Há cerca de 20 anos, no dia 07 de maio de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa do IV Domingo da Páscoa (Ano B), o “Domingo do Bom Pastor”, na Basílica de São Pedro, durante a qual conferiu a Ordenação Presbiteral a quinze novos sacerdotes [1].
Na mesma ocasião, com efeito, se celebrou o 43º Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
Reproduzimos aqui sua homilia durante a celebração:
43º Dia Mundial de Oração pelas Vocações
Santa Missa com Ordenações Presbiterais
Homilia do Papa Bento XVI
Basílica de São Pedro
Domingo, 07 de maio de 2006
Queridos irmãos e irmãs,
Caros ordenandos,
1. Nesta hora na
qual vós, caros amigos, mediante o Sacramento da Ordenação sacerdotal, sois
introduzidos como pastores a serviço do Pastor supremo, Jesus Cristo, é o
próprio Senhor que nos fala no Evangelho do serviço em favor do rebanho de
Deus.
A imagem do
pastor vem de longe. No Antigo Oriente os reis costumavam designar a si mesmos
como pastores dos seus povos. No Antigo Testamento, Moisés e Davi, antes de
serem chamados a se tornar chefes e pastores do Povo de Deus, foram
efetivamente pastores de rebanhos. Nas dificuldades do período do exílio,
diante do fracasso dos pastores de Israel, isto é, dos chefes políticos e
religiosos, Ezequiel traçou a imagem do próprio Deus como Pastor do seu povo.
Através do profeta, Deus disse: «Como o pastor toma conta do rebanho... assim
vou cuidar de minhas ovelhas e vou resgatá-las de todos os lugares em que foram
dispersadas em um dia de nuvens e escuridão» (Ez 34,12).
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| Note-se a imagem do Bom Pastor na mitra |
Agora Jesus
anuncia que esta hora chegou: Ele mesmo é o Bom Pastor no qual o próprio Deus
cuida da sua criatura, o homem, reunindo os seres humanos e conduzindo-os à
verdadeira pastagem. São Pedro, a quem o Senhor Ressuscitado tinha dado a missão
de apascentar as suas ovelhas, de se tornar pastor com Ele e por Ele, qualifica
Jesus como o «archipoimen», o Pastor Supremo (1Pd 5,4), e assim pretende
dizer que só é possível ser pastor do rebanho de Jesus Cristo por meio d’Ele e
na mais íntima comunhão com Ele. É precisamente isto que se exprime no
Sacramento da Ordenação: mediante o Sacramento, o sacerdote é totalmente
inserido em Cristo para que, partindo d’Ele e agindo em vista d’Ele, realize em
comunhão com Cristo o serviço do único Pastor, Jesus, em quem Deus, como homem,
quer ser o nosso Pastor.