quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Mensagem à 76ª Semana Litúrgica Nacional (Itália)

De 24 a 27 de agosto de 2026 a Arquidiocese de Catânia (Itália), na ilha da Sicília, acolheu a 76ª Semana Litúrgica Nacional, promovida pelo Centro Azione Liturgica, com o tema «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã».

O encontro teve lugar poucos dias após a celebração dos 900 anos da transladação das relíquias de Santa Ágata (ou Águeda), padroeira da cidade e da Arquidiocese de Catânia [1].

Confira a mensagem enviada pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado, em nome do Papa Leão XIV:

Mensagem assinada pelo Cardeal Pietro Parolin por ocasião da 76ª Semana Litúrgica Nacional
Catânia, 24-27 de agosto de 2026

Do Vaticano, 06 de agosto de 2026.

A Sua Excelência Reverendíssima Dom Claudio Maniago, Arcebispo Metropolitano de Catanzaro-Squillace, Presidente do Centro Azione Liturgica

Excelência Reverendíssima,
Estou contente em transmitir a cordial saudação do Santo Padre Leão XIV aos participantes da 76ª Semana Litúrgica Nacional, que terá lugar de 24 a 27 de agosto próximo em Catânia, cidade rica de belezas naturais e artísticas, guardiã de uma fecunda história religiosa, fecundada pelo testemunho da mártir Ágata [ou Águeda]. O tema escolhido, «Uma Igreja que gera: Liturgia e Iniciação Cristã», é de particular importância para todos nós hoje, e faz eco às palavras dirigidas pelo Sumo Pontífice aos Bispos italianos por ocasião da sua Assembleia Geral. Ele chamava a atenção precisamente para a Iniciação Cristã, «que não pode ser pensada apenas como preparação aos Sacramentos» (Discurso à 82ª Assembleia Geral da Conferência Episcopal Italiana, 28 de maio de 2026), mas que deve ser considerada sobretudo como «o “ventre” no qual uma comunidade gera na fé e introduz na vida pascal, na comunhão com o Senhor, na fraternidade eclesial» (ibid.).

Catedral de Santa Ágata (ou Águeda) em Catânia

A unidade entre catequese e celebração caracteriza a fecundidade da Esposa de Cristo desde as suas origens, quando os irmãos «eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações» (At 2,42). O Santo Padre nos convida a retornar à fonte, reforçando e, quando necessário, recuperando, na formação cristã, o valor da Liturgia, na qual o mistério de Cristo nos envolve, nos transforma e nos faz nascer como novas criaturas.

Providencialmente, há alguns meses as Catequeses semanais de Sua Santidade são centradas nos grandes Documentos do Concílio Vaticano II, e naquelas dedicadas à Constituição Sacrosanctum Concilium são oferecidos pontos de reflexão que considero útil recordar. Antes de tudo se destaca que «os ritos da Liturgia cristã não são um revestimento exterior do mistério sacramental (...) mas são a mediação eclesial através da qual o dom divino nos alcança» (Audiência Geral, 03 de junho de 2026), com um convite a recuperar a gestualidade e a simbologia litúrgica no seu sentido mais profundo de actuosa participatio [participação ativa]. A esse respeito, antes de tudo é importante educar o Povo de Deus, e especialmente quem inicia um caminho de fé, a abordagens, estilos celebrativos e modos de participação que favoreçam a abertura do coração à ação atual e real de Deus em nós, na consciência de que todos somos membros vivos de uma Igreja «ao mesmo tempo humana e divina, visível e dotada de realidades invisíveis, empenhada na ação e dada à contemplação, presente no mundo, porém, como peregrina» (Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 2).

E isso não só para uma adesão mais fecunda ao momento litúrgico, mas também para uma vivência mais autêntica da dimensão koinônica [relativa à comunhão] do nosso pertencimento eclesial. A Liturgia, celebrada pela Igreja e na Igreja como ação de um único Corpo, educa para a comunhão, com efeito, com duas implicações. A primeira é a importância do respeito e da fidelidade aos ritos. É necessário ensinar a cultivar e apreciar a sóbria solenidade dos gestos litúrgicos, ajudando as pessoas a compreendê-los e a vivenciar a plenitude do seu significado em toda a sua riqueza. Uma segunda reflexão diz respeito ao vínculo irrenunciável que une Liturgia e caridade fraterna. O Papa Francisco escreveu a respeito: «Uma celebração que não evangeliza não é autêntica, como não é autêntico um anúncio que não leve ao encontro com o Ressuscitado na celebração: ambos, por fim, sem o testemunho da caridade são como o bronze que soa e como o címbalo que retine (cf. 1Cor 13,1)» (Carta Apostólica Desiderio desideravi, 29 de junho de 2022, n. 37).

Busto-relicário de Sana Ágata (ou Águeda)

Tudo isso nos leva ao último ponto: o papel da Palavra e do “ensino” na Liturgia. A Liturgia é lugar privilegiado de escuta da Palavra de Deus, que é oferecida através da proclamação dos textos sagrados e da sua explicação. Também nisso o Concílio Vaticano II muito contribuiu para um enriquecimento da quantidade e da variedade dos textos” (cf. Sacrosanctum Concilium, n. 22), oferecendo-nos, na especificidade do contexto celebrativo, um patrimônio do qual devemos fazer tesouro. É fundamental dar a conhecer esse patrimônio a quem se aproxima dos percursos da Iniciação Cristã, educando as pessoas para que se nutram frequentemente deles com coração desejoso e atento, fornecendo-lhes instrumentos idôneos.

Em síntese, para que a Liturgia possa ser espaço gerador da Iniciação Cristã, são necessárias três atitudes fundamentais que os responsáveis da pastoral devem ter no coração: acolhida, mistagogia e testemunho de vida. Só assim a fé, que nasce do altar, poderá alcançar as estradas da humanidade portando frutos de bem, de reconciliação e de paz.

O Sumo Pontífice, ao confiar o vosso encontro à materna intercessão de Maria, Mãe da Igreja, envia a Bênção Apostólica a Vossa Excelência, à Arquidiocese anfitrião, bem como aos Prelados, aos sacerdotes, aos diáconos e às pessoas consagradas presentes, aos palestrantes e a todos os participantes.

Ao unir meu desejo pessoal de pleno sucesso a estes dias de trabalho e reflexão, aproveito a ocasião para confirmar-me com sentido de distinto obséquio, devotíssimo de Vossa Excelência Reverendíssima,

Cardeal Pietro Parolin
Secretário de Estado de Sua Santidade


No final do encontro foi anunciado que a 77ª Semana Litúrgica Nacional será celebrada na Diocese de Albano de 23 a 26 de agosto de 2027.

Tradução livre nossa a partir do original italiano. Fonte: Arquidiocese de Catânia / Centro Azione Liturgica.

Nota:
[1] Santa Ágata (ou Águeda), cuja Memória se celebra no dia 05 de fevereiro, foi martirizada em Catânia no ano de 251, durante a perseguição do Imperador Décio. No ano de 1040, no contexto do domínio muçulmano da ilha da Sicília, suas relíquias foram levadas a Constantinopla, retornando em 1126. A Memória dessa transladação das relíquias da Santa é celebrada em Catânia no dia 17 de agosto.

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