfigurados: Aquele que estava morto vive para sempre.

Ao ver o Senhor, também os discípulos voltam a viver: tinham se sepultado no Cenáculo cheios de medo, mas Jesus, apesar das portas fechadas, entra e os enche de alegria. Ele passa através da nossa morte, abre o sepulcro e o escancara onde já não havia saída para nós. Ao seu gesto, Cristo une a palavra: «A paz esteja convosco» (v. 19); e logo em seguida sopra sobre os discípulos o Espírito Santo. O Ressuscitado é pleno de vida: depois de ter mostrado a vida do corpo, como verdadeiro homem, doa a vida de Deus, como Filho amado do Pai, feito por nós irmão e Redentor. No mesmo Cenáculo onde instituiu a nova e eterna aliança, Jesus derrama o Espírito: o lugar da Ceia e da traição se transforma e, de sepulcro dos Apóstolos, torna-se para toda a Igreja seio de ressurreição. Por isso o Pentecostes é festa pascal e festa do corpo de Cristo, que por graça somos nós.


Ao celebrarmos este mistério, gostaria de me deter em três aspectos.

Em primeiro lugar, o Espírito do Ressuscitado é o Espírito da paz. Na sua Páscoa, com efeito, Cristo estabelece a paz entre Deus e a humanidade, e o Espírito Santo a infunde nos corações e a difunde pelo mundo. Esta paz provém do perdão e nos leva ao perdão: começa com o perdão doado pelo próprio Jesus, que foi traído, condenado e crucificado por nós. Surpreendendo-nos com o seu amor, precisamente Ele, o Ressuscitado, diz: «A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados» (Jo 20,23). Com estas palavras, Jesus nos confia uma obra divina, porque só Deus pode perdoar os pecados (cf. Mc 2,7). Essa autoridade é concedida no sinal de uma reconciliação universal: o Senhor derrama o Espírito da paz de um extremo ao outro da história, porque Aquele que redimiu todos da morte não exclui ninguém. O Espírito Santo, com efeito, é o Senhor que dá a vida desde o início da criação, quando pairava sobre as águas (cf. Gn 1,2), e agora, com a sua redenção, transforma a história do mundo: o Pentecostes verdadeiramente se cumpre como festa da nova Aliança, isto é, da aliança entre Deus e todos os povos da terra. Enquanto o ruído vindo do céu, o vento e as línguas de fogo no Cenáculo recordam os antigos sinais do Sinai (cf. At 2,2-3; Ex 19,16-19), a santa lei de Deus é escrita nos corações, gravada pelo Espírito com letras de amor na carne de Cristo e no seu corpo, que é a Igreja.