quarta-feira, 23 de maio de 2018

Regina Coeli: Ascensão do Senhor - Ano B

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 13 de maio de 2018

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, na Itália e em muitos outros países, celebra-se a Solenidade da Ascensão do Senhor. Esta festa inclui dois elementos. Por um lado, orienta o nosso olhar para o céu, onde Jesus glorificado está sentado à direita de Deus (cf. Mc 16,19). Por outro, recorda-nos o início da missão da Igreja: por quê? Porque Jesus ressuscitado e elevado ao céu envia os seus discípulos a difundir o Evangelho por todo o mundo. Portanto, a Ascensão exorta-nos a elevar o olhar para o céu, para o dirigir logo a seguir para a terra, cumprindo as tarefas que o Senhor ressuscitado nos confia.

Eis quanto nos convida a fazer a página evangélica hodierna, na qual o evento da Ascensão vem imediatamente depois da missão que Jesus confia aos discípulos. Trata-se de uma missão incomensurável - ou seja, literalmente sem confins - que supera as forças humanas. Com efeito, Jesus diz: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura» (Mc 16,15). Parece deveras demasiado audaz a missão que Jesus confia a um pequeno grupo de homens simples e sem grandes capacidades intelectuais! Contudo, esta restrita companhia, irrelevante diante das grandes potências do mundo, é enviada para levar a mensagem de amor e de misericórdia de Jesus a todos os recantos da terra.

Mas este projeto de Deus só pode ser realizado com a força que o próprio Deus concede aos Apóstolo. Neste sentido, Jesus garante-lhes que a sua missão será apoiada pelo Espírito Santo. Diz: «descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força; e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até aos confins do mundo» (At 1,8). Por conseguinte, foi possível realizar esta missão, e os Apóstolos deram início a esta obra, que depois foi continuada pelos seus sucessores. A missão confiada por Jesus aos Apóstolos prosseguiu através dos séculos, e prossegue ainda hoje: ela exige a colaboração de todos nós. Com efeito, cada um de nós, em virtude do Batismo que recebeu, está habilitado por sua vez a anunciar o Evangelho. É precisamente o batismo que habilita e também nos impele a ser missionários, que anuncia o Evangelho.

A Ascensão do Senhor ao céu, enquanto inaugura uma nova forma de presença de Jesus no meio de nós, pede-nos para ter olhos e coração para o encontrar, para o servir e para o testemunhar aos outros. Trata-se de ser homens e mulheres da Ascensão, ou seja, buscadores de Cristo pelas sendas do nosso tempo, levando a sua palavra de salvação até aos confins da terra. Neste itinerário, encontramos o próprio Jesus nos irmãos, sobretudo nos mais pobres, em quantos sofrem na própria carne a dura e mortificadora experiência de antigas e novas pobrezas. Assim como inicialmente Cristo Ressuscitado enviou os seus apóstolos com a força do Espírito Santo, também hoje Ele nos envia, com a mesma força para dar sinais concretos e visíveis de esperança. Porque Jesus que nos dá a esperança, foi elevado ao céu, abriu as portas do céu e a esperança que nós para lá iremos.

A Virgem Maria que, como Mãe do Senhor morto e ressuscitado, animou a fé da primeira comunidade dos discípulos, nos ajude também a manter «elevados os nossos corações», como a Liturgia nos exorta a fazer. E, ao mesmo tempo, nos ajude a ter “os pés no chão”, e a semear com coragem o Evangelho nas situações concretas da vida e da história.


Fonte: Santa Sé.

Solenidade da Ascensão do Senhor em Jerusalém

No último dia 10 de maio, 40 dias após a Páscoa, a igreja de Jerusalém celebrou a Solenidade da Ascensão do Senhor (no Brasil, esta Solenidade é transferida para o domingo).

As celebrações, na pequena capela da Ascensão no Monte das Oliveiras, foram presididas pelo Vigário da Custódia da Terra Santa, Padre Dobromir Jasztal.

Dia 09 de maio: I Vésperas

Procissão de entrada 


 
Incensação durante o Magnificat

terça-feira, 22 de maio de 2018

Mudanças no Colégio Cardinalício: Optatio 2018


Antes ainda do anúncio da criação de 14 novos Cardeais feito no último domingo, no sábado, dia 19 de maio, foram feitas mudanças no Colégio Cardinalício:

Durante o Consistório Ordinário Público para voto de algumas Causas de Canonização, o Papa Francisco concedeu a seis Cardeais da Ordem dos Diáconos ingressar na Ordem dos Presbíteros. É o que se denomina “optatio” (opção), como prescreve o Direito Canônico (cân. 350, § 5-6):

Mediante opção manifestada em Consistório e aprovada pelo Romano Pontífice, os Cardeais da ordem diaconal, se tiverem permanecido por um decênio completo nesta ordem, podem passar à ordem presbiteral. Neste caso, obtêm a precedência sobre todos os Cardeais Presbíteros criados depois deles.

Os novos Cardeais Presbíteros mantêm suas igrejas titulares, que são elevadas temporariamente de diaconias a títulos presbiterais. São denominados título pro hac vice (por enquanto).

Dentre os novos Cardeais Presbíteros há três eleitores (Sandri e Comastri até 2023 e Ryłko até 2025).

Cardeal Leonardo Sandri
Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais
Nascimento: 18/11/1943 - Argentina
Cardeal Presbítero do Título de São Brás e São Carlos “ai Catinari” pro hac vice 

Cardeal Giovanni Lajolo
Presidente Emérito do Governatorato da Cidade do Vaticano
Nascimento: 03/01/1935 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de Santa Maria Libertadora "a Monte Testaccio" pro hac vice

Cardeal Paul Josef Cordes
Presidente Emérito do Pontifício Conselho “Cor Unum”
Nascimento: 05/09/1934 - Alemanha
Cardeal Presbítero do Título de São Lourenço "in Piscibus" pro hac vice

Cardeal Angelo Comastri
Arcipreste da Basílica de São Pedro e Vigário Geral do Vaticano
Nascimento: 17/09/1943 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São Salvador “in Lauro” pro hac vice 

Cardeal Stanisław Ryłko
Arcipreste da Basílica de Santa Maria Maior
Nascimento: 04/07/1945 - Polônia
Cardeal Presbítero do Título do Sagrado Coração de Cristo Rei pro hac vice

Cardeal Raffaele Farina
Bibliotecário e Arquivista Emérito do Vaticano
Nascimento: 24/09/1933 - Itália
Cardeal Presbítero do Título de São João "della Pigna" pro hac vice

Com a optatio do último sábado, o encargo de primeiro Cardeal Diácono eleitor passa ao Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Como ele completará 80 anos no próximo dia 08 de junho, deixando de ser eleitor, o encargo passará ao Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino.

O Protodiácono continua sendo o Cardeal Renato Raffaele Martino. Porém, como ele não é mais eleitor, as funções que competem ao Protodiácono dentro do conclave serão exercidas pelo primeiro dos Cardeais Diáconos eleitores.

Papa Paulo VI será canonizado em outubro

No último sábado, dia 19 de maio, o Papa Francisco presidiu um Consistório Ordinário Público para causas de Canonização, quando definiu que o Papa Paulo VI será canonizado no próximo dia 14 de outubro, no contexto do Sínodo dos Jovens.


Giovanni Battista Montini nasceu em 26 de setembro de 1897 em Concesio (Itália). Foi ordenado sacerdote em 29 de maio de 1920, incardinado na diocese de Bréscia.

De 1922 a 1954 trabalhou na Cúria Romana, exercendo diversos cargos na Secretaria de Estado, em estreita colaboração com o Papa Pio XII. Em 12 de dezembro de 1954, recebeu a ordenação episcopal como Arcebispo de Milão.

No Consistório de 15 de dezembro de 1958, o Papa São João XXIII o criou Cardeal, com o Título Presbiteral dos Santos Silvestre e Martinho ai Monti.

Em 21 de junho de 1963, após a morte de João XXIII, foi eleito o 262º Papa da Igreja Católica, assumindo o nome de Paulo VI.


Seu pontificado foi marcado pela conclusão e aplicação do Concílio Ecumênico Vaticano II, pelo progresso no diálogo ecumênico e pela defesa da vida e da família. Foi o primeiro Papa da Era Moderna a viajar fora da Itália.

Paulo VI morreu em 06 de agosto de 1978, Festa da Transfiguração do Senhor, na residência papal de Castelgandolfo.

Foi beatificado pelo Papa Francisco no dia 19 de outubro de 2015, no contexto do Sínodo da Família.


Juntamente com o Papa Paulo VI serão canonizados ainda outros cinco Beatos: Oscar Arnulfo Romero Galdámez (Bispo e Mártir), Francesco Spinelli (Sacerdote), Vincenzo Romano (Sacerdote), Maria Katharina Kasper (Virgem) e Nazaria Ignazia de Santa Teresa de Jesus (Virgem).

Informações: Santa Sé.

domingo, 20 de maio de 2018

Papa Francisco criará 14 novos Cardeais


Durante a oração do Regina Coeli deste Domingo de Pentecostes, 20 de maio, o Papa Francisco anunciou que no próximo dia 29 de junho celebrará um Consistório para a criação de 14 novos Cardeais, sendo 11 eleitores em um eventual conclave.

Cardeais eleitores:

1. Sua Beatitude Louis Raphael I Sako
Patriarca de Babilônia dos Caldeus
Nascimento: 04/07/1948 (69 anos) - Iraque
 

2. Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, S.I.
Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé
Nascimento: 19/04/1944 (74 anos) - Espanha

3. Dom Angelo De Donatis
Vigário Geral da Diocese de Roma
Nascimento: 04/01/1954 (64 anos) - Itália

4. Dom Giovanni Angelo Becciu
Substituto para Assuntos Gerais da Secretaria de Estado
Nascimento: 02/05/1948 (70 anos) - Itália
(Atualização: no dia 26 de maio foi nomeado Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Tomará posse do cargo em agosto).

5. Dom Konrad Krajewski
Elemosinário Apostólico
Nascimento: 25/11/1963 (54 anos) - Polônia

sábado, 19 de maio de 2018

Homilia: Solenidade de Pentecostes

Orígenes
Comentário sobre a Carta aos Romanos
Pode-se possuir ao Espírito de diversas maneiras

Eu gostaria de investigar o que quer dizer quando se afirma que o Espírito de Cristo, ou o Espírito de Deus, o próprio Cristo habita em nós: se desde o princípio se concede este Espírito a todos, e após algum tempo este o abandona devido aos atos pecaminosos e alheios a Deus, segundo o que está escrito: Meu espírito não permanecerá nestes homens, porque são carne; se acaso se concede o Espírito em virtude da vida, ou pela graça da fé, conforme o que ensina os Atos dos Apóstolos, que o Espírito veio sobre cada um deles em forma de línguas de fogo; ou, como o Evangelho nos ensina, quando o Salvador disse aos seus discípulos, após ressuscitar dentre os mortos: soprou sobre cada um deles e disse: Recebei o Espírito Santo.

Por isso me parece que este dom se conquista com méritos, se conserva com a inocência da vida, aumenta em cada um conforme o progresso da fé e da graça, e quanto mais pura se faz a alma, tanto mais se infunde o Espírito nela. Enquanto que as palavras: Meu Espírito não permanecerá nestes homens, porque são carne, referem-se à alma que, rejeitando o serviço do Espírito, voltou-se inteiramente ao serviço da carne; por isso é chamada carne, porque tendo-se unido à carne, fez-se uma só coisa com ela.

Disto se conclui que se pode possuir ao Espírito de diversas maneiras. Tem-se o Espírito de Cristo por inspiração divina, segundo o que acima acabamos de citar: Soprou sobre eles dizendo: Recebei o Espírito Santo. E também como foi dito que aconteceu nos Atos dos Apóstolos, que aqueles falavam em diversas línguas. Existem outras maneiras: como a que nos refere o Livro dos Reis, quando a Escritura afirma: O Espírito se apoderou de Saul, e começou a profetizar. Há ainda outro modo, quando o Salvador, já ressuscitado, caminhou junto com Cléofas e o outro discípulo e, explicando-lhes a Escritura, os abrasou com o Espírito de sua boca, ao ponto que eles se diziam: Acaso não ardia nosso coração quando nos explicava as Escrituras?

Porém, queres ver que não somente ao falar Jesus entregou seu Espírito aos ouvintes, mas que também aquele que anuncia a Palavra de Deus entrega aos ouvintes o Espírito de Deus? Veja como nos Atos dos Apóstolos, falando Pedro a Cornélio, ele ficou cheio do Espírito Santo e todos que com ele estavam. Portanto, se tu anuncias a Palavra de Deus e falas fielmente com consciência pura, e se não podes ser acusado de dizer uma coisa e fazer outra, pode acontecer que o fogo do Espírito Santo inflame os corações de teus ouvintes, e que de modo permanente estes se ascendam e ardam para cumprir tudo aquilo que ensinas, de maneira que observem o que aprenderam por teu ensinamento, e busquem “aquele que é do alto”, e valorizem “não o que está sobre a terra”.

Da seguinte maneira se prova se cada um tem em si o Espírito de Cristo: Cristo é a sabedoria, se alguém é sábio conforme a Cristo e julga segundo Cristo, tem em si o Espírito de Cristo mediante a sabedoria. Cristo é a justiça: se alguém tem em si a justiça de Cristo, pela justiça tem em si o Espírito de Cristo. Cristo é a paz: se alguém tem em si a paz de Cristo, mediante o Espírito da paz tem em si o Espírito de Cristo. O mesmo se diga da caridade, e da santificação, e de cada um dos atributos que se pregam de Cristo: se há de crer que tem em si o Espírito de Cristo e pode esperar que esse Espírito que habita nele dará vida ao seu corpo mortal.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 364-366. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de São Leão Magno para esta Solenidade, clique aqui.

quinta-feira, 17 de maio de 2018

V Catequese do Papa sobre o Batismo: A regeneração

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 9 de maio de 2018
Batismo (5): A regeneração

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
A catequese sobre o sacramento do Batismo leva-nos a falar hoje sobre o santo lavacro, acompanhado pela invocação à Santíssima Trindade, ou seja, o rito central que propriamente “batiza” - isto é, imerge - no Mistério pascal de Cristo (cf. Catecismo da Igreja Católica, 1239). O sentido deste gesto é evocado por São Paulo aos cristãos de Roma, primeiro perguntando: «Ignorais que todos os que fomos batizados em Jesus Cristo, fomos batizados na sua morte?», e depois respondendo: «Fomos, pois, sepultados com Ele na sua morte pelo Batismo para que, como Cristo ressurgiu dos mortos pela glória do Pai, assim nós também vivamos uma vida nova» (Rm 6,3-4). O Batismo abre-nos a porta para uma vida de ressurreição, não para uma vida mundana. Uma vida segundo Jesus.
A pia batismal é o lugar em que se faz a Páscoa com Cristo! O homem velho é sepultado com as suas paixões enganadoras (cf. Ef 4,22), para que renasça uma nova criatura; verdadeiramente, passou o que era velho; eis que tudo se fez novo (cf. 2Cor 5,17). Nas “Catequeses” atribuídas a São Cirilo de Jerusalém é explicado assim aos neófitos quanto lhes aconteceu na água do Batismo. É bonita esta explicação de São Cirilo: «No mesmo instante morreis e nasceis, e a mesma onda salutar torna-se para vós sepulcro e mãe» (n. 20, Mistagógica 2, 4-6: PG 33, 1079-1082). O renascimento do novo homem exige que seja reduzido a pó o homem corrompido pelo pecado. Com efeito, as imagens do túmulo e do ventre materno, referidas à fonte, são muito incisivas para expressar o que acontece de grandioso através dos simples gestos do Batismo. Apraz-me citar a inscrição que se encontra no antigo Batistério romano do Latrão onde se lê, em latim, esta expressão atribuída ao Papa Sisto III: «A Mãe Igreja dá à luz virginalmente mediante a água os filhos que concebe pelo sopro de Deus. Quantos de vós renascentes desta fonte, esperai o reino dos céus» («Virgineo fetu genitrix Ecclesia natos / quos spirante Deo concipit amne parit. / Caelorum regnum sperate hoc fonte renati»). É bonito: a Igreja que nos faz nascer, a Igreja que é um ventre, é a nossa Mãe através do Batismo.
Se os nossos pais nos geraram para a vida terrena, a Igreja regenerou-nos para a vida eterna no Batismo. Tornamo-nos filhos no seu Filho Jesus (cf. Rm 8,15; Gl 4,5-7). Também sobre cada um de nós, renascidos da água e do Espírito Santo, o Pai celestial faz ressoar com amor infinito a sua voz que diz: «Tu és o meu filho amado» (cf. Mt 3,17). Esta voz paternal, imperceptível ao ouvido mas bem audível pelo coração de quem crê, acompanha-nos durante a vida inteira, sem nunca nos abandonar. Durante toda a vida, o Pai diz-nos: “Tu és o meu filho amado, tu és a minha filha amada”. Deus ama-nos muito, como um Pai, e não nos deixa sozinhos. E isto, desde o momento do Batismo. Somos filhos de Deus renascidos para sempre! Com efeito, o Batismo não se repete, porque imprime um selo espiritual indelével: «Este selo não é apagado por pecado algum, embora o pecado impeça o Batismo de produzir frutos de salvação» (CIC, n. 1272). O selo do Batismo nunca se perde! “Padre, mas se alguém se torna um bandido, dos mais terríveis, que mata as pessoas, que comete injustiças, o selo desaparece?”. Não! Aquele filho de Deus, é o homem que faz estas coisas para a própria vergonha, mas o selo não se apaga. E ele continua a ser filho de Deus, que vai contra Deus, mas Deus nunca renega os seus filhos. Compreendestes? Deus nunca renega os seus filhos. Repitamo-lo todos juntos? “Deus nunca renega os seus filhos”. Um pouco mais alto, pois eu, ou sou surdo, ou não entendi: [Repetem mais alto] “Deus nunca renega os seus filhos”. Então, assim está bem!
Por conseguinte, incorporados a Cristo por meio do Batismo, os batizados são conformados com Ele, «o primogénito entre uma multidão de irmãos» (Rm 8,29). Mediante a ação do Espírito Santo, o Batismo purifica, santifica, justifica, para formar em Cristo, de muitos, um só corpo (cf. 1Cor 6,11; 12,13). Exprime-o a unção crismal, «que é sinal do sacerdócio real do batizado e da sua agregação à comunidade do povo de Deus» (Rito do Batismo das Crianças, Introdução, n. 18, 3). Portanto, o sacerdote unge com o sagrado crisma a cabeça de cada batizado, depois de ter pronunciado estas palavras que explicam o seu significado: «É o próprio Deus quem vos consagra com o crisma de salvação para que, inseridos em Cristo, sacerdote, rei e profeta, sejais sempre membros do seu corpo para a vida eterna» (ibid., n. 71).
Irmãos e irmãs, a vocação cristã consiste totalmente nisto: viver unidos a Cristo na santa Igreja, partícipes da mesma consagração para desempenhar a mesma missão neste mundo, dando frutos que perduram para sempre. Com efeito, animado pelo único Espírito, todo o Povo de Deus participa das funções de Jesus Cristo, “Sacerdote, Rei e Profeta”, e assume as responsabilidades de missão e serviço que disto derivam (cf. CIC, 783-786). O que significa participar do sacerdócio real e profético de Cristo? Significa fazer de si uma oferta agradável a Deus (cf. Rm 12,1), dando-lhe testemunho através de uma vida de fé e de caridade (cf. Lumen gentium, 12), colocando-a ao serviço dos outros, a exemplo do Senhor Jesus (cf. Mt 20,25-28; Jo 13,13-17). Obrigado!



Fonte: Santa Sé