quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Homilia do Papa: Missa pelos Bispos falecidos (2024)

Santa Missa em Sufrágio pelos Cardeais e Bispos falecidos durante o ano
Homilia do Papa Francisco
 Basílica de São Pedro - Altar da Cátedra
Segunda-feira, 04 de novembro de 2024

«Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino» (Lc 23,42). Estas são as últimas palavras dirigidas ao Senhor por um dos dois crucificados com Ele. Quem as pronuncia não é um discípulo, um daqueles que seguiram Jesus pelos caminhos da Galileia e partilharam o pão com Ele na Última Ceia. O homem que se dirige ao Senhor é, pelo contrário, um malfeitor. Alguém que só o encontra no fim da vida; alguém de quem sequer sabemos o nome.

Mas os últimos suspiros deste desconhecido tornam-se, no Evangelho, um diálogo cheio de verdade. Enquanto Jesus é «contado entre os pecadores» (Is 53,12), como Isaías tinha profetizado, uma voz inesperada levanta-se e diz: «Recebemos o castigo que as nossas ações mereciam; mas Ele nada praticou de condenável» (Lc 23,41). E realmente é assim. Este condenado representa-nos a todos; podemos dar-lhe o nosso nome. Podemos, sobretudo, fazer nosso o seu apelo: “Jesus, lembra-te de mim”. Mantém-me vivo na tua memória. Não te esqueças de mim.


Meditemos sobre este ato: recordar. Recordar significa “trazer de volta ao coração”, re-cordar, voltar a pôr no coração. Aquele homem, crucificado com Jesus, transforma uma dor extrema em uma oração: “Leva-me no teu coração, Jesus”. E não o pede com a voz agonizante de um derrotado, mas em um tom cheio de esperança. Tudo o que deseja o malfeitor que morre como discípulo da última hora é um coração hospitaleiro. E isto é tudo o que lhe importa, agora que está nu diante da morte. E o Senhor, como sempre, ouve a oração do pecador, até ao fim. Transpassado pela dor, o coração de Cristo abre-se para salvar o mundo - é um coração aberto, não fechado: acolhe, moribundo, a voz dos moribundos. Jesus morre conosco, porque morre por nós.

Ângelus: XXXI Domingo do Tempo Comum - Ano B

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 03 de novembro de 2024

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da Liturgia de hoje (Mc 12,28-34) fala-nos de uma das tantas discussões que Jesus teve no templo de Jerusalém. Um dos escribas aproxima-se e interroga-o: «Qual é o primeiro de todos os mandamentos?» (v. 28). Jesus responde juntando duas palavras fundamentais da lei mosaica: «Amarás o Senhor, teu Deus» e «amarás o teu próximo» (vv. 30-31).

Com a sua pergunta, o escriba procura “o primeiro” dos mandamentos, ou seja, um princípio que está na base de todos os mandamentos; os judeus tinham muitos preceitos e procuravam a base de todos, um que fosse o fundamental; tentavam chegar a um acordo sobre um fundamental, e haviam discussões entre eles, boas discussões porque procuravam a verdade. E esta questão é essencial também para nós, para a nossa vida e para o caminho da nossa fé. Na verdade, também nós, por vezes, nos sentimos dispersos em tantas coisas e nos perguntamos: mas, afinal, qual é a coisa mais importante de todas? Onde posso encontrar o centro da minha vida, da minha fé? Jesus dá-nos a resposta, unindo estes dois mandamentos, que são os principais: «Amarás o Senhor teu Deus» e «amarás o teu próximo». E isto é um pouco o coração da nossa fé.

Todos nós - sabemo-lo - precisamos regressar ao coração da vida e da fé, porque o coração é «a fonte e a raiz de todas as outras forças, convicções...» (Encíclica Dilexit nos, n. 9). E Jesus diz-nos que a fonte de tudo é o amor, que nunca devemos separar Deus do homem. Ao discípulo de cada tempo, o Senhor diz: no teu caminho, o que conta não são as práticas exteriores, como os holocaustos e os sacrifícios (v. 33), mas a disposição do coração com que tu te abres a Deus e aos irmãos no amor. Irmãos e irmãs, nós podemos fazer tantas coisas, de fato, mas fazê-las só para nós mesmos e sem amor, e isso não é bom; fazê-las com o coração distraído ou com o coração fechado, não pode ser assim. Todas as coisas devem ser feitas com amor.

O Senhor virá e nos perguntará, antes de tudo, sobre o amor: “Como amaste?” É crucial, portanto, fixar no nosso coração o mandamento mais importante. Qual é? Ama o Senhor, teu Deus e ama o teu próximo como a ti mesmo. E todos os dias fazer o nosso exame de consciência e nos perguntarmos: o amor a Deus e ao próximo é o centro da minha vida? A minha oração a Deus me impele a ir ter com os meus irmãos e a amá-los com gratuidade? Reconheço a presença do Senhor no rosto dos outros?

A Virgem Maria, que trazia a lei de Deus impressa no seu Coração Imaculado, nos ajude a amar o Senhor e os irmãos.

Os fariseus questionam Jesus (James Tissot)

Fonte: Santa Sé.

Observação: No Brasil celebramos neste domingo a Solenidade de Todos os Santos, transferida do dia 01 de novembro.

quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Leitura litúrgica da Carta aos Efésios (3)

“Há um só Senhor, uma só fé, um só Batismo” (Ef 4,5).

Nas postagens anteriores desta série sobre a leitura litúrgica dos livros da Sagrada Escritura iniciamos um estudo sobre a presença da Carta de São Paulo aos Efésios (Ef) nas celebrações do Rito Romano.

Após uma breve introdução, analisamos sua leitura sob o critério da composição harmônica (sintonia com o tempo ou a festa litúrgica), como indicado pelo Elenco das Leituras da Missa (n. 66) [1], na Celebração Eucarística. Para acessar, clique aqui: 1ª parte / 2ª parte.

Agora prosseguiremos com os demais Sacramentos e os Sacramentais.


2. Leitura litúrgica da Carta aos Efésios: Composição harmônica

b) Sacramentos

Além da Eucaristia, a Carta aos Efésios consta entre as opções de leitura ad libitum (à escolha) de todos os outros seis Sacramentos.

Primeiramente, em relação à Iniciação Cristã de Adultos, vale destacar o Rito da eleição ou inscrição do nome, que tradicionalmente se celebra no I Domingo da Quaresma e com o qual tem início o “Tempo da Purificação e Iluminação”. Quando esse rito se celebra na Missa, entoa-se a antífona da Comunhão da sexta-feira da IV semana da Quaresma, como vimos anteriormente: “Temos a redenção em Cristo pelo seu sangue e a remissão dos pecados segundo as riquezas de sua graça” (Ef 1,7) [2].

No IV Domingo da Quaresma, por sua vez, celebra-se o II Escrutínio, com uma leitura de Efésios, que é proclamada mesmo quando os Escrutínios são celebrados em outro tempo: Ef 5,8-14 [3], sobre o tema da “iluminação”.

Para a celebração do sacramento do Batismo há três leituras ad libitum (à escolha) da nossa Carta:
- Ef 1,3-10.13-14: o “hino”, que como o Batismo possui uma dinâmica trinitária, destacando-se aqui também o tema da adoção filial (vv. 5-6);
- Ef 4,1-6: a afirmação de que há “um só Senhor, uma só fé, um só Batismo”;
- Ef 5,8-14: esta leitura, sobre o tema da “iluminação” é prevista apenas para o Batismo de crianças, uma vez que os adultos já a ouviram no II Escrutínio [4].

Todos os Santos e Fiéis Defuntos em Budapeste (2024)

O Arcebispo de Esztergom-Budapeste (Hungria), Cardeal Péter Erdő, presidiu nos dias 01 e 02 de novembro de 2024 as celebrações da Solenidade de Todos os Santos e da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos:

Na tarde do dia 01 de novembro o Cardeal celebrou a Missa da Solenidade de Todos os Santos na Catedral Basílica da Assunção de Maria e Santo Adalberto em Esztergom, no final da qual conduziu um momento de oração pelos fiéis defuntos:

Procissão de entrada
Incensação
Ritos iniciais
Evangelho
Homilia

terça-feira, 5 de novembro de 2024

Todos os Santos e Fiéis Defuntos em Cracóvia (2024)

Nos dias 01 e 02 de novembro de 2024 o Arcebispo Emérito de Cracóvia (Polônia), Cardeal Stanisław Dziwisz, presidiu as celebrações da Solenidade de Todos os Santos e da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos:

Na tarde do dia 01 de novembro o Cardeal celebrou a Missa da Solenidade de Todos os Santos no Santuário de São João Paulo II, no final da qual abençoou os túmulos presentes na igreja:

A presença do círio pascal junto ao altar nessa celebração, porém, constitui um abuso litúrgico, já que fora do Tempo Pascal este é aceso apenas no Batismo e nas Exéquias (Carta Circular Paschalis Solemnitatis, n. 99).

Procissão de entrada
Incensação do altar
Ritos iniciais
Evangelho

segunda-feira, 4 de novembro de 2024

Comemoração dos Fiéis Defuntos em Roma (2024)

No dia 02 de novembro de 2024 o Papa Francisco presidiu sem celebrar (embora endossando a casula, ao invés do pluvial) a Santa Missa da Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos no Cemitério Laurentino em Roma (que o Papa já havia visitado em 2018).

A Liturgia Eucarística, por sua vez, foi celebrada por Dom Diego Giovanni Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias.

Após o Evangelho o Papa não proferiu a homilia, optando por observar alguns instantes de silêncio.

O Papa reza junto aos túmulos de crianças


Santa Missa: Sinal da cruz
Ato Penitencial

Ângelus: Solenidade de Todos os Santos (2024)

Solenidade de Todos os Santos
Papa Francisco
Ângelus
Sexta-feira, 1° de novembro de 2024

Amados irmãos e irmãs, bom dia e feliz festa!
Hoje, Solenidade de Todos os Santos, no Evangelho (Mt 5,1-12) Jesus proclama a carteira de identidade do cristão. E qual é a carteira de identidade do cristão? As bem-aventuranças. É a nossa carteira de identidade e também o caminho da santidade (cf. Exortação Apostólica Gaudete et exsultate, n. 63). Jesus indica-nos um caminho, o caminho do amor, que Ele mesmo percorreu por primeiro fazendo-se homem, e que para nós é simultaneamente dom de Deus e resposta nossa. Dom e resposta.

É dom de Deus, porque, como diz São Paulo, é Ele que santifica (cf. 1Cor 6, 11). Por isso, é antes de tudo ao Senhor que pedimos que nos santifique, que torne o nosso coração semelhante ao seu (cf. Encíclica Dilexit nos, n. 168). Com a sua graça, Ele cura-nos e liberta-nos de tudo o que nos impede de amar como Ele nos ama (cf. Jo 13,34), para que em nós, como dizia o Beato Carlo Acutis, haja sempre «menos de mim para deixar espaço a Deus».

E isto leva-nos ao segundo ponto: a nossa resposta. O Pai do céu, de fato, oferece-nos a sua santidade, mas não a impõe. Ele semeia-a em nós, faz-nos saboreá-la e ver a sua beleza, mas depois espera a nossa resposta. Deixa-nos a liberdade de seguir as suas boas inspirações, deixar-nos envolver pelos seus projetos, fazer nossos os seus sentimentos (cf. Dilexit nos, n. 179), pondo-nos, como Ele nos ensinou, ao serviço dos outros, com uma caridade cada vez mais universal, aberta e dirigida a todos, ao mundo inteiro.

Vemos tudo isto na vida dos santos, também no nosso tempo. Pensemos, por exemplo, em São Maximiliano Kolbe, que em Auschwitz pediu para tomar o lugar de um pai de família condenado à morte; ou em Santa Teresa de Calcutá, que passou a sua existência ao serviço dos mais pobres entre os pobres; ou no Bispo Santo Oscar Romero, assassinado no altar por ter defendido os direitos dos últimos contra os abusos dos prepotentes. E assim podemos fazer a lista de tantos santos, tantos: os que veneramos nos altares e outros, a quem gosto de chamar os santos da “porta ao lado”, os de todos os dias, escondidos, que diariamente levam por diante a sua vida cristã. Irmãos e irmãs, quanta santidade escondida existe na Igreja! Reconhecemos tantos irmãos e irmãs plasmados pelas bem-aventuranças: pobres, mansos, misericordiosos, famintos e sedentos de justiça, promotores da paz. São pessoas “cheias de Deus”, incapazes de ficar indiferentes às necessidades do próximo; são testemunhas de caminhos luminosos, que também são possíveis para nós.

Perguntemo-nos agora: peço a Deus, na oração, o dom de uma vida santa? Deixo-me guiar pelos bons impulsos que o seu Espírito suscita em mim? E comprometo-me pessoalmente a praticar as bem-aventuranças do Evangelho, nos ambientes em que vivo?

Maria, Rainha de todos os Santos, nos ajude a fazer da nossa vida um caminho de santidade.

Glória de Todos os Santos
(Giovanni Battista Ricci)

Fonte: Santa Sé.