quinta-feira, 2 de abril de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Missa da Ceia do Senhor (2006)

Há 20 anos, na tarde da Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Latrão, a Catedral de Roma. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa da Ceia do Senhor
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica do Latrão
Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006

Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Amados irmãos e irmãs,
«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1): Deus ama a sua criatura, o homem; ama-o mesmo na sua queda e não o abandona a si mesmo. Ele ama até o fim. Vai com o seu amor até o fim, até o extremo: desce da sua glória divina. Depõe as vestes da sua glória divina e endossa as vestes do servo. Desce até a extrema baixeza da nossa queda. Ajoelha-se diante de nós e presta-nos o serviço do servo; lava os nossos pés sujos, para que possamos ser admitidos à mesa de Deus, para que nos tornemos dignos de nos sentarmos à sua mesa - o que, por nós mesmos, nunca poderíamos nem deveríamos fazer.


Deus não é um Deus distante, muito distante e muito grande para se ocupar das nossas insignificâncias. Porque Ele é grande, pode interessar-se também pelas coisas pequenas. Porque Ele é grande, a alma do homem, o mesmo homem criado para o amor eterno, não é uma coisa pequena, mas grande e digna do seu amor. A santidade de Deus não é só um poder incandescente, diante do qual devemos nos retirar aterrorizados; é poder de amor e por isso é poder que purifica e restabelece.

Deus desce e se torna servo, lava os nossos pés para que possamos estar à sua mesa. Nisso se exprime todo o mistério de Jesus Cristo. Nisso se torna visível o que significa redenção. O banho no qual nos lava é o seu amor pronto a enfrentar a morte. Só o amor tem aquela força purificadora que nos tira a nossa impureza e nos eleva às alturas de Deus. O banho que nos purifica é Ele mesmo, que se doa totalmente a nós - até as profundezas do seu sofrimento e da sua morte. Ele é continuamente este amor que nos lava; nos Sacramentos da purificação - o Batismo e a Penitência - Ele está continuamente ajoelhado diante dos nossos pés e presta-nos o serviço do servo, o serviço da purificação, que nos torna capazes de Deus. O seu amor é inexaurível, vai verdadeiramente até o fim.

Homilia do Papa João Paulo II: Missa da Ceia do Senhor (2001)

Há 25 anos, na tarde da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Latrão, a Catedral de Roma. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa da Ceia do Senhor
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica do Latrão
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «In supremae nocte Cenae recumbens cum fratribus...» - «Na noite da Última Ceia, estando à mesa com os irmãos... com as suas próprias mãos deu-se a si mesmo em alimento aos Doze».

Com estas palavras o belo hino “Pange lingua apresenta a Última Ceia, na qual Jesus nos deixou o admirável Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue. As leituras proclamadas há pouco ilustram o seu sentido profundo. Elas formam como que um tríptico: apresentam a instituição da Eucaristia, a sua prefiguração no Cordeiro pascal e a sua tradução existencial no amor e no serviço fraterno.


Foi o Apóstolo Paulo, na Primeira Carta aos Coríntios, a recordar-nos o que Jesus fez «na noite em que foi entregue». Ao relato do fato histórico Paulo acrescentou seu comentário: «Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que Ele venha» (1Cor 11,26). A mensagem do Apóstolo é clara: a comunidade que celebra a Ceia do Senhor atualiza a Páscoa. A Eucaristia não é a simples memória de um rito passado, mas a viva representação do gesto supremo do Salvador. Essa experiência não pode deixar de impelir a comunidade cristã a fazer-se profecia do mundo novo, inaugurado na Páscoa. Contemplando esta tarde o mistério de amor que a Última Ceia nos repropõe, permaneçamos também nós em comovida e silenciosa adoração.

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Missa Crismal (2006)

Há cerca de 20 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006

Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
1. A Quinta-feira Santa é o dia no qual o Senhor confiou aos Doze a tarefa sacerdotal de celebrar, no pão e no vinho, o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue até a sua volta. O cordeiro pascal e todos os sacrifícios da Antiga Aliança são substituídos pelo dom do seu Corpo e do seu Sangue, pelo dom de si mesmo. Assim, o novo culto se fundamenta no fato de que, antes de tudo, Deus nos concede um dom e nós, repletos deste dom, nos tornamos seus: a criação regressa ao Criador. Assim, também o sacerdócio se tornou uma coisa nova: não é mais questão de descendência, mas um encontrar-se no mistério de Jesus Cristo.


Ele é sempre Aquele que doa e nos eleva, nos atrai a si. Somente Ele pode dizer: «Isto é o meu Corpo - Isto é o meu Sangue». O mistério do sacerdócio da Igreja se encontra no fato de que nós, pobres seres humanos, em virtude do Sacramento podemos falar com o seu Eu: in persona Christi. Ele quer exercer o seu sacerdócio através de nós. Este mistério comovedor, que em cada celebração do Sacramento nos toca novamente, nós o recordamos de maneira particular na Quinta-feira Santa. Para que a vida quotidiana não desperdice o que é grande e misterioso, temos necessidade dessa lembrança específica, precisamos retornar àquela hora em que Ele impôs as suas mãos sobre nós e nos tornou participantes desse mistério.

Homilia do Papa João Paulo II: Missa Crismal (2001)

Há cerca de 25 anos, na manhã da Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa Crismal (Missa dos Santos Óleos) na Basílica de São Pedro. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:

Santa Missa Crismal
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quinta-feira Santa, 12 de abril de 2001

1. «Spiritus Domini super me, eo quod unxerit Dominus me» - «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque o Senhor me ungiu» (Is 61,1).

Nestes versículos, tomados do Livro de Isaías, está contido o “fio-condutor” da Missa Crismal. A nossa atenção se concentra sobre a unção, dado que daqui a pouco serão abençoados o Óleo dos Catecúmenos, o Óleo dos Enfermos e o Crisma.

Vivemos esta manhã uma festa particular no sinal do «óleo da alegria» (Sl 44,8). É festa do povo de Deus, que hoje fixa o olhar no mistério da unção, que marca a vida de cada cristão, a partir do dia do Batismo.


É festa, de maneira especial, de todos nós, caríssimos e venerados irmãos no Sacerdócio, ordenados presbíteros para o serviço do povo cristão. Agradeço-vos cordialmente pela vossa numerosa presença em torno do altar da Confissão de São Pedro. Vós representais o presbitério romano e, em certo sentido, o presbitério do mundo.

Celebramos a Missa Crismal às portas do Tríduo Pascal, centro e ápice do Ano Litúrgico. Este sugestivo rito toma a sua luz, por assim dizer, do Cenáculo, isto é, do mistério de Cristo Sacerdote, que na Última Ceia se consagra a si mesmo, antecipando o sacrifício cruento do Gólgota. É da Mesa eucarística que desce a sagrada unção. O Espírito divino difunde o seu místico perfume em toda a casa (cf. Jo 12,3), isto é, na Igreja, e torna especialmente os sacerdotes participantes da mesma consagração de Jesus (cf. Coleta).

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 4

Quase concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira as duas meditações do Papa Leão XIV ligadas ao Sábado Santo: o sepulcro (Jo 19,38-42) e a descida (1Pd 3,18-19).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.7. A Páscoa de Jesus: O sepulcro (Jo 19,38-42)

Queridos irmãos e irmãs,
No nosso caminho de Catequeses sobre Jesus, nossa esperança, contemplemos hoje o mistério do Sábado Santo. O Filho de Deus jaz no sepulcro. Mas esta sua “ausência” não é um vazio: é espera, plenitude contida, promessa guardada na escuridão. É o dia do grande silêncio, no qual o céu parece mudo e a terra imóvel, mas é precisamente ali que se realiza o mistério mais profundo da fé cristã. É um silêncio “grávido” de sentido, como o ventre de uma mãe que guarda o filho que ainda não nasceu, mas já está vivo.

O corpo de Jesus, descido da cruz, é cuidadosamente envolvido em faixas, como se faz com o que é precioso. O evangelista João nos diz que foi sepultado em um jardim, dentro de «um túmulo novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado» (Jo 19,41). Nada é deixado ao acaso. Aquele jardim remete ao Éden perdido, o lugar onde Deus e o homem estavam unidos. E aquele sepulcro nunca usado fala de algo que ainda deve acontecer: é um limiar, não um fim. No início da criação, Deus plantou um jardim; agora também a nova criação tem início em um jardim: com um túmulo fechado que logo se abrirá!

Sepultamento de Jesus (Alessandro Tiarini)

O Sábado Santo é também um dia de repouso. Segundo a Lei judaica, no sétimo dia não se deve trabalhar: com efeito, após seis dias de criação, Deus descansou (cf. Gn 2,2). Agora também o Filho, depois de ter completado a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até o fim. Não há mais nada a acrescentar. Esse descanso é o selo da obra realizada, é a confirmação de que aquilo que devia ser feito foi verdadeiramente concluído. É um descanso repleto da presença oculta do Senhor.

Temos dificuldade de parar e descansar. Vivemos como se a vida nunca fosse suficiente. Corremos para produzir, para demonstrar, para não perder terreno. Mas o Evangelho nos ensina que saber parar é um gesto de confiança que devemos aprender a realizar. O Sábado Santo nos convida a descobrir que a vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também de como sabemos nos desapegar daquilo que pudemos fazer.

terça-feira, 31 de março de 2026

Posse do Arcebispo de Lódz (2026)

No dia 28 de março de 2026, sábado da V semana da Quaresma, o Cardeal Konrad Krajewski, após sua nomeação pelo Papa Leão XIV no dia 12 de março, tomou posse como novo Arcebispo Metropolitano de Łódź (Polônia) durante a Missa celebrada na Catedral de Santo Estanislau Kostka.

Como no caso da recente posse do Arcebispo de Cracóvia, o início da celebração foi presidido pelo Núncio Apostólico na Polônia, Dom Antonio Guido Filipazzi, que entregou o báculo ao novo Arcebispo (dois gestos, porém, que não são previstos pelo Cerimonial dos Bispos).

Cardeais Nycz, Krajewski e Ryś
Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento

Ritos iniciais

Fotos da Missa do Papa em Mônaco (2026)

Na tarde do dia 28 de março de 2026 o Papa Leão XIV celebrou a Missa do sábado da V semana da Quaresma no Estádio Luís II em Mônaco durante sua Viagem Apostólica ao Principado de Mônaco.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra