segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Fotos da Missa do Papa na Solenidade de Cristo Rei

No último dia 22 de novembro o Papa Francisco celebrou no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro a Santa Missa da Solenidade de nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Na ocasião houve a passagem da Cruz e do ícone da Virgem Maria, símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), entregues por uma delegação de jovens do Panamá aos jovens do Patriarcado de Lisboa (Portugal), sede da próxima edição internacional da JMJ, em 2023.

O Santo Padre foi assistido pelo Monsenhor Guido Marini. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Evangelho

Homilia do Papa: Solenidade de Cristo Rei - Ano A

Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Santa Missa para a passagem da Cruz da JMJ
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro, Altar da Cátedra
Domingo, 22 de novembro de 2020

A página que acabamos de ouvir é a última do Evangelho de Mateus antes da Paixão: antes de nos dar o seu amor na cruz, Jesus transmite-nos as últimas vontades. Diz-nos que o bem que fizermos a um dos seus irmãos mais pequeninos - esfomeados, sedentos, forasteiros, necessitados, doentes, reclusos - será feito a Ele (cf. Mt 25,37-40). Deste modo o Senhor entrega-nos a lista das prendas que deseja para as núpcias eternas connosco no Céu. São as obras de misericórdia que tornam eterna a nossa vida. Cada um de nós pode interrogar-se: Coloco-as em prática? Faço alguma coisa por quem tem necessidade, ou pratico o bem somente para as pessoas queridas e os amigos? Ajudo alguém que não me pode restituir? Sou amigo duma pessoa pobre? E podíamos continuar com tantas outras perguntas, postas a nós mesmos. «Eu estou ali - diz-te Jesus - espero por ti ali, onde não imaginas e para onde talvez nem quererias olhar: ali… nos pobres». Eu estou ali, onde não vê qualquer interesse o pensamento dominante, segundo o qual a vida vai bem, se for bem para mim. Eu estou ali: diz Jesus também a ti, jovem que procuras realizar os sonhos da vida.
Eu estou ali: disse Jesus, séculos atrás, a um jovem soldado. Era um jovem de dezoito anos, ainda não batizado. Um dia viu um pobre que pedia ajuda às pessoas, sem a obter, porque «todos passavam adiante». E aquele jovem, «vendo que os outros não se sentiam movidos à compaixão, compreendeu que aquele pobre estava reservado para ele». Mas não tinha nada consigo, apenas o seu uniforme de serviço. Então cortou o seu manto e deu metade ao pobre, suportando o riso escarninho de alguns ao redor. Na noite seguinte, teve um sonho: viu Jesus, vestido com a parte do manto com que envolvera o pobre. E ouviu-O dizer: «Martinho cobriu-me com este manto» (cf. Sulpício Severo, Vita Martini, III). São Martinho era um jovem que teve aquele sonho porque o vivera, embora sem o saber, como os justos do Evangelho de hoje.
Queridos jovens, queridos irmãos e irmãs, não renunciemos aos grandes sonhos. Não nos contentemos em fazer apenas o que é devido. O Senhor não quer que restrinjamos os horizontes, não nos quer estacionados nas margens da vida, mas correndo para metas altas, com júbilo e ousadia. Não fomos feitos para sonhar os feriados ou o fim de semana, mas para realizar os sonhos de Deus neste mundo. Ele tornou-nos capazes de sonhar, para abraçar a beleza da vida. E as obras de misericórdia são as obras mais belas da vida. As obras de misericórdia centram-se diretamente nos nossos sonhos grandes. Se tens sonhos de verdadeira glória - não da glória passageira do mundo, mas da glória de Deus -, esta é a estrada. Lê a passagem do evangelho de hoje, reflete nela. Porque as obras de misericórdia dão mais glória a Deus do que qualquer outra coisa. Ouvi isto com atenção: as obras de misericórdia dão mais glória a Deus do que qualquer outra coisa. No fim, é sobre as obras de misericórdia que seremos julgados.
Mas, donde se começa para realizar grandes sonhos? Das opções grandes. Hoje, o Evangelho também nos fala disto. Com efeito, no momento do juízo final, o Senhor baseia-Se nas nossas escolhas. Quase parece que não julga: separa as ovelhas dos cabritos, mas ser bom ou mau depende de nós. Ele limita-Se a tirar as consequências das nossas escolhas, trá-las à luz e respeita-as. Assim a vida é o tempo das escolhas vigorosas, decisivas e eternas. Escolhas banais levam a uma vida banal; escolhas grandes tornam grande a vida. De facto, tornamo-nos naquilo que escolhemos, tanto no bem como no mal. Se escolhemos roubar, tornamo-nos ladrões; se escolhemos pensar em nós mesmos, tornamo-nos egoístas; se escolhemos odiar, tornamo-nos rancorosos; se escolhemos passar horas no celular, tornamo-nos dependentes. Mas, se escolhermos Deus, vamo-nos tornando dia a dia mais amáveis e, se optarmos por amar, tornamo-nos felizes. É assim, porque a beleza das opções depende do amor: não o esqueçais! Jesus sabe que, se vivermos fechados e na indiferença, ficamos paralisados; mas, se nos gastarmos pelos outros, tornamo-nos livres. O Senhor da vida quer-nos cheios de vida e dá-nos o segredo da vida: só a possuímos, se a dermos. Esta é uma regra de vida: a vida só a possuímos - agora e eternamente -, se a dermos.
É verdade que existem obstáculos que tornam difícil escolher: com frequência, são o medo, a insegurança, os porquês sem resposta… tantos porquês. Contudo o amor pede para ultrapassá-los, não ficar agarrados aos porquês da vida, esperando que chegue do Céu uma resposta. A resposta chegou: é o olhar do Pai que nos ama e nos enviou o Filho. O amor impele a passar dos porquês ao para quem: do porque vivo, ao para quem vivo; do por que me acontece isto, ao para quem posso fazer bem. Para quem? Não só para mim; a vida já está cheia de escolhas que fazemos para nós mesmos: ter um diploma, amigos, uma casa; satisfazer os nossos próprios interesses, os nossos passatempos. De facto, corremos o risco de passar anos a pensar em nós mesmos, sem começar a amar. Manzoni deu um bom conselho: «Devia-se pensar mais em fazer bem do que em estar bem; e acabaríamos assim por estar melhor» (I Promessi Sposi, cap. 38).
Mas não temos apenas as dúvidas e os porquês a insidiar as escolhas grandes, generosas; existem muitos outros obstáculos, todos os dias. Há a febre de consumir, que narcotiza o coração com coisas supérfluas. Há a obsessão pelo divertimento, que parece a única via para escapar dos problemas, quando, ao invés, é apenas um adiamento do problema. Há a fixação nos próprios direitos a reivindicar, esquecendo o dever de ajudar. E, depois, há a grande ilusão do amor, que parece algo a ser vivido ao som de emoções, quando amar é principalmente dom, escolha e sacrifício. Sobretudo hoje, escolher é não se fazer domesticar pela homogeneização, é não se deixar anestesiar pelos mecanismos do consumo, que desativam a originalidade, é saber renunciar às aparências e à exibição. Escolher a vida é lutar contra a mentalidade do usa-e-bota-fora e do tudo-e-imediatamente, para orientar a existência rumo à meta do Céu, rumo aos sonhos de Deus. Escolher a vida é viver, e nós nascemos para viver, não para vegetar. Disse-o um jovem como vós [o Beato Pier Giorgio Frassati]: «Eu quero viver, não vegetar».
Todos os dias se apresentam muitas opções no coração. Gostaria de vos dar um último conselho para vos treinardes a escolher bem. Se olharmos dentro de nós, veremos que muitas vezes surgem aí duas perguntas diferentes. A primeira: o que me apetece fazer? É uma pergunta que engana frequentemente, porque insinua que o importante é pensar em si mesmo e satisfazer todos os desejos e impulsos que me vêm. Mas a pergunta que o Espírito Santo sugere ao coração é outra: não aquilo que te apetece, mas aquilo que te faz bem. A opção diária situa-se aqui: escolher entre o que me apetece fazer e o que me faz bem. Desta busca interior, podem nascer escolhas banais ou escolhas vitais. Depende de nós. Olhemos para Jesus, peçamos-Lhe a coragem de escolher o que nos faz bem, de caminhar atrás d’Ele pela via do amor. E encontrar a alegria. Para viver, e não para vegetar.


Alocução do Santo Padre no final da celebração:
No final desta Celebração Eucarística, saúdo cordialmente a todos vós aqui presentes e quantos nos acompanham através dos meios de comunicação social. Dirijo uma saudação particular a vós jovens, jovens panamenhos e portugueses, aqui representados por duas delegações que, em breve, realizarão o gesto significativo da passagem da Cruz e do ícone de Maria Salus Populi Romani, símbolos das Jornadas Mundiais da Juventude. É um passo importante na peregrinação que nos levará a Lisboa, em 2023.
E enquanto nos preparamos para a próxima edição intercontinental da JMJ, gostaria de relançar também a sua celebração nas Igrejas locais. Passados trinta e cinco anos da instituição da JMJ, depois de ter ouvido o parecer de várias pessoas e o Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, que é competente no que se refere à pastoral juvenil, decidi transferir, a partir do próximo ano, a celebração diocesana da JMJ do Domingo de Ramos para o Domingo de Cristo Rei. No centro, continua a estar o Mistério de Jesus Cristo Redentor do homem, como sempre destacou São João Paulo II, iniciador e patrono da JMJ.
Queridos jovens, gritai com a vossa vida que Cristo vive, que Cristo reina, que Cristo é o Senhor! Se vos calardes, garanto-vos que gritarão as pedras! (cf. Lc 19,40).

Fonte: Santa Sé

domingo, 22 de novembro de 2020

Nomeado novo Maestro do Coro da Capela Sistina

Na manhã deste domingo, 22 de novembro, dia em que comemoramos Santa Cecília, Virgem e Mártir, padroeira dos músicos, o Papa Francisco nomeou o brasileiro Monsenhor Marco Pavan como novo Maestro Diretor da Capela Musical Pontifícia, o célebre Coro da Capela Sistina, responsável pela música nas principais celebrações presididas pelo Santo Padre.


Marco Pavan nasceu em São Paulo (SP) no dia 23 de outubro de 1962. Após os estudos de Direito em São Paulo e de Filosofia e Teologia em Roma, foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1996, incardinado na Diocese de Campo Limpo (SP).

Com uma sólida formação artística e musical, começou a trabalhar como Assistente da Capela Musical Pontifícia em 1998. Desde julho de 2019 desempenhava a função de Maestro ad interim, após a saída de Mons. Massimo Pallombella.

Desde 19 de janeiro de 2019 o Coro da Capela Sistina está subordinado ao Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, sob a responsabilidade do Monsenhor Guido Marini.

Com informações do site da Santa Sé.

Dedicação de altar em Cracóvia

No último sábado, 21 de novembro, o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa para a dedicação do novo altar da Basílica do Corpus Christi em Cracóvia (Bazylika Bożego Ciała w Krakowie).

Procissão de entrada

Bênção da água
Aspersão do altar

O ícone de Cristo Salvador

“Tu te manifestaste no mundo para iluminar a quantos estavam nas trevas”­ [1]

A Igreja de Rito Romano celebra no último domingo do Ano Litúrgico a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo. Aproveitamos esta ocasião para, encerrando nossa série de postagens sobre os ícones das festas litúrgicas, falar sobre o ícone de Cristo Salvador ou Pantocrator.

Origem e conteúdo da festa:

Todas as festas do calendário litúrgico bizantino celebram momentos da história da salvação, da Natividade de Maria até a sua Dormição, tendo seu centro na celebração do Mistério Pascal da Morte e Ressurreição do Senhor.

O Rito Romano, por sua vez, possui uma série de festas que celebram “ideias” teológicas: a Santíssima Trindade, a Eucaristia, o Coração de Jesus, etc. Dentre estas festas encontra-se a Solenidade de Jesus Cristo, Rei do Universo, uma das últimas inseridas no calendário litúrgico.

A festa foi instituída para o Rito Romano em 1925 pelo Papa Pio XI, através da Encíclica “Quas Primas”, inicialmente fixada no último domingo do mês de outubro. Com a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II esta celebração foi transferida para o último domingo do Ano Litúrgico, destacando assim o alcance escatológico da realeza de Cristo [2].

Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Solenidade de Cristo Rei.

É a partir desta índole escatológica da festa de Cristo Rei que queremos meditar sobre o ícone de Cristo Salvador ou Pantocrator (Todo-poderoso). Este ícone exprime a afirmação do Catecismo da Igreja Católica: “toda a vida de Cristo é mistério” (n. 514).

Embora o ícone de Cristo Salvador não faça referência específica a um momento da história da salvação, mas sim à totalidade do mistério, o fundamento para sua veneração é a Encarnação do Verbo. Em Cristo, o Deus invisível se fez visível (Cl 1,15), a ponto de Ele mesmo afirmar: “Quem me vê, vê o Pai” (Jo 14,9).

Costumamos encontrar este ícone nas absides das igrejas do Oriente e do Ocidente, sintetizando o mistério de Deus que se celebra naquele espaço sagrado. Esta imagem do Pantocrator, geralmente sentado no trono, costuma ocupar três quartos da área icônica “e não é por acaso: 3 é o mistério da vida divina, 4 é o cosmo. Então, o que é figurado é a presença da vida divina na humanidade” [3].

Além disso, encontramos o ícone do Cristo Salvador sempre à direita das portas centrais da iconostase nas igrejas bizantinas, fazendo par com o ícone da Mãe de Deus à esquerda. Diante deste ícone de Cristo o sacerdote recita a seguinte oração antes da Divina Liturgia:

“Veneramos teu santo ícone, ó Deus de bondade, implorando o perdão de nossas culpas, ó Cristo, que, voluntariamente, te deixaste suspender na cruz para livrar da escravidão do inimigo os que formaste. Por isso, dando-te graças, a Ti clamamos: Encheste de alegria toda realidade, ó Salvador nosso, quando vieste para salvar o mundo!” [4].

O ícone


As vestes: As cores das vestes de Cristo, como já afirmamos em nossa série, traçam um paralelo com as vestes de Maria: a Mãe veste uma túnica azul, para simbolizar que carregou no ventre o próprio céu, sob um manto vermelho cobrindo-a quase inteiramente, para recordar-nos que ela continua sendo humana.

Cristo, ao contrário, veste uma túnica vermelha (cor do sangue), para indicar que assumiu nossa humanidade (Fl 2,6-8), e um manto azul (cor do céu) para lembrar-nos que não perdeu sua divindade (Hb 1,1-3).

Completa a indumentária do Senhor uma estola dourada pendente do ombro direito (Ap 1,13). A própria estola indica seu múnus sacerdotal, enquanto a cor dourada, reservada na Antiguidade ao rei, indica seu múnus régio.

O rosto: O rosto de Cristo neste ícone pode indicar ora bondade, recordando o grande mistério da misericórdia de Deus, ora severidade, como convite ao arrependimento dos pecados.

Merece destaque neste sentido o célebre Pantocrator do Sinai, venerado no Mosteiro de Santa Catarina, um dos mais antigos ícones do Senhor. Inspirado no julgamento de Mt 25,31-46, o rosto apresenta duas expressões distintas: o lado direito (o lado da mão que abençoa) é bondoso, cheio de misericórdia, ao passo que o lado esquerdo (o lado do livro da Lei) é severo, quase irado.

Ícone original do Pantocrator do Sinai
Versão "espelhada" de cada metade do ícone

De toda forma, atrás da cabeça de Cristo costuma ser representado o nimbo cruciforme, isto é, uma auréola dentro da qual esta desenhada uma cruz. O grande teólogo oriental Pavel Evdokimov explica: “a cruz assim inscrita no círculo sagrado da vida divina é o eixo vivo do amor trinitário. O Pai é o amor que crucifica, o Filho é o amor crucificado, o Espírito Santo é a cruz do amor, seu poder invencível” [5].

Neste halo costumam-se encontrar as letras gregas Ο - Ω - Ν que formam a expressão ὁ ὤν, que significa “Aquele que é”, em referência à autorrevelação de Deus no monte Sinai (Ex 3,14).

A mão: Com a mão direita, o Cristo abençoa aquele que contempla o seu ícone. O gesto de bênção tradicional entre os orientais é com três dedos levantados, em alusão às três Pessoas da Trindade, e com dois dedos juntos, em alusão às duas naturezas de Cristo, divina e humana.

O livro: Com a mão esquerda Cristo sustenta o livro da Palavra de Deus, pois “ao encarnar-se, Ele veio nos trazer a boa notícia, o cumprimento da Lei e dos Profetas” [6], como podemos ver no início do Evangelho de Lucas, quando Jesus faz a leitura do profeta Isaías na sinagoga de Nazaré e conclui: “Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir!” (Lc 4,16-21).
  
A presença do livro completa as referências ao tríplice múnus de Cristo, sacerdote (estola), rei (cor dourada) e profeta (livro).

Em algumas versões do ícone o livro está fechado, para indicar que toda a Escritura aponta para Cristo. Ele costuma segurar o livro então com quatro dedos, para representar que sua mensagem é destinada aos quatro cantos do mundo.

Em outras versões o livro está aberto, acessível a todos, indicando que em Cristo a Revelação completou-se: não há nada mais a ser dito, nada mais está oculto. “O Criador de todas as coisas, ao encarnar-se, compôs um livro novo, saído do coração do Pai, para ser escrito com a pena do Espírito na língua de Deus” [7].

Em cada imagem o iconógrafo escolhe uma frase do Evangelho que quer ressaltar no livro aberto. Geralmente é uma das autoafirmações de Jesus - “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8,12), “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6) - ou um trecho do Prólogo de João: “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus...” (Jo 1,1), “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14).


“Cristo, Luz verdadeira que iluminas e santificas a todos os homens que vêm a este mundo, faze com que se grave em nós como um selo a luz de teu rosto, para descobrir nele a luz inacessível, e dirige os nossos passos no cumprimento de teus mandamentos” [8].

[1] PASSARELLI, Gaetano. O ícone de Cristo Salvador. São Paulo: Ave Maria, 1996, p. 34. Coleção: Iconostásio, 02.
[2] Sobre a história desta celebração confira:
ADAM, Adolf. O Ano Litúrgico: Sua história e seu significado segundo a renovação litúrgica. São Paulo: Loyola, 2019, pp. 130-132.
[3] AUGÉ, Matias. Ano Litúrgico: É o próprio Cristo presente na sua Igreja. São Paulo: Paulinas, 2019 (Orelha do livro).
[4] SPERANDIO, João Manoel; TAMANINI, Paulo Augusto (orgs.). Hieratikon: Pequeno Missal bizantino. Teresina: Editora da Universidade Federal do Piauí, 2015, p. 12.
[5] PASSARELLI, op. cit., p. 24.
[6] ibid., p. 29.
[7] ibid., p. 30.
[8] ibid., p. 33.

sábado, 21 de novembro de 2020

Homilia: Solenidade de Cristo Rei - Ano A

Santo Efrém
Canto fúnebre 42
Lembra-te de mim, Senhor, e perdoa a este réu

Cristo Rei, reparador de nossa salvação: dai-me, concede-me a graça de que à tua vinda eu saia vivo do sepulcro e que, quando tua Majestade se manifestar, me coloques à tua destra.
Adoramos, Senhor, tua cruz, na qual está depositada toda a nossa esperança de salvar-nos, porque será ela que dá aos nossos corpos a imortalidade e a claridade. Meus olhos esperam a tua redenção, e meus ouvidos também esperam a palavra de teu juízo salvador. Não me deixes abandonado no sepulcro, porque tu és a esperança dos mortos enterrados. A Adão sepultado lhe ressuscitará a voz do Filho de Deus e, como em outro tempo aos hebreus, o levará não para a terra da promissão, mas conduzido ao céu, lhe revestirá de glória imortal.
Mas, enquanto não nos é concedido subir até ali, não cessam de ressoar em nossos ouvidos, como trovões, as vozes dos santos; teus Apóstolos gritam aos pecadores chamando-os à penitência, admoestando-lhes que trabalhem na consecução da verdadeira glória, pois a vida deste mundo é uma fábula.
Nossa ressurreição futura nos anunciam os profetas; os Apóstolos, o prêmio para a virtude, e o Evangelho do Senhor nos mostra o caminho pelo qual se vai ao reino. Que o mundo inteiro, os homens todos, caindo de joelhos, te adorem, Senhor, e que toda a terra louve o teu nome, tu que és reparador daqueles que jazem mortos e esperança derradeira para os mortais...
Não permitas, Senhor, que nossas culpas nos arrastem à perdição, pois és tu mesmo quem perdoa os pecados; não deixes órfãos a estes teus pequeninos, nem aos anciãos os prives de toda proteção, nem os exponhas à ignomínia e à miséria. Por aquele teu amor, Senhor, com que nos amaste, não nos abandones, e dai-nos o teu auxílio para servir-te todos os dias fervorosamente.
Meus dias voaram como um sonho, correram e se evaporaram meus anos; o peso dos meus delitos está mostrando o tremendo juízo da justiça divina  e assusta-me tremendamente. Por isso, com grande amargura de minha alma, clamo com o profeta: Não entres em juízo com o teu servo, pois diante de ti não existe ninguém justo.
Envergonha-te de deixar-me desfeito no sepulcro, porque tu és Deus de misericórdia; restituí-me a forma perdida de meu corpo, impelido pela compaixão, a fim de que, adquirindo nova beleza quando venhas, mereça entrar em teu reino.
Quando cresceram os meus pecados - disse Adão - então se alterou a ordem de todas as coisas que me eram próprias. Os pecados me arrebataram a vida. Quem me libertará de tantas calamidades que me afligem? O grande mal que me tirou a vida foi o ter pecado no paraíso e desobedecido a Deus.
Todos nós, os seus filhos, entramos irremissivelmente pelo caminho que ele nos abriu pecando e, como ele, nos separamos da santidade de Deus. Senhor! Por isso todos temos que voltar prontamente para aquela mesma terra da qual fomos criados, terra sujeita a todas as calamidades.
Porém, lembra-te de mim, Senhor, e perdoa a este réu. Sou obra de tuas mãos: Tu me modelaste. Lembra-te de teu primeiro amor, que és misericordioso e mansíssimo. Chegará o dia em que chamarás os mortos à vida; peço-te que então não me separes de tua companhia. Ajude-me o teu poder, que antes me deu o ser: vede que sou joguete do diabo; peço-te que reprimas sua sanha. Chamaste-nos teus templos; não permitas que caiam em poder de nosso inimigo carniceiro. Comido pela inveja, ele nos arrebatou aquela luz que lhe ofuscava, e despidos nos precipitou às trevas do inferno, de onde não se volta.
A morte maldita preside e está sentada às portas para impedir a saída, e até a própria esperança de sair dali, se alguma restar de fugir-se. Envia, Senhor, do céu o teu Amado, que rompa os ferrolhos do obscuro calabouço; visto que venceu ao nosso adversário, repara a desgraça que nos aflige.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 256-257. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também uma homilia de São Cirilo de Alexandria para esta Solenidade clicando aqui.

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Os santos do Novo Testamento (3)

Já dedicamos duas postagens aqui em nosso blog aos santos do Novo Testamento (NT) recordados no Martirológio Romano: na primeira vimos os “elogios” dos personagens mencionados nos Evangelhos e na segunda os personagens dos Atos dos Apóstolos.

Nesta terceira e última parte do nosso estudo veremos os santos mencionados nas Cartas Paulinas e no Apocalipse de João. São muitas as pessoas mencionadas por Paulo em suas Cartas, algumas das quais já apareceram na postagem anterior, uma vez que foram mencionadas pela primeira vez nos Atos.

Antes, porém, é preciso falar sobre a celebração dos 70 Apóstolos no Rito Bizantino:

Sinaxe dos 70 apóstolos: 04 de janeiro

No Evangelho de Lucas, temos o relato do envio de 70 (ou 72) discípulos em missão (Lc 10,1). O próprio Jesus atesta sua santidade ao afirmar que “seus nomes estão escritos no céu” (Lc 10,20). O Bispo Doroteu de Tiro (século III) teria sido o primeiro a elaborar uma lista com os nomes destes 70 discípulos, recolhendo alguns personagens do Novo Testamento e outros da tradição. A lista original se perdeu, tendo sido conservadas apenas cópias mais tardias.

O Rito Bizantino acolheu esta tradição e celebra os “70 Apóstolos” no dia 04 de janeiro, embora cada um possua também uma data própria no calendário. Muitos nomes são de personagens célebres no relato bíblico: Tiago, o irmão do Senhor, Matias, Barnabé, Marcos, Lucas, entre outros.

Ícone dos 70 Apóstolos

Alguns nomes são anacrônicos, como, por exemplo, Apolo, que é instruído na fé por Áquila e Priscila em Éfeso (At 18,24-26), sendo impossível, portanto, ser um dos discípulos enviados por Jesus em missão em Lc 10. Outros nomes são tomados de antigas listas de Bispos. Mas a grande maioria é de personagens mencionados no Novo Testamento.

3. Cartas Paulinas:

Febe: 03 de setembro
Comemoração de Santa Febe, serva do Senhor entre os fiéis de Cêncreas, na atual Grécia, que auxiliou muito São Paulo, como ele confirma na Epístola aos Romanos.

O capítulo 16 da Carta aos Romanos é particularmente cheio de saudações. Este começa com a menção de Febe, serva ou “diaconisa” (diákonon) da igreja de Cêncreas, próxima a Corinto (Rm 16,1-2). Ela poderia ter sido a portadora da Carta à comunidade de Roma.

Como vimos na postagem anterior, Febe é celebrada pela Igreja Luterana junto com Tabita e Lídia, invocadas como “mulheres fiéis”, no dia 25 de outubro.

Santa Febe, "diaconisa"