sábado, 13 de julho de 2019

Homilia: XV Domingo do Tempo Comum - Ano C

Orígenes
Homilia 34 sobre São Lucas
Ele se dignou assumir a nossa humanidade

O homem, portanto, que desce de Jerusalém a Jericó, e que desce porque quer, por isso mesmo cai nas mãos dos ladrões; os ladrões não são outros senão aqueles de quem disse o Salvador: Todos os que vieram antes de mim eram salteadores e ladrões. Contudo, não caiu na mão de ladrões, mas de pessoas ainda piores do que ladrões, visto que, não satisfeitos de despojar-lhe, cobriram-lhe de chagas, as quais são todos estes males que afligem ao homem, a saber, os vícios e os pecados. Depois de lhe terem despido e ferido, deixaram-no cheio de chagas e se foram, deixando-o meio-morto.
Ocorreu que então e pelo mesmo caminho passou primeiro um sacerdote e depois um levita, que talvez fizessem bem a outros homens, mas que não fizeram para aquele que tinha descido de Jerusalém a Jericó. O sacerdote violou, segundo o meu juízo, a Lei; o levita violou, segundo me parece, as profecias e vendo-o, o deixaram e passaram a distância, porque a providência o conservava meio-vivo para que aquele que é mais poderoso que a Lei e os profetas, isto é, para o samaritano, palavra que significa “guardião”.
Este é aquele que não dorme, o vigia de Israel que não dorme, o samaritano que veio, e não de Jerusalém a Jericó, como o sacerdote e o levita, para salvar aquele que estava meio-morto, ou que, se desceu, desceu para salvar e para guardar aquele que ia morrer. A esse foi que os judeus chamaram “samaritano” e disseram que tinha um demônio.
Quando se chegou ao moribundo, e o viu envolto em seu próprio sangue, compadecendo-se dele, aproximou-se para se tornar o seu próximo. Vendo suas chagas, derramou vinho misturado com azeite... Este é o samaritano de cujos cuidados e auxílios necessitam todos os que sofrem, e este é o samaritano cujo auxílio necessita todo o que, descendo de Jerusalém, caiu nas mãos dos ladrões.
Para que entendas que este samaritano descia por disposição de Deus para cuidar do que foi atacado pelos ladrões, deves observar que já trazia consigo as faixas, o vinho e o azeite. Isto me parece que ocorreu não somente em atenção a este homem meio-morto, mas por todos aqueles que, feridos, necessitam de suas faixas, de seu vinho e de seu azeite.
Carregou o ferido sobre o jumento, sobre seu próprio corpo, o que somente significa que se dignou assumir a nossa humanidade. Este samaritano lavou os nossos pecados, sofreu por nós, carregou o homem meio-morto, levou-o para a pousada, isto é, a Igreja, que recebe a todos e que não nega o seu auxílio a ninguém, e à qual nos convoca Jesus, dizendo: Vinde a mim todos vós que estais cansados e sobrecarregados, que eu vos aliviarei.
Tendo-o levado à pousada, não foi embora imediatamente, mas ficou com ele um dia inteiro, cuidando-o dia e noite... Quando chegou a manhã seguinte quer partir, mas dá de seu bom dinheiro dois denários e encarrega ao posseiro, aos anjos de sua Igreja, que cuidem e levem ao céu aquele que ele tinha cuidado das angústias deste tempo.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 677-679. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

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