sexta-feira, 23 de maio de 2014

Regina Coeli do Papa: V Domingo da Páscoa - Ano A

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 18 de maio de 2014

Amados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje a leitura dos Atos dos Apóstolos faz-nos ver que também na Igreja das origens emergem as primeiras tensões e divergências (At 6,1-7). Na vida existem conflitos, o problema é como enfrentá-los. Até àquele momento a unidade da comunidade cristã tinha sido favorecida pela pertença a uma única etnia, a uma só cultura, a judaica. Mas quando o cristianismo, que por vontade de Jesus se destina a todos os povos, se abre ao âmbito cultural grego, vem a faltar esta homogeneidade e surgem as primeiras dificuldades. Naquele momento insinuam-se o descontentamento, há lamentações, correm vozes de favoritismos e desigualdades de tratamento. Isto acontece também nas nossas paróquias! A ajuda da comunidade às pessoas em dificuldade - viúvas, órfãos e pobres em geral - parece privilegiar os cristãos de extração judaica em relação aos demais.

Então, diante deste conflito, os Apóstolos dominam a situação: convocam uma reunião alargada também aos discípulos, discutem juntos a questão. Todos. Com efeito, os problemas não se resolvem fazendo de conta que não existem! E é bom este confronto espontâneo entre os pastores e os outros. Por conseguinte, chega-se a uma distribuição das tarefas. Os Apóstolos fazem uma proposta que é aceite por todos: eles dedicar-se-ão à oração e ao ministério da Palavra, e sete homens, os diáconos, ocupar-se-ão do serviço nos refeitórios para os pobres. Estes sete não são escolhidos por serem peritos em negócios, mas por serem homens honestos e de boa reputação, cheios de Espírito Santo e de sabedoria; e são constituídos no seu serviço mediante a imposição das mãos por parte dos Apóstolos. E assim daquele descontentamento, daquelas lamentações, daquelas vozes de favoritismos e desigualdades de tratamento, chega-se a uma solução. Confrontando-nos, discutindo e rezando, assim se resolvem os conflitos na Igreja. Confrontando-nos, discutindo e rezando. Com a certeza de que os falatórios, as invejas e os ciúmes nunca nos poderão levar à concórdia, à harmonia e à paz. Também ali foi o Espírito Santo quem coroou este entendimento e isto faz-nos compreender que quando deixamos que o Espírito Santo nos guie, Ele conduz-nos à harmonia, à unidade e ao respeito dos diversos dons e talentos. Compreendestes bem? Nenhum mexerico, nem invejas, nem ciúmes! Claro?

A Virgem Maria nos ajude a ser dóceis ao Espírito Santo, para que saibamos estimar-nos reciprocamente e convergir cada vez mais profundamente na fé e na caridade, mantendo o coração aberto às necessidades dos irmãos.


Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Catequese do Papa: O dom da Fortaleza

Papa Francisco
Audiência Geral
Praça São Pedro
Quarta-feira, 14 de maio de 2014

O dom da Fortaleza

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Nas passadas catequeses refletimos sobre os primeiros dons do Espírito Santo: a sabedoria, o entendimento e o conselho. Hoje pensemos naquilo que o Senhor faz: Ele vem sempre para nos apoiar nas nossas debilidades e fá-lo com um dom especial: o dom da fortaleza.
1. Existe uma parábola, narrada por Jesus, que nos ajuda a compreender a importância deste dom. Um semeador foi semear; porém, nem toda a semente que lançava dava fruto. A parte que caiu à beira do caminho foi comida pelas aves; a que caiu em terreno pedregoso ou no meio da sarça brotou, mas foi imediatamente secada pelo sol ou sufocada pelos espinhos. Só a que cai em boa terra germinou e deu fruto (cf. Mc 4,3-9; Mt 13,3-9; Lc 8,4-8). Como o próprio Jesus explica aos discípulos, este semeador representa o Pai, que lança abundantemente a semente da sua Palavra. A semente, contudo, depara-se com a aridez do nosso coração e, mesmo quando é acolhida, corre o risco de permanecer estéril. Ao contrário, com o dom da fortaleza, o Espírito Santo liberta o terreno do nosso coração, liberta-o do torpor, das incertezas e de todos os temores que podem detê-lo, de modo que a Palavra do Senhor seja posta em prática, de forma autêntica e jubilosa. Este dom da fortaleza é uma verdadeira ajuda, dá-nos força, liberta-nos também de tantos impedimentos.
2. Há inclusive alguns momentos difíceis e situações extremas em que o dom da fortaleza se manifesta de forma extraordinária, exemplar. É o caso daqueles que devem enfrentar experiências particularmente difíceis e dolorosas, que transtornam a sua vida e a dos seus entes queridos. A Igreja resplandece com o testemunho de muitos irmãos e irmãs que não hesitaram em oferecer a própria vida, para permanecer fiéis ao Senhor e ao Evangelho. Também hoje não faltam cristãos que em várias partes do mundo continuam a celebrar e a testemunhar a sua fé, com profunda convicção e serenidade, e resistem mesmo quando sabem que isso pode implicar um preço mais alto. Também nós, todos nós, conhecemos pessoas que viveram situações difíceis, muitas dores. Mas, pensemos naqueles homens, naquelas mulheres, que enfrentam um vida difícil, lutam para sustentar a família, educar os filhos: fazem tudo isto porque há o espírito de fortaleza que os ajuda. Quantos homens e mulheres - nós não conhecemos os seus nomes - honram o nosso povo, honram a nossa Igreja, porque são fortes: fortes ao levar em frente a própria vida, a própria família, o seu trabalho, a sua fé. Estes nossos irmãos e irmãs são santos, santos no dia-a-dia, santos escondidos no meio de nós: têm precisamente o dom da fortaleza para cumprir o seu dever de pessoas, pais, mães, irmãos, irmãs, cidadãos. Temos muitos! Agradecemos ao Senhor por estes cristãos que têm uma santidade escondida: é o Espírito Santo que têm dentro que os leva em frente! E far-nos-á bem pensar nestas pessoa: se eles têm tudo isto, se eles o podem fazer, por que nós não? E far-nos-á bem também pedir ao Senhor que nos dê o dom da fortaleza.
Não devemos pensar que o dom da fortaleza seja necessário só em determinadas ocasiões e situações particulares. Este dom deve constituir o fundamento do nosso ser cristãos, na ordinariedade da nossa vida quotidiana. Como disse, em todos os dias da vida quotidiana devemos ser fortes, precisamos desta fortaleza, para fazer avançar a nossa vida, a nossa família, a nossa fé. O apóstolo Paulo pronunciou uma frase que nos fará bem ouvir: «Tudo posso naquele que me fortalece» (Fl 4,13). Quando enfrentamos a vida comum, quando chegam as dificuldades, recordemos isto: «Tudo posso naquele que me fortalece». O Senhor dá a força, sempre, não a faz faltar. O Senhor não nos dá prova maior da que pudemos suportar. Ele está sempre connosco. «Tudo posso naquele que me fortalece».
Queridos amigos, por vezes, podemos ser tentados a deixar-nos levar pela inércia ou pior pelo desconforto, sobretudo diante das dificuldades e das provações da vida. Nestes casos, não desanimemos, invoquemos o Espírito Santo, para que com o dom da fortaleza possa aliviar o nosso coração e comunicar nova força e entusiasmo à nossa vida e à nossa sequela de Jesus.


Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Regina Coeli do Papa: IV Domingo da Páscoa - Ano A

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 11 de maio de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O evangelista João apresenta-nos neste IV Domingo do Tempo Pascal, a imagem de Jesus Bom Pastor. Contemplando esta página do Evangelho, podemos compreender o tipo de relação que Jesus mantinha com os seus discípulos: um relacionamento baseado na ternura, no amor, no conhecimento recíproco e na promessa de um dom incomensurável: «Vim - diz Jesus - para que todos tenham vida e a tenham em abundância» (Jo 10,10). Este relacionamento é o modelo das relações entre os cristãos e entre os seres humanos.

Também hoje, como no tempo de Jesus, muitos se propõem como «pastores» das nossas existências; mas só o Ressuscitado é o Pastor verdadeiro, que nos dá vida em abundância. Convido todos a ter confiança no Senhor que nos guia. Mas não só: Ele acompanha-nos, caminha conosco. Escutemos a sua Palavra com mente e coração abertos, para alimentar a nossa fé, iluminar a nossa consciência e seguir os ensinamentos do Evangelho.

Neste domingo, rezemos pelos Pastores da Igreja, por todos os bispos, inclusive pelo bispo de Roma, por todos os sacerdotes, por todos! Em particular, rezemos pelos novos presbíteros da Diocese de Roma, que acabei de ordenar na Basílica de São Pedro. Uma saudação aos 13 sacerdotes! O Senhor nos ajude, a nós pastores, a sermos sempre fiéis ao Mestre e guias sábios e iluminados do povo de Deus que nos foi confiado. Também a vós, por favor, peço que nos ajudeis: a sermos bons pastores. Certa vez li um texto muito bonito sobre o modo como o povo de Deus ajuda os bispos e os sacerdotes a ser bons pastores. É um escrito de São Cesário de Arles, um sacerdote dos primeiros séculos da Igreja. Ele explicava que o povo de Deus deve ajudar o pastor, e dava este exemplo: quando um novilho sente fome, vai ter com a mãe para obter o leite. Contudo, a vaca não o dá imediatamente: parece que o retenha para si. E que faz o novilho? Bate com o nariz no úbere da vaca para que o leite desça. É uma linda imagem! Assim - disse o santo - também vós deveis agir com os pastores: Bater sempre à sua porta, ao seu coração, para que vos deem o leite da doutrina, da graça e da guia. E peço-vos, por favor, incomodai os pastores, importunai os pastores, todos nós pastores, a fim de que possamos dar-vos o leite da graça, da doutrina e da guia. Importunai! Pensai na bonita imagem do bezerro que importuna a mãe para que lhe dê o alimento.

À imitação de Jesus, cada Pastor «às vezes irá à frente para indicar a estrada e apoiar a esperança do povo - o pastor às vezes deve estar na frente - outras vezes permanecerá no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa, e nalgumas circunstâncias deve caminhar atrás do povo, para ajudar os que ficaram por último» (Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 31). Que todos os Pastores sejam assim! Importunai os pastores para que vos deem a guia da doutrina e da graça.

Neste domingo celebra-se o Dia mundial de oração pelas vocações. Na Mensagem deste ano recordei que «cada vocação requer um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho» (n. 2). Portanto, a chamada a seguir Jesus é entusiasmante e ao mesmo tempo comprometida. Para que se realize, é necessário entrar sempre em profunda amizade com o Senhor para poder viver d’Ele e por Ele.

Rezemos para que também neste tempo, muitos jovens ouçam a voz do Senhor, que corre sempre o risco de ser sufocada por tantas outras vozes. Peçamos pelos jovens: talvez aqui nesta praça haja algum que ouve a voz do Senhor que o chama ao sacerdócio; rezemos por ele e por todos os jovens que são chamados.


Fonte: Santa Sé.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Fotos das Ordenações Presbiterais presididas pelo Papa

No último dia 11 de maio o Santo Padre o Papa Francisco celebrou na Basílica Vaticana a Santa Missa do IV Domingo da Páscoa, durante a qual conferiu a Ordenação Presbiteral a 13 diáconos da Diocese de Roma, por ocasião do Dia Mundial de Oração pelas Vocações.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Guido Marini e Vincenzo Peroni. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Procissão de entrada
Incensação

Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa nas Ordenações Presbiterais

ORDENAÇÕES PRESBITERAIS
DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES
HOMILIA DO PAPA FRANCISCO
Basílica Vaticana
IV Domingo de Páscoa, 11 de Maio de 2014

Queridos irmãos!
Estes nossos filhos e irmãos foram chamados à ordem do presbiterado. Como vós bem sabeis, o Senhor Jesus é o único sumo sacerdote do Novo Testamento; mas n’Ele também todo o povo santo de Deus foi constituído povo sacerdotal. Contudo, entre todos os seus discípulos, o Senhor Jesus quer escolher alguns em particular, para que exercendo publicamente na Igreja em seu nome o ofício sacerdotal a favor de todos os homens, continuem a sua pessoal missão de mestre, sacerdote e pastor.
Depois de uma reflexão madura, agora estamos prestes a elevar à ordem dos presbíteros estes nossos irmãos, a fim de que ao serviço de Cristo mestre, sacerdote e pastor cooperem para edificar o Corpo de Cristo, que é a Igreja, no povo de Deus e templo santo do Espírito.
Com efeito, eles serão configurados a Cristo sumo e eterno sacerdote, ou seja, serão consagrados como verdadeiros sacerdotes do Novo Testamento, e com este título, que os une no sacerdócio ao seu bispo, serão pregadores do Evangelho, pastores do povo de Deus, e presidirão as acções de culto, especialmente na celebração do sacrifício do Senhor.
Quanto a vós, irmãos e filhos diletíssimos, que estais para ser promovidos à ordem do presbiterado, considerai que exercitando o ministério da sagrada doutrina sereis participantes da missão de Cristo, único mestre. Proclamai a todos aquela Palavra, que vós mesmos recebeis com alegria, das vossas mães, das vossas catequistas. Lede e meditai assiduamente a palavra do Senhor para acreditar naquilo que lestes, ensinai o que aprendestes na fé, vivei o que ensinastes. Portanto, a vossa doutrina, que não é propriedade vossa, seja nutrimento para o povo de Deus: vós não sois proprietários da doutrina! É a doutrina do Senhor, e vós deveis ser fiéis à doutrina do Senhor! Por conseguinte, a vossa doutrina seja o alimento para o povo de Deus, o perfume da vossa vida seja alegria e apoio aos fiéis de Cristo, para que com a palavra e o exemplo edifiqueis a casa de Deus, que é a Igreja.
E assim vós continuareis a obra santificadora de Cristo. Mediante o vosso ministério o Sacrifício espiritual dos fiéis torna-se perfeito, porque unido ao sacrifício de Cristo, que pelas vossas mãos em nome de toda a Igreja é oferecido de modo incruento sobre o altar na celebração dos santos mistérios.
Portanto, reconhecei o que fazeis, imitai o que celebrais, para que, participando no mistério da morte e ressurreição do Senhor, carregueis a morte de Cristo nos vossos membros e caminheis com ele na novidade de vida.
Com o baptismo agregareis novos fiéis ao povo de Deus; com o sacramento da Penitência perdoareis os pecados em nome de Cristo e da Igreja. E aqui quero deter-me e pedir-vos, por amor a Jesus Cristo: nunca vos canseis de ser misericordiosos! Por favor! Tende esta capacidade de perdão que o Senhor teve, o qual não veio para condenar, mas para perdoar! Tende misericórdia, tanta! E se tiverdes o escrúpulo de ser demasiado «perdoadores», pensai naquele santo sacerdote do qual vos falei, que ia diante do tabernáculo e dizia: «Perdoa-me, Senhor, se perdoei demasiado. Mas foste tu que me deste o mau exemplo!». E eu digo-vos, verdadeiramente: sofro tanto quando encontro pessoas que já não se vão confessar, porque foram maltratadas, repreendidas. Sentiram que lhes eram fechadas na cara as portas da igreja! Por favor, não façais isso: misericórdia, misericórdia! O bom pastor entra pela porta e a porta da misericórdia são as chagas do Senhor: se não entrardes no vosso ministério pelas chagas do Senhor, não sereis bons pastores.
Com o Óleo santo dareis alívio aos enfermos; celebrando os ritos sagrados e elevando nas várias horas do dia as orações de louvor e de súplica, vós sereis a voz do povo de Deus e da humanidade inteira.
Cientes de que fostes sido escolhidos entres os homens e constituídos em seu favor para estar ao serviço das coisas de Deus, exercitai com júbilo e caridade sincera a obra sacerdotal de Cristo, concentrados unicamente em agradar a Deus e não a vós mesmos.
E pensai naquilo que dizia santo Agostinho sobre os pastores que procuravam agradar a si mesmos, que usavam as ovelhas do Senhor como refeição e para se vestirem, para vestir a majestade de um ministério que não se sabia se era de Deus. Enfim, participando na missão de Cristo, chefe e pastor, em comunhão filial com o vosso bispo, comprometei-vos por unir os fiéis numa única família, para os conduzir a Deus por meio de Cristo no Espírito Santo. Tende sempre diante dos olhos o exemplo do Bom Pastor, que não veio para ser servido, mas para servir, e procurar salvar o que estava perdido.


Fonte: Santa Sé

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Catequese do Papa: O dom do Conselho

Papa Francisco
Audiência Geral
Praça São Pedro
Quarta-feira, 7 de maio de 2014
O dom do Conselho

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Ouvimos na leitura o trecho do livro dos Salmos que diz: «Bendito o Senhor que me aconselha; durante a noite a minha consciência me adverte» (Sl 16,7). Este é outro dom do Espírito Santo: o dom do conselho. Sabemos como é importante nos momentos mais delicados, poder contar com sugestões de pessoas sábias e que nos amam. Através do conselho é o próprio Deus, com o seu Espírito, que ilumina o nosso coração, fazendo com que compreendamos o modo justo de falar e de nos comportarmos, e o caminho que devemos seguir. Mas como age este dom em nós?
No momento em que o recebemos e o hospedamos no nosso coração, o Espírito Santo começa imediatamente a tornar-nos sensíveis à sua voz e a orientar os nossos pensamentos, sentimentos e intenções segundo o coração de Deus. Ao mesmo tempo, leva-nos cada vez mais a dirigir o olhar interior para Jesus, como modelo do nosso modo de agir e de nos relacionar com Deus Pai e com os irmãos. Portanto, o conselho é o dom com o qual o Espírito Santo torna a nossa consciência capaz de fazer uma escolha concreta em comunhão com Deus, segundo a lógica de Jesus e do seu Evangelho. Desta maneira, o Espírito faz-nos crescer interior e positivamente, faz-nos crescer na comunidade e ajuda-nos a não cair na armadilha do egoísmo e do próprio modo de ver as coisas. O Espírito ajuda-nos a crescer e a viver em comunidade. A condição essencial para conservar este dom é a oração. Voltamos sempre ao mesmo tema: a oração! Mas o tipo de oração não é tão importante. Podemos rezar com as preces que todos sabemos desde crianças, mas também com as nossas palavras. Pedir ao Senhor: «Senhor, ajudai-me, aconselhai-me, o que devo fazer agora?». E com a oração damos espaço para que o Espírito venha e nos ajude naquele momento, nos aconselhe sobre o que devemos fazer. A oração! Nunca esquecer a oração. Nunca! Ninguém nota quando rezamos no autocarro, pelas ruas: rezamos em silêncio com o coração. Aproveitemos estes momentos para rezar a fim de que o Espírito nos conceda o dom do conselho.
Na intimidade com Deus e na escuta da sua Palavra, começamos gradualmente a abandonar a nossa lógica pessoal, ditada muitas vezes pelos nossos fechamentos, preconceitos e ambições, e aprendemos a perguntar ao Senhor: qual é o teu desejo? Qual é a tua vontade? O que te agrada? Deste modo, amadurece em nós uma sintonia profunda, quase conatural no Espírito e podemos experimentar como são verdadeiras as palavras de Jesus apresentadas no Evangelho de Mateus: «Não vos preocupeis com o que haveis de falar nem com o que haveis de dizer; ser-vos-á inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, é o Espírito do vosso Pai que falará por vós» (10,19-20). É o Espírito que vos aconselha, mas devemos dar espaço ao Espírito, para que possa aconselhar. E dar espaço é rezar para que Ele venha e nos ajude sempre.
Como todos os outros dons do Espírito também o conselho constitui um tesouro para toda a comunidade cristã. O Senhor não nos fala só na intimidade do coração, fala-nos sim mas não só ali, fala-nos também através da voz e do testemunho dos irmãos. É deveras um dom importante poder encontrar homens e mulheres de fé que, sobretudo nos momentos mais complicados e importantes da nossa vida, nos ajudam a iluminar o nosso coração e a reconhecer a vontade do Senhor!
Recordo-me que uma vez no santuário de Luján, estava no confessionário, diante do qual havia uma fila longa. Tinha também um jovem muito moderno, com brincos, tatuagens, todas estas coisas... Veio para me dizer o que lhe acontecia. Era um problema grave, difícil. E disse-me: "Contei tudo à minha mãe e ela disse-me: Conta isto a Nossa Senhora e Ela dir-te-á o que deves fazer". Eis uma mulher que tinha o dom do conselho. Não sabia como resolver o problema do filho, mas indicou a estrada justa: vai ter com Nossa Senhora e Ela dirá. Este é o dom do conselho. Aquela mulher humilde, simples, deu ao filho o conselho mais verdadeiro. De fato, o jovem disse-me: "Olhei para Nossa Senhora e sinto que devo fazer isto, isto e isto..." Nem precisei de falar, já tinham falado tudo a sua mãe e o próprio jovem. Este é o dom do conselho. Vós mães tendes este dom, pedi-o para os vossos filhos, o dom de aconselhar os filhos é um dom de Deus.
Queridos amigos, o Salmo 16, que acabamos de ouvir, convida-nos a rezar com estas palavras: «Bendito o Senhor que me aconselha; durante a noite a minha consciência me adverte. Tenho sempre o Senhor diante dos meus olhos, está à minha direita e jamais vacilarei» (vv. 7-8). Que o Espírito possa infundir sempre no nosso coração esta certeza e encher-nos da sua consolação e paz! Pedi sempre o dom do conselho.


Fonte: Santa Sé

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Regina Coeli do Papa: III Domingo da Páscoa - Ano A

Papa Francisco
Regina Coeli
Domingo, 04 de maio de 2014

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O Evangelho deste domingo, que é o III da Páscoa, é o dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35). Eram dois discípulos de Jesus, os quais, depois da sua morte e passado o sábado, deixam Jerusalém e voltam, tristes e abatidos, para a aldeia chamada Emaús. Ao longo da estrada Jesus ressuscitado pôs-se ao seu lado, mas eles não o reconheceram. Vendo-os tão tristes, Ele inicialmente ajudou-os a compreender que a paixão e a morte do Messias estavam previstas no desígnio de Deus e prenunciadas nas Sagradas Escrituras; e assim reacendeu uma chama de esperança nos seus corações.

Então, os dois discípulos sentiram uma extraordinária atração por aquele homem misterioso, e convidaram-no a permanecer com eles. Jesus aceitou e entrou na sua casa. E quando, à mesa, abençoou o pão e o partiu, eles reconheceram-no, mas Ele desapareceu diante dos seus olhos, deixando-os cheios de admiração. Depois de terem sido iluminados pela Palavra, reconheceram Jesus Ressuscitado na fração do pão, novo sinal da sua presença. E imediatamente sentiram a necessidade de voltar para Jerusalém, para referir aos outros discípulos a sua experiência, que se tinham encontrado com Jesus vivo e o tinham reconhecido naquele gesto da fração do pão.

A estrada de Emaús tornou-se símbolo do nosso caminho de fé: as Escrituras e a Eucaristia são os elementos indispensáveis para o encontro com o Senhor. Também nós com frequência chegamos à Missa dominical com as nossas preocupações, dificuldades e desilusões... A vida às vezes fere-nos e voltamos tristes para a nossa «Emaús», voltando as costas ao desígnio de Deus. Afastamo-nos de Deus. Mas a Liturgia da Palavra acolhe-nos: Jesus explica-nos as Escrituras e reacende nos nossos corações o calor da fé e da esperança, e na Comunhão, dá-nos a força. Palavra de Deus, Eucaristia. Ler um trecho do Evangelho todos os dias. Recordai: ler todos os dias um trecho do Evangelho, e aos domingos receber a Comunhão, receber Jesus. Aconteceu assim com os discípulos de Emaús: acolheram a Palavra; partilharam a fração do pão e de tristes e derrotados que se sentiam, tornaram-se alegres. Queridos irmãos e irmãs, a Palavra de Deus e a Eucaristia enchem-nos de alegria sempre. Recordai! Quando vos sentis tristes, tomai a Palavra de Deus. Quando vos sentis desanimados, tomai a Palavra de Deus e ide à Missa do domingo e comungai, participai do mistério de Jesus. Palavra de Deus, Eucaristia: enchem-nos de alegria.

Pela intercessão de Maria Santíssima, rezemos a fim de que cada cristão, revivendo a experiência dos discípulos de Emaús, especialmente na Missa dominical, redescubra a graça do encontro transformador com o Senhor, com o Senhor Ressuscitado, que está sempre conosco. Há sempre uma Palavra de Deus que nos orienta depois das nossas debandadas; e apesar dos nossos cansaços e desilusões há sempre um Pão repartido que nos faz continuar o caminho.


Fonte: Santa Sé.