Há cerca de 25 anos, no dia 22 de abril de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa do II Domingo da Páscoa (Ano C), o “Domingo da Divina Misericórdia”, na Praça de São Pedro um ano após a Canonização de Santa Faustina Kowalska.
Reproduzimos aqui sua homilia e sua breve reflexão antes da oração do Regina Coeli:
Celebração Eucarística no Domingo da Divina Misericórdia
Homilia do Papa João Paulo II
Praça de São Pedro
Domingo, 22 de abril de 2001
1. «Não
tenhas medo! Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que vive. Estive morto, mas
agora estou vivo para sempre» (Ap 1,17-18).
Ouvimos na 2ª Leitura,
tomada do Livro do Apocalipse, estas palavras consoladoras. Elas nos convidam
a dirigir o olhar a Cristo, para experimentar a sua presença tranquilizadora. A
cada um, seja qual for a condição em que se encontre, mesmo a mais complexa e
dramática, o Ressuscitado responde: «Não tenhas medo!»; morri na cruz, mas
agora «vivo para sempre». «Eu sou o Primeiro e o Último, Aquele que
vive».
«O Primeiro»,
isto é, a fonte de todo ser e primícias da nova criação; «o Último», o fim
definitivo da história; «Aquele que vive», a fonte inexaurível da Vida que
derrotou a morte para sempre. No Messias Crucificado e Ressuscitado
reconhecemos os traços do Cordeiro imolado no Gólgota, que implora o perdão
para os seus algozes e abre para os pecadores arrependidos as portas do céu;
entrevemos o rosto do Rei imortal que agora tem «a chave da morte e da região
dos mortos» (v. 18).
2. «Dai
graças ao Senhor, porque Ele é bom! Eterna é a sua misericórdia!» (Sl 117,1).
Façamos nossa a
exclamação do salmista, que cantamos no Salmo responsorial: Eterna é a misericórdia
do Senhor! Para compreender profundamente a verdade dessas palavras,
deixemo-nos conduzir pela Liturgia ao coração do acontecimento da salvação, que
une a Morte e a Ressurreição de Cristo à nossa existência e à história do
mundo. Este prodígio de misericórdia mudou radicalmente o destino da
humanidade. É um prodígio no qual se manifesta plenamente o amor do Pai que,
pela nossa redenção, não recua nem mesmo diante do sacrifício do seu Filho Unigênito.
No Cristo
humilhado e sofredor crentes e não-crentes podem admirar uma solidariedade
surpreendente, que o une à nossa condição humana para além de qualquer medida
imaginável. A Cruz, mesmo depois da Ressurreição do Filho de Deus, «fala e não
cessa de falar de Deus Pai, que é absolutamente fiel ao seu eterno amor pelo
homem... Crer neste amor significa acreditar na misericórdia» (Encíclica Dives
in misericordia, n. 7).


















