quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Vésperas no encerramento do ano de 2023 no Vaticano

No dia 31 de dezembro de 2023 o Papa Francisco presidiu as I Vésperas da Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus na Basílica de São Pedro, com o canto do Te Deum em ação de graças pelo encerramento do ano civil.

Na ocasião foi exposto um ícone do século XIII que representa Maria amamentando o Menino Jesus (Madonna lactans), conservado no Santuário e Abadia de Montevergine (Itália).

Infelizmente, assim como em 2022, não houve a exposição e bênção com o Santíssimo Sacramento, rito que sempre ocorria nos anos anteriores.

O Santo Padre foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Massimiliano Matteo Boiardi. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

Imagem do Menino Jesus junto do Evangeliário
Ícone da Madonna lactans
Procissão de entrada
Cardeal Gambetti, Arcipreste da Basílica, incensa a imagem do Menino Jesus
Versículo introdutório das Vésperas

Homilia do Papa: Vésperas no encerramento do ano de 2023

I Vésperas da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus
Te Deum em ação de graças pelo encerramento do ano
Homilia do Papa Francisco
Basílica de São Pedro
Domingo, 31 de dezembro de 2023

A fé nos permite viver esta hora de modo diferente em relação a uma mentalidade mundana. A fé em Jesus Cristo, Deus encarnado, nascido da Virgem Maria, dá um modo novo de perceber o tempo e a vida. Eu o resumiria em duas palavras: gratidão e esperança.

Alguém poderia dizer: “Mas não é o que fazem todos nesta última noite do ano? Todos agradecem, todos esperam, crentes ou não crentes”. Talvez possa parecer assim, e talvez o seja! Mas, na realidade, a gratidão mundana, a esperança mundana, são aparentes; carecem da dimensão essencial que é aquela da relação com o Outro e com os outros, com Deus e com os irmãos. Estão focados no eu, nos seus interesses e assim têm o fôlego curto, não vão além da satisfação e do otimismo.

Nesta Liturgia, ao contrário, respira-se uma atmosfera completamente diferente: aquela do louvor, da admiração, da gratidão. E isto acontece não pela grandiosidade da Basílica, não pelas luzes e pelos cantos - estas coisas são antes a consequência -, mas pelo Mistério que a antífona do primeiro salmo assim expressou: «Admirável intercâmbio! O Criador da humanidade, assumindo corpo e alma, quis nascer de uma Virgem. Feito homem, nos doou sua própria divindade!”. Este admirável intercâmbio!


A Liturgia nos faz entrar nos sentimentos da Igreja; e a Igreja, por assim dizer, os aprende da Virgem Mãe.
Pensemos em qual teria sido a gratidão no coração de Maria enquanto olhava para Jesus recém-nascido. É uma experiência que somente uma mãe pode fazer, e que nela, na Mãe de Deus, tem uma profundidade única, incomparável. Maria sabe, ela sozinha junto com José, de onde vem aquele Menino. No entanto, está ali, respira, chora, tem necessidade de comer, de ser coberto, de ser cuidado. O Mistério dá espaço à gratidão, que aflora na contemplação do dom, na gratuidade, enquanto sufoca na ansiedade de ter e de aparecer.

terça-feira, 2 de janeiro de 2024

Anúncio das Solenidades Móveis de 2024

No próximo domingo, 07 de janeiro de 2024, celebraremos no Brasil a Solenidade da Epifania do Senhor, transferida do dia 06 de janeiro.

Na Missa dessa Solenidade, após a proclamação do Evangelho, é tradição anunciar as datas das solenidades móveis do novo ano que se inicia.
Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Solenidade da Epifania.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) costuma publicar anualmente o texto desse anúncio em seu Diretório da Liturgia.

Para este ano de 2024, no contexto da tradução brasileira da 3ª edição típica do Missal Romano, são propostos dois modelos de textos à escolha: um mais breve (novo) e outro um pouco mais longo (o mesmo que já era indicado anteriormente).

Anúncio da Páscoa e das Festas Móveis de 2024

1ª opção:

Irmãos caríssimos, sabei que, pela misericórdia de Deus, assim como nos alegramos pelo nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, também vos anunciamos a alegria da Ressurreição do mesmo Jesus, nosso Salvador.
No dia 14 de fevereiro, iniciareis o jejum da sacratíssima Quaresma com a Quarta-feira de Cinzas.
No dia 31 de março, celebrareis com alegria a santa Páscoa de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 12 de maio, ocorrerá a Ascensão de nosso Senhor Jesus Cristo.
No dia 19 de maio, a festa de Pentecostes.
No dia 30 de maio, a festa do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo.
No dia 01 de dezembro, será o 1º domingo do Advento de nosso Senhor Jesus Cristo.
A Ele louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

2ª opção:

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se, e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos.
Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo recordamos e vivemos os mistérios da salvação.
O centro de todo o Ano Litúrgico é o Tríduo do Senhor Crucificado, Sepultado e Ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 31 de março.
Em cada Domingo, Páscoa semanal, a Santa Igreja torna presente este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte.
Da celebração da Páscoa do Senhor procedem todas as celebrações do Ano Litúrgico:
as Cinzas, início da Quaresma, a 14 de fevereiro;
a Ascensão do Senhor, a 12 de maio;
Pentecostes, a 19 de maio;
Corpo e Sangue de Cristo, a 30 de maio.
O Domingo do Advento ocorrerá no dia 01 de dezembro.
Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos Santos e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor.
A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos.
Amém.

Cristo, Senhor do tempo e da história
(Basílica de São Pedro no Vaticano)

Fonte:
Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Diretório da Liturgia e da Organização da Igreja no Brasil 2024. Brasília: Edições CNBB, 2023, pp. 39-40.

Festa da Sagrada Família em Nazaré (2023)

Na manhã do dia 31 de dezembro de 2023 o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, celebrou a Santa Missa da Festa da Sagrada Família na Basílica da Anunciação em Nazaré.

Após a Missa os presentes se dirigiram em procissão à vizinha igreja de São José, também conhecida como “igreja da Nutrição”, para um momento de oração.


Procissão de entrada
Incensação do ícone da Sagrada Família
Ritos iniciais
Liturgia da Palavra

Um ano de falecimento do Papa Bento XVI: Missa

No dia 31 de dezembro de 2023 completou-se um ano do falecimento do Papa Bento XVI. Portanto, foi celebrada a Santa Missa da Festa da Sagrada Família no altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, seguida de um momento de oração nas Grutas Vaticanas, junto ao túmulo do Papa alemão.

A celebração foi presidida por Dom Georg Gänswein, Arcebispo titular de Urbisaglia, que foi o Secretário do Papa Bento XVI, além de Prefeito da Casa Pontifícia de 2012 a 2023.

Procissão de entrada
Evangelho
Homilia


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

Ângelus: Festa da Sagrada Família - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 31 de dezembro de 2023

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje celebramos a Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José. O Evangelho mostra-a no templo de Jerusalém, para a apresentação do Menino ao Senhor (Lc 2,22-40). Chega ao templo onde leva como presente a mais humilde e simples das ofertas entre as previstas, testemunhando a sua pobreza. Por fim, Maria recebe uma profecia: «Uma espada transpassará a tua alma» (v. 35). Chegam na pobreza e partem com uma carga de sofrimento. Isto é surpreendente: como é que a Família de Jesus, a única família da história que pode se orgulhar da presença de Deus na carne, em vez de ser rica é pobre! Em vez de ser facilitada, parece ser dificultada! Em vez de estar livre de trabalhos, está mergulhada em grandes dores!

O que diz isto às nossas famílias, este modo de viver, a história da Sagrada Família, pobre, impedida, com grandes dores? Diz-nos uma coisa muito bonita: Deus, que muitas vezes imaginamos estar para além dos problemas, veio habitar a nossa vida com os seus problemas. Salvou-nos desta forma: não veio como adulto, mas como uma criança muito pequena; viveu em uma família, filho de uma mãe e de um pai; passou a maior parte do seu tempo nela, crescendo, aprendendo, em uma vida feita de quotidianidade, de escondimento e de silêncio. E não evitou as dificuldades, pelo contrário, escolheu uma família, uma família “perita em sofrimento”, e diz às nossas famílias: “Se estais em dificuldade, Eu sei o que sentis, também passei por isso: a minha mãe, o meu pai e Eu passamos por isso; dizei-o também à vossa família: não estais sós!”.

José e Maria «estavam admirados com as coisas que se diziam de Jesus» (v. 33), porque não pensavam que o velho Simeão e a profetisa Ana estivessem ali para dizer estas coisas. Ficaram maravilhados. E hoje quero deter-me sobre isto: sobre a capacidade de admiração. A capacidade de admiração é um segredo para nos darmos bem na família. Não nos habituarmos à normalidade das coisas. Saber, antes de tudo, maravilhar-se com Deus, que nos acompanha. E depois, maravilharmo-nos em família. Penso que é bom, no casal, saber maravilhar-se com o cônjuge, por exemplo, pegando-lhe na mão e olhando-o nos olhos, à noite, durante alguns momentos, com ternura: a maravilha leva-nos à ternura, sempre. A ternura no casamento é bela. E depois, maravilhar-se com o milagre da vida, dos filhos, encontrar tempo para brincar com eles e para ouvi-los. Pergunto-vos, pais e mães: encontrais tempo para brincar com os vossos filhos? Para os levar a passear? Ontem atendi uma pessoa ao telefone e perguntei-lhe: “Onde estás?” - “Estou na praça, levei os meus filhos a passear”. Esta é uma bonita paternidade e maternidade. E depois, maravilharmo-nos com a sabedoria dos avós. Muitas vezes, excluímos da vida os avós. Não, os avós são fontes de sabedoria. Aprendamos a maravilhar-nos com a sabedoria dos avós, com a sua história. Avós que restituem a vida ao essencial. E no final admirar-se com a sua própria história de amor - cada um de nós tem a sua: o Senhor fez-nos caminhar no amor, maravilhar-se com isso. A nossa vida tem certamente os seus aspectos negativos, mas admirar-se também com a bondade de Deus que caminha conosco, mesmo que sejamos tão inexperientes.

Que Maria, Rainha da família, nos ajude a admirar-nos: peçamos hoje a graça da admiração. Que Nossa Senhora nos ajude a maravilhar-nos todos os dias com a bondade e a sabermos ensinar aos outros a beleza da admiração.


Fonte: Santa Sé.

Homilia do Papa Bento XVI: Santa Mãe de Deus (2012)

Nesta Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, reproduzimos a Homilia e a meditação durante a oração do Ângelus proferidas pelo Papa Bento XVI (†2022) no dia 01 de janeiro de 2012, XLV Dia Mundial da Paz, com o tema “Educar os jovens para a justiça e a paz”.

Solenidade de Santa Maria Mãe de Deus
XLV Dia Mundial da Paz
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica Vaticana
Domingo, 1° de janeiro de 2012

Queridos irmãos e irmãs!
No primeiro dia do ano a Liturgia faz ressoar em toda a Igreja, estendida pelo mundo inteiro, a antiga bênção sacerdotal, que ouvimos na 1ª leitura: «O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!» (Nm 6,24-26). Esta bênção foi dada por Deus através de Moisés, a Aarão e aos seus filhos, ou seja, aos sacerdotes do povo de Israel. É um tríplice voto cheio de luz que brota da repetição do nome de Deus, o Senhor, e da imagem de seu rosto. Na verdade, para ser abençoado é necessário estar na presença de Deus, receber sobre si o seu Nome e permanecer no feixe de luz que parte do seu rosto, no espaço iluminado pelo seu olhar, que difunde a graça e a paz.

Esta é também a experiência que fizeram os pastores de Belém, que aparecem de novo no Evangelho de hoje. Eles fizeram a experiência de estar na presença de Deus, da sua bênção, não em um salão de um Palácio majestoso, na presença de um grande soberano, mas em um estábulo, diante de um “recém-nascido, deitado na manjedoura” (Lc 2,16). É justamente desse Menino que se irradia uma nova luz que brilha na escuridão da noite, como podemos ver em muitas pinturas que representam o Nascimento de Cristo. Agora, é d’Ele que nos vem a bênção: do seu nome - Jesus, que significa “Deus salva” - e do seu rosto humano, no qual Deus, o Todo-poderoso, Senhor do céu e da terra, quis se encarnar, ocultando a sua glória sob o véu da nossa carne, para nos revelar plenamente a sua bondade (cf. Tt 3,4).


Maria, a Virgem, esposa de José, a quem Deus escolheu desde o primeiro momento da sua existência para ser a Mãe do seu Filho feito homem, foi a primeira a ser preenchida por esta bênção. Ela, como a saúda Santa Isabel, é a «bendita entre as mulheres» (Lc 1,42). Toda a sua vida está na luz do Senhor, no âmbito do nome e do rosto de Deus encarnado em Jesus, o «fruto bendito do seu ventre». O Evangelho de Lucas nos apresenta Maria deste modo: totalmente dedicada a conservar e meditar no seu coração tudo o que diz respeito ao seu filho Jesus (cf. Lc 2,19.51). O mistério da sua maternidade divina, que hoje celebramos, possui de modo superabundante aquele dom da graça que toda maternidade humana traz consigo: de fato, a fecundidade do ventre sempre foi associada com a bênção de Deus. A Mãe de Deus é a primeira abençoada e é aquela que traz a bênção; Ela é a mulher que acolheu Jesus em si e o deu à luz para toda a família humana. Como reza a Liturgia, «permanecendo virgem, deu ao mundo a luz eterna, Jesus Cristo Senhor nosso» (Prefácio da Virgem Maria I).