Há 20 anos, na noite do Sábado Santo, 15 de abril de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Vigília Pascal na Noite Santa da Ressurreição do Senhor (Ano B) na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu os Sacramentos da Iniciação Cristã a sete adultos de diversos países do mundo.
Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião:
Vigília Pascal na Noite Santa
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Sábado Santo, 15 de abril de 2006
1. «Vós procurais Jesus de Nazaré, que foi crucificado? Ele ressuscitou. Não está aqui» (Mc 16,6). Assim o mensageiro de Deus, vestido de branco, fala às mulheres que procuram o corpo de Jesus no túmulo. Mas, nesta noite santa, o evangelista diz a mesma coisa também a nós: Jesus não é um personagem do passado. Ele vive, e como vivente caminha à nossa frente; chama-nos a segui-lo, a Ele, o Vivente, e a encontrarmos assim também nós o caminho da vida.
2. «Ressuscitou. Não está aqui». Quando Jesus falou pela primeira vez da Cruz e da Ressurreição aos discípulos, descendo o monte da Transfiguração, eles se perguntavam o que queria dizer «ressuscitar dos mortos» (Mc 9,10). Na Páscoa nos alegramos porque Cristo não permaneceu no sepulcro, o seu corpo não conheceu a corrupção; pertence ao mundo dos vivos, não ao mundo dos mortos; nos alegramos porque - como proclamamos no rito do círio pascal - Ele é ao mesmo tempo o Alfa e o Ômega e, portanto, existe não apenas ontem, mas hoje e por toda a eternidade (cf. Hb 13,8).
Mas, de certa
forma, a Ressurreição está tão além do nosso horizonte, tão além de todas as
nossas experiências que, reentrando em nós mesmos, continuamos a discussão dos
discípulos: em que consiste precisamente “ressuscitar”? O que significa para
nós? O que significa para o mundo e para a história no seu conjunto? Um teólogo
alemão disse ironicamente uma vez que o milagre de um cadáver reanimado - se é
que isso realmente aconteceu, coisa que ele, porém, não acreditava - no fim das
contas seria irrelevante porque, precisamente, não diz respeito a nós. Com
efeito, se apenas uma vez alguém tivesse sido reanimado, e nada mais, de que
modo isso teria a ver conosco? Mas a Ressurreição de Cristo é justamente algo
mais, é uma coisa distinta. Se pudermos usar por uma vez a linguagem da teoria
da evolução, ela é a maior “mutação”, o salto absolutamente mais decisivo para
uma dimensão totalmente nova, como nunca tinha acontecido na longa história da
vida e dos seus avanços: um salto de uma ordem completamente nova, que tem a
ver conosco e diz respeito a toda a história.






