sábado, 10 de setembro de 2022

Festa da Natividade de Maria em Jerusalém

No dia 08 de setembro de 2022 o Padre Stéphane Milovitch, da Custódia Franciscana da Terra Santa, presidiu a Santa Missa da Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria na igreja de Santa Ana em Jerusalém. Confira nossa postagem sobre a história da Festa clicando aqui.

Essa igreja, confiada aos cuidados da Congregação dos Missionários da África, pertence desde 1856 à República Francesa. Por esse motivo a Missa é celebrada em francês e com a presença de uma delegação oficial do país, presidida pelo Cônsul Geral da França em Jerusalém, René Troccaz. Para saber mais sobre a igreja de Santa Ana, clique aqui.

Ritos iniciais

Liturgia da Palavra

Evangelho

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Homilia: Festa da Natividade de Maria

Santo André de Creta, Bispo
Oratio 1
O que era antigo passou, eis que tudo se fez novo

O fim da lei é Cristo (Rm 10,4), que ao mesmo tempo separa da lei e eleva para o espírito. N’Ele está a consumação, pois o próprio legislador - tendo cumprido e terminado tudo - transfere a letra para o espírito. Assim tudo recapitula em si mesmo, vivendo a graça depois da lei. A lei, porém, submetida; a graça, harmoniosamente adaptada e unida. Não misturadas e confundidas as características de uma com as da outra, mas mudado de modo divino o que era pesado, servil e escravo, em leve e liberto, para que não mais estejamos reduzidos à servidão dos elementos do mundo (Gl 4,3), como diz o Apóstolo, nem sujeitos ao jugo da escravidão da letra da lei.

É este o resumo dos benefícios de Cristo para nós; é esta a manifestação do mistério; é o aniquilamento da natureza; é Deus e homem; é a deificação do homem assumido. Todavia era absolutamente necessário ao esplendor e à evidência da vinda de Deus aos homens uma introdução jubilosa, antecipando para nós o grande dom da salvação. Este é o sentido da solenidade de hoje que tem início na Natividade da Mãe de Deus, cuja conclusão perfeita é a predestinada união do Verbo com a carne. Agora a Virgem nasce, é alimentada com leite, plasmada e preparada como Mãe para o Deus e Rei de todos os séculos.

Neste momento, foi-nos dado duplo proveito: um, a elevação à verdade; outro, a rejeição da servidão e da vida sob a letra da lei. De que modo, com que fim? Pelo desaparecimento da sombra com a chegada da luz; em lugar da letra, a graça que dá a liberdade. Nossa solenidade está na fronteira entre a letra e a graça, unindo a realidade que chega aos símbolos que a figuravam, substituindo o antigo pelo novo.

Portanto cante e exulte toda a criação e contribua com algo digno para a alegria deste dia. É um só o júbilo dos céus e da terra; juntos festejem tudo quanto está unido no mundo e acima do mundo. Pois hoje se construiu o templo criado do Criador de tudo, e pela criatura, de forma nova e bela, preparou-se nova morada para o seu Autor.

Santo André de Creta, Bispo

Responsório:

Celebremos com carinho o natal da Mãe de Deus.
R. Sua vida gloriosa ilumina toda a Igreja.

Com alegre coração para Cristo entoemos nosso canto de louvor nesta festa de Maria, a Mãe de Deus altíssima.
R. Sua vida gloriosa ilumina toda a Igreja.

Oração:

Abri, ó Deus, para os vossos servos e servas os tesouros da vossa graça: e assim como a maternidade de Maria foi a aurora da salvação, a festa do seu nascimento aumente em nós a vossa paz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

Fonte: Liturgia das Horas, vol. IV, pp. 1250-1252.

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

História da Festa da Natividade de Maria

“Celebremos com alegria o nascimento da Virgem Maria: por ela nos veio o Sol da justiça, o Cristo, nosso Deus”.

Este é o convite que a Igreja nos dirige no início da Missa do dia 08 de setembro, data na qual os cristãos do Oriente e do Ocidente celebram juntos a Festa da Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria, cuja história gostaríamos de traçar brevemente nesta postagem.

1. As origens da festa no Oriente

A Sagrada Escritura não faz nenhuma referência ao nascimento de Maria, uma vez que os Evangelhos - sobretudo Mateus e Lucas - começam diretamente com os relatos do nascimento de Jesus. Assim, será preciso recorrer aos textos apócrifos: mesmo não tendo sido acolhidos na Sagrada Escritura, estes contêm alguns elementos que sim fazem parte da tradição da Igreja.

Natividade de Maria (Mosaico do séc. XIII)
(Basílica de Santa Maria in Trastevere, Roma)

As tradições sobre o nascimento da Virgem encontram-se particularmente no Protoevangelho de Tiago, escrito em grego na metade do século II e atribuído a Tiago, o “Irmão do Senhor”. Esse texto é chamado de Protoevangelho porque narra sobretudo acontecimentos que ocorreram antes do relato dos quatro Evangelhos canônicos: o nascimento de Maria, sua apresentação no Templo, seu compromisso com José... [1].

O relato mescla vários temas do Antigo e do Novo Testamento: por exemplo, inicia narrando a esterilidade dos pais de Maria, Joaquim e Ana, tema recorrente nos textos bíblicos, desde Abraão e Sara (Gn 16–18) até Zacarias e Isabel (Lc 1).

Joaquim retira-se para o deserto para rezar por quarenta dias, pedindo a Deus o dom de um filho, alusão ao êxodo e à peregrinação do povo de Israel. Ana, por sua vez, reza em sua casa, remetendo-nos a Ana, mãe do profeta Samuel (1Sm 1,1–2,11). Ambos recebem então a visita de um anjo, anunciando que suas preces foram ouvidas, fazendo eco aos anúncios angélicos de Lc 1–2.

Joaquim retorna para casa e encontra-se com Ana na porta da cidade, tradicionalmente identificada como a “Porta Dourada” de Jerusalém. Como essa porta posteriormente foi selada, faz alusão aqui à virgindade de Maria, à luz da profecia de Ezequiel (Ez 44,1-3).

Na Idade Média, com efeito, alguns autores viram neste encontro a “concepção virginal” de Maria. Contudo, a Igreja crê que a única concepção virginal é a de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, concebido pelo Espírito Santo no seio de Maria (cf. Lc 1,34-35); ela, totalmente humana, foi concebida de maneira natural, isto é, através do ato sexual entre Joaquim e Ana.

Para saber mais sobre esses santos, confira nossa postagem sobre o culto a São Joaquim e Santa Ana.

Nove meses depois nasce a menina, que recebe o nome de Maryam (aramaico) ou Miryam (hebraico), isto é, Maria (de etimologia incerta, talvez “amada” ou “senhora”), mesmo nome da irmã de Moisés, que entoa o núcleo do “cântico do mar” em Ex 15.

Igreja de Santa Ana em Jerusalém
Para saber mais sobre essa igreja, clique aqui

Embora tradições posteriores tenham relacionado o nascimento de Maria com Nazaré ou com Séforis, na Galileia, ou mesmo com Belém, a tradição mais consolidada situa o local do seu nascimento - isto é, a casa de Joaquim e Ana - junto à Piscina de Betesda em Jerusalém (cf. Jo 5,1-9).

A Piscina de Betesda - palavra que significa “casa da misericórdia” ou “casa da graça” - situa-se ao norte da cidade, próximo da chamada Porta dos Leões. Ali foi construída uma primeira igreja em honra da Virgem Maria em meados do século V. A dedicação da igreja no dia 08 de setembro foi também a data escolhida para a celebração da Natividade de Maria.

Breve história dos Congressos Eucarísticos Nacionais

No dia 07 de setembro de 2022 comemoramos os 200 anos da Independência do Brasil. Aproveitamos a ocasião para apresentar brevemente a história dos Congressos Eucarísticos em nosso país.

Os Congressos Eucarísticos são celebrações solenes em honra do Santíssimo Sacramento da Eucaristia, “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Lumen Gentium, n. 11). São marcados por conferências, catequeses, atividades culturais, adoração e procissão eucarísticas, culminando sempre na Santa Missa.

Os Congressos podem ser internacionais, nacionais ou diocesanos. O primeiro Congresso Eucarístico Internacional teve lugar em Lille (França) no ano de 1881. Desde então foram celebrados 52 Congressos em diversos lugares do mundo, o mais recente em Budapeste (Hungria) no ano de 2021.

Bênção Eucarística diante do Cristo Redentor

Nosso país sediou o 36º Congresso Eucarístico Internacional, celebrado na cidade do Rio de Janeiro em julho de 1955, com o tema “O Reino Eucarístico do Cristo Redentor”.

Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história dos Congressos Eucarísticos Internacionais.

O primeiro Congresso Eucarístico no Brasil teve lugar em setembro de 1922 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), então capital do nosso país, para celebrar o 1º Centenário da Independência. No mesmo ano foi dado início à construção do célebre Santuário do Cristo Redentor, concluído em 1931.

O Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Orani João Tempesta,  recordou em uma Carta Pastoral por ocasião do seu Centenário (2022), que o Congresso Eucarístico de 1922 foi realizado por iniciativa do então Arcebispo Coadjutor do Rio de Janeiro, Dom Sebastião Leme da Silveira Cintra (†1942).

O Cardeal Leme, com efeito, seria o encarregado de presidir os primeiros Congressos Eucarísticos Nacionais (CEN) “oficiais”, a partir do ano de 1933:

1º CEN:1933 - Salvador (BA)
Vinde, adoremos o Santíssimo Sacramento

2º CEN: 1936 - Belo Horizonte (MG)
Luz e Vida

3º CEN: 1939 - Recife (PE)
A Eucaristia e a vida cristã

4º CEN: 1942 - São Paulo (SP)
Vinde a mim todos

5º CEN: 1948 - Porto Alegre (RS)
Ação Social

Procissão no Congresso Eucarístico de Porto Alegre (1948)

6º CEN: 1953 - Belém (PA)
A Sagrada Eucaristia, sacramento da unidade e da comunidade

7º CEN: 1960 - Curitiba (PR)
Eucaristia, luz e vida do mundo

8º CEN: 1970 - Brasília (DF)
A mesa do Senhor

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Fotos da Beatificação do Papa João Paulo I

No dia 04 de setembro de 2022 o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Santa Missa do XXIII Domingo do Tempo Comum (ano C) na Praça de São Pedro para a Beatificação do seu predecessor, o Papa João Paulo I (Albino Luciani), que foi Bispo de Roma por apenas 33 dias, de 26 de agosto a 28 de setembro de 1978.

A Liturgia Eucarística foi celebrada pelo Cardeal Marcello Semeraro, Prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, assistido pelo Monsenhor Ján Dubina.

O Santo Padre, por sua vez, foi assistido pelos Monsenhores Diego Giovanni Ravelli e L'ubomir Welnitz, endossando um pluvial que pertenceu a João Paulo II, o qual também foi usado por Bento XVI em algumas ocasiões. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Imagem do Bem-aventurado João Paulo I, "o sorriso de Deus"
Ritos iniciais
Pedido da Beatificação:
O Postulador, Cardeal Beniamino Stella, lê a biografia do Beato

O Papa Francisco profere a fórmula da Beatificação

Homilia do Papa: Beatificação de João Paulo I

Santa Missa e Beatificação do Papa João Paulo I
Homilia do Papa Francisco
Praça de São Pedro
XXIII Domingo do Tempo Comum, 04 de setembro de 2022

Jesus vai a caminho de Jerusalém e, como diz o Evangelho de hoje, «seguiam com Ele grandes multidões» (Lc 14,25). Caminhar com Ele significa segui-Lo, isto é, tornar-se discípulo. E, contudo, a estas pessoas o Senhor faz um discurso pouco atraente e muito exigente: não pode ser seu discípulo quem não O ama mais do que aos seus entes queridos, quem não carrega a sua cruz, quem não renuncia aos bens terrenos (vv. 26-27.33). Por que Jesus dirige tais palavras à multidão? Qual é o significado das suas advertências? Tentemos responder a estas questões.


Em primeiro lugar, vemos muitas pessoas, uma multidão numerosa que segue Jesus. Podemos imaginar que muitos ficaram fascinados pelas suas palavras e maravilhados com os gestos que realizava; e, por isso, terão visto n’Ele uma esperança para o próprio futuro. Que teria feito qualquer outro mestre de então, ou - podemos ainda interrogar-nos - que faria um líder astuto ao ver que as suas palavras e o seu carisma atraíam as multidões e faziam crescer o consenso no seio delas? Como sucede hoje, especialmente nos momentos de crise pessoal e social em que estamos mais expostos a sentimentos de ira ou temos medo de qualquer coisa que ameaça o nosso futuro, ficamos mais vulneráveis e assim, na onda da emoção, confiamo-nos a quem com sagacidade e astúcia sabe manejar esta situação, aproveitando-se dos temores da sociedade e prometendo ser o «salvador» que resolverá os problemas, quando, na realidade, o que deseja é aumentar a sua popularidade e o próprio poder, a sua própria imagem, a própria capacidade de controlar as coisas.

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

CNBB aprova a tradução da 3ª edição do Missal

De 28 de agosto a 02 de setembro de 2022 teve lugar junto ao Santuário Nacional de Aparecida a 59ª Assembleia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Durante a Assembleia, os Bispos aprovaram a tradução da 3ª edição típica do Missal Romano, livro que contém todas as orações para a celebração da Missa.

Dom Edmar e Padre Leonardo Pinheiro com o Missal
(Esta é a forma típica, em latim, que serviu de base para a tradução)

No Brasil nós utilizamos desde 1991 a 2ª edição do Missal Romano, que foi publicada em sua forma típica (em latim) no ano de 1975. A 3ª edição típica do Missale Romanum, por sua vez, foi promulgada por São João Paulo II em 2002 e revista em 2008, com pequenas correções e o acréscimo de alguns santos.

Antes, na Quinta-feira Santa do ano 2000, já havia sido promulgada a Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR), isto é, a Introdução do Missal, com as orientações para a celebração da Missa. Esta Instrução foi traduzida oficialmente pela CNBB em 2004.

O processo de tradução do Missal propriamente dito, nos anos seguintes, foi realizado pela Comissão Episcopal para os Textos Litúrgicos (Cetel), presidida por Dom Joviano de Lima Júnior (2007-2011), Dom Armando Bucciol (2011-2019) e Dom Edmar Peron (desde 2019), tendo como Secretário nesses últimos anos o Padre Leonardo Pinheiro.

A tradução foi concluída em 2019 e apresentada durante a 57ª Assembleia Geral da CNBB. Após um processo de revisão, na Assembleia deste ano de 2022, como indicamos acima, os Bispos aprovaram a versão final da tradução, que agora será encaminhada ao Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos para sua confirmação.


Durante a coletiva de imprensa na tarde da quinta-feira, 01 de setembro, Dom Edmar Peron, Presidente da Comissão para a Liturgia da CNBB, tomou a palavra (07-16min do vídeo), destacando a importância do Missal: nele está toda a fé da Igreja. O Bispo enfatizou que nós cremos o que celebramos e celebramos o que cremos. Portanto, o Missal é fonte de vida espiritual e de comunhão eclesial.

Dom Edmar Peron, Presidente da Comissão para a Liturgia

Seguiu-se a intervenção de Dom Armando Bucciol, que falou sobre o retiro dos Bispos na manhã da quinta-feira, e o espaço para as perguntas dos jornalistas presentes.

Interrogado sobre como valorizar as orações do Missal (26-30min), Dom Edmar frisou a importância das equipes de celebração, as quais não devem se limitar a distribuir funções, mas sim rezar, aprofundar os textos litúrgicos. Também o sacerdote que preside a celebração é chamado a “deixar-se educar” pelos textos litúrgicos, fazendo uma “leitura orante” dos mesmos, como se faz com a Palavra de Deus.