quarta-feira, 1 de abril de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Páscoa de Jesus 4

Quase concluindo as reflexões sobre a Páscoa de Jesus dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, confira as duas meditações do Papa Leão XIV ligadas ao Sábado Santo: o sepulcro (Jo 19,38-42) e a descida (1Pd 3,18-19).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 17 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.7. A Páscoa de Jesus: O sepulcro (Jo 19,38-42)

Queridos irmãos e irmãs,
No nosso caminho de Catequeses sobre Jesus, nossa esperança, contemplemos hoje o mistério do Sábado Santo. O Filho de Deus jaz no sepulcro. Mas esta sua “ausência” não é um vazio: é espera, plenitude contida, promessa guardada na escuridão. É o dia do grande silêncio, no qual o céu parece mudo e a terra imóvel, mas é precisamente ali que se realiza o mistério mais profundo da fé cristã. É um silêncio “grávido” de sentido, como o ventre de uma mãe que guarda o filho que ainda não nasceu, mas já está vivo.

O corpo de Jesus, descido da cruz, é cuidadosamente envolvido em faixas, como se faz com o que é precioso. O evangelista João nos diz que foi sepultado em um jardim, dentro de «um túmulo novo, onde ninguém ainda tinha sido sepultado» (Jo 19,41). Nada é deixado ao acaso. Aquele jardim remete ao Éden perdido, o lugar onde Deus e o homem estavam unidos. E aquele sepulcro nunca usado fala de algo que ainda deve acontecer: é um limiar, não um fim. No início da criação, Deus plantou um jardim; agora também a nova criação tem início em um jardim: com um túmulo fechado que logo se abrirá!

Sepultamento de Jesus (Alessandro Tiarini)

O Sábado Santo é também um dia de repouso. Segundo a Lei judaica, no sétimo dia não se deve trabalhar: com efeito, após seis dias de criação, Deus descansou (cf. Gn 2,2). Agora também o Filho, depois de ter completado a sua obra de salvação, descansa. Não porque está cansado, mas porque terminou o seu trabalho. Não porque se rendeu, mas porque amou até o fim. Não há mais nada a acrescentar. Esse descanso é o selo da obra realizada, é a confirmação de que aquilo que devia ser feito foi verdadeiramente concluído. É um descanso repleto da presença oculta do Senhor.

Temos dificuldade de parar e descansar. Vivemos como se a vida nunca fosse suficiente. Corremos para produzir, para demonstrar, para não perder terreno. Mas o Evangelho nos ensina que saber parar é um gesto de confiança que devemos aprender a realizar. O Sábado Santo nos convida a descobrir que a vida nem sempre depende daquilo que fazemos, mas também de como sabemos nos desapegar daquilo que pudemos fazer.

No sepulcro, Jesus, a Palavra viva do Pai, se cala. Mas é precisamente naquele silêncio que a vida nova começa a fermentar. Como uma semente na terra, como a escuridão antes da aurora. Deus não tem medo do tempo que passa, porque também é Senhor da espera. Assim, mesmo o nosso tempo “inútil”, o tempo das pausas, dos vazios, dos momentos estéreis, pode se tornar ventre de ressurreição. Cada silêncio acolhido pode ser a premissa de uma Palavra nova. Cada tempo suspenso pode se tornar tempo de graça, se o oferecermos a Deus.

Jesus, sepultado na terra, é o rosto manso de um Deus que não ocupa todo o espaço. É o Deus que deixa fazer, que espera, que se retira para nos deixar a liberdade. É o Deus que confia, mesmo quando tudo parece acabado. E nós, naquele sábado suspenso, aprendemos que não devemos ter pressa de ressurgir: primeiro é preciso permanecer, acolher o silêncio, nos deixarmos abraçar pelo limite. Às vezes buscamos respostas rápidas, soluções imediatas. Mas Deus trabalha nas profundezas, no tempo lento da confiança. O sábado da sepultura se torna assim o ventre do qual pode brotar a força de uma luz invencível, a luz da Páscoa!

Caros amigos, a esperança cristã não nasce no barulho, mas no silêncio de uma espera habitada pelo amor. Não é filha da euforia, mas do abandono confiante. É a Virgem Maria quem nos ensina: ela encarna essa espera, essa confiança, essa esperança. Quando parece que tudo está parado, que a vida é um caminho interrompido, lembremos do Sábado Santo. Até no sepulcro Deus está preparando a maior surpresa. E se soubermos acolher com gratidão o que aconteceu, descobriremos que, precisamente na pequenez e no silêncio, Deus ama transfigurar a realidade, fazendo novas todas as coisas com a fidelidade do seu amor. A verdadeira alegria nasce da espera habitada, da fé paciente, da esperança de que aquilo que é vivido no amor certamente renascerá para a vida eterna.

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 24 de setembro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
3.8. A Páscoa de Jesus: A descida (1Pd 3,18-19)

Queridos irmãos e irmãs, bom dia!
Também hoje meditamos sobre o mistério do Sábado Santo. É o dia do Mistério Pascal, no qual tudo parece imóvel e silencioso, enquanto na realidade se cumpre uma ação invisível de salvação: Cristo desce à “mansão dos mortos” para levar a mensagem da Ressurreição a todos aqueles que estavam nas trevas e na sombra da morte.

Este acontecimento, que a Liturgia e a tradição nos transmitiram, representa o gesto mais profundo e radical do amor de Deus pela humanidade. Com efeito, não basta dizer ou acreditar que Jesus morreu por nós: é preciso reconhecer que a fidelidade do seu amor quis nos procurar lá onde nós mesmos tínhamos nos perdido, lá onde só pode chegar a força de uma luz capaz de atravessar o domínio das trevas.

A “mansão dos mortos”, na concepção bíblica, não é tanto um lugar, mas uma condição existencial: aquela condição na qual a vida é debilitada e reinam a dor, a solidão, a culpa e a separação de Deus e dos outros. Cristo nos alcança também neste abismo, atravessando as portas deste reino de trevas. Entra, por assim dizer, na própria casa da morte, para esvaziá-la, para libertar os seus habitantes, tomando-os pela mão, um por um. É a humildade de um Deus que não se detém diante do nosso pecado, que não se assusta perante a extrema rejeição do ser humano.

Na breve passagem que ouvimos da sua Primeira Carta, o Apóstolo Pedro nos diz que Jesus, vivificado no Espírito Santo, foi levar o anúncio de salvação «também aos espíritos na prisão» (1Pd 3,19). É uma das imagens mais comovedoras, que não é aprofundada nos Evangelhos canônicos, mas em um texto apócrifo chamado Evangelho de Nicodemos. Segundo essa tradição, o Filho de Deus adentrou nas trevas mais densas para alcançar até o último dos seus irmãos e irmãs, para levar a sua luz até lá em baixo. Nesse gesto estão toda a força e a ternura do anúncio pascal: a morte nunca tem a última palavra!

Caríssimos, essa descida de Cristo não diz respeito apenas ao passado, mas toca a vida de cada um de nós. A “mansão dos mortos” não é apenas a condição de quem morreu, mas também daqueles que vivem a morte por causa do mal e do pecado. É também o “inferno” diário da solidão, da vergonha, do abandono, do cansaço de viver. Cristo entra em todas essas realidades escuras para nos testemunhar o amor do Pai. Não para julgar, mas para libertar. Não para culpar, mas para salvar. E o faz sem clamor, na ponta dos pés, como quem entra em um quarto de hospital para oferecer conforto e ajuda.

Em páginas de extraordinária beleza, os Padres da Igreja descreveram esse momento como um encontro entre Cristo e Adão. Um encontro que é símbolo de todos os encontros possíveis entre Deus e o homem. O Senhor desce lá onde o homem se escondeu por medo e o chama pelo nome, o toma pela mão, o levanta e o leva de novo para a luz. E o faz com plena autoridade, mas também com infinita docilidade, como um pai com o filho que tem receio de não ser mais amado.

Nos ícones orientais da Ressurreição, Cristo é representado enquanto arromba as portas da “mansão dos mortos” e, estendendo os braços, agarra os pulsos de Adão e Eva. Não salva apenas a si mesmo, não volta à vida sozinho, mas porta consigo toda a humanidade. Esta é a verdadeira glória do Ressuscitado: é poder de amor, é solidariedade de um Deus que não quer salvar-se sem nós, mas somente conosco. Um Deus que não ressuscita senão abraçando as nossas misérias e levantando-nos para uma vida nova.

O Sábado Santo, portanto, é o dia em que o céu visita a terra mais profundamente. É o tempo em que cada ângulo da história humana é tocado pela luz da Páscoa. E se Cristo pôde descer até lá, nada pode ser excluído da sua redenção. Nem as nossas noites, nem as nossas culpas mais antigas, nem os nossos laços rompidos. Não há passado tão arruinado, não há história tão comprometida que não possa ser tocada pela misericórdia!

Amados irmãos e irmãs, para Deus descer não é uma derrota, mas o cumprimento do seu amor. Não é um fracasso, mas o caminho através do qual Ele mostra que nenhum lugar é demasiado distante, nenhum coração é demasiado fechado, nenhum sepulcro é demasiado selado para o seu amor. Isso nos consola, isso nos sustenta. E se às vezes nos parece que tocamos o fundo, lembremos: este é o lugar a partir do qual Deus é capaz de começar uma nova criação. Uma criação feita de pessoas reerguidas, de corações perdoados, de lágrimas enxugadas. O Sábado Santo é o abraço silencioso com o qual Cristo apresenta toda a criação ao Pai para reinseri-la no seu desígnio de salvação.

Descida de Cristo à “mansão dos mortos”
(Igreja do Salvador em Chora, Turquia)

Fonte: Santa Sé (17 de setembro e 24 de setembro de 2025).

Para saber mais, confira nossas postagens sobre a história do Sábado Santo e sobre o ícone da Ressurreição do Senhor.

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