segunda-feira, 5 de março de 2012

A celebração da Vigília Pascal

O que se deve preparar

- Todo o necessário para a celebração da Missa;
- Paramentos brancos para o sacerdote, como para a Missa;
- Fogueira, fora da igreja;
- Círio pascal;
- Cinco cravos e estilete para preparação do círio;
- Vela grande para acender o círio no fogo novo;
- Velas para o sacerdote, os ministros e os fiéis;
- Turíbulo e naveta com incenso;
- Utensílio para tirar as brasas do fogo novo e deitá-las no turíbulo;
- Missal Romano;
- Lâmpada para iluminar o Missal durante os ritos iniciais;
- Suporte para o círio, junto ao ambão ou diante do altar;
- Sinetas;
- Livro dos Evangelhos;
- Se houver Batismo:
Ritual da Iniciação Cristã;
Santos Óleos;
Algodão para o sacerdote limpar as mãos após a unção;
Velas para os catecúmenos;
- Recipiente com água a ser abençoada (caso não use-se o batistério)
- Caldeirinha de água benta e aspersório;
- Cruz processional;
- Dois a seis castiçais com velas;
- Altar ornado com flores.


1. Liturgia da Luz
A celebração inicia-se fora da igreja, com os fiéis reunidos em torno de uma fogueira, cuja chama deve ser tal que ilumine a noite. Onde não for possível fazer uma fogueira fora da igreja, pode-se acendê-la junto à porta da igreja, em um fogareiro adequado. Neste caso, os fiéis permanecem já em seus lugares.

O sacerdote paramenta-se na sacristia como para a Missa e dirige-se com os ministros para o local da fogueira. Os acólitos já devem levar todo o necessário para a primeira parte da Vigília: círio pascal, cravos e estilete, velas para o sacerdote e os ministros, turíbulo vazio e naveta com incenso, Missal Romano e lâmpada. Não se levam a cruz processional, os castiçais e o Livro dos Evangelhos.

O sacerdote inicia a Missa com o sinal da cruz e a saudação presidencial, como de costume, acrescentando em seguida a monição introdutória proposta no Missal. Segue-se a oração de bênção do fogo (o qual não deve ser aspergido).


O acólito com o círio aproxima-se então do sacerdote, que pode prepará-lo da seguinte forma: com um estilete, grava no círio uma cruz, as letras gregas alfa e ômega e os algarismos do ano corrente, recitando as fórmulas propostas no Missal. Se estes símbolos já estiverem gravados no círio, basta percorrê-los com o estilete, recitando as respectivas fórmulas.


Em seguida, o sacerdote espeta no círio os cinco cravos em forma de cruz, igualmente recitando as fórmulas propostas no Missal. Por fim, ajudado pelo diácono ou pelo cerimoniário, o sacerdote acende uma vela no fogo novo e com ela acende o círio, recitando a respectiva fórmula.


Após o turiferário ter preenchido o turíbulo com brasas retiradas do fogo novo, o sacerdote impõe incenso no turíbulo e toma o círio ou entrega-o ao diácono, se houver. Forma-se então a procissão até a igreja, na seguinte ordem:

- Turiferário e naveteiro;
- Diácono ou sacerdote com o círio pascal;
- Acólitos e demais ministros, com velas apagadas nas mãos;
- Fiéis, com velas apagadas nas mãos;


Ainda junto à fogueira, aquele que leva o círio, seja o diácono ou o sacerdote, canta a aclamação “Eis a Luz de Cristo”, à qual todos respondem: “Graças a Deus”. Neste momento, acende-se na chama do círio apenas a vela do sacerdote. Se for o diácono a levar o círio, o sacerdote levará a sua vela; se for o sacerdote a levar o círio, quem leva sua vela é o cerimoniário ou um acólito.


Quem leva o círio canta a aclamação pela segunda vez na porta da igreja, se a celebração começou fora da igreja, ou no meio da igreja, se a celebração iniciou junto à porta. Neste momento, os ministros acendem suas velas na chama do círio e passam-na aos fiéis.

Por fim, aquele que leva o círio canta a aclamação pela terceira vez diante do altar e imediatamente acendem-se todas as luzes da igreja. O círio é colocado em seu suporte junto ao ambão ou diante do altar, no centro do presbitério.

Segue-se a Proclamação da Páscoa: se for feita por um diácono, este pede a bênção ao sacerdote e incensa o círio e o livro. Se, na falta do diácono, for um cantor leigo a proclamar a Páscoa, não pede a bênção ao sacerdote, não incensa o círio e o livro e omite a saudação “O Senhor esteja convosco” durante o Precônio.

Durante a Proclamação da Páscoa todos permanecem em pé, com as velas nas mãos e voltados para o ambão ou estante de onde se canta (sempre junto do círio). Terminado o Precônio, todos apagam suas velas.


2. Liturgia da Palavra
Estando todos sentados, o sacerdote ou o diácono dirige à assembleia uma monição introdutória à Liturgia da Palavra, conforme a fórmula do Missal.

Nesta Vigília propõem-se nove leituras, sete do Antigo Testamento e duas do Novo Testamento (a Epístola e o Evangelho). Se for necessário, pode-se diminuir o número de leituras do Antigo Testamento para três ou até mesmo duas, mas nunca omitindo a leitura do capítulo 14 do Êxodo. Após cada leitura do Antigo Testamento canta-se o respectivo salmo. Em seguida todos levantam-se e o sacerdote recita a oração correspondente.

Após a última leitura do Antigo Testamento, com seus respectivos salmo e oração, canta-se o Glória. Neste momento, acendem-se as velas do altar a partir da chama do círio e tocam-se todos os sinos da igreja, inclusive as sinetas. Segue-se a oração do dia.


Em seguida, todos sentam-se novamente e proclama-se a Epístola. Após esta, todos levantam-se e o sacerdote entoa três vezes o Aleluia, repetido pelo coral.

Turiferário e naveteiro aproximam-se do sacerdote, que impõe incenso no turíbulo. Enquanto canta-se o salmo de aclamação ao Evangelho, o sacerdote ou o diácono dirige-se ao ambão para a proclamação do Evangelho. Não se levam velas acesas, apenas o incenso. Após o Evangelho, segue-se a homilia, como de costume.

3. Liturgia Batismal

a) Com Batismo:
Se há Batismo, após a homilia é feita a chamada dos catecúmenos, que são apresentados pelos padrinhos, ou pelos pais e padrinhos se forem crianças.

Se a liturgia batismal for realizar-se no batistério, organiza-se a procissão até lá, duarnet a qual canta-se a Ladainha de Todos os Santos:

- Acólito com o círio pascal;
- Catecúmenos com seus padrinhos;
- Acólitos, com o necessário para a Liturgia Batismal;
- Sacerdote.

Se a Liturgia Batismal for realizar-se no presbitério, junto a um recipiente com água, canta-se a Ladainha estando todos de pé e voltados para o altar. De qualquer forma, a Ladainha é precedida de uma monição e concluída com uma oração, ambas ditas pelo sacerdote.

Terminada a Ladainha, o sacerdote, junto da pia batismal ou do recipiente com água, profere a bênção da água batismal. Durante a oração, no momento indicado no Missal, o sacerdote mergulha na água o círio pascal, que lhe é entregue pelo diácono ou pelo acólito.

Seguem-se as renúncias dos catecúmenos, ou dos padrinhos se forem crianças, e a unção com o Óleo dos Catecúmenos. Em seguida, os catecúmenos, ou os pais e padrinhos no caso de serem crianças, professam sua fé. Passa-se então ao batismo dos eleitos, isto é, à infusão da água.


Em seguida, são realizados os ritos complementares do Batismo (entregas da veste batismal e da luz), omitida a unção com o Crisma se aqueles que foram batizados serão também crismados. Feitos estes ritos, segue-se o rito da Confirmação, com a monição, a oração e a unção com o Crisma, caso os batizados devam ser crismados.


b) Não há Batismo:
Se não há Batismo, mas na igreja há pia batismal, após a homilia segue-se imediatamente a Ladainha de Todos os Santos, durante a qual todos estão de pé e voltados para o altar. Segue-se a bênção da água batismal, no próprio batistério ou no presbitério, junto de um recipiente com água. Se a bênção for realizada no presbitério, a água seja levada ao batistério em tempo oportuno, onde permanece durante todo o Tempo Pascal.

Se na igreja não há pia batismal e não se celebra o Batismo, omitida a Ladainha de Todos os Santos, simplesmente o sacerdote abençoa a água para aspersão.

Concluídos os ritos do Batismo e da Confirmação ou, se não houveram, após a bênção da água, os ministros acendem suas velas no círio e passam a chama aos fiéis. Estando todos com suas velas acesas, renovam suas promessas batismais, conforme proposto no Missal.

Renovadas as promessas batismais, todos apagam suas velas. O sacerdote, auxiliado pelo diácono ou pelo cerimoniário, passa aspergindo a assembleia com a água abençoada, enquanto canta-se a antífona proposta pelo Missal ou outro canto adequado. Após a aspersão, omitida a profissão de fé, segue-se a oração dos fiéis.

4. Liturgia Eucarística
Após a oração dos fiéis, a Missa prossegue como de costume. Se houve Batismo, os dons do pão e do vinho (âmbulas e galhetas) são levadas ao altar pelos neófitos. Se não houve Batismo, os dons são levados pelos fiéis. Durante a apresentação das oferendas, utiliza-se o incenso normalmente.


O Prefácio a ser utilizado é o da Páscoa I. Recomenda-se vivamente tomar a Oração Eucarística I, com suas partes próprias para esta Missa. No momento do Santo, faz-se a procissão com incenso e velas normalmente, bem como tocam-se as sinetas após a Consagração.


É muito conveniente que os fiéis recebam a comunhão sob as duas espécies. Se houve Batismo e Confirmação, os neófitos devem sempre comungar sob as duas espécies.

No final da Missa, toma-se a bênção própria da Vigília Pascal. À despedida e sua resposta, acrescenta-se o duplo Aleluia. Por fim, a procissão de saída faz-se como de costume.

Para saber mais sobre os cantos litúrgicos para esta celebração, clique aqui. Para ver os salmos, clique aqui.

Confira também:
A Celebração do Domingo de Páscoa

REFERÊNCIAS:

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Cerimonial dos Bispos, Cerimonial da Igreja: Tradução portuguesa da Edição Típica. São Paulo: Paulus, 2004 (3ª edição).

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Missal Romano: Tradução portuguesa da 2ª Edição Típica para o Brasil. São Paulo: Paulus, 2006 (10ª edição).

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Paschalis sollemnitatis: Carta Circular sobre a Preparação e a Celebração das Festas Pascais. Disponível em: http://www.presbiteros.com.br/site/paschalis-sollemnitatis-a-preparacao-e-celebracao-das-festas-pascais/ Acesso em: 22/02/2012.

SAGRADA CONGREGAÇÃO PARA O CULTO DIVINO. Ritual da Iniciação Cristã de Adultos: Tradução portuguesa para o Brasil da Edição Típica. São Paulo: Paulus, 2007 (4ª edição).

3 comentários:

  1. A cada catecúmeno batizado, é mais um, no processo de iniciação a vida cristã a dar um passo importantíssimo na caminhada.

    ResponderExcluir
  2. Quando as hóstias consagradas na Quinta Feira Santa deverão retornar? Antes da Vigília? Ou durante o rito de comunhão durante a Vigília?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Carta Circular Paschalis Sollemnitatis em seu n. 70 afirma que após a Comunhão da Sexta-feira Santa, as hóstias são levadas para um lugar preparado fora da igreja. Donde se deduz que podem ser trazidas novamente para a Comunhão da Vigília (durante o Rito da Comunhão) ou, se for possível, apenas no Domingo, de modo que os fiéis comunguem das hóstias consagradas na própria Vigília (não é uma norma, apenas uma recomendação).
      O Missal Romano, porém, em sua Terceira Edição Típica (2002, ainda sem tradução no Brasil), permite que após a Comunhão da Sexta as hóstias sejam colocadas já diretamente no sacrário.

      Excluir