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sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Ângelus: XXI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 23 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho deste domingo (Mt 16,13-20) nos coloca diante de uma pergunta que interpela cada um de nós no caminho da fé: quem é realmente Jesus para mim?

A partir do relato evangélico percebe-se o quanto esta pergunta é decisiva para a experiência do discipulado. Na verdade, ainda que os doze Apóstolos já tivessem compartilhado muito da vida e do ministério do Mestre, Jesus não quis pressupor que eles o conheciam realmente e que tinham compreendido o mistério do Reino de Deus. Então, depois de perguntar quais eram as opiniões das pessoas sobre Ele, dirige-se diretamente a eles: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 15).

Irmãos e irmãs, este é um passo fundamental para os discípulos de todos os tempos, para cada um de nós. Com efeito, a fé não nos é dada de uma vez para sempre; pelo contrário, precisamos redescobrir constantemente o rosto de Cristo e o seu Evangelho, aprofundar a sua mensagem e renovar as escolhas da nossa vida, para que sejam coerentes com o que professamos, vencendo a tentação de pensar que já sabemos tudo e de transformar a fé em um costume.

A pergunta que diariamente nos é colocada - quem é Jesus para mim e qual o significado da sua presença na minha vida - surge especialmente na oração e quando meditamos sobre o Evangelho; mas também quando nos deparamos com as feridas e as necessidades dos irmãos, ou nas relações e situações que mais interpelam a nossa consciência. Enfim, no âmbito da nossa vida, podemos avaliar se, para nós, o Senhor Jesus é apenas uma grande figura da história que disse e fez coisas importantes, ou se é o Cristo de Deus, Aquele que foi enviado para nos introduzir no amor do Pai e transformar a nossa vida e o mundo em que vivemos.

Caríssimos, aprendamos a não nos fecharmos nas nossas convicções e certezas religiosas, para nos mantermos abertos a uma relação autêntica com Cristo. Por vezes, no que diz respeito à fé cristã, nos contentamos com o que “ouvimos dizer”, com os lugares-comuns, com aquilo que nos foi transmitido, talvez até com boas intenções; mas Jesus nos chama a uma resposta pessoal, a conhecê-lo de perto, a nos deixarmos escrutinar a partir da amizade com Ele, em um encontro sempre novo que pode nos exigir percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos. Isto é válido tanto para o nosso percurso pessoal como para o caminho da Igreja e para as escolhas pastorais, onde, por vezes, pensamos que basta continuar a fazer como sempre fizemos. É importante, pelo contrário, nos perguntarmos frequentemente: quem é o Senhor para mim? Conheço-o realmente? O que me pede hoje o seu Evangelho? Que passos e que escolhas deveria tomar?

Invoquemos a Virgem Maria, que no seu coração procurava a vontade de Deus através do seu Filho, para que nos guie sempre no caminho da fé.

Profissão de fé de Pedro (James Tissot)

Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Fotos da Missa do Papa em Rimini (2026)

No fim da tarde do sábado, 22 de agosto de 2026, no contexto das suas Visitas Pastorais dentro da Itália, o Papa Leão XIV celebrou a Missa do XXI Domingo do Tempo Comum (Ano A) no Porto de Rimini (Itália).

O Papa foi assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Destacamos a presença junto ao altar da imagem da Madonna della Misericordia (Nossa Senhora da Misericórdia), do início do século XIX, bem como da réplica de um crucifixo do início do século XIV atribuído a Giotto, cujo original se encontra na Catedral de Rimini.

Procissão de entrada
Incensação do altar
Incensação da cruz
Incensação da imagem da Virgem Maria
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa em Rimini (2026)

Visita Pastoral a Rimini (Itália)
Santa Missa com os fiéis da Diocese
Homilia do Papa Leão XIV
Porto de Rimini
Sábado, 22 de agosto de 2026

Foi celebrada a Missa do XXI Domingo do Tempo Comum (Ano A).

Queridos irmãos e irmãs,
Estou muito feliz por presidir esta Eucaristia convosco e por vós, Igreja que está em Rimini. Faço-o na conclusão de um dia intenso, no qual visitei a República de San Marino e o “Meeting pela amizade entre os povos”. Agora, entrando no dia do Senhor, é o momento de celebrar o Mistério que dá sentido a tudo e que é o ponto culminante e a fonte de todas as nossas ações pastorais.

No Evangelho que acabamos de ouvir (Mt 16,13-20), Jesus pergunta aos discípulos: «E vós, quem dizeis que Eu sou?» (v. 15). Em nome de todos, Pedro responde: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo» (v. 16). Também nós, após dois mil anos, somos chamados a renovar a mesma profissão de fé: estamos aqui porque acreditamos que Jesus é o Messias, o Filho eterno do Pai, consagrado e enviado ao mundo «para servir e dar a sua vida como resgate em favor de muitos» (Mt 20,28).


Sim, caríssimos, nas palavras de Pedro reconhecemos a verdade que nos enche de alegria e esperança, encontrando o caminho que conduz à vida: o caminho de Deus que se põe a serviço do homem (cf. Fl 2,5-8), do Mestre que se inclina para lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13,12-15), do Pastor que se sacrifica pelo seu rebanho (cf. Jo 10,11). E é nesta ótica que contemplamos o gesto de Jesus que entrega as chaves a Pedro (cf. Mt 16,19-20), pois na Igreja, em todos os níveis, a autoridade é serviço.

O Papa, os Bispos, os sacerdotes e os diáconos são os primeiros chamados a vivê-la desta forma, e a eles deve se unir todo o Povo de Deus, cada um segundo a sua vocação específica. Testemunhou-o muito bem entre vós o Servo de Deus Padre Oreste Benzi, dizendo: «A nossa vocação consiste (...) em deixar-nos conformar a Cristo pobre, a Cristo servo, a Cristo que expia o pecado do mundo, a Cristo Homem-Deus encarnado que vive entre nós em uma forma de partilha direta, a começar pelos últimos» (Con questa tonaca lisa [Com esta túnica desgastada], editado por Valerio Lessi, Bolonha, 1991, p. 42).

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Visita do Papa à Basílica de São Marino (2026)

Na manhã do sábado, 22 de agosto de 2026, o Papa Leão XIV realizou uma Visita à República de San Marino no contexto das suas Visitas Pastorais dentro da Itália [1].

Destacamos nesta postagem seu encontro com a comunidade eclesial na Basílica de São Marino, Co-Catedral da Diocese de San Marino-Montefeltro, durante o qual o Papa venerou as relíquias de São Marino (ou Marinho), Diácono, patrono do pequeno país.

Em seu discurso, ao refletir sobre os percursos de formação, Leão XIV destacou a importância da Liturgia:

“Quanto aos conteúdos, os percursos de crescimento, especialmente na Iniciação Cristã, devem comunicar em primeiro lugar a beleza e o gosto da vida batismal e sacramental, para que nas comunidades nasçam e se fortaleçam caminhos de santidade, e amadureça em todos a consciência da própria dignidade profética, sacerdotal e real. Seguindo os ensinamentos do Concílio Vaticano II, que se preste especial atenção à Liturgia e que os fiéis sejam formados para vivê-la de modo comunitário, como ação comum de um único corpo vivo (cf. Constituição Sacrosanctum Concilium, n. 26), no qual cada membro haure força da Mesa do Senhor, para levar a sua luz aos caminhos do mundo”.

Acolhida do Papa: Veneração da cruz
Oração diante do Santíssimo Sacramento
Incensação
Veneração das relíquias de São Marino

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Ângelus: XX Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 16 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Ontem contemplamos a Virgem Maria na sua inseparável relação com o Filho: nem mesmo a morte conseguiu interromper essa comunhão de alma e corpo, que é vida eterna. Todos os domingos ela nos recorda que essa mesma plenitude está reservada a quem segue Jesus: a sua Ressurreição não é um acontecimento do passado, mas uma vida nova que nos envolve.

Isso é demonstrado hoje pela mulher cananeia, protagonista do Evangelho proclamado na Liturgia (Mt 15,21-28). Apesar de não pertencer ao seu povo e de viver em uma região estrangeira, ela procura insistentemente falar com Jesus, seguindo-o como uma discípula que já tem uma ligação com Ele. Provavelmente nunca tinham se encontrado, mas a fé já havia surgido nela misteriosamente. Ela não deseja algo para si mesma, mas a paz para a sua filha atormentada e confia em Jesus, em quem reconhece o Messias, descendente de Davi (cf. v. 22).

O evangelista não esconde os obstáculos que esta mulher tem de enfrentar. Os discípulos a veem como uma pessoa incômoda, e o próprio Jesus resiste aos seus pedidos. Com efeito, o Mestre tinha se retirado para aquela região (cf. v. 21) e podemos imaginar que, como em outras ocasiões, procurasse um lugar afastado onde rezar e formar os seus discípulos. Naquele momento, porém, acontece algo inesperado. Meditando sobre isto, podemos compreender a obediência de Jesus, que cumpre a sua missão deixando-se tocar pelo que vê e ouve. Por fim, lhe diz: «Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!» (v. 28).

Também hoje a Igreja pode se deixar surpreender pela obra de Deus e comunicar a paz de Cristo para além das fronteiras já traçadas. A sua missão é antecipada pela graça divina, que atua no segredo das consciências, de modo que, em cada encontro, mesmo naqueles que perturbam os nossos planos, é preciso prestar atenção, abrir os olhos e abrir o coração ao que Deus quer nos dizer.

Da mulher cananeia aprendemos a humildade e a determinação. Graças à sua fé, aprendemos que a mesa de Deus está preparada para todos e que a ninguém estão reservadas só as migalhas (cf. vv. 26-27), porque cada um, junto do Pai, tem o seu lugar. À luz desta fé, as desigualdades, as discriminações e as barreiras que pisam a dignidade de tantos filhos e filhas de Deus tornam-se insuportáveis.

Queridos irmãos e irmãs: somos a Igreja de Jesus Cristo em um mundo atormentado, um mundo que procura a paz. A Maria, nossa Mãe, pedimos que interceda por nós. «Dos seus lábios jorra o hino mais forte e inovador que jamais foi entoado, o Magnificat» (Encíclica Magnifica humanitas, n. 244): é o cântico de quem já vê a realidade com o olhar de Deus e, por isso, não perde a esperança e age com caridade.

Jesus e a mulher cananeia
(Pieter Lastman)

Fonte: Santa Sé.

Observação: No Brasil celebramos neste domingo a Solenidade da Assunção da Virgem Maria, transferida do dia 15 de agosto.

quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Ângelus: Solenidade da Assunção de Maria (2026)

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria
Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Sábado, 15 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Celebramos hoje a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Uma festa de grande importância, tanto para a teologia católica como para a devoção popular; com efeito, é uma data comemorada intensamente em várias comunidades, especialmente onde a Catedral ou a igreja paroquial é dedicada à Virgem Assunta.

Para contemplar este mistério da fé, podemos recorrer aos dois modelos iconográficos com que, ao longo dos séculos, os artistas o representaram.

O primeiro, o mais antigo, que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus: ela aparece deitada em um catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus Ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança recém-nascida. Ele veio buscá-la para levá-la consigo para a glória de Deus, “no céu”, como dizemos simbolicamente. Com efeito, o Senhor cumpriu para a sua Mãe o que prometeu a todos os seus amigos: «Quando Eu tiver ido [para junto do Pai] preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo» (Jo 14,3).

Este primeiro modelo realça a verdade central: é Cristo, Morto e Ressuscitado, que nos conduz à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da Dormição, e que se pode admirar em Roma, no grande mosaico da abside da Basílica de Santa Maria Maior.

A iconografia mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra-nos, por sua vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse: «Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés e sobre a cabeça uma coroa de doze estrelas» (Ap 12,1).

Alguns artistas combinaram os dois esquemas, representando, na parte superior, a Virgem gloriosa e, na parte inferior, o seu túmulo vazio, frequentemente repleto de flores multicoloridas, e os Apóstolos com o olhar voltado para ela, no céu.

Este segundo modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na integridade da sua pessoa. Aquela mulher que, na terra, deu corpo e sangue ao Verbo encarnado e o seguiu até a união perfeita no sacrifício de amor, foi atraída por Ele para sempre à glória.

Assim, esta iconografia nos permite contemplar o nosso destino último. A plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera também a nós, no fim dos tempos, quando, como diz São Paulo, Cristo Ressuscitado «transformará o nosso corpo humilhado e o tornará semelhante a seu corpo glorioso» (Fl 3,21), revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é mortal de imortalidade (cf. 1Cor 15,54). Então, com a nossa carne transformada pelo amor do Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim.

Louvemos o Senhor, que fez grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!

Assunção de Maria
(Peter Paul Rubens)

Fonte: Santa Sé.

Para saber mais, confira nossa postagem sobre o ícone da Dormição da Mãe de Deus.

terça-feira, 18 de agosto de 2026

Solenidade da Assunção de Maria em Castel Gandolfo (2026)

Na manhã do sábado, 15 de agosto de 2026, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria na Paróquia Santo Tomás de Villanova, junto ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália), assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli.

Procissão de entrada
Incensação da imagem da Virgem Maria
Ritos iniciais


Homilia do Papa: Assunção de Maria (2026)

Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Leão XIV
Paróquia Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Sábado, 15 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs,
Também este ano, com grande alegria, celebro convosco a Solenidade da Assunção.

O Magistério da Igreja nos ensina que «Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial» (Pio XII, Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, 1º de novembro de 1950) e nos indica, neste Mistério, o cumprimento da plenitude da graça que Deus lhe concedeu na sua Imaculada Conceição (cf. ibid.).

Por isso, muitas obras de arte a retratam, no fim da sua vida terrena, como uma jovem belíssima que se eleva fisicamente da terra em direção à abóbada celeste. Inspiram-se na cena descrita no trecho do Apocalipse que ouvimos na 1ª Leitura: «Uma mulher vestida de sol, tendo a lua debaixo dos pés» (Ap 12,1), para significar que no coração de Maria se encontram o céu e a terra, o tempo e a eternidade.


Esta imagem contrasta, à primeira vista, com a experiência que provoca em nós o passar dos anos. Com o avançar a idade, o nosso corpo não se torna mais ágil, mas mais lento; a pele não fica mais fresca, mas mostra os sinais da velhice; os cabelos não ganham cor nem brilho, mas tornam-se grisalhos e depois brancos. Então, o que temos em comum com a jovem maravilhosa que vemos retratada nas telas dos nossos altares?

Para compreender isto, devemos manter unidos os dois sinais a que nos referimos: o corpo incorruptível da Mãe de Deus e o seu Coração Imaculado. Com efeito, é a pureza da alma que, em Maria - tal como em nós -, pela graça de Deus, ilumina e transfigura a pessoa inteira, conduzindo-a à glória do Céu.

A glorificação de Maria em corpo e alma nos ensina que a nossa verdadeira beleza não consiste em esconder os sinais do tempo que passa, mas em mostrar, impressos também na nossa carne, os sinais do amor que não tem fim (cf. 1Cor 13,8).

sábado, 15 de agosto de 2026

Homilia do Papa Bento XVI: Assunção de Maria (2006)

Há 20 anos, no dia 15 de agosto de 2006, o Papa Bento XVI (†2022) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria na Paróquia Santo Tomás de Villanova, junto ao Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa Bento XVI
Paróquia Santo Tomás de Villanova, Castel Gandolfo
Terça-feira, 15 de agosto de 2006

Venerados irmãos no Episcopado e no Sacerdócio,
Queridos irmãos e irmãs,
No Magnificat, o grande cântico da Virgem que acabamos de ouvir no Evangelho (cf. Lc 1,46-55), encontramos uma palavra surpreendente. Maria diz: «Doravante todas as gerações me chamarão bem-aventurada» (v. 48). A Mãe do Senhor profetiza os louvores marianos da Igreja por todo o futuro, a devoção mariana do Povo de Deus até o fim dos tempos. Louvando Maria, a Igreja não inventou algo “ao lado” da Escritura: respondeu a essa profecia feita por Maria naquela hora de graça.

E essas palavras de Maria não eram só palavras pessoais, talvez arbitrárias. Como diz São Lucas, Isabel havia exclamado, cheia do Espírito Santo: «Bem-aventurada aquela que acreditou» (v. 45). E Maria, também cheia do Espírito Santo, continua e completa o que disse Isabel, afirmando: «Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». É uma verdadeira profecia, inspirada pelo Espírito Santo, e a Igreja, venerando Maria, responde a uma ordem do Espírito Santo, faz o que deve fazer.


Nós não louvamos a Deus suficientemente nos calando sobre os seus santos, sobretudo sobre “a Santa”, que se tornou a sua morada na terra, Maria. A luz simples e multiforme de Deus só se manifesta a nós na sua variedade e riqueza no rosto dos santos, que são o verdadeiro espelho da sua luz. E precisamente contemplando o rosto de Maria podemos ver melhor do que de outros modos a beleza de Deus, a sua bondade, a sua misericórdia. Podemos realmente perceber a luz divina neste rosto.

«Todas as gerações me chamarão bem-aventurada». Nós podemos louvar Maria, venerar Maria, porque é «bem-aventurada», bem-aventurada para sempre. Este é o conteúdo da Solenidade de hoje. É bem-aventurada porque está unida a Deus, vive com Deus e em Deus. O Senhor, na véspera da sua Paixão, despedindo-se dos seus, disse: «Na casa de meu Pai há muitas moradas. (...) Vou preparar um lugar para vós» (Jo 14,2). Maria, ao dizer: «Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1,38), preparava aqui na terra a morada para Deus; ela se tornou essa morada de corpo e alma, e assim abriu a terra ao céu.

Homilia do Papa João Paulo II: Assunção de Maria (2001)

Há 25 anos, no dia 15 de agosto de 2001, o Papa São João Paulo II (†2005) celebrou a Missa da Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria no pátio do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo (Itália).

Reproduzimos aqui sua homilia na ocasião e sua meditação durante a oração do Ângelus:

Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria
Homilia do Papa João Paulo II
Palácio Apostólico de Castel Gandolfo
Quarta-feira, 15 de agosto de 2001

1. «O último inimigo a ser destruído é a morte» (1Cor 15,26).
As palavras de Paulo, que acabam de ressoar na 2ª Leitura, nos ajudam a compreender o significado da Solenidade que hoje celebramos. Em Maria, assunta ao Céu no final da sua vida terrena, resplandece a vitória definitiva de Cristo sobre a morte, a qual entrou no mundo por causa do pecado de Adão. Foi Cristo, o “novo” Adão, que venceu a morte, oferecendo-se em sacrifício no Calvário, em atitude de amor obediente ao Pai. Assim, Ele nos resgatou da escravidão do pecado e do mal. No triunfo da Virgem, a Igreja contempla aquela que o Pai escolheu como verdadeira Mãe do seu Filho Unigênito, associando-a intimamente ao desígnio salvífico da Redenção.

É por isso que Maria, como bem evidencia a Liturgia, é sinal consolador da nossa esperança. Olhando para ela, arrebatada na exultação dos coros dos anjos, toda a existência humana, mesclada de luzes e sombras, se abre à perspectiva da eterna bem-aventurança. Se a experiência quotidiana nos faz experimentar como a peregrinação terrena está marcada pela incerteza e pela luta, a Virgem elevada à glória do Paraíso nos assegura que jamais nos faltará a proteção divina.


2. «Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida de sol» (Ap 12,1).
Olhemos para Maria, caríssimos irmãos e irmãs, reunidos aqui em um dia tão querido à devoção do povo cristão. Saúdo-vos com grande afeto. Saúdo de modo particular o Cardeal Angelo Sodano, meu primeiro colaborador, e o Bispo de Albano, com o seu Auxiliar, agradecendo-lhes pela sua presença [1]. Saúdo também o pároco com os sacerdotes que o ajudam, os religiosos, as religiosas e todos os fiéis aqui presentes, de maneira especial os consagrados salesianos, a comunidade de Castel Gandolfo e a das Vilas Pontifícias. Estendo o meu pensamento aos peregrinos de diversas línguas que quiseram unir-se à nossa celebração. Desejo a cada um que viva com alegria a Solenidade deste dia, rica de motivos de meditação.

Um grande sinal apareceu para nós no céu hoje: a Virgem Mãe! É dela que o autor sagrado do Livro do Apocalipse nos fala com linguagem profética na 1ª Leitura. Que extraordinário prodígio se apresenta diante dos nossos olhos espantados! Acostumados a olhar para as realidades da terra, somos convidados a elevar o olhar para o Alto: para o Céu, que é a nossa Pátria definitiva, onde a Santíssima Virgem nos espera.

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Ângelus: XIX Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 09 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Hoje o Evangelho nos fala de Jesus que, caminhando sobre as águas do mar da Galileia, vai ter com os discípulos no meio de uma tempestade (Mt 14,22-33).

Após o milagre dos pães e dos peixes (cf. Mt 14,13-21) o Mestre manda os seus discípulos embarcar e ir adiante, para a outra margem, enquanto Ele se retira em um monte, sozinho, para rezar. Longe da costa, porém, encontram-se à mercê do vento e têm dificuldade em avançar. Depois de uma experiência bem-sucedida, na qual tinham sido protagonistas de um sinal prodigioso, encontram-se agora impotentes e assustados perante a ameaça das ondas e do vento contrário.

No final da noite, Jesus vai ao encontro deles sobre as águas agitadas, e, assustados, o confundem com um fantasma (v. 26). Mas Ele lhes diz: «Coragem! Sou Eu. Não tenhais medo!» (v. 27). A presença do Senhor muda tudo: Pedro chega até mesmo a dar alguns passos sobre as ondas em direção a Ele; depois se assusta, começa a afundar e Jesus o salva. Quando o Mestre entra no barco, a tempestade se acalma e então brota espontaneamente do coração dos discípulos a profissão de fé: « Verdadeiramente Tu és o Filho de Deus!» (v. 33).

Para chegar a este ponto não lhes bastou assistir a um milagre, nem ter tido bom êxito diante das pessoas: tiveram que passar pela experiência da própria fraqueza, reconhecendo nela a presença de Deus. Só assim conseguiram verdadeiramente abrir os olhos e o coração à sua proximidade, reencontrando a paz mesmo no meio da tempestade.

Um dia, mais tarde, Jesus lhes dirá: «Se tiverdes fé e não duvidardes (...), se disserdes a este monte: “Arranca-te daí e lança-te ao mar”, acontecerá» (Mt 21,21). E foi precisamente isso que eles experimentaram no lago: a paz de Cristo, que tinha estado na montanha rezando, alcançou-os no meio da fúria das águas.

Com efeito, este milagre nos ensina algo importante: em primeiro lugar, a não nos vangloriarmos do sucesso e a nunca nos considerarmos superiores aos outros; depois, a não perdermos a esperança, nem mesmo nos momentos de escuridão, quando nos sentimos impotentes perante os problemas que, apesar dos nossos esforços, nos fazem pensar que estamos recuando em vez de avançar. Em qualquer circunstância, Jesus não nos abandona e, se o acolhermos humildemente no barco da nossa vida - através da oração, dos Sacramentos e da escuta da Palavra -, n’Ele encontraremos a paz, a luz e a força para o nosso caminho.

Que Maria nos ajude a viver assim, com confiante abandono em Deus, ela que foi proclamada bem-aventurada pela sua fé (cf. Lc 1,45).

Jesus caminha sobre as águas
(Walter Rane)

Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

Fotos da Missa do Papa em Assis (2026)

Na manhã da quinta-feira, 06 de agosto de 2026, dando continuidade às suas Visitas Pastorais dentro da Itália, o Papa Leão XIV celebrou a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor na Basílica de Santa Maria dos Anjos na Porciúncula em Assis (Itália).

O Papa, assistido por Dom Diego Giovanni Ravelli, celebrou a Missa por ocasião de uma peregrinação de jovens a Assis no contexto dos 800 anos da morte de São Francisco.

Procissão de entrada

Incensação
Ritos iniciais

Homilia do Papa: Missa em Assis (2026)

Visita Pastoral a Assis (Itália)
Santa Missa com os Jovens
Homilia do Papa Leão XIV
Basílica de Santa Maria dos Anjos (Assis)
Quinta-feira, 06 de agosto de 2026

Foi celebrada a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor (Ano A).

Caríssimos irmãos e irmãs,
Caríssimos jovens!
A Festa da Transfiguração, que estamos celebrando, é um mistério de luz que nos ajuda a aprofundar este nosso encontro, tão alegre, mas tão repleto de interrogações sobre o presente e o futuro. No relato evangélico vemos o contraste entre luz e sombra, silêncio e palavras, espanto e incompreensão. Estamos em Assis, uma cidade para onde há séculos sobem muitos peregrinos - hoje também nós! -, porque aqui tudo sussurra que a nossa vida pode transformar-se, irradiar luz, reparar o mundo. Foi aqui que teve início a transfiguração de Francisco, de Clara e, depois, de milhares de outros jovens: acolheram o Evangelho sine glossa - sem reservas, diríamos nós - e a vida de Jesus recomeçou neles.


Viemos aqui para compreender para onde vai a história e para onde vamos nós. No Evangelho vemos que é possível encontrar um sentido, é possível vislumbrar um caminho. Tal como Pedro, Tiago e João, somos levados para um lugar um pouco à parte, e Jesus está conosco. E é isso que importa: a sua presença. No monte os Apóstolos contemplam Jesus orientando-se para o seu próprio futuro. A este respeito tinha ocorrido um mal-entendido entre eles. Seis dias antes, Pedro tinha contestado o Mestre por falar abertamente da cruz (cf. Mt 16,21-26): esperava a glória para o Messias, e talvez também para si mesmo, não tendo em conta nem resistências nem riscos, e sobretudo não se questionando sobre o que é a glória. Agora, na Transfiguração de Jesus, é o próprio Deus que se revela na sua glória, que tem o aspecto de uma nuvem que protege e envolve. Ele aponta para o Filho e convida a escutá-lo. O caminho da vida descobre-se seguindo-o juntos. A sua beleza assume um novo aspecto, uma intensidade sem precedentes, a tal ponto que Pedro gostaria de parar o tempo e prolongar aquela visão. Generosamente, oferece-se para construir três tendas, como que para ver continuar a conversa entre Jesus, Moisés e Elias. Porém, é preciso entrar nessa conversa. Não podemos permanecer apenas como espectadores. Com efeito, somos chamados a ler as Escrituras com o Mestre, a interpretar o nosso tempo e a tomar decisões, seguindo o seu caminho. Estamos aqui para vencer a resignação e o medo, para dissipar as dúvidas que também nos detêm, tal como detinham os Apóstolos. Jesus chama-nos a dialogar com a sua história, para escrever novas páginas de história.

quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior (2026)

Na quarta-feira, 05 de agosto de 2026, a Basílica de Santa Maria Maior em Roma acolheu as celebrações da Solenidade do Aniversário da sua Dedicação [1].

Pela manhã o Arcipreste da Basílica, Cardeal Rolandas Makrickas, presidiu a Missa da Solenidade, e à tarde o Vigário do Arcipreste, Dom Luis Manuel Alí Herrera, presidiu as II Vésperas.

Durante o Glória na Missa e durante o Magnificat (Lc 1,46-55) nas Vésperas, como de costume, teve lugar a recordação do “milagre da neve”, que marca as origens lendárias da igreja, através da efusão de pétalas de rosas brancas a partir do teto da Basílica. Para saber mais, confira nossa postagem sobre a história da Memória da Dedicação da Basílica de Santa Maria Maior.

05 de agosto: Missa

Procissão de entrada
Glória e recordação do “milagre da neve

Homilia

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Visitas Pastorais do Papa na Itália: 2026 (Parte 2)

No dia 08 de maio de 2026, um ano após sua eleição como Bispo de Roma, o Papa Leão XIV deu início às Visitas Pastorais dentro da Itália.

Na primeira parte destacamos as primeiras quatro Visitas: Pompeia e Nápoles, Acerra, Pavia e Sant’Angelo Lodigiano e Lampedusa. Nesta segunda parte, por sua vez, apresentaremos brevemente as próximas três Visitas Pastorais deste ano de 2026:

Leão XIV reza diante do túmulo de São Francisco de Assis
(20 de novembro de 2025)

5. ASSIS (06 de agosto)

Na quinta-feira, 06 de agosto de 2026, o Papa visita a cidade de Assis (Diocese de Assis-Nocera Umbra-Gualdo Tadino), na região da Úmbria, no centro da Itália.

O primeiro Papa da Era Moderna a visitar a cidade foi São João XXIII no dia 04 de outubro de 1962, às vésperas da abertura do Concílio Vaticano II.

São João Paulo II visitou Assis em seis ocasiões, entre Visitas Pastorais e visitas privadas (05 de novembro de 1978, 12 de março de 1982, 27 de outubro de 1986, 09-10 de janeiro de 1993, 03 de janeiro de 1998 e 24 de janeiro de 2002), destacando-se o encontro ecumênico e interreligioso de oração pela paz de 1986.

Bento XVI, por sua vez, visitou a cidade duas vezes (17 de junho de 2007 e 27 de outubro de 2011), enquanto Francisco a visitou em seis ocasiões (04 de outubro de 2013, 04 de agosto de 2016, 20 de setembro de 2016, 03 de outubro de 2020, 12 de novembro de 2021 e 24 de setembro de 2022).

Leão XIV na Basílica de Santa Maria dos Anjos
(20 de novembro de 2025)

O próprio Leão XIV já visitou Assis no dia 20 de novembro de 2025, quando rezou diante do túmulo do Poverello na Basílica de São Francisco e participou de um encontro com os Bispos italianos na Basílica de Santa Maria dos Anjos na Porciúncula.

Neste dia 06 de agosto o Papa participa de um encontro com os jovens peregrinos a Assis no contexto dos 800 anos da morte de São Francisco e celebra a Missa da Festa da Transfiguração do Senhor na Basílica de Santa Maria dos Anjos.

6. SAN MARINO (22 de agosto)

Embora seja um país independente, o território da República de San Marino integra a Diocese de San Marino-Montefeltro, na região da Emília-Romanha (Emilia-Romagna), no norte da Itália.

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Ângelus: XVIII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 02 de agosto de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Quando ouvimos o Evangelho, frequentemente escutamos falar dos sinais realizados por Jesus: são gestos que manifestam a sua dedicação especial por nós, ou seja, a salvação que Ele traz ao mundo. O Senhor é recordado como Aquele que dá sentido à vida, libertando-a do mal e do pecado.

Ao dar a visão aos cegos e a audição aos surdos, Cristo não se limita a realizar milagres, mas anuncia a todos que o Reino de Deus está próximo. Por isso, o Evangelho de hoje (Mt 14,13-21) testemunha que Jesus não se limita a restaurar os sentidos a quem deles carece, mas também dá sabor aos nossos sentidos. A quem era surdo e passa a ouvir, o Senhor dirige a Boa Nova para ser ouvida; a quem era cego e passa a ver, mostra a esplêndida obra da redenção que é realizada por Ele. Da mesma forma, Jesus dá aos que têm fome o alimento para comer: o episódio da multiplicação dos pães significa que o encontro com o Senhor é uma experiência nutritiva. No deserto, ou seja, no lugar da nossa necessidade, Cristo é o pão da vida. Com Ele, o essencial é abundante: «Todos comeram e ficaram satisfeitos» e, com o que sobrou, «recolheram ainda doze cestos cheios» (v. 20). Este número realça que a dádiva do Senhor é universal e que a sua providência para conosco nunca falha.

Caríssimos, Cristo sacia verdadeiramente a fome da humanidade, a nossa fome de verdade e de vida. Ao mesmo tempo, o seu gesto ensina que nada se desperdiça quando é partilhado. A acumulação e o desperdício, por outro lado, são duas faces do mesmo mal: a ganância. Esta doença da alma faz perder o juízo, porque embriaga de riquezas, ao ponto de ignorar aqueles que choram de fome e clamam de sede. E assim, perante a opulência das coisas que perecem, estão as mãos estendidas de quem não tem o que comer, as casas incendiadas de quem não tem paz.

No deserto da guerra e da arrogância, observemos com que benevolência o Senhor «ergueu os olhos para o céu», «pronunciou a bênção», «partiu os pães e os deu» aos seus discípulos, para que os distribuíssem à multidão (v. 19). Neste milagre da caridade reconhecemos os gestos característicos de Jesus, que encontram na Última Ceia o seu ápice. Com efeito, nessa ocasião o Filho de Deus nos entrega a sua própria vida, como nosso irmão na humanidade. Enquanto saboreamos a graça da Eucaristia, comprometamo-nos a testemunhar a sua beleza nos nossos gestos quotidianos, a começar pela bênção da mesa, quando partilhamos o pão em família e entre amigos. Na companhia de Jesus, também as férias podem se tornar um tempo de serenidade fraterna, envolvendo aqueles que, ao nosso lado, se encontram em necessidade.

Peçamos, portanto, à Virgem Maria, mãe atenciosa, que nos faça crescer na caridade, para que a ninguém falte o pão de cada dia.

Multiplicação dos pães
(Vasily Nesterenko)

Fonte: Santa Sé.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Ângelus: XVII Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 26 de julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
No centro do ensinamento de Jesus está o mistério do Reino de Deus, que o Evangelho de hoje compara a uma pérola e a um tesouro (cf. Mt 13,44-52). As parábolas dão a entender a surpresa de quem encontra algo que nem sequer podia esperar, a tal ponto que vender ou deixar tudo já não aparece como uma renúncia, mas sim como um ganho. Na verdade, os evangelistas, desde as primeiras páginas, descrevem o chamado de Jesus a segui-lo como irresistível: livre, certamente, mas urgente e capaz de suscitar uma resposta imediata e movida pelo desejo. Este é um primeiro e importante aspecto do modo como Deus está próximo e se deixa encontrar: o encontro com o seu Reino é uma reviravolta que não restringe, mas alarga a vida. Se algo agora precisa mudar, é para trazer mais possibilidades, não menos.

Há um segundo aspecto ao qual Jesus parece dar muita importância: quem encontra o tesouro escondido no campo é provavelmente um agricultor; a pérola, por sua vez, é reconhecida como sendo de grande valor por um negociante, talvez um viajante. Seguem-se outras duas parábolas, nas quais os protagonistas são pescadores e um escriba entendido em coisas velhas e novas. Existem outras, ainda, nas quais o Reino se deixa vislumbrar em uma mulher que amassa a farinha, em outra que arruma a casa, em um rei que prepara a guerra, em um homem que projeta construir uma torre, em administradores que gerem pagamentos ou investimentos, em pastores e agricultores. O Reino de Deus, em suma, revela a sua beleza inestimável de diversas formas, mas chama todos - homens e mulheres, jovens e idosos, pobres e ricos - a uma profunda renovação. Todos podem compreendê-lo e são atraídos por ele.

Também hoje a Igreja é uma comunhão de pessoas diferentes quanto à sua origem, à cultura, às competências e ao nível de responsabilidade, mas todas chamadas a se reconhecerem como “um” em Jesus Cristo: é Ele o tesouro escondido, a pérola preciosa, a rede que recolhe os dispersos. Com efeito, desde o princípio, Jesus chamou e reuniu em torno de si pessoas que, de outro modo, nunca se teriam relacionado. Precisamente assim demonstrou que Deus não faz distinção de pessoas e que a sua eleição é predileção, especialmente por quem é pequeno e rejeitado.

Irmãos e irmãs, só nos resta pedir um dom, o mesmo que o jovem rei Salomão invocou (cf. 1Rs 3,5.7-12). É o dom de distinguir a pérola de grande valor, de saber reconhecer o tesouro pelo qual vale a pena vender tudo. Enquanto a indústria do consumo nos altera o paladar, suscitando sempre novas necessidades para depois nos vender respostas que não saciam e, por vezes, envenenam o coração, temos que aprender a perceber o que realmente importa, o tesouro da relação com Deus, que nos abre à alegria e ajuda a viver da melhor maneira as relações entre nós.

Que a intercessão de Maria, Sede da Sabedoria, oriente para Jesus o nosso desejo de vida, para que se realize em plenitude.


Fonte: Santa Sé.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

Ângelus: XVI Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 19 de julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
Após a parábola do semeador, Jesus continua a falar às multidões por meio de algumas imagens: o joio e o trigo, a semente de mostarda e o fermento na farinha (Mt 13,24-43).

Trata-se de três pequenas parábolas que pretendem evocar a chegada do Reino de Deus na história, a sua ação na vida dos homens, a maneira como cresce, se expande e transforma o mundo a partir de dentro. Com esses relatos, Jesus nos adverte contra a tentação de pensar em Deus como uma figura poderosa, que se impõe pela força, que ocupa o espaço para dominar, que chega de forma triunfante. Pelo contrário, Deus prefere a pequenez, sinal de seu amor discreto. Ele nos deixa livres para acolhê-lo ou rejeitá-lo, procura abrir caminho mesmo em meio ao joio e age de forma oculta e invisível, como a menor de todas as sementes, fermentando a massa sem fazer barulho.

Irmãos e irmãs, com essas parábolas Jesus nos diz algo importante sobre o modo como Deus opera em nossa vida e na história. Às vezes esperamos algo espetacular, desejamos um Deus que intervenha do alto, arrancando imediatamente o joio, que é o mal. Imaginamos um Deus forte e poderoso e, infelizmente, também adequamos nossa maneira de ser cristãos e de ser Igreja a essa imagem. Em vez disso, o Reino de Deus se difunde também em meio ao joio e nos pede um olhar capaz de reconhecer o bem que brota mesmo nas trevas do mal, sem que julguemos tudo apressadamente. Ele vem como a menor das sementes e exige, portanto, a paciência de saber acompanhar os processos, reconhecendo-o na simplicidade do cotidiano e na singeleza da vida comum. Cresce invisivelmente, como o fermento na farinha, e assim nos liberta do desânimo, convidando-nos a ter confiança, ainda que nos pareça que Deus está ausente. Pois, na verdade, Ele nos acompanha continuamente e seu amor está sempre agindo em nosso favor.

Esse estilo de Deus deve se tornar também o modelo segundo o qual vivemos a realidade que nos rodeia, tanto como indivíduos quanto como Igreja. Somos chamados a assumir um estilo evangélico, sem adotarmos precipitadamente uma postura de oposição marcada por julgamentos arrogantes, sem nos impormos pelo poder e pela força e sem perdermos a confiança na obra de Deus. Trata-se - dizia o então Cardeal Ratzinger - de nos submetermos à lógica da semente, que não é a do sucesso e da grandeza, mas que nos pede para nos tornarmos pequenos e servirmos à vida das pessoas (cf. Discurso no Congresso dos Catequistas e dos Professores de Religião, 10 de dezembro de 2000). Assim, nós mesmos nos tornaremos como uma pequena semente do Evangelho que brota e como um fermento de amor que transforma a massa do mundo.

Oremos a Maria Santíssima, que soube acolher a semente da Palavra em sua humildade, para que ela nos sustente em nosso caminho e interceda por nós.


Fonte: Santa Sé.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Ângelus: XV Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça da Liberdade (Castel Gandolfo)
Domingo, 12 de julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom dia e bom domingo!
Na Liturgia de hoje o evangelista Mateus nos apresenta a parábola do semeador (Mt 13,1-23), que descreve a generosidade e a confiança com que Deus espalha a sua Palavra no nosso coração e o seu poder em nós.

O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto (cf. Jo 12,24). É verdade que, às vezes, Ele encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos; mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então se desencadeiam milagres de amor capazes de mudar tudo, como também nós certamente já experimentamos na nossa vida. Por isso o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte do que a nossa fraqueza (cf. 2Cor 12,9-10).

É o que afirma São João Crisóstomo, referindo-se à “semente” da Palavra de Deus: «Como pode ser razoável semear entre espinhos, em terreno pedregoso, à beira do caminho? No caso das sementes e da terra, isso não seria razoável, mas no caso das almas e dos ensinamentos, isso é muito louvável» (Homilias sobre o Evangelho de Mateus, 44, 3). Na verdade, é possível que, nas mãos de Deus, «o terreno pedregoso se transforme, tornando-se terra fértil; que o caminho deixe de ser pisado e de estar exposto a todos os transeuntes, passando a ser solo fértil; que os espinhos sejam eliminados e as sementes desfrutem de uma situação de grande segurança» (ibid.).

A generosidade de Deus para conosco não é ingénua, mas sábia, e sabe aproveitar em nós a possibilidade de um bem que, por vezes, nem sequer percebemos. Por isso o Senhor, que conhece o terreno do nosso coração melhor do que nós mesmos, não deixa de acreditar em nós: naquilo que somos e naquilo em que podemos nos tornar, dia após dia, se nos entregarmos a Ele com fé.

Assim, a partir da gratuidade e confiança com que a semente é lançada e da humildade e disponibilidade com que é recebida, crescem em nós e se difundem, como ensina São Paulo, os frutos do Espírito Santo: «caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência» (Gl 5,22-23). Como o nosso mundo precisa destes frutos e de ser preenchido e transformado por eles!

Com efeito, especialmente nestes dias de férias, empenhemo-nos em dedicar tempo à escuta, à leitura e à meditação da Palavra de Deus, cultivando, junto ao descanso e à diversão saudável, momentos significativos de silêncio e oração. Retornaremos às nossas ocupações habituais renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus.

Que Maria, Rainha dos Apóstolos e Estrela da Evangelização, nos ajude nisto.


Fonte: Santa Sé.

Confira também a meditação do Papa Leão XIV sobre a “parábola do semeador” na primeira Audiência Geral após sua eleição, no contexto do Jubileu Ordinário de 2025.

sábado, 25 de julho de 2026

Ângelus: XIV Domingo do Tempo Comum - Ano A (2026)

Papa Leão XIV
Ângelus
Praça de São Pedro
Domingo, 05 de julho de 2026

Queridos irmãos e irmãs, bom domingo!
O Evangelho da Liturgia de hoje (Mt 11,25-30) nos convida a partilhar o louvor que Jesus eleva ao Pai, «Senhor do céu e da terra» (v. 25). O Filho de Deus feito homem manifesta o seu amor envolvendo todas as criaturas nesta ação de graças.

A simplicidade de um gesto tão espontâneo e alegre corresponde ao estilo de Deus, que gosta de se revelar «aos pequeninos», enquanto permanece escondido «aos sábios e entendidos» (v. 25). Na verdade, estes estão de tal forma cheios das próprias ideias que não reconhecem a presença de Cristo, o Messias que visita o seu povo. A sabedoria humana, então, se torna arrogância e a doutrina degenera em soberba. Pelo contrário, a verdadeira sabedoria de Deus se revela na humildade da carne e o seu ensinamento se dirige àqueles que passam por maiores dificuldades: «Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados» (v. 28), diz o Senhor. Ir ao encontro de Jesus significa corresponder ao seu amor e partilhar a sua vida até a cruz, como Ele mesmo nos explicou: «Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga» (Mt 16,24). É precisamente o dom de si mesmo por amor que constitui o “jugo” de Jesus (cf. Mt 11,29), isto é, a síntese do seu ensinamento, o cerne da sua sabedoria, ardente de caridade para com todos.

Irmãos e irmãs, como pode ser “leve” e “suave” o peso da cruz (cf. v. 30)? Só por uma razão: porque o Senhor o carrega primeiro e com todos nós, sem nunca nos deixar sozinhos diante do que nos oprime. Como autêntico mestre, Jesus toma sobre si a humanidade ferida pelo mal, para cuidar dela. A sabedoria que Ele nos dá é um anúncio de salvação e o seu jugo nos levanta de todas as quedas. Ao seguir Cristo, o nosso caminho não é, portanto, uma ascese que mortifica: é uma escola de liberdade, que leva a sério o drama da história e ilumina sempre o seu sentido, sobretudo nos momentos mais sombrios. Com efeito, só na Cruz de Jesus é que o mal é redimido: só na sua Paixão é que o nosso cansaço mortal encontra consolo e resgate.

Em situações de escravidão, Cristo é libertação. No flagelo da guerra, Cristo é esperança. Na hora do pecado, Cristo é perdão. Esta é a verdadeira sabedoria, isto é, o caminho que queremos percorrer juntos, unidos como discípulos em seu nome. Jesus nos ensina isso como Filho, tornando-se nosso irmão: com a força do Espírito Santo, Ele mesmo manifesta à Igreja a verdade de Deus e do homem, pois «ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (v. 27).

Caríssimos, ao darmos graças ao Senhor por esta sua confidência cheia de amor, imploremos a intercessão de Maria, Rainha da Paz, pelo bem da Igreja e do mundo inteiro.

“Vinde a mim...”
(Igreja do Sagrado Coração de Jesus - Augsburg, Alemanha)

Fonte: Santa Sé.