quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Quarta-feira de Cinzas (2006)

Há cerca de 20 anos, no dia 01 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou pela primeira vez no seu pontificado a Missa da Quarta-feira de Cinzas, dando início ao Tempo da Quaresma. Repropomos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 01 de março de 2006

Senhores Cardeais,
Venerados irmãos no Episcopado e no Presbiterado,
Amados irmãos e irmãs!
A procissão penitencial, com a qual iniciamos a celebração de hoje, ajudou-nos a entrar no clima típico da Quaresma, que é uma peregrinação pessoal e comunitária de conversão e de renovação espiritual. Segundo a antiquíssima tradição romana das estações quaresmais, durante este tempo os fiéis, juntamente com os peregrinos, se reúnem todos os dias e param (statio) junto a uma das numerosas “memórias” dos Mártires, que constituem os fundamentos da Igreja de Roma. Nas Basílicas, onde são expostas as suas relíquias, é celebrada a Santa Missa precedida de uma procissão, durante a qual se cantam as Ladainhas dos Santos. Faz-se memória assim daqueles que deram testemunho de Cristo com o seu sangue, e a sua evocação torna-se estímulo para cada cristão a renovar a própria adesão ao Evangelho. Apesar do passar dos séculos, estes ritos conservam o seu valor, porque recordam como é importante, mesmo no nosso tempo, acolher sem concessões as palavras de Jesus: “Se alguém me quer seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz cada dia, e siga-me” (Lc 9,23).


Outro rito simbólico, gesto próprio e exclusivo do primeiro dia da Quaresma, é a imposição das cinzas. Qual é o seu significado mais profundo? Certamente não se trata de mero ritualismo, mas de algo bastante profundo, que toca o nosso coração. Esse gesto nos faz compreender a atualidade da exortação do profeta Joel, que ressoou na 1ª leitura, exortação que conserva também para nós a sua saudável validez: aos gestos exteriores deve sempre corresponder a sinceridade da alma e a coerência das obras. Com efeito, pergunta o autor inspirado, para que serve rasgar as vestes, se o coração permanece distante do Senhor, isto é, do bem e da justiça? Eis aquilo que realmente conta: voltar para Deus, com o coração sinceramente arrependido, para obter a sua misericórdia (cf. Jl 2,12-18). Um coração renovado e um espírito novo: é o que pedimos com o Salmo penitencial por excelência, o Miserere, que hoje cantamos com o refrão “Misericórdia, ó Senhor, pois pecamos”. O verdadeiro fiel, consciente de ser pecador, aspira com todo o seu ser - espírito, alma e corpo - ao perdão divino, como uma nova criação, capaz de restituir-lhe alegria e esperança (cf. Sl 50,3.5.12.14).

Homilia do Papa João Paulo II: Quarta-feira de Cinzas (2001)

Nesta Quarta-feira de Cinzas, início do Tempo da Quaresma, recordamos a homilia proferida pelo Papa São João Paulo II (†2005) há 25 anos, durante a Missa no dia 28 de fevereiro de 2001 [1]:

Santa Missa, Bênção e Imposição das Cinzas
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de Santa Sabina
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001

1. Deixai-vos reconciliar com Deus... É agora o momento favorável (2Cor 5,20; 6,2).
Este é o convite que a Liturgia nos faz no início da Quaresma, exortando-nos a tomar consciência do dom da salvação oferecida, em Cristo, a todos os homens.

Falando do “momento favorável”, o Apóstolo Paulo refere-se à “plenitude do tempo” (cf. Gl 4,4), isto é, o tempo em que Deus, através de Jesus, “atendeu” e “socorreu” o seu povo, realizando plenamente as promessas dos profetas (cf. Is 49,8). Em Cristo se cumpre o tempo da misericórdia e do perdão, o tempo da alegria e da salvação.

Do ponto de vista histórico, o “momento favorável” é o tempo em que o Evangelho é anunciado pela Igreja aos homens de todas as raças e culturas para que se convertam e se abram ao dom da redenção. Então a vida é totalmente transformada.

O Papa recebe as cinzas

2. “É agora o momento favorável”.
A Quaresma, que hoje se inicia, é certamente, ao longo do Ano Litúrgico, um “momento favorável” para acolher com maior disponibilidade a graça de Deus. Precisamente por isso ela é definida “sinal sacramental da nossa conversão” (Coleta do I Domingo da Quaresma) [2]: sinal e instrumento eficaz daquela radical mudança de vida que requer ser constantemente renovada nos fiéis. A fonte desse extraordinário dom divino é o Mistério Pascal, o mistério da Morte e Ressurreição de Cristo, do qual brota a redenção para cada homem, para a história e para todo o universo.

A este mistério de sofrimento e de amor refere-se, em certo sentido, o tradicional rito da imposição das cinzas, iluminado pelas palavras que o acompanham: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Também se refere a esse mistério o jejum que hoje observamos, para iniciar um caminho de verdadeira conversão, no qual a união com a Paixão de Cristo nos permita enfrentar e vencer o combate contra o espírito do mal (cf. Coleta da Quarta-feira de Cinzas).

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Mensagem do Papa: Quaresma 2026

Confira a seguir a Mensagem do Papa Leão XIV para a Quaresma de 2026, com o tema «Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão»:

Papa Leão XIV
Mensagem para a Quaresma 2026
Escutar e jejuar: Quaresma como tempo de conversão

Queridos irmãos e irmãs,
A Quaresma é o tempo em que a Igreja, com solicitude materna, nos convida a recolocar o mistério de Deus no centro da nossa vida, para que a nossa fé ganhe novo impulso e o coração não se perca entre as inquietações e as distrações do quotidiano.

Todo caminho de conversão começa quando nos deixamos alcançar pela Palavra e a acolhemos com docilidade de espírito. Existe, portanto, um vínculo entre o dom da Palavra de Deus, a hospitalidade que lhe oferecemos e a transformação que ela realiza. Por isso o itinerário quaresmal torna-se uma ocasião propícia para dar ouvidos à voz do Senhor e renovar a decisão de seguir Cristo, percorrendo com Ele o caminho que sobe para Jerusalém, onde se realiza o mistério da sua Paixão, Morte e Ressurreição.


Escutar

Este ano gostaria de chamar a atenção, em primeiro lugar, para a importância de dar espaço à Palavra através da escuta, pois a disponibilidade para escutar é o primeiro sinal com que se manifesta o desejo de entrar em relação com o outro.

O próprio Deus, revelando-se a Moisés na sarça ardente, mostra que a escuta é uma característica distintiva do seu ser: «Eu vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi o seu clamor» (Ex 3,7). Escutar o clamor dos oprimidos é o início de uma história de libertação, na qual o Senhor envolve também Moisés, enviando-o a abrir um caminho de salvação para os seus filhos reduzidos à escravidão.

Catequese do Papa Bento XVI: Quaresma (2006)

Na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2006, há cerca de 20 anos, o Papa Bento XVI (†2022) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

Papa Bento XVI
Audiência Geral
Quarta-feira, 01 de março de 2006
A Quaresma, itinerário de reflexão e de intensa oração

Amados irmãos e irmãs,
Começa hoje, com a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo Pascal, memória da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação. Este é um tempo favorável no qual a Igreja convida os cristãos a tomar consciência mais viva da obra redentora de Cristo e a viver com maior profundidade o próprio Batismo. Com efeito, neste período litúrgico o Povo de Deus, desde os primórdios, se nutre abundantemente da Palavra de Deus para se fortalecer na fé, percorrendo toda a história da criação e da redenção.


Na sua duração de quarenta dias, o Tempo da Quaresma possui uma inegável força evocativa. Com efeito, ela busca recordar alguns dos acontecimentos que marcaram a vida e a história do antigo Israel, repropondo também a nós o seu valor paradigmático: pensemos, por exemplo, nos quarenta dias do dilúvio universal, que desembocam no pacto de aliança estabelecido por Deus com Noé e, assim, com a humanidade; e nos quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, aos quais se seguiu o dom das tábuas da Lei. O período quaresmal quer nos convidar sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias transcorridos por Ele no deserto, rezando e jejuando, antes de iniciar a sua missão pública. Também nós hoje empreendemos um caminho de reflexão e de oração com todos os cristãos do mundo para nos dirigirmos espiritualmente ao Calvário, meditando os mistérios centrais da fé. Assim nos prepararemos para experimentar, depois do mistério da Cruz, a alegria da Páscoa da Ressurreição.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Catequese do Papa João Paulo II: Quaresma (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quarta-feira de Cinzas de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) proferiu uma Catequese sobre a Quaresma que repropomos a seguir:

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de fevereiro de 2001
O caminho quaresmal

Caríssimos irmãos e irmãs,
1. Hoje não fecheis o vosso coração, mas ouvi a voz do Senhor” (Sl 94,8).
Este convite da Liturgia ressoa na nossa alma, pois hoje, Quarta-feira de Cinzas, tem início o itinerário quaresmal. Ele nos levará ao Tríduo Pascal, memória viva da Paixão, da Morte e da Ressurreição do Senhor, coração do mistério da nossa salvação.

O santo Tempo da Quaresma, desde sempre muito sentido pelo povo cristão, evoca antigos acontecimentos bíblicos, como os quarenta dias do dilúvio universal, prelúdio do pacto da aliança feita por Deus com Noé; os quarenta anos de peregrinação de Israel no deserto rumo à Terra prometida; os quarenta dias de permanência de Moisés no Monte Sinai, onde recebeu do Senhor as Tábuas da Lei. O tempo quaresmal nos convida sobretudo a reviver com Jesus os quarenta dias que Ele passou no deserto, rezando e jejuando, antes de começar a sua missão pública, que culminará no Calvário com o sacrifício da Cruz, vitória definitiva sobre o pecado e a morte.


2. Lembra-te de que és pó e ao pó hás de voltar” (Gn 3,19).
É sempre muito eloquente o tradicional rito da imposição das cinzas, que hoje se repete, e são sugestivas as palavras que o acompanham. Na sua simplicidade, esse rito recorda a caducidade da vida terrena:  tudo passa e está destinado a morrer. Nós somos peregrinos neste mundo, viajantes que não devem esquecer a sua meta verdadeira e definitiva: o Céu. Com efeito, embora sejamos pó e destinados a voltar ao pó, todavia nem tudo termina. Criado à imagem e semelhança de Deus, o homem é destinado à vida eterna. Morrendo na Cruz, Jesus abriu a cada ser humano o caminho para ela.

Toda a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas nos ajuda a evidenciar esta verdade fundamental de fé e nos estimula a começar um decidido itinerário de renovação pessoal. Devemos mudar nosso modo de pensar e de agir, fixando o olhar no rosto de Cristo Crucificado e fazendo do seu Evangelho a regra de vida do nosso dia-a-dia. “Convertei-vos e crede no Evangelho!” (Mc 1,15): seja este o nosso programa quaresmal, enquanto entramos em um clima de piedosa escuta do Espírito.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Milão (2026)

Na Arquidiocese de Milão (Itália), o 34º Dia Mundial do Enfermo, no dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, foi marcado pela Missa em Rito Ambrosiano presidida pelo Arcebispo, Dom Mario Enrico Delpini, na Basílica de Nossa Senhora de Lourdes:

Procissão de entrada
"Doze Kyries"
Procissão com o Livro dos Evangelhos
Evangelho
Homilia

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia Mundial do Enfermo em Manila (2026)

No dia 11 de fevereiro de 2026, Memória da Bem-aventurada Virgem Maria de Lourdes, o Arcebispo de Manila (Filipinas), Cardeal Jose Fuerte Advincula celebrou a Missa na Catedral Metropolitana da Imaculada Conceição em Manila por ocasião do 34º Dia Mundial do Enfermo

Durante a Missa, com efeito, o Arcebispo administrou o Sacramento da Unção dos Enfermos a alguns fiéis assistidos pela Ordem de Malta e pelas Missionárias da Caridade.

Imagem de Nossa Senhora de Lourdes
Procissão de entrada
Incensação da imagem
Ritos iniciais
Evangelho