sábado, 24 de junho de 2017

Homilia: XII Domingo do Tempo Comum - Ano A

Santo Ambrósio
Comentário sobre o Salmo 118
Observas quão duro é o combate que há no interior do homem

Todos os que querem viver piedosamente em Cristo, sofrerão perseguição. O Apóstolo escreveu “todos”, não excluiu nenhum. Pois quem pode ser excluído quando o próprio Senhor tolerou as tentativas de perseguição? A avareza persegue, a ambição persegue, a luxúria persegue, a soberba persegue e os prazeres da carne perseguem. Não esqueças que o Apóstolo disse: fugi da fornicação. E do que tu foges, senão daquilo que te persegue? O mau espírito da luxúria, o mau espírito da avareza, o mau espírito da soberba.
Os temíveis perseguidores são aqueles que, sem o terror da espada, constantemente destroem o espírito do homem; aqueles que, mais com afagos do que com pavor, submetem as almas dos fiéis. Estes são os inimigos dos quais deves te guardar; estes são os tiranos mais perigosos, pelos quais Adão foi vencido. Muitos, coroados em públicas perseguições, caíram nestas perseguições ocultas. Por fora, diz o Apóstolo, lutas; por dentro, temores.
Observas quão duro é o combate que há no interior do homem, para que se debata consigo mesmo e lute contra as suas paixões. O próprio Apóstolo vacila, duvida, é atormentado e manifesta que está sujeito à lei do pecado e reduzido por seu corpo à morte, e não poderia escapar se não fosse libertado pela graça de Cristo Jesus.
E assim como há muitas perseguições, assim também há muitos martírios. Todos os dias és testemunha de Cristo. És mártir de Cristo se sofreste a tentação do espírito de luxúria, porém, temeroso do futuro juízo, não pensaste em profanar a pureza da alma e do corpo. És mártir de Cristo se foste tentado pelo espírito de avareza para apossar-te dos bens dos mais fracos ou não respeitar o direito das viúvas indefesas, porém, julgaste que era melhor alcançar a riqueza pela contemplação dos preceitos divinos, que cometer a injustiça. Cristo quer estar próximo de tais testemunhas, conforme está escrito: aprendei a realizar o bem, buscai o justo, respeitai ao oprimido, fazei a justiça ao órfão, e amparai a viúva: vinde e entendamo-nos. És mártir de Cristo se foste tentado pelo espírito da soberba, mas vendo ao fraco e desvalido, te compadeceste com espírito piedoso, e amaste a humildade mais que a arrogância. E ainda mais se deste testemunho não somente de palavra, mas também com obras.
Pois quem é testemunha mais fiel do que aquele que confessa que o Senhor Jesus se encarnou, ao mesmo tempo em que guarda os preceitos do Evangelho? Porque quem escuta e não coloca em prática, nega a Cristo. Ainda que o confesse por palavra, o nega por obras. Porque existem muitos que dizem: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Não expulsamos demônios em teu nome? E não fizemos o bem em teu nome? E Ele lhes dirá naquele dia: Apartai-vos de mim todos vós que realizais a iniquidade. Porque é testemunha aquele que, tornando-se fiador com suas obras, confessa a Cristo Jesus.
Quantos, todos os dias, são mártires de Cristo em segredo, que confessam ao Senhor Jesus com suas obras! O Apóstolo conhecia este martírio e testemunho fiel de Cristo, quando afirmava: Esta é a nossa glória: o testemunho de nossa consciência.



Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 163-164.

Eleito novo Patriarca Greco-Melquita

No último dia 21 de junho o Sínodo da Igreja Greco-Melquita elegeu seu novo Patriarca: Dom Joseph Absi, doravante Patriarca Youssef Absi.


Joseph Absi nasceu no dia 20 de junho de 1946 em Damasco (Síria). Foi ordenado sacerdote em 06 de maio de 1973, na Sociedade dos Missionários de São Paulo.

Doutor em Ciências Musicais e Hinografia Bizantina pela Universidade “St. Esprit” de Kaslik (Líbano), foi professor na mesma instituição. Em 1999, foi eleito Superior Geral da Sociedade dos Missionários de São Paulo.

Em 22 de junho de 2001 foi eleito Arcebispo titular de Tarso dos Greco-Melquitas e Auxiliar na Cúria Patriarcal em Damasco, recebendo a ordenação episcopal em 02 de setembro do mesmo ano. O ordenante principal foi o então Patriarca Gregorios Laham, que renunciou ao ofício no último mês de maio.

Desde 2007 era o Vigário Patriarcal para a Arquidiocese de Damasco, dependente diretamente do Patriarcado.

O Papa Francisco aceitou sua eleição no dia seguinte, concedendo-lhe a Ecclesiastica Communio (Comunhão Eclesiástica).



Informações: Boletim da Santa Sé.

Corpus Christi em Milão

Na Arquidiocese de Milão, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) foi celebrada no último dia 15 de junho. O Arcebispo, Cardeal Angelo Scola, celebrou a Santa Missa na igreja de São Lourenço, seguida de Procissão Eucarística até o Duomo.

Note-se que no Rito Ambrosiano, diferentemente do Rito Romano, se usa a cor vermelha nas festas ligadas à Eucaristia. Da mesma forma, na procissão o Bispo vai com mitra, mesmo com o Santíssimo exposto (sendo que no Rito Romano deve-se ir com a cabeça descoberta).

Procissão de entrada

Exposição do Santíssimo Sacramento
Procissão Eucarística

Corpus Christi em Jerusalém

Na Basílica do Santo Sepulcro em Jerusalém foi celebrada, no último dia 15 de junho, a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi), presidida pelo Administrador Apostólico de Jerusalém, Dom Pierbatista Pizzaballa.

A celebração iniciou-se com a oração das Laudes, seguida da Santa Missa e Procissão Eucarística.

Procissão de entrada
Oração das Laudes
Incensação durante o Benedictus
Santa Missa 
Evangelho

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Homilia: Sagrado Coração de Jesus - Ano A

 São João Crisóstomo
Sermão sobre São Bassos
“Vinde e aprendei de mim”

Vês, amante de Cristo, quanta seja a misericórdia do Criador para conosco? Vês como nas mesmas ameaças brilha a benignidade? Vês como sua misericórdia se antecede à sua indignação? Vês como o castigo é superado pela bondade? Isto não é maravilhoso? Porque Ele mesmo é manso e benigno Senhor nosso, e solícito, como é de seu costume, de nossa salvação, que claramente nos fala no Evangelho, como a pouco nos fazia quando nos lia: Vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Quanto se abaixa o Criador, e apesar disso a criatura não o reverencia!
Vinde e aprendei de mim, disse o Senhor quando veio aos seus servos para consolá-los em suas quedas. Assim Cristo se porta conosco, e assim nos demonstra a sua misericórdia. Quando convinha castigar os pecadores e acabar com sua espécie que o irritou, justamente então se dirige aos réus com palavras brandas e lhes diz: Vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Deus se humilha e o homem se ensoberbece! Manso é o juiz e soberbo o réu! Humilde voz lança o artífice, e o barro fala como se fosse algum rei! Ó, vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!
Não vos curvaram os acontecimentos anteriores; não vos amansaram os que logo se seguiram; nem finalmente os que a pouco sobrevieram! Porém Ele, como então, também agora, uma vez que fez tremer as criaturas, logo as pacificou com a sua misericórdia. Vinde, pois, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração!
Ele não vem com chicote para açoitar, mas com nossa natureza para curar! Vinde e vede sua inefável bondade! Quem não ama ao amo que não açoita? Quem não se admira do juiz que suplica ao réu? Te enches completamente de admiração a humildade de suas palavras? Sou artífice e amo a minha obra! Eu sou obreiro e perdoo aquele que Eu mesmo inventei! Se Eu uso do supremo direito que me dá minha dignidade, não levantarei a humanidade caída; e como ela padece de uma enfermidade incurável, se não uso de remédios suaves, ela não poderá se curar! Se não trato a humanidade e a pessoa humana com benignidade, perece! Se somente uso de ameaças, perde-se! Por isto, aplico, como a quem está caído, medicamentos de suavidade. Abaixo-me ao máximo na comiseração para levantá-la de sua queda!
Aquele que está em pé não consegue levantar ao caído se não abaixar sua mão. Pois vinde e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração! Não falo para ostentação: pelos fatos vos dei experiência. Que Eu seja manso e humilde de coração, podes deduzir do estado em que me vês e ao qual Eu vim. Analisa minha forma e qual seja minha dignidade: medita-o e adora-me! Por ti me humilhei! Pensa de que lugar desci e em que lugar falo contigo. Sendo o céu o meu trono, agora falo contigo na terra. Nas alturas sou glorificado, porém, como magnânimo, não me encolerizo, porque sou manso e humilde de coração!
Se Eu não fosse um manso filho do rei, não teria escolhido por mãe uma serva. Se Eu não fosse manso, o artífice das substâncias visíveis e invisíveis, não teria me desterrado aqui convosco. Se não fosse manso, não teria estado Eu, o Pai do século futuro, envolto em panos. Se não fosse manso não teria suportado a pobreza do presépio, Eu que possuo todas as riquezas de todas as criaturas. Se não fosse manso, não me teria encontrado entre animais, Eu a quem os querubins não ousam olhar. Se Eu não fosse manso, que com minha saliva dou vista aos cegos, jamais teria sido cuspido pela boca de homens maus. Se não fosse manso, nunca teria tolerado a bofetada de um servo, Eu que sou quem dá liberdade aos servos. Se não fosse manso, jamais teria apresentado minhas costas aos açoites em benefício dos escravos.
Mas por que não digo o que é ainda maior? Se Eu não fosse manso, nunca teria carregado a dívida de morte, Eu que nada devia, em lugar daqueles que deviam padecê-la.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 267-268.

Encíclica Haurietis Aquas sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus

No ano de 2016, durante um retiro pregado a sacerdotes, o Papa Francisco recomendou a leitura da Encíclica Haurietis Aquas, do Venerável Papa Pio XII, sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: "Far-nos-á bem ler esta semana ou amanhã Haurietis aquas… «Mas é pré-conciliar!» – Sim, mas faz bem! Pode-se ler, far-nos-á muito bem!".

Atendendo a recomendação do Papa, segue o texto integral da Encíclica:

Carta Encíclica Haurietis Aquas
Do Sumo Pontífice Papa Pio XII
Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus

Introdução:
Admirável desenvolvimento do Culto do Coração Sacratíssimo de Jesus nos Tempos Modernos
1. "Haurireis águas com gáudio das fontes do Salvador" (Is 12, 3). Essas palavras, com que o profeta Isaías prefigurava os múltiplos e abundantes bens que os tempos cristãos haveriam de trazer, acodem-nos espontaneamente ao espírito ao completar-se a primeira centúria desde que o nosso predecessor de imperecível memória Pio IX, correspondendo aos desejos do orbe católico, ordenou que se celebrasse na Igreja universal a festa do sacratíssimo coração de Jesus.
2. Inumeráveis são as riquezas celestiais que nas almas dos fiéis infunde o culto tributado ao sagrado coração, purificando-os, enchendo-os de consolações sobrenaturais, e excitando-os a alcançar toda sorte de virtudes. Portanto, tendo presentes as palavras do apóstolo são Tiago. "Toda dádiva preciosa e todo dom perfeito vem do alto e desce do Pai das luzes" (Tg 1, 17), neste culto, que cada vez mais se incende e se estende por toda parte, com toda razão, podemos considerar o inapreciável dom que o Verbo encarnado e salvador nosso, como único mediador da graça e da verdade entre o Pai celestial e o gênero humano, concedeu à sua mística esposa nestes últimos séculos, em que ela teve de suportar tantos trabalhos e dificuldades. Assim, pois, gozando deste inestimável dom, pode a Igreja manifestar mais amplamente o seu amor ao divino Fundador, e cumprir mais fielmente a exortação que o evangelista são João põe na boca do próprio Jesus Cristo: "No último dia da festa, que é o mais solene, Jesus pôs-se em pé, e em voz alta dizia: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba quem crê em mim. Do seu seio, como diz a Escritura, manarão rios de água viva. Isto o disse pelo Espírito que haveriam de receber os que nele cressem" (Jo 7, 37-39). Ora, aos que escutavam essas palavras de Jesus, pelas quais ele prometia que do seu seio haveria de manar uma fonte "de água viva", certamente não lhes era difícil relacioná-las com os vaticínios com que Isaías, Ezequiel e Zacarias profetizavam o reino do Messias, e com a simbólica pedra que, golpeada por Moisés, de maneira milagrosa haveria de jorrar água (cf. Is 12, 3; Ez 47, 1-12; Zc 13, 1; Ex 17, 1-7; Nm 20, 7-13;1 Cor 10, 4; Ap 7, 17; 22,1).
3. A caridade divina tem a sua primeira origem no Espírito Santo, que é o amor pessoal, assim do Pai como do Filho, no seio da Trindade augusta. Com sobradíssima razão, pois, o apóstolo das gentes, como que fazendo-se eco das palavras de Jesus Cristo, atribui a esse Espírito de amor a efusão da caridade nas almas dos crentes: "A caridade de Deus foi derramada nos nossos corações por meio do Espírito Santo, que nos foi dado" (Rm 5,5).
4. Este estreito vínculo que segundo a Sagrada Escritura, existe entre o Espírito Santo, que é amor por essência, e a caridade divina, que deve acender-se cada vez mais na alma dos fiéis, demonstra abundantemente a todos nós, veneráveis irmãos, a natureza íntima do culto que se deve tributar ao coração de Jesus Cristo. Com efeito, se lhe considerarmos a natureza particular, manifesto é que este culto é um ato de religião excelentíssimo, visto exigir de nós uma plena e inteira vontade de entrega e consagração ao amor do divino Redentor, do qual é sinal e símbolo vivo o seu coração traspassado. Consta igualmente, e em sentido ainda mais profundo, que este culto aprofunda a correspondência do nosso amor ao amor divino. Pois só em virtude da caridade se obtém que os homens se submetam mais perfeita e inteiramente ao domínio de Deus, já que o nosso amor de tal maneira se apega à divina vontade, que vem a fazer-se uma coisa só com ela, consoante aquelas palavras: "Quem está unido ao Senhor é com ele um mesmo espírito" (1 Cor 6, 17).

I. Fundamentos e prefigurações do Culto ao Sagrado Coração de Jesus no Antigo Testamento

1) Incompreensão da verdadeira natureza do culto ao coração sacratíssimo de Jesus por parte de alguns cristãos
5. Conquanto a Igreja em tão grande estima tenha tido sempre e ainda tenha o culto do sacratíssimo coração de Jesus, a ponto de se empenhar em fomentá-lo e propagá-lo por toda parte entre o povo cristão, e conquanto se esforce diligentemente por defendê-lo contra o "naturalismo" e o "sentimentalismo", todavia é muito doloroso verificar que, no passado e em nossos dias, alguns cristãos não têm este nobilíssimo culto na honra e estima devidas, e às vezes não o têm nem mesmo aqueles que se dizem animados de zelo sincero pela religião católica e pela própria perfeição.
6. "Se conhecesses o dom de Deus" (Jo 4, 10). Servimo-nos dessas palavras veneráveis irmãos, nós, que por disposição divina fomos constituídos guardas e dispensadores do tesouro da fé e da religião que o divino Redentor entregou à sua Igreja, para admoestar todos aqueles dos nossos filhos que, apesar de, vencendo a indiferença e os erros humanos, já haver o culto do sagrado coração de Jesus penetrado no seu corpo místico, ainda abrigam preconceitos para com ele, e chegam até a reputá-lo menos adaptado, para não dizer nocivo, às necessidades espirituais mais urgentes da Igreja e da humanidade na hora presente. Porque não falta quem, confundindo ou equiparando a índole primária deste culto com as diversas formas de devoção que a Igreja aprova e favorece, mas não prescreve, o tem como um acréscimo que cada um pode praticar à vontade, e alguns há também que consideram oneroso este culto, e mesmo de nenhuma ou pouca utilidade, especialmente para os militantes do reino de Deus, empenhados em consagrar o melhor das suas energias, dos seus recursos e do seu tempo à defesa da verdade católica, para ensiná-la e propagá-la, e para difundir a doutrina social católica, fomentando práticas religiosas e obras por eles julgadas mais necessárias nos nossos dias. Por último, há quem creia que este culto, longe de ser um poderoso meio para estabelecer e renovar os costumes cristãos na vida individual e familiar, é antes uma devoção sensível não enformada em altos pensamentos e afetos, e, portanto, mais própria para mulheres do que para pessoas cultas.
7. Outros, finalmente, ao considerarem que esta devoção pede penitência, expiação e outras virtudes, sobretudo as que se chamam "passivas", por não produzirem frutos externos; não a julgam a propósito para reacender a piedade, a qual deve tender cada vez mais à ação intensa, encaminhada ao triunfo da fé católica e à valente defesa dos costumes cristãos, os quais hoje, como todos sabem, se vêm facilmente infectados pelo indiferentismo, que não reconhece nenhum critério para distinguir o verdadeiro do falso no modo de pensar e de agir, e, assim, se vêem lamentavelmente alheados pelos princípios do materialismo ateu e do laicismo. 

Corpus Christi em Lisboa

No Patriarcado de Lisboa a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi) foi celebrada no último dia 15 de junho pelo Bispo Auxiliar, Dom Joaquim Mendes (uma vez que o Patriarca, Cardeal Manuel Clemente, participava do Congresso Eucarístico de Angola).

Como de costume em Lisboa, pela manhã foi celebrada a Santa Missa na Catedral Patriarcal de Santa Maria. Os fiéis permaneceram em adoração durante o dia e no fim da tarde foi realizada a Procissão Eucarística.

Procissão de entrada


Ritos iniciais
Liturgia da Palavra