quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 4

Concluindo as reflexões sobre as “parábolas” dentro da seção sobre a vida pública de Jesus das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa Leão XIV meditou sobre as parábolas do samaritano (Lc 10,25-37) e dos trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16):

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 28 de maio de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.7. A vida de Jesus - As parábolas: O samaritano (Lc 10,25-37)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos a meditar sobre algumas parábolas do Evangelho que são uma ocasião para mudar de perspectiva e nos abrirmos à esperança. Às vezes, a falta de esperança deve-se ao fato de nos fixarmos em certo modo rígido e fechado de ver as coisas, e as parábolas nos ajudam a olhar para elas de outro ponto de vista.

Hoje gostaria de vos falar de uma pessoa experta, preparada, um doutor da Lei que, porém, deve mudar de perspectiva, porque está concentrado em si mesmo e não se dá conta dos outros (cf. Lc 10,25-37). Com efeito, ele interroga Jesus sobre o modo como se “recebe em herança” a vida eterna, usando uma expressão que a entende como um direito inequívoco. Mas por trás desta pergunta talvez se esconda precisamente uma necessidade de atenção: a única palavra sobre a qual pede explicações a Jesus é o termo “próximo”, que literalmente significa aquele que está perto.

O bom samaritano (Vincent van Gogh)

Por isso Jesus conta uma parábola que é um caminho para transformar aquela interrogação, para passar de quem me ama? a quem amou? A primeira é uma pergunta imatura, a segunda é a pergunta do adulto que compreendeu o sentido da sua vida. A primeira é a que pronunciamos quando nos colocamos de canto e esperamos, a segunda é a que nos impele a nos colocarmos a caminho.

Com efeito, a parábola que Jesus conta tem como cenário precisamente uma estrada, e é uma estrada difícil e impérvia, como a vida. É a estrada percorrida por um homem que desce de Jerusalém, a cidade na montanha, para Jericó, a cidade abaixo do nível do mar. É uma imagem que já prenuncia o que poderia acontecer: com efeito, ocorre que o homem é atacado, espancado, roubado e deixado quase morto. É a experiência que ocorre quando as situações, as pessoas, às vezes até aqueles em quem confiamos, nos tiram tudo e nos deixam no meio do caminho.

No entanto, a vida é feita de encontros e, nestes encontros, revelamo-nos pelo que somos. Encontramo-nos diante do outro, diante da sua fragilidade e da sua fraqueza, e podemos decidir o que fazer: cuidar dele ou fingir que nada aconteceu. Um sacerdote e um levita descem por aquela mesma estrada. São pessoas que prestam serviço no Templo de Jerusalém, que habitam o espaço sagrado. Todavia, a prática do culto não leva automaticamente a ser compassivo. Com efeito, antes de ser uma questão religiosa, a compaixão é uma questão de humanidade! Antes de sermos fiéis, somos chamados a ser humanos.

Podemos imaginar que, depois de terem permanecido muito tempo em Jerusalém, o sacerdote e o levita têm pressa de voltar para casa. É precisamente a pressa, tão presente na nossa vida, que muitas vezes nos impede de sentir compaixão. Quem pensa que o seu percurso deve ter a prioridade não está disposto a parar por outra pessoa.

Mas eis que chega alguém que efetivamente é capaz de parar: é um samaritano, portanto, alguém que pertence a um povo desprezado (cf. 2Rs 17). No seu caso, o texto não especifica a direção, mas diz apenas que estava viajando. Aqui não entra a religiosidade. Este samaritano se detém simplesmente porque é um homem diante de outro homem que precisa de ajuda.

A compaixão se expressa através de gestos concretos. O evangelista Lucas se concentra nas ações do samaritano, que nós chamamos “bom”, mas que no texto é simplesmente uma pessoa: o samaritano se aproxima, pois se quisermos ajudar alguém não podemos pensar em nos manter à distância, devemos nos envolver, nos sujar, talvez até nos contaminar; faz curativos nas suas feridas depois de tê-las limpado com óleo e vinho; carrega-o na sua montaria, isto é, se responsabiliza por ele, pois só ajudamos verdadeiramente se estivermos dispostos a sentir o peso da dor do outro; leva-o a uma hospedaria, onde gasta dinheiro, “duas moedas de prata” (dois denários), mais ou menos dois dias de trabalho; e se compromete a voltar e eventualmente a pagar mais, porque o outro não é um pacote a entregar, mas alguém de quem devemos cuidar.

Caros irmãos e irmãs, quando também nós seremos capazes de interromper o nosso caminho e ter compaixão? Quando compreendermos que o homem ferido ao longo da estrada representa cada um de nós. E então a memória de todas as vezes que Jesus parou para cuidar de nós nos tornará mais capazes de compaixão.

Portanto, rezemos para que possamos crescer em humanidade, para que as nossas relações sejam mais verdadeiras e mais ricas de compaixão. Peçamos ao Coração de Cristo a graça de ter sempre mais os seus próprios sentimentos.

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 04 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.8. A vida de Jesus - As parábolas: Os trabalhadores da vinha (Mt 20,1-16)

Queridos irmãos e irmãs,
Desejo refletir novamente sobre uma parábola de Jesus. Também neste caso se trata de um relato que alimenta a nossa esperança. Com efeito, às vezes temos a impressão de não conseguir encontrar um sentido para a nossa vida: nos sentimos inúteis, inadequados, precisamente como os trabalhadores que aguardam na praça do mercado, à espera que alguém os leve para trabalhar. Mas às vezes o tempo passa, a vida corre e não nos sentimos reconhecidos nem apreciados. Talvez não tenhamos chegado a tempo, talvez outros tenham se apresentado antes de nós, ou talvez as preocupações tenham nos detido em outro lugar.

A metáfora da praça do mercado é muito adequada também para os nossos tempos, pois o mercado é o lugar dos negócios, onde infelizmente as pessoas compram e vendem até mesmo o afeto e a dignidade, procurando obter algum lucro. E quando não se sentem valorizadas, reconhecidas, chegam a correr o risco de se vender ao primeiro licitante. Ao contrário, o Senhor nos recorda que a nossa vida tem valor, e o seu desejo é nos ajudar a descobri-lo.

Também na parábola que hoje comentamos há trabalhadores que esperam que alguém os leve a trabalhar por um dia. Estamos no capítulo 20 do Evangelho de Mateus e também aqui encontramos um personagem que tem um comportamento incomum, que surpreende e questiona. É o patrão de uma vinha que sai pessoalmente para ir em busca dos seus trabalhadores. Evidentemente quer estabelecer uma relação pessoal com eles.

Como eu dizia, trata-se de uma parábola que infunde esperança, porque nos diz que este patrão sai várias vezes à procura de quem espera dar um sentido à sua vida. O patrão sai já de madrugada e depois, de três em três horas, volta a procurar trabalhadores para enviar à sua vinha. Seguindo este esquema, depois de sair às três horas da tarde, já não haveria razão para sair novamente, dado que o dia de trabalho terminava às seis horas.

Porém, este patrão incansável, que deseja valorizar a vida de cada um de nós a todo o custo, sai também às cinco horas. Os trabalhadores que permaneceram na praça do mercado provavelmente tinham perdido toda a esperança. Aquele dia tinha sido em vão. E, no entanto, alguém ainda acreditou neles. Que sentido tem chamar operários só para a última hora do dia de trabalho? Que sentido tem ir trabalhar apenas uma hora? No entanto, mesmo quando nos parece que podemos fazer pouco na vida, vale sempre a pena. Há sempre a possibilidade de encontrar um sentido, pois Deus ama a nossa vida.

Eis que a originalidade desse patrão se vê também no fim do dia, na hora do pagamento. Com os primeiros trabalhadores, aqueles que vão para a vinha de madrugada, o patrão tinha estabelecido uma moeda de prata (um denário), que era o custo típico de um dia de trabalho. Aos outros diz que lhes dará o que for justo. E é precisamente aqui que a parábola volta a nos provocar: o que é justo? Para o dono da vinha, isto é, para Deus, é justo que cada um tenha o necessário para viver. Ele chamou pessoalmente os trabalhadores, conhece a sua dignidade e quer pagar-lhes com base nela. E dá a todos uma moeda de prata.

O relato diz que os trabalhadores da primeira hora ficam desiludidos: não conseguem ver a beleza do gesto do patrão, que não foi injusto, mas simplesmente generoso, não considerou apenas o mérito, mas também a necessidade. Deus quer dar a todos o seu Reino, isto é, a vida plena, eterna e feliz. É o que Jesus faz conosco: não faz classificações, mas dá tudo de si mesmo a quem lhe abre o coração.

À luz desta parábola, o cristão de hoje poderia ser tentado a pensar: “Por que começar a trabalhar imediatamente? Se a remuneração é a mesma, por que trabalhar mais?”. Santo Agostinho respondia assim a estas dúvidas: «Por que demoras em seguir quem te chama, quando estás certo da recompensa, mas incerto quanto ao dia? Cuida de não tirares de ti mesmo, devido à tua hesitação, o que Ele te dará segundo a sua promessa» (Discurso 87, 6, 8).

Gostaria de dizer, especialmente aos jovens, que não esperem, mas que respondam com entusiasmo ao Senhor que nos chama a trabalhar na sua vinha. Não demoreis, arregaçai as mangas, pois o Senhor é generoso e não os decepcionará! Trabalhando na sua vinha, encontrareis a resposta àquela pergunta profunda que trazeis dentro de vós: qual é o sentido da minha vida?

Caros irmãos e irmãs, não desanimemos! Mesmo nos momentos escuros da vida, quando o tempo passa sem nos dar as respostas que buscamos, peçamos ao Senhor que volte a sair e nos alcance lá onde estamos à sua espera. O Senhor é generoso e virá em logo!

Vinha em Arles (Vincent van Gogh)

Fonte: Santa Sé (28 de maio e 04 de junho de 2025).

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