quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Catequeses do Jubileu 2025: Infância de Jesus 4

Concluídas as celebrações do Tempo do Natal, retomamos a publicação das Catequeses do Jubileu Ordinário de 2025, “Jesus Cristo, nossa esperança”, com as últimas duas meditações sobre a infância de Jesus: a Apresentação no Templo (Lc 2,22-40) e do encontro de Jesus no Templo (Lc 2,41-52).

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 26 de fevereiro de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
1.7. A infância de Jesus: A Apresentação no Templo (Lc 2,22-40)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Hoje contemplamos a beleza de «Jesus Cristo, nossa esperança» (1Tm 1,1) no mistério da sua Apresentação no Templo.

Nos relatos da infância de Jesus o evangelista Lucas nos mostra a obediência de Maria e José à Lei do Senhor e a todas as suas prescrições. Na realidade, em Israel não havia a obrigação de apresentar o menino no Templo, mas quem vivia à escuta da Palavra do Senhor e desejava conformar-se a ela, considerava-a um costume precioso. Assim fez Ana, mãe do profeta Samuel, que era estéril; Deus ouviu a sua prece e ela, uma vez nascido o filho, o levou ao Templo e o ofereceu para sempre ao Senhor (cf. 1Sm 1,24-28).

Apresentação de Jesus no Templo
(Aert de Gelder)

Lucas, portanto, narra o primeiro ato de culto de Jesus, celebrado na cidade santa, Jerusalém, que será a meta de todo o seu ministério itinerante a partir do momento em que tomará a firme decisão de se dirigir a ela (cf. Lc 9,51), indo ao encontro do cumprimento da sua missão.

Maria e José não se limitam a enxertar Jesus em uma história de família, de povo, de aliança com o Senhor Deus. Eles se ocupam do seu cuidado e do seu crescimento, introduzindo-o no ambiente da fé e do culto. E eles mesmos crescem gradualmente na compreensão de uma vocação que os supera em grande medida.

No Templo, que é «casa de oração» (Lc 19,46), o Espírito Santo fala ao coração de um ancião: Simeão, membro do povo santo de Deus, preparado na expectativa e na esperança, que nutre o desejo do cumprimento das promessas feitas por Deus a Israel através dos profetas. Simeão sente no Templo a presença do Ungido do Senhor, vê a luz que resplandece no meio dos povos mergulhados «nas trevas» (cf. Is 9,1) e vai ao encontro daquele menino que, como profetiza Isaías, «nasceu para nós», é o filho que «nos foi dado», o «Príncipe da paz» (Is 9,5). Simeão abraça aquele menino que, pequeno e indefeso, repousa nos seus braços; mas na realidade é ele que encontra a consolação e a plenitude da sua existência abraçando-o. Exprime-o em um cântico cheio de comovida gratidão, que na Igreja se tornou a oração do fim do dia:
«Agora, Senhor, conforme a tua promessa, podes deixar teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do teu povo Israel» (Lc 2,29-32).

Simeão canta a alegria de quem viu, de quem reconheceu e pode transmitir aos outros o encontro com o Salvador de Israel e das nações. É testemunha da fé, que recebe como dom e comunica aos outros; é testemunha da esperança que não decepciona; é testemunha do amor de Deus, que enche o coração do homem de alegria e de paz. Repleto dessa consolação espiritual, o velho Simeão vê a morte não como o fim, mas como cumprimento, como plenitude, a espera como “irmã” que não aniquila, mas introduz na verdadeira vida que ele já anteviu e na qual crê.

Naquele dia, Simeão não é o único a ver a salvação feita carne no menino Jesus. O mesmo acontece com Ana, mulher com mais de oitenta anos, viúva, totalmente dedicada ao serviço do Templo e consagrada à oração. Ao ver o menino, com efeito, Ana celebra o Deus de Israel, que precisamente naquele pequenino redimiu o seu povo, e conta aos outros, propagando generosamente a palavra profética. Assim, o cântico da redenção de dois anciãos liberta o anúncio do Jubileu para todo o povo e para o mundo. No Templo de Jerusalém se reacende a esperança nos corações, porque nele entrou Cristo, nossa esperança!

Amados irmãos e irmãs, imitemos também nós Simeão e Ana, estes “peregrinos de esperança” que têm olhos límpidos, capazes de ver além das aparências, que sabem “farejar” a presença de Deus na pequenez, que sabem acolher com alegria a visita de Deus e reacender a esperança no coração dos irmãos e irmãs.

Papa Francisco
Audiência Geral
Quarta-feira, 05 de março de 2025
Jubileu 2025: Jesus Cristo, nossa esperança
1.8. A infância de Jesus: O encontro no Templo (Lc 2,41-52)

Caros irmãos e irmãs, bom dia!
Nesta última Catequese dedicada à infância de Jesus, inspiremo-nos no episódio em que, aos doze anos, Ele permaneceu no Templo sem avisar os seus pais, que o procuraram ansiosamente e o encontraram depois de três dias. Este relato apresenta-nos um diálogo muito interessante entre Maria e Jesus, que nos ajuda a refletir sobre o caminho da Mãe de Jesus, um caminho que certamente não foi fácil. Com efeito, Maria percorreu um itinerário espiritual ao longo do qual progrediu na compreensão do mistério do seu Filho.

Recordemos as várias etapas desse percurso. No início da sua gravidez, Maria visita Isabel e permanece com ela durante três meses, até o nascimento do pequeno João. Depois, quando já está no nono mês de gravidez, por causa do recenseamento, vai com José a Belém, onde dá à luz Jesus. Após quarenta dias, vão a Jerusalém para a Apresentação do menino; e depois, todos os anos, regressam em peregrinação ao Templo. Mas com Jesus ainda pequenino, refugiaram-se durante muito tempo no Egito para protegê-lo de Herodes, e só após a morte do rei voltaram a estabelecer-se em Nazaré. Quando Jesus, já adulto, inicia o seu ministério, Maria está presente e é protagonista nas Bodas de Caná; depois o segue “à distância”, até a última viagem a Jerusalém, até a Paixão e Morte. Depois da Ressurreição, Maria permanece em Jerusalém como Mãe dos discípulos, sustentando a sua fé à espera da efusão do Espírito Santo.

Ao longo de todo esse caminho, a Virgem é peregrina de esperança, de tal forma que se torna “filha do seu Filho”, sua primeira discípula. Maria trouxe ao mundo Jesus, Esperança da humanidade: o alimentou, o fez crescer, o seguiu, deixando-se plasmar por primeiro pela Palavra de Deus. Nela - como disse Bento XVI - Maria «sente-se verdadeiramente em casa, dela sai e a ela volta com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus... assim se revela que os seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que a sua vontade está unida à de Deus. Vivendo intimamente permeada pela Palavra de Deus, ela pôde tornar-se mãe da Palavra encarnada» (Encíclica Deus caritas est, n. 41). No entanto, essa singular comunhão com a Palavra de Deus não a poupa do esforço de um exigente “aprendizado”.

A experiência da perda de Jesus aos doze anos, durante a peregrinação anual a Jerusalém, assusta Maria a tal ponto que ela se faz porta-voz também de José ao repreender o filho: «Meu filho, por que agiste assim conosco? Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura» (Lc 2,48). Maria e José sentiram a dor dos pais que perdem um filho: ambos acreditavam que Jesus estava na caravana dos parentes, mas não o tendo visto durante um dia inteiro, começam a busca que os levará a fazer a viagem de regresso. Quando voltam ao Templo, descobrem que Aquele que aos seus olhos, até pouco antes, era um menino a proteger, cresceu como que repentinamente e já é capaz de participar em debates sobre as Escrituras e de confrontar os mestres da Lei.

Diante da repreensão da mãe, Jesus responde com uma simplicidade desarmante: «Por que me procuráveis? Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?» (Lc 2,49). Maria e José não compreendem: o mistério do Deus que se fez menino supera a sua inteligência. Os pais querem proteger aquele filho preciosíssimo sob as asas do seu amor; Jesus, ao contrário, quer viver a sua vocação de Filho do Pai que está a seu serviço e vive mergulhado na sua Palavra.

Assim, os relatos da infância de Jesus segundo Lucas se concluem com as últimas palavras de Maria, que recordam a paternidade de José em relação a Jesus, e com as primeiras palavras de Jesus, que reconhecem como esta paternidade tem origem naquela do seu Pai celeste, de quem reconhece o primado indiscutível.

Caros irmãos e irmãs, como Maria e José, cheios de esperança, sigamos também nós os passos do Senhor, que não se deixa limitar pelos nossos esquemas, deixando-se encontrar não tanto em um lugar, mas na resposta de amor à terna paternidade divina, resposta de amor que é a vida filial.

A Trindade celeste e a trindade terrestre
(Bartolomé Esteban Murillo)

Fonte: Santa Sé (26 de fevereiro e 05 de março de 2025).

Observação: As duas Catequeses acima foram preparadas pelo Papa e divulgadas pela Santa Sé, uma vez que este se encontrava hospitalizado.

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