O culto aos Santos
Apóstolos Pedro e Paulo, martirizados aproximadamente no ano 67, durante a
perseguição de Nero, remonta às origens do Cristianismo. Testemunha fiel da
devoção da comunidade primitiva aos dois apóstolos são as inscrições nas
paredes das catacumbas romanas pedindo sua intercessão.
A data de 29 de
junho, ainda que não haja comprovação histórica, é definida dede o século IV
como o dia da morte dos dois Apóstolos. Como canta uma antiga antífona para este dia:
Hodie Simon Petrus ascendit crucis
patibulum, aleluia;
hodie clavicularius regni gaudens migravit
ad Christum;
hodie Paulus apostolus, lumen orbis terrae,
inclinato capite martyrio coronatus est,
aleluia.
Hoje Simão Pedro subiu ao patíbulo da cruz,
aleluia;
hoje o guardião das chaves do reino com
alegria partiu para Cristo;
hoje Paulo apóstolo, luz de toda a terra,
inclinou a cabeça coroada com o martírio,
aleluia.
O primeiro
registro da festa litúrgica remonta igualmente ao século IV. Segundo a Deposytio Martyrum (354), neste dia se
recordava o martírio de São Paulo em seu túmulo na Via Ostiense e o martírio de
São Pedro na catacumba da Via Ápia.
No século
seguinte foi acrescida uma terceira celebração, em honra a São Pedro, na
Basílica Vaticana. Construída pelo
Imperador Constantino em 326, situa-se diretamente sobre o túmulo do Apóstolo e
muito próxima ao local de seu martírio. Nesta Basílica encontra-se igualmente aquela que a tradição reconhece como a Cátedra de São Pedro, isto é, a cadeira na qual ele teria se sentado em suas primeiras
pregações na cidade de Roma.
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| Basílica de São Pedro |
A celebração na
Basílica de São Pedro reunia todos os anos uma multidão de fieis, tanto romanos
quanto peregrinos vindos de todo o mundo. São Paulino de Nola (séc. V) comenta
em uma de suas cartas que todos os anos dirigia-se à Roma para venerar os
túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo no dia de sua festa.
A partir do
século VIII foi acrescida à solenidade uma dupla vigília. A vigília em honra a
São Paulo era celebrada apenas pelos monges beneditinos, que até hoje cuidam da
Basílica construída sobre seu túmulo. A vigília em honra a São Pedro, na
Basílica Vaticana, era presidida pelo Papa, com a participação dos fieis
romanos e peregrinos.
A vigília solene
iniciava-se à meia noite do dia 29, com o canto de três salmos e nove leituras
junto à entrada do túmulo de São Pedro. A última leitura (do Evangelho) era
cantada pelo próprio Pontífice, que em seguida proferia sua homilia. Em
seguida, o coro entoava o Te Deum e o Papa concedia sua bênção.
| Túmulo de São Pedro na Basílica Vaticana |
Ao amanhecer era
celebrada a Missa solene, durante a qual eram cantadas as Laudes em honra ao
Papa. Após a Missa, o Pontífice, revestido da tiara papal, dirigia-se
processionalmente até sua residência, no palácio do Latrão.
A segunda
estação era celebrada nas catacumbas da Via Apia, onde no século IV foi
construída uma igreja em honra aos Apóstolos. Nesta igreja teriam sido
colocadas provisoriamente as relíquias de São Pedro e São Paulo durante a
perseguição do imperador Valeriano (258). Porém, após a construção das
Basílicas de São Pedro e de São Paulo, esta estação deixou de ser celebrada. Posteriormente,
a igreja foi dedicada em honra de São Sebastião.
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| Igreja de São Sebastião na Via Apia |
A terceira
estação era celebrada pelo Papa na Basílica de São Paulo. Porém, a partir do
século VIII, para não cansar o Pontífice, esta celebração foi transferida para
dia seguinte. Com isso, perdeu-se o sentido original da festa, que comemorava
os dois apóstolos como as duas colunas inseparáveis sobre as quais foi
edificada a Igreja.
A partir do século VII, para favorecer a participação do Papa nas celebrações da Basílica de São Paulo, as celebrações dos dois Apóstolos são divididas: São Pedro continua a ser celebrado no dia 29 e São Paulo passa a ser celebrado no dia 30. Somente com a reforma do Concílio Vaticano II recupera-se o caráter unitário original desta celebração.
Testemunhos do século XII descrevem a celebração na Basílica de São Paulo, seguindo a mesma estrutura da véspera: à meia-noite do dia 30 iniciava-se a solene vigília e, à aurora, celebrava-se a Santa Missa com grande solenidade. Uma particularidade era a deposição pelo Papa de um incensário fumegante junto ao túmulo de São Paulo no final da vigília.
Testemunhos do século XII descrevem a celebração na Basílica de São Paulo, seguindo a mesma estrutura da véspera: à meia-noite do dia 30 iniciava-se a solene vigília e, à aurora, celebrava-se a Santa Missa com grande solenidade. Uma particularidade era a deposição pelo Papa de um incensário fumegante junto ao túmulo de São Paulo no final da vigília.
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| Basílica de São Paulo |
A partir de Roma,
a festa passou a outras igrejas: no século IV já era celebrada em Milão, Turim
e no Norte da África. A partir do século VI foi acolhida também pela França e
por Constantinopla. Atualmente, após ser suprimida a divisão da festa em dois
dias e retomada a forma original, a solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e
Paulo é celebrada por toda a Igreja, tanto no Ocidente quanto no Oriente.
REFERÊNCIAS:
LODI, Enzo. Os santos do Calendário Romano. São
Paulo: Paulus, 2001.
RIGHETTI, Mario.
Historia de la Liturgia. Madrid:
Pontificia Universidad de Salamanca, 1955, v.1, p. 953-961.




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