Viagem Apostólica à França
Santa Missa em Metz
Homilia do Papa Leão XIV
Catedral de Santo Estêvão (Metz)
Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Foi celebrada a Missa “pela conservação da paz e da justiça” com as seguintes leituras: Is 32,15-18; Sl 84; Mt 5,38-48.
Queridos irmãos e irmãs,
É com grande alegria que presido esta Eucaristia, durante a qual
confiamos ao Senhor o caminho da Comunidade diocesana de Metz e de toda a
Europa. Nesta terra histórica do Mosela [1], que nunca deixou de ser um ponto
de encontro de povos e que foi uma fronteira dolorosa na Europa, a promessa de
Deus ressoa hoje com uma força singular.
Na 1ª Leitura (Is 32,15-18), o profeta Isaías fala da vinda do
Reino de Deus em termos de direito, justiça e paz. Recorre a três imagens: o
deserto, o jardim e a casa.
No deserto, lugar de sobriedade e silêncio, instaura-se o direito, ou
seja, a lei que ajuda o homem a avançar no caminho do bem. Esta imagem austera nos
recorda a importância do essencial e da simplicidade, que nos permitem atribuir
o justo valor às coisas, formando-nos, ao mesmo tempo, para a renúncia e o
sacrifício.
A segunda imagem é a do jardim, onde reina a justiça. Se o deserto é o
lugar do essencial, o jardim é o lugar da beleza. Ali há água, as sementes
brotam, os rebentos despontam e as flores desabrocham, cada uma com a sua graça
particular. Este é o efeito de uma vida reta, que permite à pessoa realizar-se
plenamente, aderindo em liberdade aos desígnios do Senhor.
A terceira imagem é a da casa, lugar de paz. Note-se que, se o deserto
e o jardim são ambientes nos quais prevalece a ação de Deus, que faz germinar e
crescer, a construção de uma casa, por outro lado, requer uma contribuição mais
direta e importante por parte do homem, com o uso de forças e competências,
através de um esforço comum: um autêntico trabalho de “canteiro de obras”. A
paz, que é um dom de Deus, exige assim uma resposta por parte dos homens, em um
esforço partilhado. Mais do que uma simples construção de pedras, a casa é um
lugar de presença humana e de amor. Neste sentido, a palavra profética nos recorda
que, em um mundo marcado pelos limites, a concórdia só se constrói na caridade,
que sabe partilhar alegrias e dores, encorajar e perdoar, sem cálculos nem
limites, como em uma família.