sábado, 2 de fevereiro de 2019

Homilia: IV Domingo do Tempo Comum - Ano C

São Cirilo de Alexandria
Comentário ao livro do Profeta Isaías
“Cristo é portador de uma boa notícia para os pobres de toda a terra”

Cristo, a fim de restaurar o mundo e reconduzir a Deus Pai todos os habitantes da terra, melhorando e renovando tudo, como quem diz, a face da terra, assumiu a condição de servo – apesar de ser o Senhor do universo – e trouxe a boa notícia aos pobres, afirmando que exatamente para isso tinha sido enviado.
São pobres e como tais devemos considerar aos que se debatem na indigência de tudo. Bem, não lhes resta esperança alguma e, como diz a Escritura, estão no mundo privados de Deus. Pertencem a este número os que, vindos do paganismo, foram enriquecidos pela fé nele, alcançaram um tesouro celestial e divino; refiro-me à pregação do Evangelho de salvação, mediante o qual são partícipes do reino celestial e da companhia dos santos, e herdeiros de alguns bens que nem a imaginação nem a linguagem humana são capazes de abarcar. Pois como está escrito: Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem o homem imaginou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.
A não ser que o que aqui quer dizer-nos é que aos pobres no espírito Cristo lhes concedeu o multifacetado ministério dos carismas. Chama de quebrantados de coração aos que possuem um espírito fraco e frágil, e são incapazes de enfrentarem os assaltos das tentações e, de tal forma a elas estão submetidos, que se diriam seus escravos. A estes lhes promete a salvação e a cura, e aos cegos lhe dá a vista.
Pelo que se refere àqueles que prestam culto à criatura e dizem a um lenho: és meu pai; a uma pedra: gerou-me, e depois, não conheceram ao que por natureza é o verdadeiro Deus, que outra coisa são a não ser cegos e dotados de um coração privado da luz divina e inteligível? A estes o Pai lhes infunde a luz do verdadeiro conhecimento de Deus, pois foram chamados mediante a fé e lhe conheceram; ainda mais: foram conhecidos dele. Sendo como eram filhos da noite e das trevas, converteram-se em filhos da luz, porque para eles despontou o dia, ergueu-se o Sol da justiça e brilhou o resplandecente luzeiro.
Julgo que não existe nenhum inconveniente em aplicar tudo o que foi dito aos irmãos nascidos no seio do judaísmo. Também eles eram pobres, tinham o coração desgarrado, estavam como cativos e jaziam nas trevas. Veio Cristo e, com preferência aos demais, anunciou aos israelitas as majestosas e ilustres façanhas de sua presença; veio, também, para proclamar o ano da graça do Senhor, o dia da desforra. Ano da graça foi aquele em que, por nós, Cristo foi crucificado. Foi naquela ocasião quando nos convertemos em pessoas gratas a Deus Pai e quando, por meio de Cristo, demos fruto. É o que ele nos ensinou quando disse: Asseguro-vos que, se o grão de trigo não cai na terra e morre, permanece infecundo; mas se morre, dá muito fruto.
Por Cristo, veio efetivamente o consolo sobre os aflitos de Sião, e sua cinza converteu-se em glória. De fato, deixaram de chorá-la e de lamentar-se por ela, e começaram, no auge de sua alegria, a pregar e anunciar o Evangelho.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 629-630. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

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