segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Ângelus: Festa de Santo Estêvão (2025)

Festa de Santo Estêvão, Protomártir
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje é o “natal” de Santo Estêvão, como costumavam dizer as primeiras gerações de cristãos, certos de que não se nasce apenas uma vez. O martírio é o nascimento para o céu: com efeito, um olhar de fé, mesmo na morte, não vê apenas escuridão. Viemos ao mundo sem decidir, mas passamos depois por muitas experiências nas quais nos é pedido, cada vez mais conscientemente, que “venhamos à luz”, que escolhamos a luz. O relato dos Atos dos Apóstolos testemunha que quem viu Estêvão caminhar para o martírio ficou surpreendido com a luz do seu rosto e das suas palavras. Está escrito: «Todos os que estavam sentados no Sinédrio tinham os olhos fixos sobre Estêvão, e viram seu rosto como o rosto de um anjo» (At 6,15). É o rosto de quem não passa indiferente pela história, mas a enfrenta com amor. Tudo o que Estêvão faz e diz representa o amor divino que se manifestou em Jesus, a Luz que brilhou nas nossas trevas.

Caríssimos, o nascimento do Filho de Deus no meio de nós convida-nos a viver como filhos de Deus: torna-a possível, com um movimento de atração experimentado, desde a noite de Belém, por pessoas humildes como Maria, José e os pastores. Porém, aquela beleza de Jesus e de quem vive como Ele é também uma beleza rejeitada: desde o início, a sua força magnética suscitou precisamente a reação de quem teme pela sobrevivência do seu poder, de quem é desmascarado na sua injustiça por uma bondade que revela os pensamentos dos corações (cf. Lc 2,35). Contudo, até hoje, poder algum prevalece sobre a obra de Deus. Em todo o mundo há quem escolha a justiça, mesmo que isso tenha um custo, quem anteponha a paz aos próprios medos, quem sirva os pobres em vez de servir a si mesmo. Então, apesar de tudo, brota a esperança e faz sentido estar em festa.

Nas condições de incerteza e sofrimento do mundo atual, a alegria pareceria impossível. Quem hoje acredita na paz e escolheu o caminho desarmado de Jesus e dos mártires é frequentemente ridicularizado, excluído do debate público e, não raro, acusado de favorecer adversários e inimigos. O cristão, porém, não tem inimigos, mas irmãos e irmãs, que continuam a sê-lo mesmo quando não estão de acordo. O Mistério do Natal traz-nos esta alegria: uma alegria motivada pela tenacidade de quem já vive a fraternidade, de quem já reconhece à sua volta, até nos seus adversários, a dignidade indelével dos filhos e filhas de Deus. Por isso, Estêvão morreu perdoando, tal como Jesus: por cauda de uma força mais verdadeira do que a das armas. É uma força gratuita, já presente no coração de todos, que se reativa e se comunica de forma irresistível quando alguém começa a olhar de modo diverso para o seu próximo, a oferecer-lhe atenção e reconhecimento. Sim, isto é renascer, isto é vir novamente à luz, isto é o nosso Natal!

Rezemos agora a Maria e contemplemo-la, bendita entre todas as mulheres que servem a vida, contrapondo o cuidado à prepotência, a fé à desconfiança. Que Maria nos leve a entrar na sua própria alegria, uma alegria que dissolve todo o medo e toda a ameaça, como a neve derrete ao sol.

Santo Estêvão (Carlo Crivelli)

Fonte: Santa Sé.

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