sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Homilia do Papa: Missa com os Cardeais (2026)

Consistório Extraordinário - Missa com os Cardeais
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026

Foram proclamadas as leituras do dia 08 de janeiro: 1Jo 4,7-10; Sl 71; Mc 6,34-44 [1].

«Caríssimos, amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus» (1Jo 4,7). A Liturgia nos propõe esta exortação ao celebrarmos o Consistório Extraordinário: momento de graça no qual se expressa a nossa união ao serviço da Igreja.

Como sabemos, a palavra Consistório, Consistorium, “assembleia”, pode ser interpretada à luz da raiz do verbo consistere, ou seja, “parar”. E, com efeito, todos nós “paramos” para estar aqui: interrompemos por algum tempo as nossas atividades e renunciamos a compromissos importantes, para nos reunirmos e discernirmos o que o Senhor nos pede para o bem do seu Povo. Este é, por si só, um gesto muito significativo, profético, especialmente no contexto da sociedade frenética em que vivemos. Lembra-nos, pois, a importância, em cada percurso de vida, de parar para rezar, ouvir, refletir e assim voltar a focar cada vez melhor o olhar na meta, direcionando para ela cada esforço e recurso, para não corrermos o risco de andar às cegas ou dar golpes no ar em vão, como adverte o Apóstolo Paulo (cf. 1Cor 9,26). Na verdade, não estamos aqui para promover “agendas” - pessoais ou de grupo -, mas para confiar os nossos projetos e inspirações ao juízo de um discernimento que nos ultrapassa «tanto quanto os céus estão acima da terra» (Is 55,9) e que só pode vir do Senhor.


Por isso, é importante que agora, na Eucaristia, coloquemos sobre o Altar, com o dom da nossa vida, todos os nossos desejos e pensamentos, oferecendo-os ao Pai em união com o Sacrifício de Cristo, para os recebermos purificados, iluminados, fundidos e transformados, pela graça, em um único Pão. Com efeito, só assim saberemos realmente ouvir a sua voz, acolhendo-a no dom que somos uns para os outros: motivo pelo qual nos reunimos.

O nosso Colégio, embora rico de tantas competências e dons notáveis, na verdade, não é chamado a ser, em primeiro lugar, uma equipe de especialistas, mas uma comunidade de fé, na qual os dons que cada um traz, oferecidos ao Senhor e por Ele restituídos, produzam, segundo a sua Providência, o máximo fruto.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Festa da Teofania em Kiev (2026)

No dia 06 de janeiro de 2026 o Arcebispo Maior da Igreja Greco-Católica Ucraniana, Dom Sviatoslav Shevchuk (Святосла́в Шевчу́к), celebrou a Divina Liturgia da Festa da Teofania na Catedral da Ressurreição em Kiev (Ucrânia), seguida da Grande Bênção das Águas às margens do rio Dnipro (Дніпро).

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história da Solenidade da Epifania e sobre a história da Festa do Batismo do Senhor.

Catedral da Ressurreição em Kiev
Ícone da Teofania
O Arcebispo abençoa os fiéis
Incensação

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Infância de Jesus 4

Concluídas as celebrações do Tempo do Natal, retomamos a publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, com as últimas duas meditações sobre a infância de Jesus: a Apresentação no Templo (Lc 2,22-40) e do encontro de Jesus no Templo (Lc 2,41-52).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
1.7. A infância de Jesus: A Apresentação no Templo (Lc 2,22-40)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje contemplamos a beleza de «Jesus Cristo, nossa esperança» (1Tm 1,1) no mistério da sua Apresentação no Templo.

Nos relatos da infância de Jesus o evangelista Lucas nos mostra a obediência de Maria e José à Lei do Senhor e a todas as suas prescrições. Na realidade, em Israel não havia a obrigação de apresentar o menino no Templo, mas quem vivia à escuta da Palavra do Senhor e desejava conformar-se a ela, considerava-a um costume precioso. Assim fez Ana, mãe do profeta Samuel, que era estéril; Deus ouviu a sua prece e ela, uma vez nascido o filho, o levou ao Templo e o ofereceu para sempre ao Senhor (cf. 1Sm 1,24-28).

Apresentação de Jesus no Templo
(Aert de Gelder)

Lucas, portanto, narra o primeiro ato de culto de Jesus, celebrado na cidade santa, Jerusalém, que será a meta de todo o seu ministério itinerante a partir do momento em que tomará a firme decisão de se dirigir a ela (cf. Lc 9,51), indo ao encontro do cumprimento da sua missão.

Maria e José não se limitam a enxertar Jesus em uma história de família, de povo, de aliança com o Senhor Deus. Eles se ocupam do seu cuidado e do seu crescimento, introduzindo-o no ambiente da fé e do culto. E eles mesmos crescem gradualmente na compreensão de uma vocação que os supera em grande medida.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Epifania do Senhor: Cracóvia e Milão (2026)

Como fizemos com o encerramento do Jubileu 2025, nesta postagem destacamos as celebrações da Solenidade da Epifania do Senhor no dia 06 de janeiro de 2026 em duas importantes Arquidioceses: Cracóvia (Polônia) e Milão (Itália):

Em Cracóvia a Missa da Solenidade foi celebrada pelo Arcebispo, Cardeal Grzegorz Ryś, na Catedral dos Santos Venceslau e Estanislau, a Catedral de Wawel:

O Arcebispo endossou uma casula que pertenceu ao seu predecessor, Cardeal Adam Stefan Sapieha (†1951), e que foi usada por São João Paulo II (†2005) em sua Ordenação Episcopal. 

Incensação do altar
(Note-se a casula do Cardeal Sapieha)
Ritos iniciais
Evangelho

Homilia

Ângelus: Solenidade da Epifania do Senhor (2026)

No dia 06 de janeiro de 2026, após o fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025, e a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor, o Papa Leão XIV dirigiu-se ao balcão central da Basílica Vaticana para a oração do Ângelus:

Solenidade da Epifania do Senhor
Papa Leão XIV
Ângelus
Balcão central da Basílica de São Pedro
Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Neste período tivemos vários dias festivos e a Solenidade da Epifania, já no seu nome, sugere-nos o que torna possível a alegria, mesmo em tempos difíceis. Na verdade, como é sabido, a palavra “epifania” significa “manifestação”, e a nossa alegria nasce de um Mistério que já não está oculto. A vida de Deus revelou-se: muitas vezes e de muitos modos, mas com clareza definitiva em Jesus; por isso agora sabemos que, mesmo entre muitas tribulações, podemos ter esperança. “Deus salva”: não tem outras intenções, nem tem um outro nome. Provém de Deus e é epifania de Deus apenas aquilo que liberta e salva.

Ajoelhar-se como os Magos diante do Menino de Belém significa, também para nós, confessar que encontramos a verdadeira humanidade, na qual resplandece a glória de Deus. Em Jesus apareceu a verdadeira vida, o homem vivente, ou seja, aquele não existir só para si mesmo, mas aberto e em comunhão, que nos faz dizer «assim na terra como no céu» (Mt 6,10). Sim, a vida divina está ao nosso alcance, manifestou-se para nos envolver no seu dinamismo libertador que dissolve os medos e nos faz encontrar a paz. É uma possibilidade, um convite: a comunhão não pode ser uma coação, mas o que se pode desejar mais?

No relato evangélico e nos nossos presépios os Magos oferecem ao Menino Jesus presentes preciosos: ouro, incenso e mirra (Mt 2,11). Não parecem coisas úteis para uma criança, mas expressam uma vontade que, no final do Ano Jubilar, nos faz refletir muito. Muito dá quem tudo dá. Recordemos aquela pobre viúva, notada por Jesus, que lançou no tesouro do Templo as suas últimas moedas, tudo o que tinha (cf. Lc 21,1-4). Não conhecemos os bens dos Magos, vindos do Oriente, mas a sua partida, o seu risco, os seus próprios presentes nos sugerem que tudo, realmente tudo o que somos e possuímos, pede para ser oferecido a Jesus, tesouro inestimável. E o Jubileu convocou-nos a esta justiça fundada na gratuidade: ele tem em si mesmo o apelo a reorganizar a convivência, a redistribuir a terra e os recursos, a devolver “o que se tem” e “o que se é” aos sonhos de Deus, maiores que os nossos.

Caríssimos, a esperança que anunciamos deve ter os pés bem assentados na terra: vem do céu, mas para gerar uma nova história aqui em baixo. Nos presentes dos Magos vemos, então, o que cada um de nós pode pôr em comum, o que já não pode guardar para si, mas partilhar, para que Jesus cresça no meio de nós. Que o seu Reino cresça, que as suas palavras se realizem em nós, que os desconhecidos e os adversários se tornem irmãos e irmãs, que em vez das desigualdades haja equidade, que em vez da indústria da guerra se afirme o artesanato da paz. Como tecelões de esperança, caminhemos rumo ao futuro por outro caminho (cf. Mt 2,12).

Ângelus do dia 06 de janeiro de 2026
(Visto a partir do presépio da Praça de São Pedro)

Fonte: Santa Sé.

Sobre o simbolismo dos presentes dos Magos, mencionados pelo Papa, confira nossa postagem sobre a canção We Three Kings.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Solenidade da Epifania do Senhor no Vaticano (2026)

Na manhã da terça-feira, 06 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor precedida pelo fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025. 

O Papa, endossando os paramentos confeccionados especialmente para o Jubileu, foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

A celebração teve início no átrio da Basílica, diante da Porta Santa, com o sinal da cruz, a saudação e uma monição introdutória. Em seguida o Papa proferiu uma oração, intercalada pelo primeiro verso do hino Te Deum como refrão.

Após o canto da antífona O Clavis David, Leão XIV ajoelhou-se na soleira e rezou por alguns instantes em silêncio, fechando em seguida a Porta Santa. A procissão de entrada dirigiu-se então ao altar central da Basílica onde, após o canto do Glória, a Missa prosseguiu como de costume.

Junto ao altar foi exposta a imagem da “Madonna della Speranza” (Nossa Senhora da Esperança) venerada na Paróquia de São Marcos de Castellabate, no sul da Itália, além de duas tapeçarias representando o Nascimento do Senhor e a adoração dos Magos.

Entrada do Papa
Ritos iniciais no átrio


O Papa reza em silêncio na soleira da Porta

Homilia do Papa: Epifania do Senhor (2026)

Solenidade da Epifania do Senhor
Fechamento da Porta Santa e conclusão do Jubileu Ordinário de 2025
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de São Pedro
Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
O Evangelho (Mt 2,1-12) descreveu-nos a grande alegria dos Magos ao reverem a estrela (v. 10), mas também a perturbação sentida por Herodes e por toda a cidade de Jerusalém diante da sua busca (v. 3). Sempre que se trata das manifestações de Deus, a Sagrada Escritura não esconde este tipo de contrastes: alegria e perturbação, resistência e obediência, medo e desejo. Celebramos hoje a Epifania do Senhor, conscientes de que, na sua presença, nada permanece como antes. Este é o início da esperança. Deus revela-se e nada pode permanecer imóvel. Acaba certa tranquilidade, aquela que leva os melancólicos a repetir: «Não há nada de novo debaixo do sol» (Ecl 1,10). Começa algo do qual dependem o presente e o futuro, como anuncia o Profeta: «Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor» (Is 60,1).


Surpreende que seja perturbada precisamente Jerusalém, cidade palco de tantos novos começos. Dentro dela, exatamente aqueles que estudam as Escrituras e pensam ter todas as respostas dão a impressão de ter perdido a capacidade de formular perguntas e cultivar desejos. Aliás, a cidade fica assustada com aqueles que vêm de longe, movidos pela esperança, a ponto de pressentir uma ameaça naquilo que, pelo contrário, deveria dar-lhe muita alegria. Esta reação interpela também todos nós, como Igreja.

A Porta Santa desta Basílica que, por último, foi fechada hoje, recebeu o fluxo de inúmeros homens e mulheres, peregrinos de esperança, a caminho da Cidade cujas portas estão sempre abertas, a nova Jerusalém (cf. Ap 21,25). Quem foram eles e o que os motivava? No final do Ano Jubilar, questiona-nos com particular seriedade a busca espiritual dos nossos contemporâneos, muito mais rica do que talvez possamos compreender. Milhões deles atravessaram a soleira da Igreja. E o que encontraram? Que corações, que atenção, que acolhida? Sim, os Magos ainda existem. São pessoas que aceitam o desafio de arriscar cada um a própria viagem, que em um mundo conturbado como o nosso, sob muitos aspectos repulsivo e perigoso, sentem a necessidade de partir, de procurar.