quarta-feira, 15 de abril de 2015

Bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia: Misericordiae vultus

Misericordiae Vultus
Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia

Francisco
Bispo de Roma, Servo dos servos de Deus
A quantos lerem esta Carta graça, misericórdia e paz

1. Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré. O Pai, «rico em misericórdia» (Ef 2,4), depois de ter revelado o seu nome a Moisés como «Deus misericordioso e clemente, vagaroso na ira, cheio de bondade e fidelidade» (Ex 34,6), não cessou de dar a conhecer, de vários modos e em muitos momentos da história, a sua natureza divina. Na «plenitude do tempo» (Gl 4,4), quando tudo estava pronto segundo o seu plano de salvação, mandou o seu Filho, nascido da Virgem Maria, para nos revelar, de modo definitivo, o seu amor. Quem O vê, vê o Pai (cf. Jo 14,9). Com a sua palavra, os seus gestos e toda a sua pessoa [1], Jesus de Nazaré revela a misericórdia de Deus.

2. Precisamos sempre contemplar o mistério da misericórdia. É fonte de alegria, serenidade e paz. É condição da nossa salvação. Misericórdia: é a palavra que revela o mistério da Santíssima Trindade. Misericórdia: é o ato último e supremo pelo qual Deus vem ao nosso encontro. Misericórdia: é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa, quando vê com olhos sinceros o irmão que encontra no caminho da vida. Misericórdia: é o caminho que une Deus e o homem, porque nos abre o coração à esperança de sermos amados para sempre, apesar da limitação do nosso pecado.


3. Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja, a fim de se tornar mais forte e eficaz o testemunho dos crentes.
O Ano Santo se abrirá no dia 08 de dezembro de 2015, Solenidade da Imaculada Conceição. Esta festa litúrgica indica o modo de agir de Deus desde os primórdios da nossa história. Depois do pecado de Adão e Eva, Deus não quis deixar a humanidade sozinha e à mercê do mal. Por isso, pensou e quis Maria santa e imaculada no amor (cf. Ef 1,4), para que se tornasse a Mãe do Redentor do homem. Perante a gravidade do pecado, Deus responde com a plenitude do perdão. A misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado, e ninguém pode colocar um limite ao amor de Deus que perdoa. Na festa da Imaculada Conceição terei a alegria de abrir a Porta Santa. Será então uma Porta da Misericórdia, onde qualquer pessoa que entre poderá experimentar o amor de Deus que consola, perdoa e dá esperança.
No domingo seguinte, o III Domingo de Advento, se abrirá a Porta Santa na Catedral de Roma, a Basílica de São João de Latrão. E em seguida será aberta a Porta Santa nas outras Basílicas Papais. Estabeleço que no mesmo domingo, em cada Igreja particular - na Catedral, que é a igreja-mãe para todos os fiéis, ou na Concatedral ou então em uma igreja de significado especial - se abra igualmente, durante todo o Ano Santo, uma Porta da Misericórdia. Por opção do Ordinário, a mesma poderá ser aberta também nos Santuários, meta de muitos peregrinos que frequentemente, nestes lugares sagrados, se sentem tocados no coração pela graça e encontram o caminho da conversão. Assim, cada Igreja particular estará diretamente envolvida na vivência deste Ano Santo como um momento extraordinário de graça e renovação espiritual. Portanto o Jubileu será celebrado, quer em Roma quer nas Igrejas particulares, como sinal visível da comunhão da Igreja inteira.

Semana Santa em Milão

Publicamos, ainda que com certo atraso, as fotos das celebrações da Semana Santa presididas pelo Cardeal Angelo Scola, Arcebispo de Milão, no Duomo (Catedral da Natividade de Nossa Senhora).

Como já informamos aqui no blog, a Arquidiocese de Milão possui um rito próprio, o Rito Ambrosiano, que remonta ao próprio Santo Ambrósio (século IV), com pequenas diferenças em relação ao Rito Romano.

Dia 29 de março: Domingo de Ramos

Bênção dos ramos
Procissão

Abraço da paz
Consagração

terça-feira, 14 de abril de 2015

Sexta-feira Santa na Igreja Ortodoxa Russa

No último dia 10 de abril o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa presidiu na Catedral Patriarcal de Cristo Salvador em Moscou as celebrações da Sexta-feira Santa, segundo o calendário juliano.

Vésperas da Exposição do Santo Sudário:



Exposição do "Santo Sudário" (ícone do Sepultamento de Cristo)
Incensação

Quinta-feira Santa na Igreja Ortodoxa Russa

No último dia 09 de abril o Patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa Russa presidiu na Catedral Patriarcal de Cristo Salvador em Moscou as celebrações da Quinta-feira Santa, segundo o calendário juliano.

Divina Liturgia e rito do Lava Pés:


O Bispo abençoa os fieis
Litania da Paz
Pequena Entrada
Incensação

X Catequese do Papa sobre a Família

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 8 de Abril de 2015
A Família (10): As crianças (II)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Nas catequeses sobre a família, hoje completamos a reflexão sobre as crianças, que são o fruto mais bonito da bênção que o Criador concedeu ao homem e à mulher. Já pudemos falar sobre o grande dom que são as crianças, e hoje infelizmente devemos falar sobre as «histórias de paixão» que muitas delas vivem.
Desde o início, numerosas crianças são rejeitadas, abandonadas e subtraídas à sua infância e ao seu futuro. Alguns ousam dizer, como que para se justificar, que foi um erro tê-las feito vir ao mundo. Isto é vergonhoso! Por favor, não descarreguemos as nossas culpas sobre as crianças! Elas nunca são «um erro». A sua fome não é um erro, como não o é a sua pobreza, a sua fragilidade, o seu abandono - muitas crianças abandonadas pelas ruas; e não o é nem sequer a sua ignorância, ou a sua incapacidade - numerosas crianças que não sabem o que é uma escola. Eventualmente, estes são motivos para as amar mais, com maior generosidade. Que fazemos das solenes declarações dos direitos do homem e dos direitos da criança, se depois punimos as crianças pelos erros dos adultos?
Quantos têm a tarefa de governar e educar, mas diria todos nós adultos, somos responsáveis pelas crianças e por fazer cada qual o que pode para mudar esta situação. Refiro-me à «paixão» das crianças. Cada criança marginalizada, abandonada, que vive pelas ruas a pedir esmola com todos os tipos de expedientes, sem ir à escola, sem cuidados médicos, é um clamor que sobe até Deus e acusa o sistema que nós, adultos, construímos. E infelizmente estas crianças são presas dos criminosos, que as exploram para tráficos ou comércios indignos, ou que as treinam para a guerra e a violência. Mas também nos países chamados ricos muitas crianças vivem dramas que as marcam de maneira pesada, por causa da crise da família, dos vazios educativos e de condições de vida por vezes desumanas. Contudo, são infâncias violadas no corpo e na alma. Mas nenhuma destas crianças é esquecida pelo Pai que está nos céus! Nenhuma das suas lágrimas deve ser perdida! Como não se pode extraviar a nossa responsabilidade, a responsabilidade social das pessoas, de cada um de nós e dos países.
Certa vez, Jesus repreendeu os seus discípulos porque afastavam as crianças que os pais lhe traziam para ser abençoadas. A narração evangélica é comovedora: «Foram-lhe, então, apresentadas algumas criancinhas para que lhes impusesse as mãos e orasse por elas. Os discípulos, porém, afastavam-nas. Disse-lhes então Jesus: “Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhe assemelham!”. E, depois de lhes impor as mãos, continuou pelo seu caminho» (Mt 19,13-15). Como são bonitas esta confiança dos pais e a resposta de Jesus! Como gostaria que esta página se tornasse a história normal de todas as crianças! É verdade que, graças a Deus, as crianças com graves dificuldades têm muitas vezes pais extraordinários, prontos a qualquer sacrifício e e generosidade! Mas estes pais não deveriam ser abandonados a si mesmos! Deveríamos acompanhá-los nas suas canseiras, mas também oferecer-lhes momentos de alegria compartilhada e de júbilo descontraído, para que não se ocupem unicamente da rotina terapêutica.
Contudo, quando se trata de crianças não se deveriam ouvir aquelas fórmulas oficiais de defesa legal, como por exemplo: «Em última análise, não somos uma entidade de beneficência»; ou então: «Na vida particular, cada um é livre de fazer o que quiser»; ou ainda: «Lamentamos, mas nada podemos fazer». Estas palavras não são úteis, quando se trata de crianças.
Muitas vezes recaem sobre as crianças os efeitos de vidas desgastadas por um trabalho precário e mal pago, por horários insustentáveis, por transportes ineficazes... Mas as crianças pagam também o preço de uniões imaturas e de separações irresponsáveis: elas são as primeiras vítimas; padecem os resultados da cultura dos direitos subjetivos exasperados e depois tornam-se os seus filhos mais precoces. Absorvem frequentemente violências que não são capazes de «liquidar» e, aos olhos dos adultos, são obrigados a habituar-se à degradação.
Inclusive nesta nossa época, como no passado, a Igreja põe a sua maternidade ao serviço das crianças e das suas famílias. Aos pais e aos filhos deste nosso mundo leva a bênção de Deus, a ternura materna, a reprovação firme e a condenação decidida. Não se brinca com as crianças!
Pensai no que seria uma sociedade que decidisse, de uma vez para sempre, estabelecer este princípio. É verdade que não somos perfeitos, e que cometemos muitos erros. Mas quando se trata de crianças que vêm ao mundo, nenhum sacrifício dos adultos será julgado demasiado oneroso ou grande, contanto que se evite que uma criança chegue a pensar que é um erro, que não vale nada e que está abandonada às feridas da vida e à prepotência dos homens». Como seria bonita uma sociedade assim! Digo que a tal sociedade muitos dos seus inúmeros erros seriam perdoados. Verdadeiramente muitos!
O Senhor julga a nossa vida, ouvindo aquilo que lhe dizem os anjos das crianças, anjos que «contemplam sem cessar a face do Pai que está nos céus» (cf. Mt 18,10). Perguntemo-nos sempre: que dirão de nós a Deus, estes anjos das crianças?


Fonte: Santa Sé

Anunciação do Senhor na Igreja Ortodoxa Russa

No último dia 07 de abril o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa, Kirill, celebrou a Divina Liturgia da Festa da Anunciação do Senhor na Catedral da Anunciação em Moscou, segundo o calendário juliano.

Como a celebração faz referência também à Virgem Maria, a tradição bizantina faz uso da cor azul (no Rito Romano esta cor só é permitida, sob concessão, à Espanha).






Imagens: Patriarcado de Moscou

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Regina Coeli do Papa: Segunda-feira da Oitava Pascal 2015

Papa Francisco
Regina Coeli
Segunda-feira do Anjo, 06 de abril de 2015

Queridos irmãos e irmãs bom dia e ainda feliz Páscoa!
Nesta segunda-feira depois da Páscoa o Evangelho (Mt 28,8-15) apresenta-nos a narração das mulheres que, tendo ido ao sepulcro de Jesus, encontram-no vazio e veem um Anjo que lhes anuncia que Ele ressuscitou. E enquanto elas correm para dar a notícia aos discípulos, encontram-se com o próprio Jesus que lhes diz: «Ide dizer aos meus irmãos que partam para a Galileia e lá me verão» (v. 10). A Galileia é a «periferia» onde Jesus tinha iniciado a sua pregação; e dali partirá de novo o Evangelho da Ressurreição, para que seja anunciado a todos, e cada um se possa encontrar com Ele, o Ressuscitado, presente e activo na história. Também hoje Ele está conosco, aqui na Praça.

Portanto, este é o anúncio que a Igreja repete desde o primeiro dia: «Cristo ressuscitou!». E, n’Ele, pelo Baptismo, também nós ressuscitamos, passámos da morte para a vida, da escravidão do pecado para a liberdade do amor. Eis a boa nova que somos chamados a anunciar aos outros e em todos os ambientes, animados pelo Espírito Santo. A fé na ressurreição de Jesus e a esperança que Ele nos trouxe é o dom mais bonito que o cristão pode e deve oferecer aos irmãos. Por conseguinte, a todos e a cada um não nos cansemos de repetir: Cristo ressuscitou! Repitamos todos juntos, hoje aqui na praça: Cristo ressuscitou! Repitamos com as palavras, mas sobretudo com o testemunho da nossa vida. A jubilosa notícia da Ressurreição deveria transparecer no nosso rosto, nos nossos sentimentos e atitudes, no modo com que tratamos os outros.

Anunciamos a Ressurreição de Cristo quando a sua luz ilumina os momentos obscuros da nossa existência e podemos partilhá-la com os outros; quando sabemos sorrir com quem sorri e chorar com quem chora; quando caminhamos ao lado de quem está triste e corre o risco de perder a esperança; quando narramos a nossa experiência de fé a quem está em busca de sentido e de felicidade. Com o nosso comportamento, com o nosso testemunho, com a nossa vida, dizemos: Jesus ressuscitou! Digamos com toda a alma.

Estamos nos dias da Oitava de Páscoa, durante os quais o clima jubiloso da Ressurreição nos acompanha. É curioso: a Liturgia considera a inteira Oitava como um único dia, para nos ajudar a entrar no mistério, para que a sua graça se imprima no nosso coração e na nossa vida. A Páscoa é o evento que trouxe a novidade radical para cada ser humano, para a história e para o mundo: é triunfo da vida sobre a morte; é festa do despertar e da regeneração. Deixemos que a nossa existência seja conquistada e transformada pela Ressurreição!

Peçamos à Virgem Maria, silenciosa testemunha da morte e ressurreição do seu Filho, que acrescente em nós a alegria pascal. Faremos isto agora com a recitação do Regina Coeli, que no tempo pascal substitui a oração do Ângelus. Nesta oração, ritmada pelo aleluia, dirijamo-nos a Maria convidando-a a rejubilar-se, para que Aquele que acolheu no ventre ressuscitou como tinha prometido e nos confiemos à sua intercessão. Na realidade, a nossa alegria é um reflexo da alegria de Maria, porque Ela guardou e guarda com fé os eventos de Jesus. Então, recitemos esta oração com a comoção dos filhos que estão felizes porque a sua Mãe está feliz.


Fonte: Santa Sé.