domingo, 12 de abril de 2026

Homilia do Papa João Paulo II: II Domingo da Páscoa (2001)

Há cerca de 25 anos, no dia 22 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do II Domingo da Páscoa (Ano C), o “Domingo da Divina Misericórdia”, na Praça de São Pedro um ano após a Canonização de Santa Faustina Kowalska.

Reproduzimos aqui sua homilia e sua breve reflexão antes da oração do Regina Coeli:

Celebração Eucarística no Domingo da Divina Misericórdia
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de abril de 2001

1. «Não tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre» (Ap 1,17-18).
Ouvimos na 2ª Leitura, tomada do Livro do Apocalipse, estas palavras consoladoras. Elas nos convidam a dirigir o olhar a Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A cada um, seja qual for a condição em que se encontre, mesmo a mais complexa e dramática, o Ressuscitado responde: «Não tenhas medo!»; morri na cruz, mas agora «vivo para sempre». «Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive».

«O Primeiro», isto é, a fonte de todo ser e primícias da nova criação; «o Último», o fim definitivo da história; «Aquele que vive», a fonte inexaurível da Vida que derrotou a morte para sempre. No Messias Crucificado e Ressuscitado reconhecemos os traços do Cordeiro imolado no Gólgota, que implora o perdão para os seus algozes e abre para os pecadores arrependidos as portas do céu; entrevemos o rosto do Rei imortal que agora tem «a chave da morte e da região dos mortos» (v. 18).


2. «Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!» (Sl 117,1).
Façamos nossa a exclamação do salmista, que cantamos no Salmo responsorial: Eterna é a misericórdia do Senhor! Para compreender profundamente a verdade dessas palavras, deixemo-nos conduzir pela Liturgia ao coração do acontecimento da salvação, que une a Morte e a Ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da humanidade. É um prodígio no qual se manifesta plenamente o amor do Pai que, pela nossa redenção, não recua nem mesmo diante do sacrifício do seu Filho Unigênito.

No Cristo humilhado e sofredor crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida imaginável. A Cruz, mesmo depois da Ressurreição do Filho de Deus, «fala e não cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor pelo homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia» (Encíclica Dives in misericordia, n. 7).

Fotos da Bênção Urbi et Orbi de Páscoa (2026)

No dia 05 de abril de 2026, após celebrar a Missa na Praça de São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao balcão central da Basílica Vaticana para a tradicional Bênção Urbi et Orbi (À cidade [de Roma] e ao mundo) por ocasião do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor.

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz e pelos Cardeais Dominique Mamberti (Protodiácono) e Ernest Simoni.

Execução dos hinos do Vaticano e da Itália


Mensagem de Páscoa

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Páscoa (2026)

Papa Leão XIV
Mensagem Urbi et Orbi de Páscoa
Balcão central da Basílica de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Irmãos e irmãs,
Cristo ressuscitou! Feliz Páscoa!

Há séculos a Igreja canta exultante o acontecimento que é a origem e o fundamento da sua fé: «O Senhor da vida estava morto, mas agora, vivo, triunfa. Sabemos e acreditamos: Cristo ressuscitou dos mortos: Ó Rei vitorioso, tende piedade de nós» (Sequência Pascal).

A Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio. Uma vitória a um preço muito alto: Cristo, o Filho do Deus vivo (cf. Mt 16,16), teve que morrer, e morrer em uma cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo (cf. Jo 1,29; 1Pd 1,18-19) e assim nos libertou todos do domínio do mal, e conosco também a criação.


Mas como Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo Adversário, o Príncipe deste mundo (cf. Jo 12,31)? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai?

Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata.

Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação (cf. Mt 26,42). Assim, percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar, a nós que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar, a nós que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida, a nós mortais, deixou-se matar na cruz.

sábado, 11 de abril de 2026

Missa do Domingo de Páscoa no Vaticano (2026)

Na manhã do dia 05 de abril de 2026 o Papa Leão XIV presidiu a Missa do Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor na Praça de São Pedro.

A Missa teve início com o tradicional rito do Ressurrexit. Destacamos a proclamação do Evangelho em latim e grego, gesto próprio das celebrações mais solenes presididas pelo Bispo de Roma.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada


Incensação do altar
Rito do Ressurrexit

Homilia do Papa: Domingo de Páscoa (2026)

Domingo de Páscoa da Ressurreição do Senhor
Homilia do Papa Leão XIV
Praça de São Pedro
Domingo, 05 de abril de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje toda a criação resplandece com uma nova luz; da terra se eleva um cântico de louvor; o nosso coração exulta de alegria: Cristo ressuscitou da morte e, com Ele, também nós ressuscitamos para uma vida nova!

Este anúncio pascal abraça o mistério da nossa vida e o destino da história, nos alcançando nas profundezas dos abismos da morte, onde nos sentimos ameaçados e, por vezes, oprimidos. Ele nos abre à esperança que não falha, à luz que não se põe, àquela plenitude de alegria que nada pode apagar: a morte foi vencida para sempre, a morte já não tem poder sobre nós!

Esta é uma mensagem nem sempre fácil de aceitar, uma promessa que nos custa acolher, porque o poder da morte nos ameaça constantemente, por dentro e por fora.


Dentro de nós, quando o fardo dos nossos pecados nos impede de voar; quando as desilusões ou a solidão que experimentamos esgotam as nossas esperanças; quando as preocupações ou os ressentimentos sufocam a alegria de viver; quando estamos tristes ou cansados, quando nos sentimos traídos ou rejeitados, quando temos que lidar com a nossa fraqueza, com o sofrimento, com o desgaste do dia a dia, parecendo que fomos parar em um túnel do qual não vemos a saída.

Mas também fora de nós, a morte está sempre à espreita. Vemo-la presente nas injustiças, nos egoísmos de parte, na opressão dos pobres, na escassa atenção pelos mais fracos. Vemo-la na violência, nas feridas do mundo, no grito de dor que se eleva de todas as partes devido aos abusos que oprimem os mais vulneráveis, devido à idolatria do lucro que saqueia os recursos da terra, devido à violência da guerra que mata e destrói.

Vigília Pascal no Vaticano (2026)

No Sábado Santo, 04 de abril de 2026, o Papa Leão XIV presidiu a Vigília Pascal na Noite Santa da Ressurreição do Senhor na Basílica de São Pedro,

A celebração teve início no átrio da Basílica com a Liturgia da Luz. Após a Liturgia da Palavra, por sua vez, o Papa conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a dez adultos, cinco da Diocese de Roma e cinco de outros países.

Leão XIV foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor L'ubomír Welnitz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Destacamos o uso de uma casula do Papa Bento XVI (†2022), que este costumava usar nas Missas com Batismos, e da pia batismal realizada em 1996 pelo escultor Mario Toffetti (†2013), que há alguns anos não era utilizada nas celebrações pontifícias.

Liturgia da Luz
Preparação do círio pascal
Imposição do incenso
O Papa acende sua vela no círio
Procissão

Homilia do Papa: Vigília Pascal (2026)

Vigília Pascal na Noite Santa (Ano A)
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Sábado Santo, 04 de abril de 2026

«Esta noite (...) dissipa o ódio e dobra os poderosos, enche de luz e paz os corações» (Precônio Pascal).
Assim, queridos irmãos e irmãs, no início desta celebração, o diácono exaltou a luz de Cristo Ressuscitado, simbolizada no Círio Pascal. A partir deste único Círio todos acendemos as nossas velas e, cada um portando uma pequena chama tomada do mesmo fogo, iluminamos esta grande Basílica. É o sinal da luz pascal, que nos une na Igreja como lâmpadas para o mundo. À proclamação do diácono respondemos “Amém”, afirmando o nosso compromisso de abraçar esta missão, e daqui a pouco repetiremos o nosso “sim” renovando as Promessas Batismais.

Caríssimos, esta é uma Vigília repleta de luz, a mais antiga da tradição cristã, conhecida como «a mãe de todas as vigílias». Nela revivemos o memorial da vitória do Senhor da vida sobre a morte e sobre os infernos. Fazemo-lo depois de ter percorrido, nos últimos dias, como em uma única grande celebração, os mistérios da Paixão do Deus que por nós se fez «homem coberto de dores», «desprezado como o último dos mortais» (Is 53,3), torturado e crucificado.


Existe caridade maior? Existe gratuidade mais completa? O Ressuscitado é o próprio Criador do universo que, como nos primórdios da história nos deu a existência a partir do nada, assim também na cruz, para nos mostrar o seu amor sem limites, nos deu a vida.

A 1ª leitura, com o relato das origens, no-lo recordou. «No princípio Deus criou o céu e a terra» (Gn 1,1), tirando do caos o cosmos, da desordem a harmonia, e confiando a nós, criados à sua imagem e semelhança, a tarefa de sermos seus guardiões. E mesmo quando, com o pecado, o homem não correspondeu a esse projeto, o Senhor não o abandonou, mas lhe revelou de forma ainda mais surpreendente, no perdão, o seu rosto misericordioso.