segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Recognitio das Portas Santas: Jubileu 2025

Na primeira semana de dezembro de 2024 foi celebrado o rito da Recognitio das Portas Santas das quatro Basílicas Maiores em Roma em vista do Jubileu Ordinário de 2025.

Cada uma das Basílicas Maiores (São João do Latrão, São Pedro no Vaticano, São Paulo fora dos muros e Santa Maria Maior), com efeito, possui uma Porta Santa, que só é aberta nos Jubileus, sendo murada fora deles.

O rito da Recognitio (reconhecimento) consiste na derrubada do muro (smuratura) que foi levantado no encerramento do Jubileu Extraordinário da Misericórdia (2016) e da retirada da urna depositada dentro do mesmo, com a ata do último Jubileu, tijolos e medalhas comemorativas e as chaves da Porta Santa.

O rito foi presidido pelos Arciprestes das Basílicas, com a presença de Dom Rino Fisichella, responsável pela organização do Jubileu, Dom Diego Giovanni Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, e os cônegos de cada Basílica (ou os monges beneditinos, no caso da Basílica de São Paulo).

02 de dezembro

O rito foi presidido pelo Arcipreste, Cardeal Mauro Gambetti, assistido pelo Monsenhor Marco Agostini.

Início do rito
Derrubada do muro
Procissão com a urna
Momento de oração diante do altar
Abertura da urna na Sala Capitular

sábado, 7 de dezembro de 2024

Homilia do Papa João Paulo II: Imaculada Conceição (2004)

Há 20 anos, no dia 08 de dezembro de 2004, o Papa São João Paulo II celebrou a Santa Missa da Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-aventurada Virgem Maria na Basílica de São Pedro por ocasião dos 150 anos da proclamação do dogma da Imaculada Conceição (1854).

Reproduzimos a seguir sua homilia na ocasião e a oração proferida na tarde do mesmo dia na tradicional homenagem à Imaculada na Praça de Espanha.

Santa Missa nos 150 anos do dogma da Imaculada Conceição
Homilia do Papa João Paulo II
Basílica de São Pedro
Quarta-feira, 08 de dezembro de 2004

1. “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28).
É com estas palavras do Arcanjo Gabriel que nos dirigimos à Virgem Maria várias vezes por dia. Repetimo-las hoje com alegria fervorosa, na Solenidade da Imaculada Conceição, recordando o dia 08 de dezembro de 1854, quando o Beato Pio IX proclamou este admirável dogma da fé católica, precisamente nesta Basílica do Vaticano.
Saúdo cordialmente quantos se encontram hoje aqui reunidos, em particular os representantes das Sociedades Mariológicas Nacionais, que participaram do Congresso Mariológico Mariano Internacional, organizado pela Pontifícia Academia Mariana.
Além disso, saúdo todos vós aqui presentes, caríssimos irmãos e irmãs, que viestes para prestar uma homenagem filial à Virgem Imaculada. Saúdo de maneira especial o Cardeal Camillo Ruini, a quem renovo os meus bons votos mais cordiais pelo seu jubileu sacerdotal, expressando-lhe toda a minha gratidão pelo serviço que, com dedicação generosa, prestou e continua a prestar à Igreja como meu Vigário Geral para a Diocese de Roma e como Presidente da Conferência Episcopal Italiana.



2. Como é grandioso o mistério da Imaculada Conceição, que a Liturgia hodierna nos apresenta!
Mistério que não cessa de atrair a contemplação dos fiéis e inspira a reflexão dos teólogos. O tema do Congresso agora recordado - “Maria de Nazaré acolhe o Filho de Deus na história” - favoreceu um aprofundamento da doutrina da concepção imaculada de Maria como pressuposto para o acolhimento no seio virginal do Verbo de Deus encarnado, Salvador do gênero humano.
“Cheia de graça”, “kecharitomene”: é com este apelativo que, segundo o grego original do Evangelho de Lucas, o Anjo se dirige a Maria. Este é o nome com que Deus, através do seu mensageiro, desejou qualificar a Virgem. Foi desta maneira que Ele a considerou e viu desde sempre, ab aeterno.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Raniero Cantalamessa: I pregação de Advento 2014

“Eu vos dou a minha paz” (Jo 14,27).

Há 10 anos, durante o Advento de 2014, o Padre Raniero Cantalamessa, Pregador da Casa Pontifícia de 1980 a 2024 (criado Cardeal em 2020), proferiu três meditações sobre a paz. Confira a seguir a primeira das três reflexões:

Padre Raniero Cantalamessa, OFMCap
I Pregação de Advento
05 de dezembro de 2014

“Eu vos dou a minha paz” (Jo 14,27):
A paz como dom de Deus em Jesus Cristo

1. Estamos em paz com Deus!

Se pudéssemos ouvir o grito mais forte que existe no coração de bilhões de pessoas, ouviríamos, em todas as línguas do mundo, uma única palavra: paz! A dolorosa atualidade deste tema, junto com a necessidade de se devolver à palavra “paz” a riqueza e a profundidade de significado de que ela se reveste na Bíblia, me levou a dedicar a este tema as meditações de Advento deste ano. Ela nos ajudará, espero eu, a escutar com ouvidos novos o anúncio natalino - “Paz na terra aos homens que Deus ama” - e a começar a viver em nosso interior a mensagem que a Igreja, todos os anos, apresenta ao mundo na Jornada Mundial da Paz.

Comecemos ouvindo o anúncio fundamental da paz. São palavras de Paulo na Carta aos Romanos: “Justificados, pois, pela fé, estamos em paz com Deus por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, mediante o qual também tivemos, pela fé, o acesso a esta graça em que estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus (Rm 5,1-2).

A pomba com o ramo de oliveira, símbolo da paz

Eu ainda me lembro do que aconteceu no dia em que acabou, para a Itália, a Segunda Guerra Mundial. Os gritos de “Armistício! Paz!” ribombaram da cidade ao campo, de casa em casa. Era o fim de um pesadelo: basta de terror, basta de bombardeios, basta de fome. Parecia que finalmente se voltava a viver. Algo assim deve ter sido provocado, no coração dos leitores, por aquele anúncio do Apóstolo: “Nós estamos em paz com Deus! Foi selada a paz! Uma era nova começou para a humanidade na sua relação com Deus!”. A época deles já foi definida como “de angústia” [1]. Os homens daquele tempo tinham a impressão (nada infundada, aliás) de que uma condenação pesava sobre a sua cabeça; Paulo a chamava de “cólera de Deus que se revela do céu contra toda impiedade” (Rm 1,18). Daí os ritos e cultos esotéricos de propiciação que pululavam na sociedade pagã daquele tempo.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Ladainha para o Advento

“Eis que venho logo, diz o Senhor...” (Ap 22,12).

Em postagens anteriores apresentamos aqui em nosso blog as oito Ladainhas aprovadas pela Igreja e que, portanto, podem ser entoadas nas celebrações litúrgicas: do Santíssimo Nome de Jesus; do Sagrado Coração; do Preciosíssimo Sangue; de Nossa Senhora; de São José; de Todos os Santos; de Jesus Cristo, Sacerdote e Vítima; e do Santíssimo Sacramento [1].

Neste ano de 2024, por sua vez, destacamos outras duas Ladainhas presentes em um célebre livro de orações do século XVII, editado entre 1612 e 1618, o Fasciculus Sacrarum Orationum et Litaniarum ad usum quotidianum Christiani hominis, ex sanctis Scripturis et Patribus collectus: a Ladainha para a Quaresma (Litaniae in Quadragesima) e a Ladainha da Santa Cruz (Litaniae de Sancta Cruce).

Estas duas últimas não foram aprovadas oficialmente pela Igreja, podendo ser rezadas de maneira privada, como devoção pessoal, ou de forma comunitária em momentos de oração fora da Liturgia (novenas, horas-santas...).

Dando continuidade à proposta, destacamos aqui a Ladainha a Cristo no Advento (Litaniae ad Christum in Adventu), cujas invocações, como indica seu subtítulo, são tomadas da Sagrada Escritura (ex Scriptura Sacra).

Para saber mais sobre esse Tempo, confira nossa postagem sobre a história do Advento.

Ícone da “árvore de Jessé”
(A Virgem Maria e o Menino Jesus ladeados pelos profetas)

Após as tradicionais invocações iniciais a Cristo e à Trindade, com efeito, a Ladainha para o Advento traz 42 invocações a Cristo tomadas tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, com a resposta miserere nobis (tende piedade de nós).

Algumas dessas invocações ou “títulos messiânicos” são retomadas nas célebres “Antífonas do Ó” (entoadas de 17 a 23 de dezembro) e no hino Akathistos em honra da Mãe de Deus, recordando sua participação no mistério da Encarnação.

Seguem-se 16 súplicas a Cristo para que nos livre do mal, invocando sobretudo os méritos da sua Encarnação, com a resposta libera nos, Domine (livrai-nos, Senhor); e outras 12 súplicas para que nos ajude a vencer o pecado e praticar a virtude, com a resposta te rogamus, audi nos (ouvi-nos, Senhor).

Concluem a Ladainha, como de costume, algumas invocações a Cristo como Cordeiro de Deus, a oração do Senhor (Pai nosso) e alguns responsórios, além de cinco orações.

Reproduzimos a seguir o texto original da Ladainha (em latim), conforme presente no Fasciculus Sacrarum Orationum et Litaniarum, seguido de uma tradução livre nossa.

Uma vez que atualmente se recomenda priorizar uma oração (cf. Instrução Geral do Missal Romano, n. 54), propomos apenas a primeira das cinco indicadas: a antiga coleta (oração do dia) do I Domingo do Advento (Excita, quaesumus, Domine), atualmente rezada na sexta-feira da I semana.

Não obstante, é possível tomar outra oração adequada dentre aquelas propostas pelo Missal Romano para o Tempo do Advento.

Litaniae ad Christum in Adventu
(ex Scriptura Sacra)

Kyrie eleison. Kyrie eleison.
Christe eleison. Christe eleison.
Kyrie eleison. Kyrie eleison.

Christe, audi nos.
Christe, exaudi nos.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

I Domingo do Advento em Belém (2024)

Nos dias 30 de novembro e 01 de dezembro de 2024 o Custódio da Terra Santa, Padre Francesco Patton, presidiu as tradicionais celebrações do I Domingo do Advento na igreja de Santa Catarina junto à Basílica da Natividade em Belém: as I Vésperas na tarde do sábado, dia 30, e a Santa Missa no domingo, dia 01.

Durante o cântico evangélico das Vésperas (Magnificat), como de costume, o Custódio desceu até a Gruta da Natividade, acendendo a primeira vela da coroa do Advento em uma das lamparinas do altar da Manjedoura.

30 de novembro: I Vésperas

Ingresso na Basílica da Natividade pela “Porta da Humildade”
Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento
I Vésperas: Procissão de entrada
(O Custódio entroniza a relíquia da manjedoura)
Salmodia

Ângelus: I Domingo do Advento - Ano C

Papa Francisco
Ângelus
Domingo, 1° de dezembro de 2024

Prezados irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da Liturgia de hoje (Lc 21,25-28.34-36), I Domingo do Advento, fala-nos de perturbações cósmicas e de ansiedade e medo na humanidade. Neste contexto, Jesus dirige uma palavra de esperança aos seus discípulos: «Levantai-vos e erguei a cabeça, porque a vossa libertação está próxima» (v. 28). A preocupação do Mestre é que os seus corações não se tornem pesados (cf. v. 34) e que aguardem com vigilância a vinda do Filho do homem.

O convite de Jesus é este: erguer a cabeça ao alto e manter o coração leve e desperto.

De fato, muitos contemporâneos de Jesus, perante os acontecimentos catastróficos que veem acontecer à sua volta - perseguições, conflitos, calamidades naturais - são tomados pela angústia e pensam que esteja para chegar o fim do mundo. Têm o coração sobrecarregado pelo medo. Jesus, porém, quer libertá-los das angústias atuais e das falsas convicções, mostrando-lhes como estar despertos no coração, como ler os acontecimentos a partir do projeto de Deus, que realiza a salvação mesmo nos acontecimentos mais dramáticos da história. Por isso, sugere-lhes que voltem o olhar para o Céu para compreender as coisas da terra: «Levantai-vos e erguei a cabeça» (v. 28). É belo: «Levantai-vos e erguei a cabeça».

Irmãos e irmãs, também para nós é importante a recomendação de Jesus: «Que vossos corações não fiquem insensíveis», pesados (v. 34). Todos nós, em tantos momentos da vida, nos perguntamos: como ter um coração “leve”, um coração desperto, um coração livre? Um coração que não se deixa esmagar pela tristeza? E a tristeza é negativa, é negativa! Com efeito, pode acontecer que as ansiedades, os medos e as aflições sobre a nossa vida pessoal ou pelo que se passa no mundo hoje, pesem sobre nós como pedras e nos atirem para o desânimo. Se as preocupações tornam pesado o coração e nos levam a fechar-nos em nós mesmos, Jesus, ao contrário, convida-nos a levantar a cabeça, a confiar no seu amor que nos quer salvar e que se faz próximo em cada situação da nossa existência, pede-nos que lhe demos espaço para redescobrir a esperança.

Perguntemo-nos então: o meu coração está sobrecarregado pelo medo, pelas preocupações, pelas ansiedades do futuro? Sei olhar os acontecimentos quotidianos e as vicissitudes da história com os olhos de Deus, na oração, com um horizonte mais amplo? Ou deixo-me dominar pelo desânimo? Que este Tempo do Advento seja uma ocasião preciosa para erguer o nosso olhar para Ele, que alivia o coração e nos sustenta no caminho.

Invoquemos agora a Virgem Maria, que, mesmo nos momentos de provação, esteve pronta a acolher o projeto de Deus.

Última vinda de Cristo
(Igreja de São Lourenço em Viena, Áustria)

Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Festa de Santo André em Istambul (2024)

No dia 30 de novembro de 2024 o Patriarca Bartolomeu de Constantinopla celebrou na Catedral de São Jorge em Istambul (Turquia) a Divina Liturgia da Festa de Santo André, Apóstolo, padroeiro do Patriarcado Ecumênico.

Como de costume, esteve presente uma delegação da Igreja de Roma, presidida pelo Cardeal Kurt Koch, Prefeito do Dicastério para a Unidade dos Cristãos, que leu uma mensagem do Papa Francisco no final da celebração.

Entrada do Patriarca
Litania da paz
O Patriarca abençoa os fiéis
Incensação