sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Ângelus: XXX Domingo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 25 de outubro de 2015

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Esta manhã, com a Santa Missa celebrada na Basílica de São Pedro, concluiu-se a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre a família. Convido todos a dar graças a Deus por estas três semanas de trabalho intenso, animado pela oração e por um espírito de comunhão verdadeira. Foi cansativo, mas tratou-se de um verdadeiro dom de Deus, que certamente dará muito fruto.

A palavra «sínodo» significa «caminhar juntos». E a que vivemos foi a experiência da Igreja a caminho, a caminho sobretudo com as famílias do Povo santo de Deus espalhado por todo o mundo. Por isso me surpreendeu a Palavra de Deus que hoje vem ao nosso encontro na profecia de Jeremias. Diz assim: «Eis que os trarei da terra do norte, e os congregarei das extremidades da terra; entre os quais haverá cegos e aleijados, mulheres grávidas e as de parto; em grande congregação voltarão para aqui». E o profeta acrescenta: «Virão com choro, e com súplicas os levarei; os guiarei aos ribeiros de águas, por caminho direito, no qual não tropeçarão, porque sou um pai para Israel» (Jr 31,8-9).

Esta Palavra de Deus diz-nos que o primeiro que quis caminhar juntamente conosco, que quis fazer «sínodo» conosco, foi precisamente Ele, o nosso Pai. O seu «sonho», desde sempre e para sempre, é o de formar um povo, reuni-lo, guiá-lo rumo à terra da liberdade e da paz. E este povo é feito de famílias: nele haverá «mulheres grávidas e as de parto»; é um povo que enquanto caminha leva por diante a vida, com a bênção de Deus.

É um povo que não exclui os pobres e os desfavorecidos, aliás, inclui-os. Diz o profeta: entre eles «haverá cegos e aleijados». É uma família de famílias, na qual quem tem dificuldades não se encontra marginalizado, deixado para trás, mas consegue estar ao passo com os outros, porque este povo caminha ao ritmo dos últimos; como se faz nas famílias, e como nos ensina o Senhor, que se fez pobre com os pobres, pequeno com os pequeninos, último com os últimos. Não o fez para excluir os ricos, os grandes e os primeiros, mas porque esta é a única maneira de salvar também a eles, de salvar todos: andar com os pequeninos, com os excluídos, com os últimos.

Confesso-vos que confrontei esta profecia do povo a caminho também com as imagens dos refugiados em marcha pelas estradas da Europa, uma realidade dramática dos nossos dias. Também a eles Deus diz: «Virão com choro, e com súplicas os levarei». Também estas famílias mais sofredoras, desenraizadas das suas terras, estiveram presentes conosco no Sínodo, na nossa oração e nos nossos trabalhos, através da voz de alguns dos seus Pastores presentes na Assembleia. Estas pessoas em busca de dignidade, estas famílias à procura de paz permanecem ainda conosco, a Igreja não as abandona, porque pertencem ao povo que Deus quer libertar da escravidão e guiar à liberdade.

Por conseguinte, nesta Palavra de Deus, reflete-se quer a experiência sinodal que vivemos, quer o drama dos refugiados a caminho pelas estradas da Europa. O Senhor, por intercessão da Virgem Maria, nos ajude também a concretizá-la no estilo da comunhão fraterna.


Fonte: Santa Sé.

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