Viagem Apostólica à Espanha
Santa Missa em Gran Canária
Homilia do Papa Leão XIV
Estádio de Gran Canária
Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Após um dia rico de encontros e partilhas, ao celebrar agora convosco
esta Eucaristia antes de tudo desejo dar graças ao Senhor por tanto bem que
aqui se faz quotidianamente, confiando-lhe o empenho de todos e, ao mesmo
tempo, os sofrimentos dos quais esta terra é testemunha. Convido-vos também a
rezar juntos, nesta Santa Missa, pelos irmãos e irmãs que perderam a vida no
mar.
Com o pão e o vinho, tudo levamos ao Altar, ao entrarmos - através
desta Celebração vespertina - na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a quem
toda a Espanha está consagrada. Peçamos ao Senhor que, neste momento, estejam
presentes em nós os mesmos sentimentos de humanidade, misericórdia e compaixão
do Coração do Salvador.
Na nossa meditação, deixemo-nos ajudar pelas Leituras que acabamos de
ouvir.
Na 1ª Leitura, Deus recorda aos israelitas a gratuidade com que os
amou. Escolheu-os não porque tivessem privilégios, dons ou méritos
particulares, mas por puro amor (cf. Dt 7,7-9), e
continuará sempre a amá-los, mesmo que, pela dureza do seu coração, não
correspondam aos seus sentimentos.
Esta é a caridade de Deus, na qual tem as suas raízes a nossa vocação
ao amor, que não se baseia no cálculo, nem no mero sentimento, nem se reduz a
simples filantropia, mas penetra todo o nosso ser: fogo para a alma, luz para a
mente, impulso irresistível para a liberdade, paz e, ao mesmo tempo, tormento
para o coração, que bate em sintonia com outros corações, envolvendo toda a
pessoa. Porque amar é conatural ao homem, ou melhor, é condição para a
plenitude da própria existência.