terça-feira, 27 de agosto de 2013

A dalmática

A dalmática (nome derivado de Dalmácia, província romana na atual Croácia, de onde esta veste é originária) é uma veste na cor litúrgica do ofício celebrado que constitui o paramento próprio dos diáconos, além de fazer parte das vestes episcopais.



No Império Romano, a dalmática era uma veste própria do imperador e da nobreza. Por isso, surgiu como paramento exclusivo do Papa. Posteriormente estendeu-se o seu uso como privilégio aos diáconos de Roma, aos bispos, aos abades e, por fim, a todos os diáconos.

A forma da dalmática é o de uma veste ampla que desce até os joelhos, com mangas curtas e largas. Possui duas faixas ornadas na vertical (clavi) e uma ou duas faixas ornadas na horizontal (segmentae). Reprova-se o uso de dalmáticas que não possuam estas características, muitas das quais indistinguíveis de casulas. Recorde-se que uma das funções das vestes sagradas é distinguir os diversos ministros.

Diáconos na Basílica Vaticana (notam-se as clavi e as segmentae)
O atual uso da dalmática pelos diáconos dá-se em todas as celebrações litúrgicas, podendo ser omitida apenas em alguns casos:

“A veste própria do diácono é a dalmática sobre a alva a estola; contudo, por necessidade ou em celebrações menos solenes, a dalmática pode ser dispensada” (IGMR, n. 338).

Os bispos e os abades podem utilizar a dalmática apenas na Missa, quando celebrada com solenidade. A dalmática pontifical geralmente é mais simples que a dalmática diaconal, podendo ser sempre na cor branca ou seguir a cor do ofício celebrado:

“Na celebração litúrgica, as vestes do Bispo são as mesmas do presbítero; mas, na celebração solene, convém que, segundo costume que vem já de tempos antigos, revista a dalmática, que pode ser sempre branca, por baixo da casula” (Cerimonial dos Bispos, n. 56).

Papa Bento XVI com dalmática vermelha sob a casula (2008)

O sentido da dalmática é o da “veste da justiça”, virtude fundamental no exercício do ministério diaconal, isto é, o serviço da caridade. Inclusive alguns autores relacionam o formato da dalmática com um “avental”. Assim, diáconos e bispos são chamados a serem justos e disponíveis no serviço aos irmãos.

A dalmática é entregue ao diácono em sua ordenação, juntamente com a estola, logo após a oração consecratória. O presbítero que é ordenado bispo ou eleito abade usa a dalmática sob a casula desde o início da Missa de sua Ordenação Episcopal ou Bênção Abacial.
Mons. Georg Gänswein com dalmática sob a casula em sua ordenação episcopal (2013)

5 comentários:

  1. Qual foram suas fontes para a pesquisa da parte histórica contida nessa publicação??

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    1. A fonte está na primeira postagem desta série:

      RIGHETTI, M. Historia de la Liturgia. Introduccion General, Parte III: Liturgia Romana. Capitulo VII: Las vestiduras litúrgicas. Madrid: Pontificia Universidad de Salamanca, 1955. vol. I. n. 350-351.

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  2. André Florkovski, neste vídeo, e impressão minha ou esse bispo vestiu duas dalmáticas? Explique-me melhor

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    1. Não se trata de duas dalmáticas, mas sim da tunicela, veste própria do subdiácono na Forma Extraordinária do Rito Romano e ligeiramente distinta da dalmática (possui mangas mais longas e mais estreitas). Na Missa Pontifical o Bispo revestia a tunicela e em seguida a dalmática.

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  3. Este aqui:https://youtu.be/21oE6mJUTAY

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