quarta-feira, 26 de abril de 2017

Vigília Pascal em Londres

O Cardeal Vincent Gerard Nichols, Arcebispo de Westminster, celebrou no último dia 15 de abril, Sábado Santo, na Catedral do Preciosíssimo Sangue do Senhor, em Londres, a Vigília Pascal na Noite Santa, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a alguns catecúmenos.

Bênção do fogo
Preparação do círio

Iluminação do círio
Procissão

Vigília Pascal em Foz do Iguaçu

O Bispo Diocesano de Foz do Iguaçu (PR), Dom Dirceu Vegini, celebrou no último dia 15 de abril, Sábado Santo a Vigília Pascal na Catedral Nossa Senhora de Guadalupe, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a um catecúmeno.

Monição introdutória
Preparação do círio pascal

Iluminação do círio
Procissão

Fotos da Vigília Pascal no Vaticano

No último dia 15 de abril, Sábado Santo, o Papa Francisco presidiu na Basílica de São Pedro a Vigília Pascal na Noite Santa, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a alguns catecúmenos.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Bênção do fogo
Preparação do círio pascal

Iluminação do círio
O Papa acende sua vela no círio

Homilia do Papa na Vigília Pascal

Vigília Pascal na Noite Santa
Homilia do Papa Francisco
Basílica Vaticana
Sábado Santo, 15 de abril de 2017

«Terminado o sábado, ao romper do primeiro dia da semana, Maria de Magdala e a outra Maria foram visitar o sepulcro» (Mt 28, 1). Podemos imaginar aqueles passos: o passo típico de quem vai ao cemitério, passo cansado da confusão, passo debilitado de quem não se convence que tudo tenha acabado assim. Podemos imaginar os seus rostos pálidos, banhados pelas lágrimas. E a pergunta: Como é possível que o Amor tenha morrido?
Ao contrário dos discípulos, elas ali vão, como já acompanharam o último respiro do Mestre na cruz e, depois, a sepultura que Lhe deu José de Arimateia; duas mulheres capazes de não fugir, capazes de resistir, de enfrentar a vida tal como se apresenta e suportar o sabor amargo das injustiças. Ei-las chegar diante do sepulcro, divididas entre a tristeza e a incapacidade de se resignarem, de aceitarem que tudo tenha sempre de acabar assim.
E, se fizermos um esforço de imaginação, no rosto destas mulheres podemos encontrar os rostos de tantas mães e avós, os rostos de crianças e jovens que suportam o peso e o sofrimento de tanta desumana injustiça. Nos seus rostos, vemos refletidos os rostos de todos aqueles que, caminhando pela cidade, sentem a tribulação da miséria, a tribulação causada pela exploração e o tráfico humano. Neles, vemos também os rostos daqueles que experimentam o desprezo, porque são imigrantes, órfãos de pátria, de casa, de família; os rostos daqueles cujo olhar revela solidão e abandono, porque têm mãos com demasiadas rugas. Refletem o rosto de mulheres, de mães que choram ao ver que a vida dos seus filhos fica sepultada sob o peso da corrupção que subtrai direitos e quebra tantas aspirações, sob o egoísmo diário que crucifica e sepulta a esperança de muitos, sob a burocracia paralisadora e estéril que não permite que as coisas mudem. Na sua tristeza, elas têm o rosto de todos aqueles que, ao caminhar pela cidade, veem a dignidade crucificada.
No rosto destas mulheres, há muitos rostos; talvez encontremos o teu rosto e o meu. Como elas, podemos sentir-nos impelidos a caminhar, não nos resignando com o facto de que as coisas devem acabar assim. É verdade que trazemos dentro uma promessa e a certeza da fidelidade de Deus. Mas também os nossos rostos falam de feridas, falam de muitas infidelidades – nossas e dos outros –, falam de tentativas e de batalhas perdidas. O nosso coração sabe que as coisas podem ser diferentes; mas, quase sem nos apercebermos, podemos habituar-nos a conviver com o sepulcro, a conviver com a frustração. Mais ainda, podemos chegar a convencer-nos de que esta seja a lei da vida anestesiando-nos com evasões que nada mais fazem que apagar a esperança colocada por Deus nas nossas mãos. Muitas vezes, são assim os nossos passos, é assim o nosso caminhar, como o destas mulheres, um caminhar por entre o desejo de Deus e uma triste resignação. Não morre só o Mestre; com Ele, morre a nossa esperança.
«Nisto, houve um grande terremoto» (Mt 28, 2). De improviso, aquelas mulheres receberam um forte estremeção, algo e alguém fez tremer o solo sob os seus pés. Mais uma vez, alguém vem ao encontro delas dizendo: «Não tenhais medo», mas desta vez acrescentando: «Ressuscitou, como tinha dito». E tal é o anúncio com que nos presenteia, de geração em geração, esta Noite Santa: Não tenhamos medo, irmãos! Ressuscitou como tinha dito. A vida arrancada, destruída, aniquilada na cruz despertou e volta a palpitar de novo (cf. R. Guardini, Il Signore, Milão 1984, 501). O palpitar do Ressuscitado é-nos oferecido como dom, como presente, como horizonte. O palpitar do Ressuscitado é aquilo que nos foi dado, sendo-nos pedido para, por nossa vez, o darmos como força transformadora, como fermento de nova humanidade. Com a Ressurreição, Cristo não deitou por terra apenas a pedra do sepulcro, mas quer fazer saltar também todas as barreiras que nos fecham nos nossos pessimismos estéreis, nos nossos mundos conceptuais bem calculados que nos afastam da vida, nas nossas obcecadas buscas de segurança e nas ambições desmesuradas capazes de jogar com a dignidade alheia.
Quando o sumo sacerdote, os chefes religiosos em conivência com os romanos pensaram poder calcular tudo, quando pensaram que estava dita a última palavra e que competia a eles estabelecê-la, irrompe Deus para transtornar todos os critérios e, assim, oferecer uma nova oportunidade. Uma vez mais, Deus vem ao nosso encontro para estabelecer e consolidar um tempo novo: o tempo da misericórdia. Esta é a promessa desde sempre reservada, esta é a surpresa de Deus para o seu povo fiel: alegra-te, porque a tua vida esconde um germe de ressurreição, uma oferta de vida que aguarda o despertar.
Eis o que esta noite nos chama a anunciar: o palpitar do Ressuscitado, Cristo vive! E foi isto que mudou o passo de Maria de Magdala e da outra Maria: é o que as faz regressar à pressa e correr a dar a notícia (Mt 28, 8); é o que as faz voltar sobre os seus passos e sobre os seus olhares; regressam à cidade para se encontrar com os outros.
Como entramos com elas no sepulcro, assim vos convido a irmos também com elas, a regressarmos à cidade, a voltarmos sobre os nossos passos, sobre os nossos olhares. Vamos com elas comunicar a notícia, vamos…  a todos aqueles lugares onde pareça que o sepulcro tenha a última palavra e onde pareça que a morte tenha sido a única solução. Vamos anunciar, partilhar, revelar que é verdade: o Senhor está Vivo. Está vivo e quer ressurgir em tantos rostos que sepultaram a esperança, sepultaram os sonhos, sepultaram a dignidade. E, se não somos capazes de deixar que o Espírito nos conduza por esta estrada, então não somos cristãos.
Vamos e deixemo-nos surpreender por esta alvorada diferente, deixemo-nos surpreender pela novidade que só Cristo pode dar. Deixemos que a sua ternura e o seu amor movam os nossos passos, deixemos que o pulsar do seu coração transforme o nosso ténue palpitar.


Fonte: Santa Sé

terça-feira, 25 de abril de 2017

Via Sacra em Jerusalém

Na tarde da Sexta-feira Santa, 14 de abril, o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, presidiu a oração da Via Sacra pelas ruas de Jerusalém, através do mesmo caminho que Jesus percorreu com a Cruz.

Na Basílica do Santo Sepulcro foram rezadas as últimas estações, com o rito do sepultamento do Senhor (próprio de Jerusalém).

Início da Via Sacra


Padre Patton reza na pequena capela da IV estação

Fotos da Via Sacra no Coliseu

Na noite do último dia 14 de abril, Sexta-feira Santa, o Papa Francisco presidiu junto ao Coliseu, no Monte Palatino, a piedosa oração da Via Sacra.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Vincenzo Peroni. O livreto da celebração pode ser visto aqui. Para ler as meditações em português, clique aqui.



Chegada do Santo Padre


Oração do Papa no final da Via Sacra

Via-Sacra no Coliseu
Palavras do Papa Francisco
Palatino
Sexta-feira Santa, 14 de abril de 2017

Ó Cristo deixado sozinho e traído até pelos teus e vendido a baixo preço.
Ó Cristo julgado pelos pecadores, entregue pelos Chefes.
Ó Cristo ferido na carne, coroado de espinhos e vestido de púrpura. Ó Cristo espancado e crucificado de modo atroz.
Ó Cristo trespassado pela lança que dilacerou o teu coração.
Ó Cristo morto e sepultado, tu que és o Deus da vida e da existência.
Ó Cristo, nosso único Salvador, voltamos a ti também este ano com os olhos baixos de vergonha e com o coração cheio de esperança:
De vergonha por todas as imagens de devastações, destruições e naufrágio que se tornaram comuns na nossa vida;
Vergonha pelo sangue inocente que diariamente é derramado por mulheres, crianças, imigrantes e pessoas perseguidas pela cor da pele ou pela pertença étnica e social e pela fé em Ti;
Vergonha pelas demasiadas vezes que, como Judas e Pedro, te vendemos e traímos, deixando-te sozinho a morrer pelos nossos pecados, fugindo como cobardes das nossas responsabilidades;
Vergonha pelo nosso silêncio diante das injustiças: pelas nossas mãos preguiçosas para dar e ávidas para agarrar e conquistar; pela nossa voz vibrante para defender os nossos interesses e tímida para falar daqueles dos outros; pelos nossos pés velozes no caminho do mal e paralisados naquele do bem;
Vergonha por todas as vezes que nós Bispos, Sacerdotes, consagrados e consagradas escandalizámos e ferimos o teu corpo, a Igreja; e esquecemos o nosso primeiro amor, o nosso primeiro entusiasmo e a nossa total disponibilidade, deixando que o nosso coração e a nossa consagração se enferrujassem.
Muita vergonha Senhor mas o nosso coração está saudoso também da esperança confiante que tu não nos tratas segundo os nossos méritos mas unicamente de acordo com a abundância da tua Misericórdia; que as nossas traições não fazem falhar a imensidade do teu amor; que o teu coração, materno e paterno, não nos esquece pela dureza das nossas vísceras;
A esperança certa de que os nossos nomes estão gravados no teu coração e que temos lugar na pupila dos teus olhos;
A esperança de que a tua Cruz transforma os nossos corações endurecidos em coração de carne capazes de sonhar, perdoar e amar; transforma esta noite tenebrosa da tua cruz em alvorada fulgurante da tua Ressurreição;
A esperança de que a tua fidelidade não se baseia na nossa:
A esperança de que a fila de homens e mulheres fiéis à tua Cruz continua e continuará a viver fiel como o fermento que dá sabor e como a luz que abre novos horizontes no corpo da nossa humanidade ferida;
A esperança de que a tua Igreja procurará ser a voz que clama no deserto da humanidade a fim de preparar o caminho do teu regresso triunfal, quando vieres julgar os vivos e os mortos;
A esperança de que o bem vencerá não obstante a sua aparente derrota!
Ó Senhor Jesus, Filho de Deus, vítima inocente da nossa salvação, diante da tua nobreza, do teu mistério de morte e de glória, diante do teu patíbulo, ajoelhamo-nos, envergonhados e esperançosos, e pedimos-te que nos laves no sangue e na água que brotaram do teu Coração dilacerado; que perdoes os nossos pecados e culpas;
Pedimos-te que te recordes dos nossos irmãos sufocados pela violência, pela indiferença e pela guerra;
Pedimos-te que rompas as correntes que nos mantêm prisioneiros no nosso egoísmo, na nossa cegueira voluntária e na vaidade dos nossos cálculos mundanos.
Ó Cristo, pedimos-te que nos ensines a nunca nos envergonhar da tua Cruz, a não a instrumentalizar mas a honrá-la e adorá-la, porque com ela Tu nos manifestaste a monstruosidade dos nossos pecados, a grandeza do teu amor, a injustiça dos nossos julgamentos e o poder da tua misericórdia. Amém!


Fonte: Santa Sé