quarta-feira, 15 de julho de 2026

Ângelus: XII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 21 de junho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No Evangelho da Liturgia de hoje (Mt 10,26-33), Jesus, ao enviar os discípulos em missão, lhes dirige, entre outras coisas, esta exortação: «O que vos digo na escuridão, dizei-o à luz do dia; o que escutais ao pé do ouvido, proclamai-o sobre os telhados!» (v. 27).

Ele estabelece uma ligação entre o que ouvimos “ao pé do ouvido”, isto é, no íntimo do coração, e aquilo que somos chamados a proclamar a todos, recordando-nos que o anúncio do Evangelho é, antes de tudo, a partilha de um encontro pessoal com Ele, único para cada um.

A força do apostolado, com efeito, para além de técnicas e instrumentos, se baseia na ação do Espírito Santo em nós e na autenticidade da nossa resposta. Santo Tomás de Aquino se referia à pregação como a transmissão aos outros daquilo que contemplamos: «contemplata aliis tradere» (cf. Suma Teológica, III, q. 40, a. 1, ad 2).

E não devemos pensar que a contemplação seja uma experiência exclusiva, reservada a alguns santos ou aos monges e eremitas. Todos nós podemos fazê-la, esforçando-nos por reservar, entre as ocupações do nosso dia-a-dia, momentos de quietude nos quais nos colocamos em silêncio diante de Deus, para ouvir a sua voz, confiar-lhe as nossas alegrias e preocupações, examinar com Ele a nossa vida. Isto nos torna cada vez mais pessoas de uma fé sólida e consciente e, consequentemente, apóstolos credíveis e livres, homens e mulheres capazes de refletir a luz do Evangelho em cada ambiente e em cada situação da vida, e de testemunhá-lo mesmo onde o seu valor não é compreendido ou aceito.

São Mateus, autor da passagem bíblica a que nos referimos, escrevia para comunidades que não tinham uma vida fácil. Deviam enfrentar hostilidades e perseguições, como acontece ainda hoje a tantos cristãos em vários lugares do mundo, e a tentação de desanimar e de se deixar vencer pelo cansaço ou pelo medo era grande.

Como naquela época, também hoje é um desafio permanecer fiéis aos ensinamentos de Jesus e anunciar a sua Palavra: responder ao ódio com o amor, à arrogância com a mansidão, ao desânimo com a perseverança. Por isso, é necessário que aprofundemos as raízes da nossa fé e a nossa missão em uma relação intensa com Ele (cf. Francisco, Exortação Apostólica Evangelii gaudium, n. 8). Esta relação nos dá a força para não desistirmos e para continuarmos a transmitir a todos, em cada circunstância, a sua mensagem de esperança, de amor e de paz. O mundo precisa tanto disso!

Que a Virgem Maria nos ajude a ser discípulos missionários do Senhor Jesus, cada um segundo a sua vocação.


Fonte: Santa Sé.

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