Há 20 anos, na tarde da Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Ceia do Senhor na Basílica do Latrão, a Catedral de Roma. Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:
Santa Missa da Ceia do Senhor
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica do Latrão
Quinta-feira Santa, 13 de abril de 2006
Caros irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Amados irmãos e irmãs,
«Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1): Deus ama
a sua criatura, o homem; ama-o mesmo na sua queda e não o abandona a si mesmo.
Ele ama até o fim. Vai com o seu amor até o fim, até o extremo: desce da sua
glória divina. Depõe as vestes da sua glória divina e endossa as vestes do
servo. Desce até a extrema baixeza da nossa queda. Ajoelha-se diante de nós e
presta-nos o serviço do servo; lava os nossos pés sujos, para que possamos ser
admitidos à mesa de Deus, para que nos tornemos dignos de nos sentarmos à sua
mesa - o que, por nós mesmos, nunca poderíamos nem deveríamos fazer.
Deus não é um
Deus distante, muito distante e muito grande para se ocupar das nossas
insignificâncias. Porque Ele é grande, pode interessar-se também pelas coisas
pequenas. Porque Ele é grande, a alma do homem, o mesmo homem criado para o
amor eterno, não é uma coisa pequena, mas grande e digna do seu amor. A
santidade de Deus não é só um poder incandescente, diante do qual devemos nos retirar
aterrorizados; é poder de amor e por isso é poder que purifica e restabelece.
Deus desce e se torna
servo, lava os nossos pés para que possamos estar à sua mesa. Nisso se exprime todo
o mistério de Jesus Cristo. Nisso se torna visível o que significa redenção. O
banho no qual nos lava é o seu amor pronto a enfrentar a morte. Só o amor tem
aquela força purificadora que nos tira a nossa impureza e nos eleva às alturas
de Deus. O banho que nos purifica é Ele mesmo, que se doa totalmente a nós -
até as profundezas do seu sofrimento e da sua morte. Ele é continuamente este
amor que nos lava; nos Sacramentos da purificação - o Batismo e a Penitência - Ele
está continuamente ajoelhado diante dos nossos pés e presta-nos o serviço do
servo, o serviço da purificação, que nos torna capazes de Deus. O seu amor é
inexaurível, vai verdadeiramente até o fim.



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