quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Homilia do Papa: Centenário da Congregação para as Igrejas Orientais

Santa Missa por ocasião do Centenário da Congregação para as Igrejas Orientais e do Pontifício Instituto Oriental
Homilia do Papa Francisco
Basílica de Santa Maria Maior
Quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Prezados irmãos e irmãs!
Hoje damos graças ao Senhor pela fundação da Congregação para as Igrejas Orientais e do Pontifício Instituto Oriental, por iniciativa do Papa Bento XVocorrida há cem anos, em 1917. Naquela época enfurecia a Primeira Guerra Mundial; hoje - como já tive a ocasião de dizer - nós vivemos outra guerra mundial, mas em pedaços. E vemos muitos dos nossos irmãos e irmãs cristãos das Igrejas orientais experimentar perseguições dramáticas e uma diáspora cada vez mais inquietante. Isto faz surgir numerosas interrogações, muitos «porquês», que se assemelham aos da primeira Leitura de hoje, tirada do livro de Malaquias (3, 13-20a).
O Senhor lamenta-se com o seu povo, dizendo: «Tendes proferido palavras violentas contra mim. E perguntais: “O que foi que dissemos contra Vós?”. Dissestes: “É trabalho perdido servir a Deus. Que ganhamos com a obediência às suas ordens e com as procissões de luto diante do Senhor dos exércitos? Agora, consideramos ditosos os arrogantes, e prosperam quantos cometem a iniquidade; até ousam tentar a Deus, escapando ao castigo”» (vv. 13-15).
Quantas vezes também nós vivemos esta experiência, e quantas vezes a ouvimos nas confidências e nas confissões das pessoas que nos abrem o seu coração. Vemos os malvados, aquelas pessoas sem escrúpulos que fazem os seus próprios interesses esmagando os outros, e parece que para elas as coisas correm bem: obtêm o que querem e só pensam em gozar a vida. Daí a pergunta: «Porquê Senhor?».
Estes “porquês”, que aparecem também na Sagrada Escritura, inclusive todos nós os formulamos. E a eles responde a própria Palavra de Deus. Precisamente neste trecho do profeta Malaquias lemos: «O Senhor ouviu com atenção: diante dele foi escrito o livro que conserva a memória daqueles que temem o Senhor e respeitam o seu nome» (v. 16). Portanto, Deus não se esquece dos seus filhos, a sua memória é para os justos, para aqueles que sofrem, que são oprimidos e que se interrogam: “porquê?” e no entanto sem deixar de confiar no Senhor.
Quantas vezes a Virgem Maria, no seu caminho, se perguntou “porquê?”; mas no seu coração, que meditava todas as coisas, a graça de Deus fazia resplandecer a fé e a esperança.
E existe uma maneira de fazer brecha na memória de Deus: a nossa oração, como nos ensina o trecho evangélico que acabamos de ouvir (cf. Lc 11,5-13).
Quando rezamos devemos ter a coragem da fé: ter a confiança de que o Senhor nos ouve, a coragem de bater à porta. É o Senhor quem o diz: «Todo aquele que pede, recebe; aquele que procura, acha; e aos que baterem à porta, ela abrir-se-lhes-á» (v. 10). E para isso é necessário ter coragem!
Mas eu pergunto-me: a nossa oração é realmente assim? Ela abrange-nos verdadeiramente, envolve o nosso coração e a nossa vida? Sabemos bater à porta do Coração de Deus? No fim do trecho evangélico (cf. vv. 11-13), Jesus diz: qual é o pai entre vós que, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente? Ou se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião? Se vós fordes pais, fareis o bem aos vossos filhos. E depois acrescenta: se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celestial... E esperamos que prossiga, dizendo: dará coisas boas a vós. Mas não, não diz assim! Diz: dará o Espírito Santo aos que lho pedirem. O dom é exatamente este, este é o “a mais” de Deus. Aquilo que o Senhor, o Pai nos dá em acréscimo é o Espírito: eis a verdadeira dádiva do Pai. O homem bate à porta de Deus com a oração, para lhe pedir uma graça. E Ele, que é Pai, dar-me-á isto e ainda mais: o dom, o Espírito Santo.
Irmãos e irmãs, aprendamos a bater à porta do Coração de Deus! E aprendamos a fazê-lo intrepidamente. Que esta prece corajosa inspire e alimente também o vosso serviço no seio da Igreja. Desta maneira, o vosso compromisso dará «fruto na época própria» e vós sereis como árvores cuja «folhagem nunca murcha» (cf. Sl 1,3).


Fonte: Santa Sé

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