sábado, 18 de julho de 2020

Nota de falecimento: Dom Henrique Soares da Costa

Faleceu na noite deste sábado, 18 de julho de 2020, aos 57 anos, Dom Henrique Soares da Costa, Bispo Diocesano de Palmares (PE), vítima do coronavírus (Covid-19).


Dom Henrique nasceu em 11 de abril de 1963 na cidade de Penedo (AL). Foi ordenado sacerdote a 15 de agosto de 1992 na Arquidiocese de Maceió.

Como sacerdote exerceu os seguintes ofícios: reitor da igreja de Nossa Senhora do Livramento, professor no Seminário Arquidiocesano, Vigário Episcopal para os Leigos e Coordenador da Comissão Arquidiocesana de Formação Política, além de Cônego do Cabido Metropolitano.

Em 01 de abril de 2009 foi nomeado pelo Papa Bento XVI como Bispo Auxiliar de Aracaju (SE), sendo-lhe confiada a Sé Titular de Acufida. Recebeu a Ordenação Episcopal em 19 de junho do mesmo ano.

No dia 19 de março de 2014 o Papa Francisco nomeou Dom Henrique como Bispo de Palmares (PE). Tomou posse do ofício no dia 01 de junho do mesmo ano.

Dom Henrique sempre se destacou por sua fidelidade à doutrina, por seu zelo pela Liturgia e por seu intenso apostolado na internet. Que Deus o receba em sua glória e o recompense por todo o bem que fez!

Ó Deus, que chamastes ao ministério episcopal o vosso servo o Bispo Henrique Soares da Costa, colocando-o entre os sucessores dos Apóstolos, concedei-lhe também associar-se a eles no convívio eterno. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.


Homilia: XVI Domingo do Tempo Comum - Ano A

São João Crisóstomo
Sermão 46 sobre o Evangelho de São Mateus
Assim como o fermento faz fermentar toda a massa, assim vós convertereis o mundo inteiro

O Reino dos Céus é como o fermento; uma mulher o amassa com três medidas de farinha e basta para que tudo fique fermentado. Assim como o fermento faz fermentar toda a massa, assim vós convertereis o mundo inteiro. E não me digas: O que podemos fazer, doze homens perdidos entre uma grande multidão? Porque precisamente o simples fato de que não recusais misturar-vos com as multidões torna imensamente mais admirável vossa eficácia. E assim como o fermento faz fermentar a massa quando o aproximamos da farinha – e não somente quando o aproximamos, mas quando o aproximamos tanto que se mistura com ela, pois não disse simplesmente “pôs”, mas “amassou” –, assim também vós, consolidados e unidos com vossos opositores, acabareis por superá-los.
E assim como o fermento fica envolto na massa, mas não perdido nela, mas vai gradualmente penetrando sua virtualidade a toda a massa, exatamente assim acontecerá na pregação. Assim, não tendes porque temer se vos predisse muitas tribulações: desta forma ressaltará mais a vossa índole e acabareis superando tudo.
Porque é Cristo aquele que dá ao fermento essa virtude. Por isso aos que criam nele os misturou com a multidão, para que comuniquemos aos demais a nossa compreensão. Que ninguém se queixe, pois, de sua pequenez, pois o dinamismo da pregação é gigantesco, e aquele que uma vez fermentou, converte-se em fermento para os demais.
E da mesma forma como uma faísca que cai sobre a lenha se prende a ela e a converte em chamas, que por sua vez coloca fogo aos outros troncos, ocorre exatamente assim com a pregação. Contudo, Jesus não falou de fogo, mas de fermento. Por quê? Justamente porque no primeiro caso nem tudo procede do fogo, mas também da lenha que queima; porém, no segundo exemplo o fermento tudo o faz por sua própria virtualidade.
Entretanto, se doze homens fizeram fermentar toda a terra, pensa quão grande não será a nossa maldade, pois, sendo tão numerosos, não conseguimos converter aos que ainda restam, de tal forma que deveríamos estar em condição de fazer fermentar a mil mundos. Porém, eles – me dirás – eram Apóstolos. E o que isso significa? Será que eles não participavam de tua mesma condição? Não viviam nas cidades? Será que eles desfrutaram das mesmas coisas que você? Não exerceram seus ofícios? Eram por acaso anjos? Acaso baixaram do céu? Porém me replicarás: eles fizeram milagres. Até quando utilizaremos o pretexto dos milagres para encobrir a nossa indiferença? Que milagres fez João que teve a tantas cidades dependentes de si? Nenhum, como testemunha o evangelista: João não fez nenhum milagre.
E o próprio Cristo, o que é que dizia ao dar normas aos seus discípulos? Realizai milagres para que os homens os vejam? Em absoluto. Então, o que é que lhes dizia? Brilhe assim vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e deem glória ao vosso Pai que está no céu. Vês como é necessário em todas as partes que a vida seja boa e esteja cheia de boas obras? Pois por seus frutos - Ele diz - os conhecereis.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 178-179. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Confira também outra homilia de São João Crisóstomo para este domingo clicando aqui.

sexta-feira, 17 de julho de 2020

Revista Notitiae 2019

Há duas semanas, no dia 03 de julho, apresentamos aqui no blog a edição de 2018 da Revista Notitiae, publicação oficial da Congregação para o Culto Divino, divulgada em seu site no dia 01 de julho.

Nos últimos dias a Congregação divulgou também a revista de 2019, a 596ª edição (4ª da nova série), que passamos a apresentar agora.

O tema central desta edição é a Assembleia Plenária da Congregação para o Culto Divino, realizada no Vaticano de 12 a 15 de fevereiro de 2019, com o tema “A formação litúrgica do Povo de Deus”.

Capa da edição

1. Acta Francisci - Atos do Papa Francisco (pp. 05-08):
Publicado em italiano o Discurso do Papa Francisco durante a Assembleia Plenária da Congregação, no dia 14 de fevereiro de 2019.

2. Congregatio de Cultu Divino et Disciplina Sacramentorum - Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (pp. 09-151):

a) Acta:
Traz dois decretos com acréscimos no Calendário Romano Geral, além de textos em anexo:

- Decreto Iesus Christus, de 25 de janeiro de 2019, que inscreve a memória facultativa de São Paulo VI, Papa, no dia 29 de maio (publicado em latim, inglês, francês, alemão, espanhol, italiano e português).
- Anexo ao Decreto com os textos próprios da Memória (em latim): oração do dia e II leitura do Ofício (da homilia de São Paulo VI na última sessão do Concílio Vaticano II).
- Comentário do Prefeito da Congregação, Cardeal Robert Sarah, sobre a nova Memória (em italiano e inglês).

- Decreto Lauretanae Almae Domus, de 07 de outubro de 2019, que inscreve a memória facultativa de Nossa Senhora de Loreto no dia 10 de dezembro (publicado em latim, inglês, francês, espanhol e italiano).
- Anexo ao Decreto com os textos próprios da Memória (em latim): oração do dia e II leitura do Ofício (de uma Carta de São João Paulo II sobre o Santuário de Loreto).

b) Antiphonale Romanum:
Aqui são publicados (ambos em latim) o Decreto de aprovação (datado de 22 de novembro de 2019) e a Introdução (Praenotanda) do Antiphonale Romanum, vol. I: In dominicis et festis. Ad Laudes matutinas, preparado pelo Mosteiro de Solesmes, há séculos responsável pela edição de livros de canto gregoriano. O livro contém as versões musicadas dos textos da Liturgia das Horas, sendo o primeiro volume dedicado às Laudes dos domingos e festas.

c) Summarium Decretorum:
São indicados aqui todos os decretos da Congregação em 2019 (em latim):

Aprobatio textuum: Aprovação de textos litúrgicos novos em sua forma típica (em latim) para Santos e Beatos a serem inseridos nos Calendários próprios de alguns países, dioceses e congregações religiosas.

Solenidade da Dedicação da Basílica do Santo Sepulcro

No último dia 15 de julho o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Santa Missa na Basílica do Santo Sepulcro por ocasião da Solenidade do aniversário da Dedicação desta igreja.

A Basílica do Santo Sepulcro, inicialmente foi dedicada em setembro de 335. Porém, após ser atacada pelos muçulmanos durante as Cruzadas, foi restaurada e novamente dedicada em 15 de julho de 1149.

Incensação do altar
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Evangelho

quinta-feira, 16 de julho de 2020

VI Catequese do Papa João Paulo II sobre a Eucaristia

João Paulo II
Audiência Geral
Quarta-feira, 08 de novembro de 2000
A Eucaristia, sacramento de unidade

 Caríssimos irmãos e irmãs:
1. “Sacramento de piedade, sinal de unidade, vínculo de caridade!”. A exclamação de Santo Agostinho no seu comentário ao Evangelho de João (In Johannis Evangelium 26, 13) reúne idealmente e sintetiza as palavras que Paulo dirigiu aos Coríntios e que há pouco escutamos: “E como há um único pão, nós, embora muitos, somos um só corpo, pois, participamos todos desse único pão” (1Cor 10,17). A Eucaristia é o sacramento e a fonte da unidade eclesial. E isto foi reafirmado desde as origens da tradição cristã, baseando-se precisamente no sinal do pão e do vinho. Assim, na Didaqué, um escrito composto nos primórdios do cristianismo, afirma-se: “Da mesma forma que este pão partido se tinha dispersado pelos montes e, recolhido, se tornou uma só realidade, de igual modo se congregue no teu reino a tua Igreja, desde os confins da terra” (9,1).

2. São Cipriano, Bispo de Cartago, fazendo eco no século III a estas palavras, afirma: “Os próprios sacrifícios do Senhor põem em evidência a unanimidade dos cristãos, confirmada com sólida e indivisível caridade. Pois, quando o Senhor chama ao seu corpo o pão composto pela união de muitos grãos, indica o nosso povo reunido, que Ele sustenta; e quando chama ao seu sangue o vinho espremido de muitos cachos e bagos e depois fundido, indica de modo semelhante o nosso rebanho composto de uma multidão unida num só conjunto” (Ep. ad Magnum 6). Este simbolismo eucarístico em relação à unidade da Igreja volta com frequência nos Padres e nos teólogos da escolástica. “O Concílio de Trento resumiu esta doutrina, ensinando que o nosso Salvador deixou a Eucaristia à sua Igreja ‘como símbolo da unidade desta e da caridade que Ele quis que unisse intimamente todos os cristãos uns aos outros’, ‘mais ainda, como símbolo daquele único corpo, de que Ele é a Cabeça’” (Paulo VI, Mysterium fidei:  Ench. Vat., 2, 424; cf. Conc. Trid., Decr. de SS. Eucharistia, Proêmio e c. 2). O Catecismo da Igreja Católica sintetiza com eficácia: ‘Os que recebem a Eucaristia são mais intimamente unidos a Cristo. Por ela, Cristo une todos os fiéis num único Corpo: a Igreja” (n. 1396).

3. Esta doutrina tradicional está fortemente arraigada na Escritura. Paulo, no trecho já citado da Primeira Carta aos Coríntios, desenvolveu-a partindo de um tema fundamental, o da koinonia, isto é, da comunhão que se instaura entre o fiel e Cristo na Eucaristia. “O cálice da bênção que abençoamos não é comunhão (koinonia) com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão (koinonia) com o corpo de Cristo?” (10,16). Esta comunhão é descrita com mais clareza, no evangelho de João, como uma relação extraordinária de “interioridade recíproca”: “Ele em mim e eu n'Ele”. De fato, Jesus declara na sinagoga de Cafarnaum: “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue vive em Mim e Eu nele” (Jo 6,56).
É um tema que será sublinhado também nos discursos da Última Ceia mediante o símbolo da videira: o ramo só é verdejante e frutífero se estiver enxertado no tronco da videira, da qual recebe linfa e sustento (cf. Jo 15,1-7). Doutra forma, é só um ramo seco e destinado ao fogo:  aut vitis aut ignis, “ou a videira ou o fogo”, comenta de modo lapidar Santo Agostinho (In Johannis Evangelium 81, 3). Delineia-se aqui uma unidade, uma comunhão, que se realiza entre o fiel e Cristo presente na Eucaristia, tendo como base o princípio que Paulo formula desta maneira: “Os que comem as vítimas sacrificadas, não estão em comunhão com o altar?” (1Cor 10,18).

4. Esta comunhão-koinonia de tipo “vertical”, porque nos une ao mistério divino, gera ao mesmo tempo uma comunhão-koinonia que podemos definir “horizontal”, ou seja, eclesial, fraterna, capaz de unir num vínculo de amor todos os participantes da mesma mesa. “Embora muitos, somos um só corpo - recorda-nos Paulo - pois participamos todos desse único pão” (1Cor 10,17). O discurso sobre a Eucaristia antecipa a grande reflexão eclesial que o Apóstolo desenvolverá no capítulo 12 da mesma Carta, quando falará do Corpo de Cristo na sua unidade e multiplicidade. Também a célebre descrição da Igreja de Jerusalém, oferecida por Lucas nos Atos dos Apóstolos, delineia esta unidade fraterna ou koinonia, pondo-a em conexão com a fração do pão, isto é, com a Celebração Eucarística (cf. At 2,42). É uma comunhão que se realiza a nível concreto da história: “Eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, no partir do pão e nas orações (...) Todos os que abraçaram a fé eram unidos e colocavam em comum todas as coisas” (At 2,42.44).

5. Renega-se por isso o significado profundo da Eucaristia, quando ela é celebrada sem ter em consideração as exigências da caridade e da comunhão. Paulo é severo com os coríntios porque, quando se reúnem, “o que fazem não é comer a Ceia do Senhor” (1Cor 11,20), por causa das divisões, das injustiças, dos egoísmos. Nesse caso, a Eucaristia já não é ágape, ou seja, expressão e fonte de amor. E quem participa de modo indigno, sem fazer com que ela se transforme em caridade fraterna, “come e bebe a própria condenação” (11,29). “Se é verdade que a vida cristã se exprime no cumprimento do maior mandamento, ou seja, no amor de Deus e do próximo, este amor tem a sua fonte exatamente no Santíssimo Sacramento, que comumente é chamado Sacramento do Amor” (Dominicae coenae, 5). A Eucaristia recorda, torna presente e gera esta caridade.
Acolhamos, então, o apelo do Bispo e mártir Inácio que exortava à unidade os fiéis de Filadélfia, na Ásia Menor: “Uma só é a carne de nosso Senhor Jesus Cristo, um só é o cálice na unidade do seu sangue, um só é o altar, assim como um só é o Bispo” (Ep. ad Philadelphenses 4). E com a Liturgia oremos a Deus Pai: “Concedei-nos, com o Corpo e o Sangue do vosso Filho, ser repletos do Espírito Santo e tornar-nos em Cristo um só corpo e um só espírito” (Oração Eucarística III).


Fonte: Santa Sé

Festa de São Pedro e São Paulo em Moscou

No último domingo, dia 12 de julho, o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa celebrou na Catedral Patriarcal do Cristo Salvador em Moscou a Divina Liturgia da Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo segundo o calendário juliano (que possui uma diferença de 13 dias com o calendário gregoriano).

Ícone de São Pedro e São Paulo
Início da Divina Liturgia

O Patriarca abençoa os fiéis

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Sugestão de leitura: Teologia da Liturgia - Joseph Ratzinger

“A Liturgia da Igreja tem sido para mim, desde a infância, a realidade central da minha vida”.

Com estas palavras o Papa Bento XVI apresentava em 2008 a publicação do primeiro volume de sua Opera Omnia, dedicado à Liturgia, conforme seu expresso desejo. Embora seja o primeiro a ser publicado, este é o número XI das Obras Completas de Joseph Ratzinger, que serão editadas em 16 volumes.

A coleção, publicada inicialmente em alemão sob a responsabilidade de Dom Gerhard Ludwig Müller - então Bispo de Regensburg (Alemanha) e posteriormente Cardeal Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé - logo passou a ser traduzida para outros idiomas.

No ano de 2019 a obra foi finalmente publicada no Brasil pelas Edições CNBB, sob a responsabilidade do Mons. Antonio Luiz Catelan Ferreira, da PUC-Rio, com o título “Teologia da Liturgia: O fundamento sacramental da existência cristã”.

O volume reúne todos os textos e palestras de Joseph Ratzinger sobre Liturgia publicados antes de sua eleição como Papa. Ao todo o livro compila textos produzidos ao longo de 40 anos, de 1964 a 2004.


A seguir apresentamos brevemente o plano desta obra fundamental ao estudo da Liturgia e do pensamento do teólogo Joseph Ratzinger:


PARTE A: O Espírito da Liturgia: Uma Introdução

Naturalmente, a primeira parte do volume traz a obra “O Espírito da Liturgia: Uma Introdução”, publicada no ano 2000 em alemão (Der Geist der Liturgie: Eine Einführung) e já editada no Brasil pelas Edições Loyola com o título “Introdução ao Espírito daLiturgia”.

O célebre livro, que com seu título homenageia a obra de Romano Guardini, “O Espírito da Liturgia” (Vom Geist der Liturgie), está dividido em quatro capítulos:

I. A natureza da Liturgia: Os fundamentos bíblicos e teológicos da Liturgia;

II. Tempo e espaço na Liturgia: A relação entre a Liturgia e as dimensões do espaço (o templo cristão) e o tempo (o domingo e o ano litúrgico);

III. Arte e Liturgia: As imagens e a música a serviço da Liturgia;

IV. A forma litúrgica: O rito, os gestos e alguns símbolos na Liturgia.

PARTE B: Typos - Mysterium - Sacramentum

I. O fundamento sacramental da existência cristã
O texto que dá subtítulo ao volume é um resumo feito pelo próprio Ratzinger de uma palestra proferida em 1965 em Salzburgo sobre a teologia dos sacramentos.