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sexta-feira, 29 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Índice

“A esperança nasce do amor e se fundamenta no amor que brota do Coração de Jesus” (Bula Spes non confundit, n. 3).

De dezembro de 2025 a maio de 2026 publicamos aqui em nosso blog as Catequeses proferidas pelos Papas Francisco (†2025) e Leão XIV ao longo do Jubileu Ordinário de 2025.

Para saber mais, confira nossa postagem com o Calendário do Jubileu 2025.

Com o título de “Jesus Cristo, nossa esperança” (cf. 1Tm 1,1), o ciclo de Catequeses foi iniciado pelo Papa Francisco no dia 18 de dezembro de 2024. Após a sua morte o Papa Leão XIV deu continuidade às reflexões, concluídas no dia 17 de dezembro de 2025.

Confira a seguir os links para as 38 Catequeses, divididas em quatro seções: a infância de Jesus, a vida de Jesus, a Páscoa de Jesus, a Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo atual.


I. A INFÂNCIA DE JESUS

1. Genealogia de Jesus (Mt 1,1-17)
2. O anúncio a Maria (Lc 1,26-38)

3. O anúncio a José (Mt 1,18-24)

6. A visita dos Magos (Mt 2,1-12)


II. A VIDA DE JESUS

a) Os encontros

1. Nicodemos (Jo 3)
2. A samaritana (Jo 4)

3. Zaqueu (Lc 19,1-10)
4. O homem rico (Mc 10,17-22)

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 4

Concluindo a publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos as duas últimas meditações do Papa Leão XIV sobre “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”:

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.7. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
A Páscoa de Jesus Cristo, resposta definitiva à questão da nossa morte

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Sejam todos bem-vindos!
O mistério da morte sempre suscitou profundos questionamentos no ser humano. Com efeito, ela parece ser o acontecimento mais natural e, ao mesmo tempo, mais antinatural que existe. É natural, porque na terra todos os seres vivos morrem. É antinatural, porque o desejo de vida e de eternidade que sentimos por nós mesmos e pelas pessoas que amamos nos faz ver a morte como uma condenação, como um “contrassenso”.

Muitos povos antigos desenvolveram ritos e costumes ligados ao culto dos mortos, para acompanhar e recordar aqueles que se encaminhavam ao mistério supremo. Hoje, porém, se verifica uma tendência diferente. A morte parece uma espécie de tabu, um acontecimento a manter distante; algo de que falar em voz baixa, para evitar perturbar a nossa sensibilidade e tranquilidade. Por isso, muitas vezes se evita até mesmo visitar os cemitérios, onde quem nos precedeu repousa à espera da ressurreição.

O Ressuscitado conduz as almas dos justos ao Paraíso
(Nikolay Koshelev, detalhe)

Portanto, o que é a morte? É realmente a última palavra sobre a nossa vida? Só o ser humano se coloca esta pergunta, porque somente ele sabe que deve morrer. Mas ser consciente disso não o salva da morte; antes, em certo sentido, isso o “sobrecarrega” em relação a todas as outras criaturas vivas. Os animais sofrem, certamente, e percebem que a morte está próxima, mas não sabem que a morte faz parte do seu destino. Não se interrogam sobre o sentido, sobre o fim, sobre o resultado da vida.

Constatando esse aspecto, deveríamos então pensar que somos criaturas paradoxais, infelizes, não só porque morremos, mas também porque temos a certeza de que este acontecimento ocorrerá, embora ignoremos como e quando. Descobrimo-nos conscientes e, ao mesmo tempo, impotentes. Provavelmente é daqui que provêm as frequentes repressões, as fugas existenciais perante a questão da morte.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 3

Quase concluindo a publicação das Catequeses do Papa Leão XIV durante o Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira nesta postagem a quinta e a sexta meditações sobre “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”:

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 19 de novembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.5. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
Espiritualidade pascal e ecologia integral

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bem-vindos!
Neste Ano jubilar dedicado à esperança estamos refletindo sobre a relação entre a Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo atual, ou seja, os nossos desafios. Às vezes Jesus, o Vivente, quer perguntar também a nós: «Por que choras? A quem procuras?». Com efeito, os desafios não podem ser enfrentados sozinhos e as lágrimas são um dom de vida quando purificam os nossos olhos e libertam a nossa vista.

O evangelista João chama a nossa atenção para um detalhe que não encontramos nos outros Evangelhos: chorando junto ao túmulo vazio, Maria Madalena não reconheceu imediatamente Jesus Ressuscitado, mas pensou que fosse o guardião do jardim. Com efeito, já ao narrar o sepultamento de Jesus, no entardecer da Sexta-feira Santa, o texto era muito específico: «No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus» (Jo 19,41-42).

O Ressuscitado e Madalena no jardim
(Pieter van Lint)

Termina assim, na paz do sábado e na beleza de um jardim, a dramática luta entre trevas e luz desencadeada pela traição, a prisão, o abandono, a condenação, a humilhação e a morte do Filho, que «tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim» (Jo 13,1). Cultivar e cuidar do jardim é a tarefa original (cf. Gn 2,15) que Jesus levou a cumprimento. A sua última palavra na cruz - «Tudo está consumado» (Jo 19,30) - convida cada um a reencontrar a mesma tarefa, a sua tarefa. Por isso, «inclinando a cabeça, entregou o espírito» (ibid.).

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 2

Prosseguindo com as reflexões do Papa Leão XIV sobre “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”, trazemos nesta postagem a terceira e a quarta meditações dessa que é a última seção do ciclo de Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”:

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 05 de novembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.3. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
A Páscoa dá esperança à vida quotidiana

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! E bem-vindos todos!
A Páscoa de Jesus é um acontecimento que não pertence a um passado distante, agora sedimentado na tradição como tantos outros episódios da história humana. A Igreja nos ensina a fazer memória atualizadora da Ressurreição todos os anos no Domingo de Páscoa e todos os dias na Celebração Eucarística, durante a qual se realiza de forma mais plena a promessa do Senhor Ressuscitado: «Eis que Eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo» (Mt 28,20).

Por isso o Mistério Pascal constitui o eixo da vida do cristão, em torno do qual giram todos os outros acontecimentos. Podemos dizer, então, sem qualquer irenismo ou sentimentalismo, que todo dia é Páscoa. De que maneira?

«Ele não está aqui. Ressuscitou» (Mc 16,6) 
(Johann Georg Trautmann)

Vivemos a cada hora tantas experiências diferentes: dor, sofrimento, tristeza, entrelaçadas com alegria, admiração, serenidade. Mas em todas as situações o coração humano anseia pela plenitude, por uma felicidade profunda. Uma grande filósofa do século XX, Santa Teresa Benedita da Cruz, cujo nome era Edith Stein, que tanto aprofundou o mistério da pessoa humana, nos recorda esse dinamismo de constante busca da realização: «O ser humano anseia sempre por receber novamente o dom do ser, para poder aproveitar aquilo que o momento lhe dá e, ao mesmo tempo, lhe tira» (Essere finito ed Essere eterno: Per una elevazione al senso dell’essere, Roma, 1998, 387). Estamos imersos no limite, mas também nos esforçamos por superá-lo.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Ressurreição 1

Neste Tempo Pascal retomamos e concluímos a publicação das Catequeses proferidas pelo Papa Leão XIV durante o Jubileu Ordinário de 2025: “Jesus Cristo, nossa esperança”.

Após as reflexões sobre a infância, a vida pública e a Páscoa de Jesus, confira nesta postagem as primeiras duas meditações da quarta e última seção: “A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje”.

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 15 de outubro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
4.1. A Ressurreição de Cristo e os desafios do mundo de hoje:
O Ressuscitado, fonte viva da esperança humana

Queridos irmãos e irmãs, bom dia,
Nas Catequeses do Ano Jubilar, até este momento, percorremos a vida de Jesus seguindo os Evangelhos, do Nascimento até a Morte e Ressurreição. Assim, a nossa peregrinação na esperança encontrou o seu fundamento sólido, o seu caminho seguro. Agora, na última parte do caminho, deixaremos que o mistério de Cristo, que culmina na Ressurreição, irradie a sua luz de salvação em contato com a realidade humana e histórica atual, com as suas interrogações e os seus desafios.

Ressurreição de Cristo (Nicolas Bertin)

A nossa vida é marcada por inúmeros acontecimentos, cheios de diferentes nuances e experiências. Às vezes nos sentimos alegres, outras vezes tristes, outras ainda realizados, ou estressados, gratificados ou desmotivados. Vivemos muito ocupados, nos concentramos para obter resultados, até chegamos a atingir metas elevadas, prestigiadas. Por outro lado, permanecemos suspensos, precários, à espera de sucessos e reconhecimentos que demoram a chegar, ou que nunca chegam. Em suma, experimentamos uma situação paradoxal: gostaríamos de ser felizes, porém é muito difícil conseguir ser feliz de modo contínuo e sem sombras. Fazemos as contas com o nosso limite e, ao mesmo tempo, com o ímpeto irreprimível de procurar ultrapassá-lo. No íntimo, sentimos que nos falta sempre algo.

Na verdade, não fomos criados para a falta, mas para a plenitude, para se alegrar com a vida, com a vida em abundância, segundo a expressão de Jesus no Evangelho de João (cf. Jo 10,10).

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 5

Nesta Oitava Pascal, concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus proferidas pelo Papa Leão XIV como parte das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos suas meditações sobre a Ressurreição (Jo 20,19-23) e sobre os discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 01 de outubro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.9. A Páscoa de Jesus: A Ressurreição (Jo 20,19-23)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
O centro da nossa fé e o coração da nossa esperança se encontram bem enraizados na Ressurreição de Cristo. Lendo atentamente os Evangelhos, compreendemos que este mistério é surpreendente não só porque um homem - o Filho de Deus - ressuscitou dos mortos, mas também pelo modo como escolheu fazê-lo. Com efeito, a Ressurreição de Jesus não é um triunfo retumbante, não é uma vingança ou uma revanche contra os seus inimigos. É o testemunho maravilhoso de como o amor é capaz de se levantar depois de uma grande derrota para prosseguir o seu irrefreável caminho.

Quando nos levantamos depois de um trauma causado por outros, muitas vezes a primeira reação é a raiva, o desejo de fazer alguém pagar pelo que sofremos. O Ressuscitado não reage desse modo. Saindo da mansão dos mortos, Jesus não se vinga de modo algum. Não volta com gestos de poder, mas manifesta com mansidão a alegria de um amor maior do que qualquer ferida e mais forte do que qualquer traição.

Encontro do Ressuscitado com os Apóstolos
(Franciszek Smuglewicz)

O Ressuscitado não sente necessidade alguma de reiterar ou afirmar a sua superioridade. Ele aparece aos seus amigos - os discípulos - e o faz com extrema discrição, sem forçar os tempos da sua capacidade de acolhida. O seu único desejo é voltar a estar em comunhão com eles, ajudando-os a superar o sentimento de culpa. Vemos muito bem isso no Cenáculo, onde o Senhor aparece aos seus amigos fechados no medo. É um momento que manifesta uma força extraordinária: depois de ter descido aos abismos da morte para libertar aqueles que estavam presos ali, Jesus entra na sala fechada daqueles que estão paralisados pelo medo, levando um dom que ninguém ousaria esperar: a paz!

A sua saudação é simples, quase banal: «A paz esteja convosco!» (Jo 20,19). Mas é acompanhada por um gesto tão belo que chega a ser quase inconveniente: Jesus mostra aos discípulos as mãos e o lado, com os sinais da Paixão. Por que exibir as feridas precisamente diante de quem, naquelas horas dramáticas, o negou e abandonou? Por que não esconder esses sinais de dor e evitar reabrir a ferida da vergonha?

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 4

Quase concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira as duas meditações do Papa Leão XIV ligadas ao Sábado Santo: o sepulcro (Jo 19,38-42) e a descida (1Pd 3,18-19).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.7. A Páscoa de Jesus: O sepulcro (Jo 19,38-42)

Queridos irmãos e irmãs,
No nosso caminho de Catequeses sobre Jesus, nossa esperança, contemplemos hoje o mistério do Sábado Santo. O Filho de Deus jaz no sepulcro. Mas esta sua “ausência” não é um vazio: é espera, plenitude contida, promessa guardada na escuridão. É o dia do grande silêncio, no qual o céu parece mudo e a terra imóvel, mas é precisamente ali que se realiza o mistério mais profundo da fé cristã. É um silêncio “grávido” de sentido, como o ventre de uma mãe que guarda o filho que ainda não nasceu, mas já está vivo.

O corpo de Jesus, descido da cruz, é cuidadosamente envolvido em faixas, como se faz com o que é precioso. O evangelista João nos diz que foi sepultado em um jardim, dentro de «um túmulo novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado» (Jo 19,41). Nada é deixado ao acaso. Aquele jardim remete ao Éden perdido, o lugar onde Deus e o homem estavam unidos. E aquele sepulcro nunca usado fala de algo que ainda deve acontecer: é um limiar, não um fim. No início da criação, Deus plantou um jardim; agora também a nova criação tem início em um jardim: com um túmulo fechado que logo se abrirá!

Sepultamento de Jesus (Alessandro Tiarini)

O Sábado Santo é também um dia de repouso. Segundo a Lei judaica, no sétimo dia não se deve trabalhar: com efeito, após seis dias de criação, Deus descansou (cf. Gn 2,2). Agora também o Filho, depois de ter completado a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até o fim. Não há mais nada a acrescentar. Esse descanso é o selo da obra realizada, é a confirmação de que aquilo que devia ser feito foi verdadeiramente concluído. É um descanso repleto da presença oculta do Senhor.

Temos dificuldade de parar e descansar. Vivemos como se a vida nunca fosse suficiente. Corremos para produzir, para demonstrar, para não perder terreno. Mas o Evangelho nos ensina que saber parar é um gesto de confiança que devemos aprender a realizar. O Sábado Santo nos convida a descobrir que a vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também de como sabemos nos desapegar daquilo que pudemos fazer.

quarta-feira, 25 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 3

Confira nesta postagem as duas reflexões “centrais” da seção sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”: a crucificação (Jo 19,28-30) e a Morte do Senhor (Mc 15,33-39).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 03 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.5. A Páscoa de Jesus: A crucificação (Jo 19,28-30)

Queridos irmãos e irmãs,
No coração do relato da Paixão, no momento mais luminoso e ao mesmo tempo mais tenebroso da vida de Jesus, o Evangelho de João nos entrega duas palavras que encerram um mistério imenso: «Tenho sede» (Jo 19,28), e logo em seguida: «Tudo está consumado» (v. 30). Palavras últimas, mas carregadas de uma vida inteira, que revelam o sentido de toda a existência do Filho de Deus. Na cruz, Jesus não aparece como um herói vitorioso, mas como um mendigo de amor. Não proclama, não condena, não se defende. Pede, humildemente, aquilo que sozinho não pode de modo algum dar a si mesmo.

A sede do Crucificado não é apenas a necessidade fisiológica de um corpo destroçado. É também, e sobretudo, expressão de um desejo profundo: o desejo de amor, de relação, de comunhão. É o grito silencioso de um Deus que, tendo desejado partilhar tudo da nossa condição humana, se deixa atravessar também por esta sede. Um Deus que não se envergonha de mendigar um gole de água, porque nesse gesto nos diz que o amor, para ser verdadeiro, também deve aprender a pedir e não apenas a dar.

Crucificação (Frans Francken II)

«Tenho sede», diz Jesus, e assim manifesta a sua humanidade e também a nossa. Nenhum de nós pode bastar a si mesmo. Ninguém pode se salvar sozinho. A vida se “realiza” não quando somos fortes, mas quando aprendemos a receber. E precisamente nesse momento, depois de ter recebido de mãos estranhas uma esponja embebida em vinagre, Jesus proclama: «Está consumado». O amor se fez necessitado e, precisamente por isso, completou a sua obra.

Este é o paradoxo cristão: Deus não salva fazendo, mas deixando-se fazer. Não vencendo o mal com a força, mas aceitando até o fim a fraqueza do amor. Na cruz, Jesus nos ensina que o homem não se realiza no poder, mas na abertura confiante ao outro, mesmo quando este nos é hostil e inimigo. A salvação não está na autonomia, mas em reconhecer com humildade a própria necessidade e em saber expressá-la livremente.

quarta-feira, 18 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 2

Prosseguindo com as reflexões do Papa Leão XIV sobre a Páscoa de Jesus dentro do ciclo de Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos nesta postagem suas meditações sobre o perdão (Jo 13,1-2.26-31) e a entrega (Jo 18,1-8):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 20 de agosto de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.3. A Páscoa de Jesus: O perdão (Jo 13,1-2.26-31)

Queridos irmãos e irmãs,
Hoje refletimos sobre um dos gestos mais comoventes e luminosos do Evangelho: o momento em que Jesus, durante a Última Ceia, oferece um pedaço de pão àquele que está prestes a traí-lo. Não é apenas de um gesto de partilha, é muito mais: é a última tentativa do amor de não se render.

Com a sua profunda sensibilidade espiritual, São João narra assim aquele instante: durante a Ceia, quando «o Diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus», Ele «sabia que tinha chegado a sua hora... tendo amado os seus... amou-os até o fim» (Jo 13,1-2). Amar até o fim: eis a chave para compreender o coração de Cristo. Um amor que não se detém diante da rejeição, da decepção, nem mesmo da ingratidão.

Última Ceia (Gerbrand van den Eeckhout)

Jesus conhece a hora, mas não a padece: a escolhe. É Ele que reconhece o momento em que o seu amor deverá passar através da ferida mais dolorosa, a da traição. E, em vez de recuar, de acusar, de se defender... continua a amar: lava os pés, molha o pão e o oferece.

«É aquele a quem eu der o pedaço de pão passado no molho» (Jo 13,26). Com este gesto simples e humilde, Jesus leva adiante e a fundo o seu amor. Não porque ignora o que acontece, mas precisamente porque vê com clareza. Ele compreendeu que a liberdade do outro, até quando se perde no mal, ainda pode ser alcançada pela luz de um gesto manso. Porque sabe que o verdadeiro perdão não espera pelo arrependimento, mas se oferece primeiro, como dom gratuito, antes ainda de ser acolhido.

quarta-feira, 11 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 1

À medida que nos aproximamos do Tríduo Pascal, coração do Ano Litúrgico, damos continuidade à publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”.

Confira nesta postagem as primeiras duas Catequeses sobre a Páscoa de Jesus: a preparação da Ceia (Mc 14,12-16) e a traição (Mc 14,18-21).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 06 de agosto de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.1. A Páscoa de Jesus: A preparação da ceia (Mc 14,12-16)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos nosso caminho jubilar à descoberta do rosto de Cristo, no qual nossa esperança adquire toma e consistência. Hoje começamos a refletir sobre o mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Comecemos meditando sobre uma palavra que parece simples, mas que guarda um segredo precioso da vida cristã: preparar.

O Evangelho de Marcos narra que «no primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava o cordeiro pascal, os discípulos disseram a Jesus: “Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?”» (Mc 14,12). É uma pergunta prática, mas também cheia de expectativa. Os discípulos intuem que está para acontecer algo importante, mas não conhecem os detalhes. A resposta de Jesus parece quase um enigma: «Ide à cidade. Um homem carregando um jarro de água virá ao vosso encontro» (v. 13). Os detalhes tornam-se simbólicos: um homem que carrega um jarro - gesto normalmente feminino naquela época -, uma sala no andar de cima já pronta, um dono de casa desconhecido. É como se cada coisa tivesse sido predisposta com antecedência. Com efeito, é exatamente assim. Nesse episódio o Evangelho nos revela que o amor não é fruto do acaso, mas de uma escolha consciente. Não se trata de uma simples reação, mas de uma decisão que requer preparação. Jesus não enfrenta a sua Paixão por fatalidade, mas por fidelidade a um caminho acolhido e percorrido com liberdade e cuidado. É isso que nos consola: saber que o dom da sua vida brota de uma intenção profunda, não de um impulso repentino.

Última Ceia (Nicolas Poussin)

Aquela “sala no andar de cima já pronta” nos diz que Deus nos precede sempre. Antes ainda de nos darmos conta de que precisamos de acolhida, o Senhor já preparou para nós um espaço onde nos reconhecermos e nos sentirmos seus amigos. No fundo, esse lugar é o nosso coração: uma “sala” que pode parecer vazia, mas que só espera ser reconhecida, preenchida e cuidada. Na realidade, a Páscoa que os discípulos devem preparar já está pronta no coração de Jesus. Foi Ele que pensou em tudo, dispôs tudo, decidiu tudo. No entanto, pede aos seus amigos que façam a sua parte. Isto nos ensina algo essencial para a nossa vida espiritual: a graça não elimina a nossa liberdade, mas a desperta. O dom de Deus não anula a nossa responsabilidade, mas a torna fecunda.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 6

Concluindo as meditações sobre as “curas” e com elas a seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa refletiu sobre a hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43) e sobre o homem surdo (Mc 7,31-37):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 25 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.11. A vida de Jesus - As curas: A hemorroíssa e a filha de Jairo (Mc 5,21-43)

Queridos irmãos e irmãs,
Também hoje meditamos sobre as curas de Jesus como sinal de esperança. N’Ele há uma força que também nós podemos experimentar quando entramos em relação com a sua Pessoa.

Uma doença muito difundida no nosso tempo é o cansaço de viver: a realidade nos parece demasiado complexa, pesada, difícil de enfrentar. Então nos sentimos abatidos, adormecemos na ilusão de que quando acordarmos as coisas serão diferentes. Mas a realidade deve ser enfrentada e, com Jesus, podemos fazê-lo bem. Às vezes nos sentimos bloqueados pelo julgamento de quem pretende colocar rótulos nos outros.

Parece-me que estas situações podem encontrar correspondência em uma passagem do Evangelho de Marcos onde se entrelaçam duas histórias: a de uma menina de doze anos, que está doente na cama e prestes a morrer, e a de uma mulher que tem hemorragias há precisamente doze anos e procura Jesus para poder ser curada (cf. Mc 5,21-43).

Jesus e a mulher com hemorragia
(Catacumbas de Marcelino e Pedro, Roma)

Entre estas duas figuras femininas o evangelista coloca a figura do pai da menina: ele não permanece em casa lamentando-se pela doença da filha, mas sai e pede ajuda. Embora seja o chefe da sinagoga, não faz reivindicações em virtude da sua posição social. Quando é preciso esperar, não perde a paciência e aguarda. E quando vêm lhe dizer que a filha está morta e é inútil incomodar o Mestre, ele continua a ter fé e a esperar.

A conversa desse pai com Jesus é interrompida pela mulher hemorroíssa, que consegue aproximar-se de Jesus e tocar o seu manto (v. 27). Com grande coragem, esta mulher tomou a decisão que muda a sua vida: todos continuavam dizendo-lhe que se mantivesse à distância, que não se mostrasse. Tinham-na condenado a permanecer escondida e isolada. Às vezes também nós podemos ser vítimas do julgamento dos outros, que pretendem vestir-nos com uma roupa que não é nossa. E então nos sentimos mal e não conseguimos superar essa situação.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 5

Após as reflexões sobre os “encontros” e sobre as “parábolas” dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa concluiu a seção sobre a vida pública de Jesus com quatro meditações sobre as “curas”.

Confira nesta postagem as Catequeses sobre Bartimeu (Mc 10,46-52) e sobre o paralítico da Piscina de Betesda (Jo 5,1-9).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.9. A vida de Jesus - As curas: Bartimeu (Mc 10,46-52)

Queridos irmãos e irmãs,
Com esta Catequese gostaria de orientar o nosso olhar para outro aspecto essencial da vida de Jesus, isto é, as suas curas. Por isso, vos convido a colocar diante do Coração de Cristo as vossas partes mais dolorosas ou frágeis, aqueles lugares da vossa vida onde vos sentis parados e bloqueados. Peçamos ao Senhor com confiança que ouça o nosso grito e nos cure!

O personagem que nos acompanha nesta reflexão ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. Trata-se de Bartimeu, um homem cego e mendigo, que Jesus encontrou em Jericó (cf. Mc 10,46-52). O lugar é significativo: Jesus está a caminho de Jerusalém, mas inicia a sua viagem, por assim dizer, a partir do “submundo” de Jericó, uma cidade abaixo do nível do mar. Com efeito, com a sua morte, Jesus foi recuperar aquele Adão que caiu e que representa cada um de nós.

Jesus e Bartimeu, o cego de Jericó

Bartimeu significa “filho de Timeu”: descreve esse homem através de uma relação, mas ele está dramaticamente só. No entanto, este nome poderia significar também “filho da honra”, ou “da admiração”, exatamente o oposto da situação em que se encontra (é a interpretação dada também por Santo Agostinho em O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138). E dado que o nome é tão importante na cultura judaica, significa que Bartimeu não consegue viver o que é chamado a ser.

Além disso, ao contrário do grande movimento de pessoas que caminham atrás de Jesus, Bartimeu está parado. O evangelista diz que está sentado à beira do caminho e, portanto, precisa de alguém que o levante e o ajude a retomar a estrada.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 4

Concluindo as reflexões sobre as “parábolas” dentro da seção sobre a vida pública de Jesus das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa Leão XIV meditou sobre as parábolas do samaritano (Lc 10,25-37) e dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de maio de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.7. A vida de Jesus - As parábolas: O samaritano (Lc 10,25-37)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos a meditar sobre algumas parábolas do Evangelho que são uma ocasião para mudar de perspectiva e nos abrirmos à esperança. Às vezes, a falta de esperança deve-se ao fato de nos fixarmos em certo modo rígido e fechado de ver as coisas, e as parábolas nos ajudam a olhar para elas de outro ponto de vista.

Hoje gostaria de vos falar de uma pessoa experta, preparada, um doutor da Lei que, porém, deve mudar de perspectiva, porque está concentrado em si mesmo e não se dá conta dos outros (cf. Lc 10,25-37). Com efeito, ele interroga Jesus sobre o modo como se “recebe em herança” a vida eterna, usando uma expressão que a entende como um direito inequívoco. Mas por trás desta pergunta talvez se esconda precisamente uma necessidade de atenção: a única palavra sobre a qual pede explicações a Jesus é o termo “próximo”, que literalmente significa aquele que está perto.

O bom samaritano (Vincent van Gogh)

Por isso Jesus conta uma parábola que é um caminho para transformar aquela interrogação, para passar de quem me ama? a quem amou? A primeira é uma pergunta imatura, a segunda é a pergunta do adulto que compreendeu o sentido da sua vida. A primeira é a que pronunciamos quando nos colocamos de canto e esperamos, a segunda é a que nos impele a nos colocarmos a caminho.

Com efeito, a parábola que Jesus conta tem como cenário precisamente uma estrada, e é uma estrada difícil e impérvia, como a vida. É a estrada percorrida por um homem que desce de Jerusalém, a cidade na montanha, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar. É uma imagem que já prenuncia o que poderia acontecer: com efeito, ocorre que o homem é atacado, espancado, roubado e deixado quase morto. É a experiência que ocorre quando as situações, as pessoas, às vezes até aqueles em quem confiamos, nos tiram tudo e nos deixam no meio do caminho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 3

Dando início às reflexões sobre as “parábolas”, segunda parte da seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, trazemos nesta postagem a última Catequese preparada pelo Papa Francisco antes da sua morte, sobre a parábola do pai misericordioso (Lc 15,11-32), e a primeira Catequese proferida pelo Papa Leão XIV após sua eleição, sobre a parábola do semeador (Mt 13,1-23).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 16 de abril de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.5. A vida de Jesus - As parábolas: O pai misericordioso (Lc 15,11-32)

Queridos irmãos e irmãs,
Depois de ter meditado sobre os encontros de Jesus com alguns personagens do Evangelho, a partir desta Catequese gostaria de refletir sobre algumas parábolas. Como sabemos, são relatos que retomam imagens e situações da realidade diária. Por isso tocam também a nossa vida. Provocam-nos. E pedem-nos que tomemos uma posição: onde eu estou nesse relato?

Comecemos com a parábola mais famosa, que todos nós conhecemos, talvez desde a infância: a parábola do pai e dos dois filhos (cf. Lc 15,11-32). Nela encontramos o coração do Evangelho de Jesus, isto é, a misericórdia de Deus.

O evangelista Lucas diz que Jesus conta essa parábola aos fariseus e escribas, que murmuravam porque Ele comia com os pecadores (vv. 1-3). Por isso, poderíamos dizer que se trata de uma parábola dirigida àqueles que se perderam, mas não o sabem e julgam os outros.

O retorno do filho pródigo (Rembrandt)
(Obra mencionada pelo Papa na Catequese)

O Evangelho quer nos confiar uma mensagem de esperança, porque nos diz que onde quer que tenhamos nos perdido, seja como for que tenhamos nos perdido, Deus vem sempre à nossa procura! Talvez tenhamos nos perdido como uma ovelha que se desviou do caminho para pastar ou que ficou para trás devido ao cansaço (cf. vv. 4-7). Ou talvez tenhamos nos perdido como uma moeda, que porventura caiu no chão e já não pode ser encontrada, ou que alguém colocou em algum lugar e já não se lembra onde (vv. 8-10). Ou talvez tenhamos nos perdido como os dois filhos desse pai: o mais novo, porque se cansou de estar em uma relação que lhe parecia demasiado exigente; mas o mais velho também se perdeu, pois não basta permanecer em casa se no coração houver orgulho e rancor.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 2

Confira nesta postagem as últimas duas meditações sobre os encontros”, primeira parte da seção sobre a vida pública de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”: Zaqueu (Lc 19,1-10) e o homem rico (Mc 10,17-22).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 02 de abril de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.3. A vida de Jesus - Os encontros: Zaqueu (Lc 19,1-10)

Amados irmãos e irmãs,
Continuemos a contemplar os encontros de Jesus com alguns personagens do Evangelho. Desta vez gostaria de meditar sobre a figura de Zaqueu: um episódio que me é particularmente caro, porque ocupa um lugar especial no meu caminho espiritual.

O Evangelho de Lucas nos apresenta Zaqueu como alguém que parece irremediavelmente perdido. Talvez também nós nos sintamos assim às vezes: sem esperança. Zaqueu, pelo contrário, descobrirá que o Senhor já estava à sua procura.

Com efeito, Jesus desceu a Jericó, cidade situada abaixo do nível do mar, considerada uma imagem do submundo, onde Jesus quer ir procurar aqueles que se sentem perdidos. E, na realidade, o Senhor Ressuscitado continua a descer aos submundos de hoje, aos lugares de guerra, à dor dos inocentes, ao coração das mães que veem morrer os seus filhos, à fome dos pobres.

Jesus e Zaqueu

Em certo sentido Zaqueu se perdeu, talvez tenha feito escolhas equivocadas ou a vida o tenha colocado em situações das quais tem dificuldade de sair. Com efeito, Lucas insiste em descrever as características deste homem: não só é um publicano, isto é, alguém que cobra os impostos dos seus concidadãos para os invasores romanos, mas é inclusive o chefe dos publicanos, como se dissesse que o seu pecado é multiplicado.

Além disso, Lucas acrescenta que Zaqueu é rico, dando a entender que enriqueceu às custas dos outros, abusando da sua posição. Mas tudo isso tem consequências: Zaqueu provavelmente se sente excluído, desprezado por todos.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 1

Dando continuidade às Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, após a seção sobre a infância de Jesus, publicaremos as reflexões sobre a vida pública de Jesus, subdivididas em três partes (os encontros, as parábolas e as curas).

Confira nesta postagem, portanto, as primeiras duas meditações sobre os “encontros” de Jesus: com Nicodemos (Jo 3) e com a samaritana (Jo 4).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 19 de março de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.1. A vida de Jesus - Os encontros: Nicodemos (Jo 3)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Com esta Catequese começamos a contemplar alguns encontros narrados nos Evangelhos, para compreender o modo como Jesus dá esperança. Com efeito, há encontros que iluminam a vida e dão esperança. Pode acontecer, por exemplo, que alguém nos ajude a ver uma dificuldade ou um problema que estamos vivendo de uma perspectiva diferente; ou pode acontecer que alguém simplesmente nos dê uma palavra que não nos faça sentir sozinhos na dor que estamos atravessando. Podem ocorrer às vezes também encontros silenciosos, nos quais nada é dito, mas esses momentos nos ajudam a retomar o caminho.

O primeiro encontro sobre o qual gostaria de me deter é o de Jesus com Nicodemos, narrado no capítulo 3 do Evangelho de João. Começo por este episódio porque Nicodemos é um homem cuja história mostra que é possível sair das trevas e encontrar a coragem de seguir Cristo.

Jesus e Nicodemos (Henry Ossawa Tanner)

Nicodemos vai ter com Jesus à noite: uma hora incomum para um encontro. Na linguagem de João, as referências temporais têm muitas vezes um valor simbólico: aqui a noite é provavelmente o que está no coração de Nicodemos. É um homem que se encontra na escuridão da dúvida, naquela escuridão que experimentamos quando já não compreendemos o que está acontecendo na nossa vida e não vemos claramente o caminho a seguir.

Se estamos nas trevas, certamente buscamos a luz. E João, no início do seu Evangelho, escreve assim: «A luz verdadeira, vindo ao mundo, ilumina todo ser humano» (Jo 1,9). Nicodemos, portanto, busca Jesus porque pressente que Ele pode iluminar as trevas do seu coração.

Muratura das Portas Santas: Jubileu 2025 (2)

De 13 a 16 de janeiro de 2026, após a conclusão do Jubileu Ordinário de 2025, foi celebrado o rito da “muratura, isto é, o levantamento do muro que fecha as Portas Santas das quatro Basílicas Maiores em Roma fora dos Anos Santos.

Com efeito, se antes do Jubileu tem lugar o rito da recognitio (reconhecimento), com a derrubada do muro levantado na conclusão do Jubileu anterior, após o Ano Santo um novo muro é levantado.

Dentro desse muro foi depositada uma urna com a ata da abertura e do fechamento da Porta Santa, algumas moedas do final do pontificado do Papa Francisco, da Sede Vacante 2025 e do início do pontificado de Leão XIV e as chaves da Porta.

Para a ocasião foram elaboradas novas urnas em bronze ornadas com elementos da respectiva Porta Santa e com os brasões de Francisco e Leão XIV, em memória do “Jubileu dos dois Papas”.

O rito da muratura foi presidido pelos Arciprestes das Basílicas, com a presença de Dom Diego Giovanni Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, os cônegos (ou os monges beneditinos, no caso da Basílica de São Paulo) e outras pessoas ligadas à Basílica.

Em nossa postagem anterior destacamos algumas imagens do rito nas Basílicas de Santa Maria Maior e de São João do Latrão. Nesta postagem, por sua vez, trazemos as imagens da muratura nas Basílicas de São Paulo fora dos muros e São Pedro no Vaticano:

15 de janeiro de 2026

A Porta Santa da Basílica Ostiense foi aberta no dia 05 de janeiro e fechada no dia 28 de dezembro de 2025 pelo Arcipreste, Cardeal James Michael Harvey, o qual presidiu a muratura no dia 15 de janeiro de 2026, assistido pelo Monsenhor Ján Dubina, Cerimoniário Pontifício:

Urna e outros elementos diante da Porta
Oração inicial
Assinatura da ata: Intra urbis moenia
Monsenhor Dubina mostra a ata aos presentes
A ata é lacrada

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Muratura das Portas Santas: Jubileu 2025 (1)

Após o fechamento das Portas Santas das quatro Basílicas Maiores em Roma na conclusão do Jubileu Ordinário de 2025 teve lugar o rito da “muratura, isto é, o levantamento do muro que fecha as Portas fora dos Anos Santos.

Antes do início do Jubileu, com efeito, havia sido celebrado o rito da recognitio (reconhecimento), com a derrubada do muro levantado na conclusão do Jubileu anterior.

Agora, entre os dias 13 e 16 de janeiro de 2026, um novo muro foi levantado, dentro do qual foi depositada uma urna com a ata da abertura e do fechamento da Porta Santa, algumas moedas do final do pontificado do Papa Francisco, da Sede Vacante 2025 e do início do pontificado de Leão XIV e as chaves da Porta.

Para a ocasião foram elaboradas novas urnas em bronze ornadas com elementos da respectiva Porta Santa e com os brasões de Francisco e Leão XIV, em memória do “Jubileu dos dois Papas”.

O rito da muratura foi presidido pelos Arciprestes das Basílicas, com a presença de Dom Diego Giovanni Ravelli, Mestre das Celebrações Litúrgicas Pontifícias, os cônegos e outras pessoas ligadas à Basílica.

Nesta postagem trazemos algumas imagens do rito nas primeiras duas Basílicas: Santa Maria Maior e São João do Latrão, Catedral de Roma. Na próxima postagem traremos as imagens das outras duas Basílicas (São Paulo e São Pedro).

13 de janeiro de 2026

A Porta Santa da Basílica Liberiana foi aberta no dia 01 de janeiro e fechada no dia 25 de dezembro de 2025 pelo Arcipreste, Cardeal Rolandas Makrickas, o qual presidiu a muratura no dia 13 de janeiro de 2026, assistido pelo Monsenhor L’ubomir Welnitz, Cerimoniário Pontifício:

Moedas comemorativas e a chave da Porta
Urna de bronze
O Arcipreste da início ao rito
Leitura da ata: Innumerae undique
Assinatura da ata

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Infância de Jesus 4

Concluídas as celebrações do Tempo do Natal, retomamos a publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, com as últimas duas meditações sobre a infância de Jesus: a Apresentação no Templo (Lc 2,22-40) e do encontro de Jesus no Templo (Lc 2,41-52).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
1.7. A infância de Jesus: A Apresentação no Templo (Lc 2,22-40)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje contemplamos a beleza de «Jesus Cristo, nossa esperança» (1Tm 1,1) no mistério da sua Apresentação no Templo.

Nos relatos da infância de Jesus o evangelista Lucas nos mostra a obediência de Maria e José à Lei do Senhor e a todas as suas prescrições. Na realidade, em Israel não havia a obrigação de apresentar o menino no Templo, mas quem vivia à escuta da Palavra do Senhor e desejava conformar-se a ela, considerava-a um costume precioso. Assim fez Ana, mãe do profeta Samuel, que era estéril; Deus ouviu a sua prece e ela, uma vez nascido o filho, o levou ao Templo e o ofereceu para sempre ao Senhor (cf. 1Sm 1,24-28).

Apresentação de Jesus no Templo
(Aert de Gelder)

Lucas, portanto, narra o primeiro ato de culto de Jesus, celebrado na cidade santa, Jerusalém, que será a meta de todo o seu ministério itinerante a partir do momento em que tomará a firme decisão de se dirigir a ela (cf. Lc 9,51), indo ao encontro do cumprimento da sua missão.

Maria e José não se limitam a enxertar Jesus em uma história de família, de povo, de aliança com o Senhor Deus. Eles se ocupam do seu cuidado e do seu crescimento, introduzindo-o no ambiente da fé e do culto. E eles mesmos crescem gradualmente na compreensão de uma vocação que os supera em grande medida.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Solenidade da Epifania do Senhor no Vaticano (2026)

Na manhã da terça-feira, 06 de janeiro de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade da Epifania do Senhor precedida pelo fechamento da Porta Santa da Basílica de São Pedro, concluindo assim o Jubileu Ordinário de 2025

O Papa, endossando os paramentos confeccionados especialmente para o Jubileu, foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli e pelo Monsenhor Krzysztof Marcjanowicz. O livreto da celebração pode ser visto aqui.

A celebração teve início no átrio da Basílica, diante da Porta Santa, com o sinal da cruz, a saudação e uma monição introdutória. Em seguida o Papa proferiu uma oração, intercalada pelo primeiro verso do hino Te Deum como refrão.

Após o canto da antífona O Clavis David, Leão XIV ajoelhou-se na soleira e rezou por alguns instantes em silêncio, fechando em seguida a Porta Santa. A procissão de entrada dirigiu-se então ao altar central da Basílica onde, após o canto do Glória, a Missa prosseguiu como de costume.

Junto ao altar foi exposta a imagem da “Madonna della Speranza” (Nossa Senhora da Esperança) venerada na Paróquia de São Marcos de Castellabate, no sul da Itália, além de duas tapeçarias representando o Nascimento do Senhor e a adoração dos Magos.

Entrada do Papa
Ritos iniciais no átrio


O Papa reza em silêncio na soleira da Porta