quinta-feira, 9 de julho de 2026

Ângelus: XI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 14 de junho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho de hoje (Mt 9,36–10,8) nos traz um grande presente, pois envolve todos aqueles que o escutam sob o olhar de Jesus: é um relato que, além de nos dizer o que o Senhor observa, testemunha a atenção do seu olhar. Com efeito, lemos que «vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas» (v. 36). Fazendo-se nosso irmão, o Filho de Deus olha para as pessoas, olha para a humanidade: vê a opressão que subjuga e a violência que tira as forças. Vê as feridas das guerras e o vazio do consumismo. Vê rostos reduzidos a máscaras, famílias destruídas pelo mal e jovens iludidos por falsos ideais. Jesus vê e ama. Ama e sofre por nós e conosco: a sua compaixão expressa não só proximidade fraterna, mas também vontade de redenção.

Ele, com efeito, conhece o nosso coração e cuida dele: diante de tantas pessoas que são «como ovelhas que não têm pastor» (v. 36), Cristo se dedica a todas como bom pastor e, como senhor da messe, envia trabalhadores para o campo do mundo (cf. v. 38). Qual é o trabalho que devem realizar? Oferecer o conforto de Deus a quem sofre: levar caridade onde há miséria, esperança onde há aflição, fé onde há desconfiança.

O Evangelho menciona os nomes dos primeiros doze “trabalhadores”: são discípulos feitos apóstolos, isto é, missionários e pregadores. Entre eles está Simão, chamado Pedro, o primeiro, e também Judas Iscariotes, o último, para nos lembrar que é possível seguir Jesus e traí-lo, mas o Evangelho permanece para todos como palavra viva e verdadeira. A Boa Nova que atravessa os séculos é idêntica, sempre jovem, fresca e libertadora: «O Reino dos Céus está próximo» (Mt 10,7)! Sim, está próximo porque, em Jesus Cristo, Deus se faz próximo de cada homem e mulher, de cada povo e nação. Quando este Evangelho é anunciado e praticado, o mal desmorona como uma doença que chega ao fim (cf. v. 8), como uma noite que dá lugar à aurora, como a morte vencida pelo Ressuscitado.

É assim que o olhar de Jesus transforma a realidade: plena de amor, a sua iniciativa dá vida a um povo novo, a Igreja, chamado a continuar a missão dos Apóstolos: «De graça recebestes, de graça deveis dar» (v. 8). Sim, o dom de Jesus é totalmente gratuito, porque o seu valor ultrapassa toda medida: é impossível merecê-lo ou “comprá-lo”. Esta graça é o belíssimo nome da misericórdia de Deus, que nos alcança em qualquer lugar, para nos levar a si. «Pedi, pois, ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita» (Mt 9,38)!

Caríssimos, a tarefa de evangelizar nasce do dom de Deus que, em Cristo, se torna perdão para o mundo, serviço aos pequenos e pobres, compromisso pela justiça. Peçamos a ajuda da Virgem Maria, cheia de graça, para respondermos com alegria e coragem à missão à qual Jesus nos chama.

Cristo com os Doze Apóstolos [1]

Fonte: Santa Sé.

Nota
[1] Fachada da Basílica de Santa Maria de Montserrat (Espanha), visitada pelo Papa no dia 10 de junho de 2026.

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