quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Catequese do Papa João Paulo I sobre a Esperança


Na sequência de nossas postagens sobre as Catequeses do Papa João Paulo I, nos 40 anos da sua eleição, confira a reflexão do "Papa do sorriso" sobre a virtude da esperança:

Papa João Paulo I
Audiência Geral
Quarta-feira, 20 de setembro de 1978
A virtude da esperança

Entre as sete “lâmpadas da santificação”, a segunda era, para o Papa João, a esperança. Falo-vos hoje desta virtude, que é obrigatória para cada cristão. Dante, no seu Paraíso (Cantos 24, 25 e 26), imaginou apresentar-se a um exame sobre o cristianismo. Funcionava uma comissão categorizada. “Tens fé?”, pergunta-lhe, primeiro, São Pedro. “Tens esperança?”, continua São Tiago. “Tens caridade?”, termina São João. “Sim - responde Dante - tenho fé, tenho esperança, tenho caridade”. Demonstra-o e fica aprovado por unanimidade.
Disse eu que é obrigatória. Mas não é, por isto, a esperança feia ou dura: pelo contrário, quem a vive viaja num clima de confiança e de entrega, dizendo com o salmista: “Senhor, tu és a minha rocha, o meu escudo, a minha fortaleza, o meu refúgio, a minha lâmpada, o meu pastor, a minha salvação. Mesmo que um exército se formasse contra mim, o meu coração não temeria; e se contra mim se levantar a batalha, mesmo então terei confiança”.
Direis: Mas não é exageradamente entusiasta este salmista? É possível que a ele as coisas tenham sempre corrido tão bem? Não, não lhe correram sempre bem. Sabe e diz que os maus são muitas vezes afortunados e os bons oprimidos. Disto se lamentou até por vezes dirigindo-se ao Senhor; chegou a dizer: “Porque dormes, Senhor? Porque te calas? Desperta, ouve-me, Senhor”. Mas a sua esperança manteve-se firme, inabalável. A ele, e a todos quantos esperam, se pode aplicar o que disse São Paulo de Abraão: Acreditou esperando contra toda a esperança (Rm 4,18). Direis ainda: Mas como pode acontecer tal coisa? Acontece, porque nos apegamos a três verdades: Deus é onipotente, Deus ama-me imensamente e Deus é fiel às promessas. E é Ele, o Deus da misericórdia, que acende em mim a confiança; por isso não me sinto nem só, nem inútil, nem abandonado, mas integrado num destino de salvação, que um dia virá a levar-me ao Paraíso. Aludi aos Salmos. A mesma confiança segura vibra nos livros dos Santos. Gostaria que lêsseis uma homilia feita por Santo Agostinho no dia de Páscoa sobre o Aleluia. O verdadeiro Aleluia - diz aproximadamente - cantá-lo-emos no Paraíso. Este será o Aleluia do amor pleno; o de agora, é o Aleluia do amor faminto, isto é, da esperança.
Dirá alguém: Mas se eu sou pobre pecador? Respondo-lhe como respondi a uma senhora desconhecida, que se confessava a mim já lá vão muitos anos. Estava desanimada porque - segundo afirmava - tinha tido uma vida moralmente borrascosa. “Dá-me licença de lhe perguntar: Quantos anos tem?” “35”. “35! Mas pode viver outros 40 ou 50, e fazer ainda um bem muito grande. Assim, arrependida como está, em vez de pensar no passado, projete-se no futuro e renove, com a ajuda de Deus, a sua vida”. Citei naquela ocasião São Francisco de Sales, que fala das “nossas caras imperfeições”. Expliquei: Deus detesta as faltas, porque são faltas. Mas, por outro lado, em certo sentido, ama as faltas, enquanto Lhe dão ensejo de mostrar a sua misericórdia e a nós o de permanecermos humildes e compreendermos as faltas do próximo e delas nos compadecermos.
Nem todos partilham esta minha simpatia pela esperança. Nietzsche, por exemplo, chama-lhe “virtude dos fracos”. Segundo ele, faz do cristão um inútil, um solitário, um resignado e um estranho ao progresso do mundo. Outros falam de “alienação”, dizendo que afasta os cristãos da luta em favor da promoção humana. Todavia “a mensagem cristã - disse o Concílio - não afasta os homens da construção do mundo... impõe-lhes, ao contrário, um dever mais rigoroso" (Gaudium et Spes, 34. Cf. nn. 39 e 57; e Mensagem ao Mundo dos Padres Conciliares, de 20 de outubro de 1962).
Têm surgido de vez em quando no decurso dos séculos afirmações e tendências de cristãos demasiado pessimistas quanto ao homem. Mas tais afirmações foram desaprovadas pela Igreja e esquecidas graças a uma falange de santos alegres e ativos, graças ao humanismo cristão, aos mestres de ascética que Saint-Beuve chamou “les doux” e graças ainda a uma teologia compreensiva. São Tomás de Aquino, por exemplo, coloca entre as virtudes a iucunditas, ou seja, a capacidade de converter num sorriso alegre - na medida e no modo conveniente - as coisas ouvidas e vistas (Cf. 2.2ae, q. 168, a. 2). Jucundo deste modo - explicava aos meus alunos - foi aquele pedreiro irlandês, que se precipitou do andaime e quebrou as pernas. Levado ao hospital, vieram o médico e a irmã enfermeira. “Pobrezinho - disse esta última - feriu-se muito caindo”. Replicou o ferido: “Madre, não foi precisamente caindo, mas chegando ao chão é que me feri”. Declarando ser virtude gracejar e fazer sorrir, São Tomás encontrava-se de acordo com a “alegre nova” pregada por Cristo, com a hilaritas recomendada por Santo Agostinho. Vencia o pessimismo, revestia de alegria a vida cristã, convidava-nos a tomar ânimo também com os gozos sãos e puros que se nos deparam no caminho. Quando eu era rapaz, li alguma coisa sobre Andrew Carnegie, escocês, que imigrou com os pais para a América e chegou pouco a pouco a ser um dos maiores ricaços do mundo. Não era católico, mas impressionou-me que falasse com insistência das alegrias genuínas e autênticas da sua vida. “Nasci na miséria - dizia -, mas não trocaria as recordações da minha meninice com as dos filhos dos milionários. Que sabem eles das alegrias familiares, da terna figura da mãe que junta em si os cargos de encarregada de crianças, de lavadeira, de cozinheira, de mestra, de anjo e de santa?”. Muito novo empregara-se numa fiação de Pittsburgh com 56 míseras liras mensais de salário. Uma tarde, em vez de lhe dar logo a paga, o tesoureiro disse-lhe que esperasse. Carnegie tremia: “Vão-me agora despedir”. Pelo contrário, depois de pagar aos outros, o tesoureiro disse-lhe: “Andrew, tenho reparado atentamente no seu trabalho; concluí que vale mais que o dos outros. Subo-lhe o salário para 67 liras”. Carnegie de corrida voltou a casa, onde a mãe chorou de contentamento devido à promoção do filho. “Falais de milionários - dizia Carnegie muitos anos depois -, todos os meus milhões colocados juntos não me deram nunca a alegria daquelas 11 liras de aumento”. Certamente, estas alegrias, ainda que boas e animadoras, não têm o valor todo; são alguma coisa, não são tudo; servem de meio, não são o fim último; não duram sempre, mas só breve tempo. “Delas usem os cristãos - escrevia São Paulo -, mas como se delas não usassem, porque a aparência deste mundo passa” (Cf. 1Cor 7,31). Cristo já dissera: Procurai primeiro que tudo o reino de Deus (Mt 6,33).
Para terminar, desejava aludir a urna esperança, por alguns chamada cristã, mas que só é cristã até certo ponto. Explico-me: no Concílio também eu votei a “Mensagem ao Mundo” dos Padres Conciliares. Dizíamos nela: o cargo principal de divinizar não exime a Igreja do cargo de humanizar. Votei a Gaudium et Spes; comovi-me e entusiasmei-me quando saiu a Populorum Progressio. Julgo que o Magistério da Igreja nunca insistirá demais em apresentar e recomendar a solução dos grandes problemas da liberdade, da justiça, da paz e do desenvolvimento; e os leigos católicos nunca se baterão suficientemente para resolver estes problemas. É, porém, erro afirmar que a libertação política, econômica e social coincide com a salvação em Jesus Cristo, afirmar que o Regnum Dei se identifica com o Regnum hominis, que Ubi Lenin ibi lerusalem. Em Friburgo, no 85° Katholikentag foi tratado, nestes últimos dias, o tema “o futuro da esperança”. Falava-se do “mundo” que é preciso melhorar, e a palavra “futuro” vinha a propósito. Mas se da esperança para o “mundo” se passa à esperança para cada alma, então é necessário falar também de “eternidade”. Em Ostia, à beira-mar, numa famosa conversa, Agostinho e Mônica, “esquecidos do passado e voltados para o futuro, perguntavam-se que viria a ser a vida eterna” (Confissões IX, n. 10.). Tal é a esperança cristã; a esta se referia o Papa João e a esta nos referimos nós, quando, com o Catecismo, oramos: “Meu Deus, espero da vossa bondade... a vida eterna e as graças necessárias para a merecer com as boas obras, que eu devo e quero fazer. Meu Deus, não fique eu confundido eternamente”.


Fonte: Santa Sé

Exaltação da Cruz e Nossa Senhora das Dores em Cracóvia

No último dia 14 de setembro o Arcebispo de Cracóvia, Dom Marek Jędraszewski, celebrou a Santa Missa da Festa da Exaltação da Santa Cruz na Basílica da Santa Cruz (Abadia Cisterciense de Mogiła) no Distrito de Nowa Huta em Cracóvia:

Procissão de entrada
Incensação


Ritos iniciais

terça-feira, 18 de setembro de 2018

Exaltação da Santa Cruz em Jerusalém

No último dia 14 de setembro o Vigário da Custódia da Terra Santa, Padre Dobromir Jazstal, celebrou a Festa da Exaltação da Santa Cruz na Basílica do Santo Sepulcro, na Capela junto ao Calvário.

Após a Missa, foi realizada uma procissão com a relíquia da Cruz pela Basílica.

Procissão de entrada

Incensação do altar
Ritos iniciais
Evangelho

VIII Catequese do Papa sobre os Mandamentos: Dia do repouso, profecia de libertação

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 12 de setembro de 2018
Os Mandamentos (8): O dia do repouso, profecia de libertação

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Na catequese de hoje voltamos a falar do terceiro mandamento, sobre o dia do repouso. O Decálogo, promulgado no livro do Êxodo, é repetido no livro do Deuteronômio de modo quase idêntico, com a exceção desta terceira Palavra, onde temos uma diferença preciosa: enquanto no Êxodo o motivo do repouso é a bênção da criação, no Deuteronômio, ao contrário, ele comemora o fim da escravidão. Neste dia o escravo deve descansar como o patrão, para celebrar a memória da Páscoa de libertação.
Com efeito, por definição os escravos não podem descansar. Mas existem muitos tipos de escravidão, tanto exterior como interior. Há constrições externas, como as opressões, as vidas raptadas pela violência e por outros géneros de injustiça. Além disso, existem as prisões interiores que são, por exemplo, os bloqueios psicológicos, os complexos, os limites carateriais e outros. Existe descanso nestas condições? Um homem preso ou oprimido pode permanecer, contudo, livre? E uma pessoa atormentada por dificuldades interiores, pode ser livre?
Com efeito, há pessoas que até na prisão vivem uma grande liberdade de espírito. Pensemos, por exemplo, em São Maximiliano Kolbe ou no Cardeal Van Thuan, que transformaram obscuras opressões em lugares de luz. Assim como há pessoas marcadas por grandes fragilidades interiores que, contudo, conhecem o repouso da misericórdia e sabem transmiti-lo. A misericórdia de Deus liberta-nos. E quando nos deparamos com a misericórdia de Deus, temos uma grande liberdade interior e somos também capazes de a transmitir. Por isso, é muito importante abrir-nos à misericórdia de Deus para não sermos escravos de nós mesmos.
Portanto, o que é a verdadeira liberdade? Consiste porventura na liberdade de escolha? Certamente, esta é uma parte da liberdade, e engajamo-nos para que seja garantida a cada homem e mulher (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. Past. Gaudium et spes, 73). Mas bem sabemos que fazer o que desejamos não é suficiente para ser verdadeiramente livres e nem sequer felizes. A verdadeira liberdade é muito mais!
Com efeito, há uma escravidão que acorrenta mais do que uma prisão, mais que uma crise de pânico, mais que uma imposição de qualquer tipo: trata-se da escravidão do próprio ego [1] Aqueles que se espelham o dia inteiro para ver o ego. E o próprio ego tem uma estatura mais alta do que o próprio corpo. São escravos do ego. O ego pode tornar-se um verdugo que tortura o homem, onde quer que ele se encontre, provocando-lhe a mais profunda opressão, aquela que se chama “pecado”, que não é banal violação de um código, mas fracasso da existência e condição de escravos (cf. Jo 8,34) [2]. Afinal, o pecado é dizer e fazer ego. “Quero fazer isto e não me importa se há um limite, se existe um mandamento, nem sequer importa se existe o amor”.
O ego, pensemos por exemplo nas paixões humanas: o guloso, o luxurioso, o avarento, o iracundo, o invejoso, o preguiçoso, o soberbo - e assim por diante - são escravos dos seus vícios, que os tiranizam e atormentam. Não há trégua para o guloso, porque a gula é a hipocrisia do estômago, que está cheio mas faz-nos crer que está vazio. O estômago hipócrita torna-nos gulosos. Somos escravos de um estômago hipócrita. Não há trégua para o guloso e o luxurioso, que devem viver de prazer; o anseio da posse destrói o avarento, que amontoa sempre dinheiro, fazendo mal ao próximo; o fogo da ira e o caruncho da inveja arruínam os relacionamentos. Os escritores dizem que a inveja amarelece o corpo e a alma, como quando uma pessoa tem hepatite: torna-se amarela. Os invejosos têm a alma amarela, porque nunca podem ter o vigor da saúde da alma. A inveja destrói. A preguiça que evita qualquer esforço torna-nos incapazes de viver; o egocentrismo - aquele ego do qual eu falava - soberbo escava um fosso entre nós e os outros.
Caros irmãos e irmãs, quem é por conseguinte o verdadeiro escravo? Quem é aquele que não conhece o repouso? Quem não é capaz de amar! E todos estes vícios, estes pecados, este egoísmo nos afastam do amor e nos tornam incapazes de amar. Somos escravos de nós mesmos e não podemos amar, porque o amor é sempre pelos outros.
O terceiro mandamento, que convida a celebrar no repouso a libertação, para nós cristãos é profecia do Senhor Jesus, que interrompe a escravidão interior do pecado para tornar o homem capaz de amar. O amor verdadeiro é a liberdade autêntica: desapega da posse, reconstrui os relacionamentos, sabe acolher e valorizar o próximo, transforma em dom jubiloso todo o cansaço, tornando-nos capazes de comunhão. O amor liberta até na prisão, mesmo se somos frágeis e limitados.
Esta é a liberdade que recebemos do nosso Redentor, nosso Senhor Jesus Cristo. 

[1] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1733: «A opção pela desobediência e pelo mal é um abuso da liberdade e conduz à escravidão do pecado».
[2] Cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1739: «A liberdade do homem é finita e falível. E, de fato, o homem falhou. Livremente pecou. Rejeitando o projeto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade».


Fonte: Santa Sé

sábado, 15 de setembro de 2018

Homilia: XXIV Domingo do Tempo Comum - Ano B

São Cesário de Arles
Sermão 159
Não é duro o que manda aquele que ajuda a realizar o que ordena

Se alguém me quer seguir, que carregue sua cruz. Parece duro, caríssimos irmãos, e se considera como grave o que no Evangelho ordenou o Senhor, dizendo: Se alguém me quer seguir, que se negue a si mesmo. Porém não é duro o que manda aquele que ajuda a realizar o que ordena.

E para onde devemos seguir a Cristo, senão para onde Cristo está? Sabemos, de fato, que ressuscitou, que subiu ao céu: para lá devemos segui-lo. Não devemos ceder à desesperança, e não porque o homem seja capaz de algo, mas porque Ele o prometeu. O céu estava muito distante de nós, até que nossa cabeça subiu ao céu. Porém, agora, como vamos desesperar de lá chegar, se somos membros daquela cabeça? E por que razão? Porque a terra é campo do medo e da dor: sigamos a Cristo em quem está a suprema felicidade, a suprema paz, a eterna segurança.

Somente quem deseja seguir a Cristo prestará atenção ao que diz o Apóstolo: Quem diz que permanece em Cristo, deve viver como Ele viveu. Queres seguir a Cristo? Seja humilde como Ele o foi: não desprezes a sua humildade, se desejas elevar-te à sua sublimidade. O caminho se tornou pedregoso ao pecar o homem; porém, voltou a ser transitável desde que Cristo, ao ressuscitar, o aplainou; de estreitíssima trilha se tornou em estrada real. Por esta estrada se corre com os pés gêmeos da humildade e da caridade. Aqui todos aspiram aos cumes da caridade, porém o primeiro degrau é a humildade. O que é isso de queimar etapas? Queres cair, não ascender. Começa pelo primeiro degrau, o da humildade, e já começaste a ascensão.

Por isso, nosso Senhor e Salvador não se satisfez em dizer: Que se negue a si mesmo, mas acrescentou: Que carregue a sua cruz e me siga. O que significa “Que carregue a sua cruz”? Suporte qualquer desgosto: e assim me siga. Bastará que me siga imitando a minha vida e cumprindo meus preceitos, para que na ocasião oportuna apareçam muitos oponentes, muitos que tentarão impedi-lo; encontrará não só muitos que zombem dele, mas também muitos perseguidores. E isto não só entre os pagãos, mas até mesmo entre aqueles que, com o corpo, parecem estar dentro da Igreja, mas que na realidade estão fora pela perversidade das obras e, ostentando unicamente o nome de cristãos, não cessam de perseguir aos bons cristãos. Portanto, se tu desejas seguir a Cristo, toma em seguida a sua cruz: suporta aos maus, mantém-te firme.

Assim, se queremos cumprir o que disse o Senhor: Quem quiser vir após mim, carregue a sua cruz e me siga, esforcemo-nos por colocar em prática, com a ajuda de Deus, o que diz o Apóstolo: Tendo o que comer e o que vestir, demo-nos por satisfeitos, não nos ocorra que desejando os bens terrenos além da estrita necessidade, busquemos enriquecer-nos, nos embaracemos em mil tentações, criemos para nós necessidades absurdas e nocivas, que afundam os homens na perdição e na ruína. Que o Senhor se digne livrar-nos com sua proteção de semelhante tentação, Ele que com o Pai e o Espírito Santo vive e reina pelos séculos dos séculos. Amém.


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, pp. 467-468. Para adquiri-lo no site da Editora Vozes, clique aqui.

Para ler uma homilia de Teodoreto de Ciro para este domingo, clique aqui.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Divina Liturgia em Przemyśl

O Arcebispo-Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk, presidiu no último dia 09 de setembro a Divina Liturgia na Catedral São João Batista em Przemyśl, na Polônia, para celebrar os 325 anos da Diocese.

Estiveram presentes todos os Bispos da Igreja Católica Ucraniana, reunidos em seu Sínodo anual, além de outros Bispos de Rito Romano e de outras igrejas orientais.

Procissão de entrada

Acolhida ao Arcebispo-Maior


Ângelus: XXIII Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 09 de setembro de 2018

Prezados irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo (Mc 7,31-37) narra o episódio da cura milagrosa de um surdo-mudo, realizada por Jesus. Trouxeram-lhe um surdo-mudo, rogando-lhe que lhe impusesse as mãos. Contudo, Jesus faz vários gestos sobre ele: antes de tudo, levou-o para um lugar apartado, distante da multidão. Nessa ocasião, assim como noutras, Jesus age sempre com discrição. Não quer impressionar o povo, não está à procura da popularidade nem do sucesso, mas só deseja fazer o bem às pessoas. Com esta atitude, Ele ensina-nos que o bem deve ser praticado sem clamores, sem ostentação, sem “tocar a trombeta”. Deve ser praticado em silêncio.

Depois de se ter afastado, Jesus pôs os dedos nos ouvidos do surdo-mudo e tocou a sua língua com a saliva. Este gesto remete para a Encarnação. O Filho de Deus é um homem inserido na realidade humana: fez-se homem, e portanto pode compreender a condição dolorosa de outro homem e intervém com um gesto no qual está envolvida a própria humanidade. Ao mesmo tempo, Jesus quer fazer entender que o milagre se realiza por causa da sua união com o Pai: por isso, elevou os olhos ao céu. Depois, emitiu um suspiro e pronunciou a palavra decisiva: «Efatá», que significa “Abre-te!”. E imediatamente o homem ficou curado: os ouvidos se abriram, a língua libertou-se. A cura foi para ele uma «abertura» aos outros e ao mundo.

Esta narração do Evangelho ressalta a exigência de uma dupla cura. Antes de tudo, a cura da doença e do sofrimento físico, para restituir a saúde do corpo; embora esta finalidade não seja completamente alcançável no horizonte terreno, não obstante tantos esforços da ciência e da medicina. Contudo, há uma segunda cura, talvez mais difícil, e trata-se da cura do medo. A cura do medo que nos impele a marginalizar o enfermo, a marginalizar o sofredor, o deficiente. E existem muitos modos de marginalizar, até mediante uma pseudopiedade, ou eliminando o problema; permanecemos surdos e mudos diante das dores das pessoas marcadas por doenças, angústias e dificuldades. Demasiadas vezes o enfermo e o sofredor tornam-se um problema, enquanto deveriam ser ocasião para manifestar a solicitude e a solidariedade de uma sociedade em relação aos membros mais frágeis.

Jesus revelou-nos o segredo de um milagre que também nós podemos repetir, tornando-nos protagonistas do «Efatá», daquela palavra “Abre-te!” com a qual Ele restituiu a palavra e a audição ao surdo-mudo. Trata-se de nos abrirmos às necessidades dos nossos irmãos sofredores e necessitados de ajuda, evitando o egoísmo e o fechamento do coração. É precisamente o coração, ou seja, o núcleo profundo da pessoa, que Jesus vem «abrir», libertar, para nos tornar capazes de viver plenamente a relação com Deus e com o próximo. Ele fez-se homem porque o homem, que o pecado tornou interiormente surdo e mudo, possa ouvir a voz de Deus, a voz do Amor que fala ao seu coração e assim, por sua vez, aprenda a falar a linguagem do amor, traduzindo-a em gestos de generosidade e de doação de si mesmo.

Maria, Aquela que se «abriu» totalmente ao amor do Senhor, nos conceda experimentar cada dia, na fé, o milagre do «Efatá», para viver em comunhão com Deus e com os irmãos.


Fonte: Santa Sé.