sábado, 5 de novembro de 2022

Fotos da Missa pelos Bispos falecidos no Vaticano

No dia 02 de novembro de 2022 o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Santa Missa da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro em sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos ao longo do ano.

O Santo Padre foi assistido pelos Monsenhores Diego Giovanni Ravelli e Marco Agostini. O Cardeal Giovanni Battista Re, Decano do Colégio Cardinalício, por sua vez, o qual celebrou a Liturgia Eucarística, foi assistido por Monsenhor Ján Dubina.

No livreto da celebração - que pode ser visto aqui - consta a lista dos 157 Bispos falecidos, incluindo nove Cardeais (dentre os quais destacamos o Patriarca Emérito dos Católicos Coptas, Cardeal Antonios Naguib, o Decano Emérito, Cardeal Angelo Sodano, e o Cardeal Jozef Tomko). Recordamos também o Abuna Antonios, Patriarca Ortodoxo da Eritreia.

Vale destacar que o uso da cor vermelha nas celebrações presididas pelo Papa em sufrágio pelos Cardeais falecidos é fruto de uma antiga tradição.

Procissão de entrada

Oração do dia
Leituras
Imposição do incenso

Homilia do Papa: Comemoração dos Fiéis Defuntos (2022)

Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos
Santa Missa em sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos durante o ano 
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 02 de novembro de 2022

As leituras que ouvimos (Is 25,6a.7-9; Sl 24; Rm 8,14-23; Mt 25,31-46) suscitam em nós, em mim, duas palavras: espera e surpresa.

espera manifesta o sentido da vida, pois vivemos na expectativa do encontro: o encontro com Deus, que hoje é o motivo da nossa oração de intercessão, especialmente pelos Cardeais e Bispos falecidos durante o último ano, pelos quais oferecemos em sufrágio este Sacrifício Eucarístico.

Todos vivemos na expectativa, na esperança de um dia ouvir aquelas palavras de Jesus: «Vinde, benditos do meu Pai» (Mt 25,34). Estamos na sala de espera do mundo para entrar no paraíso, para participar naquele “banquete para todos os povos” do qual nos falou o profeta Isaías (Is 25,6a). Ele diz algo que aquece o nosso coração, porque levará a cumprimento precisamente as nossas maiores expectativas: o Senhor «eliminará para sempre a morte» e «enxugará as lágrimas em cada rosto» (v. 8). É bom quando o Senhor vem enxugar as lágrimas! Mas é muito ruim quando esperamos que seja outra pessoa, e não o Senhor, que as enxugará. E pior ainda, não ter lágrimas. Então poderemos dizer: «Este é o Senhor em quem esperamos - Aquele que enxuga as lágrimas - alegremo-nos, exultemos pela sua salvação» (v. 9). Sim, vivemos na expectativa de receber bens tão grandes e bons que nem sequer os conseguimos imaginar, pois como nos recordou o Apóstolo Paulo, «somos herdeiros de Deus, coerdeiros de Cristo» (Rm 8,17) e “esperamos viver para sempre, esperamos a redenção do nosso corpo” (v. 23).


Irmãos e irmãs, alimentemos a expectativa do Céu, exercitemos o desejo do paraíso. Fará bem a nós hoje perguntarmo-nos se os nossos desejos têm a ver com o Céu. Pois corremos o risco de aspirar constantemente a coisas que passam, de confundir os desejos com as necessidades, de antepor as expectativas do mundo à espera de Deus. Mas perder de vista o que importa para perseguir o vento seria o maior erro da vida. Olhemos para cima, porque estamos a caminho do Alto, pois as coisas daqui não irão para lá: as melhores carreiras, os maiores sucessos, os títulos e reconhecimentos mais prestigiosos, a riqueza acumulada e os ganhos terrenos, tudo esvanecerá num instante, tudo. E todas as expectativas neles depositadas ficarão desapontadas para sempre. No entanto, quanto tempo, quanto esforço e energia gastamos, preocupando-nos e amargurando-nos por estas coisas, deixando desvanecer-se a tensão pela casa, perdendo de vista o sentido do caminho, a meta da viagem, o infinito para o qual tendemos, a alegria pela qual respiramos! Perguntemo-nos: vivo o que digo no Credo, isto é: “Espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir”? E como está a minha espera? Sou capaz de ir ao essencial ou distraio-me com muitas coisas supérfluas? Cultivo a esperança ou vou em frente me queixando, porque dou demasiado valor a muitas coisas que não contam e que depois passarão?

sexta-feira, 4 de novembro de 2022

Solenidade de Todos os Santos em Londres

No dia 01 de novembro de 2022 o Cardeal Robert Sarah, Prefeito Emérito do Dicastério para o Culto Divino, celebrou a Santa Missa da Solenidade de Todos os Santos na igreja de Corpus Christi (Corpus Christi Catholic Church) na rua Maiden Lane, distrito de Covent Garden, Londres.

Essa igreja foi elevada em 2019 a Santuário Diocesano do Santíssimo Sacramento pelo Arcebispo de Westminster, Cardeal Vincent Gerard Nichols.

Na Missa presidida pelo Cardeal Sarah, celebrada seguindo o Missal Romano promulgado pelo Concílio Vaticano II, é possível ver alguns elementos anteriores à reforma litúrgica. Trata-se do "uso anglicano", particularidade concedida pelo Papa João Paulo II em 1980.

Acolhida ao Cardeal Sarah: Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento
Incensação do altar
Ritos iniciais
Leituras

Ângelus do Papa: Solenidade de Todos os Santos 2022

Solenidade de Todos os Santos
Papa Francisco
Ângelus
Terça-feira, 1° de novembro de 2022

Estimados irmãos e irmãs, feliz festa, bom dia!
Hoje, celebramos Todos os Santos, e poderíamos ter uma impressão enganadora: poderíamos pensar que estamos celebrando os irmãos e irmãs que na vida foram perfeitos, sempre lineares, impecáveis, aliás, “engomados”. Ao contrário, o Evangelho de hoje desmente esta visão estereotipada, esta santidade “de santinhos”. De fato, as Bem-aventuranças de Jesus (Mt 5, 1-12), que são a carteira de identidade dos santos, mostram o oposto: falam de uma vida contra a corrente, de uma vida revolucionária! Os santos são os verdadeiros revolucionários.

Vejamos, por exemplo, uma bem-aventurança muito atual: «Bem-aventurados os que promovem a paz» (v. 9), e constatamos como a paz de Jesus é muito diferente do que imaginamos. Todos desejamos paz, mas muitas vezes o que queremos não é precisamente a paz, é estar em paz, ser deixados em paz, não ter problemas, mas tranquilidade. Por outro lado, Jesus não chama bem-aventurados os tranquilos, aqueles que estão em paz, mas aqueles que fazem a paz e lutam para fazer a paz, os construtores, os promotores da paz. De fato, a paz tem de ser construída, e como qualquer construção requer empenho, colaboração, paciência. Gostaríamos que a paz chovesse do alto, mas a Bíblia fala da «semente da paz» (Zc 8,12), porque germina do terreno da vida, da semente do nosso coração; cresce no silêncio, dia após dia, através de obras de justiça e misericórdia, como nos mostram as testemunhas luminosas que hoje celebramos. Somos levados a acreditar que a paz vem pela força e pelo poder: para Jesus é o oposto. A sua vida e a dos santos dizem-nos que a semente da paz, para crescer e dar fruto, deve primeiro morrer. A paz não é alcançada conquistando ou derrotando alguém, nunca é violenta, nunca está armada. Estava vendo no programa “A Sua Immagine” tantos santos e santas que lutaram, que construíram a paz, mas com o trabalho, dando a própria vida, oferecendo a vida.

Como, então, nos tornamos promotores da paz? Antes de tudo, é necessário desarmar o coração. Sim, porque estamos todos equipados com pensamentos agressivos, uns contra os outros, com palavras afiadas, e pensamos em nos defender com o arame farpado da queixa e os muros de cimento da indiferença; e entre queixa e indiferença defendemo-nos, mas isto não é paz: isto é guerra. A semente da paz pede-nos que desmilitarizemos o campo do coração. Como está o teu coração? Está desmilitarizado ou cheio destes sentimentos, com queixas e indiferença, com agressão? E como se desmilitariza o coração? Abrindo-nos a Jesus, que é «a nossa paz» (Ef 2,14); permanecendo diante da sua Cruz, que é a cátedra da paz; recebendo d’Ele, na Confissão, «o perdão e a paz». Por aqui se começa, pois ser promotores da paz, ser santos, não é capacidade nossa, é dom seu, é graça.

Irmãos e irmãs, olhemos para dentro de nós e perguntemo-nos: somos promotores da paz? Onde vivemos, estudamos e trabalhamos, levamos tensão, palavras que magoam, tagarelices que envenenam, polêmicas que dividem? Ou será que abrimos o caminho para a paz: perdoamos aqueles que nos ofendem, cuidamos dos que estão à margem, curamos alguma injustiça ajudando aqueles que têm menos? A isto chama-se construir a paz.

No entanto, pode surgir uma última questão, que se aplica a qualquer bem-aventurança: vale a pena viver desta forma? Não é de perdedor? É Jesus que nos dá a resposta: os que promovem a paz «serão chamados filhos de Deus» (Mt 5,9): no mundo parecem fora de lugar, porque não cedem à lógica do poder e do prevalecer, no Céu serão os mais próximos de Deus, os mais semelhantes a Ele. Mas, na realidade, também aqui aqueles que prevaricam permanecem de mãos vazias, enquanto aqueles que amam todos e não magoam ninguém vencem: como diz o Salmo, «o homem de paz terá uma descendência» (Sl 37,37).

Que a Virgem Maria, Rainha de Todos os Santos, nos ajude a ser construtores de paz na vida diária.

"Bem-aventurados os que promovem a paz"

Fonte: Santa Sé.

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

A viagem do Papa Francisco ao Bahrein

De 03 a 06 de novembro de 2022 o Papa Francisco realiza sua 39ª Viagem Apostólica, tendo como destino o Reino do Bahrein. Esta será a 12ª viagem de Francisco à Ásia e, por sua vez, a primeira vez que o Bahrein recebe o Sucessor de Pedro.

Durante a Viagem, o Santo Padre participará do “Bahrain Forum for Dialogue: East and West for Human Coexistence” (Fórum do Bahrein para o Diálogo: Oriente e Ocidente pela Coexistência Humana), um encontro inter-religioso.


Programa da viagem

03 de novembro (quinta-feira)

O Papa Francisco chega à Base Aérea de Sakhir, próxima à cidade de Awali, na tarde da quinta-feira, dia 03. Seus primeiros compromissos são os encontros com o Rei do Bahrein, Hamad bin Isa Al Khalifa, e com as demais autoridades no Palácio de Al-Sakhir.

04 de novembro (sexta-feira)

Pela manhã o Papa participa do encerramento do Bahrain Forum for Dialogue: East and West for Human Coexistence junto ao Palácio de Al-Sakhir.

À tarde, por sua vez, Francisco encontra-se com o Grão-Imã de Al-Azhar (Egito), Ahmed el-Tayeb, uma das grandes autoridades do Islamismo, e com o Conselho Muçulmano de Anciãos (Muslim Council of Elders) na Mesquita do Palácio de Al-Sakhir.

Mesquita do Palácio de Al-Sakhir

Por fim, o último compromisso desse dia é a Celebração ecumênica de oração pela paz na Catedral de Nossa Senhora da Arábia em Awali, sede do Vicariato Apostólico da Arábia Setentrional. Esta é a maior igreja do Golfo Pérsico, dedicada em 10 de dezembro de 2021.


05 de novembro (sábado)

terça-feira, 1 de novembro de 2022

Santos e Beatos brasileiros

“Que vossas obras, ó Senhor, vos glorifiquem, e os vossos santos com louvores vos bendigam!” (Sl 144,10).

A Igreja de Rito Romano celebra no dia 01 de novembro a Solenidade de Todos os Santos, que no Brasil é transferida para o domingo seguinte.

Aproveitamos a ocasião, portanto, para elencar nesta postagem os Santos e Beatos brasileiros, aqueles que nasceram em nosso país e/ou exerceram aqui a sua missão.

SANTOS

As seis Memórias a seguir (elencadas em ordem cronológica) estão inscritas no Calendário próprio do Brasil, sendo celebradas em todo o país:

São José de Anchieta, Presbítero (†1597), “Apóstolo do Brasil”.
Memória: 09 de junho
Canonização: 03 de abril de 2014 (Homilia do Papa e fotos da celebração).


Santos André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro, Presbíteros, e 28 Companheiros, Mártires (†1645)
Protomártires do Brasil, mortos pelos indígenas e protestantes holandeses nas localidades de Cunhaú e Uruaçu (RN).
Memória: 03 de outubro
Canonização: 15 de outubro de 2017 (Homilia do Papa e fotos da celebração)


Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, Presbítero (†1822)
Memória: 25 de outubro
Canonização: 11 de maio de 2007


Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, Virgem (†1942)
Fundadora da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição
Memória: 09 de julho
Canonização: 19 de maio de 2002


Santa Dulce Lopes Pontes, Virgem (†1992)
Memória: 13 de agosto
Canonização: 13 de outubro de 2019 (Homilia do Papa e fotos da celebração)


Ângelus: XXXI Domingo do Tempo Comum - Ano C

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 30 de outubro de 2022

Estimados irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje, na Liturgia, o Evangelho narra o encontro entre Jesus e Zaqueu, chefe dos publicanos na cidade de Jericó (Lc 19,1-10). No centro desta história está o verbo procurar. Estejamos atentos: procurar. Zaqueu «procurava ver Jesus» (v. 3) e Jesus, depois de conhecê-lo, diz: «O Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido» (v. 10). Reflitamos um pouco sobre os dois olhares que se procuram: o olhar de Zaqueu que procura Jesus e o olhar de Jesus que procura Zaqueu.

O olhar de Zaqueu. Trata-se de um publicano, ou seja, um daqueles judeus que cobravam impostos em nome dos dominadores romanos - um traidor da pátria - e aproveitavam-se daquela sua posição. Por isso, Zaqueu era rico, odiado por todos e apontado como pecador. O texto diz que «era de pequena estatura» (v. 3) e com isto talvez aluda também à sua baixeza interior, à sua vida medíocre, desonesta, sempre com o olhar dirigido para baixo. Mas o importante é que ele era baixinho. No entanto, Zaqueu quer ver Jesus. Algo o impele a vê-lo. «Correndo à frente - diz o Evangelho - subiu a um sicômoro para vê-lo, porque Ele devia passar por ali» (v. 4). Subiu a um sicômoro: Zaqueu, o homem que dominava tudo, torna-se ridículo, vai ao caminho do ridículo para ver Jesus. Pensemos no que aconteceria se, por exemplo, um ministro da economia subisse a uma árvore para olhar para outra coisa: correria o risco de ser ridicularizado. E Zaqueu correu o risco de ser ridicularizado para ver Jesus. Zaqueu, na sua baixeza, sente a necessidade de procurar outro olhar, o de Cristo. Ainda não o conhece, mas está à espera de alguém que o liberte da sua condição - moralmente baixa -, que o tire da lama na qual se encontra. Isto é fundamental: Zaqueu ensina-nos que, na vida, nunca tudo está perdido. Por favor, nunca tudo está perdido, nunca! Podemos sempre criar espaço para o desejo de recomeçar, de iniciar de novo, de nos converter. Isto é o que Zaqueu faz.

Decisivo neste sentido é o segundo aspecto: o olhar de Jesus. Ele foi enviado pelo Pai para procurar quem se perdeu; e quando chega a Jericó, passa exatamente ao lado da árvore onde está Zaqueu. O Evangelho narra que «Jesus levantou os olhos e disse-lhe: “Zaqueu, desce depressa, pois tenho de ficar em tua casa”» (v. 5). É uma imagem muito bonita, porque se Jesus deve levantar os olhos, significa que olha para Zaqueu de baixo. Esta é a história da salvação: Deus não nos olhou do alto para nos humilhar nem julgar, não; pelo contrário, abaixou-se ao ponto de nos lavar os pés, olhando-nos de baixo e restituindo-nos dignidade. Assim, o cruzar dos olhares entre Zaqueu e Jesus parece resumir toda a história da salvação: a humanidade com as suas misérias procura a redenção, mas antes de tudo Deus com misericórdia procura a criatura para salvá-la.

Irmãos, irmãs, lembremo-nos disto: o olhar de Deus nunca para no nosso passado cheio de erros, mas olha com infinita confiança para aquilo em que nos podemos tornar. E se por vezes nos sentimos pessoas de baixa estatura, não à altura dos desafios da vida e muito menos do Evangelho, mergulhados em problemas e pecados, Jesus olha para nós sempre com amor; como com Zaqueu, Ele vem até nós, chama-nos pelo nome e, se o acolhermos, vem até à nossa casa. Então podemos perguntar-nos: como nos vemos a nós mesmos? Sentimo-nos inadequados e resignados, ou precisamente nesse momento, quando nos sentimos tristes, procuramos o encontro com Jesus? E depois: que olhar temos para aqueles que erraram e estão lutando para se erguerem do pó dos seus erros? É um olhar do alto, que julga, despreza e exclui? Recordemos que é admissível olhar para uma pessoa do alto para baixo apenas para ajudá-la a erguer-se: nada mais. Só neste caso é permitido olhar de cima para baixo. Mas nós cristãos devemos ter o olhar de Cristo, que abraça de baixo, que procura quem está perdido, com compaixão. Este é, e deve ser, o olhar da Igreja, sempre, o olhar de Cristo, e não o olhar condenador.

Oremos a Maria, cuja humildade o Senhor contemplou, e peçamos-lhe o dom de um novo olhar sobre nós e sobre os outros.

O encontro entre Jesus e Zaqueu
(James Tissot)

Fonte: Santa Sé.