sábado, 23 de novembro de 2019

Homilia do Papa: Missa com os jovens da Tailândia

Viagem Apostólica do Papa Francisco à Tailândia e Japão
Santa Missa com os Jovens
Homilia do Santo Padre
Catedral da Assunção em Bangkok
Sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Vamos ao encontro de Cristo Senhor, que vem! O Evangelho, que acabamos de ouvir (Mt 25,1-13), convida a pormo-nos em movimento com o olhar fixo no futuro, para nos encontrarmos com o mais belo dom que nos reserva: a vinda definitiva de Cristo à nossa vida e ao nosso mundo. Demos-Lhe as boas-vindas ao nosso meio, com imensa alegria e amor como só vós, jovens, sabeis fazer! Sabemos que, antes de sairmos à sua procura, já o Senhor nos procurava; vem ao nosso encontro e chama-nos a partir da história que é necessário construir, criar, inventar. Vamos com alegria, porque sabemos que Ele nos espera lá.
O Senhor sabe que através de vós, jovens, entra o futuro nestas terras e no mundo, e conta convosco para continuar hoje a sua missão (cf. Christus vivit, 174). Assim como Deus tinha um plano para o povo escolhido, também tem um plano para cada um de vós. Ele é o primeiro a sonhar em convidar-nos a todos para um banquete que devemos preparar juntos, Ele e nós, como comunidade: o banquete do seu Reino, do qual ninguém deveria ser excluído.
O Evangelho de hoje fala-nos de dez jovens convidadas a olhar para o futuro e participar na festa do Senhor. O problema é que algumas delas não estavam preparadas para O receber; não porque adormeceram, mas porque lhes faltou o azeite necessário, o combustível interno para manter aceso o fogo do amor. Com grande entusiasmo e motivação, queriam tomar parte na chamada e convocação do Mestre, mas, com o tempo, as forças e os anseios foram-se amortecendo, apagando, e chegaram tarde. É uma parábola daquilo que pode acontecer connosco, os cristãos, quando ouvimos, cheios de entusiasmo e decisão, a chamada do Senhor para tomar parte no seu Reino e partilhar a sua alegria com os outros. Mas com frequência, perante os problemas e obstáculos que muitas vezes são tantos (como cada um de vós bem sabe, no seu coração), perante o sofrimento de pessoas queridas ou a impotência sentida face a situações que parecem impossíveis de ser alteradas, então a desconfiança e a amargura podem ganhar espaço e infiltrar-se silenciosamente nos nossos sonhos, fazendo com que se resfrie o coração, percamos a alegria, e cheguemos tarde.
Por isso, gostaria de vos perguntar: Quereis manter vivo o fogo que vos pode iluminar no meio da noite e no meio das dificuldades? Quereis preparar-vos para responder à chamada do Senhor? Quereis estar prontos para cumprir a sua vontade?
Como obter o azeite que possa manter-vos em movimento e encorajar-vos a buscar o Senhor em todas as situações?
Sois herdeiros duma magnífica história de evangelização, que vos foi transmitida como um tesouro sagrado. Esta bela Catedral é testemunha da fé em Jesus Cristo que tiveram os vossos antepassados: a sua fidelidade, profundamente arraigada, impeliu-os a cumprir boas obras, a construir o outro templo ainda mais esplêndido, composto de pedras vivas para poder levar o amor misericordioso de Deus às a todas as pessoas do seu tempo. E conseguiram fazê-lo, porque estavam convencidos daquilo que o profeta Oseias diz na primeira Leitura de hoje: Deus falara-lhes com ternura, abraçara-os com um amor forte, para sempre (cf. Os 2,16.21-22).
Queridos amigos, para que o fogo do Espírito Santo não se apague e possais manter despertos o olhar e o coração, é necessário estar arraigados na fé dos mais velhos: pais, avós, professores. Não para ficar prisioneiros do passado, mas para aprender a ter a mesma coragem, capaz de nos ajudar a responder às novas situações históricas. A vida deles resistiu a muitas provações e sofrimentos. Mas descobriram, ao longo do caminho, que o segredo dum coração feliz é a segurança que encontramos quando estamos ancorados, enraizados em Jesus: na sua vida, nas suas palavras, na sua morte e ressurreição.
«Já me aconteceu ver árvores jovens, belas, que elevavam seus ramos sempre mais alto para o céu; pareciam uma canção de esperança. Mais tarde, depois duma tempestade, encontrei-as caídas, sem vida. Estenderam os seus ramos sem se enraizar bem na terra e, por ter poucas raízes, sucumbiram aos assaltos da natureza. Por isso, custa-me ver que alguns propõem aos jovens construir um futuro sem raízes, como se o mundo começasse agora. Com efeito, é impossível uma pessoa crescer, se não possui raízes fortes que a ajudem a estar firme de pé e agarrada à terra. [Moços e moças, é muito] fácil extraviar-se, quando não temos onde agarrar-nos, onde firmar-nos» (Christus vivit, 179).
Sem este sentido forte de enraizamento, podemos ficar perplexos com as «vozes» deste mundo que reclamam a nossa atenção. Muitas delas são atraentes, propostas bem confecionadas, que inicialmente parecem bonitas e intensas, mas, com o passar do tempo, acabam por deixar apenas o vazio, o cansaço, a solidão e a frustração (cf. ibid., 277), e vão apagando aquela centelha de vida que um dia o Senhor acendeu em cada um de nós.
Queridos jovens, sois uma nova geração, com novas esperanças, sonhos e interrogativos; seguramente também com algumas dúvidas, mas, enraizados em Cristo, convido-vos a manter viva a alegria e a não ter medo de olhar para o futuro com confiança. Arraigados em Cristo, olhai com alegria, olhai com e confiança. Esta condição nasce da certeza de se saber procurado, encontrado e amado infinitamente pelo Senhor. A amizade cultivada com Jesus é o azeite necessário para iluminar o caminho; não só o vosso caminho, mas também o de todas as pessoas que vos rodeiam: amigos, vizinhos, colegas de estudo e trabalho, mesmo o caminho de quantos estão em total desacordo convosco.
Vamos ao encontro de Cristo Senhor, que vem! Não tenhais medo do futuro nem vos deixeis aviltar; pelo contrário, sabei que lá no futuro está à vossa espera o Senhor para preparar e celebrar a festa do seu Reino.


Fonte: Santa Sé

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Festa de Nossa Senhora da Saúde em Veneza

O Patriarca de Veneza, Dom Francesco Moraglia, celebrou no último dia 21 de novembro a Solenidade de Nossa Senhora da Saúde no Santuário a ela dedicado em Veneza.

Na véspera, dia 20, o Patriarca participou de procissão luminosa com os jovens até o Santuário de Nossa Senhora da Saúde. Este ano, porém, a procissão não pode partir da Catedral de São Marcos, recentemente atingida por uma inundação, mas sim da igreja de Santa Inês, próxima ao Santuário.

Dia 20: Procissão luminosa

Início da procissão


Chegada no Santuário de Nossa Senhora da Saúde

Fotos da Missa do Papa em Bangkok

No último dia 21 de novembro o Papa Francisco celebrou a Santa Missa da Memória da Apresentação de Maria no Estádio Nacional em Bangkok, no contexto de sua Viagem Apostólica à Tailândia.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Massimiliano Matteo Boiardi. O livreto da celebração pode ser visto aqui (pp. 07-38).

Junto ao Papa estavam também como primeiros concelebrantes os dois Cardeais tailandeses: Francis Xavier Kovithavanij, Arcebispo de Bangkok (criado Cardeal por Francisco em 2015), e o Arcebispo Emérito, Michael Kitbunchu, Protopresbítero do Colégio Cardinalício (criado Cardeal por São João Paulo II em 1983).

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa em Bangkok (Tailândia)

Viagem Apostólica à Tailândia e Japão
Santa Missa da Memória da Apresentação de Maria
Homilia do Papa Francisco
Estádio Nacional de Bangkok
Quinta-feira, 21 de novembro de 2019

«Quem é a minha mãe e quem são os meus irmãos?» (Mt 12,48). Com esta pergunta, Jesus desafiou toda a multidão que o ouvia a interrogar-se sobre algo que poderia parecer tão óbvio como certo: Quem são os membros da nossa família, aqueles que nos pertencem e aos quais nós pertencemos? Deixando a pergunta ressoar neles de forma clara e nova, responde: «Todo aquele que fizer a vontade de meu Pai que está no Céu, esse é que é meu irmão, minha irmã e minha mãe» (v. 50). Deste modo bane não só os determinismos religiosos e legais de então, mas também toda a pretensão de quem poderia julgar-se com direitos preferenciais sobre Ele. O Evangelho é convite e direito gratuito para quantos o querem escutar.

É surpreendente notar como o Evangelho aparece tecido de perguntas que procuram desinquietar, despertar e convidar os discípulos a pôr-se a caminho, para descobrir a verdade capaz de dar e gerar vida; perguntas, que procuram abrir o coração para horizontes onde se encontra uma novidade muito mais bela de quanto se possa imaginar. As perguntas do Mestre querem renovar incessantemente a nossa vida e a da nossa comunidade com uma alegria sem par (cf. Evangelii gaudium, n. 11).

Assim aconteceu com os primeiros missionários que se puseram a caminho e chegaram a estas terras; escutando a Palavra do Senhor, procurando responder às suas solicitações, puderam ver que pertenciam a uma família muito maior do que a gerada pelos laços de sangue, cultura, região ou filiação num determinado grupo. Impelidos pela força do Espírito e enchendo as suas bolsas com a esperança que nasce da boa-nova do Evangelho, puseram-se a caminho para procurar os membros desta sua família que ainda não conheciam. Saíram em busca dos seus rostos. Era necessário abrir o coração a uma medida nova, capaz de superar todos os adjetivos que sempre dividem, para descobrir inúmeras mães e irmãos tailandeses que não compareciam à sua mesa dominical. E não apenas por tudo o que lhes poderiam oferecer, mas também por tudo o que necessitavam receber deles para crescer na fé e na compreensão das Escrituras (cf. Concílio Ecumênico Vaticano II, Dei Verbum, n. 8).

Sem tal encontro, ao cristianismo faltaria o vosso rosto; faltariam os cânticos, as danças que representam o sorriso tailandês, típico nestas terras. Assim, vislumbraram melhor o desígnio amoroso do Pai, que é imensamente maior que todos os nossos cálculos e previsões, não se podendo circunscrever a um punhado de pessoas nem a um determinado contexto cultural. O discípulo missionário não é um mercenário da fé nem um caçador de prosélitos, mas um mendigo que reconhece que lhe faltam os irmãos, as irmãs e as mães com quem celebrar e festejar o dom irrevogável da reconciliação que Jesus nos oferece a todos: o banquete está pronto, saí à procura de todos os que encontrardes pelo caminho (cf. Mt 22,4.9). Este envio é fonte de alegria, gratidão e felicidade plena, porque «permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora» (Evangelii gaudium, n. 8).

Passaram-se trezentos e cinquenta anos desde a criação do Vicariato Apostólico de Sião (1669-2019), sinal do abraço familiar produzido nestas terras. Eram apenas dois os missionários que se animaram a lançar as sementes que, desde então, têm vindo a crescer e florescer numa variedade de iniciativas apostólicas que contribuíram para a vida da nação. Este aniversário não significa nostalgia do passado, mas fogo de esperança para que, no presente, possamos também nós responder com a mesma determinação, força e confiança. É comemoração festiva e agradecida, que nos ajuda a sair de coração feliz para partilharmos a vida nova, que brota do Evangelho, com todos os membros da nossa família que ainda não conhecemos.

Todos somos discípulos missionários, quando nos decidimos a ser parte viva da família do Senhor e o fazemos partilhando à maneira d’Ele: não teve medo de Se sentar à mesa dos pecadores, para lhes assegurar que, na mesa do Pai e da criação, havia um lugar reservado também para eles; Jesus tocou aqueles que eram considerados impuros e, deixando-Se tocar por eles, ajudou-os a compreender a proximidade de Deus e, mais ainda, que eram eles os bem-aventurados (cf. São João Paulo II, Ecclesia in Asia, n. 11).

Penso de modo particular nos meninos, meninas e mulheres expostos à prostituição e ao tráfico, desfigurados na sua dignidade mais autêntica; penso nos jovens escravos da droga e da falta de sentido, que acabam por turvar o seu olhar e queimar os seus sonhos; penso nos migrantes privados das suas casas e famílias, e em tantos outros que podem, como eles, sentir-se esquecidos, órfãos, abandonados, «sem a força, a luz e a consolação da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé que os acolha, sem um horizonte de sentido e de vida» (Evangelii gaudium, n. 49). Penso nos pescadores explorados, nos mendigos ignorados...

Fazem parte da nossa família, são nossas mães e nossos irmãos; não privemos as nossas comunidades dos seus rostos, das suas chagas, dos seus sorrisos, das suas vidas; e não privemos as suas chagas e as suas feridas da unção misericordiosa do amor de Deus. O discípulo missionário sabe que a evangelização não é acumular adesões nem parecer poderoso, mas abrir portas para viver e partilhar o abraço misericordioso e sanador de Deus Pai que nos torna família.

Querida comunidade tailandesa, continuemos em caminho pela senda dos primeiros missionários para encontrar, descobrir e reconhecer com alegria todos os rostos de mães, pais e irmãos que o Senhor nos quer dar e que faltam ao nosso banquete dominical.


Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O ícone da Apresentação de Maria

“De alegria estremece o universo por tua santa Apresentação, Virgem sem mancha” (Jorge de Nicomédia).

Continuamos nossa série de postagens sobre os ícones das festas litúrgicas com a segunda grande festa mariana do calendário bizantino: a Entrada da Santíssima Mãe de Deus no Templo (Εἴσοδος τῆς Παναγίας Θεοτόκου εις τον Ναόν), ou, como é conhecida no Ocidente, a Apresentação da Bem-aventurada Virgem Maria, celebrada no dia 21 de novembro [1].

1. História e significado da festa

Como no caso da Natividade de Maria, a tradição a respeito da sua Apresentação no Templo de Jerusalém foi compilada no Protoevangelho de Tiago, texto apócrifo escrito em grego na metade do século II, atribuído a Tiago, o “Irmão do Senhor” [2].

Ícone da Apresentação de Maria (séc. XV)

A escolha do dia 21 de novembro para a celebração desse mistério está relacionada à dedicação da igreja de Santa Maria “Nova” em Jerusalém no ano de 543.

Apesar da destruição da igreja no ano de 614, a festa se propagou no Oriente a partir do século VIII, como testemunham as homilias dos Padres da Igreja.

No Ocidente, por sua vez, a celebração chegou mais tarde, através de alguns mosteiros do sul da Itália sob influência oriental. De certa forma, o conteúdo teológico da festa da Apresentação - isto é, a total consagração de Maria a Deus - é destacado no Ocidente na Solenidade da Imaculada Conceição, celebrada poucos dias depois, a 08 de dezembro.

Em 1471 o Papa Sisto IV (†1484) permitiu que a festa fosse celebrada em toda a Igreja de Rito Romano e, em 1585, Sisto V (†1590) a inscreveu definitivamente no Calendário Romano Geral.

Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Memória da Apresentação de Maria.

A Apresentação de Maria serve de “prelúdio” ao mistério da Encarnação: ela é o verdadeiro “templo do Senhor”, a “arca da nova aliança”, pois foi em seu ventre que “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). No “sim” da Mãe e do Filho cumpriram-se as promessas feitas pelo Senhor aos patriarcas e profetas.

O relato da Apresentação de Maria, com efeito, possui diversos paralelos com alguns textos do Antigo Testamento, sobretudo com a história do profeta Samuel, consagrado ao Senhor por sua mãe, Ana (1Sm 1–3).

“O templo puríssimo do Salvador, a Virgem, a preciosíssima câmara nupcial, o sagrado tesouro da glória de Deus, é apresentada hoje à casa do Senhor, introduzindo com ela a graça do Espírito Divino. Os anjos de Deus a louvam, clamando: Esta é o tabernáculo celeste!”
(Kondákion da festa no Rito Bizantino) [3].

2. O ícone

O ícone da Apresentação da Mãe de Deus é claramente inspirado no relato do Protoevangelho de Tiago, traçando também alguns paralelos com o ícone da Apresentação do Senhor, como veremos a seguir.

Ícone da Apresentação de Maria (séc. XV)

a) O ambiente:

O ambiente é, naturalmente, o Templo de Jerusalém. No fundo do ícone temos o muro, que delimita o espaço sagrado, e a porta, que nos remete à Ezequiel sobre a porta oriental do Templo, que permaneceria fechada até a vinda do Senhor: “Esta porta ficará fechada. Não se abrirá e ninguém entrará por ela, porque por ela entrará o Senhor, Deus de Israel” (Ez 44,2). Este versículo sempre foi interpretado pelos Padres da Igreja em alusão à maternidade divina e à perpétua virgindade de Maria.

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

A viagem do Papa à Tailândia e ao Japão

Entre os dias 20 e 26 de novembro de 2019 o Papa Francisco realiza sua 32ª Viagem Apostólica fora da Itália, com destino à Tailândia e ao Japão.

Esta será a 9ª viagem de Francisco à Ásia e a segunda visita de um Papa em ambos os países: a Tailândia recebeu João Paulo II em 1984 e o Japão em 1981 (as duas ocasiões no contexto de viagens a vários países asiáticos).

Papa João Paulo II no Japão (1981)

Programa da viagem:

Dia 19 de novembro (terça-feira):
Partida de Roma no início da noite.

Dia 20 de novembro (quarta-feira):
Chegada ao aeroporto de Bangkok, capital da Tailândia, à tarde. Não são previstos outros compromissos neste dia.

Dia 21 de novembro (quinta-feira):
Pela manhã, encontros com as autoridades civis, com o Patriarca Supremo do Budismo na Tailândia e visita a um hospital.
À tarde acontece o encontro com o Rei da Tailândia e a Missa da Memória da Apresentação de Maria no Estádio Nacional em Bangkok (cf. a homilia do Papa e as fotos da celebração).

Dia 22 de novembro (sexta-feira):
No seu segundo dia de compromissos em Moçambique, Francisco encontra-se pela manhã com os sacerdotes e religiosos em uma paróquia da capital e com os Bispos da Tailândia no Santuário do Beato Nicholas Bunkerd Kitbamrung.
Na parte da tarde estão previstos o encontro com representantes de outras igrejas cristãs e de outras religiões, além de presidir a Missa da Memória de Santa Cecília com os jovens da Tailândia na Catedral da Assunção em Bangkok (cf. a homilia do Papa e as fotos da celebração).

Logotipo da viagem à Tailândia

Dia 23 de novembro (sábado):
Na manhã de sábado o Papa se despede da Tailândia no Aeroporto de Bangkok, de onde embarca para o Japão, chegando à capital, Tóquio, no fim da tarde. Neste dia encontra-se com os Bispos japoneses na Nunciatura Apostólica.

Dia 24 de novembro (domingo):
O domingo começa com a partida para as cidades de Nagasaki e Hiroshima, atingidas conhecidas pelo ataque nuclear durante a Segunda Guerra Mundial. Em Nagasaki o Papa visita o monumento aos mártires japoneses e celebra a Missa da Solenidade de Cristo Rei em um estádio local (cf. a homilia do Papa e as fotos da celebração).
Em Hiroshima, no fim da tarde, o Papa preside um encontro pela paz no memorial do ataque, retornando em seguida a Tóquio.

Dia 25 de novembro (segunda-feira):
O Santo Padre inicia os compromissos deste dia na capital japonesa encontrando-se com sobreviventes do terremoto que atingiu o país em 2011. Em seguida visita o Imperador Naruhito e encontra-se com os jovens na Catedral de Santa Maria em Tóquio.
À tarde celebra a Missa pelo dom da vida humana [1] em um estádio local (cf. a homilia do Papa e as fotos da celebração). e, em seguida, encontra-se com as autoridades civis.

Dia 26 de novembro (terça-feira)
No último dia da viagem, Papa Francisco realiza uma visita privada aos jesuítas da Sophia Universitiy, com os quais celebra a Missa, realizando em seguida uma visita à própria Universidade, seu último compromisso público da viagem.
Dirigindo-se no final da manhã ao aeroporto de Tóquio, o Santo Padre embarca em direção a Roma, retornando à Cidade Eterna no final da tarde.

Logotipo da viagem ao Japão

[1] Este formulário consta entre as Missas para as diversas circunstâncias da 3ª edição do Missal Romano em língua inglesa. Será a única Missa votiva celebrada pelo Papa nesta viagem: os outros formulários são da Liturgia do dia.

Alguns dados da Igreja Católica na Tailândia:
Número de católicos: 389.000 (0,59% da população)
Dioceses: 11
Paróquias: 502
Bispos: 16
Sacerdotes diocesanos: 523
Sacerdotes religiosos: 312
Religiosos (as): 1.584
Seminaristas: 1.077
Escolas católicas: 416 (cerca de 466 mil estudantes)
Universidades católicas: 10 (cerca de 22 mil estudantes)
Hospitais e ambulatórios: 12
Asilos: 26
Orfanatos: 115
Outras instituições sociais: 37

Alguns dados da Igreja Católica no Japão:
Número de católicos: 536.000 (0,42% da população)
Dioceses: 16
Paróquias: 859
Bispos: 29
Sacerdotes diocesanos: 511
Sacerdotes religiosos: 896
Diáconos permanentes: 29
Religiosos (as): 5.149
Seminaristas: 113
Escolas católicas: 758 (cerca de 151 mil estudantes)
Universidades católicas: 57 (cerca de 53 mil estudantes)
Hospitais e ambulatórios: 39
Asilos: 274
Orfanatos: 236
Outras instituições sociais: 57

Com informações do site da Santa Sé.

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Ângelus: XXXIII Domingo do Tempo Comum - Ano C

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 17 de novembro de 2019

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste penúltimo domingo do Ano Litúrgico (Lc 21,5-19) apresenta-nos o discurso de Jesus sobre o fim dos tempos. Jesus pronunciou-o diante do templo de Jerusalém, um edifício admirado pelo povo pela sua grandeza e esplendor. Mas Ele profetiza que de toda aquela beleza do templo, que da grandeza «não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído» (v. 6). A destruição do templo predita por Jesus não é tanto uma figura do fim da história, mas da finalidade da história. De fato, aos ouvintes que querem saber como e quando estes sinais acontecerão, Jesus responde com a típica linguagem apocalíptica da Bíblia.

Ele usa duas imagens aparentemente contrastantes: a primeira é uma série de eventos assustadores: catástrofes, guerras, carestias, tumultos e perseguições (vv. 9-12); a outra é tranquilizadora: «não se perderá um só cabelo da vossa cabeça» (v. 18). Em primeiro lugar, há um olhar realista sobre a história, marcada por calamidades e também pela violência, por traumas que ferem a criação, a nossa casa comum, e também a família humana que nela vive, e a própria comunidade cristã. Pensemos nas tantas guerras de hoje, nas muitas calamidades de hoje. A segunda imagem - contida na certeza de Jesus - diz-nos a atitude que o cristão deve assumir ao viver esta história, caracterizada pela violência e pela adversidade.

E qual é a atitude do cristão? É a atitude de esperança em Deus que torna possível não se deixar dominar por acontecimentos trágicos. Na verdade, eles são «ocasião de dar testemunho» (v. 13). Os discípulos de Cristo não podem permanecer escravos dos medos e das angústias; pelo contrário, são chamados a viver a história, a deter a força destruidora do mal, com a certeza de que a ternura providente e tranquilizadora do Senhor acompanha sempre a sua ação de bem. Este é o sinal eloquente de que o Reino de Deus vem até nós, isto é, que a realização do mundo como Deus o quer está a aproximar-se. É Ele, o Senhor, quem conduz as nossas vidas e conhece o propósito último das coisas e eventos.

O Senhor chama-nos a colaborar na construção da história, tornando-nos, com Ele, pacificadores e testemunhas de esperança num futuro de salvação e ressurreição. A fé faz-nos percorrer com Jesus os caminhos muitas vezes tortuosos deste mundo, na certeza de que o poder do seu Espírito vencerá as forças do mal, submetendo-as ao poder do amor de Deus. O amor é superior, o amor é mais poderoso, porque é Deus: Deus é amor. Os mártires cristãos são um exemplo para nós - os nossos mártires, também do nosso tempo, que são mais numerosos do que no início - que, apesar das perseguições, são homens e mulheres de paz. Dão-nos uma herança para preservar e imitar: o Evangelho do amor e da misericórdia. Este é o tesouro mais precioso que nos foi dado e o testemunho mais eficaz que podemos transmitir aos nossos contemporâneos, respondendo ao ódio com amor, à ofensa com o perdão. Até na nossa vida quotidiana: quando recebemos uma ofensa, sentimos dor; mas devemos perdoar de coração. Quando nos sentimos odiados, rezemos com amor pela pessoa que nos odeia. Que a Virgem Maria, pela sua materna intercessão, ampare o nosso caminho diário de fé, seguindo o Senhor que guia a história.


Fonte: Santa Sé.