quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Vida de Jesus 5

Após as reflexões sobre os “encontros” e sobre as “parábolas” dentro das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa concluiu a seção sobre a vida pública de Jesus com quatro meditações sobre as “curas”.

Confira nesta postagem as Catequeses sobre Bartimeu (Mc 10,46-52) e sobre o paralítico da Piscina de Betesda (Jo 5,1-9).

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 11 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.9. A vida de Jesus - As curas: Bartimeu (Mc 10,46-52)

Queridos irmãos e irmãs,
Com esta Catequese gostaria de orientar o nosso olhar para outro aspecto essencial da vida de Jesus, isto é, as suas curas. Por isso, vos convido a colocar diante do Coração de Cristo as vossas partes mais dolorosas ou frágeis, aqueles lugares da vossa vida onde vos sentis parados e bloqueados. Peçamos ao Senhor com confiança que ouça o nosso grito e nos cure!

O personagem que nos acompanha nesta reflexão ajuda-nos a compreender que nunca devemos abandonar a esperança, mesmo quando nos sentimos perdidos. Trata-se de Bartimeu, um homem cego e mendigo, que Jesus encontrou em Jericó (cf. Mc 10,46-52). O lugar é significativo: Jesus está a caminho de Jerusalém, mas inicia a sua viagem, por assim dizer, a partir do “submundo” de Jericó, uma cidade abaixo do nível do mar. Com efeito, com a sua morte, Jesus foi recuperar aquele Adão que caiu e que representa cada um de nós.

Jesus e Bartimeu, o cego de Jericó

Bartimeu significa “filho de Timeu”: descreve esse homem através de uma relação, mas ele está dramaticamente só. No entanto, este nome poderia significar também “filho da honra”, ou “da admiração”, exatamente o oposto da situação em que se encontra (é a interpretação dada também por Santo Agostinho em O consenso dos evangelistas, 2, 65, 125: PL 34, 1138). E dado que o nome é tão importante na cultura judaica, significa que Bartimeu não consegue viver o que é chamado a ser.

Além disso, ao contrário do grande movimento de pessoas que caminham atrás de Jesus, Bartimeu está parado. O evangelista diz que está sentado à beira do caminho e, portanto, precisa de alguém que o levante e o ajude a retomar a estrada.

O que podemos fazer quando nos encontramos em uma situação que parece sem saída? Bartimeu nos ensina a apelar aos recursos que temos dentro em nós e que fazem parte de nós. Ele é um mendigo, sabe pedir, aliás, pode gritar! Se desejas realmente algo, fazes tudo para poder alcançá-lo, até quando os outros te censuram, te humilham e te dizem para desistir. Se o desejas realmente, continua a gritar!

O grito de Bartimeu, descrito no Evangelho de Marcos - «Jesus, filho de Davi, tem piedade de mim!» (v. 47) -, tornou-se uma oração bem conhecida na tradição oriental, que também nós podemos utilizar: «Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tende piedade de mim, pecador».

Bartimeu é cego, mas, paradoxalmente, vê melhor que os outros e reconhece quem é Jesus! Perante o seu grito, Jesus se detém e manda chamá-lo (v. 49), pois não há grito que Deus não ouça, mesmo quando não somos conscientes de nos dirigirmos a Ele (cf. Ex 2,23). Parece estranho que, diante de um homem cego, Jesus não vá imediatamente ter com ele; mas, se pensamos bem, é o modo para reativar a vida de Bartimeu: impele-o a levantar-se, confia na sua possibilidade de caminhar. Aquele homem pode levantar novamente, pode ressurgir das suas situações de morte. Mas para fazê-lo deve realizar um gesto muito significativo: deve abandonar o seu manto (v. 50)!

Para um mendigo, o manto é tudo: é a segurança, é a casa, é a defesa que o protege. Até a lei tutelava o manto do mendigo e impunha que fosse devolvido à noite, se tivesse sido penhorado (cf. Ex 22,25). No entanto, muitas vezes o que nos bloqueia são precisamente as nossas aparentes seguranças, aquilo que vestimos para nos defender e que, pelo contrário, nos impede de caminhar. Para ir ao encontro de Jesus e se deixar curar, Bartimeu deve se expor a Ele em toda a sua vulnerabilidade. Este é o passo fundamental para todo caminho de cura.

Até a pergunta que Jesus lhe dirige parece estranha: «Que queres que Eu te faça?» (v. 51). Mas, na realidade, não é óbvio que queiramos ser curados das nossas doenças, às vezes preferimos ficar parados para não assumir responsabilidades. A resposta de Bartimeu é profunda: utiliza o verbo anablepein, que pode significar “ver de novo”, mas que poderíamos traduzir também como “elevar o olhar”. Com efeito, Bartimeu não só quer voltar a ver, mas quer recuperar também a sua dignidade! Para elevar o olhar é preciso levantar a cabeça. Às vezes as pessoas estão bloqueadas porque a vida as humilhou e só desejam reencontrar o seu valor.

O que salva Bartimeu, e cada um de nós, é a fé. Jesus nos cura para que possamos ser livres. Ele não convida Bartimeu a segui-lo, mas lhe diz que ande, que se ponha novamente a caminho (v. 52). Marcos, porém, conclui o relato indicando que Bartimeu começou a seguir Jesus: escolheu livremente seguir Aquele que é o Caminho!

Caros irmãos e irmãs, levemos com confiança a Jesus as nossas enfermidades, e também as dos nossos entes queridos; levemos a dor daqueles que se sentem perdidos e sem saída. Gritemos também por eles, certos de que o Senhor nos ouvirá e se deterá.

Papa Leão XIV
Audiência Geral
Quarta-feira, 18 de junho de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
2.10. A vida de Jesus - As curas: O paralítico (Jo 5,1-9)

Queridos irmãos e irmãs,
Continuemos a contemplar Jesus que cura. Hoje gostaria de vos convidar a pensar de modo particular nas situações em que nos sentimos “bloqueados” e fechados em um “beco sem saída”. Com efeito, às vezes parece que é inútil continuar a esperar: nos resignamos e já não temos vontade de lutar. Esta situação é descrita nos Evangelhos com a imagem da paralisia. Por isso, hoje gostaria de meditar sobre a cura de um paralítico, narrada no quinto capítulo do Evangelho de João (Jo 5,1-9).

Jesus vai a Jerusalém para uma festa dos judeus. Não vai imediatamente ao Templo; detém-se perto de uma porta, onde provavelmente se lavavam as ovelhas que depois eram oferecidas nos sacrifícios. Perto daquela porta paravam também muitos doentes que, ao contrário das ovelhas, eram excluídos do Templo por serem considerados impuros! É o próprio Jesus então que vai ao encontro deles na sua dor. Estas pessoas esperavam um milagre que pudesse mudar o seu destino; com efeito, ao lado da porta havia uma piscina, cujas águas eram consideradas taumatúrgicas, isto é, capazes de curar: em certos momentos a água se agitava e, segundo a crença da época, o primeiro que mergulhasse ficava curado.

Criava-se assim uma espécie de “guerra entre pobres”: podemos imaginar a triste cena desses doentes que se arrastavam cansativamente para entrar na piscina. Aquela piscina chamava-se Betesda (Betzatà), que significa “casa da misericórdia”: poderia ser uma imagem da Igreja, onde se reúnem os doentes e os pobres e onde o Senhor vem para curar e dar esperança.

Jesus se dirige especificamente a um homem que está paralisado há trinta e oito anos. Já está resignado, porque nunca consegue mergulhar na piscina quando a água se agita (v. 7). Com efeito, muitas vezes o que nos paralisa é precisamente a desilusão. Sentimo-nos desanimados e corremos o risco de cair na preguiça (acídia).

Jesus faz uma pergunta que pode parecer supérflua a esse paralítico: «Queres ficar curado?» (v. 6). No entanto, é uma pergunta necessária, pois quando se está bloqueado há tantos anos, pode faltar até a vontade de se curar. Às vezes preferimos permanecer na condição de doentes, obrigando os outros a cuidar de nós. É, por vezes, até um pretexto para não decidir o que fazer da nossa vida. Jesus, ao contrário, reconduz esse homem ao seu desejo mais verdadeiro e profundo.

O homem, com efeito, responde de maneira mais articulada à pergunta de Jesus, revelando a sua visão da vida. Em primeiro lugar, diz que não tem ninguém que o mergulhe na piscina: a culpa, portanto, não é dele, mas dos outros que não cuidam dele. Esta atitude torna-se pretexto para evitar assumir as próprias responsabilidades. Mas é realmente verdade que não havia ninguém que o ajudasse? Eis a resposta iluminadora de Santo Agostinho: «Sim, para ser curado tinha absolutamente necessidade de um homem, mas de um homem que também fosse Deus... Portanto, chegou o homem que era necessário; por que continuar a adiar a cura?» (Homilia 17, 7).

Depois o paralítico acrescenta que, quando tenta mergulhar na piscina, há sempre alguém que chega antes dele. Este homem expressa uma visão fatalista da vida. Pensamos que as coisas nos acontecem porque não temos sorte, porque o destino nos é adverso. Este homem está desanimado. Sente-se derrotado na luta da vida.

No entanto, Jesus o ajuda a descobrir que a sua vida também está nas suas mãos. Convida-o a levantar-se, a sair da sua situação crônica e a pegar a sua cama (v. 8). Aquele leito não deve ser abandonado ou jogado fora: representa o seu passado de doença, é a sua história. Até aquele momento o passado o bloqueou; obrigou-o a ficar deitado como um morto. Agora é ele que pode pegar aquela cama e levá-la para onde quiser: pode decidir o que fazer com a sua história! Trata-se de caminhar, assumindo a responsabilidade de escolher que caminho seguir. E isto graças a Jesus!

Caríssimos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor o dom de compreender onde a nossa vida se bloqueou. Procuremos dar voz ao nosso desejo de cura. E rezemos por todos aqueles que se sentem paralisados, que não veem uma saída. Peçamos para voltar a habitar no Coração de Cristo, que é a verdadeira casa da misericórdia!

Jesus e o paralítico da Piscina de Betesda
(Pedro de Orrente)

Fonte: Santa Sé (11 de junho e 18 de junho de 2025).

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