terça-feira, 22 de março de 2016

Homilia do Papa em Ordenação Episcopal

Ordenação Episcopal de Mons. Peter Brian Wells e Mons. Miguel Ángel Ayuso Guixot
Homilia do Santo Padre Francisco
Basílica Vaticana
Sábado, 19 de março de 2016

(O Papa proferiu a homilia da edição italiana do Pontifical Romano, com alguns acréscimos pessoais)

Irmãos e filhos caríssimos!
Far-nos-á bem refletir atentamente para qual elevada responsabilidade eclesial são chamados e promovidos estes nossos irmãos.
O nosso Senhor Jesus Cristo enviado pelo Pai para redimir os homens, por sua vez, enviou ao mundo os doze apóstolos, para que cheios do poder do Espírito Santo anunciassem o Evangelho a todos os povos, e reunindo-os sob um único pastor, os santificassem e guiassem para a salvação.
A fim de perpetuar de geração em geração este ministério apostólico, os Doze agregaram alguns colaboradores, transmitindo-lhes com a imposição das mãos o dom do Espírito recebido de Cristo, conferindo a plenitude do sacramento da Ordem. Assim, através da ininterrupta sucessão de bispos na tradição viva da Igreja conservou-se este ministério primário e a obra do Salvador continua e realiza-se até aos nossos tempos. No bispo circundado pelos seus presbíteros está presente no meio de vós o próprio nosso Senhor Jesus Cristo, sumo e eterno sacerdote.
De facto, é Cristo que no ministério do bispo continua a pregar o Evangelho de salvação e a santificar os crentes, mediante os sacramentos da fé. É Cristo que na paternidade do bispo acrescenta novos membros ao seu corpo, que é a Igreja. É Cristo que na sabedoria e prudência do bispo guia o povo de Deus na peregrinação terrena até à felicidade eterna. Cristo que prega, Cristo que realiza a Igreja, fecunda a Igreja, Cristo que guia: este é o bispo.
Portanto, recebei com alegria e gratidão estes nossos irmãos, que nós bispos com a imposição das mãos hoje associamos ao colégio episcopal. Prestai-lhes a honra que se deve aos ministros de Cristo e aos dispensadores dos mistérios de Deus, aos quais foram confiados o testemunho do Evangelho e o ministério do Espírito para a santificação. Recordai-vos das palavras de Jesus aos Apóstolos: «Quem vos escuta; a mim escuta; quem vos despreza, a mim despreza e quem me despreza, despreza Aquele que me enviou». Quanto a vós, caríssimos irmãos, eleitos pelo Senhor, refleti que fostes escolhidos entre os homens e para os homens, fostes constituídos nas realidades que dizem respeito a Deus. Com efeito, «episcopado» é o nome de um serviço, não de uma honorificência. Dado que ao bispo compete mais servir do que dominar, segundo o mandamento do Mestre: «Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve». Sede servos. De todos: dos grandes e dos pequenos. De todos. Mas sempre servos, ao serviço.
Anunciai a Palavra em qualquer ocasião: oportuna e inoportuna. Adverti, repreendei, exortai com toda a magnanimidade e doutrina. E mediante a oração e a oferta do sacrifício pelo vosso povo, hauri da plenitude da santidade de Cristo a multiforme riqueza da graça divina. Não vos esqueçais que a primeira tarefa do bispo é a oração. Pedro disse isto no dia da eleição dos sete diáconos. Segunda tarefa, o anúncio da Palavra. Depois vêm as outras. Mas a primeira é a oração. Se um bispo não rezar nada poderá fazer.
Na Igreja que vos foi confiada sede fiéis guardiões e dispensadores dos mistérios de Cristo, postos pelo Pai como guia da sua família, segui sempre o exemplo do Bom Pastor, que conhece as suas ovelhas: por detrás de cada documento há uma pessoa. Por detrás de cada carta que recebereis, há uma pessoa. Que aquela pessoa seja conhecida por vós e que sejais capazes de a conhecer.
Amai com amor de pai e de irmão todos os que Deus vos confiar. Antes de tudo, amai os presbíteros e os diáconos. Dá vontade de chorar quando se ouve que um presbítero pediu para falar com o seu bispo e a secretária ou secretário respondeu-lhe: «Tem muitas coisas a fazer, antes de três meses não te pode receber». O primeiro próximo do bispo é o seu presbítero, o primeiro próximo. Se tu não amares o primeiro próximo, não serás capaz de amar todos. Próximos dos presbíteros, dos diáconos, dos vossos colaboradores no ministério; próximos dos pobres, dos indefesos e de quantos necessitarem de acolhimento e ajuda. Fitai os fiéis nos olhos! Não obliquamente, nos olhos, para ver o coração. E que aquele teu fiel, seja ele presbítero, diácono ou leigo, possa ver o teu coração. Fitar sempre nos olhos.
Prestai viva atenção aos que não pertencem ao único redil de Cristo, porque também eles vos foram confiados no Senhor. Recordai-vos que na Igreja católica, reunida no vínculo da caridade, estais unidos ao Colégio dos bispos e deveis trazer convosco a solicitude de todas as Igrejas, socorrendo generosamente as que mais precisam de ajuda.

E vigiai com amor todo o rebanho no qual o Espírito Santo vos põe a governar a Igreja de Deus. Fazei isto em nome do Pai, do qual tornais presente a imagem; em nome de Jesus Cristo, seu Filho, pelo qual fostes constituídos mestres, sacerdotes e pastores. Em nome do Espírito Santo que dá vida à Igreja e com o seu poder apoia a nossa debilidade. O Senhor vos acompanhe e esteja próximo de vós neste caminho que iniciais hoje.


Fonte: Santa Sé

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