sábado, 27 de março de 2021

Homilia: Domingo de Ramos - Ano B

São Cirilo de Alexandria
Comentário sobre Isaías 4,2
Eis aqui o Rei justo

Eis que um rei reinará com justiça e seus chefes governarão conforme o direito. O Verbo, Unigênito de Deus, era o rei universal juntamente com Deus Pai e, ao vir a nós, toda criatura visível e invisível submeteu-se a Ele. E embora o homem terreno, apartando-se e desvinculando-se de seu reino, fez pouco caso de seus mandamentos até o ponto de deixar-se enredar pela tirânica mão do diabo com os laços do pecado, Ele, administrador e dispensador de toda justiça, novamente voltou a submeter-lhe ao seu jugo. São verdadeiramente retos os caminhos do Senhor.

Chamamos caminhos de Cristo aos oráculos evangélicos, por meio dos quais, atentos a todo tipo de virtude e ornando nossas cabeças com as insígnias da piedade, alcançamos o prêmio de nossa vocação celestial. Estes caminhos são realmente retos, sem curva ou perversidade alguma. Os chamaríamos retos e transitáveis. De fato, está escrito: Os caminhos do justo são retos, aplainas as sendas do justo. Pois a senda da Lei é áspera, arrasta-se entre símbolos e figuras, e é de uma intolerável dificuldade. Por outro lado, o caminho dos oráculos evangélicos é plano, em nada áspero ou pedregoso.

Assim, os caminhos de Cristo são retos. Ele edificou a cidade santa, isto é, a Igreja, na qual Ele mesmo estabeleceu sua morada. Ele realmente habita nos santos e nós nos convertemos em templo do Deus vivo, pois, pela participação do Espírito Santo, temos Cristo em nosso interior. Fundou, pois, a Igreja, e Ele é o fundamento sobre o qual também nós, como pedras esplêndidas e preciosas, nos vamos integrando na construção do templo santo, para ser morada de Deus, pelo Espírito.

Absolutamente inalterável é a Igreja, que tem a Cristo por fundamento e base inabalável. Vede, diz, eu coloco em Sião uma pedra provada, angular, preciosa, de fundamento: quem se apoia nela não vacila. Portanto, uma vez fundada a Igreja, Ele mesmo alterou a sorte de seu povo. E a nós, derrubado por terra o tirano, nos salvou e libertou do pecado, e nos submeteu ao seu jugo, não porque lhe fosse pago um preço ou à base de regalias. Um de seus discípulos o diz claramente: Resgataram-nos deste proceder inútil recebido de nossos pais não com bens efêmeros, com ouro e prata, mas ao preço do sangue de Cristo, o cordeiro sem defeito e sem mancha. Ele deu por nós o seu próprio sangue: portanto, não nos pertencemos, mas somos d’Aquele que nos comprou e nos salvou.

Com razão, pois, todos aqueles que desprezam a reta norma da verdadeira fé se veem acusados pela boca dos santos como negadores do Deus que os redimiu.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 325-326. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Santo Ambrósio para este domingo, clique aqui.

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