sexta-feira, 14 de setembro de 2012

História da Festa da Exaltação da Santa Cruz

“Nós vos adoramos, Senhor Jesus Cristo, e vos bendizemos, porque pela vossa Santa Cruz remistes o mundo”.

Com este versículo, recitado tantas vezes nos ofícios em honra da Paixão do Senhor, damos início a um breve percurso pela história da Festa da Exaltação da Santa Cruz, celebrada pelas Igrejas do Oriente e do Ocidente no dia 14 de setembro.

A Cruz, “árvore da vida”
(Mosaico da Basílica de São Clemente, Roma)

1. As origens da Festa em Jerusalém

A Exaltação da Santa Cruz é uma festa sui generis dentro do Ano Litúrgico, uma vez que não é a celebração de um evento ocorrido durante a vida terrena de Jesus, mas sim um acontecimento que teve lugar no século IV da Era Cristã: a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém.

Embora a obra da nossa redenção, “chegada a plenitude dos tempos” (Gl 4,4), tenha sido realizada “principalmente” (praecipue) pelo Mistério Pascal da Morte-Ressurreição de Cristo (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 05), a história da salvação continua até a sua última vinda (ibid., n. 102). Portanto, a dedicação da Basílica do Santo Sepulcro está perfeitamente integrada na história da salvação.

Vale lembrar que já no Antigo Testamento se celebrava o aniversário da dedicação do Templo na Festa de Hanukkah (“dedicação” em hebraico; cf. 1Mc 4,52-59; Jo 10,22). No Rito Romano celebramos o aniversário da dedicação das quatro Basílicas Maiores e da Catedral da diocese [1]. Não se trata, porém, de uma mera recordação da construção de um edifício, mas sim da atualização da aliança nupcial entre Deus e o seu povo, templo edificado com pedras vivas (cf. Ef 2,19-22; 1Cor 3,16-17; 1Pd 2,5).

Para saber mais, confira nossa postagem sobre “Por que celebramos a Dedicação da Basílica do Latrão?”.

Com a publicação do Edito de Milão pelo Imperador Constantino (†337) no ano de 313, proibindo as perseguições aos cristãos, começam a ser construídas as primeiras basílicas na Terra Santa, sob o patrocínio da sua mãe, Santa Helena (†330), que visitou a Cidade Santa entre os anos de 326 e 328.

A dedicação da Basílica do Santo Sepulcro teve lugar no dia 13 de setembro de 335. A peregrina Etéria (ou Egéria), que visitou Jerusalém em meados do século IV, testemunha a celebração do aniversário da dedicação, a “Festa das Encênias” (termo grego para “dedicação”, τὰ ἐγκαίνια):

“Os dias chamados da dedicação (Encênias) são aqueles em que a santa igreja que está no Gólgota, à que chamam Martyrium, foi consagrada a Deus; e também a santa igreja situada na Anástasis, isto é, naquele lugar onde o Senhor ressuscitou após a Paixão, e que foi consagrada a Deus nesse mesmo dia. As Encênias destas santas igrejas celebram-se, pois, com uma grande solenidade (...). Nestes dias das Encênias, a decoração de todas as igrejas é idêntica à da Páscoa e da Epifania” [2].

Com efeito, a primitiva Basílica era formada por duas igrejas: a igreja maior, em honra da Paixão do Senhor (Martyrium), e a igreja menor, de forma redonda, em honra da Ressurreição (Anástasis). Ambas eram separadas por um pequeno pátio (ante Crucem), no qual se encontrava parte da rocha do Calvário.

A Basílica do Santo Sepulcro no século IV:
À direita o Martyrium, no centro o pátio e à esquerda a Anástasis

A Basílica sofreria com sucessivos ataques e desastres naturais nos séculos seguintes, até ser restaurada na época das Cruzadas, unificando o “Calvário” e o “Sepulcro” no mesmo templo, dedicado em 15 de julho de 1149. Para saber mais sobre a Basílica do Santo Sepulcro, clique aqui.

Não obstante, conserva-se no Rito Romano a memória da dedicação no dia 13 de setembro entre as “comemorações” do Martirológio Romano para esse dia: “Em Jerusalém, a dedicação das Basílicas que o imperador Constantino quis piedosamente edificar sobre o monte Calvário e sobre o sepulcro do Senhor” [3].

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Calendário do Ano da Fé

No próximo dia 11 de Outubro terá início o Ano da Fé, convocado pelo Santo Padre, o Papa Bento XVI na comemoração dos 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II e dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica:

"Decidi proclamar um Ano da Fé. Este terá início a 11 de Outubro de 2012, no cinquentenário da abertura do Concílio Vaticano II, e terminará na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, a 24 de Novembro de 2013. Na referida data de 11 de Outubro de 2012, completar-se-ão também vinte anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, texto promulgado pelo meu Predecessor, o Beato Papa João Paulo II, com o objectivo de ilustrar a todos os fiéis a força e a beleza da fé" 
(Carta Apostólica Porta Fidei, n. 4)

Faltando um mês para a abertura do Ano da Fé, publicamos o calendário de suas principais atividades (Fonte: Rádio Vaticana):

A primeira atividade associada ao Ano da Fé será uma edição da iniciativa “Pátio dos Gentios” em Assis, Itália, no dia 6 de outubro. Com tema “Deus, esse desconhecido”, o encontro entre crentes e não crentes antecipará a abertura oficial do Ano.

Na sequência, de 7 a 28 de outubro, haverá a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos sobre “Nova evangelização para a transmissão da fé cristã”. No dia 11, Bento XVI presidirá a solene abertura do Ano da Fé na Praça São Pedro, ao lado dos participantes do Sínodo e dos presidentes das Conferências Episcopais de todo o mundo.

Quinta, dia 12 de outubro, a Igreja de Jesus, no centro de Roma, vai hospedar uma sessão cultural e artística sobre “A fé de Dante”. Será apresentado o canto XXIV do Paraíso da Divina Comédia, que descreve a profissão de fé do poeta italiano.

Domingo 21 de outubro, Bento XVI canonizará seis mártires e testemunhas da fé: um missionário jesuíta mártir em Madagascar; um catequista leigo, martirizado nas Filipinas; um padre testemunha da fé na educação dos jovens; uma religiosa que testemunhou a fé no leprosário da ilha de Molokai; uma outra religiosa, espanhola; uma leiga indiana convertida à fé católica; e uma leiga da Baviera, testemunha do amor de Cristo no leito de sofrimento. 

De 20 de dezembro até maio seguinte, haverá no Castelo Santo Ângelo uma exposição sobre o Ano da Fé. Em 2013, nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Roma um congresso internacional debaterá o tema “São Cirilo e São Metódio entre os povos eslavos”.

Em 18 de maio, a vigília de Pentecostes será presidida pelo Papa com a participação dos Movimentos eclesiais. No dia 2 de junho, Corpo de Deus, o Papa presidirá a solene adoração eucarística e em todo o mundo, nesse mesmo dia, dioceses, paróquias e outras comunidades são convidadas a promover adorações. Em 22 de junho, um grande concerto na Praça de São Pedro vai celebrar o Ano da Fé. 

Logo depois, a Jornada Mundial da Juventude, de 23 a 28 de julho, no Rio de Janeiro, prevê a participação do Papa. Dia 29 de setembro, Jornada dos Catequistas, Bento XVI recordará 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica. 

Em 13 de outubro de 2013, o Papa presidirá uma celebração em honra de Nossa Senhora, com a participação das associações marianas, e no dia 24 de novembro, está marcada a celebração conclusiva do Ano da Fé.

Para conhecer melhor acerca deste tempo forte de renovação na fé, tão desejado pelo Papa, recomendamos a leitura da Carta Apostólica Porta Fidei, com a qual se proclama o Ano da Fé (Disponível no site da Santa Sé)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Solenidade de Nossa Senhora da Luz em Curitiba

No último dia 08 de Setembro celebrou-se em Curitiba a Solenidade de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais,  titular da Catedral, padroeira da cidade e da Arquidiocese. Na Catedral Basílica celebraram-se ao longo do dia 05 missas, dentre as quais publicamos aqui a das 12h, celebrada pelo Vigário da Catedral e Mestre de Cerimônias Litúrgicas da Arquidiocese, Pe. Emmanuel Portela Cardozo.

Seguem algumas fotos da Celebração, disponíveis no perfil da Catedral no Facebook:

Ritos iniciais
Coleta
Durante as leituras
Leituras
Procissão para o Santo Evangelho

Dedicação do altar da Catedral de Curitiba

No último dia 06 de setembro Dom Moacyr José Vitti, CSS, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, presidiu a Celebração Eucarística com a Dedicação do novo Altar e as Bênçãos da nova Cátedra e do novo Ambão da Catedral Basílica Menor Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. A Catedral passou por uma restauração e neste dia foi solenemente reinaugurada.

Na Celebração Eucarística, destacamos o uso da Dalmática Pontifical pelo Arcebispo, o uso de casulas por todos os concelebrantes e a cruz e sete castiçais de velas colocados sobre o altar, conforme o exemplo do Santo Padre, o Papa Bento XVI. Parabenizamos ao Mestre de Cerimônias Litúrgicas da Arquidiocese, Pe. Emmanuel Portela Cardozo.

Seguem algumas fotos da Celebração, disponíveis no perfil da Catedral no Facebook:

Catedral restaurada e com nova iluminação
Ritos iniciais
Evangelho
Concelebrantes
Homilia

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Fotos da Missa do Papa na Assunção de Maria

Procissão de entrada
Acolhida do pároco
Evangelho
Procissão das oferendas
Incensação das oblatas

Homilia do Papa na Solenidade da Assunção de Maria

Santa Missa na Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Bento XVI
Paróquia de Santo Tomás de Vilanova, Castel Gandolfo
Quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Prezados irmãos e irmãs!
No dia 1 de novembro de 1950, o Venerável Papa Pio XII proclamava como dogma que a Virgem Maria, «concluindo o curso da vida terrena, foi elevada à glória celeste em alma e corpo». Esta verdade de fé era conhecida pela Tradição, afirmada pelos Padres da Igreja, e representava sobretudo um aspecto relevante do culto prestado à Mãe de Cristo. Precisamente o elemento cultual constituiu, por assim dizer, a força motriz que determinou a formulação deste dogma: o dogma manifesta-se como um ato de louvor e de exaltação à Virgem Santa. Isto sobressai também do próprio texto da Constituição apostólica, onde se afirma que o dogma é proclamado «em honra do Filho, para a glorificação da Mãe e o júbilo de toda a Igreja». Assim, exprime-se de forma dogmática aquilo que já tinha sido celebrado no culto e na devoção do Povo de Deus, como a mais elevada e estável glorificação de Maria: o ato de proclamação da Assunção apresenta-se quase como uma liturgia da fé. E no Evangelho que há pouco ouvimos, a própria Maria pronuncia profeticamente algumas palavras que orientam nesta perspectiva. Ela diz: «Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (Lc 1,48). Trata-se de uma profecia para toda a história da Igreja. Esta expressão do Magnificat, mencionada por são Lucas, indica que o louvor à Virgem Santa, Mãe de Deus, intimamente unida a Cristo seu Filho, diz respeito à Igreja de todos os tempos e de todos os lugares. E a anotação destas palavras por parte do Evangelista pressupõe que a glorificação de Maria já estava presente no período de são Lucas e que ele a considerava um dever e um compromisso da comunidade cristã para todas as gerações. As palavras de Maria dizem que é um dever da Igreja recordar a grandeza de Nossa Senhora para a fé. Por conseguinte, esta solenidade é um convite a louvar a Deus e a contemplar a grandeza de Nossa Senhora, porque é no rosto dos seus que nós conhecemos quem é Deus.
Mas por que motivo Maria é glorificada com a Assunção ao Céu? Como ouvimos, são Lucas vê a raiz da exaltação e do louvor a Maria na expressão de Isabel: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (Lc 1,45). E o Magnificat, este cântico ao Deus vivo e em acção na história, é um hino de fé e de amor, que brota do coração da Virgem. Ela viveu com fidelidade exemplar e conservou no mais íntimo do seu coração as palavras de Deus ao seu povo, as promessas feitas a Abraão, Isaac e Jacob, fazendo delas o conteúdo da sua oração: no Magnificat a Palavra de Deus tornou-se a palavra de Maria, lâmpada do seu caminho, de maneira a torná-la disponível a acolher também no seu seio o Verbo de Deus que se fez carne. A página evangélica de hoje evoca esta presença de Deus na história e no próprio desenrolar dos acontecimentos; aqui há uma referência particular ao Segundo Livro de Samuel no capítulo 6 (1-15), onde Davi transporta a Santa Arca da Aliança. O paralelo que o Evangelista faz é claro: Maria à espera do nascimento do Filho Jesus é a Arca Santa que traz em si a presença de Deus, uma presença que é fonte de consolação, de alegria plena. Com efeito, João dança no seio de Isabel, precisamente como Davi dançava diante da Arca. Maria é a «visita» de Deus que cria júbilo. No seu cântico de louvor, Zacarias di-lo-á explicitamente: «Bendito o Senhor, Deus de Israel, que visitou e redimiu o seu povo» (Lc 1,68). A casa de Zacarias experimentou a visita de Deus com o nascimento inesperado de João Baptista, mas sobretudo com a presença de Maria, que traz no seu seio o Filho de Deus.
Mas agora interroguemo-nos: o que é que a Assunção de Maria confere ao nosso caminho, à nossa vida? A primeira resposta é: na Assunção vemos que em Deus existe espaço para o homem, o próprio Deus é a casa de muitos aposentos da qual Jesus fala (cf. Jo 14,2); Deus é a casa do homem, em Deus há espaço de Deus. Quanto a Maria, unindo-se, unida a Deus, não se afasta de nós, não vai a uma galáxia desconhecida, mas quem procura Deus aproxima-se, porque Deus está próximo de todos nós; e Maria, unida a Deus, participa da presença de Deus, encontra-se extremamente próxima de nós, de cada um de nós. Há uma bonita palavra de São Gregório Magno sobre São Bento, que podemos aplicar de novo a Maria: São Gregório Magno afirma que o coração de São Bento se tornou tão grande, que toda a criação podia entrar nesse coração. Isto é válido ainda mais para Maria: totalmente unida a Deus, Maria tem um coração tão grande que toda a criação pode entrar nele, e os ex-votos demonstram-no em todas as partes da terra. Maria está próxima, pode ouvir, pode ajudar, encontra-se próxima de todos nós. Em Deus há espaço para o homem e Deus está próximo; quanto a Maria, unida a Deus, está extremamente próxima, tem um coração tão grande quanto o coração de Deus.
Mas existe também outro aspecto: não apenas em Deus existe espaço para o homem; no homem há espaço para Deus. Também isto vemos em Maria, a Arca Santa que traz em si a presença de Deus. Em nós há espaço para Deus, e esta presença de Deus em nós, tão importante para iluminar o mundo na sua tristeza, nos seus problemas, esta presença realiza-se na fé: na fé abrimos as portas do nosso ser, de tal forma que Deus entre em nós, a fim de que Deus possa ser a força que dá vida e caminho ao nosso ser. Em nós existe espaço, abramo-nos como Maria se abriu, dizendo: «Que se cumpra em mim a tua vontade, eu sou a serva do Senhor». Abrindo-nos a Deus, nada perdemos. Pelo contrário: a nossa vida torna-se rica e grande.
E deste modo fé, esperança e amor combinam-se entre si. Hoje existem muitas palavras sobre um mundo melhor a esperar: seria a nossa esperança. Se e quando este mundo melhor virá, nós não o sabemos, eu não sei. Obviamente, um mundo que se afasta de Deus não se torna melhor, mas pior. Somente a presença de Deus pode garantir também um mundo bom. Mas deixemos isto.
Uma realidade, uma esperança é certa: Deus espera por nós, aguarda-nos, não caminhamos no vazio, somos aguardados. Deus espera-nos e, indo para o outro mundo, encontramos a bondade da Mãe, encontramos os nossos, encontramos o Amor eterno. Deus aguarda-nos: esta é a nossa grande alegria e a grandiosa esperança que nasce precisamente desta festa. Maria visita-nos, é a alegria da nossa vida, e a alegria é esperança.
Portanto, o que podemos dizer? Coração grande, presença de Deus no mundo, espaço de Deus em nós e espaço de Deus para nós, esperança, ser esperado: tal é a sinfonia desta festa, a indicação que a meditação desta Solenidade nos concede. Maria é aurora e esplendor da Igreja triunfante; ela constitui a consolação e a esperança para o povo ainda a caminho, comenta o Prefácio hodierno. Confiemo-nos à sua intercessão materna para que, através do Senhor, fortaleçamos a nossa fé na vida eterna; ajude-nos a viver bem o tempo que Deus nos oferece com esperança. Uma esperança cristã, que não é apenas saudade do Céu, mas desejo vivo e concreto de Deus aqui no mundo, desejo de Deus que nos torna peregrinos incansáveis, alimentando em nós a coragem e a força da fé, que é ao mesmo tempo coragem e fortaleza do amor. Amém!


Fonte: Santa Sé

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Festa de Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos em Curitiba

No último dia 22 de agosto Dom Moacyr José Vitti, CSS, Arcebispo Metropolitano de Curitiba, presidiu a Celebração Eucarística na memória de Nossa Senhora Rainha, no Seminário Maior Teológico Rainha dos Apóstolos. Participaram da solenidade todos os seminaristas e padres formadores da Arquidiocese.

Seguem algumas fotos, cedidas pelo Sem. Antônio Almeida:

Acolhida do Côn. André Biernaski
Coleta
Evangelho
Homilia
Introdução à Oração dos fieis