quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Mensagem Urbi et Orbi do Papa: Natal 2023

Papa Francisco
Mensagem Urbi et Orbi de Natal
Segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Queridos irmãos e irmãs, feliz Natal!
O olhar e o coração dos cristãos de todo o mundo estão voltados para Belém; lá, onde nestes dias reinam a dor e o silêncio, ressoou o anúncio esperado há séculos: «Nasceu-vos um Salvador, que é o Cristo Senhor» (Lc 2,11). Trata-se das palavras do anjo no céu de Belém, que são dirigidas também a nós. Enche-nos de confiança e esperança saber que o Senhor nasceu para nós; que a Palavra eterna do Pai, o Deus infinito, fixou a sua morada entre nós. Fez-Se carne, veio «habitar conosco» (Jo 1,14): esta é a notícia que muda o curso da história!

O anúncio de Belém é o anúncio de uma «grande alegria» (Lc 2,10). Qual alegria? Não a felicidade passageira do mundo, nem a alegria da diversão, mas uma alegria «grande» porque nos faz «grandes». De fato, hoje nós, seres humanos, com as nossas limitações, abraçamos a certeza de uma esperança inaudita: a esperança de termos nascido para o Céu. Sim, Jesus nosso irmão veio fazer do Seu Pai o nosso Pai: Menino frágil, revela-nos a ternura de Deus e muito mais... Ele, o Unigênito do Pai, dá aos homens o «poder de se tornarem filhos de Deus» (Jo 1,12). Eis a alegria que consola o coração, renova a esperança e dá a paz: é a alegria do Espírito Santo, a alegria de ser filhos amados.


Irmãos e irmãs, hoje em Belém, por entre as trevas da terra, acendeu-se esta chama inextinguível; hoje, sobre as trevas do mundo, prevalece a luz de Deus, que «a todo o homem ilumina» (Jo 1,9). Irmãos e irmãs, alegremo-nos por esta graça! Alegra-te, tu que te vês falho de confiança e de certezas, porque não estás sozinho, não estás sozinha: Cristo nasceu para ti! Alegra-te, tu que perdeste a esperança, porque Deus te estende a mão: não aponta o dedo contra ti, mas oferece-te a sua mãozinha de Menino para te libertar dos medos, aliviar-te dos cansaços e mostrar-te que, aos olhos d’Ele, vales mais do que qualquer outra coisa. Alegra-te, tu que tens a paz no coração, porque se cumpriu para ti a antiga profecia de Isaías: «Um menino nasceu para nós, um filho nos foi dado (...) e o seu nome é: (...) Príncipe da paz» (Is 9,5). A Sagrada Escritura revela que a sua paz, o seu reino «não terá fim» (Is 9,6).

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

Fotos da Missa da Noite de Natal no Vaticano (2023)

No dia 24 de dezembro de 2023 o Papa Francisco presidiu sem celebrar a Santa Missa da Noite na Solenidade do Natal do Senhor na Basílica de São Pedro.

A Liturgia Eucarística foi celebrada pelo Cardeal Giovanni Battista Re, Decano do Colégio Cardinalício, assistido por Monsenhor Ján Dubina.

O Santo Padre, por sua vez, foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor L'ubomir Welnitz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

O Papa acompanha o canto da Kalenda
Diácono desvela a imagem do Menino Jesus
Oferta das flores por parte das crianças
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Homilia do Papa: Missa da Noite de Natal 2023

Solenidade do Natal do Senhor - Santa Missa da Noite
Homilia do Papa Francisco
Basílica Vaticana
Domingo, 24 de dezembro de 2023

«O recenseamento de toda a terra» (Lc 2,1): este é o contexto em que nasce Jesus e no qual se detém o Evangelho. Podia limitar-se a uma rápida alusão, mas ao contrário delonga-se cuidadosamente nele. E assim faz surgir um grande contraste: enquanto o imperador conta os habitantes do mundo, Deus entra nele quase às escondidas; enquanto quem manda procura colocar-se entre os grandes da história, o Rei da história escolhe o caminho da pequenez. Nenhum dos poderosos se dá conta d’Ele; apenas alguns pastores, postos à margem da vida social.

Mas o recenseamento diz-nos mais outra coisa. Na Bíblia, não deixara boas recordações. O rei Davi, cedendo à tentação dos grandes números e a uma malsã pretensão de autossuficiência, cometera um grave pecado precisamente fazendo o recenseamento do povo. Queria saber a sua força recebendo, cerca de nove meses depois, o número de todos os que podiam manejar a espada (cf. 2Sm 24,1-9). O Senhor indignou-se e um flagelo feriu o povo. Diversamente nesta noite, o «Filho de Davi», Jesus, depois de passar nove meses no ventre de Maria, nasce em Belém, a cidade de Davi, e não pune o recenseamento, mas deixa-se humildemente registar: um, no meio de tantos. Não vemos um Deus irado que castiga, mas o Deus misericordioso que se encarna, que entra, frágil, no mundo, precedido pelo anúncio «paz na terra aos homens» (Lc 2,14). E, nesta noite, o nosso coração está em Belém, onde o Príncipe da paz continua a ser rejeitado pela lógica perdedora da guerra, com o estrondo das armas que ainda hoje O impede de encontrar alojamento no mundo (cf. Lc 2,7).


Em suma, o recenseamento de toda a terra manifesta, por um lado, a trama demasiado humana que atravessa a história: a trama de um mundo que procura o poder e a força, a fama e a glória, onde tudo se mede através dos sucessos e dos resultados, dos cálculos e dos números. É a obsessão das façanhas. Mas ao mesmo tempo, no recenseamento, sobressai o caminho de Jesus, que vem procurar-nos através da encarnação. Não é o deus das façanhas, mas o Deus da encarnação. Não subverte do alto as injustiças com a força, mas de baixo com o amor; não irrompe com um poder sem limites, mas desce até aos nossos limites; não evita as nossas fragilidades, mas adota-as.

A Oitava do Natal

Quando se completaram os oito dias... deram-lhe o nome de Jesus” (Lc 2,21).

Assim como a Páscoa da Ressurreição, a Solenidade do Natal do Senhor é enriquecida no Rito Romano com uma Oitava, isto é, com uma celebração prolongada por oito dias, de 25 de dezembro a 01 de janeiro.

Nascimento de Jesus (Charles Le Brun)

1. Simbolismo do número “oito” e origem da Oitava do Natal

Na tradição cristã, o número oito é associado ao domingo, o “dia do Senhor”, que é ao mesmo tempo o primeiro e o oitavo dia da semana, no qual tem lugar a nova criação iniciada na Ressurreição do Senhor (cf. Mt 28,1 e paralelos) [1].

Assim, logo as grandes festas passaram a ser enriquecidas com uma “oitava”, tanto como uma celebração prolongada por oito dias quanto como um “eco” da festa apenas no oitavo dia (octava dies).

A primeira a ser celebrada foi a Oitava da Páscoa, já a partir dos séculos III-IV, e que corresponde ao primeiro modelo: uma celebração prolongada por oito dias, nos quais tinham lugar as “catequeses mistagógicas” aos neófitos (aqueles que haviam recebido os sacramentos da Iniciação Cristã na Vigília Pascal).

Para saber mais, confira nossa postagem sobre a Oitava da Páscoa.

Também no século IV se celebrava no Oriente a Oitava da Epifania, de 06 a 13 de janeiro. Vale lembrar que nessa época a Epifania celebrava tanto o nascimento do Senhor quanto sua manifestação aos povos.

A partir do século V, porém, as Igrejas do Oriente acolheram a celebração ocidental do nascimento do Senhor no dia 25 de dezembro e as Igrejas do Ocidente acolheram a festa da Epifania a 06 de janeiro.

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história da Solenidade do Natal do Senhor e sobre a história da Solenidade da Epifania.

A peregrina Etéria (ou Egéria), que visitou a Terra Santa em meados do século IV, testemunha a celebração da Oitava da Epifania tanto em Jerusalém como em Belém: “Durante oito dias, celebra-se com todo este júbilo e esplendor... Em Belém, durante toda esta oitava, todos os dias há este esplendor e esta festa...” [2].

Em Roma, após a proclamação do dogma da Maternidade Divina de Maria no Concílio de Éfeso (431), o oitavo dia após o Natal passou a ser celebrado como festa em honra da Santa Mãe de Deus.

Vemos aqui a influência das “festas associadas” ou “festas decorrentes” da tradição oriental: após a celebração de um evento da história da salvação recordam-se os personagens que participaram dele [3]. No Rito Bizantino, por exemplo, se celebra a “Sinaxe da Mãe de Deus” em 26 de dezembro, no dia seguinte ao Natal.

Note-se que não temos aqui uma oitava como celebração prolongada por oito dias, como na Páscoa, mas apenas dois dias de festa: o primeiro (25 de dezembro) e o oitavo (01 de janeiro).

No final do século VII, porém, quando o Papa Sérgio I (†701), de origem síria, popularizou diversas celebrações orientais em Roma, incluindo várias festas marianas [4], a celebração da Mãe de Deus a 01 de janeiro perdeu importância, passando a ser simplesmente a “Oitava do Natal” (In Octava Nativitatis Domini).

Vitral em honra da Mãe de Deus (Mater Dei)

Posteriormente, entre os séculos XIII e XIV, Roma acolheria a Festa da Circuncisão do Senhor no dia 01 de janeiro. Esta tem sua origem na Espanha, em meados do século VI, quando começa a organizar-se o Rito Hispano-Mozárabe a partir da cidade de Toledo.

Uma vez que nesse Rito a Festa da Mãe de Deus é celebrada no dia 18 de dezembro, oito dias antes do Natal, no dia 01 de janeiro, em consonância com o Evangelho (Lc 2,21), foi instituída a Festa da Circuncisão do Senhor (In Circuncisione Domini).


2. Os santos da Oitava do Natal, “companheiros de Cristo”

Em Jerusalém e Constantinopla, entre os séculos IV-V (antes da acolhida da celebração do Natal no dia 25 de dezembro, quando ainda se celebrava o nascimento do Senhor na Epifania, a 06 de janeiro), os últimos dias do mês de dezembro eram dedicados à celebração de alguns santos:
25 de dezembro: Rei Davi e São Tiago, o “irmão do Senhor”
26 de dezembro: Santo Estêvão
27 de dezembro: São Pedro e São Paulo
28 de dezembro: São Tiago Maior e São João Evangelista

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

Ângelus: IV Domingo do Advento - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 24 de dezembro de 2023

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje, no IV Domingo do Advento, o Evangelho apresenta-nos a cena da Anunciação (Lc 1,26-38). O anjo, para explicar a Maria como conceberá Jesus, diz-lhe: «O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra» (v. 35). Detenhamo-nos um pouco sobre esta imagem, a sombra.

Em uma terra como a de Maria, perpetuamente ensolarada, uma nuvem que passa, uma árvore que resiste à seca e oferece abrigo, uma tenda hospitaleira, dão alívio e proteção. A sombra é um dom que restaura, e o anjo descreve precisamente assim o modo como o Espírito Santo desce sobre Maria, o modo de agir de Deus: Deus age sempre como um amor suave que abraça, que fecunda, que guarda, sem fazer violência, sem ferir a liberdade. É este o modo de agir de Deus.

A imagem da sombra que protege é uma imagem recorrente na Bíblia. Pensemos na sombra que acompanha o povo de Deus no deserto (cf. Ex 13,21-22). A sombra fala, em suma, da gentileza de Deus. É como se Ele dissesse, a Maria, mas também a todos nós hoje: “Estou aqui para ti e ofereço-me como teu refúgio e abrigo: vem para debaixo da minha sombra, fica comigo”. Irmãos e irmãs, é assim que se comporta o amor fecundo de Deus. E é algo que, em certa medida, podemos experimentar também entre nós, por exemplo, quando entre amigos, noivos, esposos, pais e filhos, se é gentil, se é respeitoso, se cuida dos outros com gentileza. Pensemos na gentileza de Deus!

Deus ama assim e chama-nos a fazer o mesmo: acolher, proteger, respeitar os outros. Pensemos em todos, pensemos naqueles que são marginalizados, naqueles que estão longe da alegria do Natal nestes dias. Pensemos em todos com a gentileza de Deus. Lembrai-vos desta palavra: a gentileza de Deus!

E perguntemo-nos então, na vigília de Natal: será que eu quero deixar-me envolver pela sombra do Espírito Santo, pela doçura e pela mansidão de Deus, pela gentileza de Deus, abrindo espaço no meu coração para Ele, aproximando-me do seu perdão, da Eucaristia? E depois: para quais pessoas solitárias e necessitadas poderia eu ser uma sombra que restaura, uma amizade que conforta?

Que Maria nos ajude a sermos abertos, acolhedores da presença de Deus, que com mansidão nos vem salvar.

Anunciação (Giambattista Pittoni)

Fonte: Santa Sé.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Cardeal Cantalamessa: II pregação de Advento 2023

Neste ano de 2023 foram duas as meditações de Advento do Cardeal Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia, dedicadas a João Batista e à Virgem Maria, “figuras-modelo” desse tempo litúrgico.

Confira o índice das meditações do Cardeal Cantalamessa publicadas em nosso blog clicando aqui.

Cardeal Raniero Cantalamessa, OFMCap
II Pregação de Advento
22 de dezembro de 2023
“Bem-aventurada aquela que acreditou”

Depois do Precursor João Batista, hoje nos deixamos conduzir pela Mãe de Jesus para “entrarmos” no mistério do Natal. No Evangelho do próximo domingo, o IV do Advento, ouviremos a narrativa da Anunciação (Lc 1,26-38). Ela nos recorda como Maria concebeu e deu à luz o Cristo e como podemos concebê-lo e dá-lo à luz também nós mediante a fé. Referindo-se a este momento, Isabel, pouco depois, exclamará: “Bem-aventurada aquela que acreditou” (Lc 1,45).

Repetiu-se, infelizmente, acerca da fé de Maria, o que acontecera com a pessoa de Jesus. Como os hereges arianos buscavam qualquer pretexto para pôr em dúvida a plena divindade de Cristo, os Padres da Igreja, para lhes tirar qualquer apoio, às vezes deram uma explicação “pedagógica” de todos aqueles textos do Evangelho que pareciam admitir um progresso de Jesus no conhecimento da vontade do Pai e na obediência a ela. Um destes textos era o da Carta aos Hebreus, segundo a qual Jesus “aprendeu o que significa a obediência, por aquilo que sofreu” (Hb 5,8); outro, a oração de Jesus no Getsêmani. Em Jesus, tudo devia ser dado e perfeito em princípio. Como bons gregos, pensavam que o tornar-se não pode incidir sobre o ser das coisas.


Algo de semelhante, eu dizia, se repetiu, tacitamente, para a fé de Maria. Dava-se por pressuposto que ela tivesse cumprido o seu ato de fé no momento da Anunciação e nele tivesse permanecido estável por toda a vida, como quem, com a sua voz, alcançou de uma vez a nota mais aguda e a mantém interruptamente por todo o resto do canto. Dava-se uma explicação reconfortante de todas as palavras que pareciam dizer o contrário.

O dom que o Espírito Santo deu à Igreja, com a renovação da Mariologia, foi a descoberta de uma dimensão nova da fé de Maria. A Mãe de Deus - afirmou o Concílio Vaticano II - “avançou pelo caminho da fé” (Lumen Gentium, n. 58). Não acreditou de uma vez por todas, mas caminhou na fé e progrediu nela. A afirmação foi retomada e tornada mais explícita por São João Paulo II na Encíclica Redemptoris Mater: “As palavras de Isabel - ‘Bem-aventurada aquela que acreditou’ - não se aplicam apenas àquele momento particular da Anunciação. Esta representa, sem dúvida, o momento culminante da fé de Maria na expectação de Cristo, mas é também o ponto de partida, no qual se inicia todo o seu caminho para Deus, toda a sua caminhada de fé” (Redemptoris Mater, n. 14).

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Sequência do Natal: Grates nunc omnes

“Uma multidão da coorte celeste cantava louvores, dizendo: ‘Glória a Deus no mais alto dos céus...’” (cf. Lc 2,13-14).

Das cinco grandes Solenidades do Senhor elencadas nos nn. 1-2 da Tabela de precedência dos dias litúrgicos (Páscoa, Natal, Epifania, Ascensão e Pentecostes), duas possuem atualmente uma sequência própria: a Páscoa (Victimae paschali laudes) e o Pentecostes (Veni, Sancte Spiritus).

Entre os séculos X e XVI, porém, todas as principais celebrações do Ano Litúrgico contavam com uma ou mais sequências, composições poéticas entoadas antes do Evangelho da Missa que sintetizam o mistério celebrado, até que a reforma do Concílio de Trento as reduziu a apenas quatro [1].

Sandro Botticelli - Natividade mística (detalhe)

A Solenidade do Natal do Senhor, com efeito, contava com ao menos três sequências, em alusão às três Missas (da Noite, da Aurora e do Dia): Grates nunc omnes, Eia recolamus e Natus ante saecula.

Essas composições foram elencadas pelo célebre Notker Balbulus (†912), monge beneditino da Abadia de São Galo (Sankt Gallen), na Suíça, em seu Liber Sequentiarum [2].

Nesta postagem gostaríamos de apresentar a sequência Grates nunc omnes (“Demos graças, todos, agora”), ora indicada para a Missa da Noite do Natal (In galli cantu, In prima Missa), ora para a Missa da Aurora (In primo mane). Contudo, é mais adequada para a primeira, dada sua referência ao canto dos anjos, recordado no Evangelho da Missa da Noite (Lc 2,1-14).

A maioria dos estudiosos considera que essa sequência não é de Notker, sendo acrescentada posteriormente em seu elenco. Trata-se, provavelmente, de uma composição anônima realizada no sul da Alemanha no século XI.

Originalmente era composta por apenas duas estrofes: Grates nunc omnes reddamus Domino Deo (5 versos) e Huic oportet ut canamus (3 versos). Logo, porém, foi enriquecida com outras cinco estrofes de 5 versos.

Com efeito, se a primeira estrofe nos convida a dar graças a Cristo, as seguintes estendem a ação de graças ao Pai e ao Espírito Santo (estrofes 2-3), à Trindade como um todo (4), à Virgem Maria (5) e aos anjos (6).

Nessa “forma longa” da sequência, a segunda estrofe do texto original, Huic oportet, podia também ser entoada como refrão, repetida a cada estrofe.

A composição, com efeito, era muito popular entre o final da Idade Média e o início da Idade Moderna, sendo acolhida inclusive em ambiente luterano, recebendo adaptações para as línguas vernáculas, e entoada em diversos momentos do culto.

Em alguns lugares, pois, era entoada como canto de entrada ou de Comunhão, considerando sua forma de “ladainha”, intercalando o “convite ao louvor” a um refrão.

Além disso, o convite “reddamus”, do verbo “reddere” (“dar”, no sentido de “dar graças”), pode ser facilmente associado ao verbo “redire” (“retornar”, no sentido de “retornar a Deus”, simbolismo expresso no gesto da procissão).

Sandro Boticelli - Natividade mística (detalhe)

Segue, pois, o texto da sequência Grates nunc omnes (forma longa) no original (em latim) e em uma tradução nossa bastante livre.

Sequentia in Nativitate Domini: Grates nunc omnes

1. Grates nunc omnes
reddamus Domino Deo,
qui sua nativitate
nos liberavit
de diabolica potestate.

2. Grates nunc omnes
reddamus aeterno Patri,
pro sua qui pietate
mundo salutem
de matris contulit puritate.