quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Catequese do Papa: Viagem a Myanmar e Bangladesh

Papa Francisco
Audiência Geral
Sala Paulo VI
Quarta-feira, 6 de dezembro de 2017
Viagem a Myanmar e Bangladesh

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje gostaria de falar sobre a viagem apostólica que realizei recentemente ao Myanmar e ao Bangladesh. Foi um grande dom de Deus e por isso dou-lhe graças por todas as coisas, especialmente pelos encontros que pude realizar. Renovo a expressão da minha gratidão às autoridades dos dois países e aos respetivos Bispos, por todo o trabalho de preparação e pelo acolhimento reservado a mim e aos meus colaboradores. Desejo transmitir um sentido “obrigado” ao povo birmanês e bengalês, que me demonstraram tanta fé e muito afeto: obrigado!
Pela primeira vez um sucessor de Pedro visitava o Myanmar e isto aconteceu pouco depois que foram estabelecidas relações diplomáticas entre esse país e a Santa Sé.
Desejei, também neste caso, exprimir a proximidade de Cristo e da Igreja a um povo que sofreu devido a conflitos e repressões e que agora está a caminhar lentamente rumo a uma nova condição de liberdade e de paz. Um povo no qual a religião budista está fortemente radicada, com os seus princípios espirituais e éticos, e onde os cristãos estão presentes como pequeno rebanho e fermento do Reino de Deus. Tive a alegria de confirmar na fé e na comunhão esta Igreja, viva e fervorosa, durante o encontro com os Bispos do país e nas duas celebrações eucarísticas. A primeira foi na grande área desportiva no centro de Yangon, e o Evangelho daquele dia recordou que as perseguições por causa da fé em Jesus são normais para os discípulos, como ocasião de testemunho, mas que “nem sequer um fio de cabelo lhes será tocado” (cf. Lc 21,12-19). A segunda Missa, último ato da visita ao Myanmar, foi dedicada aos jovens: um sinal de esperança e um dom especial da Virgem Maria, na catedral que tem o seu nome. Nos rostos daqueles jovens, cheios de alegria, vi o futuro da Ásia: um futuro que não será de quem fabrica armas, mas de quem semeia fraternidade. E sempre em sinal de esperança benzi as primeiras pedras de 16 igrejas, do seminário e da nunciatura: dezoito!
Além da Comunidade católica, pude encontrar-me com as Autoridades do Myanmar, encorajando os esforços de pacificação do país e fazendo votos para que todos os vários componentes da nação, sem excluir ninguém, possam cooperar para tal processo no respeito recíproco. Neste espírito, quis encontrar-me com os representantes das diversas comunidades religiosas presentes no país. Em particular, ao Supremo Conselho dos monges budistas manifestei a estima da Igreja pela sua antiga tradição espiritual, e a confiança de que cristãos budistas juntos possam ajudar as pessoas a amar a Deus e ao próximo, rejeitando qualquer violência e opondo-se ao mal com o bem.
Ao deixar o Myanmar, fui ao Bangladesh, onde o meu primeiro gesto foi prestar homenagem aos mártires da luta pela independência e ao “Pai da Nação”. A população do Bangladesh é em grande parte de religião muçulmana e, por conseguinte, a minha visita — depois daquelas do Beato Paulo VI e de São João Paulo II - deu um ulterior passo a favor do respeito e do diálogo entre o cristianismo e o islão.
Recordei às Autoridades do país que a Santa Sé apoiou desde o início a vontade do povo bengalês de se constituir nação independente, assim como a exigência de que nela seja sempre tutelada a liberdade religiosa. Em particular, quis exprimir solidariedade ao Bangladesh no seu compromisso de socorrer os refugiados Rohingyas, que afluem em massa ao seu território, onde a densidade demográfica é já uma das mais elevadas do mundo.
Missa celebrada num histórico parque de Daca foi enriquecida pela Ordenação de dezasseis sacerdotes, e este foi um dos eventos mais significativos e jubilosos da viagem. De facto, tanto no Bangladesh como no Myanmar e nos outros países do sudeste asiático, graças a Deus não faltam vocações, sinal de comunidades vivas, nas quais ressoa a voz do Senhor que chama para o seguir. Partilhei esta alegria com os Bispos do Bangladesh e encorajei-os no seu generosos trabalho em prol das famílias, dos pobres, da educação, do diálogo e da paz social. E partilhei esta alegria com muitos sacerdotes, consagradas e consagrados do país, assim como com os seminaristas, as noviças e os noviços, nos quais vi rebentos da Igreja naquela terra.
Em Daca vivemos um momento forte de diálogo inter-religioso ecuménico, que me deu a oportunidade de evidenciar a abertura do coração como base da cultura do encontro, da harmonia e da paz. Também visitei a “Casa Madre Teresa”, onde a santa se hospedava quando ia àquela cidade, e que acolhe muitos órfãos e pessoas com deficiência. Lá, segundo o carisma delas, as religiosas vivem cada dia a oração de adoração e o serviço a Cristo pobre e sofredor. E nunca falta nos seus lábios o sorriso: religiosas que rezam muito, que servem os sofredores e mantêm continuamente o sorriso. É um bonito testemunho. Agradeço muito a estas irmãzinhas.
O último evento foi com os jovens bengaleses, rico de testemunhos, cantos e danças. Mas como dançam bem, esses bengaleses! Sabem dançar bem! Uma festa que manifestou a alegria do Evangelho recebido por aquela cultura: uma alegria fecundada pelos sacrifícios de tantos missionários, catequistas e pais cristãos. No encontro estavam presentes também jovens muçulmanos e de outras religiões: um sinal de esperança para o Bangladesh, para a Ásia e para o mundo inteiro. Obrigado.


Fonte: Santa Sé

Festa da Apresentação de Maria em Moscou

No último dia 04 de dezembro a Igreja Ortodoxa Russa celebrou, seguindo o calendário juliano, a Festa da Apresentação de Maria. Nesta ocasião, celebraram-se os 100 anos da entronização do Patriarca Tikhon e do restabelecimento do Patriarcado de Moscou após a queda do czarismo. 

A Divina Liturgia na Catedral Patriarcal de Cristo Salvador foi presidida pelo Patriarca Theodoros de Alexandria. Estiveram presentes outros 08 dos 14 Patriarcas ortodoxos: Theophilos de Jerusalém, Kirill de Moscou, Irinej da Sérvia, Daniel da Romênia, Chrysostomos do Chipre, Anastasios da Albânia, Sawa da Polônia e Rastislav da República Tcheca e Eslováquia.

Entrada
Litania da paz

Incensação


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Dom Celso Marchiori nomeado Bispo de São José dos Pinhais

Na manhã de hoje, 13 de dezembro, o Papa Francisco nomeou Dom Celso Antônio Marchiori, até então Bispo de Apucarana, como novo Bispo de São José dos Pinhais.


Dom Celso nasceu no dia 14 de agosto de 1958 em Campo Largo - PR. Ingressou no Seminário Meno São José da Arquidiocese de Curitiba em 1976. Realizou os estudos de Filosofia na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (1981-1983) e de Teologia no Studium Theologicum de Curitiba (1984-1987).

Foi ordenado sacerdote em 06 de março de 1988 pelo então Arcebispo de Curitiba, Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto. Foi nomeado Diretor Espiritual do Seminário São José e, no ano seguinte, tornou-se o Reitor, ofício que exerceu até 2005.

Em 2005, foi nomeado Reitor do Seminário Teológico Santíssimo Sacramento e Pároco da Paróquia do Santíssimo Sacramento, onde permaneceu até 2009.

No dia 08 de julho de 2009 o Papa Bento XVI o nomeou Bispo Diocesano de Apucarana. Recebeu a Ordenação Episcopal no dia 28 de agosto do mesmo ano, na Catedral Basílica Nossa Senhora da Luz em Curitiba. O ordenante principal foi o então Arcebispo, Dom Moacyr José Vitti. Os co-sagrantes foram Dom Pedro Fedalto, Arcebispo Emérito, e Dom Luiz Vicente Bernetti, Bispo Emérito de Apucarana.

Tomou posse como Bispo de Apucarana no dia 02 de outubro de 2009.


Dom Celso torna-se o 3º Bispo de São José dos Pinhais, que estava vacante desde o dia 19 de abril, quando Dom Francisco Carlos Bach foi transferido para Joinville (SC).

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Fotos do I Domingo do Advento em Lisboa

No último dia 03 de dezembro o Patriarca de Lisboa, Cardeal Manuel José Macário do Nascimento Clemente, celebrou no Mosteiro de Santa Maria de Belém, o Mosteiro dos Jerônimos, a Santa Missa do I Domingo do Advento para as Ordenações de seis diáconos e um presbítero.

Clique aqui para ler a homilia do Patriarca: Tantos O esperam, não tardemos nós!

Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Patriarca de Lisboa: I Domingo do Advento

Homilia na Celebração das Ordenações - I Domingo do Advento
Tantos O esperam, não tardemos nós!

Entramos em Advento, caríssimos irmãos. Dito doutra maneira, porventura mais certa, deixemos que o Advento entre no nosso coração e na nossa vida. Por isso nos paramentamos de roxo, cor de conversão ao Senhor que vem, como já veio e finalmente virá.
Seguir-se-á o Natal, certíssimo n’Ele, o Emanuel, que quer dizer “Deus Conosco”. Também em nós, se realmente O aceitarmos, como Maria, Senhora do Advento, e com José, que lhe guardou o mistério.
Duma tarefa se trata, em maior correspondência à graça divina. Uma tarefa certamente gostosa, podemos dizer, com o encanto especial desta quadra. Mas necessariamente custosa, de conversão ao Senhor que vem, e nos requer disponibilidade acrescida, para que, também em nós e por nós, chegue a este mundo.
Sim, irmãos, que diferente estaria o mundo, dois milênios depois, se todas as vidas que se disseram e dizem “cristãs” realmente o tivessem sido e o fossem agora! Se a galeria dos santos que temos nos altares se redobrasse na vida de cada batizado e crismado de ontem e de hoje, como filho de Deus e testemunha do Evangelho! Onde Jesus pudesse chegar e repercutir-se pela palavra verdadeiramente ecoada, pelo sacramento inteiramente vivido, pela caridade intensamente praticada!
Um tempo litúrgico não irá sem o outro. Só um Advento sério nos legitimará um Natal feliz. Comprometamo-nos com Deus, como Ele inteiramente se comprometeu conosco, na humanidade de Cristo, agora alargada na humanidade de todos. Caríssimos ordinandos de diácono e presbítero, caríssimos irmãos que esta feliz circunstância hoje aqui congrega: Acabamos de ouvir a Palavra de Deus - “lugar onde nasce a fé”, como insiste a Constituição Sinodal de Lisboa, nesta igreja assinada há um ano quase e agora em plena recepção. Ouvimo-la em passagens distintas, mas muito concordes no essencial. E o essencial é o encontro de Cristo que nos bate à porta, como lembra noutro passo: «Olha que Eu estou à porta e bato: se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, Eu entrarei na sua casa e cearei com ele e ele comigo» (Ap 3,20).
O que pretendo partilhar convosco nesta homilia, pode resumir-se assim: O Advento, para nós todos e especialmente para vós, caríssimos ordinandos, é dom e tarefa. Dom de Deus que se encontra conosco, por iniciativa sua e correspondência nossa, que Ele mesmo suscita. Quando recebemos Cristo, Ele assimila-nos a si, para também por nós chegar a todos. Em suma, vivemos o Advento para sermos Advento, como o mundo espera.
Com Isaías clamamos há pouco: «Oh, se rasgásseis os Céus e descêsseis!». Sentimento certamente reforçado em cada um de nós por circunstâncias da vida pessoal, familiar e coletiva, própria ou alheia, que tantas vezes nos sobrepesam. Devemos participar inteiramente nesse apelo, desejando que Deus seja sol por entre as nuvens. Sobretudo por entre aquelas que interiormente nos toldem o espírito e encerrem o coração.
Certos de que Deus responderá, como sempre responde, mas quase dependendo da verdade com que O invocarmos. Porque Deus se aproxima de quem O busca, como que em mútuo “advento”. Lembra-nos a Carta de Tiago, numa passagem tão pedagógica como peremptória: «Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de vós» (Tg 4,8).
Assim o lembrava também a oração coleta, requerendo a cada um de nós «a vontade firme de se preparar, pela prática das boas obras, para ir ao encontro de Cristo». E não se trata dum mero encontro exterior, em que a presença de Cristo se tornasse patente e irrecusável por si mesma. Trata-se, isso sim, de algo de absolutamente existencial, em que, pela mútua vontade e a graça divina, o seu encontro nos assimila a si e faz de nós sinais e agentes do seu encontro com todos. O profeta que ouvimos acrescentava ainda: «Vós porém, Senhor, sois nosso Pai, e nós o barro de que sois o oleiro». Poderemos imaginar Deus Pai como um oleiro que nos molda com duas mãos: a exterior e visível de Cristo e a interior e invisível do Espírito, que para Cristo nos impele e com Cristo nos configura… Vale o que vale a imagem, mas pode ilustrar o que ouvimos depois a São Paulo: «… já não vos falta nenhum dom da graça – outro modo de indicar o impulso do Espírito -, a vós que esperais a manifestação de Nosso Senhor Jesus Cristo […]. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão com o seu Filho».
Caríssimos ordinandos, caríssimos irmãos que conosco iniciais este tempo: o que importa sempre e especialmente agora é estarmos inteiramente disponíveis para que o Advento de Cristo seja realidade em nós e por nós no mundo. Mais para diante, a Liturgia há de evocar-nos os acontecimentos mais próximos do seu Natal. Mas este mesmo aconteceu no termo dum longo “advento”, como podemos considerar todo o Antigo Testamento. Também este mais depressa se concluiria, se a expetativa messiânica tivesse sido o que devia e não demorasse tanto a encontrar a pleníssima concretização que finalmente teve na Virgem de Nazaré… O Advento de hoje adianta-se em cada momento em que acolhemos a Cristo que nos chega pela Palavra, pelos Sacramentos e pelos outros. E em que somos sinal de Cristo, que por nós se quer aproximar de todos, em especial dos mais pobres e frágeis.
Alertou-nos o Evangelho: «Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento…». Pois bem, sejamos nós, sejamos muito mais e para todos, o “momento”, o sinal e o gesto do Advento de Cristo, em nós para todos e da Igreja para o mundo.
Onde esteja um cristão, há de ser mais ativado o Advento d’Aquele que já veio, como continua a vir e finalmente virá. Nisto aplicaremos a exortação da Segunda Carta de Pedro: «… como deve ser santa a vossa vida e a vossa piedade, enquanto esperais e apressais a chegada do dia de Deus […]. Nós, segundo a sua promessa, esperamos uns novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2Pd 3,11-13).        
Todo o mistério de Cristo seja ministério da Igreja para a salvação do mundo. Quando quem foi batizado manifesta em si mesmo a filiação divina que recebeu pelo Espírito e o uniu a Cristo; quando um confirmado se torna Evangelho vivo na comunidade cristã e na sociedade de todos; quando os esposos cristãos testemunham, no seu modo próprio, o amor de Cristo e da Igreja, uno, indissolúvel e fecundo; quando as Ordens Sacras transformam alguém em sacramento pastoral de Cristo, Sacerdote e Servo; quando a consagração secular ou religiosa profetiza pela castidade, a pobreza e a obediência a qualidade definitiva do Reino dos Céus… Quando o Advento de Cristo se partilha assim na vida de tantos irmãos e irmãs, a Igreja realiza-se como Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito - e o Natal de há dois milênios assinalará o tempo todo.
- Tantos O esperam, não tardemos nós!

Lisboa, Santa Maria de Belém, 3 de dezembro de 2017, I Domingo do Advento.

+ Manuel, Cardeal-Patriarca



I Domingo do Advento em Belém

No último dia 03 de dezembro o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Santa Missa do I Domingo do Advento na igreja de Santa Catarina, junto à Basílica da Natividade, em Belém.

Na tarde do dia anterior, o Custódio celebrou as I Vésperas do domingo na mesma igreja.

Dia 02 de dezembro: I Vésperas

Acolhida solene

Oração diante do Santíssimo Sacramento
Procissão de entrada
Oração das Vésperas

Angelus do Papa: I Domingo do Advento - Ano B

I Domingo do Advento
Papa Francisco
Angelus
Praça São Pedro
Domingo, 3 de dezembro de 2017

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje começamos o caminho do Advento, que culminará no Natal. O Advento é o tempo que nos é concedido para acolher o Senhor que vem ao nosso encontro, também para verificar o nosso desejo de Deus, para olhar em frente e nos preparar ao regresso de Cristo. Ele voltará a nós na festa do Natal, quando fizermos memória da sua vinda histórica na humildade da condição humana; mas vem dentro de nós todas as vezes que estamos dispostos a recebê-lo, e virá de novo no fim dos tempos para «julgar os vivos e os mortos». Por isso, devemos estar vigilantes e esperar o Senhor com a expetativa de o encontrar. A liturgia hodierna introduz-nos precisamente neste tema sugestivo da vigilância e da expetativa.
No Evangelho (cf. Mc 13,33-37) Jesus exorta a prestar atenção e a vigiar, a fim de estarmos prontos para o acolher no momento do regresso. Diz-nos: «Ficai de sobreaviso, vigiai; porque não sabeis quando será o tempo [...]; vigiai, para que, vindo de repente, não vos encontre dormindo» (vv. 33-36).
A pessoa atenta é a que, em meio ao barulho do mundo, não se deixa tomar pela distração ou pela superficialidade, mas vive de maneira plena e consciente, com uma preocupação voltada antes de tudo aos outros. Com esta atitude percebemos as lágrimas e as necessidades do próximo e podemos dar-nos conta também das suas capacidades e qualidades humanas e espirituais. A pessoa atenta também se preocupa com o mundo, procurando contrastar a indiferença e a crueldade presentes nele, e alegrando-se pelos tesouros de beleza que contudo existem e devem ser preservados. Trata-se de ter um olhar de compreensão para reconhecer quer as misérias e as pobrezas dos indivíduos e da sociedade, quer a riqueza escondida nas pequenas coisas de cada dia, precisamente ali onde nos colocou o Senhor.
pessoa vigilante é a que aceita o convite a vigiar, ou seja, a não se deixar dominar pelo sono do desencorajamento, da falta de esperança, da desilusão; e ao mesmo tempo, rejeita a solicitação de tantas vaidades de que o mundo está cheio e atrás das quais, por vezes, se sacrificam tempo e serenidade pessoal e familiar. É a experiência dolorosa do povo de Israel, narrada pelo profeta Isaías: Deus parecia ter deixado desviar para longe dos seus caminhos o seu povo (cf. 63,17), mas estes era um efeito da infidelidade do próprio povo (cf. 64,4b). Também nós encontramo-nos frequentemente nesta situação de infidelidade à chamada do Senhor: Ele indica-nos o caminho bom, o caminho da fé, o caminho do amor, mas nós procuramos a nossa felicidade noutro lugar.
Estar atentos e vigilantes são os pressupostos para não continuar a “desviar para longe dos caminhos do Senhor”, perdidos nos nossos pecados e nas nossa infidelidades; estar atentos e ser vigilantes são as condições para permitir que Deus irrompa na nossa existência, para lhe restituir significado e valor com a sua presença cheia de bondade e ternura. Maria Santíssima, modelo na expetativa de Deus e ícone da vigilância, nos guie ao encontro do filho Jesus, revigorando o nosso amor por Ele.


Fonte: Santa Sé