segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Ângelus do Papa: Solenidade de Cristo Rei - Ano A

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 22 de novembro de 2020

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje celebramos a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo, com a qual se encerra o Ano Litúrgico, a grande parábola em que se revela o mistério de Cristo: todo o Ano Litúrgico. Ele é o Alfa e o Ômega, o início e o cumprimento da história; e a Liturgia de hoje concentra-se no “Ômega”, ou seja, na meta final. O sentido da história compreende-se, mantendo diante dos olhos o seu ápice: o fim é também a finalidade. E é precisamente isto que Mateus faz, no Evangelho deste domingo (Mt 25,31-46), colocando o discurso de Jesus sobre o juízo final no epílogo da sua vida terrena: Ele, que os homens estão prestes a condenar, é na realidade o Juiz supremo. Na sua Morte e Ressurreição, Jesus se mostrará como Senhor da história, Rei do universo, Juiz de todos. Mas o paradoxo cristão é que o Juiz não se reveste de realeza temível, mas é um Pastor cheio de mansidão e misericórdia.
Com efeito, nesta parábola do juízo final, Jesus serve-se da imagem do pastor. Usa as imagens do profeta Ezequiel, que falara da intervenção de Deus a favor do povo, contra os maus pastores de Israel (cf. Ez 34, 1-10). Eles eram cruéis e exploradores, preferindo apascentar a si mesmos e não ao rebanho; por isso, o próprio Deus promete cuidar pessoalmente do seu rebanho, defendendo-o das injustiças e dos abusos. Esta promessa de Deus ao seu povo realizou-se plenamente em Jesus Cristo, o Pastor: Ele próprio é o Bom Pastor. Ele mesmo diz de si: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10,11.14).
Na página do Evangelho de hoje, Jesus identifica-se não só com o rei-pastor, mas também com as ovelhas perdidas. Poderíamos falar como de uma “dupla identidade”: o rei-pastor, Jesus, identifica-se também com as ovelhas, ou seja, com os irmãos mais pequeninos e necessitados. E assim indica o critério do juízo: ele será assumido com base no amor concreto, concedido ou negado a essas pessoas, porque Ele próprio, o juiz, está presente em cada uma delas. Ele é juiz, Ele é Deus-homem, mas Ele é também o pobre, está escondido, encontra-se presente na pessoa dos pobres, que Ele menciona precisamente ali. Jesus diz: «Em verdade vos digo, todas as vezes que fizestes (ou deixastes de fazer) isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes (ou deixastes de fazer)» (vv. 40.45). Seremos julgados sobre o amor. O julgamento será sobre o amor. Não sobre o sentimento, não: seremos julgados sobre as obras, sobre a compaixão que se faz proximidade e ajuda atenciosa.
Aproximo-me de Jesus presente na pessoa dos doentes, dos pobres, dos sofredores, dos prisioneiros, de quantos têm fome e sede de justiça? Aproximo-me de Jesus ali presente? Esta é a pergunta de hoje!
Portanto, no fim do mundo, o Senhor passará em revista o seu rebanho, e o fará não só da parte do pastor, mas também da parte das ovelhas, com as quais Ele se identificou. E perguntará: “Foste um pouco pastor como Eu?”. “Foste pastor de mim, que estava presente naquelas pessoas necessitadas, ou ficaste indiferente?”. Irmãos e irmãs, tenhamos cuidado com a lógica da indiferença, com o que nos vem imediatamente ao pensamento: olhar para o outro lado, quando vemos um problema. Recordemos a parábola do Bom Samaritano. Aquele pobre homem, ferido por salteadores, atirado ao chão, entre a vida e a morte, estava lá sozinho. Passou um sacerdote, viu e foi-se embora, olhou para o outro lado. Passou um levita, viu e olhou para o outro lado. Perante os meus irmãos e irmãs necessitados, fico eu indiferente como este sacerdote, como este levita, e olho para o outro lado? Serei julgado sobre isto: sobre o modo como me aproximei, como olhei para Jesus presente nos necessitados. Esta é a lógica, e não sou eu que o digo, é Jesus que o diz: “O que fizeste a este, a esse, àquele, foi a mim que o fizeste. E o que não fizeste a este, a esse, àquele, deixaste de fazê-lo a mim, porque Eu estava lá!”. Que Jesus nos ensine esta lógica, esta lógica da proximidade, do aproximar-se d’Ele com amor, na pessoa dos que mais sofrem.
Peçamos à Virgem Maria que nos ensine a reinar no servir. Nossa Senhora, que subiu ao Céu, recebeu do seu Filho a coroa real, porque o seguiu fielmente - é a primeira discípula - no caminho do Amor. Aprendamos com Ela a entrar desde já no Reino de Deus, através da porta do serviço humilde e generoso. E voltemos para casa só com esta frase: “Eu estava lá presente. Obrigado!”, ou: “Esqueceste-te de mim!”.

Jesus separa as ovelhas e os cabritos (Mt 25,31-46)
(Mosaico na Basílica de Santo Apolinário em Ravenna)

Fonte: Santa Sé

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