domingo, 29 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Domingo de Ramos (2006)

Há 20 anos, no dia 09 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano B) na Praça de São Pedro. Na mesma ocasião se celebrou a XXI Jornada Mundial da Juventude, com a entrega da Cruz aos jovens de Sydney (Austrália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
XXI Jornada Mundial da Juventude
Homilia do Papa Bento XVI
Praça de São Pedro
Domingo, 09 de abril de 2006

Amados irmãos e irmãs,
1. Há vinte anos, graças ao Papa João Paulo II, o Domingo de Ramos tornou-se de modo particular o dia da juventude - o dia em que os jovens em todo o mundo vão ao encontro de Cristo desejando acompanhá-lo nas suas cidades e nos seus países, para que Ele permaneça no meio de nós e possa estabelecer no mundo a sua paz. Se queremos ir ao encontro de Jesus e assim caminhar juntamente com Ele ao longo da sua estrada, deveremos, porém, perguntar: Qual é o caminho pelo qual Ele pretende nos guiar? O que nós esperamos d’Ele? O que Ele espera de nós?


2. Para compreender o que aconteceu no Domingo de Ramos e descobrir o que significa, não só para aquela época, mas para todos os tempos, é importante um detalhe, que se tornou a chave para a compreensão desse acontecimento para os seus discípulos quando, após a Páscoa, eles repassaram com um novo olhar aqueles dias tumultuosos.

Jesus entra na Cidade Santa montado em um jumento, ou seja, o animal das pessoas simples do campo, e além disso em um jumento que não lhe pertence, mas que Ele, para essa ocasião, pede emprestado. Não chega em uma majestosa carruagem real, nem a cavalo, como os poderosos do mundo, mas em um jumento emprestado. João nos conta que, em um primeiro momento, os discípulos não o compreenderam. Somente depois da Páscoa se deram conta de que Jesus, agindo assim, estava cumprindo os anúncios dos profetas; entenderam que sua ação derivava da Palavra de Deus e a levava a cumprimento. Recordaram, diz João, que no profeta Zacarias se lê: «Não temas, filha de Sião! Eis que o teu rei vem montado em um jumentinho!» (Jo 12,15; cf. Zc 9,9).

Homilia do Papa João Paulo II: Domingo de Ramos (2001)

Há 25 anos, no dia 08 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor (Ano C) na Praça de São Pedro. Na mesma ocasião se celebrou a XVI Jornada Mundial da Juventude, com a entrega da Cruz aos jovens de Toronto (Canadá).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor
XVI Jornada Mundial da Juventude
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 08 de abril de 2001

1. «Hosana!», «Crucifica-o!». Poderíamos resumir com estas duas palavras, provavelmente pronunciadas pela mesma multidão à distância de poucos dias, o significado dos dois acontecimentos que recordamos nesta Liturgia dominical.

Com a aclamação «Bendito o que vem!», em um ímpeto de entusiasmo, o povo de Jerusalém, agitando ramos de palmeira, acolhe Jesus que entra na cidade montado em um jumento. Com o «Crucifica-o!», gritado duas vezes em um crescente furor, a multidão exige ao governador romano a condenação do réu que, em silêncio, está de pé no Pretório.


A nossa celebração, portanto, começa com um «Hosana!» e termina com um «Crucifica-o!». Os ramos do triunfo e a cruz da Paixão: não é uma contradição, ao contrário, é o coração do mistério que queremos proclamar. Jesus se entregou voluntariamente à Paixão, não foi esmagado por forças maiores do que Ele. Enfrentou livremente a morte de cruz e triunfou na morte.

Perscrutando a vontade do Pai, Ele compreendeu que tinha chegado a «hora» e a acolheu com a obediência livre do Filho e com infinito amor pelos homens: «Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1).

2. Hoje olhamos para Jesus que se aproxima do final da sua vida e se apresenta como Messias esperado pelo povo, enviado por Deus e vindo em seu nome para trazer a paz e a salvação, embora de uma forma diferente daquela que os seus contemporâneos esperavam.

sábado, 28 de março de 2026

Festa da Anunciação do Senhor em Kiev (2026)

No dia 25 de março de 2026 o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia da Festa da Anunciação do Senhor na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia).

Na ocasião foram recordados os 15 anos da eleição de Dom Sviatoslav Shevchuk como Arcebispo Maior no dia 23 de março de 2011, confirmada pelo Papa Bento XVI (†2022) no dia 25 de março.

Como já indicamos em outras ocasiões, apesar de a Anunciação ser uma festa cristológica, os paramentos azuis, associados à Virgem Maria, destacam sua participação nesse mistério. Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone da festa clicando aqui.

O Arcebispo abençoa com o dikirion e o trikirion
Incensação

Evangelho
Homilia

Solenidade da Anunciação do Senhor em Nazaré (2026)

Nos dias 24 e 25 de março de 2026 o Patriarca Latino de Jerusalém, Cardeal Pierbattista Pizzaballa, presidiu as celebrações da Solenidade da Anunciação do Senhor na Basílica da Anunciação em Nazaré: as I Vésperas na tarde do dia 24 na igreja inferior e a Missa no dia 25 na igreja superior.

Infelizmente foram divulgadas poucas imagens das celebrações, realizadas com um número reduzido de fiéis devido à guerra entre Israel e Irã.

24 de março: I Vésperas

Procissão de entrada
Hino
Homilia
Incensação durante o Magnificat
Incensação da Gruta da Anunciação

sexta-feira, 27 de março de 2026

Viagem do Papa Leão XIV: Mônaco (2026)

No dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV realiza a 2ª Viagem Apostólica do seu pontificado e a 1ª dentro da Europa, com destino a Mônaco.

Após a Viagem à Turquia e ao Líbano no final de 2025, Leão XIV se torna o primeiro Bispo de Roma a visitar o Principado de Mônaco, segundo menor país do mundo (após o Vaticano), que se encontra no sul da França.

Logotipo da Viagem

Programa da Viagem

O Papa chega ao país na manhã do sábado, 28 de março, sendo acolhido oficialmente no Palácio do Príncipe de Mônaco (atualmente Alberto II).

Em seguida Leão XIV encontra a comunidade católica na Catedral da Imaculada Conceição e os jovens e os catecúmenos junto à igreja de Santa Devota, padroeira do país.

À tarde o Bispo de Roma celebra a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II (Stade Louis II), retornando em seguida ao Vaticano.

Catedral de Mônaco
Igreja de Santa Devota

Alguns dados da Igreja Católica em Mônaco:

Número de católicos: 31,5 mil (82% da população)
Circunscrições eclesiásticas: 01 (Arquidiocese de Mônaco) [1]
Paróquias: 06

Bispos: 01 (Dom Dominique-Marie David, Arcebispo de Mônaco)
Sacerdotes diocesanos: 19 / Sacerdotes religiosos: 08
Diáconos permanentes: 03 / Seminaristas: 02
Religiosas: 11

Escolas católicas: 05
Hospitais: 03 / Casas para idosos: 05
Orfanatos: 16 / Outras instituições sociais: 01


Nota:
[1] Sendo a única Diocese do país, trata-se de uma Arquidiocese não-Metropolitana. Portanto, esta não possui Dioceses sufragâneas e o Arcebispo de Mônaco não possui direito ao pálio.

Programa da viagem e estatísticas: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 3

Confira nesta postagem as duas reflexões “centrais” da seção sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”: a crucificação (Jo 19,28-30) e a Morte do Senhor (Mc 15,33-39).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 03 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.5. A Páscoa de Jesus: A crucificação (Jo 19,28-30)

Queridos irmãos e irmãs,
No coração do relato da Paixão, no momento mais luminoso e ao mesmo tempo mais tenebroso da vida de Jesus, o Evangelho de João nos entrega duas palavras que encerram um mistério imenso: «Tenho sede» (Jo 19,28), e logo em seguida: «Tudo está consumado» (v. 30). Palavras últimas, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a existência do Filho de Deus. Na cruz, Jesus não aparece como um herói vitorioso, mas como um mendigo de amor. Não proclama, não condena, não se defende. Pede, humildemente, aquilo que sozinho não pode de modo algum dar a si mesmo.

A sede do Crucificado não é apenas a necessidade fisiológica de um corpo destroçado. É também, e sobretudo, expressão de um desejo profundo: o desejo de amor, de relação, de comunhão. É o grito silencioso de um Deus que, tendo desejado partilhar tudo da nossa condição humana, se deixa atravessar também por esta sede. Um Deus que não se envergonha de mendigar um gole de água, porque nesse gesto nos diz que o amor, para ser verdadeiro, também deve aprender a pedir e não apenas a dar.

Crucificação (Frans Francken II)

«Tenho sede», diz Jesus, e assim manifesta a sua humanidade e também a nossa. Nenhum de nós pode bastar a si mesmo. Ninguém pode se salvar sozinho. A vida se “realiza” não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. E precisamente nesse momento, depois de ter recebido de mãos estranhas uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: «Está consumado». O amor se fez necessitado e, precisamente por isso, completou a sua obra.

Este é o paradoxo cristão: Deus não salva fazendo, mas deixando-se fazer. Não vencendo o mal com a força, mas aceitando até o fim a fraqueza do amor. Na cruz, Jesus nos ensina que o homem não se realiza no poder, mas na abertura confiante ao outro, mesmo quando este nos é hostil e inimigo. A salvação não está na autonomia, mas em reconhecer com humildade a própria necessidade e em saber expressá-la livremente.

terça-feira, 24 de março de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Anunciação do Senhor (2006)

Há 20 anos, no dia 25 de março de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Anunciação do Senhor com os novos Cardeais criados no Consistório do dia 24 de março [1]. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Solenidade da Anunciação do Senhor
Concelebração Eucarística com os novos Cardeais
Homilia do Papa Bento XVI 
Praça de São Pedro
Sábado, 25 de março de 2006

Senhores Cardeais e Patriarcas,
Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. É um grande motivo de alegria presidir esta Concelebração com os novos Cardeais, depois do Consistório de ontem, e considero providencial que ela se realize na Solenidade litúrgica da Anunciação do Senhor e sob o sol que o Senhor nos dá. Na Encarnação do Filho de Deus, com efeito, reconhecemos os inícios da Igreja. Tudo provém dali. Toda realização histórica da Igreja e também todas as suas instituições devem se referir a essa Fonte originária. Devem se referir a Cristo, Verbo de Deus encarnado. É Ele que nós celebramos sempre: o Emanuel, o Deus-conosco, por meio do qual se cumpriu a vontade salvífica de Deus Pai.


E, contudo - precisamente hoje contemplamos este aspecto do Mistério -, a Fonte divina flui através de um canal privilegiado: a Virgem Maria. Com uma imagem eloquente São Bernardo fala, a respeito, de aquaeductus, “aqueduto” (cf. Sermo in Nativitate B.V. Mariae: PL 183, 437-448). Celebrando a Encarnação do Filho, portanto, não podemos deixar de honrar a Mãe. A ela foi dirigido o anúncio angélico; ela o acolheu e, quando do fundo do coração respondeu: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38), nesse momento o Verbo eterno começou a existir como ser humano no tempo.

2. De geração em geração permanece viva a admiração por esse inefável mistério. Santo Agostinho, imaginando dirigir-se ao Anjo da Anunciação, pergunta: “Diz-me, ó Anjo, por que aconteceu isso em Maria?”. A resposta, diz o Mensageiro, está contida nas próprias palavras da saudação: “Ave, ó cheia de graça” (cf. Sermo 291, 6). Com efeito, “entrando onde ela estava”, o Anjo não a chama pelo seu nome terreno, Maria, mas pelo seu “nome divino”, assim como Deus a vê desde sempre e a qualifica: “cheia de graça”, gratia plena, que no original grego é κεχαριτωµενη, “plena de graça”, e a graça nada mais é do que o amor de Deus; assim, em última instância poderíamos traduzir essa palavra como “amada” por Deus (cf. Lc 1,28).