quarta-feira, 27 de maio de 2026

Visita do Catholicos Aram I ao Vaticano

Na segunda-feira, 18 de maio de 2026, o Papa Leão XIV recebeu a visita do Catholicos Aram I da Grande Casa da Cilícia, uma das duas sedes da Igreja Apostólica Armênia [1].

Após o encontro na Biblioteca Privada do Palácio Apostólico os dois hierarcas participaram de um momento de oração na Capela Urbano VIII.

Durante o encontro o Papa Leão XIV anunciou a inserção de São Nerses Shnorhali (†1173) no Martirológio Romano, livro que elenca os Santos e Beatos venerados pela Igreja de Rito Romano. Provavelmente sua comemoração será estabelecida no dia da sua morte, 13 de agosto.

Nerses Shnorhali (Nerses, o Gracioso) ou Nerses IV foi o Catholicos dos Armênios de 1166 a 1173. Destacou-se como poeta e compositor, além de ter sido um pioneiro do diálogo ecumênico.

A Igreja Apostólica Armênia, com cerca de 9 milhões de fiéis, é uma das Igrejas Ortodoxas Orientais ou Pré-Calcedonianas, que fundamentam sua doutrina nos Concílios Ecumênicos de Niceia (325), Constantinopla (381) e Éfeso (431).

Leão XIV e Aram I
Discurso do Papa
Os hierarcas se dirigem à Capela Urbano VIII
Oração Ecumênica

Regina Coeli: Ascensão do Senhor - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 17 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, em muitos países do mundo, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor.

A imagem de Jesus que - como diz o texto bíblico (cf. At 1,1-11) -, elevando-se da terra, sobe ao Céu, poderia nos levar a perceber esse Mistério como um acontecimento distante. Contudo, não é assim. Na realidade, estamos unidos a Jesus como os membros à cabeça, em um único corpo, e a sua Ascensão ao Céu também nos atrai, com Ele, para a plena comunhão com o Pai. A este respeito, Santo Agostinho afirmava: «A precedência da cabeça constitui a esperança dos membros» (Sermo 265, 1.2).

Toda a vida de Cristo é um movimento de ascensão, que abraça e envolve, através da sua humanidade, todo o cenário do mundo, elevando e resgatando o homem da sua condição de pecado, levando luz, perdão e esperança onde havia trevas, injustiça e desespero, para chegar à vitória definitiva da Páscoa, na qual o Filho de Deus «morrendo destruiu a morte e ressurgindo restaurou a vida» (Prefácio da Páscoa I).

A Ascensão, então, não nos fala de uma promessa distante, mas de um vínculo vivo, que também nos atrai para a glória celestial, alargando e elevando já nesta vida o nosso horizonte e aproximando cada vez mais a nossa maneira de pensar, de sentir e de agir à medida do coração de Deus.

E deste percurso de ascensão nós conhecemos o caminho (cf. Jo 14,1-6). Encontramo-lo em Jesus, na dádiva da sua vida, nos seus exemplos e nos seus ensinamentos, assim como o vemos traçado na Virgem Maria e nos santos: aqueles que a Igreja nos apresenta como modelos universais e aqueles - como o Papa Francisco gostava de dizer - «ao pé da porta» (cf. Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, n. 7), com quem partilhamos o nosso dia-a-dia, pais, mães, avós, pessoas de todas as idades e condições, que com alegria e empenho se esforçam sinceramente por viver segundo o Evangelho.

Com eles, com o seu apoio e graças à sua oração, também nós podemos aprender a subir, dia após dia, para o Céu, fazendo objeto dos nossos pensamentos, como diz São Paulo, «tudo o que é verdadeiro... justo... amável» (Fl 4,8) e pondo em prática, com a ajuda de Deus, aquilo que “vimos e ouvimos” (cf. v. 9), fazendo crescer, em nós e à nossa volta, a vida divina que recebemos no Batismo e que nos atrai constantemente para o Alto, para o Pai, e difundindo no mundo frutos preciosos de comunhão e de paz.

Que Maria, Rainha do Céu, nos ajude, iluminando e guiando o nosso caminho a cada momento.

Ascensão do Senhor
(Igreja de Santa Maria dell' Anima, Roma)

Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 26 de maio de 2026

Fotos das Exéquias do Cardeal Tscherrig

Na sexta-feira, 15 de maio de 2026, o Papa Leão XIV presidiu no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro a Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig, Núncio Apostólico Emérito, falecido no dia 12 de maio aos 79 anos.

O Papa foi assistido pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi, Cerimoniário Pontifício [1].

Procissão de entrada


Ósculo do altar
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Exéquias do Cardeal Tscherrig

Santa Missa para as Exéquias do Cardeal Paul Emil Tscherrig
Homilia do Papa Leão XIV
Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro
Sexta-feira, 15 de maio de 2026

Leituras: Ap 21,1-5a.6b-7; Sl 121; Jo 11,17-27.

Queridos irmãos e irmãs,
Reunidos em torno do Altar, acompanhamos o nosso irmão Paul Emil Tscherrig, Cardeal, no momento em que ele se apresenta ao Senhor para receber a recompensa pelo bem realizado nesta vida e o perdão pelas falhas que a fragilidade humana possa ter causado.

É o momento grande e solene do encontro com o Senhor a quem ele serviu generosamente, com o Amigo ao lado do qual ele caminhou fielmente por toda a sua vida, mais da metade da qual dedicada ao serviço da Sé Apostólica em várias Representações Pontifícias e na Secretaria de Estado.

Ele contribuiu, com o trabalho muitas vezes discreto, mas não por isso menos diligente e árduo, típico do ministério que exerceu, ao crescimento daquele Reino de cujo pleno cumprimento nos falou a 1ª Leitura: Reino no qual o mar do caos já não existe e, ao contrário, resplandece a nova Jerusalém, edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, iluminada pela luz do Cordeiro e enriquecida pelos méritos dos Santos.


O compromisso como Diplomata, e antes ainda como Pastor da Igreja, levou este nosso irmão a trabalhar por tantos anos, com paciência e abnegação, para levar à concórdia os povos que lhe foram confiados pela obediência (cf. Sl 121), enfrentando também os obstáculos e desafios que um Representante Pontifício é chamado a abraçar para o bem de todos. Ele cumpriu a sua missão primeiramente como colaborador em diversas Nunciaturas, até a sua nomeação, em 1996, como Nuncio Apostólico no Burundi; depois em Trinidad e Tobago e em diversos países do Caribe; na Coreia do Sul e Mongólia; posteriormente na Suécia, Dinamarca, Finlândia, Islândia e Noruega; depois na Argentina; chegando, em 2017, à Itália e San Marino. Uma vasta experiência eclesial e internacional, que testemunha a sua disponibilidade e a sua capacidade de adaptação, na sua caridade de Pastor, a ambientes muito diferentes entre si: lugares e povos aos quais foi enviado, em nome do Santo Padre, para tecer relações de comunhão entre as Igrejas locais e a Sé Apostólica, bem como para reforçar vínculos de amizade.

sábado, 23 de maio de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Pentecostes (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 04 de junho de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro. Confira a seguir sua homilia na ocasião:

Solenidade de Pentecostes
Homilia do Papa Bento XVI
Praça de São Pedro
Domingo, 04 de junho de 2006

Queridos irmãos e irmãs,
No dia de Pentecostes o Espírito Santo desceu com poder sobre os Apóstolos; teve início assim a missão da Igreja no mundo. O próprio Jesus tinha preparado os Onze para esta missão aparecendo-lhes várias vezes depois da sua Ressurreição (cf. At 1,3). Antes da Ascensão ao Céu, ordenou que “não se afastassem de Jerusalém, mas que esperassem que se realizasse a promessa do Pai” (cf. vv. 4-5); isto é, pediu que permanecessem juntos para se prepararem a receber o dom do Espírito Santo. E eles se reuniram em oração com Maria no Cenáculo à espera do acontecimento prometido (cf. v. 14).

Permanecer juntos foi a condição posta por Jesus para receber o dom do Espírito Santo; pressuposto da sua concórdia foi uma prolongada oração. Encontramos delineada assim uma formidável lição para toda comunidade cristã. Às vezes se pensa que a eficiência missionária dependa principalmente de uma atenta programação e da sucessiva realização inteligente através de um empenho concreto. Certamente o Senhor pede a nossa colaboração, mas antes de qualquer resposta nossa é necessária a sua iniciativa: é o seu Espírito o verdadeiro protagonista da Igreja. As raízes do nosso ser e do nosso agir estão no silêncio sábio e providente de Deus.


As imagens que São Lucas usa para indicar o irromper do Espírito Santo - o vento e o fogo - recordam o Sinai, onde Deus tinha se revelado ao povo de Israel e lhe tinha concedido a sua aliança (cf. Ex 19,3ss). A festa do Sinai, que Israel celebrava cinquenta dias depois da Páscoa, era a festa da Aliança. Falando de línguas de fogo (cf. At 2,3), São Lucas quer representar o Pentecostes como um novo Sinai, como a festa da nova Aliança, na qual a Aliança com Israel é estendida a todos os povos da Terra. A Igreja é católica e missionária desde a sua origem. A universalidade da salvação é evidenciada significativamente pelo elenco das numerosas etnias a que pertencem aqueles que escutam o primeiro anúncio dos Apóstolos (cf. vv. 9-11).

Homilia do Papa João Paulo II: Pentecostes (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 03 de junho de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade de Pentecostes na Praça de São Pedro.

Na ocasião teve lugar a transladação do corpo do Papa João XXIII (†1963): após sua Beatificação no dia 03 de setembro de 2000, com efeito, seu corpo foi depositado na Basílica Vaticana, sob o altar de São Jerônimo. Em 2014, por sua vez, este seria canonizado junto com o próprio João Paulo II.

Confira a seguir a homilia do Papa polonês durante a celebração:

Missa na Solenidade de Pentecostes
Transladação da urna com o corpo do Beato João XXIII, Papa
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 03 de junho de 2001

1. «Todos ficaram cheios do Espírito Santo» (At 2,4).
Assim aconteceu em Jerusalém no dia de Pentecostes. Hoje, reunidos nesta Praça, centro do mundo católico, nós revivemos o clima daquele dia. Também no nosso tempo, como no Cenáculo de Jerusalém, a Igreja é atravessada por um “vento impetuoso”. Ela experimenta o sopro divino do Espírito, que a abre para a evangelização do mundo.

Por uma feliz coincidência, na Solenidade de hoje temos a alegria de acolher, junto ao altar, os veneráveis restos mortais do Beato João XXIII, que Deus plasmou com o seu Espírito, fazendo dele uma admirável testemunha do seu amor. Este meu venerado predecessor faleceu há 38 anos, no dia 03 de junho de 1963, precisamente enquanto na Praça de São Pedro uma imensa multidão de fiéis rezava, espiritualmente reunida em torno do seu leito de morte. A celebração de hoje se une a essa oração e, enquanto comemoramos o trânsito deste Beato Pontífice, louvamos a Deus que o doou à Igreja e ao mundo.


Como sacerdote, como Bispo e como Papa, o Beato Ângelo Roncalli foi extremamente dócil à ação do Espírito, que o guiou pelo caminho da santidade. Por isso, na comunhão viva dos Santos, queremos celebrar a Solenidade de Pentecostes em singular sintonia com ele, deixando-nos acompanhar por algumas das suas inspiradas reflexões.

2. «A luz do Espírito Santo irrompe das primeiras palavras do Livro dos Atos dos Apóstolos... A marcha impetuosa do Divino Espírito precede e acompanha os evangelizadores, penetrando na alma de quem os escuta e dilatando as tendas da Igreja Católica até os extremos confins da terra, percorrendo todos os séculos da história» (Discursos, Mensagens e Colóquios do Papa João XXIII, II, p. 398).

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Regina Coeli: VI Domingo da Páscoa - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Regina Coeli
Praça de São Pedro
Domingo, 10 de maio de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, no Evangelho (Jo 14,15-21), escutamos algumas palavras que Jesus dirige aos seus discípulos durante a Última Ceia. Ao fazer do pão e do vinho o sinal vivo do seu amor, Cristo diz: «Se me amais, guardareis os meus mandamentos» (v. 15). Esta afirmação nos liberta de um equívoco, ou seja, da ideia de sermos amados se observarmos os mandamentos: a nossa justiça seria então condição para o amor de Deus. Pelo contrário, é o amor de Deus a condição para a nossa justiça. Observamos verdadeiramente os mandamentos, segundo a vontade de Deus, se reconhecermos o seu amor por nós, tal como Cristo o revela ao mundo. As palavras de Jesus, portanto, são um convite à relação, não uma chantagem ou uma incerteza.

Eis porque o Senhor manda que nos amemos uns aos outros como Ele nos amou (cf. Jo 13,34): é o amor de Jesus que gera em nós o amor. O próprio Cristo é o critério, o paradigma do verdadeiro amor: que é fiel para sempre, puro e incondicional; que não conhece nem “mas” nem “talvez”; que se doa sem querer possuir; que dá vida sem tomar nada em troca. Porque Deus nos ama primeiro, também nós podemos amar; e, quando amamos de verdade a Deus, amamo-nos de verdade uns aos outros. Acontece como com a vida: só quem a recebeu pode viver, e assim só quem foi amado pode amar. Os mandamentos do Senhor, portanto, são uma regra de vida que nos cura dos falsos amores; são um estilo espiritual, que é caminho para a salvação.

Precisamente porque nos ama, o Senhor não nos deixa sozinhos nas provações da vida: promete-nos o Paráclito, ou seja, o Advogado defensor, o «Espírito da Verdade» (Jo 14,17). É um dom que «o mundo não é capaz de receber» (ibid.) enquanto se obstinar no mal que oprime o pobre, exclui o fraco, mata o inocente. Quem, pelo contrário, corresponde ao amor que Jesus nutre por todos, encontra no Espírito Santo um aliado que nunca falha: «Vós o conheceis - diz Jesus -, porque Ele permanece junto de vós e estará dentro de vós» (ibid.). Então, podemos testemunhar sempre e em toda a parte Deus que é amor: esta palavra não significa uma ideia da mente humana, mas a realidade da vida divina, pela qual todas as coisas foram criadas do nada e salvas da morte.

Ao nos oferecer o amor verdadeiro e eterno, Jesus partilha conosco a sua identidade de Filho amado: «Eu estou no meu Pai e vós em mim e Eu em vós» (v. 20). Esta envolvente comunhão de vida desmente o Acusador, ou seja, o adversário do Paráclito, o espírito contrário ao nosso defensor. Com efeito, enquanto o Espírito Santo é força de verdade, este Acusador é «pai da mentira» (Jo 8,44), que deseja opor o homem a Deus e os homens entre si: precisamente o contrário do que faz Jesus, salvando-nos do mal e unindo-nos como povo de irmãos e irmãs na Igreja.

Caríssimos, cheios de gratidão por este dom, confiemo-nos à intercessão da Virgem Maria, Mãe do Amor Divino.

Jesus com os Apóstolos durante a Última Ceia
(Eugène Burnand)

Fonte: Santa Sé.